07/09/2013 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

07/09/2013

Cai o secretário de Segurança do Ceará. E a política de segurança do governo, continua?

Por Wanfil em Ceará, Segurança

07 de setembro de 2013

A queda do secretário de Segurança do Ceará, coronel Francisco Bezerra, nesta sexta-feira (6), foi antecipada por alguns sinais inequívocos de desgaste. Entre os mais significativos estão críticas feitas por Ciro Gomes, que recentemente atuou como consultor voluntário na pasta. Na Tribuna BandNews, não faz muitos dias, o irmão do governador admitiu publicamente o que todos já sabiam: que os índices de criminalidade no Ceará estão fora de controle. Era a senha que abria a brecha para eventuais mudanças no setor.

Encenação

Cid Gomes, que fez dessa área o mote de sua primeira campanha eleitoral, sempre relutou em reconhecer a gravidade da situação, fechando os ouvidos ao clamor geral até o limite do insuportável. Para não dar o braço a torcer (qualquer recuo poderia ser visto como reconhecimento de que o governo fracassou), Cid anunciou, na última quinta-feira (5), pela internet, que faria no dia seguinte uma espécie de mini-reforma no secretariado. Não foi bem isso o que aconteceu.

Na verdade, o governador adiantou em sete meses a saída dos secretários que deverão disputar mandatos nas eleições no ano que vem, para dar ares de normalidade burocrática à mudança. A própria saída de Bezerra estaria condicionada a uma hipotética candidatura a deputado estadual, algo difícil de acreditar.

Nos bastidores, fala-se que trocas de mais nomes na cúpula da segurança podem acontecer nos próximos dias.

Reação tardia

De qualquer forma, ainda que sem um mea culpa do governador, a exoneração do secretário e a perspectiva de mais alterações indicam que finalmente o governo entendeu que era preciso agir. Se a essa altura do campeonato, faltando pouco mais de três meses para começar o último ano do mandato, as mudanças terão o efeito que se deseja, e espera-se tenham, para o nosso próprio bem, é outra coisa. Até porque essa não é a primeira troca de secretário de Segurança na atual gestão. Quando o ex-titular da pasta, Roberto Monteiro foi exonerado, Bezerra surgiu como homem da absoluta confiança de Cid, capaz de cumprir à risca o que lhe fosse determinado. Deu no que deu.

Portanto, aproveitando a deixa, é importante que o governo reconheça, ainda que apenas internamente, que o modelo de política de segurança pública vigente no Ceará, idealizado lá em 2006 como peça de campanha eleitoral, não vingou. Trocar de secretário na ingênua esperança de que ele venha a fazer funcionar algo cuja concepção estratégica está errada, é trocar seis por meia dúzia.

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Cai o secretário de Segurança do Ceará. E a política de segurança do governo, continua?

Por Wanfil em Ceará, Segurança

07 de setembro de 2013

A queda do secretário de Segurança do Ceará, coronel Francisco Bezerra, nesta sexta-feira (6), foi antecipada por alguns sinais inequívocos de desgaste. Entre os mais significativos estão críticas feitas por Ciro Gomes, que recentemente atuou como consultor voluntário na pasta. Na Tribuna BandNews, não faz muitos dias, o irmão do governador admitiu publicamente o que todos já sabiam: que os índices de criminalidade no Ceará estão fora de controle. Era a senha que abria a brecha para eventuais mudanças no setor.

Encenação

Cid Gomes, que fez dessa área o mote de sua primeira campanha eleitoral, sempre relutou em reconhecer a gravidade da situação, fechando os ouvidos ao clamor geral até o limite do insuportável. Para não dar o braço a torcer (qualquer recuo poderia ser visto como reconhecimento de que o governo fracassou), Cid anunciou, na última quinta-feira (5), pela internet, que faria no dia seguinte uma espécie de mini-reforma no secretariado. Não foi bem isso o que aconteceu.

Na verdade, o governador adiantou em sete meses a saída dos secretários que deverão disputar mandatos nas eleições no ano que vem, para dar ares de normalidade burocrática à mudança. A própria saída de Bezerra estaria condicionada a uma hipotética candidatura a deputado estadual, algo difícil de acreditar.

Nos bastidores, fala-se que trocas de mais nomes na cúpula da segurança podem acontecer nos próximos dias.

Reação tardia

De qualquer forma, ainda que sem um mea culpa do governador, a exoneração do secretário e a perspectiva de mais alterações indicam que finalmente o governo entendeu que era preciso agir. Se a essa altura do campeonato, faltando pouco mais de três meses para começar o último ano do mandato, as mudanças terão o efeito que se deseja, e espera-se tenham, para o nosso próprio bem, é outra coisa. Até porque essa não é a primeira troca de secretário de Segurança na atual gestão. Quando o ex-titular da pasta, Roberto Monteiro foi exonerado, Bezerra surgiu como homem da absoluta confiança de Cid, capaz de cumprir à risca o que lhe fosse determinado. Deu no que deu.

Portanto, aproveitando a deixa, é importante que o governo reconheça, ainda que apenas internamente, que o modelo de política de segurança pública vigente no Ceará, idealizado lá em 2006 como peça de campanha eleitoral, não vingou. Trocar de secretário na ingênua esperança de que ele venha a fazer funcionar algo cuja concepção estratégica está errada, é trocar seis por meia dúzia.