Março 2013 - Página 2 de 2 - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Março 2013

Racha no PSB: Cid Gomes nega o pecado, mas revela a origem da tentação

Por Wanfil em Política

07 de Março de 2013

Cid Gomes “Eu disse à Dilma e ao Lula que não sou quinta coluna”. Precisa explicar mais? – Foto: Arquivo Jangadeiro

Cid Gomes “Eu disse à Dilma e ao Lula que não sou quinta coluna”. Precisa explicar mais? – Foto: Arquivo Jangadeiro

O governador Cid Gomes negou estar agindo para sabotar uma possível candidatura do governador pernambucano Eduardo Campos à Presidência da República pelo PSB. A notícia foi publicada no site da Folha de São Paulo, em entrevista concedida aos jornalistas após evento em Brasília, na quarta-feira (6).

Imagem, imprensa e processo político

“Quem achar que eu sou quinta coluna, que eu estou querendo sabotar o meu partido, querendo sabotar o presidente do meu partido, está redondamente enganado, vai quebrar a cara. Eu estarei com o meu partido.” O propósito dessas palavras é evidente: tentar impedir que uma imagem negativa se consolide. O fato é que a impressão que se dissemina é a de que Cid e Ciro fazem justamente isso que o governador nega categoricamente (quem confessaria?). As interpretações sobre os motivos variam, desde uma vingança contra a sabotagem que o próprio Eduardo Campos fez contra a candidatura presidencial de Ciro Gomes em 2010 até uma possível negociação de cargos com a presidente Dilma.

De resto, isso é notório, existe uma disposição da imprensa nacional à crítica quando a notícia envolve o ex-ministro Ciro Gomes. É algo que só encontra paralelo, por contraste, com a disposição da imprensa cearense em evitar essas críticas. Anotada essa característica, temos a transformação de uma disputa interna no PSB, algo normal nas democracias, em uma traição às pretensões do pernambucano. Ninguém é obrigado a aceitar uma candidatura até que esta seja homologada em convenção partidária. Hilary Clinton disputou prévias com Obama em 2008 com duras críticas ao adversário interno e ninguém viu nisso sabotagem, porque, com efeito, é algo normal.

Cid e Ciro não concordam com a candidatura de Eduardo Campos. E não fazem isso às escondidas. Pior seria se os dois se dissessem aliados incondicionais do correligionário e depois, em surdina, trabalhassem contra ele. Aí sim caberia a figura da sabotagem. Por enquanto, temos um processo político legítimo.

A origem

Cid nega o pecado da traição. No entanto, uma passagem da entrevista é reveladora, demasiadamente reveladora, e mostra que a tentação existe e tem origem certa. “Eu já disse a ela [Dilma] e ao Lula, eu não sou quinta coluna.” Não há outra conclusão possível: Dilma e Lula, ou melhor, Lula e Dilma sondaram a possibilidade de Cid trabalhar deliberadamente contra o próprio partido em favor da candidatura da petista à reeleição. Quem precisa anunciar aos aliados que não é traidor? Ora, quem foi tentado a trair.

Quem sabota Eduardo Campos para 2014 é a mesma pessoa que sabotou Ciro Gomes em 2010: Luís Inácio Lula da Silva.

Publicidade

Morre Hugo Chávez, ficam as paixões de um tempo que já passou

Por Wanfil em Internacional

05 de Março de 2013

A morte do presidente venezuelano Hugo Chávez é o assunto do momento. O estilo polêmico, os discursos longos, o alinhamento ideológico com Fidel Castro, a retórica anticapitalista (sem abrir mão dos lucros advindos do abundante petróleo na Venezuela), o posicionamento antiamericanista (sem cortar laços comerciais com o Tio Sam), e a promessa de um novo socialismo – o bolivarianismo, fizeram de Chávez um ícone da esquerda latino americana, um símbolo a encarnar toda a frustração acumulada com a queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética. Morre o homem e fica o personagem para o noticiário. Como entrará para a História, só o tempo dirá.

Os admiradores de Chávez enxergam nele a coragem de enfrentar adversários poderosos. Seus críticos o tomam como um sabotador do regime democrático e inimigo da imprensa livre.

Enquanto cronistas a favor e contra atiçam paixões políticas e os jornais publicam os obituários pré-editados do presidente que morreu após longa enfermidade, me atenho aqui a um aspecto mais, digamos, cultural, presente e atuante na América Latina.

Alguns fatos bastam como sinalizadores do atual estágio de maturidade política que vivemos no continente. Nesse instante, todos se perguntam: para onde vai a Venezuela? Com efeito, Chávez foi uma liderança que ofuscou novas lideranças e a Venezuela carece de mais estabilidade institucional. Ninguém sabe ao certo quem assume o poder no país. E isso em si é bastante revelador.

De certo modo, Chávez e as reações que ele provoca, boas ou más, justas ou injustas, é a expressão de um atraso: vivemos, todos, imersos numa cultura que é subproduto da Guerra Fria da segunda metade do século passado. A América Latina é a lata de lixo da História. Aqui ainda discutimos se o socialismo é melhor que o capitalismo e aplaudimos a miséria cubana como ato de resistência. Nas áreas de ciências humanas das universidades, lemos os mesmos livros de 20, 30 anos, presos no universo marxista sem o estímulo para ultrapassar suas fronteiras arcaicas. Lemos Eduardo Galeano como se fosse uma revelação. Cultuamos dualismos e maniqueísmos que o resto do mundo já superou.

O problema não é saber se Hugo Chávez foi democrata ou autoritário. O problema é perder tempo com isso, é ver presidentes pairando acima das instituições, o personalismo que procura salvadores messiânicos em toda esquina.

Hugo Chávez morreu, mas o pano de fundo para explorar ressentimentos continua. Na América Latina, olhamos para trás e quase nunca para frente.

Publicidade

PIB do Ceará cresce 3,65% mais que a média nacional: nós que aceleramos ou o Brasil que parou?

Por Wanfil em Economia

05 de Março de 2013

O governo do estado divulgou que em 2012 o crescimento do produto interno bruto (PIB) no Ceará foi de 3,65%. A notícia ganha mais impacto ainda quando a comparamos com o pífio crescimento do PIB nacional: 0,9%. O secretário estadual de Planejamento, Eduardo Diogo, comemorou o feito: “Nunca antes a diferença entre o crescimento do PIB nacional para o PIB do Ceará foi tão grande!”.

Antes de aderir ao coro dos contentes, é recomendável alguma cautela para que possamos entender melhor o momento que vivemos. O Brasil se habitou a celebrar taxas medíocres de crescimento por não querer comprar seus números com os de outras nações de porte econômico semelhante. Portanto, é fundamental saber se a diferença citada pelo secretário expressa antes uma suposta pujança do desempenho estadual ou uma grave anemia na economia nacional. É o Ceará que acelera demais  ou o Brasil que está parado?

Para compor um quadro mais preciso, outras perguntas ainda podem ajudar limpar o cenário de eventuais distorções causadas pelos excessos de otimismo ou de pessimismo. Vamos a elas.

– Qual a qualidade do crescimento econômico no Ceará? É sustentado? É concentrado? É conjuntural? Os demais estados do Nordeste tiveram desempenho semelhante?

– O fato de o governo atribuir boa parte do crescimento ao volume de investimentos públicos não é prova de que os investimentos privados ainda são insuficientes?

– Os investimentos públicos foram incrementados pelo aumento na arrecadação de ICMS, que entre 2007 e 2012 cresceu impressionates 105,3%. É possível manter esse ritmo?

– Até que ponto o crescimento da indústria, do comércio e do serviço não foi impulsionado somente pela oferta de crédito? E até que ponto o endividamento dos consumidores a médio e longo prazo compromete o crescimento futuro?

– Crescer mais do que a média nacional pode ser, dadas as circunstâncias, uma boa notícia. Mas 3,65% são suficientes para reduzir a pobreza no estado? Será que um crescimento de 3,65% é o bastante para absorver a mão de obra que ingressou no mercado?

Essas questões não devem ser encaradas como contestações aos números. A meu ver, são informações adicionais úteis para a formação de um juízo equilibrado. O governo, naturalmente, enfatiza o que é positivo para a sua imagem. Resta saber de que forma queremos encarar a realidade: como o fervor da emoção ou com a serenidade da inteligência.

leia tudo sobre

Publicidade

Um amálgama chamado Lula

Por Wanfil em Política

01 de Março de 2013

Lula é a nova síntese de uma tradição política capaz de conciliar o que parece inconciliável. É o Sarney do século 21. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Lula é a nova síntese de uma tradição política capaz de conciliar o que parece inconciliável. É o Sarney do século 21. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Dicionário Priberam: Amálgama [Figurado] – Junção de vários elementos.

Durante evento realizado pelo Partido dos Trabalhadores em Fortaleza na quinta-feira, a ex-prefeita Luizianne Lins (PT) declarou, diante do ex-presidente Lula, que seu maior erro político foi ter um dia confiado no ex-aliado Cid Gomes, do PSB.

O arroubo não teve efeito prático maior do que uma automassagem no ego dos que perderam as últimas eleições na capital cearense. Na prática, Cid e Luizianne, ainda que constrangidos, continuam no mesmo time: a base aliada do projeto de poder capitaneado por Lula.

Aliados circunstanciais

Chega a ser aborrecido falar sobre essas constantes e recentes trocas de farpas. Se existe uma aliança que nasceu condenada foi essa. Um lado nunca confiou no outro.

Descontadas as devidas diferenças de importância histórica, por mais de uma vez comparei essa parceria com o pacto Molotov-Ribbentrop, celebrado entre nazistas e comunistas no início da Segunda Guerra Mundial. Os dois lados tinham  inimigos e pontos comuns, mas o desejo de conquista de ambos fatalmente os faria romper. A questão sempre foi saber quem seria o primeiro a trair o aliado.

A eterna conciliação

No entanto, é preciso considerar um elemento intrinsecamente brasileiro nessa história. É a tradição de não levar um rompimento às últimas consequências, a eterna busca pelo consenso, deixando de lado qualquer princípio ou convicção. Essa é a nossa tradição política mais duradoura (essa tese é bem desenvolvida por Paulo Mercadante em A consciência conservadora no Brasil).

No século 20, talvez o maior expoente dessa característica nacional tenha sido o ex-presidente José Sarney. Nesse início do século 21, já é possível dizer que o ex-presidente Lula figura como síntese e emblema personificado desse modelo político, capaz de seduzir e reunir todo o tipo de gente, desde que isso sirva à manutenção do poder.

Isso não é criação ou exclusividade de Lula. Collor não quis dividir as benesses do poder com os donos do poder. Terminou expulso. Fernando Henrique Cardoso surgiu como uma inteligência capaz de enfraquecer esse processo histórico, mas fracassou. Sua base de apoio é a mesma de Dilma, descontada os partidos de esquerda. Lula então prometia um rompimento com as forças tradicionais da política que nunca aconteceu.

O novo que é o velho

A visita de Lula ao Ceará ressalta nossa infinita capacidade de conciliar o que parece inconciliável. Cid e Luizianne apenas repetem uma cena comum nos últimos anos: inimigos que engolem o próprio orgulho para se unirem em reverência ao líder do momento. Assim é que, divergências pontuais à parte, a base de Lula no Ceará é aliada direta de Renan Calheiros, Paulo Maluf, Carlos Lupi, José Dirceu, Collor de Mello, Jáder Barbalho, Romero Jucá, entre outros menos notórios. Podem até criticá-los, mas estão juntos.

Lula é o Sarney do século 21, com a força adicional do engajamento de setores ideologizados da sociedade civil.

Publicidade

Ação quer impedir construção de estátua de santa no Crato. Sou contra.

Por Wanfil em Ceará

01 de Março de 2013

Parece fácil traçar uma linha separando completamente Estado e religião. A moral religiosa está inserida até nas leis, e isso não é ruim.

Parece fácil traçar uma linha separando completamente Estado e religião, mas isso é uma ilusão. É que não existe sociedade laica.

Pelo Twitter perguntam o que penso da seguinte notícia: Ministério Público tenta impedir construção de monumento religioso com dinheiro público no Crato. Para quem é de fora, Crato fica na região sul do Ceará, conhecida como Cariri, e é vizinha à cidade de Juazeiro do Norte, conhecida pela romaria de devotos do padre Cícero, que nem santo é, mas que tem uma estátua de grande estatura.

Religião X Estado laico

Não vou me ater a questões de cunho jurídico ou administrativo eventualmente presentes no caso. Se existem pendências ou desconfianças sobre a lisura do empreendimento, que se faça rigorosa investigação. No entanto, a Procuradoria de Justiça, de acordo com notícia publicada no blog Polítika, entende que “o fato de ser utilizado recurso público para a construção de monumento com cunho religioso ‘lesa frontalmente’ o Estado Democrático de Direito”. Esse é o ponto que me interessa: a interpretação sobre o caráter do Estado laico. É uma questão delicada. Não faz muito tempo, quando um procurador quis retirar a expressão “Deus seja louvado” das cédulas de real, escrevi o post Estado laico é diferente de ateísmo oficial, cujo trecho reproduzo:

Com efeito, Estado laico é aquele que não permite que perseguições sejam feitas em nome de uma religião ou de uma crença. Essa concepção não corresponde a um suposto Estado ateu ou agnóstico, que nega, prescinde ou mesmo despreza a dimensão espiritual de seu povo. (…)  Sim, o Estado brasileiro é laico, não tem religião oficial, mas não renega a importância da religiosidade como traço inerente à cultura nacional.

Indo um pouco mais além, o Estado nem sequer obriga que as pessoas tenham religião, como já aconteceu no passado ou como acontece hoje em algumas teocracias orientais. A rigor, é impossível imaginar uma separação completa entre religião e o aparelho secular, pois estes estão umbilicalmente ligados. Praticamente todos os preceitos morais que norteiam a legislação possuem gênese nos códigos religiosos. Seria o caso de revogar a pretensão igualitária, conceito de inspiração cristã, de nossa Constituição?

Aspectos históricos, sócio-culturais e econômicos

Mas Wanfil, você está exagerando. Uma coisa é o aspecto filosófico de uma lei, outra é gastar dinheiro público com uma estátua de Nossa Senhora de Fátima. Certo, Vamos lá. Ninguém gosta de ver seus impostos aplicados em obras cujas justificativas que não lhes dizem respeito. Eu, por exemplo, não concordo com a realização da Copa no Brasil e não ando em estádios, mas mesmo assim patrocinei a construção do novo Castelão, em Fortaleza. Prevaleceram a vontade da maioria, o interesse econômico, incluindo aí o incremento do  fluxo turístico, e a questão cultural: futebol é a maior religião pagã do Brasil.

No Carnaval (festa da qual não gosto), dinheiro público financia desfiles que celebram personagens e crenças de religiões de origem africana. Seria o caso de vigiar o conteúdo dos enredos? O mesmo se dá com o Natal, quando as cidades se enfeitam. O que parece simples, como vemos, vai se complicando. O que vale, nessas ocasiões, é fazer do evento algo que seja de interesse geral, dentro das melhores práticas econômicas, sociais e administrativas. Leia mais

Publicidade

Ação quer impedir construção de estátua de santa no Crato. Sou contra.

Por Wanfil em Ceará

01 de Março de 2013

Parece fácil traçar uma linha separando completamente Estado e religião. A moral religiosa está inserida até nas leis, e isso não é ruim.

Parece fácil traçar uma linha separando completamente Estado e religião, mas isso é uma ilusão. É que não existe sociedade laica.

Pelo Twitter perguntam o que penso da seguinte notícia: Ministério Público tenta impedir construção de monumento religioso com dinheiro público no Crato. Para quem é de fora, Crato fica na região sul do Ceará, conhecida como Cariri, e é vizinha à cidade de Juazeiro do Norte, conhecida pela romaria de devotos do padre Cícero, que nem santo é, mas que tem uma estátua de grande estatura.

Religião X Estado laico

Não vou me ater a questões de cunho jurídico ou administrativo eventualmente presentes no caso. Se existem pendências ou desconfianças sobre a lisura do empreendimento, que se faça rigorosa investigação. No entanto, a Procuradoria de Justiça, de acordo com notícia publicada no blog Polítika, entende que “o fato de ser utilizado recurso público para a construção de monumento com cunho religioso ‘lesa frontalmente’ o Estado Democrático de Direito”. Esse é o ponto que me interessa: a interpretação sobre o caráter do Estado laico. É uma questão delicada. Não faz muito tempo, quando um procurador quis retirar a expressão “Deus seja louvado” das cédulas de real, escrevi o post Estado laico é diferente de ateísmo oficial, cujo trecho reproduzo:

Com efeito, Estado laico é aquele que não permite que perseguições sejam feitas em nome de uma religião ou de uma crença. Essa concepção não corresponde a um suposto Estado ateu ou agnóstico, que nega, prescinde ou mesmo despreza a dimensão espiritual de seu povo. (…)  Sim, o Estado brasileiro é laico, não tem religião oficial, mas não renega a importância da religiosidade como traço inerente à cultura nacional.

Indo um pouco mais além, o Estado nem sequer obriga que as pessoas tenham religião, como já aconteceu no passado ou como acontece hoje em algumas teocracias orientais. A rigor, é impossível imaginar uma separação completa entre religião e o aparelho secular, pois estes estão umbilicalmente ligados. Praticamente todos os preceitos morais que norteiam a legislação possuem gênese nos códigos religiosos. Seria o caso de revogar a pretensão igualitária, conceito de inspiração cristã, de nossa Constituição?

Aspectos históricos, sócio-culturais e econômicos

Mas Wanfil, você está exagerando. Uma coisa é o aspecto filosófico de uma lei, outra é gastar dinheiro público com uma estátua de Nossa Senhora de Fátima. Certo, Vamos lá. Ninguém gosta de ver seus impostos aplicados em obras cujas justificativas que não lhes dizem respeito. Eu, por exemplo, não concordo com a realização da Copa no Brasil e não ando em estádios, mas mesmo assim patrocinei a construção do novo Castelão, em Fortaleza. Prevaleceram a vontade da maioria, o interesse econômico, incluindo aí o incremento do  fluxo turístico, e a questão cultural: futebol é a maior religião pagã do Brasil.

No Carnaval (festa da qual não gosto), dinheiro público financia desfiles que celebram personagens e crenças de religiões de origem africana. Seria o caso de vigiar o conteúdo dos enredos? O mesmo se dá com o Natal, quando as cidades se enfeitam. O que parece simples, como vemos, vai se complicando. O que vale, nessas ocasiões, é fazer do evento algo que seja de interesse geral, dentro das melhores práticas econômicas, sociais e administrativas. (mais…)