Janeiro 2013 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Janeiro 2013

Presidente do PT diz que imprensa brasileira age como na época do nazismo – Eles não desistem!

Por Wanfil em Imprensa

31 de Janeiro de 2013

Em reunião com a bancada federal do Partido dos Trabalhadores, o presidente nacional da sigla, Rui Falcão, classificou a atuação de setores do Ministério Público e da imprensa de “interdição” política no Brasil. Disse ainda que ambas agem como “oposição extrapartidária”, com a intenção de preparar um golpe de algum projeto semelhante ao nazismo e ao fascismo.

Trata-se de uma opinião isolada? Não. Nem de um rompante ingênuo, mas de uma ideia fixa, parte de uma doutrina ideológica que não consegue conviver com a liberdade de imprensa. E não é de hoje que petistas graduados falam assim. Falcão assume, provisoriamente, o papel da água mole das insinuações autoritárias que, de tanto insistir, pode arrebentar a pedra sólida da imprensa livre.

Novidade

A novidade da fala é a inclusão do Ministério Público na lista pública de empecilhos ao projeto do partido. Em entrevista à Folha de São Paulo, em 2009, Lula dizia: O papel da imprensa não é fiscalizar o poder, mas é informar. Para ser fiscal, tem o Tribunal de Contas da União (TCU), a Corregedoria-Geral da República, tem um monte de coisas”. Como Lula agora anda calado, coube ao presidente do PT incluir o MP no grupo. Leia mais

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Tragédia em boate no RS: Quanto vale uma vida no Brasil?

Por Wanfil em Brasil

27 de Janeiro de 2013

O incêndio que vitimou centenas de pessoas em uma boate no Rio Grande do Sul é mais uma daquelas tragédias que comovem a todos. Pessoas saudáveis, com a vida inteira pela frente, de uma hora para a outra, perecem, deixando nos que ficam uma sensação de incredulidade.

A dor dos familiares desconcerta a gente, que engole seco ao ver as imagens e ao ler as notícias sobre o caso. De certa forma, as grandes catástrofes nos obrigam a contemplar a fragilidade da vida.

As primeiras informações dizem que a boate Kiss, onde ocorreu o trágico incêndio, não tinha alvará para funcionar.  O caso choca também pela soma de circunstâncias que a potencializaram. A falta de saídas de emergência adequadas e de extintores de incêndios, segundo relatos de sobreviventes, contribuíram para aumentar o desespero dos morreram queimados, pisoteados e asfixiados tentando escapar do fogo e da fumaça que se alastraram rapidamente no local.

Evidentemente, é preciso aguardar o inquérito para apurar as devidas responsabilidades. De qualquer forma, casos assim nos fazem pensar. Como é feita a fiscalização nesses estabelecimentos? A cobrança de IPTU nunca falha, por que o mesmo não acontece com as medidas de prevenção? O Corpo de Bombeiros tem condições de avaliá-los? Até onde sei, a instituição sofre com carências absurdas.

O Brasil vive o absurdo obsceno de contar 50 mil vítimas de homicídios e 40 mil mortos em acidentes de trânsito TODOS OS ANOS. De alguma forma, nos acostumamos a isso, afinal, são casos diluídos no tempo e no espaço. Mas com as grandes tragédias é diferente. Essas têm o poder de nos perturbar, por mostrar, na marra, diante do choro de centenas de famílias, o quanto é valiosa a vida, o quanto é importante preservá-la.

Quando o assunto é a segurança das pessoas, o exagero nunca é demais. Riscos devem sempre ser medidos, possibilidades devem ser cogitadas e negligências punidas severamente ANTES que as tragédias aconteçam. O preço de uma vida não pode ser o da imprevidência generalizada.

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Justiça entende que acusar policiais de marginais fardados, no plural, não é ofensa. O mesmo vale para judeus e negros?

Por Wanfil em Judiciário

24 de Janeiro de 2013

Durante a greve de policiais militares ocorrida em Fortaleza em janeiro de 2012, o ex-ministro Ciro Gomes, fiel ao próprio estilo, classificou o movimento de “conchavo de marginais fardados com  marginais da quadrilha da droga que colocou toda a sociedade refém”. Em março do mesmo ano, a policial militar Ana Paula Brandão da Silva apresentou queixa-crime por injúria e difamação.

De acordo com o desembargador Francisco Gomes de Moura, 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), o processo não procede, pois ficou “evidente que declarações não foram dirigidas à pessoa da soldado Ana Paula, havendo, portanto, a ausência do animus específico e dirigido de ofender, exigido para a caracterização dos crimes contra a honra”.

Não sou jurista, mas tenho certo apreço pela lógica, enquanto elemento filosófico de examinação de um problema. Pelo que entendi, ao classificar todos os membros de uma entidade de marginais, sem exceção, os indivíduos que a compõem não estão automaticamente implicados nessa condição.

Recentemente, a ministra Eliana Calmon, do Conselho Nacional de Justiça, disse que existem “bandidos de toga” no Judiciário. Foi uma celeuma. No entanto, ela não afirmou que todos eram bandidos, mas alguns. Nesse caso, a falta de especificação não atinge os magistrados honestos. Eis a diferença. A acusação de Ciro foi ampla e irrestrita, de forma a atingir a totalidade dos policiais militares. Leia mais

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Cid exagera na dose ao tentar desqualificar procurador

Por Wanfil em Ceará

22 de Janeiro de 2013

Cid

Cid Gomes durante entrevista à imprensa (Foto: Kézya Diniz)

O governador Cid Gomes classificou o procurador-geral do Ministério Público de Contas, órgão do Tribunal e Contas do Estado, de “rapazinho” e afirmou que os questionamentos sobre o cachê pago à cantora Ivete Sangalo na inauguração de um hospital público em Sobral não passam de “picuinha”.

O show, realizado no último dia 18, custou R$ 650 mil. Cid diz que tudo está correto. O procurador diz que o preço é incompatível com outros contratos públicos feitos com a cantora. O governador diz que tudo é invenção, e justifica a afirmação dizendo que o procurador gosta de aparecer.

Em busca de um adversário

É estranho ver a maior autoridade do estado usar da desqualificação pessoal contra um servidor que, bem ou mal, exerce suas funções.

Ao chamar o procurador de “rapazinho” e de “garoto”, Cid insinua que a ação decorre de um comportamento imaturo, um impulso juvenil, quase infantil, em contraposição à competência dos profissionais maduros. O excesso de emoção na resposta pode deixar a impressão de que o governador toma a cobrança de prestação de contas, algo normal e desejável nas democracias, como ofensa pessoal, coisa de quem não gosta de ser contrariado… Gestores do dinheiro alheio devem ver isso com naturalidade.

Não estou dizendo que o procurador tem ou deixa de ter razão, nem entro no mérito da ação. O inusitado nesse caso é a forma de contestação escolhida pelo governador, que indica uma compreensão equivocada no que diz respeito ao seu papel institucional. Cid responde politicamente, de forma passional mesmo, a um agente técnico, praticamente tomando-o por opositor. Leia mais

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O lado bom das coisas

Por Wanfil em Crônica

18 de Janeiro de 2013

Polly e Candido

Pollyanna, de Eleanor Porter; e Cândido, de Voltaire: Qual a medida certa para o otimismo?

Uma amiga me faz o gentil alerta:

– Wanfil, escreva sobre algo dignificante. Você só vê o lado negativo das coisas. Procure o que é bom.
– Você acha? Já fiz resenhas elogiosas sobre filmes e livros.
– Não li. Só vejo críticas.
– O que você sugere?.
– Não sei. Pesquise. Tem coisas boas acontecendo. Basta ver com boa vontade.

Preocupado com uma possível perda de sensibilidade para observar o lado bom da vida, resolvi desarmar o espírito e fui ler o noticiário em busca de eventos edificantes. Comentarei a seguir, embuído de insuspeita boa vontade, algumas notícias.

1 – TCE sugere arquivamento de processo que questionava cachê de Ivete Sangalo

Normalmente eu reprovaria o gasto de R$ 650 mil com o show de inauguração de um hospital. Não só por motivos financeiros, mas por entender que hospitais sejam lugares onde a dor e a esperança convivem de forma angustiante, em respeito aos pacientes, seus familiares e aos profissionais de saúde, eu diria que uma festa dessa magnitude é um despropósito e que melhor seria comprar macas e remédios. Mas vendo o lado bom da coisa, fico feliz por ver Ivete Sangalo mais rica. Respiro aliviado por saber que ajudei a custear a festança que trará alguns instantes de felicidade a quem for ao local, mesmo que não esteja doente.

Se ainda fosse o ranzinza de antigamente, eu diria que o Brasil é  país de cultura política personalista, inserido num continente afeito a caudilhos, onde obra pública ganha “dono”, que pode inclusive batizá-las homenageando os próprios parentes. Agora, não. O governo tem mais é que festejar, pois nem só de seca, sede e violência vive o Ceará. Temos as maravilhosas onomatopeias da música baiana para nos alegrar o coração.

2 – Vigilante de escola é assassinado na frente de alunos no Conjunto Ceará

O novo Wanfil, assim como uma Pollyana (de Eleanor H. Porter) ou um Cândido (de Voltaire) do século 21, consegue extrair o bem que vive escondido sobre a sombra do mal, contradizendo assim a filosofia de Santo Agostinho. Vamos em frente.

A educação, muitas vezes, aliena os jovens, que imaginam um mundo idealizado, perdendo contato com a verdade das ruas, conforme aprendi com as letras dos mais notórios rappers da atualidade. O caso da morte do vigilante, antes de mais nada, é um choque de realidadede. Como todos sabem, intelectuais como MV Bill e Marcelo D2 se formaram na escola da vida.

Por causa do violento crime, as aulas na escola foram suspensas. Sugiro que o governo faça um show com Ivete Sangalo na reabertura do colégio. Apesar de tudo, ficaria a lição de que o importante é o pensamento positivo.

3 – Ajudando quem precisa: IJF captou 946 órgãos e tecidos para doação em 2012

Ironias à parte, o alerta de minha amiga foi sincero e me fez refletir sobre muita coisa. A notícia sobre a doação de órgãos é edificante e dignifica seus personagens. Mais do que isso, inspira a solidariedade.

A crítica feita com sinceridade e embasamento é válida como atividade de reflexão em busca do aprimoramento. É depuração, ou como diz o advogado Djalma Pinto, é consultoria gratuita. Mas, às vezes, precisamos mesmo prestar um pouco mais de atenção no que é bom. É difícil, pois o medo nos faz propensos a um constante estado de preservação da vida. Queremos saber onde estão os riscos para evitá-los. Ver, ou procurar, coisas boas, é uma forma de reação que começa com uma avaliação sobre a nossa postura diante do mundo.

Citei acima as personagens Pollyanna e Cândido, caracterizados pelo otimismo. A primeira fazia da boa vontade um ingrediente de determinação. Nada a desanimava. O segundo, de tanto otimismo, perdeu a capacidade de ler a realidade e de indignar-se contra qualquer coisa. Esse é o desafio do cronista: saber quando fechar os olhos e quando abrir o verbo. Não é fácil.

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Governo Dilma investiu apenas 23,8% do previsto em segurança pública em 2012

Por Wanfil em Brasil

15 de Janeiro de 2013

Na previsão de gastos da União para 2012, R$ 3,1 bilhões seriam destinados para investimentos na área de segurança pública. Entretanto, de acordo com o site Contas Abertas, desse total, apenas R$ 738 milhões foram efetivamente aplicados.

Tenho certeza absoluta de que não faltam desculpas bem construídas para explicar o fracasso numa área essencial. Assim como na área econômica, a competência que falta ao governo para a gestão, sobra no gogó. Mas os números e os fatos estão aí, para quem quiser vê-los.

Por ano, oficialmente, 50 mil pessoas são assassinadas no Brasil. Número semelhante ao da guerra civil travada na Síria, em 18 meses foram 60 mil mortes. Diante do descalabro, o investimento feito em segurança de 2012 é pouco mais da metade do realizado em 2007, quando foram gastos R$ 1,2 bilhão. Como se os crimes tivessem reduzido na mesma proporção. Leia mais

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Pesquisa comprova: Bolsa Família é alívio e não solução para a pobreza

Por Wanfil em Brasil

12 de Janeiro de 2013

Programas de transferência de renda foram distorcidos no Brasil: uma boa ideia que degenerou em moeda eleitoral.

O Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) divulgou um estudo sobre os resultados dos programas de transferência de renda nos governos Lula e Dilma. Em síntese, a conclusão é que o Bolsa Família (que já foi Fome Zero) conseguiu reduzir a desigualdade entre ricos e pobres (que continua grande), mas não aumentou as oportunidades de inclusão dos mais necessitados no mercado de trabalho.

A pesquisa revela ainda que, sem medidas adequadas, o nível de emprego elevado não constitui melhoria sustentável. De acordo com reportagem do jornal O Estado de São Paulo, o documento mostra que “de cada dez postos de trabalho que surgem no mercado formal, nove têm remuneração inferior a três salários mínimos”.

De acordo com o texto do Cebrap, os avanços verificados até agora “não terão sustentabilidade se não forem acompanhados de uma política industrial capaz de absorver trabalhadores mais qualificados e propiciar elevações reais da renda.

Distorções

A solução é acabar o Bolsa Família? Não, é claro. Ainda existe uma carência tão profunda que essa possibilidade faz tremer os mais humildes. Na verdade, eles se tornaram reféns dessa falta de mobilidade social.

Programas de transferência de renda como o Bolsa Família, em tese, deveriam ser uma etapa passageira dentro de um planejamento de longo prazo para reduzir a pobreza, distribuir renda e gerar riqueza. Leia mais

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Não é mais sensação de insegurança, é sensação de pânico nas ruas de Fortaleza

Por Wanfil em Segurança

10 de Janeiro de 2013

O Grito, de Edvard Munch (1893). Um estado de perturbação e terror que não termina. É assim que as pessoas vivem em Fortaleza, massacradas pelo medo da violência crescente.

São 8 horas da noite de uma quarta-feira no cruzamento da Avenida Padre Antônio Tomás com Via Expressa, em Fortaleza. Na penumbra, à beira do asfalto, um jovem com as mãos enfiadas nos bolsos da blusa encapuzada. Primeiro, o estranhamento; depois, a suspeita; em seguida, o medo; e por último, o desejo de fuga a qualquer custo, a iminência do desespero.

A pessoa que me relatou o ocorrido, uma amiga que conduzia o carro na companhia de outra amiga, pensou: “É um assalto!” No mesmo instante, foi o que ouviu da carona: “Corre, que é um assalto!”. Imediatamente as duas lembraram-se dos familiares e das histórias de assaltos e mortes na perigosíssima Via Expressa.

Acelerando, a motorista disse à companheira de pavor: “Se ele tirar a mão do bolso, passo por cima”. Ele não tirou. Não fez nada. Seria um assaltante? O que fazia ali parado? Resolvera abordar uma vítima que trafegasse em menor velocidade? Ninguém sabe.

Medo, violência e apatia

Embora, felizmente, o final não tenha se consumado numa possível tragédia (como as que estampam os jornais diariamente), nada disso nos soa estranho, porque vivemos assim, todos sobressaltados, desconfiados, impregnados de medo e impotência.

E ainda assim, ninguém faz nada. Os comandos das polícias, na ânsia de protegerem seus cargos e a imagem dos governos a que servem, dizem que ações estão sendo tomadas, que as patrulhas estão sendo feitas, que as rondas se intensificaram, que a inteligência está operando, que mais recursos serão investidos. Carrões de luxo como viaturas, patinetes na Beira-Mar, fardas estilizadas, tudo isso não passa de marketing. No mundo real, cada vez mais, é cada um por si e Deus por todos.

E ainda assim, ninguém, ou quase ninguém, fica indignado com a falta de respostas do poder público, sempre ágil na hora de promover festanças ou aumento nos próprios salários, mas ineficaz quando o tema é segurança.

Reação

Li no Facebook do cidadão Paulo Angelim, uma reflexão interessante, que aqui reproduzo:

Amigos, devemos pressionar nossos congressistas a mudarem este quadro, e isto passa por medidas preventivas, sociais e educacionais, para evitar a entrada de novos delinquentes  para ressocializar quem já está no crime. Mas é fundamental também, e urgentemente, a REPRESSÃO. (…) Façamos nossa parte. SÓ VOTO EM DEPUTADO QUE VOTA A FAVOR DE UM CÓDIGO PENAL MAIS RIGOROSO. E VOCÊ?

É isso! Você pode até não concordar com o mérito da proposta, mas a iniciativa de pressionar as autoridades é louvável. Não adianta ficar com raiva de um ou outro bandido, pois o caso transcende a ação individual de criminosos e exige soluções amplas. Eu acrescentaria ainda: Só voto em governantes que mostrarem resultados na redução da criminalidade. ´

Legisladores, juízes e governantes, que vivem rodeados de seguranças pagos com dinheiro público, precisam ser chamados às suas responsabilidades no encaminhamento de providências urgentes.

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Novos governos merecem voto de confiança? Neste blog, não!

Por Wanfil em Política

08 de Janeiro de 2013

Já virou clichê a ideia de que governantes em início de mandato contam com pelo menos um semestre de boa vontade do público, como uma espécie de voto de confiança tácito. Empossados no embalo da vitória nas urnas e com a mensagens das propagandas eleitorais ainda vivas no imaginário popular, as gestões ainda refletem nesse período, as esperanças nele depositadas.

Muitos especialistas garantem que esse é o momento ideal para a administração tomar medidas amargas, como cortes de despesas e enxugamento da máquina, pois a impressão geral é a de que as primeiras ações sejam correções ou preparativos que pavimentem o caminho para o cumprimento das promessas de campanha. A regra não vale em caso de re-eleições ou de eleição de apadrinhados, quando iniciativas de saneamento são proibidas pelo status quo.

De todo jeito, qualquer que seja o caso, partidos e agentes políticos sabem como atuar para capitalizar esse momento de expectativa.

Logo de cara, é preciso dizer que a composição do novo secretariado foi feita com base nos critérios mais sublimes e com total desapego, como forma de disfarçar o fisiologismo, o loteamento de cargos para garantir apoio político e a criação de cabides de emprego para aliados.

Como as últimas eleições foram municipais, o passo seguinte é o anúncio de um programa novo ou de uma ação impactante para alguma área sensível ao público. Isso ajuda a construir uma imagem positiva e dinâmica do gestor.

Em seguida, é preciso dizer que a situação não está fácil. Se o novo governo for aliado do antigo, é so culpar a crise na Europa; se é adversário, pode acusar descalabros, desvios e desperdícios, com a vantagem adicional de não precisar apresentar provas. Essa é a senha para a transformação do marketing eleitoral em marketing governamental, eximindo-se de eventuais contradições. Se tudo está pior, será preciso tempo para arrumar a casa e só depois as promessas feitas ao eleitorado poderão ser executadas. Pronto! O que não for realizado, cairá na conta da gestão anterior. Como os desmontes de prefeituras são uma realidade em algumas cidades, a história ganha verossimilhança em qualquer lugar.

Por isso tudo, por ser um roteiro previsível, filme repetito à exaustão, é que aqui neste blog o bônus dos seis meses de confiança não existe. Pelo contrário. De tanto ver truques retóricos e de propaganda, o que vale neste espaço é o voto de desconfiança, o qual, espero, não seja confirmado. Não se trata de oposição automática, ressentimento ou questão pessoal, posto que vale para toda e qualquer administração que se inicia.

O eleito, nesse caso, os novos prefeitos, são devedores de quem os elegeu. Que façam o que prometeram. Que cumpram seus deveres. Que sejam cobrados desde o primeiro dia de governo, e caso não correspondam, que expliquem – e comprovem – suas limitações.

É como diz o ditado: Gato escaldado tem medo de água fria.

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Nova gestão acusa desvio de recursos na Saúde em Fortaleza – Follow the money secretária!

Por Wanfil em Fortaleza

04 de Janeiro de 2013

A nova secretária de Saúde de Fortaleza, Socorro Martins, acusou o “desvio” de aproximadamente R$ 27 milhões entre recursos destinados a pagamentos relativos ao exercício de 2012 e despesas previstas para janeiro de 2013.

Mais do que uma mera provocação ou estocada na gestão anterior, recurso característico dessa transição entre ex-aliados, a situação agora é diferente e ganha contornos de caso de polícia. A situação fica ainda mais estranha quando lembramos que a ex-secretária Ana Maria Fontenele pediu exoneração antes o fim da gestão de Luizianne Lins, numa polêmica sobre o uso de recursos do Ministério da Saúde.

Socorro Martins sinaliza disposição para agir com transparência, tomando ainda as devidas precauções jurídicas. A nova titular da Saúde não fala em roubo, mas em desvio. Às vezes esses sumiços de grana pública podem ser apenas incompetência ou atecnias, como gostam de dizer os burocratas, embora seja preciso uma boa dose de ingenuidade para acreditar nisso. De qualquer forma, o que secretária ela pode dizer agora, certamente com base em documentos, é que as verbas não chegaram ao destino previsto. A pergunta é: onde foram parar os recursos?

Sobre os R$ 27 milhões, Socorro Martins informou ao Jangadeiro Online: “Estamos investigando. Não podemos dizer com clareza quem foi o responsável pela autorização [do desvio], mas que houve uma determinação superior, houve”.

Os americanos usam uma expressão (famosa pelo caso Watergate) quando querem descobrir os beneficiários de um “desvio”: follow the money! (Siga o dinheiro!). Se os recursos estavam à disposição da secretaria, é possível rastrear as contas que foram abastecidas com eles. E como todo o rigor com dinheiro alheio (o nosso) nunca é demais, é bom levar o caso para as autoridades policiais e ao Ministério Público.

Quanto mais transparência, melhor.

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Nova gestão acusa desvio de recursos na Saúde em Fortaleza – Follow the money secretária!

Por Wanfil em Fortaleza

04 de Janeiro de 2013

A nova secretária de Saúde de Fortaleza, Socorro Martins, acusou o “desvio” de aproximadamente R$ 27 milhões entre recursos destinados a pagamentos relativos ao exercício de 2012 e despesas previstas para janeiro de 2013.

Mais do que uma mera provocação ou estocada na gestão anterior, recurso característico dessa transição entre ex-aliados, a situação agora é diferente e ganha contornos de caso de polícia. A situação fica ainda mais estranha quando lembramos que a ex-secretária Ana Maria Fontenele pediu exoneração antes o fim da gestão de Luizianne Lins, numa polêmica sobre o uso de recursos do Ministério da Saúde.

Socorro Martins sinaliza disposição para agir com transparência, tomando ainda as devidas precauções jurídicas. A nova titular da Saúde não fala em roubo, mas em desvio. Às vezes esses sumiços de grana pública podem ser apenas incompetência ou atecnias, como gostam de dizer os burocratas, embora seja preciso uma boa dose de ingenuidade para acreditar nisso. De qualquer forma, o que secretária ela pode dizer agora, certamente com base em documentos, é que as verbas não chegaram ao destino previsto. A pergunta é: onde foram parar os recursos?

Sobre os R$ 27 milhões, Socorro Martins informou ao Jangadeiro Online: “Estamos investigando. Não podemos dizer com clareza quem foi o responsável pela autorização [do desvio], mas que houve uma determinação superior, houve”.

Os americanos usam uma expressão (famosa pelo caso Watergate) quando querem descobrir os beneficiários de um “desvio”: follow the money! (Siga o dinheiro!). Se os recursos estavam à disposição da secretaria, é possível rastrear as contas que foram abastecidas com eles. E como todo o rigor com dinheiro alheio (o nosso) nunca é demais, é bom levar o caso para as autoridades policiais e ao Ministério Público.

Quanto mais transparência, melhor.