setembro 2013 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

setembro 2013

E agora, como ficam a imagem e a liderança de Cid Gomes?

Por Wanfil em Política

30 de setembro de 2013

Cabe à liderança apontar rumos e prover segurança aos liderados. É tudo o que falta agora aos dissidentes do PSB no Ceará.

Cabe à liderança apontar rumos e prover segurança aos liderados. É tudo o que falta agora aos dissidentes do PSB no Ceará.

No Ceará, a política anda em compasso de espera enquanto todos aguardam a definição sobre o destino político de Cid Gomes e seus aliados. E quanto mais os jornalistas buscam conferir novidades com suas fontes, mais versões diferentes surgem no mercado das especulações.

É que políticos são como economistas: fingem ser realistas, quando na verdade fazem apostas. Sempre desconfio quando vejo um economista projetando o dólar futuro ou a taxa ideal de juros, pois suas previsões sempre convergem para o benefício dos seus próprios investimentos. Do mesmo modo, quando um político diz que o cenário eleitoral deve ser este ou aquele, é porque esse é a expectativa que melhor atende aos seus interesses imediatos.

Profecias

Esse fenômeno tem um nome curioso: são as “profecias autorrealizáveis”, expressão cunhada pelo sociólogo Robert K. Merton (v. Sociologia: teoria e estrutura, 1970). Diz Merton: “A profecia autorrealizável é, no início, uma definição falsa da situação, que suscita um novo comportamento e assim faz com que a concepção originalmente falsa se torne verdadeira”.

Imagem é tudo

Voltando ao Ceará, as profecias estão em todas as colunas de política, reuniões partidárias, redações e rodas de conversa, esperando a chance de se realizarem.

Nesse contexto de incertezas, dois aspectos não foram ainda devidamente comentados publicamente: 1 – Que expectativa de poder Cid pode oferecer aos seus aliados? Afinal, é isso o que interessa aos envolvidos, muitos dos quais podem começar a pensar que é hora de avaliar o potencial de outros candidatos (é sempre assim que começa uma traição política). 2 – Como fica a imagem de liderança de Cid? Sim, cabe ao líder oferecer segurança e estabilidade aos seus liderados, o que vinha sendo bem feito até agora, pelo menos em âmbito local. Mas agora que a derrota para Eduardo Campos dentro do PSB obrigou os dissidentes buscar às pressas um novo partido, resta evidente que o processo foi conduzido de forma demasiadamente arriscada.

Nesse contexto novo, mais do nunca Cid e Ciro dependem de Dilma; o que significa dizer que dependem do PT, que por sua vez trabalha para agradar o PMDB, que no Ceará quer lançar candidatura própria. Olha aí a confusão.

O final dessa história é imprevisível, já que o cenário está aberto para inúmeras possibilidades. Mas a mística de negociador frio e calculista de Cid foi definitivamente arranhada. A não ser que uma reviravolta fabulosa acontecesse. Mas essa, até o momento, parece ser a aposta menos convincente.

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Carta contra eu mesmo

Por Wanfil em Crônica

27 de setembro de 2013

Ser gentil com quem concorda conosco é fácil. Fica a dica.

Ser gentil com quem concorda conosco é fácil. Fica a dica.

Fiquei surpreso com a repercussão do post Enquanto impasse no Cocó não é resolvido, manifestantes fazem a festa nas redes sociais do Sistema Jangadeiro. O que impressiona nos comentários é a emoção exacerbada, tanto por parte de quem condena a ocupação, como de quem a defende. No entanto, o primeiros são dispersos, agem de modo desordenado; enquanto os outros são mais organizados, atuam com método e em parceria com grupos políticos já constituídos.

Com o fanatismo ferido, alguns “militantes” tentaram me intimidar com xingamentos e rotulações. O problema é que, aos poucos, estamos criando uma cultura de intolerância travestida de humanismo progressista. Por acreditar que lutam por algo justo e belo, esses jovens, boa parte estudantes universitários, imaginam que todos os que não comungam da mesma visão de mundo são essencialmente maus.

Diante dessa reação improdutiva, resolvi mostrar aos meus detratores que é possível discordar de modo decente e civilizado, escrevendo uma carta contra o que eu mesmo escrevi. A primeira regra – atenção galerinha super bacana – é ser educado. Palavrões e clichês ultrapassados podem massagear os egos de quem já é convertido à militância dos manifestantes, porém, assusta e afasta o leitor neutro, como ensina qualquer manual básico de marketing político. É que o radical é mal visto, moçada. Mas vamos ao que interessa. Se eu fosse escrever contra o que eu escrevi, diria algo mais ou menos assim:

“Caro Wanderley, li seu post sobre a festa no acampamento do Cocó e fiquei incomodado com o tom, ora sarcástico, ora irônico, com que os ativistas foram pintados. Escrever em um veículo de grande audiência implica em responsabilidade com os fatos e também com os sentimentos das pessoas. O que para você parece uma brincadeira, para nós acampados e apoiadores da causa, é coisa séria. Seu espaço poderia ser bem mais útil se mostrasse como anda a questão ambiental na cidade. Não custa lembrar que, graças aos protestos, a Prefeitura precisou rever sua forma de atuação, obrigando-se a cumprir a lei e a buscar os devidos licenciamentos ambientais. Você tem o direito de discordar e de ser a favor dos viadutos ou até do desmatamento, mas a contrapartida para isso é justamente respeitar o nosso direito que lutar pelo que acreditamos. Venha até o acampamento e conheça-nos um pouco mais. Aqui a imprensa é sempre bem-vinda”.

Viram, caros críticos? É fácil para quem sabe. Podem copiar, se quiserem. Eu responderia, claro, e poderia até fazer um mea-culpa, quem sabe. Mas poderia ser realmente duro com vocês, mas com toda a educação. Só não venham me xingar, que aí não tem conversa. O destempero interdita o debate. Sei que isso pode parecer-lhes pouco revolucionário, mas é assim que funciona. Boas maneiras para com supostos adversários ainda é sinal de espírito civilizatório. Sejam mais gentis doravante.

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Dissidentes do PSB no Ceará ensinam como procurar um novo partido

Por Wanfil em Partidos

27 de setembro de 2013

A segunda reunião para definir o destino do grupo político ligado ao governador Cid Gomes, realizada na noite de ontem com a presença de parlamentares e prefeitos dissidentes do PSB, acabou, mais uma vez, sem definição. Outra reunião ficou acertada para a próxima terça-feira (01/10). O prazo para uma decisão é curto e termina na sexta-feira (04/10) da semana que vem.

Os meios que (des)qualificam o fim

De concreto, Cid adiantou que o grupo seguirá em bloco para uma nova sigla e que o PT não é alternativa viável. Entre as opções em análise estão PP, PDT, PC do B, PSD e o recém-fabricado PROS. A ordem é buscar aquele que ofereça maior segurança contra questionamentos jurídicos e possíveis prejuízos aos aliados que exercem mandato.

Questões como ideologia, valores e princípios ficam, portanto, em segundo plano, diante das conveniências eleitorais do momento, como é muito comum no Brasil e no Ceará em especial, onde manadas de políticos sempre vivem a seguir seus chefes de um lado para o outro. Raro mesmo é ver uma confissão explícita nesse sentido, feita não por um impulso de denúncia, mas pela assimilação do oportunismo como prática normal e perfeitamente aceitável.

Em busca do tempo perdido

A estratégia de alimentar especulações para em seguida, aos poucos, ir desmentindo os boatos, prolongando assim o suspense geral, resulta, por um lado, das dúvidas a respeito das consequências de uma mudança de partido feita às pressas e na última hora, e por outro, da necessidade de ganhar mais tempo para ver como atuam outras forças políticas.

Nova pesquisa

Sobre isso, a nova pesquisa do instituto Ibope sobre a corrida presidencial, divulgada também ontem, pode servir para justificar a saída de Cid e sua turma do PSB, já que Dilma aparece na liderança com 38% das preferências, enquanto Eduardo Campos fica com apenas 5%.

No entanto, isso não basta pra resolver as questões internas que afligem os governistas no Estado. Na verdade, fortalece o PT e o PMDB, aliados de Cid que podem lançar candidaturas próprias e se transformarem em seus maiores adversários. Mas nada é certo ainda.

Com tanta indefinição, resta mesmo esperar cenas dos próximos capítulos.

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PSB no Ceará: Como confiar em quem muda demais?

Por Wanfil em Partidos

25 de setembro de 2013

A reunião da executiva do PSB do Ceará para decidir se o grupo ligado ao governador Cid Gomes sai ou fica na legenda, realizada às pressas na noite de terça, acabou sem definição. Cid, que é o presidente estadual da sigla, afirma que fica no partido se a executiva nacional permitir que seus filiados aqui no estado possam fazer campanha para a reeleição de Dilma Rousseff, do PT. Como é? Declarar apoio a candidatura de outro partido contra o seu próprio, já que o PSB deve ir de Eduardo Campos em 2014, é mais do que pedir para sair. Tem caroço debaixo desse angu.

Mais tempo

A expectativa geral no meio político e na imprensa era a de que Cid anunciasse a saída do partido, uma vez que pairava no ar uma suposta ameaça de intervenção nacional no diretório estadual.

Na verdade, pelas conversas que tive com alguns parlamentares do PSB, é possível dizer Cid tem dois objetivos imediatos. Um é ganhar tempo para articular mais até a quinta-feira, pois as negociações (e as especulações) estão intensas. Há uma dúvida sobre o posicionamento dos demais governadores do PSB, que sofrem pressão do governo federal para não endossar a candidatura própria do partido.

Cid poderia levar um ou outro com ele e assim enfraquecer o palanque de Campos. Outro é enviar um recado para a própria Dilma, valorizando o próprio “sacrifício”, o que aumentaria a necessidade de uma compensação à altura.

O que é um partido?

Como é bastante improvável que Cid permaneça no PSB e acabe orientando seus aliados a migrarem para o tal de PROS, o mais novo partido de aluguel da praça, a reunião pode ser resumida como “a volta dos que não foram”. Iam sair, disseram que ficam, mas deverão partir. A próxima reunião será “a saída dos que não chegaram”. Sim. O grupo político de Cid e Ciro é contumaz praticante da arte de mudar de partido: PDS (hoje DEM), PMDB, PPS (ex-PCB) e PSB.

Em tese, partidos deveriam representar um conjunto de valores e princípios que, reunidos, deveriam embasar uma série de propostas de intervenção na realidade social e econômica de uma sociedade. Assim, mudar de sigla significaria adotar uma nova postura diante do mundo após um profundo exame de consciência. Acontece e pode ser mesmo sinal de evolução de um indivíduo.

Acontece que, na prática, essas agremiações são usadas e descartadas ao sabor das circunstâncias por políticos movidos apenas por um princípio: a sede de poder.

Quem confia em quem muda demais?

É claro que podem existir problemas internos, disputas, essas coisas. Mas a mudança constante revela mesmo a prevalência de projetos particulares sobre os ideais partidários.

Com o tempo, esse excesso retroalimenta a fragilidade do grupo dentro de partidos, pois acaba construindo uma imagem de inconsistência e falta de confiabilidade que desperta a desconfiança de seus correligionários.

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Enquanto impasse no Cocó não é resolvido, manifestantes fazem a festa

Por Wanfil em Fortaleza

24 de setembro de 2013

Nem só de greve de fome vive uma causa ambiental. O vídeo abaixo tem circulado nas redes sociais e mostra manifestantes acampados no Parque do Cocó dançando numa “rave”, que é uma espécie de festa embalada por música eletrônica – o que na minha época de faculdade, Rosa da Fonseca (a senhora de camiseta branca e militante do anarquismo) chamaria de “lixo cultural imperialista”.

Nas imagens, impressiona a disposição do grupo em manter firme a sua fé. Além das barracas e das faixas, é possível ver mesas de plástico (produto feito a partir do petróleo e não biodegradável), caixas de isopor, um tabagista (supondo que seja tabaco) e um som que contrasta com as notas harmônicas do cantar do grilos e o coaxar dos sapos.

Portanto, não vai aqui nenhuma crítica quanto ao direito de festejar. Não falo nem mesmo em poluição sonora, que isso seria especular. Fico preocupado é com os animais daquele templo da natureza, de insetos a mamíferos, de peixes a crustáceos, expostos às batidas eletrônicas. Não quero nem pensar se algum acasalamento (dos animais nativos) não tiver se consumado por conta do evento.

Os manifestantes estão acampados no parque há mais de dois meses. Acredito que suas intenções sejam as melhores. Assim, pelo bem do debate construtivo e para estimular a democracia dançante, recomendo aos defensores do viaduto – que se identificam com a hastag “ViadutoSim” – promoverem também uma rave, talvez  no lado oposto do parque, para delimitar espaços. Certamente ninguém se incomodará, a não ser seus moradores naturais. Como dizia Kant, só pode ser ético o que é universal. O direito de fazer rave no Cocó agora está consolidado para todos (ou para todos e todas, como diriam os nossos ecologistas progressistas).

 

http://www.youtube.com/watch?v=o7IdhmjqB9U

 

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De onde menos se espera…

Por Wanfil em Assembleia Legislativa

24 de setembro de 2013

Férias do Ceará: Apesar do cartaz, não foi de graça. O MP quer investigar, a AL quer blindar o governo para garantir o "festival de alegria".

Férias do Ceará:  Gratuito no nome, caríssimo para os cofres públicos. O MP quer investigar, a AL quer blindar o governo para garantir o “festival de alegria”.

O jornalista Apparício Torelly, mais conhecido como Barão de Itararé, frasista de primeira, cunhou uma tirada que serve para ilustrar com perfeição a conjuntura política no Ceará: De onde menos se espera, daí é que não sai nada. É exatamente essa a sensação, ou melhor, a certeza, diante do pedido de criação de uma CPI para investigar contratações de artistas com cachês supostamente superfaturados para festival “Férias no Ceará”, ocorrido em 2011, não dará em nada.

CPI para quem precisa

Os indícios de irregularidades apontados pelo Ministério Público de Contas são pertinentes, o que não significa que a presunção de inocência não deva ser observado. Mas alguns artistas negam publicamente ter recebido os valores publicados no Diário Oficial, deixando a suspeita de que a diferença, se existir, foi embolsada por alguém.

O autor da proposta de CPI, o deputado estadual Heitor Férrer, argumenta que é dever da Assembleia Legislativa fiscalizar os gastos do governo do Ceará, ressaltando com um pitada de ironia que a descoberta de eventuais desvios interessa ao próprio governador Cid Gomes. Digo ironia porque todos sabem que a Assembleia é absolutamente controlada pelo Executivo. A situação é tão esdrúxula, que até a Câmara de Fortaleza vira exemplo de altivez se comparada ao parlamento estadual.

Tudo bem que governos sempre tentam evitar CPIs alegando que esse instrumento poderá servir de palco político para os seus adversários. A não ser que seja de fachada, como é o caso da CPI da Telefonia, área que nem mesmo é de competência estadual. Mas essa desculpa não serve no caso cearense, uma vez que os mais simples pedidos de prestação de contas do governo são prontamente negados. Agora a mesmo a Assembleia Legislativa rejeitou três requerimentos que solicitavam informações sobre gastos com uma viagem de Cid Gomes à Europa, a compra de helicópteros sem licitação e a construção de um anexo milionário no Palácio da Abolição.

Somente cinco deputados votaram a favor dos requerimentos: Heitor Férrer (PDT), Roberto Mesquita (PV), Fernando Hugo (PSDB), Eliane Novais (psb) e Antônio Carlos (PT).

Blindagem pra quê?

O governo pode até ter razão nesses casos, mas se tem, fica estranho não fazer questão de mostrar total transparência. Afinal, qual o problema em explicar como é usado o dinheiro público?

Essa postura fechada acaba mesmo é reforçando suspeitas renovadas a cada nova acusação de irregularidades, pois, como diz o ditado, quem não deve não teme.

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O problema não é o STF, o problema é você, eleitor

Por Wanfil em Brasil

20 de setembro de 2013

Meu comentário na coluna política, da Tribuna BandNews FM – 101.7

A indignação geral – ou quase geral – com a decisão do STF sobre os tais embargos infringentes e que beneficiou 12 réus do mensalão é o assunto da hora nas rodas de conversa. Onde quer que a gente chegue, o rosário de lamentações começa. Curioso como todos são contra a impunidade e a impunidade ainda assim prospera… Bom, nesse clima de contrariedade, o vilão do momento é o ministro Celso de Mello, cujo voto desempatou a questão a favor dos condenados. De vez em quando elegemos um responsável pela impunidade crônica que vigora no país.

O escritor Nelson Rodrigues dizia que subdesenvolvimento não se improvisa. Eu digo, na mesma linha, que impunidade e decadência também não se improvisam.

Amplidão

Se hoje o Judiciário brasileiro se vê ameaçado pelo aparelhamento ideológico partidário, isso acontece porque existem forças políticas de posse dos instrumentos necessários para essa ação. O próprio mensalão foi instrumento utilizado para controlar outro poder, o Legislativo, em benefício do projeto idealizado por José Dirceu, Lula e companhia.

O que muitos dos que agora reclamam não atentam, ou não querem atentar, é para o fato de que o mensalão não se resume aos réus que terão novo julgamento, mas antes se amplia no arco de alianças que fazem orbitar em torno do PT as mais diferentes siglas, todas conectadas por interesses nada republicanos.

A presidente da República, o governador do Ceará, a ex-prefeita e o atual o prefeito de Fortaleza, por exemplo, são aliados políticos dos mensaleiros, quer admitam isso ou não. Em 2014, cada um a seu modo, sabe que precisa preservar o arranjo de poder do compartilhado por José Genoíno e Delúbio Soares.

Quem pode passar o país a limpo?

Por isso, querer que o judiciário agora corrija em um único julgamento as distorções que começam no Executivo e se estendem pelo Legislativo é sintoma de desespero ou cegueira.

Antes de culpar esse ou aquele ministro do Supremo Tribunal nesse episódio, é preciso que façamos a seguinte pergunta para nós mesmos: Afinal, como chegamos a esse ponto? Como deixamos as instituições serem desmoralizadas desse jeito? Como, enquanto nação, nos permitimos ser governados, ainda hoje, nesse exato instante, pelos agentes do mensalão? E, por fim, o que faremos a respeito?

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Depois do susto, a farra dos sem-vergonha

Por Wanfil em Brasil

18 de setembro de 2013

Se durante os protestos de junho a classe política se viu obrigada a aprovar uma ou outra medida para acalmar o público, depois que as coisas voltaram acalmaram, um conjunto de decisões casuísticas e desassombradas mostram que a pele de cordeiro não é mais necessária para iludir o rebanho.

Cito alguns de memória, pois se pesquisasse a lista seria demasiadamente longa.

1) Solidariedade ao deputado presidiário – De cara, deputados federais se recusaram a cassar um colega que cumpre pena em presídio (uma daquelas exceções que no fim confirmam a regra da impunidade). Como a coisa pegou mal (resquícios dos protestos), rapidinho os excelentíssimos aprovaram nova lei que determina a cassação imediata de parlamentares presos, exceto – atenção! – para os crimes de enriquecimento ilícito e tráfico de influência, em que são notórios especialistas. Legislaram, portanto, em causa própria.

2) A esperança dos mensaleiros – Em outra frente, o país assiste atônito a imensa dificuldade de suas instituições democráticas em colocar a turma do mensalão na cadeia. Isso se conseguirem… No Brasil, parafraseando Arnaldo Jabor, corruptos confiam na justiça.

3) Uma reforma eleitoral malandra – Como se não bastasse, foi aprovada no Senado, uma minirreforma eleitoral que, na prática, legaliza algumas práticas até então criminosas e imorais, ao permitir que empresas sócias de concessionárias de serviços públicos façam doações a candidatos. É a aprovação do financiamento público de campanha por meio de laranjas. É escandaloso. A matéria segue agora para a Câmara.

4) A CPI de araque – No Ceará, para mostrar algum serviço ao distinto contribuinte, os deputados estaduais aprovaram a CPI da telefonia, muito embora a área seja controlada legislação e órgãos federais. Enquanto isso, bons companheiros que são, o parlamento estadual deixa de fiscalizar o executivo estadual, dando de ombros para denúncias de dispensas irregulares de diversas licitações ou de abusos em gastos com viagens e buffets.

As manifestações de rua, todos viram, saíram do controle das organizações pelegas que sempre controlam esses eventos. Por isso, assustaram, mas não o bastante para mudar a natureza dos lobos.

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Domingos Filho sai do PMDB – Ou: Meu partido é um coração partido

Por Wanfil em Política

17 de setembro de 2013

Cazuza: "Ideologia, eu quero uma pra viver". A não ser que você seja uma liderança partidária...

Cazuza: “Ideologia, eu quero uma pra viver”. A não ser que você seja uma liderança partidária…

O vice-governador Domingos Filho decidiu sair do PMDB para buscar abrigo em um novo partido que, de acordo com o noticiário, será escolhido conforme a orientação do governador Cid Gomes. Nada a ver, portanto, com convicções ideológicas ou com lealdade a princípios, mas somente com as conveniências par a próxima eleição.

Nada disso representa constrangimento algum para a maioria dos políticos, pois eles sabem – e tiram proveito disso – que o brasileiro não vota em partido ou em programa partidário; sabem que o brasileiro vive da eterna busca por um salvador da pátria, pelo líder carismático, seduzido pela promessa redentora e a ilusões fáceis, sempre esperançosos da caridade governamental.

Domingos Filho saiu do PMDB porque seu projeto pessoal não converge com o projeto pessoal de Eunício Oliveira, candidato de si mesmo à governo do Ceará, contra quem quer que seja o escolhido de Cid (incluindo nessa lista de possíveis candidatos o próprio Domingos Filho).

Partido do coração

Uma pesquisa do Ibope divulgada no começo do ano mostrava que 56% dos brasileiros não têm preferência por partido algum (imagino que após os protestos de junho esse número tenha aumentado). Em 1988, esse índice  era de 38%. Foi nessa época, há 24 anos, que o cantor e compositor Cazuza gravou a música IdeologiaMeu partido / É um coração partido / E as ilusões / Estão todas perdidas / Os meus sonhos / Foram todos vendidos / Tão barato / Que eu nem acredito / Ah! eu nem acredito…

Nesse tempo, muitos intelectuais ainda acreditavam que existiam partidos que, por causa da ideologia professada, seriam puros por natureza. Hoje como sabemos, o ceticismo de Cazuza estava certo.

Decepção

O número de pessoas que não acreditam em partidos no Brasil cresceu e agora expressa a maioria porque aos otários do passado, somaram-se os cínicos (no sentido filosófico da expressão) e incrédulos em geral do presente. Nos dias que correm, o otimista político não passa de um militante a serviço de algum projeto eleitoral.

No Ceará, não é diferente. O PMDB é o que é no resto do, uma colcha de retalhos feita de interesses paroquiais; o PSDB cresceu e depois murchou na mesma ordem em que chegou e saiu do poder; o PSB trilha o mesmo caminho dos tucanos, subjugado por uma família de políticos; o PT desistiu de seu projeto para aderir ao coro dos contentes. Sem contar as siglas de aluguel.

Na mesma canção, Cazuza dizia: “Ideologia, eu quero uma pra viver!”. Era o apelo derradeiro à esperança. Se pudessem responder na mesma moeda, a maioria dos líderes partidários cantariam alegremente: “Ideologia, eu não preciso de uma para vencer”.

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Cid Gomes no Facebook: é página pessoal ou oficial?

Por Wanfil em Ceará

16 de setembro de 2013

Cid FacebookNo dia 26 de agosto passado, Cid Gomes lançou uma fanpage no Facebook, a exemplo do que fazem outros gestores, moda disseminada pelo presidente Barack Obama, referência de autopromoção política no uso das redes sociais, com o devido apoio, claro, de uma equipe de profissionais.

Em sua página, o próprio Cid publica fotos pessoais, como a que em aparecia ao volante de um carro com um bebê ao colo, causando polêmica sobre uma possível infração de trânsito.  A foto foi retirada logo em seguida. O governador também faz comentários sobre diversos assuntos e apresenta informações do governo e interage com internautas. Para promover o espaço, Cid decidiu sortear ingressos para um show da cantora Beyoncé.

Apesar já ter afirmado se tratar de uma página pessoal, foi nela que o governador anunciou a minirreforma do secretariado, no último dia 5. E agora, nos dias 13 e 15, o governador Cid Gomes voltou a suar sua página pessoal no Facebook, dessa vez para criticar o Ministério Público Federal.

Nesses casos, sua assessoria de comunicação parece alheia ao que acontece. Nas gafes e polêmicas, limita-se a dizer que não comenta pois o uso da ferramenta é pessoal.

Sobre as declarações dirigidas ao Ministério Público, sem entrar no mérito, o fato é as críticas do governador foram publicadas numa página pessoal do cidadão Cid Gomes. Olha aí confusão entre a figura pública e o sujeito privado. Por isso fica estranho dizer que o pedido de explicações sobre viagens particulares do governador são inadequadas por se tratarem de assunto pessoal.

Definitivamente, o Facebook não é o canal adequado para manifestações (diretas ou indiretas) de caráter institucional por parte de autoridades. Isso vale tanto para o governador como para os procuradores da República. No caso em questão, as divergências há muito banalizaram seus órgãos de origem ao ganharem nítidos contornos de briga pessoal.

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Cid Gomes no Facebook: é página pessoal ou oficial?

Por Wanfil em Ceará

16 de setembro de 2013

Cid FacebookNo dia 26 de agosto passado, Cid Gomes lançou uma fanpage no Facebook, a exemplo do que fazem outros gestores, moda disseminada pelo presidente Barack Obama, referência de autopromoção política no uso das redes sociais, com o devido apoio, claro, de uma equipe de profissionais.

Em sua página, o próprio Cid publica fotos pessoais, como a que em aparecia ao volante de um carro com um bebê ao colo, causando polêmica sobre uma possível infração de trânsito.  A foto foi retirada logo em seguida. O governador também faz comentários sobre diversos assuntos e apresenta informações do governo e interage com internautas. Para promover o espaço, Cid decidiu sortear ingressos para um show da cantora Beyoncé.

Apesar já ter afirmado se tratar de uma página pessoal, foi nela que o governador anunciou a minirreforma do secretariado, no último dia 5. E agora, nos dias 13 e 15, o governador Cid Gomes voltou a suar sua página pessoal no Facebook, dessa vez para criticar o Ministério Público Federal.

Nesses casos, sua assessoria de comunicação parece alheia ao que acontece. Nas gafes e polêmicas, limita-se a dizer que não comenta pois o uso da ferramenta é pessoal.

Sobre as declarações dirigidas ao Ministério Público, sem entrar no mérito, o fato é as críticas do governador foram publicadas numa página pessoal do cidadão Cid Gomes. Olha aí confusão entre a figura pública e o sujeito privado. Por isso fica estranho dizer que o pedido de explicações sobre viagens particulares do governador são inadequadas por se tratarem de assunto pessoal.

Definitivamente, o Facebook não é o canal adequado para manifestações (diretas ou indiretas) de caráter institucional por parte de autoridades. Isso vale tanto para o governador como para os procuradores da República. No caso em questão, as divergências há muito banalizaram seus órgãos de origem ao ganharem nítidos contornos de briga pessoal.