26/06/2014 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

26/06/2014

O recado de Ciro Gomes

Por Wanfil em Eleições 2014

26 de junho de 2014

Ciro Gomes (Pros) passou a atacar o ex-aliado Eunício Oliveira (PMDB). Chama agora o novo adversário de “biruta de aeroporto”, “lambanceiro” e “riquinho”, além de fazer insinuações sobre suposta prática de suborno (crime tipificado) e ilações desabonadoras sobre as atividades empresarias do senador pelo PMDB.

Sem entrar no mérito desse, digamos assim, estilo retórico carente de provas, cabe observar que o expediente já se tornou um padrão que não surpreende ninguém, afinal, nada mais previsível do que Ciro batendo em alguém, enquanto seu irmão Cid opta por uma atuação mais discreta. A estratégia já perdeu a capacidade de atingir seus alvos com impacto. As falas dos irmãos parecem formas opostas de lidar com a situação, mas são ações sincronizadas e complementares. Tanto é assim que Ciro nunca é desautorizado, muito menos convidado a calar-se. É um porta-voz informal a passar recados que não cairiam bem se pronunciados pelo governador.

E que recados são esses? Tolices, na maioria. Indiretas que revelam o estado de espírito no Palácio da Abolição. Juras de inimizade. Sugestões de que segredos podem ser revelados. Ameaças veladas. Um conjunto de declarações que acabam revelando que há um nervosismo no ar, misto de mágoa, raiva e medo.

Se no passado a palavra de Ciro tinha o peso de um potencial candidato competitivo à Presidência da República, no presente guarda a autoridade limitada de um secretário estadual. Daí que Eunício, líder do PMDB no Senado Federal, nem se deu ao trabalho de responder-lhe as críticas, como quem dissesse ter mais o que fazer. Fosse o governador a fazê-las, seria outra a reação.

Por fim, Ciro cobra lealdade e coerência ideológica do peemedebista. Não deixa de ter razão, uma vez que Eunício foi governista até um dia desses, mas o problema é que o próprio Ciro nunca criou raízes em partido político algum e leva consigo um histórico de ex-aliados deixados de lado em períodos eleitorais. Ciro, aliás, generaliza dizendo que o PMDB é um ajuntamento de assaltantes, mas nunca viu problema em se aliar com o partido que ele mesmo desqualifica. Assim, fica difícil ser levado a sério nesses quesitos.

Ao final, o recado de Ciro Gomes não altera nada, não repercute como outrora, não gera ansiedade nos adversários e talvez nem anime os aliados. É  mais do mesmo.

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O recado de Ciro Gomes

Por Wanfil em Eleições 2014

26 de junho de 2014

Ciro Gomes (Pros) passou a atacar o ex-aliado Eunício Oliveira (PMDB). Chama agora o novo adversário de “biruta de aeroporto”, “lambanceiro” e “riquinho”, além de fazer insinuações sobre suposta prática de suborno (crime tipificado) e ilações desabonadoras sobre as atividades empresarias do senador pelo PMDB.

Sem entrar no mérito desse, digamos assim, estilo retórico carente de provas, cabe observar que o expediente já se tornou um padrão que não surpreende ninguém, afinal, nada mais previsível do que Ciro batendo em alguém, enquanto seu irmão Cid opta por uma atuação mais discreta. A estratégia já perdeu a capacidade de atingir seus alvos com impacto. As falas dos irmãos parecem formas opostas de lidar com a situação, mas são ações sincronizadas e complementares. Tanto é assim que Ciro nunca é desautorizado, muito menos convidado a calar-se. É um porta-voz informal a passar recados que não cairiam bem se pronunciados pelo governador.

E que recados são esses? Tolices, na maioria. Indiretas que revelam o estado de espírito no Palácio da Abolição. Juras de inimizade. Sugestões de que segredos podem ser revelados. Ameaças veladas. Um conjunto de declarações que acabam revelando que há um nervosismo no ar, misto de mágoa, raiva e medo.

Se no passado a palavra de Ciro tinha o peso de um potencial candidato competitivo à Presidência da República, no presente guarda a autoridade limitada de um secretário estadual. Daí que Eunício, líder do PMDB no Senado Federal, nem se deu ao trabalho de responder-lhe as críticas, como quem dissesse ter mais o que fazer. Fosse o governador a fazê-las, seria outra a reação.

Por fim, Ciro cobra lealdade e coerência ideológica do peemedebista. Não deixa de ter razão, uma vez que Eunício foi governista até um dia desses, mas o problema é que o próprio Ciro nunca criou raízes em partido político algum e leva consigo um histórico de ex-aliados deixados de lado em períodos eleitorais. Ciro, aliás, generaliza dizendo que o PMDB é um ajuntamento de assaltantes, mas nunca viu problema em se aliar com o partido que ele mesmo desqualifica. Assim, fica difícil ser levado a sério nesses quesitos.

Ao final, o recado de Ciro Gomes não altera nada, não repercute como outrora, não gera ansiedade nos adversários e talvez nem anime os aliados. É  mais do mesmo.