01/02/2013 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

01/02/2013

Renan Calheiros na luta contra o preconceito

Por Wanfil em Política

01 de Fevereiro de 2013

Retorno triunfante: Renan Calheiros comemora eleição para a Presidência do Senado. Foto: Antonio Cruz/ABr

Renan Calheiros comemora eleição para a Presidência do Senado. Foto: Antonio Cruz/ABr

O senador Renan Calheiros, que dispensa apresentações, foi eleito – com folga – presidente do Senado Federal. No entanto, há um clima de constrangimento no ar, como se o alagoano fosse o primeiro político sem escrúpulos a ocupar cargo de tamanha importância. Não é, claro. Basta dizer que ele sucede a José Sarney. Qual a novidade?

Os mais pudicos poderão objetar: Wanfil, a diferença é que a presença de Renan não salva nem mesmo as aparências do decoro, uma vez que ele já renunciou para não ser cassado. Ora, eu respondo que essa talvez seja a virtude da eleição de Calheiros.

A política no Brasil é isso, uma atividade que afasta os homens sérios e atrai os de caráter duvidoso. Renan é o desprezo pelas aparências hipócritas, é a nossa alma política sem maquiagens. É a celebração das habilidades mais valorizadas no trato das questões de interesse público, como a capacidade de atiçar interesses e direcioná-los aos interesses de qualquer governo.

Rejeitar Renan na condição de presidente do Senado é preconceito contra políticos que, mesmo enrolados, não desistem de ocupar seus espaços sendo o que são. Ele é o homem certo no lugar certo, é o governista profissional, o craque dos arranjos espertos, da sedução do poder, dos favores especiais, da manipulação de vaidades. Renan Calheiros é o tipo que saiu do armário. “Fui pego, mas não fujo”.  Destemido, infla o peito e diz: “Vocês vão ter que me engolir”.

Quantos Renans enrustidos não andam por aí, eminências pardas que vivem nas sombras por temerem os jornais? Onde estão os responsáveis pelos escândalos dos banheiros fantasmas, no Ceará? O que aconteceu com a turma dos consignados? Andam por aí, ocupando cargos públicos, mas silenciosos, chateados por serem importunados, quando apenas fizeram o que tantos outros fazem. Esses agora podem inspirar-se em Renan Calheiros!

Renan Calheiros é um basta no furor moralizante do julgamento do mensalão. “Aqui, não!”. Renan Calheiros é a redenção de quem andava preocupado com os limites morais da opinião pública.

O pior é que nós todos somos um pouco Renan. Sim. Os Renans são eleitos, e no poder, se associam entre si e ao presidente da República. Como se dessem um grito de liberadade, os senadores eleitos por nós elegeram Renan Calheiros a quintenssência da legislatura no Senado.

Deixemos o preconceito de lado e aceitemos a nossa condição de povo que se submete aos caprichos de gente como o senador Renan Calheiros, o nosso perfeito espelho. É assim que somos enquanto nação.  Parafraseando a propaganda do governo federal: Brasil, um país de todos; Brasil, uma país de Renans. Finalmente assumimos a nossa decadência.

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Renan Calheiros na luta contra o preconceito

Por Wanfil em Política

01 de Fevereiro de 2013

Retorno triunfante: Renan Calheiros comemora eleição para a Presidência do Senado. Foto: Antonio Cruz/ABr

Renan Calheiros comemora eleição para a Presidência do Senado. Foto: Antonio Cruz/ABr

O senador Renan Calheiros, que dispensa apresentações, foi eleito – com folga – presidente do Senado Federal. No entanto, há um clima de constrangimento no ar, como se o alagoano fosse o primeiro político sem escrúpulos a ocupar cargo de tamanha importância. Não é, claro. Basta dizer que ele sucede a José Sarney. Qual a novidade?

Os mais pudicos poderão objetar: Wanfil, a diferença é que a presença de Renan não salva nem mesmo as aparências do decoro, uma vez que ele já renunciou para não ser cassado. Ora, eu respondo que essa talvez seja a virtude da eleição de Calheiros.

A política no Brasil é isso, uma atividade que afasta os homens sérios e atrai os de caráter duvidoso. Renan é o desprezo pelas aparências hipócritas, é a nossa alma política sem maquiagens. É a celebração das habilidades mais valorizadas no trato das questões de interesse público, como a capacidade de atiçar interesses e direcioná-los aos interesses de qualquer governo.

Rejeitar Renan na condição de presidente do Senado é preconceito contra políticos que, mesmo enrolados, não desistem de ocupar seus espaços sendo o que são. Ele é o homem certo no lugar certo, é o governista profissional, o craque dos arranjos espertos, da sedução do poder, dos favores especiais, da manipulação de vaidades. Renan Calheiros é o tipo que saiu do armário. “Fui pego, mas não fujo”.  Destemido, infla o peito e diz: “Vocês vão ter que me engolir”.

Quantos Renans enrustidos não andam por aí, eminências pardas que vivem nas sombras por temerem os jornais? Onde estão os responsáveis pelos escândalos dos banheiros fantasmas, no Ceará? O que aconteceu com a turma dos consignados? Andam por aí, ocupando cargos públicos, mas silenciosos, chateados por serem importunados, quando apenas fizeram o que tantos outros fazem. Esses agora podem inspirar-se em Renan Calheiros!

Renan Calheiros é um basta no furor moralizante do julgamento do mensalão. “Aqui, não!”. Renan Calheiros é a redenção de quem andava preocupado com os limites morais da opinião pública.

O pior é que nós todos somos um pouco Renan. Sim. Os Renans são eleitos, e no poder, se associam entre si e ao presidente da República. Como se dessem um grito de liberadade, os senadores eleitos por nós elegeram Renan Calheiros a quintenssência da legislatura no Senado.

Deixemos o preconceito de lado e aceitemos a nossa condição de povo que se submete aos caprichos de gente como o senador Renan Calheiros, o nosso perfeito espelho. É assim que somos enquanto nação.  Parafraseando a propaganda do governo federal: Brasil, um país de todos; Brasil, uma país de Renans. Finalmente assumimos a nossa decadência.