setembro 2012 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

setembro 2012

Impasse entre Governo do Estado e Prefeitura de Fortaleza revela matriz de irresponsabilidades

Por Wanfil em Ceará

29 de setembro de 2012

No calor da disputa eleitoral, o governo estadual e a Prefeitura de Fortaleza, ou de forma mais direta, os ex-aliados Cid Gomes e Luizianne Lins, protagonizam um inacreditável espetáculo de irresponsabilidade administrativa. Tudo por causa das desapropriações de imóveis localizados próximo à Via Expressa para a construção de obras para a Copa de 2014. Os parceiros de outrora, que em eleições passadas pediram votos garantindo que sintonia de projetos facilitaria a promoção de empreendimentos públicos, agora divergem sobre quem tem a responsabilidade pelo cumprimento das desapropriações.

Documentos mostram a responsabilidade de cada um

No entanto, para saber quem está com a razão basta conferir a Matriz de Responsabilidades dos projetos acordada com o governo federal. O Anexo A do documento original, firmado no dia 13 de janeiro de 2010 com as assinaturas do governador Cid Gomes, da prefeita Luizianne e do então ministro dos Esportes, Orlando Silva, é claro:

As indicações assinaladas na cor vermelha mostram que ORIGINALMENTE a OBRIGAÇÃO pelas desapropriações era do GOVERNO ESTADUAL.

Ocorre que um Termo de Aditivo à Matriz de Responsabilidades do dia 12 de dezembro de 2011, com as devidas assinaturas do governador Cid Gomes, da prefeita Luizianne Lins e do ministro do Esporte Aldo Rebelo, faz alterações no projeto da Via Expressa.

Como é possível ver nas partes destacadas, a EXECUÇÃO DAS DESAPROPRIAÇÕES na Avenida Raul Barbosa ficaram, a partir da data do documento, sob RESPONSABILIDADE única da PREFEITURA DE FORTALEZA. Nesse projeto em particular, o governo federal entra com o financiamento das obras e o governo estadual deixa de ter participação nele.

A matriz  que prevalece

É provável que esse jogo de empurra não seja fruto apenas do ressentimento recíproco após o rompimento entre os dois grupos nas vésperas do período eleitoral. Nessa equação, é bom lembrar que ações de desapropriação podem gerar polêmicas e tisnar as imagens do governador ou da prefeita, fiadores de duas candidaturas fabricadas na última hora.

Além dos documentos assinados, o espetáculo de disse me disse protagonizado na reunião entre o governador e a prefeita e que previsivelmente não deu em nada, poderia – e deveria – ter sido evitado. No mínimo, por respeito aos cidadãos de Fortaleza. Pudor mesmo. Na própria Matriz de Responsabilidades, a original, não a eleitoral, está prevista a possibilidade de impasses:

“CLÁUSULA DÉCIMA PRIMEIRA – Os casos omissos e/ou situações contraditórias desta Matriz de Responsabilidades deverão ser resolvidos administrativamente entre os partícipes, com prévia comunicação por escrito da ocorrência, consignando-se prazo para resposta. Todas as questões que não puderem ser resolvidas desta forma serão dirimidas pelo Supremo Tribunal Federal, ex vi do art. 102, inciso I, alínea “f” da Constituição Federal.”

Todos esses documentos podem ser devidamente conferidos no Portal da Copa 2014, do governo federal: www.copa2014.gov.br.

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Datafolha: 57% não votariam nos candidatos da prefeita ou do governador

Por Wanfil em Eleições 2012, Pesquisa

27 de setembro de 2012

A pesquisa Datafolha publicada nesta quinta-feira mostra Elmano de Freitas (PT) com 24% e Roberto Cláudio (PSB) com 19%, assumindo a liderança na corrida para a Prefeitura de Fortaleza.

Feita a soma, o candidato da prefeita Luizianne Lins e o candidato do governador Cid Gomes conseguem 43% das intenções de voto. Por conseguinte, 57% dos eleitores NÃO QUEREM os candidatos do PSB ou do PT, que representam o modelo de gestão vigente na cidade. O recente rompimento não apaga da memória coletiva o fato de que as duas siglas estiveram juntas durante oito anos na administração de Fortaleza.

Pelos números do instituto Vox Populi, divulgados no início da semana, a dupla soma 40% da preferência e 60% dos eleitores procuram outra opção. Números parecidos que indicam uma situação mais ou menos consolidada: Os candidatos que desfrutam do apoio das máquinas em situação ascendente, ultrapassando Moroni Torgan (DEM), seguido por Heitor Férrer (PDT) num bloco intermediário.

Se a maioria quer mudar, por que os candidatos com DNA governista estão na frente?

Se os dois representam um modelo de gestão duramente criticado pela população, como já atestaram várias pesquisas, como podem liderar as pesquisas? A resposta é simples.

Primeiro, é ponto pacífico que candidaturas que desfrutam de verbas milionárias, exércitos de cabos eleitorais e ativistas, farto tempo de propaganda e o apoio de gestores que comandam máquinas administrativas têm que conseguir algum resultado. Se não estivessem com pelo menos 15% cada uma, seriam dois desastres ambulantes.

Roberto Cláudio e Elmano de Freitas certamente possuem diversas qualidades, mas não foram por elas que subiram. Foi por serem prepostos de seus chefes políticos. Como candidatos, o fato de que nenhum dos dois consegue disparar mostra que o arranjo de última hora é pesado de carregar. Daí a expectativa que animou os adversários de campanha e que gera um segundo elemento de análise: a dispersão do voto de oposição.

Qual a alternativa para quem não quer continuidade?

Como a eleição será em dois turnos, a pulverização dos votos acaba beneficiando os candidatos oficiais. Mesmo estando na casa dos 20%, essas candidaturas conseguem a liderança por falta que opositores que consigam se apresentar como alternativa viável.

Ao eleitor que não deseja a continuidade, resta apenas uma opção capaz de alterar o cenário: o voto útil. Em outras palavras, seria a escolha por um nome que possa fazer frente aos escolhidos das máquinas. Nada garante que os votos de um candidato de oposição migrassem todos para um outro, mas o fortalecimento de um contraponto teria mais chances de capitalizar a insatisfação do eleitor com o atual governo.

Nesse cenário, pelas pesquisas Datafolha e Vox Populi, somente Moroni Torgan e Heitor Férrer poderiam tirar um deles do segundo turno. Caso o eleitor permaneça fiel ao seu escolhido, mesmo sabendo que não tem chance, saberá antecipadamente que na equação eleitoral, terminou contribuindo com o projeto político do governador Cid ou da prefeita Luizianne.

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Corruptos aliviados: Justiça impede investigação do TCE no caso dos “banheiros fantasmas”

Por Wanfil em Ceará, Judiciário

26 de setembro de 2012

O dinheiro sumiu e a esperança dos responsáveis é protelar indefinidamente qualquer investigação. Que a Justiça esteja atenta a isso. Foto: Jangadeiro Online

No momento em que o Supremo Tribunal Federal sinaliza ao país que fora da institucionalidade não há salvação e que o Judiciário é a instância por natureza capaz de romper com a tradição de impunidade nos crimes de corrupção no Brasil, uma outra notícia mostra o quanto o caminho a percorrer ainda é longo: Mandado de Segurança suspende tramitação de processos sobre kits sanitários no Tribunal de Contas do Estado.

Relembrar é viver

Para quem não lembra, a Secretaria das Cidades do Ceará, uma pasta que ninguém sabe explicar muito bem para que serve, liberou recursos para a construção de kits sanitários em diversos municípios do estado. As verbas eram repassadas para associações comunitárias de fachada através de convênios milionários cuja execução não era fiscalizada pela Secretaria.

Em muitos casos, os equipamentos simplesmente não foram construídos, o dinheiro sumiu e ninguém, até o momento, foi responsabilizado ou punido.

A arte de protelar ações para garantir a impunidade

O TCE investigava 92 convênios em 47 municípios no exercício de 2010. No entanto, um  mandado de segurança assinado pelo desembargador Haroldo Correia de Oliveira Máximo, do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), suspendeu o processo que analisava o convênio celebrado entre a Secretaria das Cidades e a Sociedade de Proteção e Assistência à Maternidade e à Infância de Pacajus.

A entidade recebeu R$ 400 mil do governo estadual sem que NENHUM banheiro tivesse sido construído. O caso pode servir de parâmetro para outros pedidos semelhantes.

Não vou entrar no mérito da decisão, objeto para os técnicos e estudiosos das questões processuais. Observo apenas que é notória a capacidade dos “operadores do Direito” no Brasil de protelar e prolongar ações judiciais, até que sejam prescritos os crimes atribuídos aos seus clientes. No caso do mensalão, por exemplo, os melhores criminalistas atuam nesse sentido, mas o STF tem atuado no sentido de evitar esses truques.

Não é de hoje que o perigo está na demora

No fundo, corruptos em geral apostam nessa lentidão. Daí a dificuldade em distinguir o legítimo e irrestrito direito à defesa com manobras que visam apenas atrapalhar as investigações e os julgamentos. Ainda que a suspensão das investigações esteja tecnicamente correta, o fato é que os responsáveis pelo sumiço do dinheiro respiram aliviados.

O romano Tito Lívio, já nos primeiros anos da era cristã, alertava : “Periculum in mora“.  Em português, “o perigo está na demora”. É nisso que os larápios confiam.

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Vox Populi em Fortaleza: Da expectativa de mudança para a tendência de continuidade

Por Wanfil em Eleições 2012, Pesquisa

24 de setembro de 2012

A expectativa de mudança expressa no descontentamento do eleitor com uma gestão rachada motivou outras candidaturas em Fortaleza. Sobrou promessa e faltou combate.

Na reta final da campanha eleitoral mais disputada dos últimos anos em Fortaleza, a pesquisa Vox Populi divulgada nesta segunda-feira (24), mostra a primeira mudança na liderança da disputa. Faltando pouco menos de duas semanas para os eleitores irem às urnas, os candidatos Elmano de Freitas (PT) e Roberto Cláudio (PSB) aparecem com 20% das inteções de voto, seguidos de Moroni Torgan (DEM) com 17% e Heitor Férrer (PDT) com 9%.

O  levantamento tem margem de erro estimada de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos, a menor até o momento, com intervalo de confiança é de 95%. Evidentemente, pesquisas eleitorais apresentam o retrato estático de uma realidade em movimento. O que vale, portanto, é verificar a consolidação de tendências.

Sobe e desce

Faltando pouco menos de duas semanas para os eleitores irem às urnas, Moroni perde a liderança. No intervalo de um mês, o candidato do Democratas perdeu nove pontos, de 26 para 17% . Elmano e Roberto subiram oito pontos cada. Heitor subiu apenas um, dentro da margem de erro.

Como sempre, não é possível fazer previsões exatas, especialmente para uma eleição acirrada. Com o tempo que falta, é a hora de quem não está garantido – e ninguém está – fazer suas apostas estratégicas finais.

Como a campanha de Moroni irá reagir ao novo cenário? Deve atacar algum dos adversários com mais ênfase ou se resguarda para ser cortejado caso não passe ao segundo turno? O PT nacional desembarca em peso para reforçar a campanha de Elmano? Bastará a Roberto Cláudio  o apoio de Cid? São fatores que ser determinantes na decisão do eleitor.

O Vox Populi mostra que a rejeição do candidato petista é maior do que a do candidato do PSB: 14% contra nove porcento, respectivamente. No entanto, a de Roberto Cláudio cresceu em ritmo mais acelerado, quase dobrando ao subir quatro pontos; enquanto Elmano variou três pontos. Nesse ponto reside o maior trunfo para alimentar as esperanças de Heitor Férrer, que é rejeitado somente por 2% dos entrevistados.

Dos padrinhos políticos com cargo no executivo, a presidente Dilma aparece como a mais bem avaliada, com 73% de aprovação, contra 50% Cid e 31% de Luizianne.

Dupla condição: novidade e continuidade

Se o eleitorado da capital cearense se notabilizou nacionalmente por uma certa rebeldia capaz de promover reviravoltas surpreendentes, o momento parece ser de estilo mais conservador. Pela segunda vez seguida Luizianne entra desgastada para uma disputa e no decorrer do período eleitoral consegue reverter um quadro de derrota anunciada. A primeira como candidata e agora como madrinha de uma candidatura. Meses atrás poucos se arriscariam a dizer que o seu escolhido teria alguma chance.

Nesse quadro, a alternativa que se viabiliza, segundo o Vox Populi, é o candidato de um partido que esteve com a atual gestão durante oito anos.

Assim, temos o quadro inusitado de uma eleição que nasce com a expectativa de mudança, uma vez que a gestão apresenta alto índice de desaprovação, mas cujos candidatos que lideram a preferência do eleitorado são justamente dois ligados ao modelo em vigor. A conclusão mais imediata é a de que a oposição falhou por não consegui capitalizar esse desejo de transformação, enquanto os governistas buscaram rostos desconhecidos travestidos  de novidade administrativa.

Durante a campanha, os adversários dos candidatos das máquinas não expuseram essa condição de continuidade que ambas possuem, na esperança de conquistar eleitores apenas com uma agenda positiva, cheia de projetos com nomes bacanas, mas sem a antipatia da crítica política.

Como eu disse, o eleitorado de Fortaleza tem histórico de volatilidade. Aqui, tendências podem mudar mais rápido do que em outras capitais. No entanto, o Vox Populi mostra um cenário de continuísmo se consolidando. Para revertê-lo, é preciso mais do que sorrisos e promessas. É preciso combate.

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José Guimarães acusa a imprensa e avisa: “Vamos tomar uma medida: A regulamentação da comunicação”

Por Wanfil em Imprensa

24 de setembro de 2012

Imagem: Frame de vídeo em que o parlamentar defende a regulamentação da imprensa para evitar acusações contra Lula, tudo em nome da democracia.

O deputado federal José Guimarães (PT) reagiu à movimentação dos partidos de oposição, que anunciam a pretensão de solicitar uma investigação sobre a participação do ex-presidente Lula no caso do mensalão.

Em vídeo gravado para o Partido dos Trabalhadores, o parlamentar sustenta que está em curso uma “ação orquestrada” em que a mídia agiria com interesses políticos: “A mídia não pode ser partido político. E passadas as eleições, nós do PT vamos tomar uma medida, quer queira, quer não queira: a regulamentação da questão da comunicação no país. (…) O Lula pertence a um patrimônio da democracia brasileira. Criminalizar o Lula é criminalizar a democracia brasileira.

O título do vídeo informa que o protesto é direcionado contra “as mentiras da revista Veja”, em referência à recente publicação de supostas declarações atribuídas a Marcos Valério acusando Lula de ser o verdadeiro chefe do mensalão. Entretanto, apesar do título, Guimarães não cita nenhum veículo em particular. Sobre Valério, também não faz comentários.

A diferença entre mensagem e mensageiro

A revista Veja aborda esse tema na Carta ao Leitor da edição desta semana e vai direto ao ponto: “Quem se sentiu prejudicado pela divulgação das informações do homem do dinheiro do mensalão tem a possibilidade de interpelá-lo publicamente ou procurar reparação na Justiça. Marcos Valério está vivo e tem endereço conhecido. A mensagem é de Marcos Valério. VEJA foi a mensageira”.

É isso! Se José Nobre Guimarães e o PT entendem que Lula não sabia de nada sobre o mensalão, o que é legítimo, a solução é buscar a interpelação judicial contra Valério. A ideia de que Lula seria praticamente inimputável por encarnar a quintessência da democracia brasileira, além de exagero, beira à mistificação personalista. É claro que Lula é uma espécie de símbolo do petismo, daí ser natural a reação que procura o ataque como defesa. Estranho é ela ser dirigida contra os mensageiros, e não contra os autores das mensagens.

Liberdade de imprensa e democracia

Guimarães cumpre o papel que lhe cabe nesse cenário de embate político. Não nega o mensalão, nem diz que o STF errou. Essa etapa já passou. Seu foco agora é a atuação da imprensa, ou da mídia, como ele diz. Leia mais

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O mensalão com aspas de Leonardo Boff e um alerta

Por Wanfil em Brasil

20 de setembro de 2012

Leonardo Boff (à direita) com Lula e José Dirceu – O teólogo tergiversa e não vai ao ponto: Os mensaleiros usaram o PT ou se o PT usou os mensaleiros? Eis a questão. (Foto: Antonio Cruz – Agência Brasil)

O teólogo Leonardo Boff assina o artigo Manter viva a causa do PT: para além do “Mensalão” , publicado simultaneamente nos sites de José Dirceu (onde é colunista) e do grupo Democracia Socialista (uma das tendências internas do Partido dos Trabalhadores), afirmando que o julgamento do mensalão tem sido meticulosamente usado para atingir o partido como um todo, fato que ensejaria uma reação de filiados e simpatizantes.

Certo ou errado, esse é um raciocínio legítimo, reflexo do próprio instinto de sobrevivência. O problema é que na sequência dessa argumentação Boff insinua que o mensalão teria sido uma espécie de desvio acidental, impulso isolado cometido por indivíduos menores que se deixaram seduzir pelo poder, e que por isso traíram a essência ideológica e moral do partido. Daí as aspas do título no referido artigo.

A questão é que o mensalão não foi acidente casual, uma vez que o esquema foi comandado pelos líderes da sigla, alguns dos quais seus fundadores. Nesse caso, o mensalão está mais para método do que para tentação de ocasião. Se os mensaleiros usaram o PT ou se o PT usou os mensaleiros, isso acabe ao próprio petismo dizer.

E os outros partidos?

Leonardo Boff afirma que a associação automática e generalizada entre o mensalão e o PT é obra do conservadorismo e da luta de classes. Quais lideranças de classe e quais agentes conservadores seriam esses, Boff não diz. Talvez não possa fazê-lo sob pena de envolver algum financiador de campanha ou companheiro da base de apoio do governo. Mas é verdade que o PT responde sozinho, perante a opinião pública, por ilícitos cometidos em parcerias com outros partidos. Ninguém fala do PP, do PL (hoje PR) ou do PTB de Roberto Jefferson.

No entanto, isso não prova ressentimento de classe ou discriminação ideológica, apenas revela o contraste que entre siglas que nunca foram levadas a sério e uma que gozava de imenso prestígio e credibilidade. Quem se fez o mais poderoso e rico partido do país prometendo acabar com a corrupção foi o PT. De resto, o papel dos demais partidos nessa trama é o de cúmplice, não o de protagonista.

Decepção e fuga

Escrevo pensando em amigos que gostam do PT, gente boa que acredita nele. Compreendo a decepção que eles vivem, assim como outros tantos, muitos dos quais apostaram de boa fé no mito pueril do monopólio da ética exercido pela esquerda, mas querer negar a realidade dos fatos com subterfúgios teóricos é outra forma de corrupção, que dessas vez atenta contra a inteligência. Leia mais

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Que tipo de cidade está sendo debatida nestas eleições?

Por Wanfil em Eleições 2012, Política

18 de setembro de 2012

Sem olhar para os rostos, você sabe diferenciar as propostas dos candidatos à prefeitura da sua cidade? O que eles querem? O que nós queremos?

Um dos benefícios que as campanhas eleitorais pode oferecem nas democracias é a possibilidade de colocar na ordem do dia o confronto entre diferentes visões sobre o papel do poder público – e da sociedade – no encaminhamento de soluções para os problemas de uma cidade, estado ou país.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o embate entre democratas e republicanos reflete uma preocupação de ordem conceitual sobre a própria identidade americana: a economia precisa de mais gastos públicos ou de corte de impostos? Apresentadas as opções, os eleitores americanos escolherão que tipo de proposta lhes parece mais adequada para o momento.

Encenações vazias 

Descontadas as devidas diferenças e projetando a essência da questão para a nossa realidade, podemos nos perguntar: Que projetos estão em curso na atual campanha eleitoral? Que cidade está sendo debatida nessas eleições? Quais aspirações emanam desse debate? Qual a noção de espírito público que anima seus protagonistas (candidatos e eleitores)? A resposta é um enorme silêncio, um vácuo preenchido por fórmulas prontas e discursos decorados. Leia mais

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Afinal, qual o resultado prático das greves nas universidades federais? E quem paga a conta?

Por Wanfil em Brasil

14 de setembro de 2012

Quem paga a conta das greves do setor público que terminam sem nada resolvem? Resposta: o contribuinte! De maioria pobre e sem diploma universitário.

Foram meses de paralisação. Alunos sem aula, custos com a manutenção de prédios vazios, atraso na formação de mão de obra qualificada, semestre retomado às pressas para atender ao formalismo do calendário acadêmico, prejuízo para o contribuinte que sustenta o ensino superior nas universidades federais e para os alunos que estudam de verdade. Nesse caso, prejuízos financeiros e pedagógicos. “Não existe almoço grátis”, ensinava o saudoso Milton Friedman. Não existe ensino gratuito, muito menos greve gratuita. Alguém sempre paga a conta, meus caros.

A relação custo-benefício

A questão é saber se o resultado compensa, digamos, o investimento. Uma greve que repara injustiças, que valoriza a profissão e a instituição ou que proporciona correções de rumo preservando a natureza e a qualidade dos serviços prestados, pode-se dizer, se converte em ganho para a sociedade. Portanto, encerrado o movimento dos docentes dessas instituições, cabe perguntar aos seus líderes: Qual o resultado de tudo isso?

Certamente os professores recuaram para “salvar” o semestre letivo e não prejudicar ainda mais os alunos. Aliás, esse é um roteiro previsível. Grevistas nunca ultrapassam o prazo limite para o cancelamento do semestre (imaginem quantas ações judiciais não decorreriam dessa perda). E o governo sabe disso. E como greve em universidade pública não causa danos imediatos, o governante da hora nem mesmo é pressionado pela população. Dilma Rousseff não perdeu um minuto de sono por causa dessa paralisação.

Perguntas

Dessa forma, algumas questões podem e devem ser levantadas agora que o movimento acabou. Será que a greve é o melhor instrumento de pressão para reivindicar o que quer que seja nessas universidades? Pela frequência com que são feitas, as greves não acabaram banalizadas? Por que não há greve em universidades ou faculdades particulares? O movimento terminou e o que mudou em relação à política de expansão das universidades públicas ou à carreira docente? Qual o custo de um semestre perdido e reposto com aulas improvisadas? Como encarar os alunos? Leia mais

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Pesquisa Datafolha: Arrancada de Heitor? Piso de Moroni? Teto das máquinas?

Por Wanfil em Eleições 2012, Pesquisa

12 de setembro de 2012

Eleições em Fortaleza: O tempo corre e a disputa se afunila.

De acordo com a mais recente pesquisa do instituto Datafolha o próximo prefeito de Fortaleza tem tudo para ser um desses nomes: Moroni Torgan (DEM), com 22%; Roberto Cláudio (PSB), que aparece com 17%, Elmano de Freitas (PT), 16% e Heitor Ferrer (PDT), com 14%. O levantamento, encomendado pelo jornal O Povo e divulgado nesta quarta-feira, tem margem de erro de três pontos percentuais.

Mais distantes, os demais candidatos que pontuaram aparecem na seguinte sequência: Renato Roseno (PSOL) com 8%, Inácio Arruda (PC do B) com 6% e Marcos Cals (PSDB) com 3%.

É claro que nenhuma possibilidade deve ser descartada, pois as variáveis são muitas e movediças. No entanto, tendências se consolidam e, por sua vez, alimentam novos cenários e especulações. Nesse momento, faltando menos de um mês para o primeiro turno, tudo indica que os desempenhos de Moroni Torgan e de Heitor Férrer serão o fiel da balança. O democrata cairá o suficiente para não continuar na próxima fase? E o pedetista manterá o crescimento recente a ponto de ultrapassar os favoritos?

Na cadência de Moroni

Moroni continua liderando a disputa com folga superior à margem de erro. Apesar da trajetória de queda ter se confirmado – menos três pontos em relação a última pesquisa Datafolha –, o ritmo da descida foi menos intenso do que desejavam seus adversários, contrariando os que já apostavam num inevitável segundo turno entre Roberto Cláudio e Elmano de Freitas.

Como essa não é uma eleição polarizada entre dois nomes, a cadência da oscilação de Moroni na pesquisa pode vir a ser seu único trunfo. Seu desafio é buscar reduzir a perda nas intenções de votos, para se manter em condição de competitividade. Se o democrata estiver perto do próprio piso, a situação fica mais complicada para os demais, pois sua queda pode estancar. Não está garantido para o segundo turno, mas ainda briga com boas chances pela vaga.

Moroni pode virar alvo da artilharia pesada dos candidatos com maior poder de fogo e espaço na propaganda eleitoral, o que não aconteceu até agora. No entanto, não é certo para onde iriam os votos dele.

O enigma de Roberto Cláudio e Elmano de Freitas

Candidatos com as maiores estruturas de campanha, representantes das máquinas estadual e municipal, tudo indica que o forte crescimento que os dois experimentaram na largada agora se estabilizou. Ambos subiram apenas um ponto no Datafolha. Apesar de todo o apoio que possuem, continuam tecnicamente empatados na segunda colocação, agora estão ameaçados por Heitor.

Tanto Elmano como Roberto Cláudio estão no páreo, evidente. Todavia, a pesquisa sugere que a força das máquinas já fizeram por eles o que podiam. Escrevi no início da campanha que o desafio dos dois seria mostrar liderança própria, capaz de transcender a indicação de seus padrinhos políticos, a prefeita Luizianne e o governador Cid Gomes. Lançados de última hora na esteira de um rompimento políticos entre PT e PSB, novatos em disputas majoritárias e sem imagem trabalhada anteriormente perante a opinião pública, resta à dupla aguardar para ver o que farão os seus estrategistas e líderes. De qualquer forma, historicamente, convém não duvidar da força da máquinas em eleições.

Heitor Férrer

O eleitorado de Fortaleza costuma a surpreender políticos, analistas e estatísticos. A julgar pelos números do Datafolha, se alguma candidatura pode incorporar essa tradição de reviravoltas é a de Heitor Férrer, que subiu quatro pontos no levantamento.

A mensagem que prioriza a ideia de independência em relação aos comandos do governador e da prefeita, acenando como uma espécie de terceira via de poder no Ceará, associada à imagem de político sério construída por Heitor em seus mandatos como parlamentar, parecem ter surtido efeito. Como tem o menor índice de rejeição – apenas 10% dos entrevistados disseram que não votariam no pedetista –, Heitor é o candidato que conta hoje com o melhor cenário para crescer.

Cenários e especulações

Os candidatos que lideram a disputa vivem um duplo desafio. Por um lado, precisam garantir passagem para o segundo turno, ao mesmo tempo em que precisam preservar pontes de diálogo para angariar o apoio de quem ficar pelo caminho.

Como a briga entre PT e PSB poderá influenciar nessas composições? Em caso de ataques, quem escolher como alvo agora? A pressão criada pelo desempenho nas pesquisas pode reforçar o clima de beligerância os grupos envolvidos e contaminar programas de rádio e televisão. Quem jogará a primeira pedra? Como eu disse no início, novos cenários alimentam novas especulações.

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Movimento contra “a corrupção” faz corruptos tremerem na base?

Por Wanfil em convidado

12 de setembro de 2012

Caros,

Vez por outra o blog abre espaço para convidados. As condições são a parcialidade em relação a algum valor, o apartidarismo político e o não alinhamento com o politicamente correto (todo sujeito politicamente correto é um autoritário, como bem indica a palavra correto). Nada da falsa isenção que a tudo e a todos iguala. Segue abaixo.

Por Fabuloso Inocêncio *

Para completar o quebra-cabeça contra a corrupção é preciso dar nome aos bois. Não há crime sem criminoso. Foto: Corbis

Cearenses que integram o grupo “Unidos Contra a Corrupção”, estudantes a maioria, fincaram 190 cruzes no aterro da Praia de Iracema, por ocasião das comemorações do 7 de setembro. Uma das organizadoras do ato explicou: “A gente está completando 190 anos de independência e infelizmente todos esses anos marcados pela corrupção. A gente está colocando 190 cruzes em protesto, representando 190 anos de corrupção, com o objetivo de trazer reflexão para a sociedade”.

Outro dos organizadores do velório cívico disse a um jornal local: “O Instituto Transparência Brasil divulgou pesquisa que revela que, a cada ano, R$ 85 bilhões de reais vão para a corrupção, recursos que poderiam ir para a saúde, educação, saneamento, segurança e moradia. A independência que o brasileiro quer é o de ver essas necessidades mencionadas sendo resolvidas, e que aqueles que roubam o dinheiro do povo sejam exemplarmente punidos”.

É de se imaginar que essa frente de jovens imbuídos de espírito moralizante tentaria fazer alguma coisa contra as pessoas de carne e osso que efetivamente fraudam, desviam, roubam dinheiro público. Segundo o manual de lógica, seria bem estranho um movimento contra a corrupção que não fosse um movimento contra os corruptos. Mas esse grupo de protesto age de um modo peculiar. Avaliando pelas declarações de seus integrantes à imprensa e pelas fotografias dos atos que publicam na internet, parece que o interesse principal deles consiste em proferir palavras de ordem contra “a corrupção” como um mero conceito, ignorando os agentes que promovem o estado de coisas que o grupo afirma deplorar.

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Movimento contra “a corrupção” faz corruptos tremerem na base?

Por Wanfil em convidado

12 de setembro de 2012

Caros,

Vez por outra o blog abre espaço para convidados. As condições são a parcialidade em relação a algum valor, o apartidarismo político e o não alinhamento com o politicamente correto (todo sujeito politicamente correto é um autoritário, como bem indica a palavra correto). Nada da falsa isenção que a tudo e a todos iguala. Segue abaixo.

Por Fabuloso Inocêncio *

Para completar o quebra-cabeça contra a corrupção é preciso dar nome aos bois. Não há crime sem criminoso. Foto: Corbis

Cearenses que integram o grupo “Unidos Contra a Corrupção”, estudantes a maioria, fincaram 190 cruzes no aterro da Praia de Iracema, por ocasião das comemorações do 7 de setembro. Uma das organizadoras do ato explicou: “A gente está completando 190 anos de independência e infelizmente todos esses anos marcados pela corrupção. A gente está colocando 190 cruzes em protesto, representando 190 anos de corrupção, com o objetivo de trazer reflexão para a sociedade”.

Outro dos organizadores do velório cívico disse a um jornal local: “O Instituto Transparência Brasil divulgou pesquisa que revela que, a cada ano, R$ 85 bilhões de reais vão para a corrupção, recursos que poderiam ir para a saúde, educação, saneamento, segurança e moradia. A independência que o brasileiro quer é o de ver essas necessidades mencionadas sendo resolvidas, e que aqueles que roubam o dinheiro do povo sejam exemplarmente punidos”.

É de se imaginar que essa frente de jovens imbuídos de espírito moralizante tentaria fazer alguma coisa contra as pessoas de carne e osso que efetivamente fraudam, desviam, roubam dinheiro público. Segundo o manual de lógica, seria bem estranho um movimento contra a corrupção que não fosse um movimento contra os corruptos. Mas esse grupo de protesto age de um modo peculiar. Avaliando pelas declarações de seus integrantes à imprensa e pelas fotografias dos atos que publicam na internet, parece que o interesse principal deles consiste em proferir palavras de ordem contra “a corrupção” como um mero conceito, ignorando os agentes que promovem o estado de coisas que o grupo afirma deplorar.

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