18/12/2013 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

18/12/2013

Ibope mostra que a gestão Roberto Cláudio já nasceu velha

Por Wanfil em Pesquisa

18 de dezembro de 2013

Antes de completar um ano, a gestão de Roberto Cláudio em Fortaleza mostra sinais de fadiga e desgaste. Pelo menos é o que indica a pesquisa Ibope/CNI, em que a administração é reprovada por nada menos do que 42% dos entrevistados (12% de ruim somado a um impressionante 30% de péssimo). Para 29% o governo municipal é apenas regular e 24% o aprovam (mirrados 2% de ótimo e 22% de bom).

Quando digo fadiga, não falo da operacionalidade ou da disposição do prefeito, mas das imagens, da gestão e do gestor, que são projetadas para o público.

Via de regra, é raro ver administrações novas com elevada rejeição, sem que para isso tenham ocorridos escândalos ou crises muito graves. Roberto Cláudio foi eleito em segundo turno com 53% dos votos. O resultado apertado, por si só, já garante que boa parte do eleitorado, algo perto da metade, não é entusiasta do prefeito.

Mesmo assim, tradicionalmente os recém-empossados contam com a boa vontade da opinião pública, que precisa de tempo para avaliar o novo governo, ainda em formação.

Minha hipótese para explicar a impaciência dos habitantes de Fortaleza é uma soma de fatores que reúne fatos que antecedem a própria gestão, problemas de comunicação e erros administrativos e políticos.

Herança maldita

Aos olhos do público, tanto Roberto Cláudio quanto seu adversário nas eleições passadas, Elmano de Freitas, nunca passaram de prepostos do governador Cid Gomes e da ex-prefeita Luizinne Lins.

Nessa condição, qualquer dos dois acabaria herdando o desgaste acumulado em duas gestões de seus padrinhos políticos. A gestão, inevitavelmente, nasceria velha, com o peso das lideranças que representam, sem o frescor da renovação genuína, mas como continuísmo de modelos cansados.

Como quem venceu foi RC, é importante anotar que seu fiador, o governo do Estado, conta com a aprovação de apenas 38% dos cearenses.

Imagem atrelada

Outro fator é que, mesmo depois de eleito, Roberto Cláudio optou por manter uma imagem muito atrelada a do governador. Até as agências de propaganda são as mesmas. Fica confuso.

Por vezes, em eventos oficiais, o prefeito mais parece um secretário estadual. Não por acaso Dilma erra o nome de RC.

Polêmicas

É claro que a gestão municipal cometeu seus próprios erros, como nas polêmicas das creches em tempo integral, do aumento do IPTU e do impasse no Parque do Cocó. Nem entro no mérito desses casos, mas na forma como foram travadas as disputas em torno deles.

A prefeitura tem contra si a oposição do PT de Fortaleza, liderado por Luizianne. Não é pouca coisa e certamente isso tem boa influência nos 30% que consideram a gestão péssima, chamada por publicitários de “opinião cristalizada”, contra a qual não adianta argumentar.

A saída

O maior recado da pesquisa é que a nova gestão precisa ter uma imagem própria. Não se trata de rompimento com o governo do estado, não é isso, mas de ter, ou de pelo menos de tentar transparecer, autonomia.

Fazer isso sem melindrar seus aliados é o desafio.

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Ibope mostra que a gestão Roberto Cláudio já nasceu velha

Por Wanfil em Pesquisa

18 de dezembro de 2013

Antes de completar um ano, a gestão de Roberto Cláudio em Fortaleza mostra sinais de fadiga e desgaste. Pelo menos é o que indica a pesquisa Ibope/CNI, em que a administração é reprovada por nada menos do que 42% dos entrevistados (12% de ruim somado a um impressionante 30% de péssimo). Para 29% o governo municipal é apenas regular e 24% o aprovam (mirrados 2% de ótimo e 22% de bom).

Quando digo fadiga, não falo da operacionalidade ou da disposição do prefeito, mas das imagens, da gestão e do gestor, que são projetadas para o público.

Via de regra, é raro ver administrações novas com elevada rejeição, sem que para isso tenham ocorridos escândalos ou crises muito graves. Roberto Cláudio foi eleito em segundo turno com 53% dos votos. O resultado apertado, por si só, já garante que boa parte do eleitorado, algo perto da metade, não é entusiasta do prefeito.

Mesmo assim, tradicionalmente os recém-empossados contam com a boa vontade da opinião pública, que precisa de tempo para avaliar o novo governo, ainda em formação.

Minha hipótese para explicar a impaciência dos habitantes de Fortaleza é uma soma de fatores que reúne fatos que antecedem a própria gestão, problemas de comunicação e erros administrativos e políticos.

Herança maldita

Aos olhos do público, tanto Roberto Cláudio quanto seu adversário nas eleições passadas, Elmano de Freitas, nunca passaram de prepostos do governador Cid Gomes e da ex-prefeita Luizinne Lins.

Nessa condição, qualquer dos dois acabaria herdando o desgaste acumulado em duas gestões de seus padrinhos políticos. A gestão, inevitavelmente, nasceria velha, com o peso das lideranças que representam, sem o frescor da renovação genuína, mas como continuísmo de modelos cansados.

Como quem venceu foi RC, é importante anotar que seu fiador, o governo do Estado, conta com a aprovação de apenas 38% dos cearenses.

Imagem atrelada

Outro fator é que, mesmo depois de eleito, Roberto Cláudio optou por manter uma imagem muito atrelada a do governador. Até as agências de propaganda são as mesmas. Fica confuso.

Por vezes, em eventos oficiais, o prefeito mais parece um secretário estadual. Não por acaso Dilma erra o nome de RC.

Polêmicas

É claro que a gestão municipal cometeu seus próprios erros, como nas polêmicas das creches em tempo integral, do aumento do IPTU e do impasse no Parque do Cocó. Nem entro no mérito desses casos, mas na forma como foram travadas as disputas em torno deles.

A prefeitura tem contra si a oposição do PT de Fortaleza, liderado por Luizianne. Não é pouca coisa e certamente isso tem boa influência nos 30% que consideram a gestão péssima, chamada por publicitários de “opinião cristalizada”, contra a qual não adianta argumentar.

A saída

O maior recado da pesquisa é que a nova gestão precisa ter uma imagem própria. Não se trata de rompimento com o governo do estado, não é isso, mas de ter, ou de pelo menos de tentar transparecer, autonomia.

Fazer isso sem melindrar seus aliados é o desafio.