07/03/2013 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

07/03/2013

Racha no PSB: Cid Gomes nega o pecado, mas revela a origem da tentação

Por Wanfil em Política

07 de Março de 2013

Cid Gomes “Eu disse à Dilma e ao Lula que não sou quinta coluna”. Precisa explicar mais? – Foto: Arquivo Jangadeiro

Cid Gomes “Eu disse à Dilma e ao Lula que não sou quinta coluna”. Precisa explicar mais? – Foto: Arquivo Jangadeiro

O governador Cid Gomes negou estar agindo para sabotar uma possível candidatura do governador pernambucano Eduardo Campos à Presidência da República pelo PSB. A notícia foi publicada no site da Folha de São Paulo, em entrevista concedida aos jornalistas após evento em Brasília, na quarta-feira (6).

Imagem, imprensa e processo político

“Quem achar que eu sou quinta coluna, que eu estou querendo sabotar o meu partido, querendo sabotar o presidente do meu partido, está redondamente enganado, vai quebrar a cara. Eu estarei com o meu partido.” O propósito dessas palavras é evidente: tentar impedir que uma imagem negativa se consolide. O fato é que a impressão que se dissemina é a de que Cid e Ciro fazem justamente isso que o governador nega categoricamente (quem confessaria?). As interpretações sobre os motivos variam, desde uma vingança contra a sabotagem que o próprio Eduardo Campos fez contra a candidatura presidencial de Ciro Gomes em 2010 até uma possível negociação de cargos com a presidente Dilma.

De resto, isso é notório, existe uma disposição da imprensa nacional à crítica quando a notícia envolve o ex-ministro Ciro Gomes. É algo que só encontra paralelo, por contraste, com a disposição da imprensa cearense em evitar essas críticas. Anotada essa característica, temos a transformação de uma disputa interna no PSB, algo normal nas democracias, em uma traição às pretensões do pernambucano. Ninguém é obrigado a aceitar uma candidatura até que esta seja homologada em convenção partidária. Hilary Clinton disputou prévias com Obama em 2008 com duras críticas ao adversário interno e ninguém viu nisso sabotagem, porque, com efeito, é algo normal.

Cid e Ciro não concordam com a candidatura de Eduardo Campos. E não fazem isso às escondidas. Pior seria se os dois se dissessem aliados incondicionais do correligionário e depois, em surdina, trabalhassem contra ele. Aí sim caberia a figura da sabotagem. Por enquanto, temos um processo político legítimo.

A origem

Cid nega o pecado da traição. No entanto, uma passagem da entrevista é reveladora, demasiadamente reveladora, e mostra que a tentação existe e tem origem certa. “Eu já disse a ela [Dilma] e ao Lula, eu não sou quinta coluna.” Não há outra conclusão possível: Dilma e Lula, ou melhor, Lula e Dilma sondaram a possibilidade de Cid trabalhar deliberadamente contra o próprio partido em favor da candidatura da petista à reeleição. Quem precisa anunciar aos aliados que não é traidor? Ora, quem foi tentado a trair.

Quem sabota Eduardo Campos para 2014 é a mesma pessoa que sabotou Ciro Gomes em 2010: Luís Inácio Lula da Silva.

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Racha no PSB: Cid Gomes nega o pecado, mas revela a origem da tentação

Por Wanfil em Política

07 de Março de 2013

Cid Gomes “Eu disse à Dilma e ao Lula que não sou quinta coluna”. Precisa explicar mais? – Foto: Arquivo Jangadeiro

Cid Gomes “Eu disse à Dilma e ao Lula que não sou quinta coluna”. Precisa explicar mais? – Foto: Arquivo Jangadeiro

O governador Cid Gomes negou estar agindo para sabotar uma possível candidatura do governador pernambucano Eduardo Campos à Presidência da República pelo PSB. A notícia foi publicada no site da Folha de São Paulo, em entrevista concedida aos jornalistas após evento em Brasília, na quarta-feira (6).

Imagem, imprensa e processo político

“Quem achar que eu sou quinta coluna, que eu estou querendo sabotar o meu partido, querendo sabotar o presidente do meu partido, está redondamente enganado, vai quebrar a cara. Eu estarei com o meu partido.” O propósito dessas palavras é evidente: tentar impedir que uma imagem negativa se consolide. O fato é que a impressão que se dissemina é a de que Cid e Ciro fazem justamente isso que o governador nega categoricamente (quem confessaria?). As interpretações sobre os motivos variam, desde uma vingança contra a sabotagem que o próprio Eduardo Campos fez contra a candidatura presidencial de Ciro Gomes em 2010 até uma possível negociação de cargos com a presidente Dilma.

De resto, isso é notório, existe uma disposição da imprensa nacional à crítica quando a notícia envolve o ex-ministro Ciro Gomes. É algo que só encontra paralelo, por contraste, com a disposição da imprensa cearense em evitar essas críticas. Anotada essa característica, temos a transformação de uma disputa interna no PSB, algo normal nas democracias, em uma traição às pretensões do pernambucano. Ninguém é obrigado a aceitar uma candidatura até que esta seja homologada em convenção partidária. Hilary Clinton disputou prévias com Obama em 2008 com duras críticas ao adversário interno e ninguém viu nisso sabotagem, porque, com efeito, é algo normal.

Cid e Ciro não concordam com a candidatura de Eduardo Campos. E não fazem isso às escondidas. Pior seria se os dois se dissessem aliados incondicionais do correligionário e depois, em surdina, trabalhassem contra ele. Aí sim caberia a figura da sabotagem. Por enquanto, temos um processo político legítimo.

A origem

Cid nega o pecado da traição. No entanto, uma passagem da entrevista é reveladora, demasiadamente reveladora, e mostra que a tentação existe e tem origem certa. “Eu já disse a ela [Dilma] e ao Lula, eu não sou quinta coluna.” Não há outra conclusão possível: Dilma e Lula, ou melhor, Lula e Dilma sondaram a possibilidade de Cid trabalhar deliberadamente contra o próprio partido em favor da candidatura da petista à reeleição. Quem precisa anunciar aos aliados que não é traidor? Ora, quem foi tentado a trair.

Quem sabota Eduardo Campos para 2014 é a mesma pessoa que sabotou Ciro Gomes em 2010: Luís Inácio Lula da Silva.