julho 2014 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

julho 2014

Campanha no Ceará marcada por baixarias: mais respeito com o eleitor, senhores!

Por Wanfil em Eleições 2014

30 de julho de 2014

Começou mal a campanha eleitoral no Ceará. Troca de acusações, xingamentos, demonstrações de ressentimento e o uso de insinuações depreciativas sobre adversários ofuscam qualquer debate sobre os reais problemas do Estado. A maioria dessas manifestações são protagonizadas por membros das duas maiores coligações, geralmente aliados e correligionários dos candidatos.

Pelo lado de Camilo Santana (PT), Ciro Gomes, ex-governador e atual secretário de Saúde – área mais preocupante para o eleitor cearense segundo o Ibope -, abusa das declarações agressivas contra opositores. É do seu estilo, todos sabem, mas como tudo demais é veneno, por muitas vezes essa postura mais atrapalha do que ajuda. Com o agravante de que se trata de político experiente e de inteligência afiada, mas que não raro sucumbe ao apelo das emoções.

Durante a inauguração do comitê do candidato Camilo, Ciro chamou o candidato do PMDB, Eunício Oliveira, entre outras coisas, de “petralha”. O colunista Josias de Souza, do UOL, cravou: “ato falho”. Ciro veria o petismo como sinônimo de roubo, já que o termo petralha, criado pelo jornalista Reinaldo Azevedo, é a junção de petista com metralha, uma alusão aos criminosos “Irmãos Metralha”, personagens de histórias em quadrinhos. Nunca gostei do adjetivo e nunca o empreguei, por entendê-lo com uma espécie de infantilização do debate político. Seu contraponto, assinado por Paulo Henrique Amorim, é o PIG (porco em inglês), que significa Partido da Imprensa Golpista. Quanta bobagem! Voltando ao Ceará, Ciro explicou depois que foi um erro, mas que tem críticas a setores do PT, justamente o partido de Camilo. Ganhou o quê com isso? Nada.

Outro que tenta mostrar serviço como infantaria no front da baixaria foi o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, ao insinuar (repetindo Ciro) que Eunício “se serviu da política” para enriquecer. Se serviu como? Ninguém diz ou mostra indício, muito menos representa judicialmente o que afirma. Se uma autoridade sabe de crimes cometidos por outra e não os revela, então prevarica.

Do lado de Eunício, o vice-prefeito de Fortaleza, Gaudêncio Lucena, acusa a prefeitura de distribuir cargos para cooptar aliados. Assim como seus adversários, fala, mas não prova nada.

Se um candidato tem algo a informar sobre a postura ética ou moral do adversário no passado, e que seja de interesse geral, que o faça, mas desde que amparado em fatos comprovados. Ademais, ninguém é ingênuo de acreditar que uma campanha, parafraseando Nelson Rodrigues, só se faz com bons sentimentos. É preciso bom senso, maturidade.

A política é o espaço natural de confrontação de ideias, de visões de mundo, de concepções e métodos da administração pública. É também – como podemos testemunhar -, ambiente de choque de projetos pessoais, de traições sórdidas e de compromissos não cumpridos. Nada disso é exclusivo dos políticos cearenses, apenas está mais perto de nós que vivemos aqui. Mas com o tempo, ao perdurar esse tipo de instabilidade, a imagem coletiva do Estado se consolida e seu prestígio político míngua. Esse é um dos motivos da ausência de grandes obras federais no Ceará nos últimos anos: seus representantes não possuem unidade estratégica, pois as pontes de diálogo são dinamitadas a cada eleição. A grande coalizão governista aqui nunca passou de uma ilusão, como agora podemos constatar.

É preciso que os candidatos coloquem (se puderem), limites nos seus aliados, para que a campanha tenha algum espaço para proposituras. Como eu já disse em outro post, se não podem fazer isso em respeito ao adversário e à democracia, que façam em atenção ao eleitor.

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Seca: 52 açudes com menos de 10% d’água. Situação gravíssima! Mas as autoridades estão ocupadas com a campanha eleitoral

Por Wanfil em Ceará

29 de julho de 2014

Enquanto as autoridades do Executivo se empenham nas campanhas políticas, a presidente Dilma em busca da reeleição, Cid Gomes e Roberto Cláudio como cabos eleitorais de seu candidato ao governo estadual, os efeitos da seca no Ceará ameaçam até mesmo o abastecimento para consumo da população. Sem água, os impactos na economia também são consideráveis.

Emergência silenciosa
Nos 149 açudes monitorados pela Companhia de Gestão de Recursos Hídricos do Estado, 105 estão com volume abaixo dos 30%. Das 189 cidades cearenses, nada menos do que 176 estão em situação de emergência por causa da seca. Muitos prefeitos temem uma situação de colapso total no final do ano, logo após as eleições. Como não é antes das eleições, as autoridades posam como se tudo estive sob o mais absoluto controle. Qual deles fala em racionamento? Ou pede desculpas pelo atraso obsceno nas obras de transposição do rio São Francisco? Pois é, nenhum. Falam todos de abundância, de distribuição de cisternas e de adutoras feitas às pressas (um risco do ponto de vista orçamentário). Por enquanto os carros-pipa resolvem, mas já está na hora de perguntar: de onde eles irão tirar água daqui a alguns meses?

Gavião cheio, Castanhão secando…
Em Fortaleza, tudo parece em perfeita ordem, com o açude Gavião, em Pacatuba, registrando 93,28% de volume d’água. Fica a impressão de que, por algum motivo mágico, chove apenas nesse lugar, que mesmo abastecendo a 5ª maior capital do Brasil durante a maior seca dos últimos 50 anos, continua cheio, quase no máximo, enquanto o resto seca. A verdade, no entanto, é que o Gavião é abastecido pelo Castanhão, que fica em Alto Santo, e que está, vejam a situação, com apenas 36,17% de sua capacidade. É muita água ainda, pois é o maior açude do Estado, mas seu nível baixa com regularidade preocupante. Isso nenhum técnico da Secretaria de Recursos Hídricos vai admitir, pelo menos até o dia 5 de outubro.

Abaixo de 10%
Abaixo, segue a lista que fiz com os açudes que apresentam capacidade abaixo de 10%, de acordo com o boletim de hoje, dia 29 de julho, divulgado pela Funceme. São 52, pouco mais de um terço das reservas hídricas do Ceará. Muitos deles bem abaixo desse percentual.  Cidades como Tauá e Canindé, entre outras, estão em situação de calamidade, enquanto nossas autoridades pedem o voto de suas populações. Confira:

Região do Acaraú
BONITO (Ipú) – 3.27%
CARÃO (Tamboril) – 7.55%
CARMINA (Catunda) – 2.1%
FARIAS DE SOUSA (Nova Russas) – 1.27%

Região do Alto Jaguaribe
BRÔCO (Tauá) – 1.94%
FAÉ (Quixelô) – 2.55%
FAVELAS (Tauá) – 8.09%
FORQUILHA II (Tauá) – 0%
MAMOEIRO (Antonina do Norte) – 9.26%
PARAMBU (Parambu) – 1.76%
POÇO DA PEDRA (Campos Sales) – 8.09%
TRICI (Tauá) – 0,66%
VÁRZEA DO BOI (Tauá) 0,48%

Região do Baixo Jaguaribe
S. ANT. DE RUSSAS (Russas) – 7.38%

Região do Banabuiú
CEDRO (Quixadá) – 4.96%
FOGAREIRO (Quixeramobim) – 9.08%
PIRABIBU (Quixeramobim) – 4.54%
SÃO JOSÉ I (Boa Viagem) – 5.55%
UMARI (Madalena) – 3.07%

Região do Coreaú
MARTINÓPOLE (Martinópole) – 8.22%
VÁRZEA DA VOLTA (Moraújo) – 1.69%

Região do Curu
CAXITORÉ (Umirim) – 9.15%
DESTERRO (Caridade) – 0%
ESCURIDÃO (Canindé) – 6,45%
FRIOS (Umirim) – 8.43%
GENERAL SAMPAIO (General Sampaio) – 7.63%
JERIMUM (Irauçuba) – 0%
PENTECOSTE (Pentecoste) – 2.94%
SALÃO (Canindé) – 1.68%
SÃO DOMINGOS (Caridade) – 0%
SÃO MATEUS (Canindé) – 2.64%
SOUZA (Canindé) – 0.07%
TEJUÇUOCA (Tejuçuoca) – 2.6%

Região Litoral
GERARDO ATIMBONE (Sobral) – 9.27%
PATOS (Sobral) – 2.19%
S. MARIA DE ARACT. (Sobral) – 3.82%

Região Médio Jaguaribe
FIGUEIREDO (Alto Santo) – 3.73%
MADEIRO (Pereiro) – 0.36%
POTIRETAMA (Potiretama) – 0.65%

Região Metropolitana
AMANARY (Maranguape) – 4.04%
PENEDO (Maranguape) – 1.24%
SITIOS NOVOS (Caucaia) – 6.59%

Região do Salgado
QUIXABINHA (Mauriti) – 6.77%
Obs. O açude Atalho (Brejo Santo) já está com 10.39%

Região do Sertão de Crateús
BARRA VELHA (Independência) – 4.5%
CARNAUBAL (Crateús) – 1.17%
COLINA (Quiterianópoles) – 2.71%
CUPIM (Independência) – 3.67%
FLOR DO CAMPO (Novo Oriente) – 2.24%
JABURU II (Independência) – 1.05%
REALEJO (Crateús) – 4.15%
SÃO JOSÉ III (Ipaporanga) – 1.05%
SUCESSO (Tamboril) – 0%

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Justiça barra tentativa governista de impedir candidatura de oposição no Ceará

Por Wanfil em Eleições 2014

24 de julho de 2014

Eu sei, eu sei. Os ânimos estão aflorados no Ceará e os ressentimentos turvam o bom senso nessas eleições, mas é preciso discernimento para impedir o impulso da intolerância, afinal, política é o espaço das convergências e também das divergências. Na falta de respeito pelos adversários e pela própria imagem, que isso seja feito pelo menos em consideração ao digníssimo eleitor.

Ameaça
Vou explicar onde quero chegar com essa conversa. A Justiça Eleitoral julgou improcedente o pedido de impugnação feito pela coligação do petista Camilo Santana, candidato à sucessão estadual ungido pelo governador Cid Gomes, contra a coligação do peemedebista e ex-aliado Eunício Oliveira.

Nada contra ações judiciais, que isso é natural e civilizado, mas é preciso levar em consideração a intenção do processo. A candidatura governista buscou impedir judicialmente uma candidatura de oposição, aliás, a única que representa ameaça ao seu projeto de manutenção. Como ainda existem juízes no Ceará, a coisa não prosperou e acabou rejeitada por unanimidade no Tribunal Regional Eleitoral.

O caso
Vamos ao caso. Camilo Santana questionava o conteúdo das atas dos partidos que apoiam Eunício Oliveira, alegando que algumas siglas não registraram os nomes dos demais partidos da coligação feita com o PMDB. Segundo a acusação, alguns desses partidos acabaram enganados, pois ao se aliarem com dois partidos, acabaram incluídos numa aliança com outras sete agremiações.

Em seu voto, o juiz Luis Praxedes citou jurisprudência mostrando que só os partidos da própria coligação questionada teriam legitimidade para mover a ação. O relator do processo no Ministério Público Eleitoral, Rômulo Conrado, afirmou que o fato apontado pela acusação não passa de “mero erro formal”, insuficiente para invalidar a candidatura da oposição.

Quem decide é o eleitor
Como eu já disse, é normal candidatos, partidos e coligações acionarem a justiça, especialmente em período eleitoral. Mas uma coisa é questionar adversários juridicamente sobre eventuais erros de conduta ou vantagens indevidas, como propaganda irregular, uso da máquina pública ou abuso de poder político ou econômico; outra bem diferente é tentar impedir que a oposição tenha uma candidatura. Não se trata de ser a favor deste ou daquele, mas de preservar a prerrogativa básica dos eleitores: o direito ao voto livre.

Uma candidatura, claro, pode ser impugnada e o Ministério Público já acionou a justiça nesse sentido em várias ocasiões. Mas no caso em questão, provocado por candidatura oficial com base em argumentos insustentáveis, vale dizer: operou-se tentativa de interditar o processo eleitoral. Ao contrário do que acontece em regimes autoritários, nas democracias, opositores podem apresentar candidaturas contra os governos de plantão, sem risco de sabotagens ou de intimidações de qualquer natureza. Isso faz parte do conceito de alternância: ninguém é dono do poder, que emana do povo.

Má impressão
No final, a marmota acaba prejudicando a imagem da própria coligação governista. Quando um governo não quer compreender ou aceitar a legitimidade de grupos opositores, buscando deixar o eleitor sem qualquer opção que não seja o seu indicado, é sinal, no mínimo, de arrogância e prepotência. Ou então, de insegurança no próprio candidato que escolheu para manter-se no poder. Não fica bem. Que prevaleça o bom senso.

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Ibope mostra diferença de capital político entre candidaturas naturais e as fabricadas

Por Wanfil em Eleições 2014

22 de julho de 2014

Na primeira pesquisa Ibope feita no Ceará após a oficialização das candidaturas, Eunício Oliveira (PMDB) lidera para o governo do Estado com 44% das intenções de voto, seguido por Camilo Santana (PT), que aparece com 14%. Para o Senado, Tasso Jereissati (PSDB) parte na frente com 58%, contra 14% de Mauro Filho (Pros).

Os números, encomendados pela TV Verdes Mares, refletem o peso eleitoral de cada um na largada. Enquanto Eunício e Tasso dispensam padrinhos políticos, Camilo e Mauro, lançados de última hora, surpreendendo até aliados, dependem da transferência de parte do capital político do governador Cid Gomes. Não por acaso, ambos cravaram o mesmo índice. A questão é saber até onde essa influência poderá carregar os candidatos governistas.

O desempenho das candidaturas menores não deve ser menosprezado. Para o governo estadual, Eliane Novais (PSB) tem 6% e Ailton Lopes (Psol) 3%. Juntos, conseguem quase 10% dos votos, que no final podem fazer falta aos líderes. Já para o Senado, Rachel Dias (Psol) tem 5% e Geovana Cartaxo (PSB), 2%.

Certamente os números deverão variar conforme a dinâmica das campanhas. Fatores como a eventual influência de padrinhos políticos, a capacidade de articulação dos candidatos, as taxas de rejeição, a disputa presidencial, a experiência política de cada um, a propaganda eleitoral e os debates, ainda surtirão efeito.

Por enquanto, nesse começo, Eunício e Tasso trabalham sem grandes contratempos. Na verdade, respiram aliviados por terem conseguido reunir mais apoio do que imaginavam antes das convenções. Já Camilo e Mauro, sob o comando de Cid, por um lado contam com a máquina governista, mas por outro lutam para conter o ressentimento dos pré-candidatos descartados pelo Pros e o racha interno no PT.

Tem ainda a briga para ver quem terá o apoio de Dilma. Entretanto, com a presidente caindo pesquisa após pesquisa, já é o caso de pensar se essa companhia pode realmente ajudar. No Planalto, a preocupação não é mais evitar um segundo turno, mas estar no segundo turno.

A primeira pesquisa mostra uma considerável diferença na largada. Não é sinal de vitória fácil de quem parte na frente, mas indício forte de que a reta final será disputada como há muito tempo não se vê.

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Cid: “Não estou apoiando um partido, estou apoiando um jovem”

Por Wanfil em Eleições 2014

22 de julho de 2014

Diálogo publicado no Facebook do governador Cid Gomes, no último dia 20 de julho, no qual ele comenta com um internauta (cuja identidade prefiro preservar) sobre a filiação partidária de Camilo Santana, seu candidato à sucessão estadual:

Cid-acebook-partido

Vez por outra, o governador conversa com internautas no Facebook, iniciativa que o ajuda a criar uma imagem de gestor aberto ao diálogo com a população. A vantagem é que ele só responde o que quiser; a desvantagem é que uma resposta revela que aquele assunto foi selecionado como prioridade.

Cid poderia ter dito que o PT é um partido que possui história, com qualidades e defeitos como todos os demais, mas que conta com grandes quadros, conteúdo programático, e que, além do mais, conhece bem o candidato, que já foi seu secretário, e por aí vai. Mas não disse. Preferiu desconsiderar a questão partidária e apelar ao personalismo, aos atributos individuais do candidato. A mensagem ficou mais ou menos assim, ainda que não tenha sido essa a intenção: “Ele é do PT mas, apesar disso, o que importa é que ele é um jovem esforçado e gente boa. É por isso que eu o apoio”.

O ruim para Camilo Santana é que esse é o tipo de declaração que pode fustigar a militância petista, já que o PT entra na história como mais um partido a serviço de um projeto particular. O comitê do candidato, não custa observar, não será na Av. da Universidade, tradicional reduto do PT no Ceará. Será na Av. Sebastião de Abreu, no espaço que já serviu à candidatura de Roberto Cláudio (então no PSB e hoje no Pros) à Prefeitura de Fortaleza. Olhe lá se o vermelho não sumir da campanha… Fica a estranha situação de haver um candidato do PT cuja candidatura, na verdade, é do Pros.

Por fim, não deixa de ter coerência com a trajetória política do governador e seu grupo, marcada por recorrentes trocas de partido.

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Bolsa Família e eleições: tudo a ver

Por Wanfil em Eleições 2014

21 de julho de 2014

Os presidenciáveis Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB) marcaram presença na região do Cariri, sul do Ceará, no final de semana. Visitaram, separados, é  claro, a ExpoCrato, famoso evento de agropecuária. Aécio depois foi a Juazeiro do Norte, acompanhado do ex-governador e candidato ao Senado Tasso Jereissati, onde participou de uma missa em memória aos 80 anos da morte do Padre Cícero.

Lideranças locais e candidatos ao governo estadual também estiveram pelos municípios da região. Eunício Oliveira (PMDB), Eliane Novais (PSB), Camilo Santana (PT), este acompanhado do notório deputado José Guimarães (PT), e Ailton Lopes (Psol), marcaram presença.

Geopolítica eleitoral
Se por um lado o Cariri conseguiu atrair os principais nomes da oposição ao governo federal para os mesmos eventos, por outro, não seduziu os estrategistas da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). Por quê? Ora, não é difícil deduzir a resposta. Existe nisso, como em tudo o mais numa eleição, logica e cálculo. É que se no Sul e Sudeste do Brasil Dilma tem seu pior desempenho nas pesquisas, é no Norte e no Nordeste que tem alguma folga. O corolário é óbvio: cada um precisa manter o que conquistou e avançar onde o adversário é mais forte.

No caso das oposições, reduzir a diferença de intenção de votos no Nordeste, que tem mais densidade populacional do que o Norte, é fundamental para levar a disputa para o segundo turno.

De resto, aliás, isso é coisa antiga: presidentes costumam a ter mais popularidade justamente nas regiões mais pobres do país, onde a população depende mais da assistência do governo.

Bolsa Família
Além da convergência de agenda, Campos e Aécio também coincidiram na estratégia de discurso, que focou o compromisso de manter o Bolsa Família. Segundo o tucano, o PT faz terrorismo eleitoral quando diz que a oposição pretende acabar com o programa, o que seria, a seu ver, sinal de que governistas estariam à beira de um ataque de nervos com a queda de Dilma nas pesquisas. De fato, a tática de anunciar a manutenção do programa é uma manobra de defesa.

Isso tudo faz parte do jogo. Agora, a verdade é que, independente das pesquisas, o uso eleitoreiro do Bolsa Família tem sido recorrente, o que é ruim não apenas do ponto de vista ético, mas também é preocupante pelos aspectos econômico e social. Afinal, após dez anos do seu lançamento, com a promessa de reduzir a miséria, seu evidente peso no debate eleitoral é sinal de que a pobreza e a falta de educação ainda falam alto na nossa democracia.

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Manual de autojuda legislativa: como ganhar dinheiro sem trabalhar e ainda fazer campanha eleitoral

Por Wanfil em Eleições 2014

18 de julho de 2014

Gostaria de comunicar aos amigos leitores e aos colegas do Sistema Jangadeiro de Comunicação que me ausentarei por uns dias do trabalho para tratar de questões de interesse particular. Nada grave, felizmente. É que tenho coisas mais importantes para fazer. Mas volto em outubro, e até lá espero que meu salário seja devidamente depositado.

Sei que o parágrafo acima é inusitado. Claro que nenhum empregador aceitaria essa postura, em respeito à ética profissional, aos demais profissionais da equipe, à lógica econômica e ao princípio moral básico do trabalho, que é a remuneração mediante a prestação de serviço. No entanto, por mais absurdo que pareça, é exatamente isso que parlamentares do Ceará estão propondo para a sociedade: receber sem trabalhar por quase três meses, enquanto fazem campanha eleitoral. É o tal “recesso branco”.

Custo$
O Jornal Jangadeiro 2ª Edição, onde faço comentários políticos, às 20h25min, exibiu reportagem mostrando que a Assembleia Legislativa entrou em recesso até o início de agosto. Depois, na volta, os Excelentíssimos definirão o funcionamento da Casa durante a campanha eleitoral. Uma das propostas, defendida pelo presidente da Assembleia, deputado Zezinho Albuquerque (Pros), é que nesse período seja feita uma sessão semanal, para que nos demais dias os parlamentares possam ir para suas bases.

Na Câmara de Fortaleza, desde a última quarta-feira (16), a presença dos vereadores é facultativa. Vai trabalhar se quiser.

Vale lembrar que os cearenses gastam 922 mil reais por mês para manter a Assembleia, enquanto os vereadores custam 579 mil reais mensais aos fortalezenses.

Vantagem indevida
É importante também frisar que essa prática, se instituída, configura, por dedução lógica, vantagem indevida dos candidatos com mandato em relação aos que não possuem cargos eletivos, afetando a igualdade de oportunidades definida no Art. 73, inciso II, da A Lei Nº 9.504: usar materiais ou serviços, custeados pelos Governos ou Casas Legislativas, que excedam as prerrogativas consignadas nos regimentos e normas dos órgãos que integram.

Que se saiba, entre as prerrogativas dos legisladores não está a autoajuda parlamentar bancada com dinheiro público para campanhas eleitorais.

Quem paga a conta
Se uma empresa privada aceitasse uma imoralidade dessas, o prejuízo seria apenas dela. Já no caso dos nossos deputados e vereadores, não. Eles mesmos se liberam do fardo de ir ao parlamento, mas somos nós, contribuintes, que pagamos a conta no final.

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BRICS terá 7 mil agentes de segurança. Pena que é nuvem passageira

Por Wanfil em Economia

15 de julho de 2014

Sai de cena a festa da Copa do Mundo e entra em campo a aridez dos temas econômicos, com Fortaleza sediando a 6ª Cúpula do BRICS, o grupo de países emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do sul. No fundo, é o grupo resulta mesmo da política externa de Chia e Rússia, potências militares que sonham com a liderança no concerto da geopolítica mundial. Mas essa é outra história, jogo de gente grande. Para nós do Ceará o que importa é que esses eventos são indiscutíveis oportunidades de consolidar o nome do estado na rota do turismo mundial: a Copa com o lazer, o BRICS com as chances de negócios.

Segurança
Por isso Fortaleza está um brinco, pelo menos no entorno do Centro de Eventos, onde a limpeza e a pavimentação germânicas (para usarmos um padrão da moda), assim como a segurança, não deixam nada a desejar. O Governo do Estado anunciou que ao todo 7.689 agentes atuarão para que tudo ocorra na mais perfeita tranquilidade. São 4.444 de seu próprio contingente, que contam com o reforço de outros 3.245 profissionais vindos de parcerias com órgãos como a Polícia Federal, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Ministério da Defesa e Gabinete de Segurança Institucional da Presidência (GSI), Guarda Municipal de Fortaleza (GMF), entre outros.

Basta andar nas ruas próximas ao local para conferir como tudo está tinindo para proteger e impressionar os chefes de estado esperados para o encontro. Temos que causar boa impressão, mirando em futuros investimentos, claro. Nada contra. Quem dera memso essas ações preparadas para o BRICS durassem o ano inteiro e fossem ampliadas para todo o Ceará.

O negócio é tão bacana, que o risco agora é ver essas impressões se confundirem com a realidade. Porém, todo esse arranjo é passageiro, já que a reunião acaba na quarta-feira (16).  Por isso, é bom a gente ficar ligado: assim como promover uma copa não significa dizer que temos uma grande seleção, sediar o encontro do BRICS não é garantia de que temos uma economia equilibrada ou que moramos em lugar seguro.

Economia
Sobre segurança, não é preciso dizer muito. Todos sabem como andam as coisas no Ceará e no Brasil. Já na economia, começamos a sentir no bolso o peso do baixo crescimento e das políticas fiscal e monetária do governo federal. Os dados falam por si. Entre os países do BRICS, o Brasil é o que apresentou pior desempenho econômico nos últimos anos, com a pior taxa de investimentos.

Crescimento (média 2011-2013)
B
rasil – 2%
Rússia – 3%
Índia – 5,4%
China- 8,2%
África do Sul – 2,6%

Taxa de investimento (% PIB)
Brasil – 18%
Rússia – 23%
Índia – 30%
China- 49%
África do Sul – 19% – Fonte: Exame/Abril

O risco inflacionário
O Brasil aparece bem em relação ao PIB per capita e a taxa de pobreza (6%), comparado com o resto do grupo (na China a taxa dobra). Mas essas conquistas estão ameaçadas pela inflação, que já estourou o teto da meta este ano e que no primeiro semestre superou o rendimento da poupança.

Futuro
No futebol, a derrota terminou com a demissão de Felipão e de toda a comissão técnica. Na economia, o debate começa agora, com as eleições entrando de vez no calendário da torcida brasileira. O nome do técnico é Guido Mantega.

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Quem confia em declaração de patrimônio de candidato?

Por Wanfil em Eleições 2014

13 de julho de 2014

Nos últimos dias muito se falou sobre o patrimônio dos candidatos e sobre a previsão de gastos de campanha declarados na Justiça Eleitoral. São informações que podem até atiçar a curiosidade das pessoas, mas sobre as quais é preciso ter cuidado, por não serem assim muito confiáveis, pois nem tudo o que está no papel corresponde à realidade.

Basta conferir o site do TRE. Não são poucos os casos de candidatos aos mais diversos cargos que, mesmo conhecidos pela riqueza, aparecem com patrimônios bem modestos. Outros, que nunca tiveram empresas nem atuaram no setor privado, vivendo somente como políticos profissionais, aparecem como pessoas de poucas posses, embora ostentem hábitos bem caros, como viagens recorrentes ao exterior (inclusive em jatinhos), carrões importados, lanchas, casas ou apartamentos suntuosos, roupas e acessórios de grife, essas coisas…

Declara tudo mesmo?
Os tribunais eleitorais, é bom dizer, não fiscalizam o patrimônio de ninguém. A veracidade das informações fica por conta do candidato. Mesmo assim, é interessante observar como existe uma preocupação maior nos jornais em saber quem é o candidato mais rico, do que propriamente em saber quem está dizendo a verdade sobre sua condição financeira, como se o sucesso financeiro na área privada fosse algo desabonador e não um certificado de prosperidade que pode, sem prova em contrário, ser sinal de competência. Quem votaria num advogado sem clientes, num médico desempregado ou em um empresário falido?

A ideia subjacente que espertalhões vendem é a de que a pobreza é sinal de honestidade, especialmente os que não possuem outra fonte de renda. Sem uma análise mais profunda (patrimônio de cônjuge, filhos, parentes), isso mais confunde do que esclarece.

Previsões de gastos parecideas
No Ceará a estimativa de gastos do petista Camilo Santana é de R$ 64 milhões, e a de Eunício Oliveira, do PMDB, é de R$ 67 milhões. São valores bem próximos, não obstante o fato de Eunício ser um empresário rico e Camilo declarar um patrimônio bem acanhado para um deputado estadual (confira aqui).

Por isso, desconfie de candidato que posa de humilde, de abnegado trabalhador de classe média, dizendo que luta contra os poderosos. Aliás, quem diz isso, fica na difícil situação de ter que explicar como sendo um coitadinho, consegue tanto dinheiro para uma campanha.

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O Pros contra os cacos espalhados – Ou: meu partido é um coração partido…

Por Wanfil em Partidos

11 de julho de 2014

Ao indicar na última hora o petista Camilo Santana para a sucessão estadual na chapa governista no Ceará, Cid Gomes criou uma saia justa entre alguns dos seus correligionários do Pros, que nos últimos meses foram estimulados pelo próprio governador a fazer pré-campanha entre os aliados, mas acabaram preteridos.

Peões
Por diversas vezes, afinal, Cid disse que a escolha recairia sobre um nome do partido, o maior da sua base de apoio. Cinco nomes apareceram concorriam: Zezinho Albuquerque, presidente da Assembleia Legislativa; o vice-governador Domingos Filho; o ex-prefeito de Sobral, Leônidas Cristino; o deputado estadual Mauro filho; e Izolda Cela, ex-secretária da Educação. Do grupo, dois lideravam as bolsas de apostas: Domingos Filho, que articulou intensamente com lideranças políticas, e Zezinho Albuquerque, que percorreu o Estado em campanhas contra as drogas e em defesa da refinaria, todas bancadas pela Assembleia Legislativa.

Tanto esforço de nada valeu. Mais do que a frustração com o desfecho na composição da chapa oficial, restava a todos a vergonha de aparecer publicamente como de meros peões de tabuleiro no xadrez eleitoral.

Prêmio de consolação
Como prêmio de consolação, Mauro filho ganhou a chance de disputar o Senado; Domingos tem prometida uma vaga no Tribunal de Contas do Município. Zezinho foi convidado para concorrer como vice de Camilo, mas recusou, sendo então substituído por Izolda. Aliás, sobre prêmios e acordos eleitorais, vale conferir matéria do Tribuna do Ceará sobre a relação entre a ocupação de cargos públicos e o contexto das alianças.

Juntando os cacos
Para desfazer a má impressão e dar ares de republicanismo ao processo sucessório entre os aliados, Zezinho organizou um almoço de apoio a Camilo Santana, em restaurante de Fortaleza na última quarta-feira. O encontro virou um ato de afago a Zezinho, que foi abraçado por Ciro e elogiado por Camilo, todos felizes com a humildade e a compreensão dos parceiros.

Domingos e Zezinho, assim como os torcedores da seleção brasileira, agora sabem a dor de um sonho interrompido de um modo que ninguém esperava, bem no meio do caminho.

Olho aberto
Corre em rodas políticas que a vaga de conselheiro do TCM negociado com Domingos Filho teria sido oferecida também a Mauro Filho, se este perder a eleição para Tasso Jereissati (PSDB). Para evitar riscos, Domingos esperaria assumir em julho ou agosto, antes da eleição. Se ficar para depois, não tem acordo.

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O Pros contra os cacos espalhados – Ou: meu partido é um coração partido…

Por Wanfil em Partidos

11 de julho de 2014

Ao indicar na última hora o petista Camilo Santana para a sucessão estadual na chapa governista no Ceará, Cid Gomes criou uma saia justa entre alguns dos seus correligionários do Pros, que nos últimos meses foram estimulados pelo próprio governador a fazer pré-campanha entre os aliados, mas acabaram preteridos.

Peões
Por diversas vezes, afinal, Cid disse que a escolha recairia sobre um nome do partido, o maior da sua base de apoio. Cinco nomes apareceram concorriam: Zezinho Albuquerque, presidente da Assembleia Legislativa; o vice-governador Domingos Filho; o ex-prefeito de Sobral, Leônidas Cristino; o deputado estadual Mauro filho; e Izolda Cela, ex-secretária da Educação. Do grupo, dois lideravam as bolsas de apostas: Domingos Filho, que articulou intensamente com lideranças políticas, e Zezinho Albuquerque, que percorreu o Estado em campanhas contra as drogas e em defesa da refinaria, todas bancadas pela Assembleia Legislativa.

Tanto esforço de nada valeu. Mais do que a frustração com o desfecho na composição da chapa oficial, restava a todos a vergonha de aparecer publicamente como de meros peões de tabuleiro no xadrez eleitoral.

Prêmio de consolação
Como prêmio de consolação, Mauro filho ganhou a chance de disputar o Senado; Domingos tem prometida uma vaga no Tribunal de Contas do Município. Zezinho foi convidado para concorrer como vice de Camilo, mas recusou, sendo então substituído por Izolda. Aliás, sobre prêmios e acordos eleitorais, vale conferir matéria do Tribuna do Ceará sobre a relação entre a ocupação de cargos públicos e o contexto das alianças.

Juntando os cacos
Para desfazer a má impressão e dar ares de republicanismo ao processo sucessório entre os aliados, Zezinho organizou um almoço de apoio a Camilo Santana, em restaurante de Fortaleza na última quarta-feira. O encontro virou um ato de afago a Zezinho, que foi abraçado por Ciro e elogiado por Camilo, todos felizes com a humildade e a compreensão dos parceiros.

Domingos e Zezinho, assim como os torcedores da seleção brasileira, agora sabem a dor de um sonho interrompido de um modo que ninguém esperava, bem no meio do caminho.

Olho aberto
Corre em rodas políticas que a vaga de conselheiro do TCM negociado com Domingos Filho teria sido oferecida também a Mauro Filho, se este perder a eleição para Tasso Jereissati (PSDB). Para evitar riscos, Domingos esperaria assumir em julho ou agosto, antes da eleição. Se ficar para depois, não tem acordo.