02/11/2012 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

02/11/2012

Um texto instigante sobre compra de votos em Fortaleza

Por Wanfil em convidado

02 de novembro de 2012

Célebre cena do filme Matrix: Toda escolha revela uma forma de ver o mundo. Negar o aceitar algo, aderir ou repudiar uma prática por vontade própria, são ações que manifestam, no limite, convicções.

Publico abaixo texto do professor Leonardo Sá, publicado originalmente em seu blog pessoal e gentilmente cedido para o Wanfil, que versa sobre aspectos intrínsecos às acusações de compra de votos nas eleições deste ano em Fortaleza. Não concordo com tudo (estou entre os que veem no capital um instrumento de libertação), mas nesse mundo de chavões, bordões e slogans em que vivemos, nada pode ser mais alvissareiro do que a autenticidade. Segue o texto (negritos e são meus). Ao caro Leonardo, agradecimentos e saudações.

O imbróglio da compra de votos nas eleições em Fortaleza: uma reflexão antropológica

Não concordo muito com as análises segundo as quais os votos de uma eleição foram comprados, pois não há ato humano que não seja expressão de uma convicção, nem que esta seja a de uma crença no esvaziamento do próprio sentido de qualquer convicção.

Atos de compra engajam atos de consumo que, por sua vez, expressam sentidos. Um tipo de convicção negativa sobre o sentido total da experiência humana que é uma marca forte das formas conservantistas de pensar funciona desse modo. Portanto, o pessimismo é uma forma de convicção, do mesmo jeito que a valorização da moeda também o é. Inclusive, há perspectivas que veem no uso do dinheiro um fator de liberdade humana, apesar de eu não concordar com isso, do ponto de vista pessoal, mas é digno de nota, do ponto de vista analítico.

Não se trata de defender um relativismo moral, nem um relativismo niilista, minha ponderação vai no sentido de questionar que o significado das práticas do que chamamos de “compra de votos” não é exato, mas sim polissêmico, circunstancial e contingencial. O significado do voto não é anulado, suprimido, por que houve alguma transação monetária de tipo ilegal dando suporte à adesão pelo voto a um projeto de poder político. Leia mais

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Um texto instigante sobre compra de votos em Fortaleza

Por Wanfil em convidado

02 de novembro de 2012

Célebre cena do filme Matrix: Toda escolha revela uma forma de ver o mundo. Negar o aceitar algo, aderir ou repudiar uma prática por vontade própria, são ações que manifestam, no limite, convicções.

Publico abaixo texto do professor Leonardo Sá, publicado originalmente em seu blog pessoal e gentilmente cedido para o Wanfil, que versa sobre aspectos intrínsecos às acusações de compra de votos nas eleições deste ano em Fortaleza. Não concordo com tudo (estou entre os que veem no capital um instrumento de libertação), mas nesse mundo de chavões, bordões e slogans em que vivemos, nada pode ser mais alvissareiro do que a autenticidade. Segue o texto (negritos e são meus). Ao caro Leonardo, agradecimentos e saudações.

O imbróglio da compra de votos nas eleições em Fortaleza: uma reflexão antropológica

Não concordo muito com as análises segundo as quais os votos de uma eleição foram comprados, pois não há ato humano que não seja expressão de uma convicção, nem que esta seja a de uma crença no esvaziamento do próprio sentido de qualquer convicção.

Atos de compra engajam atos de consumo que, por sua vez, expressam sentidos. Um tipo de convicção negativa sobre o sentido total da experiência humana que é uma marca forte das formas conservantistas de pensar funciona desse modo. Portanto, o pessimismo é uma forma de convicção, do mesmo jeito que a valorização da moeda também o é. Inclusive, há perspectivas que veem no uso do dinheiro um fator de liberdade humana, apesar de eu não concordar com isso, do ponto de vista pessoal, mas é digno de nota, do ponto de vista analítico.

Não se trata de defender um relativismo moral, nem um relativismo niilista, minha ponderação vai no sentido de questionar que o significado das práticas do que chamamos de “compra de votos” não é exato, mas sim polissêmico, circunstancial e contingencial. O significado do voto não é anulado, suprimido, por que houve alguma transação monetária de tipo ilegal dando suporte à adesão pelo voto a um projeto de poder político. (mais…)