26/04/2013 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

26/04/2013

São Paulo e o Ceará sob o signo da violência, mas quanta diferença!

Por Wanfil em Segurança

26 de Abril de 2013

Estou desde terça-feira em São Paulo, bem momento onde a comoção toma o estado por causa da morte de uma dentista de 47 anos, queimada viva na quinta-feira por um trio de assaltantes porque não tinha dinheiro na conta do banco.

A imprensa, cumprindo seu papel de informar e vigiar, partiu da cobertura do caso isolado, mas que mobiliza a sociedade, para uma investigação sobre os números da violência, constatando que ás taxas de homicídios no estado aumentaram no início de 2013, após anos de intensa redução.

Por causa da reação pública forte e intensa, o governador Geraldo Alckmin veio a público falar sobre os esforços concentrados na resolução do crime e dar uma resposta para a sociedade a respeito dos recentes dados negativos na área de segurança. O governador paulista anunciou então o reforço imediato no contingente das forças policiais do estado. Se dará certo ou não, o tempo dirá, mas o fato é que o governador assumiu a responsabilidade diante do clamor geral e tomou providências.

O contraste com a postura das autoridades e da própria sociedade no Ceará é incontornável. Quem é chamado a dar explicações aos cidadãos no Ceará? Quando muito, um ou outro colunista cobra, muito discretamente, o secretário de Segurança, sem que ninguém atine para o fato óbvio de que ele é subordinado ao governador Cid Gomes. E quem muitas vezes se vê na contingência de falar oficialmente sobre a violência obscena e crescente no estado é o comandante da Polícia Militar, subalterno do secretário. E a opinião pública, que vive a lamentar nas rodas de conversa o medo que sente ao andar nas ruas, é a primeira a aplaudir quando o governo estadual anuncia torneios esportivos ou shows pirotécnicos, como grandes realizações.

Números

As semelhanças entre o clamor por segurança em São Paulo ou no Ceará se assemelham nominalmente, mas se diferenciam também, e muito quanto aos números.

Enquanto em São Paulo, a taxa de homicídios despencou de 44,1 por grupo de 100 mil habitantes em 1999 para 13,9 em 2010, no Ceará, essa taxa saltou, no mesmo período, de 15,6 para 29,7.

No primeiro, os números recuaram quase dois terços, enquanto no segundo praticamente dobraram. Os dados são do Mapa da Violência. O aumento em São Paulo que obriga Alckmin a dar explicações foi registrado na capital, que no último ano subiu de  8,9 para 12 pontos, menos da metade anotada no Ceará.

Igual, mas diferente

Não obstante a procura de causas gerais que possam explicar um fenômeno verificável em regiões distintas, que é o aumento da violência, existem diferenças substanciais a serem anotadas, pois os efeitos desse fenômeno se apresentam de forma mais branda ou mais intensa a depender o local em que se manifesta, indicando que também existem fatores específicos atuando nesse contexto. Dito de outra forma, as partes não podem ser igualmente tomadas pelo todo.

Assim, se em São Paulo, a sociedade demonstra uma tolerância bem menor com a violência e isso pressiona o governo, no Ceará, há uma passividade que permite ao governo fingir de conta que o problema não é com ele. Disso resulta que, mesmo se tratando da mesma questão, os resultados são tão diferentes. Sem pressão, sem cobrança, demonstrada sobretudo nas urnas e nas pesquisas de popularidade, nada muda.

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São Paulo e o Ceará sob o signo da violência, mas quanta diferença!

Por Wanfil em Segurança

26 de Abril de 2013

Estou desde terça-feira em São Paulo, bem momento onde a comoção toma o estado por causa da morte de uma dentista de 47 anos, queimada viva na quinta-feira por um trio de assaltantes porque não tinha dinheiro na conta do banco.

A imprensa, cumprindo seu papel de informar e vigiar, partiu da cobertura do caso isolado, mas que mobiliza a sociedade, para uma investigação sobre os números da violência, constatando que ás taxas de homicídios no estado aumentaram no início de 2013, após anos de intensa redução.

Por causa da reação pública forte e intensa, o governador Geraldo Alckmin veio a público falar sobre os esforços concentrados na resolução do crime e dar uma resposta para a sociedade a respeito dos recentes dados negativos na área de segurança. O governador paulista anunciou então o reforço imediato no contingente das forças policiais do estado. Se dará certo ou não, o tempo dirá, mas o fato é que o governador assumiu a responsabilidade diante do clamor geral e tomou providências.

O contraste com a postura das autoridades e da própria sociedade no Ceará é incontornável. Quem é chamado a dar explicações aos cidadãos no Ceará? Quando muito, um ou outro colunista cobra, muito discretamente, o secretário de Segurança, sem que ninguém atine para o fato óbvio de que ele é subordinado ao governador Cid Gomes. E quem muitas vezes se vê na contingência de falar oficialmente sobre a violência obscena e crescente no estado é o comandante da Polícia Militar, subalterno do secretário. E a opinião pública, que vive a lamentar nas rodas de conversa o medo que sente ao andar nas ruas, é a primeira a aplaudir quando o governo estadual anuncia torneios esportivos ou shows pirotécnicos, como grandes realizações.

Números

As semelhanças entre o clamor por segurança em São Paulo ou no Ceará se assemelham nominalmente, mas se diferenciam também, e muito quanto aos números.

Enquanto em São Paulo, a taxa de homicídios despencou de 44,1 por grupo de 100 mil habitantes em 1999 para 13,9 em 2010, no Ceará, essa taxa saltou, no mesmo período, de 15,6 para 29,7.

No primeiro, os números recuaram quase dois terços, enquanto no segundo praticamente dobraram. Os dados são do Mapa da Violência. O aumento em São Paulo que obriga Alckmin a dar explicações foi registrado na capital, que no último ano subiu de  8,9 para 12 pontos, menos da metade anotada no Ceará.

Igual, mas diferente

Não obstante a procura de causas gerais que possam explicar um fenômeno verificável em regiões distintas, que é o aumento da violência, existem diferenças substanciais a serem anotadas, pois os efeitos desse fenômeno se apresentam de forma mais branda ou mais intensa a depender o local em que se manifesta, indicando que também existem fatores específicos atuando nesse contexto. Dito de outra forma, as partes não podem ser igualmente tomadas pelo todo.

Assim, se em São Paulo, a sociedade demonstra uma tolerância bem menor com a violência e isso pressiona o governo, no Ceará, há uma passividade que permite ao governo fingir de conta que o problema não é com ele. Disso resulta que, mesmo se tratando da mesma questão, os resultados são tão diferentes. Sem pressão, sem cobrança, demonstrada sobretudo nas urnas e nas pesquisas de popularidade, nada muda.