dezembro 2013 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

dezembro 2013

Para ver 2014

Por Wanfil em Crônica

31 de dezembro de 2013

Primeiro de janeiro de 2014. Ano Novo. Se no calendário os anos são todos iguais, matematicamente repartidos em porções previsíveis, onde está a novidade? Muitos acreditam que o novo é o renascimento de esperanças que se desgastaram durante o ano que termina. Outros, que há um destino escrito e que desta vez pode ser a hora de a profecia se realizar.

Eu gosto de pensar que o novo está contido no velho, embutido. Explico. As novidades e as mudanças que se revelarão neste ano já estavam entre nós desde o ano passado, mas ninguém foi capaz de vê-las, seja por não ter prestado atenção ou por ter a “vista cansada”. A questão é saber quem as enxergará primeiro. E quando.

Por falar nisso, transcrevo um texto de Otto Lara Resende, escrito no mais ou menos distante 1992, mas que soa como uma novidade sempre. É que o novo surpreende não pelo inusitado, mas pelo óbvio que estava ao alcance de todos e que passou despercebido.

Segue Otto:

Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.

O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.

Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.

(Extraído da crônica Vista Cansada, publicada no jornal Folha de São Paulo, em 23 de fevereiro de 1992).

Em 2014, meu desejo mais profundo é o de não deixar que as vendas da indiferença e do hábito me impeçam de ver o novo que se refaz todo dia diante de nós. Que eu possa ver com o coração o que sou e o que faço, porque ninguém é estático e mudamos sempre. Que possamos nos ver mais e melhor, sempre.

Feliz 2014 a todos!

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Como tirar proveito das críticas

Por Wanfil em Política

30 de dezembro de 2013

A respeito da repercussão do mergulho no tanque da adutora de Itapipoca, o governador Cid Gomes justificou a iniciativa como ação para estimular as equipes no conserto da obra.

É mais comum ver esse tipo de postura em momentos de catástrofes naturais ou acidentes de grandes proporções, onde a comoção geral exige declarações ou a presença da autoridade in loco. Em situação de flagrante de incompetência na construção de obra pública, é a primeira vez que vejo algo assim, o que me faz acreditar na boa vontade do governador.

Generalização

Sobre as críticas, Cid Gomes disse apenas que os críticos são… os críticos!, dando a entender que eventuais divergências ao seu estilo político ou ao seu desempenho administrativo não passam de birra, de negativismo automático.

Desqualificar e generalizar a crítica como mera torcida contra ou como ofensa pessoal é o tipo de postura que revela pouca tolerância com o contraditório, algo que não combina com o ideal democrático. Ninguém gosta de ser criticado, é óbvio. Mas é aquela história do aforismo de Nornam Peale: “O mal de quase todos nós é que preferimos ser arruinados pelo elogio a ser salvos pela crítica”.

Sempre alerta

Há quase dois mil anos atrás, o filosofo grego Plutarco escreveu um livro chamado “Como tirar proveito dos seus inimigos“.

Resumindo, Plutarco dizia que o “Homem de Estado” não deveria se deixar cegar pelos elogios de aduladores e bajuladores, que tendem a supervalorizar seus feitos e ideias, criando um mundo de miragens e fantasias, de olho apenas em cargos e recompensas. Para evitar esse erro, a melhor saída, segundo o filósofo, é ouvir justamente as críticas, especialmente as dos inimigos.

Com os devidos descontos, ensina o grego, a crítica pode servir de alerta, afastando o líder da presunção de infalibilidade e reforçando em seu espírito a auto-vigilância, fundamental contra a acomodação do poder. Se por um lado o governante não deve calar os opositores, também não deve se fiar somente pelo o que eles dizem. Na verdade, a sabedoria está em saber descartar os exageros de elogios e críticas, para então fazer um meio termo que o aproxime mais da realidade.

Politicagem

Voltando ao caso da adutora de Itapipoca, o papel do governador Cid Gomes no caso deve ir muito além das ações, digamos, inusitadas de estímulo a operários. Somente ele, e mais ninguém, tem o poder de chamar o titular da Secretaria de Recursos Hídricos, o sociólogo Cesar Augusto Pinheiro, apadrinhado do senador Eunício Oliveira (PMDB), e que até o momento não veio a público explicar o caso, para cobrar-lhe as devidas responsabilidades.

Olha aí uma coisa que ninguém criticou até agora: loteamento de cargos em secretarias técnicas.

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Como conter os vazamentos invisíveis da gestão? Demitindo os incompetentes, ora!

Por Wanfil em Ceará

25 de dezembro de 2013

A imagem do governador Cid Gomes de enxada na mão trabalhando para conter o vazamento de uma adutora que ao ser inaugurada rompeu devido a pressão da água, é o retrato de uma calamidade silenciosa: o governo investe alto, mas serviço fica aquém do esperado da expectativa. As fotos estão publicadas no portal Tribuna do Ceará.

Cid Gomes de enxada na mão para conter vazamento em adutora em Itapipoca. Foto: Eldem/Tribuna do Ceará

Cid Gomes de enxada na mão para conter vazamento em adutora em Itapipoca. Foto: Eldem/Tribuna do Ceará

 

O episódio aconteceu na última segunda-feira, em Itapipoca, cidade onde os moradores estão sem água por causa da seca. Lá, um garrafão de água mineral com 20 litros custa R$ 25,00. Ao saber do fiasco, o governador foi ao local e arregaçou as mangas para conter o vazamento de uma obra que custou R$ 19,8 milhões aos cofres públicos. Cid determinou ainda a abertura de inquérito administrativo e policial para investigar o caso.

O empenho da autoridade máxima do Estado nesse instante de sufoco é louvável e serve, simbolicamente, de recado para sua própria equipe: Será que eu (Cid) preciso fazer tudo? A resposta, todos sabem: não!

Vejam o caso da Segurança Pública: o governador não precisa patrulhar as ruas pessoalmente para conter a onda de violência. Tem é que administrar, eleger prioridades e dar as condições para especialistas trabalharem, nem que para isso, tenha que mudar o secretário ou o comando da polícia, caso os resultados não apareçam.

Em relação à seca, é a mesma coisa. A secretaria de Recursos Hídricos, responsável pela adutora, através da Sohidra, e a própria secretaria de agricultura, se mostraram até agora dois grandes fiascos.

Existe ainda um segundo recado na atitude de Cid. Ir ao local e trabalhar como operário foi uma forma de mostrar solidariedade com os moradores de Itapipoca, e de forma mais ampla, com as vítimas da seca. Um jeito de dizer “estou aqui com vocês”.  Mas reclamar, fazer torcida ou pegar na enxada não adianta. Tem é que botar para correr quem não mostra operacionalidade, enquanto a investigação esclarece se o que aconteceu foi apenas uma soma de incompetências, ou se houve má fé, como a utilização de material inapropriado para baratear o empreendimento e embolsar a diferença.

Obras que se desfazem antes de começarem a funcionar são a materialização de outros vazamentos, de rachaduras e de remendos mal feitos, invisíveis aos olhos do público, pois atuam na estrutura administrativa do Estado, que deve ser fiscalizada pelos secretários e, em última instância, pelo governador.

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Ceará terá recorde de investimento público em 2014. Quando dinheiro na mão é vendaval…

Por Wanfil em Ceará

23 de dezembro de 2013

O volume de investimentos públicos no Ceará em 2014 será o maior de sua história. A previsão de caixa do governo é de R$ 9,4 bilhões.

Boa parte desse dinheiro, cerca de R$ 3,8 bilhões, terá como fonte o governo federal. É que em ano eleitoral a generosidade de Brasília aumenta com aliados. Depois volta ao normal. Outro montante, algo em torno de R$ 2,8 bilhões, vem de empréstimos, ou seja, é dívida para a próxima gestão.

Média

A execução orçamentária de 2013 no Ceará foi de 75% do total previsto, desempenho razoável, segundo palavras do governador Cid Gomes. De um total de R$ 4,8 bilhões disponíveis, o governo do Estado investiu em ações R$ 3,43 bilhões.

O que deixou de ser aplicado em ações, soma, portanto, cerca de R$ 1,4 bilhão, justamente o valor previsto pelo Tesouro estadual para o ano que vem.

Quem faz e quem não faz

Esse são números gerais, que perfazem uma média. Mas no dia a dia de sua aplicação, o fato é que algumas secretarias conseguem ser mais competentes, outras não. Uma rápida conferida no site da Secretaria de Planejamento e Gestão basta para conferirmos isso.

Por exemplo: no acumulado até dezembro, a Casa Militar, órgão que faz a segurança pessoal do governador, usou 99% do orçamento disponível para 2013.

A Secretaria da Fazenda, que recolhe os nossos impostos, também mostrou eficiência e conseguiu empenhar 85% de sua receita.

O Gabinete do Vice-Governador, vejam que importante, consumiu 92,69% dos R$ 5.289.700,16 que foi autorizado a gastar.

Mas outras áreas não foram tão bem.

No ano em que a seca mais castigou os cearenses, a Secretaria de Recursos Hídricos utilizou apenas 26% do dinheiro que lhe foi destinado.

Na Secretaria de Desenvolvimento Agrário, a execução foi de 48%.

E a Secretaria da Pesca e da Aquicultura, empenhou mirrados 16% do seu orçamento.

Tem ainda a questão da qualidade dos gastos. É o caso das secretarias que gastam muito e ficam muito aquém do resultado esperado, como a de Segurança Pública, que com 87% de execução, amargou seu pior ano.

Confira aqui o desempenho de outras secretarias e órgãos estaduais: Execução Orçamentária 2013.

Pecado Capital

Números são frios. No caso do orçamento, não falam de metas irreais, mas de capacidade operacional. Existe burocracia, áreas mais sensíveis, questões políticas, disputas por esses recursos, mas é difícil sustentar a posição de quem não consegue aplicar nem sequer a metade do que poderia.

Existem gestores que ao perceberem sinais de ineficiência, despacham o secretário e procuram outro nome. Se quiser resultados, optará por nomes técnicos. Se quiser fazer política, loteia o órgão junto a aliados.

Essa discrepância entre discursos e realizações, entre intenção e execução real, me faz lembrar a canção de Paulinho da Viola, Pecado Capital:

Dinheiro na mão é vendaval
É vendaval!
Na vida de um sonhador
De um sonhador!
Quanta gente aí se engana
E cai da cama
Com toda a ilusão que sonhou
E a grandeza se desfaz

É isso. Não bastar ter dinheiro em caixa. É preciso saber eleger prioridades e cobrar competência.

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A mobília do TCE e os Bourbons do Ceará

Por Wanfil em Ceará

20 de dezembro de 2013

Aumenta-se o IPTU e institui-se a cobrança de uma tal Taxa de Melhoria para sugar mais dinheiro de quem paga impostos. Como nada funciona direito, apesar dos seguidos recordes de arrecadação, fica evidente que a diferença entre o que arrancam do contribuinte e o que devolvem ao público em forma de obras e serviços serve, entre outras coisas, para sustentar luxos, como o refinado senso estético dos Bourbons (parafraseando Paulo Francis) encastelados no Tribunal de Contas do Estado. Essa turma resolveu torrar R$ 1,1 milhão com mobília. Coisa chique.

Na lista de móveis para dos Bourbons do TCE, que julgam merecer o que de melhor o dinheiro alheio pode comprar, estão 191 cadeiras no valor de R$ 2.100 a unidade. Uma das preciosidades é um sofá de R$ 11.400,00. O Ministério Público de Contas suspeita de irregularidades na operação e denuncia que esses mesmos móveis foram adquiridos em outros órgãos estatais pela metade do preço. Não sabe que, para a suscetibilidade da nobreza local, pechinchar é cafona.

O TCE, órgão que deveria dar o exemplo de austeridade e zelo nos gastos de verbas públicas, já se notabilizou recentemente por ter um ex-presidente envolvido com um esquema de desvio de dinheiro para a construção de banheiros em áreas rurais, junto com ONGs falsas e dois ou três secretários de Estado. Não deu em nada e os autores do crime estão no poder. O dinheiro, ninguém sabe, ninguém viu, nunca foi recuperado. No Ceará é assim.

Pois bem, a aristocracia do dinheiro fácil se esbalda em delírios consumistas, na sôfrega tentativa de imitar as classes ricas genuínas, com a diferença de que estas usufruem o que é bom com os próprios recursos e por serem o que são, e não na ilusão de serem o que não poderiam ser sem privilégios indevidos ou imorais.

Essas “autoridades” jecas se deslumbram com carros caríssimos, viagens internacionais, roupas de grife, fotos em colunas sociais, tudo ao custo do que falta aos miseráveis. A-DO-RAM Nova Iorque, mas lá não poderiam sobreviver sem o risco de prestar contas com a Justiça. O jeito então é voltar para reinar entre os cearenses.

Mas essa, digamos, cultura, não atinge apenas o TCE, claro. Trata-se de um padrão disseminado nas altas esferas da burocracia. É assim na Assembleia Legislativa, nas prefeituras e câmaras municipais, no Palácio da Abolição, no Tribunal de Justiça e similares. O Ceará é pobre, mas sua nobreza enverga, de nariz empinado, ternos Armani e gravatas Ermenegildo Zenga. Coisa chique.

E tome imposto no lombo da gentalha que precisa trabalhar de verdade!

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Ibope mostra que a gestão Roberto Cláudio já nasceu velha

Por Wanfil em Pesquisa

18 de dezembro de 2013

Antes de completar um ano, a gestão de Roberto Cláudio em Fortaleza mostra sinais de fadiga e desgaste. Pelo menos é o que indica a pesquisa Ibope/CNI, em que a administração é reprovada por nada menos do que 42% dos entrevistados (12% de ruim somado a um impressionante 30% de péssimo). Para 29% o governo municipal é apenas regular e 24% o aprovam (mirrados 2% de ótimo e 22% de bom).

Quando digo fadiga, não falo da operacionalidade ou da disposição do prefeito, mas das imagens, da gestão e do gestor, que são projetadas para o público.

Via de regra, é raro ver administrações novas com elevada rejeição, sem que para isso tenham ocorridos escândalos ou crises muito graves. Roberto Cláudio foi eleito em segundo turno com 53% dos votos. O resultado apertado, por si só, já garante que boa parte do eleitorado, algo perto da metade, não é entusiasta do prefeito.

Mesmo assim, tradicionalmente os recém-empossados contam com a boa vontade da opinião pública, que precisa de tempo para avaliar o novo governo, ainda em formação.

Minha hipótese para explicar a impaciência dos habitantes de Fortaleza é uma soma de fatores que reúne fatos que antecedem a própria gestão, problemas de comunicação e erros administrativos e políticos.

Herança maldita

Aos olhos do público, tanto Roberto Cláudio quanto seu adversário nas eleições passadas, Elmano de Freitas, nunca passaram de prepostos do governador Cid Gomes e da ex-prefeita Luizinne Lins.

Nessa condição, qualquer dos dois acabaria herdando o desgaste acumulado em duas gestões de seus padrinhos políticos. A gestão, inevitavelmente, nasceria velha, com o peso das lideranças que representam, sem o frescor da renovação genuína, mas como continuísmo de modelos cansados.

Como quem venceu foi RC, é importante anotar que seu fiador, o governo do Estado, conta com a aprovação de apenas 38% dos cearenses.

Imagem atrelada

Outro fator é que, mesmo depois de eleito, Roberto Cláudio optou por manter uma imagem muito atrelada a do governador. Até as agências de propaganda são as mesmas. Fica confuso.

Por vezes, em eventos oficiais, o prefeito mais parece um secretário estadual. Não por acaso Dilma erra o nome de RC.

Polêmicas

É claro que a gestão municipal cometeu seus próprios erros, como nas polêmicas das creches em tempo integral, do aumento do IPTU e do impasse no Parque do Cocó. Nem entro no mérito desses casos, mas na forma como foram travadas as disputas em torno deles.

A prefeitura tem contra si a oposição do PT de Fortaleza, liderado por Luizianne. Não é pouca coisa e certamente isso tem boa influência nos 30% que consideram a gestão péssima, chamada por publicitários de “opinião cristalizada”, contra a qual não adianta argumentar.

A saída

O maior recado da pesquisa é que a nova gestão precisa ter uma imagem própria. Não se trata de rompimento com o governo do estado, não é isso, mas de ter, ou de pelo menos de tentar transparecer, autonomia.

Fazer isso sem melindrar seus aliados é o desafio.

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O mundo contra Cid Gomes

Por Wanfil em Política

17 de dezembro de 2013

O governador Cid Gomes acusou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, de ter vazado para a imprensa um relatório do Tribunal de Contas da União, de agosto passado, informando que a capacidade de pagamento do Ceará “inspira cuidados”, conforme análise da Secretaria do Tesouro Nacional, órgão subordinado ao Ministério da Fazenda. Segundo o documento, um empréstimo feito pelo Ceará junto do Banco Mundial foi liberado, em caráter de excepcionalidade, somente depois de um pedido do próprio ministro.

Sobre o suposto vazamento para os jornais, o governador foi taxativo: “Esse Guido Mantega vem procurando retaliar o Estado do Ceará. Isso é uma posição pessoal em relação a mim”.

Questão pessoal

A reação é estranha e fere o decoro institucional que se espera das autoridades. O tratamento “esse Guido”, mais do que um arroubo de indignação, remete a uma tentativa de desqualificação pessoal que leva para o campo da intriga, o que deveria ser um debate técnico: afinal, como anda a capacidade de endividamento do Estado?

História mal contada

Existe ainda nesse imbróglio um lacuna lógica. Se Guido atuou para liberar um empréstimo desaconselhado pelo Tesouro Nacional, seria de seu interesse ocultar a operação e não o contrário. Nesse sentido, a conta não fecha.

Tanto é assim que a resposta do ministro procura justificar a operação, afirmando que o Ceará tem baixo endividamento, contrariando análises técnicas do próprio ministério. Algo aconteceu entre o mês de agosto, quando Mantega quebrou o galho da gestão Cid, e dezembro.

O fato é que o documento atinge a imagem de gestor de Cid e foi parar na imprensa nacional. A reação imediata, ao que tudo indica, foi buscar um bode expiatório: Guido Mantega.

Eterno complô

O apelo ao emocional, a vitimização, a personificação do Ceará na própria imagem (críticas à gestão viram ações contra os cearenses), a espetacularização das divergências e a transformação de problemas em ações de inimigos pessoais, constituem uma espécie de recurso padrão para situações que constrangem os interesses do governador. Uma rápida busca no Google basta para conferir isso: Leia mais

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Ainda o Ibope: Cearenses reprovam ações dos governos federal e estadual, mas Dilma cresce e Cid cai. Por quê?

Por Wanfil em Pesquisa

16 de dezembro de 2013

Os números da pesquisa Ibope/CNI divulgados na última sexta-feira (13), mostram que as percepções dos cearenses em relação aos serviços do governos  federal e estadual se assemelham no alto índice de descontentamento, mas destoam na avaliação dos governos que os patrocinam. Enquanto a popularidade do federal cresce, a do estadual diminui, embora ambos tenham desempenhos semelhantes por área de atuação. Como isso é possível? Vamos, antes, aos números.

Governo Federal

Nada menos do que 72% dos cearenses reprovam o governo federal nas áreas da Segurança Pública e da Saúde. A única área da gestão Dilma a conseguir aprovação superior à metade dos entrevistados no Estado foram as ações de combate à pobreza, com 58% de aceitação. Traduzindo: Bolsa Família, nada mais.

Curiosamente, a imagem do governo federal tem, no Ceará, um dos seus melhores desempenhos, com 59% entre bom e ótimo.

Fato: os cearenses não fazem ligação entre causa e efeito, entre obra (ações reprovadas) e autor (governo Dilma).

Governo Estadual

Já em relação à gestão Cid Gomes, o descontentamento do público com os serviços de Segurança e Saúde, consideradas as áreas de pior desempenho do governo estadual por 55% e 61% da população, respectivamente, ajudaram a derrubar a aprovação da gestão local para 38%.

Fato: nesse caso, os cearenses fazem a ligação de causa e efeito, ou seja, debitam na conta do governo estadual a frustração que experimentam com o serviço público.

 Conclusões

A falta de um oposição local e a total subserviência da bancada federal são fatores que contribuem para descolar Dilma dos fracassos de seu governo. Sem críticas e cobranças, a presidente acaba ligada somente aos programas assistencialistas que ajudam a aliviar (mas não a superar) a pobreza. Daí ser desnecessário cumprir promessas como refinaria ou transposição do São Francisco.

Para Cid, a situação muda. A proximidade das pessoas com o cotidiano da gestão, a expectativa elevada, a cobertura da imprensa nacional e ainda as críticas de seus poucos opositores (que não conseguem, apesar disso, aparecer como alternativas eleitorais ao governo estadual), desgasta a administração estadual. Mesmo assim, não há grupo político, até o momento, que ameace o projeto em curso.

A solução, por incrível que pareça, é colar ainda mais a imagem do governo estadual ao governo federal. É nesse sobreposição de ilusões que mora a esperança de ofuscar o descontentamento geral com o trabalho desenvolvido por essas duas esferas administrativas. É surreal ter gestões com ações reprovadas nas áreas mais sensíveis como favoritas para as próximas eleições.

Nunca antes nesse país se viveu tanto sob o estigma da adesão incondicional aos governos de plantão.

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Ibope: Cid é aprovado pelos cearenses com nota 5,2; mas governo é reprovado com 3,8

Por Wanfil em Pesquisa

14 de dezembro de 2013

O Ibope divulgou pesquisa de opinião nesta sexta-feira (13) para avaliar a popularidade do governo federal e dos governos estaduais em todo o Brasil. O levantamento foi encomendado pela Confederação Nacional da Indústria e tem margem de erros de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Raio X no Ceará

No Ceará, o resultado foi o seguinte: 52% dos entrevistados aprovam a maneira de Cid Gomes governar e 48% confiam no governador, mas o índice dos que consideram governo bom cai para 34% e para 4% entre os que o entendem como ótimo. Com efeito, existe muita gente que gosta do governador mas que avaliam a gestão como regular (34%), além dos que a consideram ruim (9%) ou péssima (11%). Levando em conta a anemia e a desorganização da oposição, é uma situação pouco confortável.

De qualquer modo, como podemos ver, o governador Cid Gomes é maior do que seu próprio governo. Existe aí um fenômeno de dissociação que é algo comum nesse tipo de pesquisa. O brasileiro costuma a ser mais benevolente com as pessoas e mais rigorosos com os governos. É como o professor que simpatiza com o aluno, mas que apesar disso não pode aprová-lo.

Assim, na avaliação dos cearenses, o que temos, em termo mais populares, é mais ou menos isso: metade dos cearenses gostam da imagem pública do indivíduo Cid Gomes e o consideram mesmo um bom sujeito, mas somente 38% estão satisfeitos com seu governo.

No contexto, desempenho é mediano

Apesar de não ser uma grande aprovação, é preciso situar esse desempenho no contexto geral do país. Comparado a outros estados, o Ceará fica na 10ª posição, o que, convenhamos, não é ruim. Pelo contrário, se considerarmos que este ano foi marcado politicamente pelos protestos de junho, quando os brasileiros foram às ruas dizer que não confiam em seus representantes.

No entanto, se a base de comparação for o governo de Pernambuco, de Eduardo Campos (PSB), ou o desempenho local do governo federal, aí a coisa muda de figura.

A gestão de Campos é aprovada por 58% dos pernambucanos, uma vantagem de 20 pontos para o ex-aliado Cid, hoje no Pros. Já 59% dos cearenses aprovam a gestão da presidente Dilma (nacionalmente, esse número cai para 43%). São 21 pontos percentuais de diferença para o governo estadual.

O peso da Segurança e Saúde

A explicação para isso pode estar em dois setores sensíveis para a população. Segundo o Ibope, o Ceará apresenta o segundo maior percentual de moradores que escolheram a Segurança Pública como área de pior desempenho em seu estado, com 55%, seguida de 38% que acham que o combate às drogas é a maior falha do governo. É um desgaste considerável.

Papara os cearenses, pior do que a insegurança só mesmo o serviço estadual de saúde, apontado como ponto fraco da gestão por 61% dos entrevistados.

No geral, independente de qual é a pior área, saúde e segurança no estado são reprovadas por 72% da população. É muito.

 Conclusão

Os números da pesquisa Ibope jogam luzes sobre recentes decisões administrativas e políticas do governador Cid Gomes.

Primeiro, a popularidade maior do governo Dilma no Ceará (superando o governo estadual) explica em boa medida a “lealdade” no apoio à reeleição da petista, em detrimento das pretensões de Eduardo Campos. O pernambucano não transfere votos no Ceará, ao contrário da presidente, além, claro, do tradicional apelo da máquina.

Segundo, as mudanças nas pastas da Segurança e da Saúde, com Ciro Gomes atuando como consultor na primeira e depois assumindo a segunda, mostra claramente que o sinal vermelho acendeu neste semestre.

A sorte da gestão Cid é não ter, como foi dito, uma oposição de peso, organizada, pois as fissuras que podem abalar as estruturas do seu apoio popular estão aí. Por enquanto, a pesquisa mostra que as pessoas até entendem que existe boa intenção nas ações do governo, mas começam a mostrar que não há como ficar satisfeito quando os resultados não aparecem.

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Novo vice-presidente nacional do PT, Guimarães recebeu R$ 250 mil do velerioduto em 2003

Por Wanfil em Política

12 de dezembro de 2013

O deputado federal José Guimarães assume a 1ª vice-presidência do PT. Foto: Blog do Augusto Nunes/Veja

O deputado federal José Guimarães assume a 1ª vice-presidência do PT e é cotado para coordenar a campanha de Dilma em 2014. Foto: Blog do Augusto Nunes/Veja

O deputado federal pelo Ceará José Nobre Guimarães assume nesta quinta-feira (12) o cargo de 1º vice-presidente na Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores.

O parlamentar, que é líder do PT na Câmara Federal e irmão de José Genoíno, ex-presidente do partido recentemente preso por corrupção no caso do mensalão, é cotado ainda para ser um dos coordenadores à reeleição da presidente Dilma Rousseff. Em 2010, o petista foi coordenador da campanha no Nordeste.

Como todos sabem, Guimarães ficou nacionalmente conhecido quando um de seus assessores, José Adalberto Vieira, foi preso pela Polícia Federal no aeroporto de Congonhas com 100 mil dólares na cueca, em 2005.

No entanto, outro episódio menos famoso mas não menos polêmico  pode constranger a sigla em 2014, ano eleitoral. Quando estourou o escândalo do mensalão e todos souberam das ações do empresário Marcos Valério, o operador do esquema condenado à prisão pelo STF na ação penal 470, José Guimarães admitiu ter recebido R$ 250 mil ilegais do valerioduto em 2003 para quitar dívidas da campanha eleitoral de José Airton Cirilo para o governo estadual, disputada no ano anterior, por intermédio do tesoureiro Delúbio Soares, outro condenado.

Vale dizer que Guimarães não foi condenado em nenhum dos casos. Alegou que nada sabia das atividades do assessor (que disse que a grana foi o apurado da venda de legumes), nem da origem dos recursos enviados por Marcos Valério. Houve um processo de cassação na Assembleia Legislativa por quebra de decoro, mas com o apoio do próprio partido e de deputados do grupo cirista liderados por Ivo Gomes, o petista manteve o mandato.

O resto é história. Guimarães deu a volta por cima, consolidando a posição de nome influente nos círculos de Brasília e junto a órgãos federais, como o Banco do Nordeste.

O risco disso tudo, para a presidente (que tem evitado referências a Dirceu, Genoíno e Delúbio)  é ter como coordenador de campanha alguém que se notabilizou por escândalos ligados “recursos não contabilizados”.

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Novo vice-presidente nacional do PT, Guimarães recebeu R$ 250 mil do velerioduto em 2003

Por Wanfil em Política

12 de dezembro de 2013

O deputado federal José Guimarães assume a 1ª vice-presidência do PT. Foto: Blog do Augusto Nunes/Veja

O deputado federal José Guimarães assume a 1ª vice-presidência do PT e é cotado para coordenar a campanha de Dilma em 2014. Foto: Blog do Augusto Nunes/Veja

O deputado federal pelo Ceará José Nobre Guimarães assume nesta quinta-feira (12) o cargo de 1º vice-presidente na Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores.

O parlamentar, que é líder do PT na Câmara Federal e irmão de José Genoíno, ex-presidente do partido recentemente preso por corrupção no caso do mensalão, é cotado ainda para ser um dos coordenadores à reeleição da presidente Dilma Rousseff. Em 2010, o petista foi coordenador da campanha no Nordeste.

Como todos sabem, Guimarães ficou nacionalmente conhecido quando um de seus assessores, José Adalberto Vieira, foi preso pela Polícia Federal no aeroporto de Congonhas com 100 mil dólares na cueca, em 2005.

No entanto, outro episódio menos famoso mas não menos polêmico  pode constranger a sigla em 2014, ano eleitoral. Quando estourou o escândalo do mensalão e todos souberam das ações do empresário Marcos Valério, o operador do esquema condenado à prisão pelo STF na ação penal 470, José Guimarães admitiu ter recebido R$ 250 mil ilegais do valerioduto em 2003 para quitar dívidas da campanha eleitoral de José Airton Cirilo para o governo estadual, disputada no ano anterior, por intermédio do tesoureiro Delúbio Soares, outro condenado.

Vale dizer que Guimarães não foi condenado em nenhum dos casos. Alegou que nada sabia das atividades do assessor (que disse que a grana foi o apurado da venda de legumes), nem da origem dos recursos enviados por Marcos Valério. Houve um processo de cassação na Assembleia Legislativa por quebra de decoro, mas com o apoio do próprio partido e de deputados do grupo cirista liderados por Ivo Gomes, o petista manteve o mandato.

O resto é história. Guimarães deu a volta por cima, consolidando a posição de nome influente nos círculos de Brasília e junto a órgãos federais, como o Banco do Nordeste.

O risco disso tudo, para a presidente (que tem evitado referências a Dirceu, Genoíno e Delúbio)  é ter como coordenador de campanha alguém que se notabilizou por escândalos ligados “recursos não contabilizados”.