04/10/2012 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

04/10/2012

Falta um Mitt Romney nas eleições de Fortaleza. Aliás, faltam Romneys no Brasil

Por Wanfil em Brasil, Ideologia, Política

04 de outubro de 2012

Debate Mitt Romney e Barack Obama: Embate de visões opostas e bem colocadas. Uma real oportunidade de escolha para o eleitor. Em Fortaleza (e no Brasil), todos repetem o mesmo discurso e as mesmas promessas.

Leio no jornal O Estado de São Paulo que para os americanos Romney foi o vencedor do debate contra Obama. Candidato da oposição pelo Partido Republicano, Mitt Romney disputa a presidência dos Estados Unidos contra o democrata Barack Obama, que busca um segundo mandato. Segundo a CNN, uma pesquisa de opinião mostra que o desafiante levou a melhor para 67% dos entrevistados, contra 25% atribuido ao presidente. Obama lidera as intenção de votos com 50%, tecnicamente empatado com o republicano.

Como fazer uma campanha de oposição combativa

Como o oposicionista Romney consegue um desempenho desses mesmo enfrentando o famoso Obama? Ora, fazendo o que é óbvio para o público americano: buscando ressaltar o contraste de ideias entre os dois. Enquanto no Brasil todos os candidatos se esmeram na arte de parecer iguais, nos EUA, candidato de oposição, vejam só, aponta erros do adversário e sugere soluções.

Obama fala em aumento dos gastos públicos e de impostos para financiar políticas sociais. Romney diz que essa política vicia o cidadão e que irá cortar impostos para incentivar investimentos privados. Um choque de visões feito de forma polida. Nessas horas, lembro de Lula, Cid Gomes e Luizianne Lins, que costumam tomar qualquer crítica como ofensa pessoal. Esse é um aspecto da nossa cultura política que deixo para outra oportunidade.

Como fazer uma campanha onde todos dizem a mesma coisa

Por enquanto, da eleição americana, vale ressaltar o valor positivo das diferenças entre candidatos que defendem plataformas distintas de governo. Trilhando caminho inverso, a disputa pela Prefeitura de Fortaleza é protagonizada por candidatos competem para ver quem é o pedinte mais competende diante do governador ou da presidente. É o cúmulo da sujeição e da falta de altivez. Ninguém se mostra como alguém mais preparado para cobrar ou denunciar eventuais omissões dos governos estadual ou federal.

Em Fortaleza, candidatos falam em aumento dos gastos públicos no município prometendo mais assistencialismo a fundo perdido. Não falam nunca em receita ou em qualidade dos gastos. Nada disso parece estar entre as prioridades do horizonte ideológico de nenhum deles.

Sobram rótulos, mas faltam alternativas reais

Vivemos sob o signo de uma brutal assimetria na construção ideológica da política, com predominância absoluta, em qualquer esfera social ou administrativa, do receituário de inspiração “progressista”.

Por isso candidatos não ousam combater o novo paternalismo com receio de ser rotulado de elitista, reacionário ou direitista. E não adianta dizer que Moroni Torgan é de direita. Onde estão os pressupostos liberais do candidato? A direita aceita no Brasil é a social-democracia, fato que basta para demonstrar o atual estado de indigência intelectual que vivemos.

Concurso de miss

Falta em Fortaleza alguém disposto a bater de frente com essa visão de governo. Aliás, faltam alternativas para o Brasil, onde qualquer eleição não passa de uma competição entre esquerdistas. Quando a pluralidade de visões é substituída por uma unidade doutrinária velada, a democracia não é vivenciada em sua plenitude. Sem diferenças de fundo, resta ao cidadão escolher a partir das aparências. É quando as eleições ganham um aspecto de concurso de miss, em que os adversários competem apenas para saber qual deles é o mais bem produzido.

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Falta um Mitt Romney nas eleições de Fortaleza. Aliás, faltam Romneys no Brasil

Por Wanfil em Brasil, Ideologia, Política

04 de outubro de 2012

Debate Mitt Romney e Barack Obama: Embate de visões opostas e bem colocadas. Uma real oportunidade de escolha para o eleitor. Em Fortaleza (e no Brasil), todos repetem o mesmo discurso e as mesmas promessas.

Leio no jornal O Estado de São Paulo que para os americanos Romney foi o vencedor do debate contra Obama. Candidato da oposição pelo Partido Republicano, Mitt Romney disputa a presidência dos Estados Unidos contra o democrata Barack Obama, que busca um segundo mandato. Segundo a CNN, uma pesquisa de opinião mostra que o desafiante levou a melhor para 67% dos entrevistados, contra 25% atribuido ao presidente. Obama lidera as intenção de votos com 50%, tecnicamente empatado com o republicano.

Como fazer uma campanha de oposição combativa

Como o oposicionista Romney consegue um desempenho desses mesmo enfrentando o famoso Obama? Ora, fazendo o que é óbvio para o público americano: buscando ressaltar o contraste de ideias entre os dois. Enquanto no Brasil todos os candidatos se esmeram na arte de parecer iguais, nos EUA, candidato de oposição, vejam só, aponta erros do adversário e sugere soluções.

Obama fala em aumento dos gastos públicos e de impostos para financiar políticas sociais. Romney diz que essa política vicia o cidadão e que irá cortar impostos para incentivar investimentos privados. Um choque de visões feito de forma polida. Nessas horas, lembro de Lula, Cid Gomes e Luizianne Lins, que costumam tomar qualquer crítica como ofensa pessoal. Esse é um aspecto da nossa cultura política que deixo para outra oportunidade.

Como fazer uma campanha onde todos dizem a mesma coisa

Por enquanto, da eleição americana, vale ressaltar o valor positivo das diferenças entre candidatos que defendem plataformas distintas de governo. Trilhando caminho inverso, a disputa pela Prefeitura de Fortaleza é protagonizada por candidatos competem para ver quem é o pedinte mais competende diante do governador ou da presidente. É o cúmulo da sujeição e da falta de altivez. Ninguém se mostra como alguém mais preparado para cobrar ou denunciar eventuais omissões dos governos estadual ou federal.

Em Fortaleza, candidatos falam em aumento dos gastos públicos no município prometendo mais assistencialismo a fundo perdido. Não falam nunca em receita ou em qualidade dos gastos. Nada disso parece estar entre as prioridades do horizonte ideológico de nenhum deles.

Sobram rótulos, mas faltam alternativas reais

Vivemos sob o signo de uma brutal assimetria na construção ideológica da política, com predominância absoluta, em qualquer esfera social ou administrativa, do receituário de inspiração “progressista”.

Por isso candidatos não ousam combater o novo paternalismo com receio de ser rotulado de elitista, reacionário ou direitista. E não adianta dizer que Moroni Torgan é de direita. Onde estão os pressupostos liberais do candidato? A direita aceita no Brasil é a social-democracia, fato que basta para demonstrar o atual estado de indigência intelectual que vivemos.

Concurso de miss

Falta em Fortaleza alguém disposto a bater de frente com essa visão de governo. Aliás, faltam alternativas para o Brasil, onde qualquer eleição não passa de uma competição entre esquerdistas. Quando a pluralidade de visões é substituída por uma unidade doutrinária velada, a democracia não é vivenciada em sua plenitude. Sem diferenças de fundo, resta ao cidadão escolher a partir das aparências. É quando as eleições ganham um aspecto de concurso de miss, em que os adversários competem apenas para saber qual deles é o mais bem produzido.