agosto 2013 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

agosto 2013

Alex Gardenal para deputado federal! Fernandinho Beira-Mar para senador!

Por Wanfil em Brasil, Corrupção

30 de agosto de 2013

O título do post pode parecer um tanto exagerado, eu sei, algo que acena para uma situação ao estilo “realismo fantástico”, misturando  nomes de personagens reais com fatos impossíveis ou malucos. Mas quantas vezes a realidade não surpreende a fantasia? Quem imaginaria um país onde criminosos condenados em tribunal de última instância pudessem manter seus cargos no parlamento, a Casa da Democracia? Nata mais natural, portanto, do que conjecturar sobre as consequências dessa novidade. Qual seria o próximo passo dessa experiência inclusiva? Ora, permitir que criaturas com essas prerrogativas possam disputar eleições.

Cada partido, para demonstrar que não tem preconceito contra a classe presidiária e que reza pela cartilha politicamente correta, escolheria um bandido para oferecer-lhe uma candidatura (melhor ainda se for com financiamento público, como querem os nossos políticos). Seria uma aposta no potencial humano, na recuperação social desse excluído pelo sistema, colocado em situação provisória de privação de liberdade, como dizem os defensores da bandidagem em geral.

Parece fantasioso demais? Bom, os deputados da Câmara Federal entendem que a condição de presidiário não é relevante para cassar o mandato do tal deputado Natan Donadon, de Rondônia. Então, sendo assim, como dizer a um Alex Gardenal ou a Fernandinho Beira-Mar que eles não podem aspirar a uma carreira na política? O que argumentaríamos? Que eles são criminosos? Que foram condenados? Que estão presos? Pois é.

O Brasil é uma loucura. Políticos, como toda categoria, ou coletivo (outra expressão bem ao gosto do pensamento influente do momento), são corporativistas. Vamos, portanto, direto ao ponto. Por que não cassaram o tal Donadon? Simples. Por dois motivos: 1) para não abrir precedente, de forma a livrar a cara, mais adiante, de dois parlamentares condenados no caso do mensalão: José Genoino e João Paulo Cunha, ambos do PT; 2) por cumplicidade, pois Suas Excelências nunca sabem o dia de amanhã. Vai que alguém é condenado por uma pequena corrupção aí e depois querem lhe tirar o mandato? Melhor acabar com essa história de uma vez.

Antes se dizia que lugar de bandido é na cadeia, agora, não é errado dizer que lugar de bandido é no Congresso Nacional. Pensando bem, faz sentido.

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Mais um apagão: muita politicagem e pouca luz

Por Wanfil em Brasil

28 de agosto de 2013

Quem sabe se o Brasil importasse engenheiros de Cuba. Ou velas...

Quem sabe se o Brasil importasse engenheiros de Cuba. Ou velas…

E mais um apagão deixou o Nordeste brasileiro sem energia elétrica. Os transtornos imediatos são aqueles que todos já conhecem: trânsito caótico, escolas sem aula, hospitais com atendimento reduzido, empresas e repartições paradas, e por aí vai.

Existem, no entanto, efeitos que se fazem sentir no longo prazo. A freqüência dos apagões mostram que não há oferta de energia suficiente que suporte um crescimento econômico mais intenso. Daí a opção pelo incentivo ao consumo e não à produção (com inflação como resultado). Certamente no Ceará e no Brasil investimentos são postergados por esse fator de insegurança.

No passado, os apagões eram consequência da “política neoliberal”. Agora que os autores dessa teoria estão no poder e diante da constatação de que os blecautes se intensificaram, fica evidente que o problema é mesmo de gestão, ou melhor, de falta de gestão. Pior ainda, numa área estratégica e vital.

O ministro de Minas e Energia, o senador pelo Maranhão Edson Lobão, não entende nada do setor. Ele mesmo já reconheceu isso publicamente. Está lá por indicação do senador e ex-presidente José Sarney, preenchendo a cota de ministérios do PMDB no governo Dilma Rousseff. É a soma de politicagem com incompetência. O resultado não poderia ser outro. Desculpas nunca faltam, mas a realidade é essa.

E o pior é que nem o governador Cid Gomes, o prefeito Roberto Cláudio, nem os senadores e os deputados federais do Ceará não podem sequer reclamar da presidente ou pressionar o ministro, pois todos fazem parte desse grande arranjo. São beneficiários e fiadores desse modelo.

No Brasil, as discussões sobre políticas públicas são pautadas por chavões ideológicos e palavras de ordem, justamente para evitar a real natureza dos problemas. E isso vale mas em qualquer área. A polêmica sobre a importação de médicos cubanos, por exemplo, é um desses casos. Muita briga e muita paixão para uma medida que, ao final, não resolverá o caos na saúde.

É assim na economia, na segurança pública, na educação, no combate à seca, em tudo. Vivemos, todos, a escuridão de um grande apagão da gestão pública no Brasil.

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Médicos cubanos: remédio eficaz para a saúde ou placebo político?

Por Wanfil em Brasil, Ceará

28 de agosto de 2013

Devido ao programa Mais Médicos, o debate sobre saúde pública no Brasil foi deslocado momentaneamente das questões de ordem administrativa, para o exame acalorado, com certo viés ideológico, sobre a postura ética dos profissionais brasileiros de medicina.

Temos, como é de conhecimento geral, uma política de saúde cara e ruim. E sabemos disso não por causa das propagandas dos governos, onde hospitais são verdadeiras maravilhas repletas de profissionais felizes e pacientes gratos, mas pela experiência direta de quem precisa de atendimento em unidades públicas. Não é por acaso que os políticos mais poderosos, especialmente os que gostam de fazer proselitismo elogiando o SUS, correm para o hospital Sírio Libanês, em São Paulo, ao sinal de qualquer enfermidade.

Por isso, quando o assunto é saúde, eu nunca acredito no que um governo diz. Nenhum. Assim, segundo o governo federal, o serviço público de saúde é ruim no Brasil porque os médicos que não querem trabalhar nas cidades e nas regiões mais pobres e distantes do país. Pois é, não tem nada a ver com desperdício, incompetência administrativa e corrupção. Os médicos dizem que o problema é falta de estrutura, salários atrasados e calotes. Eu acredito nos médicos. Alguns preferem acreditar no políticos que só conhecem o Sírio Libanês.

Tiro no pé

Acontece que as associações de médicos, na melhor tradição sindical brasileira, puseram seu próprio discurso a perder, quando passaram a hostilizar os médicos cubanos “importados” para suprir a carência nesses lugares, digamos, inóspitos. Um vídeo gravado no aeroporto de Fortaleza mostra médicos brasileiros ofendendo médicos cubanos. São cenas constrangedoras que mais contribuíram para legitimar a obscena convocação de médicos estrangeiros sem exames de qualificação e “contratados” junto a uma ditadura.

Os médicos poderiam criar uma lista pública de municípios que não cumprem os contratos com os profissionais da categoria ou abrir um escritório de apoio aos estrangeiros em parceria com os dissidentes cubanos de Miami, de forma a mostrar que o núcleo da questão não é a nacionalidade ou uma reserva de mercado, mas medicina.

Dispensar esses médicos importados dos exames de conhecimentos é uma irresponsabilidade com os pacientes, claro, mas a culpa é do governo brasileiro. Os cubanos, coitados, vivem numa ditadura sanguinária ganhando 50 dólares mensais. Pare eles, ser explorados no Brasil rende mais do que ser explorado na fazenda de Fidel e Raul Castro.

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Série de notícias negativas expõe governo Cid. Ou: Como Tirar Proveito de Seus Inimigos

Por Wanfil em Ceará

26 de agosto de 2013

Minha edição de Como Tirar Proveito dos Seus Inimigos (Martins Fontes), obra de Plutarco escrita no início do Século I. Uma leitura que ajuda a entender os dissabores do governo Cid.

Minha edição de Como Tirar Proveito dos Seus Inimigos (Martins Fontes), obra de Plutarco escrita no início do Século I. Uma leitura que ajuda a entender os dissabores do governo Cid.

É impressionante como o governo Cid Gomes acaba enrolado, vez por outra, não por causa de grandes escândalos, como acontece em outros estados, mas por acontecimentos menores que, reunidos, acabam expondo a imagem da gestão a um desgaste progressivo e contínuo.

Alguns desses casos chamam a atenção por serem absolutamente desnecessários, como a contratação da cantora Ivete Sangalo, com cachê altíssimo, para a inauguração de um hospital em Sobral. O mesmo vale para os gastos milionários com o tenor Plácido Domingo em  apresentação privada, ou no recente episódio do buffet cujo cardápio e preços exaltaram o contraste entre o esbanjamento dos governantes com o dinheiro público e a penúria decorrente da seca no Ceará.

São vários os casos de obras e iniciativas que poderiam render bom ganho de imagem mas que acabam ofuscadas por essa ideia de desperdício e de falta de transparência. Até mesmo a compra de algo indispensável como viaturas policiais, terminou em debate sobre a escolha das caríssimas Hilux para o serviço.

E agora essa compra de helicópteros sem licitação. Não há acusação de crime, pois artifícios técnicos teriam sido utilizados, mas fica mais uma vez a suspeição de que as coisas não aconteceram com a transparência que a natureza da função exige, afinal, são recursos públicos. Quanto mais rigor, melhor, pois, ao final, isso ajuda a evitar especulações ou desvios.

A raiz do descuido

Há muito alerto para os riscos que a falta de uma oposição minimamente organizada poderia fazer ao governo. O filósofo grego Plutarco já ensinava, há mais ou menos dois mil anos, que sem o devido contraponto, líderes passam a acreditar que são infalíveis. É que ao adversário é fácil apontar os erros, uma vez que os amigos – por afeto –, e os bajuladores – por interesse –, não querem desgastar o amor-próprio do governante. Saber o ponto de equilíbrio entre as críticas e os elogios é o segredo do grande rei, dizia Plutarco em Como Tirar Proveito de Seus Inimigos.

Voltando ao Ceará, fica a impressão de que ao governo tudo parece menor, intrigas, perseguição da grande mídia, inveja e coisas do tipo. E é por isso mesmo que esses casos se repetem com frequência incômoda. Leia mais

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Compra de helicópteros sem licitação pelo governo do Ceará é alvo de suspeitas

Por Wanfil em Ceará, Noticiário, Sem categoria

25 de agosto de 2013

O site do jornal O Globo publicou matéria assinada por Maria Lima: Sem licitação, Cid Gomes gasta R$ 78 milhões com helicópteros. Segundo o jornal, o governo estadual adquiriu quatro helicópteros “equipados com o que há de mais moderno” valendo-se de artifícios para dispensa de concorrências. Um desses aparelhos, “de padrão luxo”, é utilizado pelo governador Cid Gomes desde 2010 e os demais começaram a chegar ao Ceará na semana passada.

Um programa da Secretaria de Ciência e Tecnologia que autoriza a compra de “equipamentos” (sem especificar helicópteros) sem licitação é utilizado para adquirir as aeronaves. Depois os aparelhos são cedidos para a Secretaria de Segurança. Valor do negócio: 78 milhões.

O deputado estadual Heitor Férrer (PDT), informa a matéria, deverá pedir informações detalhadas ao governo sobre a compra, os valores pagos e a destinação das aeronaves, uma vez que, segundo o parlamentar, a Lei 8.666 prevê a participação de empresas em concorrências e a escolha do menor preço para o fornecimento desses equipamentos.

Em resposta à reportagem de O Globo, a assessoria de comunicação do governo afirmou que tudo foi realizado dentro dos trâmites legais, com a devida aprovação da Assembleia Legislativa e do Senado Federal. A respeito do helicóptero que seria de uso exclusivo do governador, o governo afirma que sua utilização é para o monitoramento e fiscalização de obras pelas secretarias do estado e ocasionalmente transporta autoridades.

Entretanto, o extrato de inexigibilidade de licitação para a aeronave que serve ao próprio governador informa que o Eurocopter EC-135P2+, prefixo PR-GCE, foi oficialmente comprado “para fins de operação junto à Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior e Superintendência Estadual de Meio Ambiente”, e no Diário Oficial, a aquisição está registrada como ““equipamentos e instrumentos técnico-científicos e educacionais”.

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Parque do Cocó é terra sem lei

Por Wanfil em Fortaleza

22 de agosto de 2013

Manifestantes no Cocó comemoram decisão judicial que lhes favorece, após se recusarem a obedecer decisão judicial que lhes era contrária. Foto: Roberta Tavares / Tribuna do Ceará

Manifestantes no Cocó comemoram decisão judicial que lhes favorece, após se recusarem a obedecer decisão judicial que lhes era contrária.  Foto: Cristiano Pantanal / Tribuna do Ceará

O Parque do Cocó é, definitivamente, terra sem lei. Pode figurar, sem medo de engano, como símbolo de uma confusão geral sobre o papel do Estado, dos movimentos sociais e da própria ordem institucional que os rege.

Nada ali é certo. Não se sabe, ou melhor, nem as autoridades sabem, se o parque é municipal, estadual ou federal. No vácuo das formalizações, as incertezas prevalecem. Assim, prefeitura e manifestantes acampados no Cocó se igualam na ideia de que podem fazer o que bem entenderem, como e quando quiserem. E ai de quem não concordar.

Essa pretensão voluntariosa, autoritária mesmo, acaba ainda reforçada por decisões seguidas e contraditórias da Justiça, que ora manda desocupar o local, ora impede a sua desocupação, como aconteceu nesta quinta-feira.

Nesse chove e não molha, sobram acusações e faltam bom senso e respeito pelo cidadão. Os próprios manifestantes, que adoram aparecer no noticiário e nas redes sociais posando de vítimas da truculência policial, não perdem a oportunidade de serem hostis com profissionais da imprensa.

O caso do Cocó reflete a presente realidade do Ceará: uma imensa confusão institucional, jurídica e política, um deserto infértil onde a cidadania não brota, um profundo vazio de autoridade, com grupos e governos tentando fazer valer, a qualquer custo, na base do grito, as suas vontades.

O resto que se dane.

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Suspeita de favorecimento na obra do Acquário Ceará ressalta a importância das licitações

Por Wanfil em Ceará, Corrupção

22 de agosto de 2013

Uma investigação conjunta do Ministério Público do Ceará, o Ministério Público Especial de Contas e o Ministério Público Federal, resultou em ações na Justiça que pedem a paralisação das obras do Acquário Ceará, em Fortaleza, feita pelo governo estadual através da Secretaria do Turismo e a devolução do dinheiro gasto até o momento no projeto, além de acusar os responsáveis de improbidade administrativa.

Cartas marcadas

Os procuradores dos três órgãos afirmam que o pedido de dispensa de licitação para o projeto teria o objetivo de direcionar o contrato para uma determinada empresa, por meio de uma entidade dita independente. Em suma, seria tudo um jogo de cartas marcadas.

O secretário do Turismo, Bismarck Maia, negou em nota qualquer irregularidade e classificou as acusações de exploração política de denúncias requentadas.

Que a Justiça analise e decida sobre o caso. Mas do ponto de vista da análise do discurso, a nota do secretário não foi uma boa resposta.

Exploração política

Primeiro que a alegação de oportunismo político seria mais adequada se fosse opositores a sustentar a acusação e não órgãos técnicos distintos em atuação conjunta.

Segundo, existe sim a intenção de dispensar o processo licitatório, que é o centro dos questionamentos. Segundo os procuradores, o governo não provou que somente a empresa escolhida é capaz de fazer a obra, argumento utilizado para o pedido de inexigibilidade da concorrência.

Licitação pra quê?

Por fim, Bismarck Maia não é um novato, pelo contrário. Entra governo, sai governo, lá está o homem pronto para servir a gestão da hora na pasta do turismo. Por isso mesmo, há de saber que a velha e boa licitação é um procedimento que existe, pelo menos em tese, justamente para evitar direcionamentos políticos e tráfico de influência nesses contratos, além de gerar economia para os cofres públicos. Fica claro, portanto, que o risco de exploração política, como mostra a experiência brasileira, é bem maior quando uma obra não é licitada.

A dispensa de licitação, em si, não é crime. É mesmo prevista em lei, mas somente em casos extremos, principalmente em situações emergenciais. Pelo visto, no entendimento do governo, a construção o aquário é mais urgente do que as ações de combate à seca. Estranho.

PS. Durante as manifestações populares de junho, quando ficou claro o descontentamento geral com a corrupção e o mal uso dos recursos públicos, o governador Cid Gomes chegou a admitir que poderia fazer um plebiscito para a população decidir sobre o aquário. Passados os protestos, não tocou mais no assunto. A proposta não se tratava, pois, de uma convicção, mas de uma conveniência.

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Cid fala sobre ações da prefeitura e Roberto Cláudio defende governo estadual: senhores, cada um no seu quadrado!

Por Wanfil em Ceará, Fortaleza

21 de agosto de 2013

Em entrevista concedida à rádio Tribuna Bandnews, o prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio falou sobre a polêmica dos viadutos do parque do Cocó.

Roberto Cláudio disse que o movimento contra a obra tem direcionamento político e ressaltou que aceita as divergências como parte da democracia, mas advertiu que a legalidade deve ser respeitada por todos. Enfim, mais do mesmo, nessa história que já ficou cansativa.

A novidade foi a defesa que o prefeito fez dos gastos milionários do governo estadual com a contratação de um buffet para eventos. Fugindo ao seu estilo, Roberto Cláudio classificou de maldade os questionamentos nesse episódio.

Digo novidade no sentido de ver o prefeito tratando sobre temas que dizem respeito à esfera estadual e fazendo ainda, juízo de valor sobre a ação de opositores na Assembleia Legislativa.

Nesse sentido, ele imita o governador Cid Gomes, que vez por outra interfere em temas exclusivamente municipais, inclusive no caso dos tais viadutos.

Entende-se que sejam aliados, mas é preciso delimitar o campo de atuação de cada um, para evitar confusão. Numa gestão, não há espaço para dois líderes, assim como numa aeronave não é possível dois comandantes. Sempre que as coisas se misturam, a duplicidade prevalece e as equipes perdem a referência. Cedo ou tarde, as contradições aparecem.

Sem contar que, quando se trata de uma parceria entre padrinho e apadrinhado, fica aquela impressão de um manda e o outro se esforça para agradar. Como diz aquela música horrível, “cada um no seu quadrado”.

Ademais, voltando à fala de Roberto Cláudio, não fica claro onde estaria a maldade no caso do contrato com o buffet de luxo. Que mal há em um parlamentar pedir detalhamento desses gastos?

Nesses casos, não existindo problemas e sendo tudo tão natural quanto diz o prefeito, o melhor a se fazer é colocar tudo em pratos limpos. Se não há o eu temer, o certo seria agradecer à oposição pela a oportunidade de mostrar o quão correto é o governo. Tanto barulho assim dá até pra desconfiar.

Esta foi meu comentário desta quarta-feira na Tribuna Bandnews

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Bate-boca entre autoridades e baderna nas ruas: é a decadência

Por Wanfil em Política

16 de agosto de 2013

Existe um tipo de decadência que antecede a corrupção, a incompetência, o descaso e as crises em geral: é a decadência dos valores que se manifestam nos modos de pensar, de falar e de agir.

Quando a degeneração do espírito vem a público sem maiores cerimônias, é porque a consideração e o respeito com os outros já não existe. Dispensados dos exames de conduta e consciência, os maus hábitos se transformam em vícios, para depois fundirem-se na própria natureza dos seus agentes.

Protestos mimados

Os recentes protestos em Fortaleza que acabaram em depredação de prédios, agências bancárias e saques, são exemplos desse processo. Seus protagonistas são figuras que antes viviam nos guetos esfumaçados de entidades estudantis e partidinhos políticos de inspiração revolucionária, mas que agora desfilam nas avenidas suas frustrações contra figuras de autoridade que, em suas mentes perturbadas, lhes impedem a felicidade plena. Como crianças mimadas, projetam em terceiros as suas desilusões, reconfortando-se em chavões vazios.

Fazem isso porque o ambiente permite que esse tipo de comportamento seja tomado por expressão política legítima. Contê-los em sua fúria é oprimi-los, impedi-los de saquear lojas é abuso de poder. É a decadência, diria Ortega Y Gasset.

Sem compostura

Como avançaram a esse ponto, impunes? Ora, perceberam que os limites afrouxaram. Se não, vejamos. No Congresso Nacional, o deputado José Nobre Guimarães (PT), notório pelo assessor que transportava dinheiro nas peças íntimas, em nome da moralidade e da transparência, lidera um movimento que defende o financiamento público de campanha. Como evitar que algum político eventualmente aceite dinheiro privado guardado em cuecas é algo que não se sabe. Mas quem se importa? O lance é ter uma causa.

No Ceará, o governador Cid Gomes (PSB), indagado sobre os gastos com buffets, chama o autor da cobrança, o deputado estadual Heitor Férrer (PDT), de “oportunista” e “desonesto”. Na Câmara de Fortaleza, o vereador João Alfredo (PSOL) qualifica de “puxa-sacos” os parlamentares não concordam com ele na polêmica dos viadutos no Parque do Cocó. Para manter o nível do debate, seu colega Carlos Mesquita (PMDB) responde com um sonoro “vá se lascar”.

Ninguém lhes cobra compostura porque a regra é a baixaria. E assim caminhamos.

Vale tudo

Os exemplos são muitos, ma estes, por enquanto, servem. Esse fenômeno, aliás, não se restringe a políticos e baderneiros. É algo generalizados, que nesses personagem se tornam mais visíveis. O descuido com as formalidades, a despreocupação com a legislação, a histeria como instrumento de convencimento (o ganhar no grito), são comportamentos que decorrem de um lento e gradual retrocesso moral. Vale tudo.

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O ecologista universitário

Por Wanfil em Artigo, Movimentos Sociais

14 de agosto de 2013

Descobri recentemente que assim como há o “forró universitário” e o “sertanejo universitário”, existe o “ecologismo universitário”. A classificação é informal, mas compreende grupos de indivíduos, jovens na maioria, alunos de cursos superiores. Em comum, a capacidade de transformar a fonte original de suas inspirações em produtos medíocres, para consumo fácil.

Entrei em contato com os ecologistas universitários em razão do post Qual a diferença entre a polêmica do Parque do Cocó e uma novela?, pelo qual recebi diversas críticas na fanpage do Tribuna do Ceará no Facebook, feitas por universitários indignados com o que entendem ser, digamos, falta de alinhamento com a causa que simpatizam, no caso, o impedimento da construção de dois viadutos nas imediações do local.

Pelas observações lá anotadas, é lícito supor que a maioria se deixou levar por impressões nascidas da mera leitura do título, sem atinar para o teor do artigo, em que sequer entro no mérito de quem tem ou não razão na polêmica, atendo-me somente a uma análise do comportamento das partes em litígio: defensores versus críticos da obra. Alguns que o leram, na ânsia de aderir ao coro das críticas, e em obediência ao espírito de corpo, endossaram os chavões típicos dos grupos doutrinados.

Não vou discutir questões de estilo (“o estilo é o homem”, dizia o Conde de Buffon): frases truncadas, ofensas, erros gramaticais grosseiros. Segundo me disseram, na Internet o erro é a norma. Escrever corretamente, pois, é puro capricho elitista e esnobe. E eu que imaginava que a norma culta ajudava na organização e transmissão do pensamento.

O que me impressionou nos ecologistas universitários, além do fato de muitos não saberem distinguir artigo de reportagem, é a disposição de atacar quem não reze pela cartilha dos preceitos politicamente corretos que, em suas cabecinhas, se passam por pensamento crítico de muita profundidade. A mera desconfiança de que o sujeito não concorde incondicionalmente com a pauta que julgam ser a correta, já lhes basta para que busquem desqualificá-lo pessoalmente. Não há argumentos em suas críticas, mas impropérios vazios e vulgares.

Não percebem que a beleza e a pujança da democracia residem justamente na contraposição de ideias, no debate honesto que não se deixa ofuscar por rótulos preconceituosos, na capacidade de convencer pela razão. Imaginam que ecologia é bandeira anticapitalista e não de aprimoramento no modo de produção.

A diferença entre os sertanejos, forrozeiros e ecologistas universitários é que os dois primeiros não aspiram representar um tipo de arte superior, enquanto os últimos acreditam ser o suprassumo da consciência humana. A indignação que demonstram não é ânsia de justiça, é afetação contra qualquer possibilidade de dissenso.

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O ecologista universitário

Por Wanfil em Artigo, Movimentos Sociais

14 de agosto de 2013

Descobri recentemente que assim como há o “forró universitário” e o “sertanejo universitário”, existe o “ecologismo universitário”. A classificação é informal, mas compreende grupos de indivíduos, jovens na maioria, alunos de cursos superiores. Em comum, a capacidade de transformar a fonte original de suas inspirações em produtos medíocres, para consumo fácil.

Entrei em contato com os ecologistas universitários em razão do post Qual a diferença entre a polêmica do Parque do Cocó e uma novela?, pelo qual recebi diversas críticas na fanpage do Tribuna do Ceará no Facebook, feitas por universitários indignados com o que entendem ser, digamos, falta de alinhamento com a causa que simpatizam, no caso, o impedimento da construção de dois viadutos nas imediações do local.

Pelas observações lá anotadas, é lícito supor que a maioria se deixou levar por impressões nascidas da mera leitura do título, sem atinar para o teor do artigo, em que sequer entro no mérito de quem tem ou não razão na polêmica, atendo-me somente a uma análise do comportamento das partes em litígio: defensores versus críticos da obra. Alguns que o leram, na ânsia de aderir ao coro das críticas, e em obediência ao espírito de corpo, endossaram os chavões típicos dos grupos doutrinados.

Não vou discutir questões de estilo (“o estilo é o homem”, dizia o Conde de Buffon): frases truncadas, ofensas, erros gramaticais grosseiros. Segundo me disseram, na Internet o erro é a norma. Escrever corretamente, pois, é puro capricho elitista e esnobe. E eu que imaginava que a norma culta ajudava na organização e transmissão do pensamento.

O que me impressionou nos ecologistas universitários, além do fato de muitos não saberem distinguir artigo de reportagem, é a disposição de atacar quem não reze pela cartilha dos preceitos politicamente corretos que, em suas cabecinhas, se passam por pensamento crítico de muita profundidade. A mera desconfiança de que o sujeito não concorde incondicionalmente com a pauta que julgam ser a correta, já lhes basta para que busquem desqualificá-lo pessoalmente. Não há argumentos em suas críticas, mas impropérios vazios e vulgares.

Não percebem que a beleza e a pujança da democracia residem justamente na contraposição de ideias, no debate honesto que não se deixa ofuscar por rótulos preconceituosos, na capacidade de convencer pela razão. Imaginam que ecologia é bandeira anticapitalista e não de aprimoramento no modo de produção.

A diferença entre os sertanejos, forrozeiros e ecologistas universitários é que os dois primeiros não aspiram representar um tipo de arte superior, enquanto os últimos acreditam ser o suprassumo da consciência humana. A indignação que demonstram não é ânsia de justiça, é afetação contra qualquer possibilidade de dissenso.