Abril 2013 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Abril 2013

A democracia brasileira sob ataque: o ovo da serpente

Por Wanfil em Entre poderes, Ideologia

28 de Abril de 2013

O Ovo da Serpente (1977), clássico de Ingmar Bergman. Projetos totalitários nunca se anunciam como tal, mas como forças libertadoras. É preciso um tempo de gestação para que se mostrem na realidade. Os ataques contras as instituições democráticas no Brasil acontecem porque o ambiente já degradou. É quando a serpente quebra a casca do ovo.

O Ovo da Serpente (1977), de Ingmar Bergman. Projetos totalitários sempre se anunciam como forças libertadoras. Só depois se mostram como são na realidade. Os ataques contras as instituições democráticas no Brasil acontecem porque o ambiente já degradou. É quando a serpente quebra a casca do ovo.

O Brasil vive um momento singular: a imprensa, a oposição, o Ministério Público e o Judiciário estão sob ataque cerrado de um grupo político que hoje controla o governo federal, os sindicatos, as principais entidades da sociedade civil organizada (da CUT à Fiesp), as universidades (e consequentemente toda a estrutura educacional do país).

Basta uma rápida leitura sobre a mais recente crise entre os ministros do STF e os presidentes da Câmara e Senado, para perceber que existe um ambiente cuja normalidade está em processo de degradação. O Executivo avança sobre as prerrogativas da Justiça e, usando a maioria comprada no Legislativo, trabalha em leis que tiram do MP o poder de investigar casos de corrupção e dificultam a criação de partidos oposicionistas. A imprensa, vez por outra, é ameaçada com a ideia fixa da “democratização da informação”, um eufemismo para o controle de conteúdo mais conhecido como censura.

A gravidade da situação é tamanha que políticos condenados pelo STF, como os deputados José Genuíno e  João Paulo Cunha, continuam no Congresso, lideram comissões que visam atingir justamente a Suprema Corte, sem que isso os transformem em principais inimigos da sociedade, papel que coube a um bobalhão insignificante como o deputado Marcos Feliciano, que por mais idiota que seja, não oferece risco algum à institucionalidade democrática.

Boa parte da intelectualidade brasileira, desde cedo adestrada nos rigores condicionantes do proselitismo político esquerdista, apoia as aspirações totalitárias do governo, alegando as melhores e mais celestiais intenções, claro. Tudo em nome da reparação social, da justiça igualitarista, da redenção das dívidas históricas e por aí vai. No resto do mundo, intelectuais trabalham para revelar a unidade lógica que liga ações aparentemente desconexas, expondo assim as camadas de motivações profundas que atuam sob a superfície dos acontecimentos, como é o caso de ver instituições basilares da democracia sistematicamente pressionadas a partir de um grupo, para fazer vista grossa aos desmandos do poder. Nem na Venezuela isso acontece. Lá é preciso o uso da força, com o controle do exército. Aqui, tudo é mais sutil, por isso mesmo, mais ardiloso.

E se no Brasil há uma resistência maior na defesa dessas instituições, é por causa da dificuldade de desconstruir todo um arcabouço institucional reconstruído após o fim dos governos militares. A garantia contra os desmandos de uma ditadura ainda depende, na mentalidade geral, da preservação incondicional da imprensa livre, dos órgãos de fiscalização e da independência entre os Poderes da República. Ocorre que, com o tempo, essa assimilação vai ficando cada vez mais distante dos eventos que as criaram e as fortaleceram, representados no processo de redemocratização. Sem a ligação direta com a ideia de perigo, e sem uma educação correta para as novas gerações, esses valores se tornam apenas uma lembrança, conquistas consolidadas que não precisam de proteção constante.

Como as novas ameaças se disfarçam de boas intenções, a defesa das instituições virou tema de segunda importância para o público. Os muros de contenção que as cercam passam então a trincar, infiltrados por anos e anos de doutrinação marxista e gramscista nas escolas, em doses cuidadosamente aplicadas para anestesiar as consciências sem despertá-las contra eventuais riscos à saúde do sistema democrático. Daí que associações de jornalistas, advogados, magistrados e procuradores não se rebelem contra a sanha controladora do governo em relação aos seus campos de atuação: a imprensa, o Judiciário e o MP. Para ser sincero, os procuradores até ensaiam uma reação, mas já não conseguem mobilizar mais do que seus próprios membros, talvez nem todos, movidos pela iminência de terem suas principais prerrogativas cassadas pela tal PEC 37. E mais: não há oposição que massifique o alerta de perigo. Pior ainda: ainda que houvesse oposição, não há sensibilidade no público diante dos riscos de instabilidade institucional patrocinados pelo grupo político que hoje comanda o Brasil. A letargia é generalizada.

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São Paulo e o Ceará sob o signo da violência, mas quanta diferença!

Por Wanfil em Segurança

26 de Abril de 2013

Estou desde terça-feira em São Paulo, bem momento onde a comoção toma o estado por causa da morte de uma dentista de 47 anos, queimada viva na quinta-feira por um trio de assaltantes porque não tinha dinheiro na conta do banco.

A imprensa, cumprindo seu papel de informar e vigiar, partiu da cobertura do caso isolado, mas que mobiliza a sociedade, para uma investigação sobre os números da violência, constatando que ás taxas de homicídios no estado aumentaram no início de 2013, após anos de intensa redução.

Por causa da reação pública forte e intensa, o governador Geraldo Alckmin veio a público falar sobre os esforços concentrados na resolução do crime e dar uma resposta para a sociedade a respeito dos recentes dados negativos na área de segurança. O governador paulista anunciou então o reforço imediato no contingente das forças policiais do estado. Se dará certo ou não, o tempo dirá, mas o fato é que o governador assumiu a responsabilidade diante do clamor geral e tomou providências.

O contraste com a postura das autoridades e da própria sociedade no Ceará é incontornável. Quem é chamado a dar explicações aos cidadãos no Ceará? Quando muito, um ou outro colunista cobra, muito discretamente, o secretário de Segurança, sem que ninguém atine para o fato óbvio de que ele é subordinado ao governador Cid Gomes. E quem muitas vezes se vê na contingência de falar oficialmente sobre a violência obscena e crescente no estado é o comandante da Polícia Militar, subalterno do secretário. E a opinião pública, que vive a lamentar nas rodas de conversa o medo que sente ao andar nas ruas, é a primeira a aplaudir quando o governo estadual anuncia torneios esportivos ou shows pirotécnicos, como grandes realizações.

Números

As semelhanças entre o clamor por segurança em São Paulo ou no Ceará se assemelham nominalmente, mas se diferenciam também, e muito quanto aos números.

Enquanto em São Paulo, a taxa de homicídios despencou de 44,1 por grupo de 100 mil habitantes em 1999 para 13,9 em 2010, no Ceará, essa taxa saltou, no mesmo período, de 15,6 para 29,7.

No primeiro, os números recuaram quase dois terços, enquanto no segundo praticamente dobraram. Os dados são do Mapa da Violência. O aumento em São Paulo que obriga Alckmin a dar explicações foi registrado na capital, que no último ano subiu de  8,9 para 12 pontos, menos da metade anotada no Ceará.

Igual, mas diferente

Não obstante a procura de causas gerais que possam explicar um fenômeno verificável em regiões distintas, que é o aumento da violência, existem diferenças substanciais a serem anotadas, pois os efeitos desse fenômeno se apresentam de forma mais branda ou mais intensa a depender o local em que se manifesta, indicando que também existem fatores específicos atuando nesse contexto. Dito de outra forma, as partes não podem ser igualmente tomadas pelo todo.

Assim, se em São Paulo, a sociedade demonstra uma tolerância bem menor com a violência e isso pressiona o governo, no Ceará, há uma passividade que permite ao governo fingir de conta que o problema não é com ele. Disso resulta que, mesmo se tratando da mesma questão, os resultados são tão diferentes. Sem pressão, sem cobrança, demonstrada sobretudo nas urnas e nas pesquisas de popularidade, nada muda.

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Paciência tem limite!

Por Wanfil em Tribuna Band News FM

25 de Abril de 2013

Agricultores bloqueiam diversas rodovias no Ceará para protestar contra a demora nas ações de combate à seca. No mérito da questão, fazem coro às reclamações feitas recentemente por empresários cearenses em uma carta para a presidente Dilma.

Em Fortaleza, motoristas e trocadores de ônibus paralisam terminais rodoviários em protesto contra a violência, depois que um motorista foi baleado no olho por um adolescente em mais um assalto.

Essas manifestações possuem um objetivo comum: exigir soluções para problemas gravíssimos e de conhecimento geral. Devem, ou deveriam, servir também de alerta aos gestores.

É que nos últimos anos, as únicas instâncias que cobravam isso ou aquilo do poder público eram o Ministério Público e a imprensa. Tanto que, não por acaso, projetos de lei que visam coibir a ação de ambos tramitam no Congresso Nacional.

Agora, setores da sociedade se organizam para fazer, eles próprios, essas cobranças que, aliás, são justíssimas. E não adianta culpar a oposição, porque essa, coitada, não consegue mobilizar ninguém mesmo. Também não adianta fingir que o problema não existe, pois isso apenas demonstraria que os responsáveis pela situação não sabem como resolvê-lo.

Os governos podem fazer muitas coisas, como estádios para copas, shows internacionais, promover torneios de luta e até construir hospitais, o que seja, mas tudo isso acaba menor quando a insegurança e a fome batem à porta das pessoas.

Propagandas e discursos podem até servir para ganhar algum tempo, mas os fatos, sempre os fatos, acabam se impondo. É quando a paciência do distinto público, não suportando mais tanta conversa para tão pouca ação, chega ao fim.

Ouça o áudio:

[haiku url=”http://tribunadoceara.uol.com.br/blogs/wanderley-filho/files/2013/04/POLITICA-WANDERLEYFILHO-25-04-13.mp3“]

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Pesquisa mostra que pobres respeitam mais as leis e desmascara certa ideologia

Por Wanfil em Ideologia, Pesquisa

24 de Abril de 2013

Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) revela que pessoas com menor renda e escolaridade tendem a respeitar mais as leis. O estudo criou um índice de classificação para avaliar o comportamento de pessoas com renda de inferior a dois salário mínimos até pessoas com renda superior a 12 salários mínimos.

No geral, as variações não foram grandes, mas os entrevistados com menor renda apresentaram maior nível de cumprimento da lei, pelo menos mo que diz respeito a delitos de menor gravidade, como estacionar em local proibido, furto em lojas ou comprar produtos piratas. Os dados se mostraram semelhantes em todas as regiões do país.

Causa e efeito

A pesquisa não investiga possíveis causas para os comportamentos verificados, mas serve para demonstrar que a relação de causa e efeito entre pobreza e a propensão do indivíduo ao ilícito não é direta.

Esses resultados são incompatíveis com a teoria, muito popular e aceita no Brasil, de que a criminalidade resulta da exclusão social ou da ganância potencializadas pelo modelo capitalista de produção. A tese é de fácil assimilação, pois acaba por transferir as responsabilidades dos indivíduos para a entidade impessoal do sistema. Dessa forma, moralmente falando, todos são vítimas e ninguém é culpado.

É claro que a pesquisa da FGV não encerra o tema. Crimes de maior violência podem ter ligação com questões sociais? Podem, certamente cruzadas com uma série de outros fatores, como o psicológico, por exemplo. De todo modo, isso é diferente de garantir que questões sociais DETERMINAM comportamentos criminosos.

Prisão ideológica

O problema é que quase todas as questões importantes no Brasil esbarram, de uma forma ou de outra, na surrada tese da luta de classes. Até mesmo a redução da maioridade penal acaba refém da discussão sobre as origens sociais que levam sujeitos de 16 e 17 anos, perfeitamente saudáveis e lúcidos, a cometer toda sorte de crimes e perversidades.

Não é que as questões sociais devam ser desprezadas, mas é notório que o hábito de buscar sempre amoldar os fatos para enquadrá-los em esquemas pré-determinados, como é o caso da hegemonia do modelo analítico marxista no Brasil, acaba por limitar a percepção da realidade . Tudo acaba classificado como reacionário ou progressista, sem que nada mude.

É por causa dessas deturpações que prendem a lógica dentro de redomas ideológicas, que a maioria dos nossos intelectuais garante que repressão, leis mais duras e policiamento não inibem o crime, sem atinar que menos repressão, leis mais brandas e menos policiamento são tudo o que desejam os bandidos.

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Barracas da Praia do Futuro: passado de omissão, presente de incerteza

Por Wanfil em Tribuna Band News FM

23 de Abril de 2013

Como areia da praia, o tempo passa pelas mãos e nada se resolve: sem passado e sem futuro

Como areia da praia, o tempo passa pelas mãos e nada se resolve: presos num presente que não se desenrola, sem passado e sem futuro.

A Justiça Federal decide nesta terça-feira se as barracas da Praia do Futuro, em Fortaleza, devem ou não ser retiradas do local. A ação foi movida ainda em 2005 pelo ministério público federal. O órgão afirma que a ocupação é ilegal e os proprietários dos estabelecimentos, claro, dizem que não ferem a legislação.

É a velha história. A omissão do poder público no que diz respeito a temas ligados ao meio ambiente e à urbanização permitiu que a ocupação de importantes áreas de Fortaleza se desse de forma desorganizada e na base do improviso. Agora, caberá à Justiça definir quem tem razão na peleja. Quanto a isso, conforme seja a decisão, que se proceda com as devidas ações.

No entanto, apesar dessa obviedade, o procurador da República Alessander Sales criticou a Prefeitura de Fortaleza pela intenção de formar um grupo de trabalho para estudar a realocação das barracas, chegando a dizer que atos nesse sentido poderão ser interpretados como improbidade administrativa.

Sinceramente, é desnecessário polemizar ainda mais a questão. Primeiro, quem decide a legalidade da situação é a Justiça e não o Ministério Público ou a prefeitura; segundo, qualquer que seja a decisão, ainda caberá recurso em instâncias superiores; e terceiro, o estudo de alternativas para a situação é sim necessário, uma vez que a Praia do Futuro possui grande apelo turístico, além de ser, apesar da poluição e da violência, um dos poucos espaços públicos de lazer capazes de atrair os próprios cearenses.

O debate sobre a melhor forma de usar esse patrimônio natural de Fortaleza é fundamental e sempre oportuno. O problema, entretanto, não são as partes em litígio, mas a demora em resolver o impasse. Essa discussão já se arrasta por longos oito anos e não tem data para acabar.

Enquanto isso, no entorno da Praia do Futuro, a falta de políticas de urbanização faz saltar aos olhos a decadência de prédios abandonados, a falta de equipamentos turísticos, a proliferação de favelas e o aumento da criminalidade. Essa demora, essa capacidade de empurrar tudo para adiante, é que lasca.

Ouça o áudio:

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Atentado em frente ao Fórum de Fortaleza: O que mais falta acontecer para mudar o time da segurança?

Por Wanfil em Tribuna Band News FM

20 de Abril de 2013

Geralmente quando a violência atravessa as fronteiras das favelas e dos bairros periféricos para avançar sobre as áreas mais prósperas de uma cidade, suas autoridades buscam agir rapidamente para fazer recuar os marginais e assim delimitar uma linha de contenção. Quando essas medidas falham, todos acabam reféns do medo imposto pelos criminosos e as autoridades passam então a cuidar pelo menos da própria segurança, valendo-se das prerrogativas dos cargos que ocupam.

A ilusão de segurança experimentada por essas autoridade é temporária, pois inevitavelmente a situação degenera sempre mais, já que a ousadia dos criminosos aumenta à medida que o poder público não consegue reagir. É quando juízes, promotores, deputados, prefeitos, seja quem for, percebem que estão no mesmo barco das pessoas comuns.

Esse roteiro da escalada da violência é precisamente o que vivenciamos agora em Fortaleza.

Na sexta-feira (19), um homem foi executado à bala em frente ao Fórum Clóvis Beviláqua! Outros dois ficaram feridos. Não é preciso entrar detalhes para perceber que o atentado, feito diante de um prédio público guardado por policiais e que representa a Justiça, tem um valor simbólico gravíssimo: os poderes do Estado já estão acuados em suas próprias instalações. Isso equivale a dizer que a sociedade está encurralada pelo crime.

Não quero parecer dramático ou alarmista, pois isso nem sequer é necessário. Qualquer pessoa que viva em Fortaleza sabe do que estou falando.

O governo do Estado começa a reconhecer, timidamente, que a situação é alarmante. Acontece que isso, o cidadão já descobriu faz tempo. É preciso disposição política para uma ação radical, a começar por mudanças concretas e oficiais no comando dos órgãos de segurança. O que mais falta acontecer para que isso seja feito?!

É preciso pedir ajuda a quem já enfrentou problema semelhante. Tudo isso o quanto antes! Os bandidos, não respeitam – e muito menos temem! – o Estado e seus titulares. O crime perdeu todo e qualquer limite.

Ouça o áudio:

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Inoportuno e sem noção

Por Wanfil em Política

19 de Abril de 2013

Meu comentário na rádio Tribuna BandNews FM – 101.7, sobre as críticas feitas por Cid e Ciro Gomes ao governador de Pernambuco, Eduardo Campos, chamado de “inoportuno” e “sem noção”, mas que terminaram por atingir, indiretamente, a presidente Dilma.

Ouça o áudio:

[haiku url=”http://tribunadoceara.uol.com.br/blogs/wanderley-filho/files/2013/04/POLÍTICA-WANDERLEY-1904.mp3″]


Confira a transcrição:

Enquanto esperam pelas as verbas prometidas para o combate à seca, além da obras da transposição do Rio São Francisco e refinaria da Petrobras no Ceará, o governador Cid Gomes e seu irmão Ciro trabalham contra a pretensão do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, de sair candidato à Presidência da República em 2014 pelo Partido Socialista Brasileiro.

Assim, Ciro veio à público na última terça-feira (16) dizer que fará uma discussão interna no PSB para mostrar que o projeto de Campos seria inoportuno. Além disso, procurando adornar o bolo das críticas com um glacê ideológico, Ciro disse ainda que o pernambucano tem adotado um discurso mais à direita quando o assunto é economia.

No dia seguinte, segundo o jornal Folha de São Paulo, foi a vez de Cid Gomes afirmar que Eduardo Campos estaria “perdendo a noção”, por defender a alta de juros como remédio contra a inflação.

“Quem defende elevação de taxa de juro é banqueiro. Ele está encantado pela direita”, disparou Cid.

É nesse exato ponto que a declaração se mostra… inoportuna e sem noção! Leia mais

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Redução da maioridade penal: não se trata de acabar com a violência, mas de combater a impunidade

Por Wanfil em Legislação

18 de Abril de 2013

Volta e meia o debate sobre a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos reaparece no Brasil, geralmente na esteira da comoção gerada por algum crime bárbaro cometido por um menor de idade. O assassinato de um jovem na porta de casa por uma ‘criança’ de 17 anos e 11 meses em São Paulo trouxe o tema de volta. A indignação geral reside no fato de que o assassino, indivíduo apto a votar e com total discernimento entre o certo e o errado, não passará muito tempo atrás das grades, pois está protegido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), apesar do crime covarde e sem sentido que cometeu.

Como sempre acontece nessas ocasiões, argumentos a favor e contra a redução são colocados em debate. Sobre o tema, o portal Tribuna do Ceará ouviu o sociólogo e titular da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas de Juventude da Prefeitura de Fortaleza, Élcio Batista, para quem “reduzir a maioridade penal não resolve o problema da criminalidade. Em síntese: se a legislação (leia-se Estado) não faz a sociedade avançar, portanto façamos a legislação retroceder nos direitos consagrados. É simples mudar a Lei, difícil mesmo é construir a vida social à imagem e semelhança desta”.

Coibir ou incentivar, eis a questão

Conheço o professor Élcio e sei de suas boas intenções, no entanto, a premissa desse pensamento está equivocada. Quem disse que a redução da maioridade penal irá resolver o problema da criminalidade? É óbvio que não vai e não é essa a questão em debate. O que os defensores da redução desejam é simplesmente evitar que criminosos gozem da prerrogativa da impunidade. Bem visto o argumento contrário à mudança, prender bandidos de 20, 30 ou 40 anos de idade também não vai resolver o problema da criminalidade. E aí? O que fazer? Nem por isso ninguém sai por aí defendendo o fim do Código Penal por falta de eficácia.

A rigor, as leis são apenas instrumentos que auxiliam o Estado no combate ao crime e não soluções definitivas, prontas e acabadas para o problema. Ocorre que a lei atual não auxilia o Estado nessa função, pior, na prática, ela funciona como um estímulo ao crime. Nesse caso, os tais “direitos consagrados” é que acabam configurando um retrocesso.

Punir para preservar valores 

Ainda na matéria da Tribuna, o coordenador do Laboratório de Estudos sobre a Violência da Universidade Federal do Ceará, César Barreira, também contrário à redução, afirma que é preciso “dar oportunidades, condições de realização para esses pessoas, como, por exemplo, a escola de tempo integral, que não transmita só o conhecimento, mas que transmita também valores”.

Será mesmo que tudo se resume a uma questão pedagógica? Quantos não roubam dinheiro público apesar de terem tido toda a oportunidade da melhor educação? Quantos doutores não se prestam ao papel de operadores de caixa 2? E existem ainda os jovens de classe média e classe média alta que entram, por exemplo, no mundo do tráfico de drogas, muitos deles incentivados, justamente, pela brandura das leis que punem os menores de idade. Não basta a sociedade ter valores, é preciso preservá-la dos que não aceitam esses códigos de conduta, segregando-os do convívio com os demais, se necessário.

Preconceito contra os pobres

Entendo a argumentação de cunho social e acredito que as privações da pobreza podem agir como um componente a mais na complicada equação que se desenrola na cabeça de um criminoso. No entanto, isso não pode ser visto como um fator DETERMINANTE. Seria uma tremenda injustiça com os jovens que estudam e trabalham justamente na esperança de vencerem ou de atenuarem a pobreza com o trabalho. Essa é a grande maioria. É preciso acabar com esse preconceito de ordem econômica. Ao optar pelo crime, o jovem não cede a um fatalismo, mas opera uma escolha consciente.

Não são crianças

De qualquer forma, a redução da maioridade penal não impediria o Estado de prover educação de qualidade na INFÂNCIA. E disso segue um adendo que faço agora. É importante não confundir um marmanjo sociopata de 16 anos de idade com uma criança de oito anos. Por mais óbvio que seja, é o que muitas vezes acontece no calor da discussão.

Todo jovem, pobre ou rico, está sujeito ao erro em função da sua natural inexperiência de vida. Mas há uma grande distância entre o erro que traz prejuízos apenas para seus próprios autores e o crimes que destrói famílias inteiras. Jovens criminosos não podem ser tratados como seres impedidos de ter a singularidade do indivíduo.

Defender a redução da maioridade penal não vai acabar com a violência. Todos sabem disso. Mas para combatê-la, é preciso deixar claro que nenhuma conivência será tolerada.

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Governador e prefeito de Fortaleza resolvem problema da segurança… deles!

Por Wanfil em Tribuna Band News FM

17 de Abril de 2013

Meu comentário na rádio Tribuna BandNews FM – 101.7, sobre a criação, pelo governo do Estado, da Coordenadoria Militar da Prefeitura de Fortaleza.

Ouça o áudio:

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Segue a transcrição:

Agora é oficial! A segurança do prefeito Roberto Cláudio será feita por policiais militares, conforme decreto do Governo do Estado. Antes, essa atribuição era da Guarda Municipal.

Vereadores da oposição criticam a iniciativa e dizem que policiais serão retirados das ruas justamente quando os índices de violência só aumentam. E lembram que a medida abre um precedente óbvio, caso prefeitos de outras cidades do Ceará também queiram a providencial segurança feita pela Polícia Militar.

Apesar da polêmica, em todo o mundo autoridades precisam de segurança especial, afinal, elas representam o próprio Estado. Mas existem, nesse caso de Fortaleza, algumas particularidades que ilustram bem o momento que vivemos.

Primeiro, governantes da capital cearense não ocupam uma posição de risco quanto a crimes de natureza ideológica ou política, tal qual cidades ameaçadas, por exemplo, pelo terrorismo internacional.

Segundo, vivemos, pelo menos oficialmente, em tempos de paz, sem inimigos no exterior e sem grupos paramilitares agindo em território nacional.

Terceiro, Roberto Cláudio já dispunha sim de uma segurança, só que feita, como eu disse, pela Guarda Municipal. Acontece que seus membros não portam armas de fogo, enquanto bandidos, sequestradores, assaltantes e traficantes, que são os únicos perigos à segurança do excelentíssimo prefeito, estão armados até os dentes.

No fundo, o projeto enviado à Câmara pelo prefeito Roberto Cláudio e o decreto assinado pelo governador Cid Gomes não deixam de ser uma forma de reconhecimento sobre o perigo real e imediato que é viver no Ceará e especialmente em Fortaleza nos dias de hoje.

Agora que o prefeito e o governador estão com seus problemas de segurança particular resolvidos, é hora de ver a segurança da população, que além de custear o bem estar de seus representantes, precisa pagar, quando pode, por segurança privada. Ou então, rezar a Deus para viver mais um dia.

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A violência no futebol é filha da cultura da impunidade com a desmoralização das instituições

Por Wanfil em Tribuna Band News FM

16 de Abril de 2013

Meu comentário na rádio Tribuna BandNews FM – 101.7, sobre os constantes casos de violência registrados nos dias de jogos de futebol em Fortaleza.

Ouça o áudio:

[haiku url=”http://tribunadoceara.uol.com.br/blogs/wanderley-filho/files/2013/04/POLÍTICA-WANDERLEY-FILHO-VIOLÊNCIA-NO-FUTEBOL-E-A-DEGRADAÇÃO-DAS-INSTITUIÇÕES.mp3″]

 

Segue a transcrição:

Torcedor baleado por rival antes do clássico entre Ceará e Fortaleza: cena que se repete jogo após jogo. Crime que prospera na sombra da degradação das instituições legais. Foto: Cristiano Pantanal / Jangadeiro

Torcedor baleado por rival em Fortaleza: crimes que se repetem jogo após jogo, e que prosperam na sombra da degradação das instituições legais. Foto: Cristiano Pantanal / Jangadeiro

A morte de dois homens numa briga de torcidas, horas antes do jogo entre Ceará e Fortaleza no último domingo, coloca mais uma vez em debate a existência das torcidas organizadas. O Ministério Público já estuda a possibilidade de proibi-las nos estádios, tal como já aconteceu em São Paulo.

Com certeza, torcedores de bem não sentiriam nenhuma falta desses desocupados que fazem do ato de torcer, uma obsessão imbecil e também uma espécie de meio de vida, embora não produzam nada que se aproveite.

No entanto, é importante compreendermos que as torcidas organizadas são a parte mais visível de uma praga que se alastra Brasil afora: uma cultura que se caracteriza pelo ressentimento e pelo desprezo aos deveres, ao trabalho honesto e às leis, e por um profundo desrespeito aos direitos dos outros. São, em suma, mais uma expressão de nosso culto à impunidade e da nossa histórica omissão com a educação.

Os marginais que usam os estádios e as partidas de futebol como palco para suas guerras particulares não temem as forças policiais porque, como todos, não a consideram eficiente. E também não respeitam as leis porque apostam, igualmente, na incompetência da Justiça. Eles vicejam justamente na falência e na degradação dessas instituições.

É preciso então que as autoridades se façam respeitar por esses indivíduos, com o devido uso da força e das punições exemplares. Duvido que aqueles torcedores do Corinthians, presos na Bolívia acusados de matar um jovem num estádio, tenham coragem de voltar lá para fazer baderna.

Enquanto os vagabundos tiverem a certeza de que não há o que temer na hora de cometer seus crimes, seja nos estádios, seja nas brigas de gangues nas periferias, nada vai mudar. Banir as torcidas organizadas dos estádios sinaliza um recado, é uma forma de dizer que tudo tem limite! Mas a ação do estado não deve parar por aí. Isso ainda é muito pouco. É preciso acabar mesmo é com a impunidade.

Nota: A respeito desse assunto, o portal Tribuna do Ceará publicou a contundente charge de Moésio Fiúza, que reproduzo abaixo.

Charge

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A violência no futebol é filha da cultura da impunidade com a desmoralização das instituições

Por Wanfil em Tribuna Band News FM

16 de Abril de 2013

Meu comentário na rádio Tribuna BandNews FM – 101.7, sobre os constantes casos de violência registrados nos dias de jogos de futebol em Fortaleza.

Ouça o áudio:

[haiku url=”http://tribunadoceara.uol.com.br/blogs/wanderley-filho/files/2013/04/POLÍTICA-WANDERLEY-FILHO-VIOLÊNCIA-NO-FUTEBOL-E-A-DEGRADAÇÃO-DAS-INSTITUIÇÕES.mp3″]

 

Segue a transcrição:

Torcedor baleado por rival antes do clássico entre Ceará e Fortaleza: cena que se repete jogo após jogo. Crime que prospera na sombra da degradação das instituições legais. Foto: Cristiano Pantanal / Jangadeiro

Torcedor baleado por rival em Fortaleza: crimes que se repetem jogo após jogo, e que prosperam na sombra da degradação das instituições legais. Foto: Cristiano Pantanal / Jangadeiro

A morte de dois homens numa briga de torcidas, horas antes do jogo entre Ceará e Fortaleza no último domingo, coloca mais uma vez em debate a existência das torcidas organizadas. O Ministério Público já estuda a possibilidade de proibi-las nos estádios, tal como já aconteceu em São Paulo.

Com certeza, torcedores de bem não sentiriam nenhuma falta desses desocupados que fazem do ato de torcer, uma obsessão imbecil e também uma espécie de meio de vida, embora não produzam nada que se aproveite.

No entanto, é importante compreendermos que as torcidas organizadas são a parte mais visível de uma praga que se alastra Brasil afora: uma cultura que se caracteriza pelo ressentimento e pelo desprezo aos deveres, ao trabalho honesto e às leis, e por um profundo desrespeito aos direitos dos outros. São, em suma, mais uma expressão de nosso culto à impunidade e da nossa histórica omissão com a educação.

Os marginais que usam os estádios e as partidas de futebol como palco para suas guerras particulares não temem as forças policiais porque, como todos, não a consideram eficiente. E também não respeitam as leis porque apostam, igualmente, na incompetência da Justiça. Eles vicejam justamente na falência e na degradação dessas instituições.

É preciso então que as autoridades se façam respeitar por esses indivíduos, com o devido uso da força e das punições exemplares. Duvido que aqueles torcedores do Corinthians, presos na Bolívia acusados de matar um jovem num estádio, tenham coragem de voltar lá para fazer baderna.

Enquanto os vagabundos tiverem a certeza de que não há o que temer na hora de cometer seus crimes, seja nos estádios, seja nas brigas de gangues nas periferias, nada vai mudar. Banir as torcidas organizadas dos estádios sinaliza um recado, é uma forma de dizer que tudo tem limite! Mas a ação do estado não deve parar por aí. Isso ainda é muito pouco. É preciso acabar mesmo é com a impunidade.

Nota: A respeito desse assunto, o portal Tribuna do Ceará publicou a contundente charge de Moésio Fiúza, que reproduzo abaixo.

Charge