18/02/2013 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

18/02/2013

Hospital de Sobral ou Hospital de Sucupira?

Por Wanfil em Ceará

18 de Fevereiro de 2013

Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo): "Esta obra entrará para os anais e menstruais de Sucupira e do país"

Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo): “Esta obra entrará para os anais e menstruais de Sucupira e do país”

É incrível a quantidade de notícias negativas envolvendo o Hospital Regional Norte, recentemente inaugurado em Sobral, aqui no Ceará. Impressiona com o agravante de que, em tese, obras assim deveriam render uma imagem positiva para o estado. A ideia de hospitais de maior porte no interior é mais do que necessária e oportuna, em função das superlotações nas capitais. No entanto, uma sucessão de constrangimentos e erros conseguiu ofuscar o aspecto positivo da iniciativa.

Primeiro, como se fosse uma obra de Odorico Paraguassú, prefeito da fictícia Sucupira na obra O Bem Amado, do dramaturgo Dias Gomes, o hospital foi inaugurado no dia 18 de janeiro, sem condições de funcionar. É que faltam ainda equipamentos e mão de obra especializada.

Segundo, além da injustificada inauguração, a obra ficou nacionalmente marcada pela polêmica em torno do cachê pago à cantora Ivete Sangalo: R$ 650 mil por uma apresentação, não obstante a seca que castiga o Nordeste. O governador Cid Gomes chegou a classificar o procurador-geral do Ministério Público de Contas, que pediu a devolução do dinheiro aos cofres públicos, de “rapazinho” que “gosta de aparecer, aumentando o desconforto gerado pelo caso.

Terceiro, na sequência de fatos inusitados envolvendo o hospital, o desabamento de uma marquise do prédio “inaugurado” um mês antes. Felizmente, apenas uma pessoa se feriu, uma vez que, ironicamente, não há movimento de pacientes e acompanhantes no local que, presume-se, uma vez inaugurado com pompa e circunstância, deveria estar repleto de paciantes e acompanhantes. A vítima foi socorrida na Santa Casa de Misericórdia de Sobral.

Decepções e desconfiança

Ninguém pode acusar o governo estadual de não querer acertar. No entanto, o marketing de espetáculos e luxo não faz acompanhar de resultados satisfatórios. Foi assim com o Programa Ronda do Quarteirão e as viaturas Hilux, tem sido assim com o Hospital de Sobral. Esse descompasso entre o anunciado e o que efetivamente é entregue, com o tempo, gera desconfiança. Como diz o ditado, as decepções são inversamente proporcionais às expectativas geradas.

O pior é que na maioria dos casos, as frustrações poderiam ser evitadas se uma postura mais sóbria e comedida fosse adotada. Afinal, o que é bom, por si só se divulga.

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Hospital de Sobral ou Hospital de Sucupira?

Por Wanfil em Ceará

18 de Fevereiro de 2013

Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo): "Esta obra entrará para os anais e menstruais de Sucupira e do país"

Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo): “Esta obra entrará para os anais e menstruais de Sucupira e do país”

É incrível a quantidade de notícias negativas envolvendo o Hospital Regional Norte, recentemente inaugurado em Sobral, aqui no Ceará. Impressiona com o agravante de que, em tese, obras assim deveriam render uma imagem positiva para o estado. A ideia de hospitais de maior porte no interior é mais do que necessária e oportuna, em função das superlotações nas capitais. No entanto, uma sucessão de constrangimentos e erros conseguiu ofuscar o aspecto positivo da iniciativa.

Primeiro, como se fosse uma obra de Odorico Paraguassú, prefeito da fictícia Sucupira na obra O Bem Amado, do dramaturgo Dias Gomes, o hospital foi inaugurado no dia 18 de janeiro, sem condições de funcionar. É que faltam ainda equipamentos e mão de obra especializada.

Segundo, além da injustificada inauguração, a obra ficou nacionalmente marcada pela polêmica em torno do cachê pago à cantora Ivete Sangalo: R$ 650 mil por uma apresentação, não obstante a seca que castiga o Nordeste. O governador Cid Gomes chegou a classificar o procurador-geral do Ministério Público de Contas, que pediu a devolução do dinheiro aos cofres públicos, de “rapazinho” que “gosta de aparecer, aumentando o desconforto gerado pelo caso.

Terceiro, na sequência de fatos inusitados envolvendo o hospital, o desabamento de uma marquise do prédio “inaugurado” um mês antes. Felizmente, apenas uma pessoa se feriu, uma vez que, ironicamente, não há movimento de pacientes e acompanhantes no local que, presume-se, uma vez inaugurado com pompa e circunstância, deveria estar repleto de paciantes e acompanhantes. A vítima foi socorrida na Santa Casa de Misericórdia de Sobral.

Decepções e desconfiança

Ninguém pode acusar o governo estadual de não querer acertar. No entanto, o marketing de espetáculos e luxo não faz acompanhar de resultados satisfatórios. Foi assim com o Programa Ronda do Quarteirão e as viaturas Hilux, tem sido assim com o Hospital de Sobral. Esse descompasso entre o anunciado e o que efetivamente é entregue, com o tempo, gera desconfiança. Como diz o ditado, as decepções são inversamente proporcionais às expectativas geradas.

O pior é que na maioria dos casos, as frustrações poderiam ser evitadas se uma postura mais sóbria e comedida fosse adotada. Afinal, o que é bom, por si só se divulga.