julho 2013 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

julho 2013

Ambientalismo de fachada

Por Wanfil em Ceará, Fortaleza, Ideologia

29 de julho de 2013

Pouca gente para muito barulho: Em nome da ecologia, manifestantes empunham bandeiras contra o Estado, o mercado e a burguesia. A ecologia como fachada para o anticapitalismo. Foto: Lucas Moreira/Tribuna do Ceará.

Pouca gente para muito barulho: Em defesa da natureza, manifestantes protestam  contra o Estado, o mercado e a burguesia. A ecologia como fachada para o anticapitalismo. Foto: Lucas Moreira/Tribuna do Ceará.

Com o fracasso das ideologias e o descrédito dos partidos políticos no Brasil, restaram poucas bandeiras aos militantes órfãos de uma causa que reconforte suas almas ansiosas pela redenção da humanidade.

A maioria dessas causas, entretanto, se limitam a reivindicações específicas de grupos minoritários, uma espécie de ativismo de nicho, como no casos da promoção da igualdade racial ou do combate à discriminação sexual. Para frustração de seus promotores, essas são ações de alcance limitado, por mais que sejam justas.

Distorções

Na atualidade, somente um movimento possui um apelo universal, sem limites de classe, de gênero ou de nacionalidade, perfeito para servir de fachada aos anseios dos rebeldes sem causa dos nossos dias: é a causa ambiental, ou ecológica, distorcida de modo a atender, por um lado, aos delírios ideológicos mais reacionários, como o socialismo ou o anarquismo, e por outro, para criar factoides eleitoreiros. Pode ser ainda evidência de simples marketing pessoal cínico, como é o caso de Delúbio Soares, o famoso tesoureiro que, em seu Twitter, se define como professor, sindicalista e… ambientalista!

É o que vemos, por exemplo, no grupo de indivíduos acampados há dias no Parque do Cocó, em Fortaleza, vivendo sabe-se lá do quê, dispostos a impedir a construção de dois viadutos cujas obras deverão derrubar 94 árvores.

Não há ninguém que negue a importância da preservação desse ecossistema, tanto que para qualquer intervenção no local, é preciso autorização de diversos órgãos de fiscalização e, ainda assim, as autoridades correm para mostrar ao público ações de compensação, como o plantio de novas mudas de vegetação nativa no Parque do Cocó. Sem dúvida, a destruição simples e irresponsável acarretaria prejuízos para a imagem da gestão, seria suicídio político.

Pegadinha sem graça

Nada disso interessa para a militância irracional, muito menos o fato de que seus líderes, quando estiveram no poder, nunca fizeram muito pela causa que agora lhes serve de religião. Muito mais fizeram os seus adversários, por isso mesmo acusados, na clássica inversão da história que caracteriza os movimentos autoritários, de serem os inimigos da natureza. É o pessoal que condena o agronegócio e depois reclama da alta no preço do feijão, pela diminuição da produção em larga escala, ou que detesta as montadores de automóveis, mas não dispensa um bom ar-condicionado em seus carros.

Os problemas ambientais existem e devem ser denunciados, claro. Existe também uma rígida legislação ambiental para servir de suporte para esses questionamentos. Por exemplo, os esgotos clandestinos que infectam o mar na Praia do Futuro. E aí, onde estão os ambientalistas? Não sei. Talvez a visibilidade no Cocó seja maior…

O movimento ambiental nasceu, não por acaso, nas sociedades mais industrializadas e escolarizadas, para buscar racionalidade na relação entre o consumo humano e a exploração da natureza, sem desconsiderar a importância das atividades produtivas. Transformá-lo em bandeira anticapitalista não passa de uma pegadinha. No mínimo.

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Ibope/CNI: Mesmo com crise, gestão Dilma é mais bem avaliada no Ceará do que gestão Cid

Por Wanfil em Ceará, Pesquisa

26 de julho de 2013

O Ibope divulgou pesquisa de opinião encomendada pela Confederação Nacional das Indústrias e divulgada ontem, com avaliações sobre os governos federal e de onze estados: BA, CE, ES, GO, MG, PE, PR, RJ, RS, SC e SP.

O Ceará é destaque no levantamento. Os números mostram que o estado é o que melhor avalia o governo Dilma Rousseff, além de ter o terceiro governador com maior aprovação. Dado que o cenário geral em que o Brasil se encontra é adverso aos políticos, parece uma boa notícia, mas os dados, bem lidos, devem preocupar os gestores, mesmo os que aparecem com melhor desempenho. Se um aluno com nota cinco é o primeiro da turma, é sinal de que a base de comparação tem baixo nível e muitos menos garante aprovação no final do ano. É mais ou menos o que acontece com a política brasileira. No momento, após as manifestações de junho, não se trata de saber quem é o melhor, mas quem está menos ruim.

O impacto negativo na imagem do governo Dilma no Ceará, com 54% de bom ou ótimo, foi menor que nos demais estados, mas acompanha a tendência generalizada de queda. Nacionalmente, seu governo despencou de 63% em março para 31% em julho. A gestão federal, que já foi quase unanimidade por aqui, agora agrada à metade da população, e isso é o melhor desempenho do governo em todo o Brasil. E olha que no Ceará não existe oposição!

Já o governo cearense é aprovado por 40% da população, o que lhe confere a terceira posição entre os estados pesquisados. A informação pode até render boas manchetes na imprensa, mas o fato é que no Ceará a avaliação da gestão Cid está 14 pontos percentuais atrás da aprovação ao governo Dilma, que vive sua maior crise. Essa não é uma condição confortável. Na verdade, chega a surpreender, uma vez que a gestão federal foi o maior alvo das críticas feitas durante os protestos, sem esquecer as soluções desastradas que a presidente sugeriu. O governo estadual parecia passar despercebido…

Para complicar, o Ibope procurou saber o que os entrevistado pensam sobre a eficiência administrativa dos governos estaduais. No Ceará, 58% consideram que o governador e seus secretários utilizam seus recursos mal ou muito mal. Em outras palavras, é expressivo o número de pessoas que acreditam faltar competência à gestão. No estado, novamente, o que salva o governo é a falta de uma oposição organizada.

Outro dado a ser considerado: 73% dos cearenses acreditam que o governo estadual precisa da ajuda do governo federal para prover serviços públicos adequados. Quer dizer, a campanha presidencial terá grande influência na escolha do próximo governador. E, a preço de hoje, Dilma é mais uma dúvida do que uma certeza de sucesso eleitoral.

E só para lembrar, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, pré-candidato do PSB à Presidência da República, tem 58% de aprovação, 18 a mais do que Cid.

Portanto, a pouco mais de um ano das eleições do ano que vem, a ordem nos governos é buscar estancar a sangria de credibilidade. No Ceará, a pesquisa mostra que a maior preocupação da população é com os serviços de saúde e segurança. A gestão precisa mostrar trabalho nessas áreas e convencer que sabe gastar bem o dinheiro do suado imposto que os cidadão pagam, para não correr o risco de ser surpreendido nas urnas.

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Pesquisa Ibope no Ceará: amostra no presente revela futuro aberto

Por Wanfil em Eleições 2014, Pesquisa, Política

25 de julho de 2013

O Ibope divulgou em seu site os resultados de uma pesquisa que apresenta diversos cenários eleitorais no Ceará para 2014, realizada entre os dias 13 e 16 de julho. Alguns números do levantamento já haviam vazado para a imprensa, em pequenas notas, porém, com dados incompletos que deram margem a algumas distorções. Com a publicação do material completo pelo próprio instituto, os dados reais agora são de conhecimento geral, com o nome do ex-senador Tasso Jereissati à frente em todas as simulações, tanto para o Senado como para o governo do Estado, com larga vantagem.

No questionário estimulado, onde os nomes dos possíveis candidatos são apresentados ao entrevistado, em todos os cenários o desempenho dos líderes segue uma média que pouco varia, que resumo a seguir.

Média para governador

Para o governo estadual Tasso lidera sempre girando em torno de 50% das intenções, seguido do senador Eunício Oliveira (PMDB), único pré-candidato declarado até o momento, aparece flutuando ali na casa dos 25%. Outros candidatos, estes ligados à gestão de Cid Gomes, como o ministro dos Portos Leônidas Cristino (PSB), o secretário da Fazenda do Estado, Mauro Filho (PSB), o vice-governador Domingos Filho (PMDB), apresentam desempenho que varia entre 4% e 6% das citações. Brancos e nulos ficam pelos 14% e indecisos com 7%.

Média para o Senado

Para a única vaga ao Senado em disputa no ano que vem, dois cenários foram testados. Novamente Tasso lidera com 43% e 44% das intenções de voto. O atual senador Inácio Arruda (PCdoB) aparece nas duas simulações com 19%, empatado tecnicamente com o deputado estadual Heitor Férrer (PDT), que marca 18%. Luizianne Lins e José Guimarães, ambos do PT, são os preferidos de 4% e 5%, respectivamente. Brancos e nulos chegam a 10% e indecisos a 6%.

Para conferir a pesquisa completa, clique aqui.

Dados apresentados, incertezas confirmadas

Pesquisas não devem ser compreendidas como tentativas de adivinhar ou prever o futuro. Faltando pouco mais de um ano para as eleições de 2014 e sem candidatos oficialmente confirmados, as informações levantadas mostram mesmo o potencial de largada de cada um dos nomes testados, caso venham a confirmar suas eventuais candidaturas. Em outras palavras, apesar de simular uma situação futura, o objeto da pesquisa é o presente. É o que realmente interessa para os envolvidos, como informação estratégica para definir os próximos passos.

Nesse sentido, algumas observações precisam ser feitas. Tasso é o nome mais conhecido do eleitorado, pelo histórico dos cargos que ocupou. Mas, curiosamente, no grupo de eleitores entre 16 a 24 anos, que pela idade não acompanharam a trajetória do ex-governador, Jereissati aparece com 47%. Seu desempenho, portanto, constitui um considerável patrimônio eleitoral, especialmente para quem não ocupa cargos públicos desde 2010. Arrisco dizer que esse afastamento, em contraste com o atual clima de reprovação generalizada aos políticos, lhe foi benéfica. Como o futuro de Tasso é um mistério e a campanha ainda está longe, o ambiente se mostra propício para todo tipo de especulações e de articulações de bastidores. Se os números lhes são favoráveis agora, contra o tucano, ironicamente, pesa a pequena estrutura do PSDB cearense.

Entre os aliados do governo estadual, o senador Eunício Oliveira, que inegavelmente já está em campanha, tem vantagem sobre os candidatos que orbitam o entorno do Palácio da Abolição, a maioria desconhecida do grande público. Contra o senador, pesa a falta de empolgação que o governador Cid Gomes mostra em relação a candidatura do aliado. Governos têm, via de regra, o poder de potencializar candidatos e, nesse caso, o escolhido de Cid deve avançar primeiramente sobre os números de Eunício.

Evidentemente, tudo pode mudar. Especialmente quando a disputa começar de verdade. Mas, dado o quadro da pesquisa Ibope, fica claro que Cid terá que fazer um grande e caro esforço para viabilizar um candidato em cima da hora, enquanto seu ainda aliado Eunício corre por fora, ou melhor, por dentro da base de apoio do atual governo. E Tasso? Mistério… Tudo isso, sem levar em consideração os palanques para as candidaturas presidenciais. É esperar para ver.

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O estilo Ciro Gomes

Por Wanfil em Ceará, Política

24 de julho de 2013

Nonato Albuquerque e Wanfil entrevistam Ciro Gomes na rádio Tribuna BandNews (FOTO: Daniel Herculano/Tribuna do Ceará).

Nonato Albuquerque e Wanfil entrevistam Ciro Gomes na rádio Tribuna BandNews (FOTO: Daniel Herculano/Tribuna do Ceará).

O noticiário político desta semana já está marcado pelas polêmicas declarações do ex-governador Ciro Gomes, feitas na terça-feira (23), em entrevista à rádio Tribuna BandNews FM (101.7), do Sistema Jangadeiro de Comunicação.

Entre outras coisas, Ciro Gomes chamou o vereador Capitão Wagner de lambanceiro e o vereador João Alfredo de inconsequente; disse que o procurador Oscar Costa Filho é exibicionista e sugeriu que o procurador Alessander Sales pintasse a bunda de branco para aparecer.

Destempero ou método?

Muitos ficam chocados com o estilo de Ciro, acusado de ser truculento. Eu estive entre os entrevistadores do ex-governador e o que eu pude perceber, na verdade, foi cálculo. O que a muitos parece destempero verbal, eu vejo como método, como ação premeditada. Se não, vejamos. As declarações foram feitas no rastro de questões sobre segurança pública e sobre o embargo da obra dos viadutos no entorno do Parque do Cocó, em Fortaleza.

Na prática, com Ciro imprimindo seu estilo desbocado, as discussões sempre acabam transferidas da esfera dos fatos para a das boas maneiras, onde o que se sobressai são as censuras ou os elogios à falta de polidez do entrevistado, com a vantagem adicional de deixá-lo em evidência mesmo sem mandato público ou cargo partidário, e de desviar o alvo natural das críticas, que seriam o governador e o prefeito, seus aliados.

Forma e conteúdo

E assim, a forma acaba ganhando mais relevo do que o conteúdo. É que as disputas políticas são diferentes das querelas judiciais ou dos debates acadêmicos. Na política, vale mais a versão do que o fato, já constatava o mineiro Tancredo neves. E a versão que prepondera é a que faz mais barulho.

Claro que esse é um jeito arriscado de atuar nos debates públicos, pois a margem para erros é demasiada larga. Não há espaço para a hesitação ou vacilo, pois a palavra dita não tem volta. E não basta querer ser polêmico, é preciso ter uma personalidade que comporte essa técnica, que pode ser muito útil, como, por exemplo, na hora de enfrentar consensos politicamente corretos, ou um desastre, caso venha a ferir a suscetibilidade do grande público.

Ciro Gomes apareceu na política com esse estilo, do qual agora faz uso, e com ele se tornou uma grande promessa da política brasileira. E também por causa dele, depois um ou dois escorregões, perdeu uma eleição presidencial. Acontece. Tem hora que funciona, tem hora que não. Por mais que seja calculado, é sempre um risco.

 

Esse também foi o tema do meu comentário desta quarta na Tribuna BandNews:

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O papa e os políticos papões: todos querem faturar com a visita de Francisco

Por Wanfil em Brasil

22 de julho de 2013

A visita do papa Francisco ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude tem causado grande expectativa não somente entre os fiéis católicos, mas também entre políticos de diferentes orientações religiosos e credos ideológicos, que se mostram ansiosos para aproveitar a ocasião para reciclar as imagens desgastadas, intenção disfarçada pela alegação das mais angelicais intenções.

É a procissão que reúne oportunistas que buscam lavar as próprias biografias encardidas com o prestígio do novo papa, reconhecido por sua simplicidade e pelo desapego aos bens materiais.

Até Cristina Kirchner, presidente da Argentina que tinha o religioso como desafeto, vai na onda. Irá com Dilma, ex-militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), grupo revolucionário de orientação marxista-leninista, ou seja, anticristã, falar com o pontífice.

A brasileira irá propor uma “ação articulada contra a pobreza”, associando a opção de Francisco pelos pobres aos projetos assistencialistas do governo. Do ponto de vista intelectual, ligar a formação jesuíta do papa ao surrado discurso de luta de classes é uma fraude, mas no jogo de aparências da política, o compromisso com o conhecimento ou a verdade não é levado em consideração. Pior ainda é tentar associá-la a uma administração com intuito de obter dividendos políticos.

Padre Cícero

Na agenda de reuniões do papa está um encontro com o deputado federal pelo Ceará José Guimarães, líder do PT na Câmara Federal, marcado com o apoio da Presidência da República, no qual o parlamentar fará um apelo em favor do processo de reabilitação do Padre Cícero Romão Batista, expulso da Igreja Católica em 1916.

É evidente que a Igreja Católica não necessita da consultoria teológica de políticos brasileiros, mas uma vez que a intenção é mesmo a de criar factoides, isso pouco importa. Se Padre Cícero for redimido, Guimarães poderá usar a foto do encontro com o papa para reivindicar para eleitores a autoria do feito, na esperança de ofuscar o famoso escândalo da cueca em sua biografia, operando o milagre da redenção política.

Recado preventivo aos políticos

É claro que a Igreja sabe das artimanhas dos políticos. E por isso, preventivamente, o porta-voz do Vaticano, Frederico Lombardi, adiantou ao jornal Folha de São Paulo: “O papa fala sempre que a boa nova do Evangelho é para todos. Não toma partido, fala à consciência de cada um na construção da sociedade. São fortes mensagens de responsabilidade, com acentos sobre a solidariedade e o respeito aos direitos individuais.”

Pois é, para a doutrina católica, a salvação é individual, não de classes. É para o rico e para o pobre, segundo a consciência individual de cada um, independente de posições políticas.

Num país com grande número de católicos, o apelo da visita de um novo papa de perfil popular e carismático é uma tentação irresistível ao pecado da vaidade que seduz tantos políticos. Para Francisco, isso deve ser algo comum, próprio da condição que assumiu, afinal, o papa também é um chefe de Estado. Portanto, receber autoridades seculares com interesses que não são os do espírito, não passa de ossos do ofício.

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Dilma no Ceará: Ô memória traiçoeira!

Por Wanfil em Ceará

19 de julho de 2013

Cid e Dilma em mais uma inauguração do Metrô de Fortaleza. À direita, quase fora do enquadramento, o prefeito Roberto Cláudio. Foto: Ricardo Stucker/PR/Agência Brasil

Cid e Dilma em mais uma inauguração do Metrô de Fortaleza. À direita, quase fora do enquadramento, o prefeito Roberto Cláudio. Foto: Ricardo Stucker/PR/Agência Brasil

Dilma Rousseff foi traída pela memória durante evento oficial realizado no Ceará nesta quinta-feira. A presidente esqueceu o nome do prefeito Roberto Cláudio, quando discursava na cerimônia de inauguração, em caráter experimental, de duas estações da Linha Sul do Metrô de Fortaleza, o metrô mais inaugurado do Brasil, embora ainda não funcione pra valer.

Tudo bem, exagerar sobre isso é bobagem. Quem nunca passou por uma situação dessas? Mas, aproveitando a deixa, esse não foi o único ‘esquecimento’ que marcou a visita presidencial. Na verdade, esse foi o menor deles.

Outros ‘esquecimentos’

Os deputados estaduais esqueceram de aproveitar a oportunidade para cobrar a refinaria prometida por Dilma, como fazem em propaganda paga, quando ela está longe. Tudo bem, o dia era de festa e se a refinaria não veio até agora, não valia estragar a visita com esse negócio de cobranças. Talvez por isso, por esse espírito de congraçamento entre políticos, algumas autoridades se viram obrigadas a deixar o local por saídas laterais, esquecidos dos manifestantes que protestavam do lado de fora.

Dilma, José Guimarães, Cid Gomes e, mais atrás, Roberto Cláudio. Foto: Ricardo Stucker/PR/Agência Brasil

Dilma, José Guimarães, Cid Gomes e, mais atrás, Roberto Cláudio. Para quem gosta de semiótica, a imagem diz muito sobre a gafe de Dilma no evento. Foto: Ricardo Stucker/PR/Agência Brasil

O cerimonial da Presidência esqueceu ainda de chamar alguns aliados para a inauguração, como o ex-ministro Ciro Gomes, a ex-prefeita Luizianne Lins ou o senador Eunício Oliveira. Ou então foram eles que esqueceram de ir… De qualquer forma, as ausências de figuras que ainda causam dúvidas sobre o futuro, mostram que de uma coisa ninguém esquece: as eleições do ano que vem.

No evento, vale destacar, estavam presentes o governador Cid Gomes, claro, e o deputado federal Eudes Xavier. Certamente esqueceram que os dois trocaram acusações mútuas de espionagem recentemente.

Na ocasião, Dilma assinou uma ordem de serviço para a construção do Cinturão das Águas, obra que, de acordo com a promessa, deverá resolver o problema de abastecimento d’água no estado. Parece que a presidente esqueceu que, para o Cinturão funcionar, é preciso antes concluir a transposição do Rio São Francisco.

Ô memória traiçoeira!

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Os viadutos que ligam a incompetência administrativa ao ambientalismo demagógico

Por Wanfil em Fortaleza

17 de julho de 2013

A polêmica ambiental sobre a construção de dois viadutos no cruzamento das Avenidas Engenheiro Santana Júnior com Antônio Sales, em Fortaleza, reúne a um só tempo os elementos da trapalhada administrativa e do oportunismo político-ideológico travestido de consciência ambiental.

A trapalhada

A falta das devidas autorizações ambientais, a confusão sobre o trâmite burocrático e o embargo judicial que suspende a obra contrastam severamente com a imagem de operacionalidade que a comunicação da Prefeitura de Fortaleza tenta emplacar no noticiário.

O fato é que alguém errou feio no planejamento do cronograma de construção dos viadutos. É uma boa oportunidade para o prefeito Roberto Cláudio mostrar à sua equipe que não tolera amadorismo.

E não adianta reclamar. Os órgãos de controle estão cumprindo o seu papel. As exigências da lei existem justamente para evitar que arroubos ou precipitações possam causar prejuízos à comunidade. Ao querer fazer algo na marra ou na base do improviso, o gestor público corre o risco de ver a expectativa levantada se transformar em frustração. Não faltam exemplos disso no Brasil, a começar pelas obras de transposição do rio São Francisco.

Fica a lição: Não basta ter vontade, não basta ter recursos, é preciso saber fazer.

O oportunismo

No outro lado do imbróglio apareceram os autodenominados ambientalistas (até Delúbio Soares se define assim no Twitter). Não que o ambientalismo seja algo impróprio, pelo contrário, é sinal de avanço, de responsabilidade, que surgiu, vejam só, nas sociedades mais industrializadas e depois ganharam o mundo. Nasceu para aprimorar o sistema de produção capitalista e não para negá-lo, como querem alguns órfãos do pesadelo socialista.

O caso dos viadutos é um prato cheio para os ambientalistas profissionais do Ceará, mobilizados por lideranças que instrumentalizam politicamente o movimento ecológico, sempre associando seus adversários ao atraso e colocando-se na posição de santos abnegados despidos de segundas intenções, ainda que nunca tenham plantado uma árvore e que guardem em suas garagens reluzentes automóveis que lançam – oh, Gaia! – monóxido de carbono no ar que respiramos…

Esse grupo está mais preocupado em performances teatrais do que propriamente em questões formais, já que a frieza dos processos judiciais não cria clamor e não gera dividendos eleitorais. Muitas vezes os ecoespertos agem mesmo sabendo que inexistem irregularidades. No presente caso, a questão ainda será avaliada, mas ainda que a obra seja autorizada, cumprindo todo o trâmite legal e com as devidas compensações para o meio ambiente, eles sairão alardeando que a Justiça é venal e que o sistema é injusto.

Soma zero

De tudo isso, o resultado é que um problema grave de mobilidade urbana segue sem solução.

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Policiais mortos em serviço? Não! Foram vítimas de assaltantes depois do trabalho

Por Wanfil em Ceará, Segurança

16 de julho de 2013

Leio no Tribuna do Ceará do que três policiais foram assassinados em apenas 10 dias em Fortaleza. Desses, pelo em dois casos — um envolvendo um policial militar e outro um policial rodoviário federal — as vítimas morreram ao serem assaltadas.

Casos assim tem se repetido e revelam uma situação constrangedora. Sim, porque o risco de morte na atividade policial é uma constante, cujas implicações de ordem psicológica são bastante consideráveis. A família de um agente precisa aprender a conviver com o medo de perder o ente querido numa situação de conflagração. Mas o que temos visto em Fortaleza são policiais morrendo fora do expediente de trabalho, quando, imaginam os coitados, já estariam fora de perigo.

Morrem como o cidadão comum, como o padre Élvis — assassinado por assaltantes no Centro Dragão do Mar —, como tantos outros todos os dias. Com um agravante: o policial, ao ser abordado por criminosos, sabe que ao descobrirem sua profissão, as chances de que venham a ser executados é grande, deixando-lhes como única opção a reação.

O avanço da criminalidade não se processa de uma hora para a outra. É um fenômeno que necessita de tempo, de da soma de uma série de enganos. Os índices negativos no Ceará crescem ano após ano, de acordo com o Mapa da Violência. Podem mudar de formato (do sequestro relâmpago para o assalto comum), mas a quantidade de vítimas não para de subir.

Vez por outra, aqui no blog ou em minha coluna na Rádio BandNews FM 101.7, falo do fiasco na política de segurança pública e lembro que a polícia não consegue dar conta do recado. Alguns leitores reclamam, lembrando o esforço feito pelos policiais no combate ao crime. Sempre respondo dizendo que concordo. Com efeito, e já disse isso algumas vezes, a polícia (especialmente a Militar) tem a ingrata missão de enxugar gelo. Prendem e rapidamente os bandidos voltam às ruas. O problema, todos sabem e muitos fingem não ver a realidade, é de gestão! É a política de segurança pública baseada em concepções equivocadas e fechada para eventuais críticas, mesmo as construtivas.

Como esse processo de degeneração da ordem social continua a se intensificar, o que vemos agora é a violência indiscriminada. Qualquer um pode ser vítima. Lembro que, no começo do ano, bandidos executaram um criminoso em frente ao Fórum Clóvis Beviláqua, numa prova cabal de para eles não há mais limites. Quando policiais sabem que o risco de morrer pela ação de marginais depois da jornada de trabalho é o mesmo (ou maior) que durante o exercício das suas atividades profissionais, é porque o negócio desandou de vez.

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A falta que um Cícero faz ao Brasil: Oh tempos oh costumes

Por Wanfil em Crônica

14 de julho de 2013

Cícero denuncia Catilina no Senado romano. Óleo de Cesare Maccari.

Cícero denuncia Catilina no Senado romano. Óleo de Cesare Maccari.

O advogado e professor Jorge Hélio disse em seu artigo desta semana que “o futuro é o passado andando de costas“. Pois bem, nesses dias reli os discursos de Marco Túlio Cícero, político, orador e filósofo romano que viveu entre os longínquos anos de 106 a.C. a 43 a.C, feitos no Senado após uma tentativa de golpe contra a República.

Cícero, que era Cônsul, expôs publicamente a dissimulação do líder da conspiração frustrada, Lúcio Sérgio Catilina, que insistia em frequentar o próprio Senado, apesar dos crimes que cometera.

“Por quanto tempo ainda há de zombar de nós essa tua loucura? Não sentes que os teus planos estão à vista de todos?”, indagou-lhe Cícero logo no primeiro dos quatro discursos – conhecidos como Catilinárias –, com tamanha força moral e talento retórico na defesa da ordem republicana, que Catilina acabou obrigado a deixar Roma.

O futuro é o passado andando de costas

No presente, o que vemos no Brasil? Diante das manifestações populares, figuras como o presidente do Senado, Renan Calheiros; da Câmara, Eduardo Alves; e do líder do governo Dilma Rousseff no Congresso, deputado José Nobre Guimarães, entre outros mais, falam em voz das ruas, em novos tempos, em reforma política! Será que não sabem, como disse Cícero a Catilina, que “quem, de entre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, em que local estiveste, a quem convocaste, que deliberações foram as tuas?“.

Roma tinha poder econômico e militar, mas sucumbiu diante de uma crise de valores, de uma decadência moral disfarçada pelo sucesso material. Seu passado volta no momento em que percebemos que o Brasil é impedido de crescer justamente por uma cultura política imoral, questiona nas ruas. E seus beneficiários, o que dela se locupletam, buscam parecer inocentes criaturas, tal como Catilina. Não querem ver que todos sabem quem são e o que fizeram e fazem?

Falta um Cícero no Brasil

Nas Catilinárias, ficou famosa a expressão que Cícero proferiu para destacar a ação dos que agiam para desestabilizar a república: “O tempora o mores” (Oh tempos, oh costumes). Mais que um lamento, a constatação era uma exortação aos seus colegas para que providências fossem tomadas.

Mais adiante, de forma didática, Cícero faz um alerta que caberia perfeitamente para explicar as manifestações no Brasil de hoje: “Pois agora é a Pátria, mãe comum de todos nós, que te odeia e teme, e sabe que desde há muito não pensas noutra coisa que não seja o seu parricídio; e tu, nem respeitarás a sua autoridade, nem acatarás as suas decisões, nem te assustarás com o seu poder?“.

Eis a questão.

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Papel trocado: presidente da Assembleia atua como líder do governo

Por Wanfil em Assembleia Legislativa, Ceará

11 de julho de 2013

Os parlamentos são instituições vitais para o bom funcionamento das democracias, por refletir a pluralidade de ideias e de valores em circulação nas comunidades, legislar em conformidade com a dinâmica social e fiscalizar o poder Executivo.

Quer dizer, isso tudo é o ideal, mas, na prática, não é bem assim que as coisa funcionam. Vejamos a Assembleia Legislativa do Ceará, onde atualmente é possível ver uma enorme confusão sobre a natureza das suas funções.

O plebiscito e a fiscalização sobre o Executivo

Primeiro, os deputados estaduais abrem mão de fiscalizar e aprovam um decreto que permite ao chefe do Executivo viajar para onde quiser, sem dar a menor satisfação ao Legislativo, mimo estendido ao vice-governador.

Segundo, mesmo com o próprio governador Cid Gomes dizendo que topa discutir um plebiscito sobre a construção de um aquário em Fortaleza, foi necessário que representantes da diminuta oposição encabeçassem a proposta, já que a base aliada não se mexeu nesse sentido, deixando a impressão de que a proposta não passa de uma pegadinha.

Para complicar, essas questões foram todas rebatidas pelo presidente da Assembleia legislativa, deputado Zezinho Albuquerque, do PSB, na sessão de quarta (10), quando o pedido de plebiscito foi arquivado. O problema é que isso deveria ser função do líder do governo na Assembleia, deputado José Sarto, não por acaso do mesmo PSB. O presidente do Legislativo deve atuar como um magistrado, zelando, sobretudo, para que as divergências e as votações sejam conduzidas de acordo com os ritos da Casa.

Retórica sintomática

Impressiona ainda a baixa qualidade das argumentações. Em entrevista, o chefe do parlamento cearense disse que se o governador viaja, é pra “resolver alguma coisa”, e que se nesse meio tempo tirar férias, esse é um “direito igual ao de qualquer cidadão”. Afirmou também que o aquário deve ser construído, pois o ceará precisa “perder o complexo de pobreza”.

Olha, o presidente da Assembleia pode ter suas opiniões e manifestá-las como bem entender. Mas, além de ser desnecessário, pois Cid já controla os votos de quase todos os deputados, essa disposição de se mostrar leal ao chefe do Executivo não é conveniente, já que deixa no ar a suspeita de eventual imparcialidade na condução das matérias em debate.

Se parlamentares não compreendem o papel institucional das funções que ocupam, colocam em risco o equilíbrio entre os poderes e a própria qualidade da democracia pela qual deveriam zelar. Viram meros funcionários do governo de plantão.

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Papel trocado: presidente da Assembleia atua como líder do governo

Por Wanfil em Assembleia Legislativa, Ceará

11 de julho de 2013

Os parlamentos são instituições vitais para o bom funcionamento das democracias, por refletir a pluralidade de ideias e de valores em circulação nas comunidades, legislar em conformidade com a dinâmica social e fiscalizar o poder Executivo.

Quer dizer, isso tudo é o ideal, mas, na prática, não é bem assim que as coisa funcionam. Vejamos a Assembleia Legislativa do Ceará, onde atualmente é possível ver uma enorme confusão sobre a natureza das suas funções.

O plebiscito e a fiscalização sobre o Executivo

Primeiro, os deputados estaduais abrem mão de fiscalizar e aprovam um decreto que permite ao chefe do Executivo viajar para onde quiser, sem dar a menor satisfação ao Legislativo, mimo estendido ao vice-governador.

Segundo, mesmo com o próprio governador Cid Gomes dizendo que topa discutir um plebiscito sobre a construção de um aquário em Fortaleza, foi necessário que representantes da diminuta oposição encabeçassem a proposta, já que a base aliada não se mexeu nesse sentido, deixando a impressão de que a proposta não passa de uma pegadinha.

Para complicar, essas questões foram todas rebatidas pelo presidente da Assembleia legislativa, deputado Zezinho Albuquerque, do PSB, na sessão de quarta (10), quando o pedido de plebiscito foi arquivado. O problema é que isso deveria ser função do líder do governo na Assembleia, deputado José Sarto, não por acaso do mesmo PSB. O presidente do Legislativo deve atuar como um magistrado, zelando, sobretudo, para que as divergências e as votações sejam conduzidas de acordo com os ritos da Casa.

Retórica sintomática

Impressiona ainda a baixa qualidade das argumentações. Em entrevista, o chefe do parlamento cearense disse que se o governador viaja, é pra “resolver alguma coisa”, e que se nesse meio tempo tirar férias, esse é um “direito igual ao de qualquer cidadão”. Afirmou também que o aquário deve ser construído, pois o ceará precisa “perder o complexo de pobreza”.

Olha, o presidente da Assembleia pode ter suas opiniões e manifestá-las como bem entender. Mas, além de ser desnecessário, pois Cid já controla os votos de quase todos os deputados, essa disposição de se mostrar leal ao chefe do Executivo não é conveniente, já que deixa no ar a suspeita de eventual imparcialidade na condução das matérias em debate.

Se parlamentares não compreendem o papel institucional das funções que ocupam, colocam em risco o equilíbrio entre os poderes e a própria qualidade da democracia pela qual deveriam zelar. Viram meros funcionários do governo de plantão.