28/04/2013 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

28/04/2013

A democracia brasileira sob ataque: o ovo da serpente

Por Wanfil em Entre poderes, Ideologia

28 de Abril de 2013

O Ovo da Serpente (1977), clássico de Ingmar Bergman. Projetos totalitários nunca se anunciam como tal, mas como forças libertadoras. É preciso um tempo de gestação para que se mostrem na realidade. Os ataques contras as instituições democráticas no Brasil acontecem porque o ambiente já degradou. É quando a serpente quebra a casca do ovo.

O Ovo da Serpente (1977), de Ingmar Bergman. Projetos totalitários sempre se anunciam como forças libertadoras. Só depois se mostram como são na realidade. Os ataques contras as instituições democráticas no Brasil acontecem porque o ambiente já degradou. É quando a serpente quebra a casca do ovo.

O Brasil vive um momento singular: a imprensa, a oposição, o Ministério Público e o Judiciário estão sob ataque cerrado de um grupo político que hoje controla o governo federal, os sindicatos, as principais entidades da sociedade civil organizada (da CUT à Fiesp), as universidades (e consequentemente toda a estrutura educacional do país).

Basta uma rápida leitura sobre a mais recente crise entre os ministros do STF e os presidentes da Câmara e Senado, para perceber que existe um ambiente cuja normalidade está em processo de degradação. O Executivo avança sobre as prerrogativas da Justiça e, usando a maioria comprada no Legislativo, trabalha em leis que tiram do MP o poder de investigar casos de corrupção e dificultam a criação de partidos oposicionistas. A imprensa, vez por outra, é ameaçada com a ideia fixa da “democratização da informação”, um eufemismo para o controle de conteúdo mais conhecido como censura.

A gravidade da situação é tamanha que políticos condenados pelo STF, como os deputados José Genuíno e  João Paulo Cunha, continuam no Congresso, lideram comissões que visam atingir justamente a Suprema Corte, sem que isso os transformem em principais inimigos da sociedade, papel que coube a um bobalhão insignificante como o deputado Marcos Feliciano, que por mais idiota que seja, não oferece risco algum à institucionalidade democrática.

Boa parte da intelectualidade brasileira, desde cedo adestrada nos rigores condicionantes do proselitismo político esquerdista, apoia as aspirações totalitárias do governo, alegando as melhores e mais celestiais intenções, claro. Tudo em nome da reparação social, da justiça igualitarista, da redenção das dívidas históricas e por aí vai. No resto do mundo, intelectuais trabalham para revelar a unidade lógica que liga ações aparentemente desconexas, expondo assim as camadas de motivações profundas que atuam sob a superfície dos acontecimentos, como é o caso de ver instituições basilares da democracia sistematicamente pressionadas a partir de um grupo, para fazer vista grossa aos desmandos do poder. Nem na Venezuela isso acontece. Lá é preciso o uso da força, com o controle do exército. Aqui, tudo é mais sutil, por isso mesmo, mais ardiloso.

E se no Brasil há uma resistência maior na defesa dessas instituições, é por causa da dificuldade de desconstruir todo um arcabouço institucional reconstruído após o fim dos governos militares. A garantia contra os desmandos de uma ditadura ainda depende, na mentalidade geral, da preservação incondicional da imprensa livre, dos órgãos de fiscalização e da independência entre os Poderes da República. Ocorre que, com o tempo, essa assimilação vai ficando cada vez mais distante dos eventos que as criaram e as fortaleceram, representados no processo de redemocratização. Sem a ligação direta com a ideia de perigo, e sem uma educação correta para as novas gerações, esses valores se tornam apenas uma lembrança, conquistas consolidadas que não precisam de proteção constante.

Como as novas ameaças se disfarçam de boas intenções, a defesa das instituições virou tema de segunda importância para o público. Os muros de contenção que as cercam passam então a trincar, infiltrados por anos e anos de doutrinação marxista e gramscista nas escolas, em doses cuidadosamente aplicadas para anestesiar as consciências sem despertá-las contra eventuais riscos à saúde do sistema democrático. Daí que associações de jornalistas, advogados, magistrados e procuradores não se rebelem contra a sanha controladora do governo em relação aos seus campos de atuação: a imprensa, o Judiciário e o MP. Para ser sincero, os procuradores até ensaiam uma reação, mas já não conseguem mobilizar mais do que seus próprios membros, talvez nem todos, movidos pela iminência de terem suas principais prerrogativas cassadas pela tal PEC 37. E mais: não há oposição que massifique o alerta de perigo. Pior ainda: ainda que houvesse oposição, não há sensibilidade no público diante dos riscos de instabilidade institucional patrocinados pelo grupo político que hoje comanda o Brasil. A letargia é generalizada.

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A democracia brasileira sob ataque: o ovo da serpente

Por Wanfil em Entre poderes, Ideologia

28 de Abril de 2013

O Ovo da Serpente (1977), clássico de Ingmar Bergman. Projetos totalitários nunca se anunciam como tal, mas como forças libertadoras. É preciso um tempo de gestação para que se mostrem na realidade. Os ataques contras as instituições democráticas no Brasil acontecem porque o ambiente já degradou. É quando a serpente quebra a casca do ovo.

O Ovo da Serpente (1977), de Ingmar Bergman. Projetos totalitários sempre se anunciam como forças libertadoras. Só depois se mostram como são na realidade. Os ataques contras as instituições democráticas no Brasil acontecem porque o ambiente já degradou. É quando a serpente quebra a casca do ovo.

O Brasil vive um momento singular: a imprensa, a oposição, o Ministério Público e o Judiciário estão sob ataque cerrado de um grupo político que hoje controla o governo federal, os sindicatos, as principais entidades da sociedade civil organizada (da CUT à Fiesp), as universidades (e consequentemente toda a estrutura educacional do país).

Basta uma rápida leitura sobre a mais recente crise entre os ministros do STF e os presidentes da Câmara e Senado, para perceber que existe um ambiente cuja normalidade está em processo de degradação. O Executivo avança sobre as prerrogativas da Justiça e, usando a maioria comprada no Legislativo, trabalha em leis que tiram do MP o poder de investigar casos de corrupção e dificultam a criação de partidos oposicionistas. A imprensa, vez por outra, é ameaçada com a ideia fixa da “democratização da informação”, um eufemismo para o controle de conteúdo mais conhecido como censura.

A gravidade da situação é tamanha que políticos condenados pelo STF, como os deputados José Genuíno e  João Paulo Cunha, continuam no Congresso, lideram comissões que visam atingir justamente a Suprema Corte, sem que isso os transformem em principais inimigos da sociedade, papel que coube a um bobalhão insignificante como o deputado Marcos Feliciano, que por mais idiota que seja, não oferece risco algum à institucionalidade democrática.

Boa parte da intelectualidade brasileira, desde cedo adestrada nos rigores condicionantes do proselitismo político esquerdista, apoia as aspirações totalitárias do governo, alegando as melhores e mais celestiais intenções, claro. Tudo em nome da reparação social, da justiça igualitarista, da redenção das dívidas históricas e por aí vai. No resto do mundo, intelectuais trabalham para revelar a unidade lógica que liga ações aparentemente desconexas, expondo assim as camadas de motivações profundas que atuam sob a superfície dos acontecimentos, como é o caso de ver instituições basilares da democracia sistematicamente pressionadas a partir de um grupo, para fazer vista grossa aos desmandos do poder. Nem na Venezuela isso acontece. Lá é preciso o uso da força, com o controle do exército. Aqui, tudo é mais sutil, por isso mesmo, mais ardiloso.

E se no Brasil há uma resistência maior na defesa dessas instituições, é por causa da dificuldade de desconstruir todo um arcabouço institucional reconstruído após o fim dos governos militares. A garantia contra os desmandos de uma ditadura ainda depende, na mentalidade geral, da preservação incondicional da imprensa livre, dos órgãos de fiscalização e da independência entre os Poderes da República. Ocorre que, com o tempo, essa assimilação vai ficando cada vez mais distante dos eventos que as criaram e as fortaleceram, representados no processo de redemocratização. Sem a ligação direta com a ideia de perigo, e sem uma educação correta para as novas gerações, esses valores se tornam apenas uma lembrança, conquistas consolidadas que não precisam de proteção constante.

Como as novas ameaças se disfarçam de boas intenções, a defesa das instituições virou tema de segunda importância para o público. Os muros de contenção que as cercam passam então a trincar, infiltrados por anos e anos de doutrinação marxista e gramscista nas escolas, em doses cuidadosamente aplicadas para anestesiar as consciências sem despertá-las contra eventuais riscos à saúde do sistema democrático. Daí que associações de jornalistas, advogados, magistrados e procuradores não se rebelem contra a sanha controladora do governo em relação aos seus campos de atuação: a imprensa, o Judiciário e o MP. Para ser sincero, os procuradores até ensaiam uma reação, mas já não conseguem mobilizar mais do que seus próprios membros, talvez nem todos, movidos pela iminência de terem suas principais prerrogativas cassadas pela tal PEC 37. E mais: não há oposição que massifique o alerta de perigo. Pior ainda: ainda que houvesse oposição, não há sensibilidade no público diante dos riscos de instabilidade institucional patrocinados pelo grupo político que hoje comanda o Brasil. A letargia é generalizada.