Fevereiro 2013 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Fevereiro 2013

Os Ferreira Gomes no teatro presidencial de 2014

Por Wanfil em Eleições 2014

28 de Fevereiro de 2013

As forças políticas que pretendem disputar a Presidência da República em 2014 já começaram a encenar publicamente o que foi ensaiado nos bastidores dos seus interesses de grupo. Abrem-se as cortinas para o teatro eleitoral. Os primeiros cenários, figurinos e diálogos começam a ser apresentados ao distinto público, mais especificamente, nesse início, aos distintos aliados e financiadores de campanha.

O drama (ou seria comédia? ) que se desenrola é protagonizado por  Marina Silva (Rede Sustentabilidade), Eduardo Campos (PSB), Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT). Mas existe o elenco de apoio. É nesse grupo que o governador Cid Ferreira Gomes e o ex-ministro Ciro Ferreira Gomes atuam. E apesar de serem do PSB, ao que tudo indica, atuam para fazer brilhar o roteiro da  presidente Dilma Rousseff, que disputa a reeleição. Trata-se de uma aposta, pois política (e eleição), além da arte de representar, também é jogo. Vejamos os atos apresentados recentemente nos palcos da política:

ATO I – A DISSIDÊNCIA
Eduardo Campos como alvo

No dia 24 de fevereiro Ciro Gomes diz em entrevista que o governador de Pernambuco e seu correligionário, Eduardo Campos, assim como Marina Silva e Aécio Neves, não estaria preparado para governar o Brasil. No dia seguinte, Campos rebate dizendo que Ciro é voz isolada no PSB.

Está em curso a construção de um discurso de apoio para a candidata Dilma e a tentativa de fragilizar a candidatura do PSB. Só ela, por dedução lógica a partir do raciocínio de Ciro, estaria preparada para o cargo. Cid, por sua vez, respondea Eduardo Campos dizendo que pode sair do PSB caso haja imposição de uma candidatura própria. Campos, que em 2010 atuou para impedir a candidatura de Ciro, fica na delicada situação de ter que tratar de uma dissidência interna em sua sigla, posição que sugere fragilidade perante financiadores. Para o público, se ele não consegue unir o próprio partido, dificilmente terá força para vencer.

ATO II – A PROMESSA
A volta da refinaria

Dois dias após as declarações de Ciro, o governador Cid Gomes é recebido pela presidente/candidata Dilma. Em seguida, Cid resgata a antiga promessa de construção de uma refinaria da Petrobras no Ceará, apesar de todas as dificuldades financeiras da empresa. Segundo o governador, uma parceria com chineses ou coreanos (falta combinar com eles?) possibilitaria o empreendimento. Se Cid e Ciro, no fundo do coração, realmente acreditam nisso, só eles podem dizer. É mais plausível acreditar que a dupla atua pensando na sobrevivência política de seu próprio grupo, historicamente pouco afeito a compromissos partidários.

De todo modo, a sincronia entre as datas e o apelo eleitoral de uma promessa que há anos gera expectativas concorrem para reforçar a percepção de que há nesses acontecimentos muito mais do que mera coincidência. No plano simbólico, reforça a posição de Cid Gomes como interlocutor preferido de Dilma junto ao PSB. Os demais governadores da sigla percebem que essa é a postura mais adequada para encaminhar seus pleitos junto ao governo federal.

ATO III – O CHEFE
Lula entra em cena

Quatro dias após as declarações de Ciro e 48 horas depois do encontro de Cid e Dilma, o PT realiza em Fortaleza um seminário com a presença do ex-presidente Lula, cujo título denota notório sentido eleitoral: “O Decênio que mudou o Brasil”. A ideia subjacente é comparar o governo petista com o governo tucano, reforçando a estratégia utilizada nas duas eleições de Lula e na de Dilma, que é a de polarizar a disputa entre dois candidatos já no primeiro turno.

Mais uma vez é possível ver que a peça apresenta alegorias de valor simbólico. A escolha da capital cearense como a primeira das dez onde o seminário será realizado, logo após a sucessão de notícias que mostram o engajamento de Ciro e Cid com o projeto nacional do PT, é mais um recado aos adversários que desejam polarizar a campanha: a prioridade agora são os aliados de 2014.

FINAL – …
Reticências para 2014

“As reticências são os três primeiros passos do pensamento que continua por conta própria o seu caminho”, já dizia Mário Quintana. É isso aí. Não dá para prever o final desse teatro, afinal, muita coisa pode mudar. A crítica, nesse caso, pode avaliar apenas o momento, pois esse é um roteiro que ainda está sendo escrito a muitas mãos. Antecipar o resultado é torcida. Esse é um capítulo que será concluído apenas em 2014.

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Comissões da Verdade no Ceará e uma verdade incômoda

Por Wanfil em História

27 de Fevereiro de 2013

Revisões da história necessitam de objetividade e transparência, para evitar distorções que embaçam a mente.

Revisões da história necessitam de objetividade e transparência, para evitar distorções que embaçam a mente.

Será instalada nesta quarta-feira (27) a Comissão da Verdade dos Jornalistas do Ceará, com a missão de investigar crimes cometidos contra integrantes da categoria durante a ditadura militar, entre 1964 e 1985. Já existem comissões semelhantes por todo o Brasil. Aqui mesmo no Ceará temos a Comissão Especial de Anistia Wanda Sidou. Muito provavelmente, jornalistas já foram indenizados pela comissão mais antiga, sendo desnecessário mais pagamentos feitos pela nova entidade. No entanto, não quero aqui me ater a essas particularidades, mas ao espírito que emana dessas iniciativas como um todo e do risco de distorções históricas.

A anistia

Para que a transição do regime autoritário para o democrático se desse em ambiente de estabilidade política, em 1979 foi promulgada a Lei da Anistia, de caráter geral, amplo e irrestrito, perdoando todos os que “cometeram crimes políticos ou conexo com estes”. No período, muitos crimes comuns e hediondos foram perpetrados em nome de princípios políticos, tanto pelos agentes da ditadura como por guerrilheiros que viam no combate ao governo militar a oportunidade para um novo golpe, com sinal ideológico invertido. Existiam, claro, militares que não cometeram crimes e democratas que combateram o regime de forma pacífica, arriscando apenas a própria vida.

Com o passar do tempo, a anistia passou a ser vista por alguns grupos engajados como sinônimo de impunidade. Uma vez que a lei não foi revogada, a solução para atender o natural pedido de justiça de parentes de vítimas da ditadura foi a criar comissões que pudessem, pelo menos, compensar com indenizações o sofrimento dos que foram perseguidos pelo estado.

Dilema

A questão é que existe um dilema pouco debatido, encoberto por uma fantasia ideológica que intenta a uma construção histórica. Se por um lado o estado é moralmente reconhecido como responsável pelos crimes que cometeu – o que é justo -, por outro, aqueles que pereceram e foram perseguidos pelos grupos revolucionários não têm a quem pedir justiça ou reparação. Oficialmente, são crimes sem reconhecimento, sem autores, só com vítimas.

Temos assim uma revisão capenga, que pende desequilibrada para um lado. Não por acaso, essas comissões estão apinhadas de filiados a partidos de esquerda e de simpatizante de guerrilhas totalitaristas, imbuídos do desejo mal disfarçado de acertar contas com os inimigos do passado.

Tudo seria simples se apenas militares e agentes do governo fossem maus e tivessem cometidos violações em nome de uma causa: a própria ditadura. Acontece que militantes de esquerda também cometeram crimes como roubo, sequestro, tortura e assassinato, só que em nome de outra causa: a revolução comunista para instaurar a ditadura do proletariado. Aliás, o movimento revolucionário armado no Brasil começou antes de 64, e não como reação ao golpe (ver Combate nas Trevas, do marxista-leninista Jacob Gorender).

Esses grupos radicais se inspiravam em ditaduras estrangeiras, como a soviética (alguns eram patrocinados por Moscou – ver Camaradas, de William Waack). Portanto, não é correto imaginar que toda luta contra a ditadura foi uma luta pela democracia. Essa ideia é uma impostura que busca construir mitos e apagar fatos.

Como um dos ideais da democracia é a igualdade de todos perante a lei, não é possível que crimes cometidos por um lado, ainda que seja o mais forte, sejam punidos, enquanto os cometidos pelo outro lado fiquem impunes ou, no mínimo, sem reconhecimento oficial. Essa é uma verdade que incomoda.

Justiça ou revanche?

No Ceará há um caso que bem ilustra essa dificuldade em separar o preto do branco quando tudo é cinza. Em 29 de agosto de 1970, o empresário José Armando Rodrigues foi assaltado, sequestrado, torturado e morto a tiros por membros da Ação Libertadora Nacional (ALN). Seu corpo foi jogado num precipício na serra de Ibiapaba, no município de São Benedito. Seus autores, muitos ainda vivos, assim como os militares da época envolvidos com crimes, foram anistiados.

Evidentemente, esse caso não justifica a ditadura ou invalida as indenizações pagas pelas comissões. Também não se trata de escolher um lado entre os radicais de direita e os radicais de esquerda, pois isso seria incorrer no erro que aqui se aponta. Serve mesmo para ilustrar que o maniqueísmo é inadequado para a investigação histórica desse período, pois limita o processo de revisão. O ideal é que essas comissões sejam compostas por pessoas que não ajam motivadas por paixões ideológicas e que não as usem para reescrever a biografia de gente que, apesar de perseguida pela ditadura, também cometeu crimes imperdoáveis, ignorando o sofrimento de suas vítimas. Se não for assim, a busca pela justiça termina em simples revanche.

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Caso Corinthians: Bolívia mostra ao Brasil como tratar marginais das torcidas de futebol

Por Wanfil em Internacional

23 de Fevereiro de 2013

A Justiça boliviana decretou a prisão de 12 torcedores do Corinthians, acusados pela morte de um jovem de 14 anos durante uma partida de futebol na última quarta-feira (20), atingido por um sinalizador. Dois torcedores brasileiros são suspeitos de ter disparado contra o rapaz e os outros dez estão presos como cúmplices do assassinato.

A que ponto chegamos. Nossas instituições andam de tal forma degradadas que até a Bolívia nos dá aula. Por que até a Bolívia? Ora, é um país de baixa escolaridade, bem mais pobre do que o Brasil e politicamente instável, especialmente após a eleição do cocaleiro Evo Morales. Diferenças econômicas e políticas à parte, o fato é que os bolivianos não titubearam. Identificaram de onde saiu o disparo, prenderam os suspeitos no ato, e após um pedido do Ministério Público, decretaram a prisão preventiva dos acusados. O recado é claro: uma morte não pode ficar impune. Leia mais

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O sobe e desce no preço da passagem de ônibus em Fortaleza: e o custo da demagogia

Por Wanfil em Fortaleza

20 de Fevereiro de 2013

Não é o valor nomimal da passagem de ônibus em Fortaleza que está em jogo, mas seu valor como peça de propaganda política.

Nunca antes na história do Ceará, o aumento de 20 centavos no preço de um serviço público gerou tamanha confusão. O valor das passagens de ônibus em Fortaleza oscila entre R$ 2,00 e R$ 2,20, ao sabor de seguidas decisões judiciais. As leis de mercado e o bom senso foram substituídos pela burocracia dos trâmites jurídicos e pelo oportunismo da demagogia política.

Valor simbólico

Na capital cearense, o serviço adquiriu valor simbólico como peça de propaganda para a administração da ex-prefeita Luizianne Lins. Carente de realizações e com baixa aprovação popular, a gestão fez da tarifa uma bandeira: seria a menor do Brasil. A mensagem, de inspiração populista, era clara. Os preços deveriam ser regulados conforme a vontade política da prefeita. Não era uma convicção, mas uma conveniência, como hoje se constata.

Foi também explorada a versão de que a redução artificial do preço das passagens era produto da harmoniosa parceria entre entre Luizianne e Cid Gomes, via desconto no ICMS cobrado para as empresas de ônibus, que à época, aceitaram a manipulação política sem reclamar. Todos ganhavam.

Do ponto de vista eleitoral, o truque deu certo e a prefeita foi reeleita, mantendo o apoio para a reeleição do governador. Quites na seara das campanhas, os dois brigaram e o resto todos sabem. A pressão dos custos bateu à porta das empresas que agora se valem da Justiça.

O populismo fiscal como herança

Sem conseguir fazer o sucessor, Luizianne Lins, por ressentimento com o eleitor ou por algum pragmatismo enigmático e oportuno (ou pelos dois motivos), não recorreu de uma ação do sindicato das empresas de ônibus, que pedia o reajuste das passagens. O aumento, no entanto, entraria em vigor quase no início do governo do novo prefeito Roberto Cláudio. Este, por algum estranho motivo (desgastar ainda mais a ex-prefeita, evitar um possível ônus político, quem sabe…), optou por fazer da questão um cavalo de batalha. Leia mais

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Hospital de Sobral ou Hospital de Sucupira?

Por Wanfil em Ceará

18 de Fevereiro de 2013

Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo): "Esta obra entrará para os anais e menstruais de Sucupira e do país"

Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo): “Esta obra entrará para os anais e menstruais de Sucupira e do país”

É incrível a quantidade de notícias negativas envolvendo o Hospital Regional Norte, recentemente inaugurado em Sobral, aqui no Ceará. Impressiona com o agravante de que, em tese, obras assim deveriam render uma imagem positiva para o estado. A ideia de hospitais de maior porte no interior é mais do que necessária e oportuna, em função das superlotações nas capitais. No entanto, uma sucessão de constrangimentos e erros conseguiu ofuscar o aspecto positivo da iniciativa.

Primeiro, como se fosse uma obra de Odorico Paraguassú, prefeito da fictícia Sucupira na obra O Bem Amado, do dramaturgo Dias Gomes, o hospital foi inaugurado no dia 18 de janeiro, sem condições de funcionar. É que faltam ainda equipamentos e mão de obra especializada.

Segundo, além da injustificada inauguração, a obra ficou nacionalmente marcada pela polêmica em torno do cachê pago à cantora Ivete Sangalo: R$ 650 mil por uma apresentação, não obstante a seca que castiga o Nordeste. O governador Cid Gomes chegou a classificar o procurador-geral do Ministério Público de Contas, que pediu a devolução do dinheiro aos cofres públicos, de “rapazinho” que “gosta de aparecer, aumentando o desconforto gerado pelo caso.

Terceiro, na sequência de fatos inusitados envolvendo o hospital, o desabamento de uma marquise do prédio “inaugurado” um mês antes. Felizmente, apenas uma pessoa se feriu, uma vez que, ironicamente, não há movimento de pacientes e acompanhantes no local que, presume-se, uma vez inaugurado com pompa e circunstância, deveria estar repleto de paciantes e acompanhantes. A vítima foi socorrida na Santa Casa de Misericórdia de Sobral.

Decepções e desconfiança

Ninguém pode acusar o governo estadual de não querer acertar. No entanto, o marketing de espetáculos e luxo não faz acompanhar de resultados satisfatórios. Foi assim com o Programa Ronda do Quarteirão e as viaturas Hilux, tem sido assim com o Hospital de Sobral. Esse descompasso entre o anunciado e o que efetivamente é entregue, com o tempo, gera desconfiança. Como diz o ditado, as decepções são inversamente proporcionais às expectativas geradas.

O pior é que na maioria dos casos, as frustrações poderiam ser evitadas se uma postura mais sóbria e comedida fosse adotada. Afinal, o que é bom, por si só se divulga.

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Depois do Carnaval, hora de trabalhar

Por Wanfil em Política

15 de Fevereiro de 2013

"Mas, agora que o Carnaval passou, que vamos fazer de tantos quilos de miçangas...? Mas os homens gostam de ilusão...

Cecília Meireles: “Mas, agora que o Carnaval passou, que vamos fazer de tantos quilos de miçangas…? Mas os homens gostam de ilusão…”

O Carnaval terminou e o ano, como se diz por aí, agora começa de verdade. Para os brasileiros comuns, o ano começou faz tempo. Mas para outros, como os nossos parlamentares, as coisas ainda estão por começar. E trabalho não falta. É que as demandas e os problemas não tiram férias nem entram em recesso. Vejamos como estão as coisas!

Sem efeito prático

A bancada federal do Ceará em Brasília ainda não disse a que veio, passados mais de dois anos da atual legislatura. Sofremos com a seca e a Transposição do Rio São Francisco, que deveria ter sido concluída no ano passado, se arrasta sem previsão certa, por causa de atrasos indesculpáveis e irregularidades criminosas. Mesmo assim, ninguém faz nada. Onde estão senadores e deputados federais que nas eleições souberam pedir votos para si e para a presidente Dilma?

Já a Assembleia Legislativa do Ceará, anda parada, preocupada em salvar o deputado Carlomano Marques de uma cassação determinada pela Justiça eleitoral! Enquanto o espírito corporativista mobiliza os deputados estaduais em defesa do colega em apuros, outras questões ficam de lado. Afinal, por exemplo, onde foi parar o dinheiro desviado no caso do escândalo dos banheiros? Ninguém será obrigado a devolver um centavo?

Na Câmara Municipal de Fortaleza, a polêmica sobre a construção de um empreendimento em área de proteção ambiental faz parecer que a cidade se resume à região do Cocó. A equipe do prefeito Roberto Cláudio denunciou supostos desvios de dinheiro público na área da saúde. E o que fizeram os vereadores? Até agora, nada. Eles são os fiscais do município! Por que o líder do governo na Câmara não propõe uma CPI para tirar essa história a limpo?

Ilusão e realidade

Na famosa crônica Depois do Carnaval, a escritora Cecília Meireles diz: “Agora que o Carnaval passou, que vamos fazer de tantos quilos de miçangas, de tantos olhos faraônicos, de tantas coroas superpostas, de tantas plumas, leques, sombrinhas…? (…) Mas os homens gostam da ilusão. E já vão preparar o próximo Carnaval…”.

Festa é bom, claro. Mas tudo demais é veneno. É hora de trabalhar! Mas os homens gostam da ilusão. E já preparam as copas e as próximas festas…

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A fugaz alegria do Carnaval

Por Wanfil em Cultura

09 de Fevereiro de 2013

Carnaval, 1970, óleo sobre tela, de Di Cavacanti.

Carnaval, 1970, óleo sobre tela –  Di Cavacanti

Qual o significado do Carnaval? A resposta, evidentemente, pode assumir formas distintas, dependendo dos aspectos histórico-culturais do lugar, da religião, idade e personalidade das pessoas, e infinitas outras variáveis individuais ou de grupo.

O certo é que, diferenças à parte, o Carnaval é a maior festa popular do país, capaz de mobilizar atenções e recursos, fazendo que tudo o mais se torne secundário nesse período.

Existem ainda as explicações didáticas, que remetem às origens europeias ou pagãs da festa, posteriormente adaptadas a preceitos religiosos diversos. Mas o Carnaval, na prática, possui características bem mais imediatas, que ignoram toda essa teorização. É algo facilmente observável nas imagens e entrevistas feitas com famosos e anônimos: a manifestação de uma alegria histriônica, por vezes histérica, advinda da busca obsessiva por diversão e da obrigação de externar felicidade, como se o contentamento e a alegria fossem bens de consumo fast food e não estados de espírito resultantes de ações e crenças duradouras.

Via de regra (as exceções confirmam a regra), nas entrevistas as pessoas recorrem a lugares-comuns como “tudo é festa!”, “momento de extravasar”, “esquecer os problemas”, “beijar muito!”, “beber até cair”, “vale tudo”, enfim, um conjunto de frases feitas que denotam uma ansiedade de aproveitar aquele momento limitado em detrimento das obrigações cotidianas. É a celebração do fugaz. Leia mais

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Vereador apresenta projeto revolucionário para a educação em Fortaleza: é a Sexta do Futebol!

Por Wanfil em Fortaleza

07 de Fevereiro de 2013

Vereador Evaldo Lima, do PCdoB, ex-secretário de Luizianne e agora líder de Roberto Cláudio na Cãmara, é o autor do PL 23/123.

Vereador Evaldo Lima, do PCdoB, ex-secretário de Luizianne e agora líder de Roberto Cláudio na Câmara, é o autor do PL 23/123. Foto: Genilson de Lima/CMFOR

Como todos sabem, a rede municipal de ensino de Fortaleza ficou na penúltima posição no ranking da educação no estado, divulgado em 2012. Das 184 cidades avaliadas, só ganhou de Parambu. Portanto, é de se esperar que os vereadores empossados em janeiro de 2013 dediquem especial atenção ao problema.

Por isso mesmo o Projeto de Lei 23/2013 – de autoria do vereador Evaldo Lima, do PC do B, sigla que tem como modelo de educação a Revolução Cultural de Mao Tsé-Tung na China – causa estranheza. De acordo com o parlamentar, ex-secretário de Esportes na gestão de Luizianne Lins (PT) e agora líder do prefeito Roberto Cláudio (PSB) na Câmara (é a dialética, diriam os marxistas…), além de ajudar no cumprimento das promessas da atual gestão, faz-se mister criar a Sexta do Futebol nas escolas da capital.

O que é isso?

Segundo o vereador Evaldo Lima, que já foi professor de História, o projeto “dispõe sobre o uso facultativo de camisas de seleções que participarão da Copa do Mundo de Futebol de 2014, para o funcionalismo público e estudantes de escolas públicas municipais de Fortaleza às sextas-feiras”.

Qual a importância da iniciativa?

Ainda de acordo com o parlamentar, apesar de outras demandas, é preciso “contemplar e estimular também o lado lúdico que as grandes comemorações mundiais permitem”.

Conclusão

Não devemos julgar o trabalho do vereador estreante com base apenas em projeto de lei ordinária, é claro. Isso seria injusto, face a experiência de Evaldo Lima como educador, gestor público e político governista. Seria ainda duvidar da disposição revolucionária de um comunista.

No entanto, pela urgência da situação de desastre que vive a educação em Fortaleza, o melhor que se tem a fazer pelos alunos é ensiná-los a escrever e a fazer operações matemáticas básicas. Tudo o mais é secundário. Todos os esforços, tempo e autoridade disponíveis de nossos representantes devem convergir para melhorar a qualidade de ensino. Afinal, a Copa do Mundo passa, mas as escolas continuam.

Leia a proposta na íntegra (clique na imagem para ampliar)

PL

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Será que só as boates estão irregulares em Fortaleza? E o resto?

Por Wanfil em Fortaleza

05 de Fevereiro de 2013

A sucessão de omissões e descasos que culminaram na tragédia da boate Kiss, no Rio Grande do Sul, chamou a atenção de todos para a completa inutilidade do aparato burocrático brasileiro, cheio de normas, leis e órgãos que existem no papel, mas que não funcionam na prática. Ou melhor, que funcionam apenas em alguns casos, como na cobrança do IPTU. Diante da indignação do público, que além de correr riscos ainda arca com os elevados custos da ineficiente estrutura de fiscalização, boates, restaurantes e casas de show começaram a ser fiscalizados de forma correta, pelo menos por enquanto, em diversas capitais do país.

Em Fortaleza, a prefeitura divulgou balanço parcial informando ter notificado 121 estabelecimentos. A iniciativa de cumprir a obrigação que sempre lhe coube ganhou o nome de operação “Fortaleza: Ambiente Seguro, Diversão Garantida”. Tudo bem, a medida é boa e merece reconhecimento, mas não é a resolução final para a falta de segurança e de respeito que os cidadãos experimentam diariamente nas mais diversas atividades. As, se o problema fosse somente as boates.

Quem fiscaliza os fiscais?

O prefeito Roberto Cláudio, é verdade, assumiu a gora, mas a instituição que ele comanda é a responsável por essa permissividade em relação às irregularidades, que acontecem desde muito antes. É um ônus do cargo. Se um condomínio tem dívidas, a posse de um novo síndico não o exime de pagar seus credores. Portanto, quem foram os fiscais que não atentaram para o cumprimento do próprio dever?

Segundo a prefeitura, boa parte das irregularidades encontradas diz respeito à falta licenças ambientais. O que o ex-secretário do Meio Ambiente, Deodato Ramalho, agora vereador, tem a dizer? O que faziam o dia inteiro os que tinham como tarefa fiscalizar esses locais?

O Corpo de Bombeiros interditou outros 11 estabelecimentos em Fortaleza. Por que funcionavam antes do incêndio em Santa Maria?

Desconfiança

Por fim, o mais óbvio e angustiante. Estamos preocupados e de olho em apenas um ou dois tipos de serviços oferecidos à população, todos pela iniciativa privada. E os demais? E os próprios serviços públicos? Tudo é realmente fiscalizado? Creches e escolas são seguras? Os hospitais atendem às normas de higiene? E os abatedouros no interior? Das prisões, nem é preciso perguntar. E o que dizer do transporte escolar no Ceará?

A desconfiança sobre a qualidade da fiscalização sobre qualquer serviço agora é mais do que pertinente. O caso da boate Kiss possibilitou uma pequena amostragem da incompetência administrativa que é regra no Brasil. Suborno, extorsão, propina, preguiça, inépcia, falta de investimento, muita promessa e conversa fiada, loteamento de cargos, corrupção generalizada, são algumas das práticas que não se limitam às casas de shows.

Que o prefeito Roberto Cláudio aproveite o momento para fazer uma auditoria geral, inclusive no que diz respeito à própria Prefeitura de Fortaleza. O mesmo vale para o governador Cid Gomes.

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Renan Calheiros na luta contra o preconceito

Por Wanfil em Política

01 de Fevereiro de 2013

Retorno triunfante: Renan Calheiros comemora eleição para a Presidência do Senado. Foto: Antonio Cruz/ABr

Renan Calheiros comemora eleição para a Presidência do Senado. Foto: Antonio Cruz/ABr

O senador Renan Calheiros, que dispensa apresentações, foi eleito – com folga – presidente do Senado Federal. No entanto, há um clima de constrangimento no ar, como se o alagoano fosse o primeiro político sem escrúpulos a ocupar cargo de tamanha importância. Não é, claro. Basta dizer que ele sucede a José Sarney. Qual a novidade?

Os mais pudicos poderão objetar: Wanfil, a diferença é que a presença de Renan não salva nem mesmo as aparências do decoro, uma vez que ele já renunciou para não ser cassado. Ora, eu respondo que essa talvez seja a virtude da eleição de Calheiros.

A política no Brasil é isso, uma atividade que afasta os homens sérios e atrai os de caráter duvidoso. Renan é o desprezo pelas aparências hipócritas, é a nossa alma política sem maquiagens. É a celebração das habilidades mais valorizadas no trato das questões de interesse público, como a capacidade de atiçar interesses e direcioná-los aos interesses de qualquer governo.

Rejeitar Renan na condição de presidente do Senado é preconceito contra políticos que, mesmo enrolados, não desistem de ocupar seus espaços sendo o que são. Ele é o homem certo no lugar certo, é o governista profissional, o craque dos arranjos espertos, da sedução do poder, dos favores especiais, da manipulação de vaidades. Renan Calheiros é o tipo que saiu do armário. “Fui pego, mas não fujo”.  Destemido, infla o peito e diz: “Vocês vão ter que me engolir”.

Quantos Renans enrustidos não andam por aí, eminências pardas que vivem nas sombras por temerem os jornais? Onde estão os responsáveis pelos escândalos dos banheiros fantasmas, no Ceará? O que aconteceu com a turma dos consignados? Andam por aí, ocupando cargos públicos, mas silenciosos, chateados por serem importunados, quando apenas fizeram o que tantos outros fazem. Esses agora podem inspirar-se em Renan Calheiros!

Renan Calheiros é um basta no furor moralizante do julgamento do mensalão. “Aqui, não!”. Renan Calheiros é a redenção de quem andava preocupado com os limites morais da opinião pública.

O pior é que nós todos somos um pouco Renan. Sim. Os Renans são eleitos, e no poder, se associam entre si e ao presidente da República. Como se dessem um grito de liberadade, os senadores eleitos por nós elegeram Renan Calheiros a quintenssência da legislatura no Senado.

Deixemos o preconceito de lado e aceitemos a nossa condição de povo que se submete aos caprichos de gente como o senador Renan Calheiros, o nosso perfeito espelho. É assim que somos enquanto nação.  Parafraseando a propaganda do governo federal: Brasil, um país de todos; Brasil, uma país de Renans. Finalmente assumimos a nossa decadência.

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Renan Calheiros na luta contra o preconceito

Por Wanfil em Política

01 de Fevereiro de 2013

Retorno triunfante: Renan Calheiros comemora eleição para a Presidência do Senado. Foto: Antonio Cruz/ABr

Renan Calheiros comemora eleição para a Presidência do Senado. Foto: Antonio Cruz/ABr

O senador Renan Calheiros, que dispensa apresentações, foi eleito – com folga – presidente do Senado Federal. No entanto, há um clima de constrangimento no ar, como se o alagoano fosse o primeiro político sem escrúpulos a ocupar cargo de tamanha importância. Não é, claro. Basta dizer que ele sucede a José Sarney. Qual a novidade?

Os mais pudicos poderão objetar: Wanfil, a diferença é que a presença de Renan não salva nem mesmo as aparências do decoro, uma vez que ele já renunciou para não ser cassado. Ora, eu respondo que essa talvez seja a virtude da eleição de Calheiros.

A política no Brasil é isso, uma atividade que afasta os homens sérios e atrai os de caráter duvidoso. Renan é o desprezo pelas aparências hipócritas, é a nossa alma política sem maquiagens. É a celebração das habilidades mais valorizadas no trato das questões de interesse público, como a capacidade de atiçar interesses e direcioná-los aos interesses de qualquer governo.

Rejeitar Renan na condição de presidente do Senado é preconceito contra políticos que, mesmo enrolados, não desistem de ocupar seus espaços sendo o que são. Ele é o homem certo no lugar certo, é o governista profissional, o craque dos arranjos espertos, da sedução do poder, dos favores especiais, da manipulação de vaidades. Renan Calheiros é o tipo que saiu do armário. “Fui pego, mas não fujo”.  Destemido, infla o peito e diz: “Vocês vão ter que me engolir”.

Quantos Renans enrustidos não andam por aí, eminências pardas que vivem nas sombras por temerem os jornais? Onde estão os responsáveis pelos escândalos dos banheiros fantasmas, no Ceará? O que aconteceu com a turma dos consignados? Andam por aí, ocupando cargos públicos, mas silenciosos, chateados por serem importunados, quando apenas fizeram o que tantos outros fazem. Esses agora podem inspirar-se em Renan Calheiros!

Renan Calheiros é um basta no furor moralizante do julgamento do mensalão. “Aqui, não!”. Renan Calheiros é a redenção de quem andava preocupado com os limites morais da opinião pública.

O pior é que nós todos somos um pouco Renan. Sim. Os Renans são eleitos, e no poder, se associam entre si e ao presidente da República. Como se dessem um grito de liberadade, os senadores eleitos por nós elegeram Renan Calheiros a quintenssência da legislatura no Senado.

Deixemos o preconceito de lado e aceitemos a nossa condição de povo que se submete aos caprichos de gente como o senador Renan Calheiros, o nosso perfeito espelho. É assim que somos enquanto nação.  Parafraseando a propaganda do governo federal: Brasil, um país de todos; Brasil, uma país de Renans. Finalmente assumimos a nossa decadência.