08/10/2012 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

08/10/2012

O resultado das urnas em Fortaleza e as pesquisas eleitorais

Por Wanfil em Eleições 2012

08 de outubro de 2012

O desempenho do candidato Heitor Ferrer (PDT) foi a surpresa do primeiro turno destas eleições municipais em Fortaleza. Com pouco tempo de propaganda, modesta estrutura de campanha e sem padrinhos políticos, o pedetista obteve 20,97% dos votos, logo atrás de Elmano de Freitas (PT), com 25,44%, e Roberto Cláudio (PSB), com 23,32%.

O motivo da surpresa está no fato de que o candidato nunca andou perto dos líderes em todas as pesquisas de intenção de voto realizadas durante a campanha, previsão desmentida nas urnas. Nas redes sociais, esse contraste foi bastante citado, com muita gente acusando as pesquisas de parcialidade, omissão ou incompetência.

Até que ponto as pesquisas prejudicaram Heitor Ferrer?

A pergunta é legítima, uma vez que que a diferença do terceiro colocado para os candidatos que carimbaram o passaporte para o segundo turno foi bastante reduzida. Não estou entre os que sugerem manipulação dos números com o objetivo deliberado de prejudicar determinada candidatura, nem entre os que as tomam como ciência exata. (Para saber mais sobre a enormidade de variáveis que entram na composição de uma pesquisa, ler o post O que não se vê nas pesquisas eleitorais). Dessa forma, é preciso observar alguns pontos específicos.

Primeiro, o fato de mais de um instituto não ter registrado o avanço de Heitor Ferrer indica que seu crescimento foi um movimento muito recente, operado com maior velocidade nas horas que antecederam o pleito. Pesquisas Vox Populi, Datafolha e Ibope divulgadas na última semana não sinalizavam movimentações nesse sentido. Não é plausível acreditar numa manipulação que conseguisse envolver três institutos. O que resta provado é que as metodologias aplicadas não garantem a reprodução adequada da dinâmica de uma eleição.

Segundo, se as pesquisas tivessem captado a tendência a favor de Ferrer, é possível que uma onda positiva se formasse com maior intensidade e o beneficiasse. Evidentemente, a falta de boas notícias nos levantamentos costuma ter um efeito desmobilizador na militância do candidato e na capacidade do seu comando de campanha de angariar contribuições financeiras.

Cumpre registrar ainda que nem mesmo a boca de urna do Ibope, quando a margem de erro cai drasticamente, mostrou a mudança no eleitorado. Como esse foi uma falha única, seria interessante que o instituto explicasse o que aconteceu.

Pesquisas mostraram indícios que não foram bem lidos

Terceiro, é bom lembrar, se por um lado as pesquisas não mostraram categoricamente que Heitor Ferrer crescia na reta final, por outro elas forneceram durante todo o processo indícios valiosos que não foram bem utilizados pelo candidato e sua equipe.

Ferrer sempre apareceu com baixíssima rejeição em todas as pesquisas, que também mostravam que as candidaturas a serem batidas eram as dos candidatos apoiados pelas máquinas. Dito de outra forma, as pesquisas acertaram na evolução de Elmano e Roberto – os alvos – e informavam que Heitor tinha credibilidade para assumir uma postura mais incisiva nas críticas aos seus adversários.

Cruzando esses dados com pesquisas qualitativas feitas no início da campanha, Heitor Ferrer deveria ter levantado a bandeira da independência e associá-la à da ética, campo em que é bem avaliado.

Cuidado para não superestimar as pesquisas

As pesquisas podem ter atrapalhado Heitor Ferrer, influenciando negativamente o eleitorado. Infelizmente, não há como medir isso cientificamente. No entanto, imaginar que pesquisas possam determinar resultados, ignorando que são instrumentos voláteis por natureza e que precisam de leitura estratégica para criar posicionamentos de campanha, é superestimá-las.

Passou para o segundo turno, quem errou menos.

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O resultado das urnas em Fortaleza e as pesquisas eleitorais

Por Wanfil em Eleições 2012

08 de outubro de 2012

O desempenho do candidato Heitor Ferrer (PDT) foi a surpresa do primeiro turno destas eleições municipais em Fortaleza. Com pouco tempo de propaganda, modesta estrutura de campanha e sem padrinhos políticos, o pedetista obteve 20,97% dos votos, logo atrás de Elmano de Freitas (PT), com 25,44%, e Roberto Cláudio (PSB), com 23,32%.

O motivo da surpresa está no fato de que o candidato nunca andou perto dos líderes em todas as pesquisas de intenção de voto realizadas durante a campanha, previsão desmentida nas urnas. Nas redes sociais, esse contraste foi bastante citado, com muita gente acusando as pesquisas de parcialidade, omissão ou incompetência.

Até que ponto as pesquisas prejudicaram Heitor Ferrer?

A pergunta é legítima, uma vez que que a diferença do terceiro colocado para os candidatos que carimbaram o passaporte para o segundo turno foi bastante reduzida. Não estou entre os que sugerem manipulação dos números com o objetivo deliberado de prejudicar determinada candidatura, nem entre os que as tomam como ciência exata. (Para saber mais sobre a enormidade de variáveis que entram na composição de uma pesquisa, ler o post O que não se vê nas pesquisas eleitorais). Dessa forma, é preciso observar alguns pontos específicos.

Primeiro, o fato de mais de um instituto não ter registrado o avanço de Heitor Ferrer indica que seu crescimento foi um movimento muito recente, operado com maior velocidade nas horas que antecederam o pleito. Pesquisas Vox Populi, Datafolha e Ibope divulgadas na última semana não sinalizavam movimentações nesse sentido. Não é plausível acreditar numa manipulação que conseguisse envolver três institutos. O que resta provado é que as metodologias aplicadas não garantem a reprodução adequada da dinâmica de uma eleição.

Segundo, se as pesquisas tivessem captado a tendência a favor de Ferrer, é possível que uma onda positiva se formasse com maior intensidade e o beneficiasse. Evidentemente, a falta de boas notícias nos levantamentos costuma ter um efeito desmobilizador na militância do candidato e na capacidade do seu comando de campanha de angariar contribuições financeiras.

Cumpre registrar ainda que nem mesmo a boca de urna do Ibope, quando a margem de erro cai drasticamente, mostrou a mudança no eleitorado. Como esse foi uma falha única, seria interessante que o instituto explicasse o que aconteceu.

Pesquisas mostraram indícios que não foram bem lidos

Terceiro, é bom lembrar, se por um lado as pesquisas não mostraram categoricamente que Heitor Ferrer crescia na reta final, por outro elas forneceram durante todo o processo indícios valiosos que não foram bem utilizados pelo candidato e sua equipe.

Ferrer sempre apareceu com baixíssima rejeição em todas as pesquisas, que também mostravam que as candidaturas a serem batidas eram as dos candidatos apoiados pelas máquinas. Dito de outra forma, as pesquisas acertaram na evolução de Elmano e Roberto – os alvos – e informavam que Heitor tinha credibilidade para assumir uma postura mais incisiva nas críticas aos seus adversários.

Cruzando esses dados com pesquisas qualitativas feitas no início da campanha, Heitor Ferrer deveria ter levantado a bandeira da independência e associá-la à da ética, campo em que é bem avaliado.

Cuidado para não superestimar as pesquisas

As pesquisas podem ter atrapalhado Heitor Ferrer, influenciando negativamente o eleitorado. Infelizmente, não há como medir isso cientificamente. No entanto, imaginar que pesquisas possam determinar resultados, ignorando que são instrumentos voláteis por natureza e que precisam de leitura estratégica para criar posicionamentos de campanha, é superestimá-las.

Passou para o segundo turno, quem errou menos.