agosto 2012 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

agosto 2012

Pesquisa Vox Populi/Band/Jangadeiro: A força das máquinas começa a pesar na balança

Por Wanfil em Eleições 2012

30 de agosto de 2012

Pesquisa Vox Populi mostra quadro em Fortaleza após o início da propaganda eleitoral gratuita

A pesquisa Vox Populi Band / Jangadeiro para Fortaleza divulgada nesta quarta-feira (29), com margem de erro de 3 pontos  percentuais e realizada entre os dias 25 e 27 de agosto, mostra o seguinte quadro:

Moroni Torgan (DEM) – 26%
Elmano de Freitas (PT) – 13%
Roberto Cláudio (PSB) – 12%
Inácio Arruda (PC do B) – 9%
Heitor Ferrer (PDT) – 9%
Renato Roseno (PSOL) – 7%
Marcos Cals (PSDB) – 3%
André Ramos (PPL) – 1%
Francisco Gonzaga (PSTU) – 0%
Valdeci Cunha (PRTB) – 0%
Ninguém, Brancos e nulos – 5%
Não sabem ou não respondera – 15%

Efeito propaganda

É o primeiro levantamento do Vox Populi para as eleições deste ano em Fortaleza. Por ter sido feito após um razoável tempo de exposição dos candidatos na propaganda eleitoral gratuita, mostra um cenário que já sente o efeito dos programas de rádio e televisão.

Moroni

Moroni aparece na liderança com o dobro do segundo colocado, situação que naturalmente o transforma em alvo. Não por acaso o inserts do candidato democrata já assumem postura defensiva. Com pouco tempo de propaganda e sem aliados de peso, o desafio de Moroni consistirá, basicamente, na tentativa de administrar a vantagem que possui em relação aos demais, buscando retardar ao máximo qualquer redução nessa distância.

Se o recall foi importante para posicioná-lo na frente desde o início da disputa, assim como a imagem de oposicionista diante de uma gestão mal avaliada, isso agora não basta mais para manter a dianteira. O recall perde força à medida em que os outros candidatos se apresentam aos eleitores. A imagem de oposicionista ganha concorrentes dispostos a criticar o governo e passa a enfrentar o contra-discurso do candidato da situação. Hora de procurar outros diferenciais para conquistar eleitores.

Elmano e Roberto

Candidatos que surgiram sob o signo da ruptura entre Luizianne Lins e Cid Gomes, Elmano de Freitas e Roberto Cláudio vivem situação inversa ao líder da pesquisas: contam com grandes estruturas partidárias, farto aporte financeiro e gozam dos maiores tempos na propaganda. Não por acaso surgem tecnicamente empatados na disputa pela segunda colocação. É a força da máquina que se impõe gradualmente, ou seja, a famosa capacidade que os grupos instalados em governos têm de atrair apoios e recursos.

No entanto, se por um lado essa condição compensa a inexperiência dos dois candidatos, ambos novatos em disputas majoritárias e desconhecidos do público, por outro constitui enorme fator de risco, por herdar os ressentimentos do racha entre PT e PSB na capital. Em outras palavras, as circunstâncias podem levá-los a travar duro combate ainda no primeiro turno, que pode fustigar eleitores e dar a chance para que outros candidatos se apresentem como uma espécie terceira opção, de perfil moderado e propositivo. Não seria novidade. A própria Luizianne Lins foi eleita prefeita após se beneficiar estrategicamente do excesso de agressividade e de acusações trocadas entre os líderes daquela eleição.

 Inácio e Heitor

O comunista e o pedetista aparecem empatados com 9%. Mesmo com estruturas reduzidas, os dois estão dentro da margem de erro em comparação com os candidatos apoiados pelo governador e a prefeita. Como ainda há muito tempo até o dia da eleição, tudo pode acontecer e essas candidaturas também se mostram competitivas. São nomes que podem encarnar a imagem acima citada, de uma segunda opção de voto caso o eleitorado rejeite um eventual acirramento na campanha.

Renato Roseno e Marcos Cals

Tanto Roseno como Marcos Cals são políticos que já demonstraram ter fôlego nas retas finais. Ficam ali nas pesquisas sem chamar tanto a atenção, mas conseguem absorver boa parte dos indecisos no decorrer do processo eleitoral.  Isso, evidentemente, não serve de consolo para ninguém. Será preciso aguardar outras pesquisas para saber como essas campanhas se comportam e então saber se podem figurar com potencial de surpresa.

André Ramos, Francisco Gonzaga e Valdeci Cunha

Estão em situação complicada e não mostram expressão no levantamento.

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A CPI do Bolsa Família e o Código de Ética da Câmara de Fortaleza: a ordem dos fatores altera o produto

Por Wanfil em Câmara de Vereadores

28 de agosto de 2012

Não por acaso as Comissões Parlamentares de Inquérito são comumente associadas a pizzas. É festa.

Leio no blog Polítika, da jornalista Kézya Diniz, que a Câmara Municipal de Fortaleza anunciou a instalação da CPI do Bolsa Família para investigar “a fragilidade do programa de transferência de renda” na capital cearense, depois da revelação de que a esposa do vereador Leonelzinho Alencar (PTdoB) recebia dinheiro do programa.

Não acredito mais em Comissões Parlamentares de Inquérito. Aliás, não acredito que ainda exista quem acredite nelas, principalmente depois que virou moda a recusa dos investigados em responder quaisquer perguntas que lhes sejam feitas nessas comissões. Assim, seria necessário árduo trabalho investigativo e sobretudo muita vontade para compensar a ausência de depoimentos reveladores, com a coleta de dados técnicos como provas. Portanto, agora, quem tem medo de CPI?

Tradição

Na verdade, se não houver uma intensa disputa política como força propulsora da CPI, muito provavelmente nada acontecerá, nada será apurado, ninguém será punido. De resto, como bem mostram os livros de história, nossa tradição política mais antiga é a da conciliação, que celebra o pragmatismo amoral como estratégia de perpetuação no poder, em detrimento da preservação de valores morais. (Ver A Consciência Conservadora no Brasil, Paulo Mercadante, 1965).

Veja mais:
Vereador Leonelzinho chora e diz que não sabia que esposa recebia verba do Bolsa Família

Leia mais

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Greve nas universidades públicas: “O velho que não quer passar e o novo que não quer chegar”

Por Wanfil em Brasil

24 de agosto de 2012

Professores federais no Ceará decidem greve levantando cartões vermelhos, a cor da revolução. Foto de arquivo com aplicação de efeito. Expressão de um passado que insiste em permanecer presente, como um quadro antigo na parede.

Professores da UFC e Unilab-CE encerraram nesta semana uma greve que durou cerca de 70 dias. No entanto, alguns grevistas não concordaram com a decisão e protestaram em frente à sede do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais do Ceará (Adufc), que divulgou nota pública: “A ADUFC-Sindicato lamenta que a situação tenha chegado a esse nível de conflito, que vem se agravando desde as últimas assembleias”.

A nova luta

Quando estudei na UFC, entre 1993 e 1998, testemunhei de perto duas greves. As justificativas eram sempre as mesmas, mais ou menos apresentadas de acordo com uma suposta ordem de importância: Por uma universidade pública e gratuita de qualidade; contra a privatização; contra o neoliberalismo; por melhores condições de trabalho; e finalmente, por melhores salários. Evidentemente, em sala de aula e nos corredores da universidade, docentes e agitadores do movimento estudantil afirmavam que a única forma de conseguir tudo isso rapidamente seria derrotar a direita e eleger um companheiro de esquerda, sensível ao papel da educação e com “vontade política”. Mais precisamente, era preciso eleger o operário Lula da Silva.

Como todos sabem, Lula foi eleito, re-eleito e ainda elegeu sua sucessora. E como está a faculdade? Está em greve, ora bolas! É o vício do cachimbo que entorta a boca. Sem o mote ideológico, restou ao espírito do ativismo acadêmico, formado ao longo de quatro décadas, procurar uma nova causa: o aumento salarial, puro e simples, sem cobrança por desempenho, que este é um conceito burguês e capitalista.

Uma das boas coisas de termos a esquerda no poder é a comprovação histórica de que as universidades públicas foram aparelhadas por um projeto político. Agora, sem inimigos ideológicos para combater, nossos “intelectuais” começam a se estranhar entre si. Os alunos que paguem o preço de perder aulas. E os alunos, jovens doutrinados desde o ensino básico, ainda acreditam que tudo isso é por uma causa nobre.

Conservadorismo disfarçado

O filósofo alemão Ernst Bloch (18885-1977), de tendência marxista (veja a ironia), na trilogia O Princípio da Esperança, descreve uma imagem para a Europa que serve perfeitamente para ilustrar a universidade pública no Brasil: “O velho que não quer passar e o novo que não quer chegar”. Os grevistas das universidades não querem as revoluções da boa gestão administrativa ou do mérito individual; querem mesmo é a manutenção de velhos paradigmas e garantia do conforto de grupo, das eternas discussões infecundas, do isolamento diante das necessidades de mercado e das vantagens financeiras. Se a conta não fechar, o Erário que cubra o déficit! É o conservadorismo mais profundo disfarçado de progressismo chique.

E assim, os anos passam e a história se repete. Leia mais

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Guia para os que amam a propaganda eleitoral gratuita – cinco passos

Por Wanfil em Crônica, Eleições 2012

23 de agosto de 2012

Só o eleitor é quem pode dar qualidade à propaganda eleitoral que assiste. Mas não é fácil.

O texto Dez sugestões de atividades para a hora da propaganda eleitoral gratuita, carinhosamente dedicado aos que a rejeitam, repercutiu bastante nas redes sociais e causou certa preocupação entre os que defendem incondicionalmente o horário eleitoral gratuito.

Alguns, limitando a leitura apenas ao título do post (hábito pouco aconselhável), confundiram artigo opinativo com matéria jornalística institucional. Erro compreensível, já que as paixões afloram a ansiedade. Outros expuseram contrapontos interessantes, argumentando que a propaganda eleitoral tem valor como instrumento de avaliação objetiva – e até de conscientização cívica!

Opinião pessoal e intransferível

Ainda no texto anterior, citei de passagem, e sem criticar, os que assistem ao horário eleitoral com satisfação, lembrando inclusive que há os que enxergam até certo humor nele. Agora, pensando especificamente no grupo dos que entendem a propaganda eleitoral na mídia eletrônica como peça sine qua non da democracia, resolvi elaborar um guia para que essa experiência seja a mais positiva possível. Não se trata de presunção, claro. Seria se eu me considerasse perfeitamente qualificado para desvendar todos os truques criados e executados por tarimbados profissionais do marketing político, coisa que, pelo que vi nas redes sociais, sobra aos montes por aí. Portanto, o guia é tão somente um exercício de reflexão. Não é matéria jornalística, mas uma mera OPINIÃO PESSOAL deste autor.

Dados os devidos esclarecimento, com vocês, meu Guia para Assistir a Propaganda Eleitoral Gratuita:

1 – Assista aos programas – Se você realmente considera o horário eleitoral algo fundamental, pouco importando a qualidade do que veiculam nele, um direito que se funde com uma obrigação, mantenha a disciplina e não o perca por nada neste mundo. Nada de dar opinião baseado no que ouviu dizer. Para ter autoridade ao cobrar os outros, é preciso ser, antes de tudo, exemplo;

2- Pesquise o passado do candidato – Uma das regras da propaganda política é “contar” a história do candidato, apresentá-lo ao eleitor, enfatizando certas passagens e omitindo outras. Na última campanha presidencial, José Serra era um pobre vendedor de frutas e Dilma Rousseff uma freira de convento. Manipulações para encaixar o sujeito no personagem político fabricdo a partir de pesquisas de opinião. Assim, procure você mesmo saber sobre esses homens e mulheres que pedem o seu voto.

O candidato surgiu como? Onde atuava antes? É criação de terceiros ou é uma liderança legítima e autônoma? Diante de acusações, ele tira tudo a limpo ou tergiversa e se faz de desentendido? Ele dirigiu alguma ONG? Quem eram seus financiadores? (Não se surpreenda se você descobrir multinacionais e bancos sustentando anticapitalistas). O candidato é um governista inveterado ou um oposicionista crônico? (Posturas que mostram mostra oportunismo de um lado e inflexibilidade do outro). Com quem ele andou nos últimos anos? É leal? Em suma, tenha curiosidade e não se contente com apresentações oficiais; Leia mais

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Dez sugestões de atividades para a hora da propaganda eleitoral gratuita

Por Wanfil em Crônica, Eleições 2012

22 de agosto de 2012

Não acredita mais em tanta promessa? Está cansado da mesma conversa de sempre? Veja alternativas construtivas para aproveitar o tempo da propaganda eleitoral gratuita. Atenção para o décimo item.

Com o início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, começa o espetáculo de frases lidas em teleprompter, músicas insuportáveis, vinhetas cheias de efeitos e maquetes eletrônicas. Sem esquecer as imagens de candidatos caminhando em bairros periféricos, abraçando crianças, comendo pratos regionais em feiras livres ou fingindo que estão trabalhando em cenários cheios de livros. Todos iguais, ou quase iguais.

Na forma, uns abusam na exibição de padrinhos políticos, enquanto outros escondem aliados inconvenientes. Na essência, abundam leituras superficiais sobre problemas complexos e propostas batizadas com nomes simpáticos, no melhor estilo Mamãe Feliz, Saúde na Hora, Escola Primeiro Mundo (nomes fictícios), que desafiam qualquer projeção orçamentária.

É verdade que algumas pessoas gostam de assistir a propaganda eleitoral, até como programa de humor. Mas a maioria, que nunca prestou atenção ao noticiário político, mas que é obrigada a votar, senta desolada diante da televisão e espera a volta da programação normal. Foi pensando nesse público que pesquisei junto a amigos, dicas para aproveitar o horário eleitoral gratuito de forma construtiva e prazerosa. São sugestões colhidas de forma aleatória e muitas outras opções não foram contempladas.

Dez coisas para fazer durante a propaganda eleitoral:

1 – Conversar com a família – Sem jornais ou novelas para disputar a atenção de todos, essa é uma boa oportunidade para saber como as crianças estão na escola ou se o cônjuge tem novidades no trabalho;

2 – Ler um livro – Com 15 ou 20 páginas diárias, dá para passar o tempo e ainda adquirir cultura. Se a intenção for fugir da realidade, uma boa dica para disputar com as propagandas eleitorais são as ficções científicas; Leia mais

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A verdadeira lição do mensalão

Por Wanfil em Brasil, História, Ideologia

20 de agosto de 2012

José Dirceu liderando o PT em votação no Congresso (2000), quando a sigla gozava de uma espécie de monopólio da ética na política brasileira: tudo não passou de propaganda ideológica.

Se há uma lição em todo esse episódio do mensalão – independente do resultado do julgamento no STF – é a de que a virtude não tem ideologia ou partido político. Sei que isso parece uma tautologia, algo óbvio, mas a ilusão de que certas doutrinas detêm o monopólio da ética e da moral é muito mais presente no imaginário nacional do que podemos suspeitar de relance.

Fé cega 

O Partido dos Trabalhadores, por exemplo, construiu considerável reputação de partido de qualidades telúricas ao longo de duas décadas. Por que ele seria diferente dos demais? Pela origem de classe e pelo pedigree esquerdista. Bastaram-lhe essas credenciais para que seus filiados e prosélitos se apresentassem como antítese de “tudo isso que está aí”, uma variante burguesa e comportada, porém ambiciosa, da revolução proletária. Não eram necessários feitos ou fatos para sustentar a fé dos que ansiavam por uma nova era repleta de criaturas angelicais: o Brasil seria passado a limpo por gente de inspiração socialista. Uma vez no poder, o partido manteve a política econômica que outrora repudiou e assumiu com destemor as parcerias com os corrompidos de sempre, revelando que a insuspeita autoridade moral do passado era a mesma que instituiu o mensalão.

A reação para os que acreditaram e apostaram de boa vontade nesse teatro político foram três: 1) reconhecer que foi tapeado, como fez Chico de Oliveira; 2) negar os fatos e afundar ainda mais no mundo dos sonhos, como Marilena Chauí; 3) sair e começar tudo de novo, apostando no mesmo discurso, como o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

Simbologia e desconstrução

Agora, em período eleitoral, algumas siglas e candidatos buscam resgatar esse discurso de “venha conosco fazer uma política diferente”. Não interessa saber as intenções dos que professam esse tipo de mensagem. O problema é que ela nasce de um pensamento torto, feito para o consumo dos carentes de utopias ou dos que desacreditaram da política.

A virtude é atributo individual, para o bem e para o mal. Imaginar que determinado partido, ou de forma mais abrangente, que uma ideologia, possa servir de garantia de honestidade, como se fosse um tipo de carimbo de caráter, é presunção que bebe na fonte do voluntarismo totalitarista, que não aceita o contraditório. Filosoficamente, é a tentativa de projetar as culpas interiores do sujeito no anonimato da coletividade .

A importância do mensalão está justamente no que ele representa simbolicamente: a desconstrução de uma mentira histórica. Leia mais

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Bons textos não envelhecem: Lisbon Revisited (1923) – Álvaro de Campos

Por Wanfil em Textos escolhidos

19 de agosto de 2012

Vamos lá. Domingo é dia de arejar o blog. Reproduzo abaixo um dos textos preferidos de Álvaro de Campos, um dos heterônimos do poeta português Fernando Pessoa (1888-1935). Faço alguns comentários ao final.

O poeta Fernando Pessoa, retratado em tela do também português Júlio Pomar

Lisbon Revisited (1923)

NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!

Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas.
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) — Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.

Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!

Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia! Leia mais

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Plácido Domingo no Centro de Eventos e uma convenção nada plácida

Por Wanfil em Ceará

16 de agosto de 2012

Plácido Domingo em apresentação no Centro de Eventos do Ceará: Polêmica sobre valor do cachê ofusca importância da obra para o turismo. Foto: divulgação.

Todo o esmero e empenho verificados na construção, divulgação e  inauguração do novo Centro de Eventos do Estado do Ceará terminaram momentaneamente ofuscados pela notícia de que o show do cantor Plácido Domingo custou cerca de  R$ 3 milhões ao contribuinte cearense.

Cachê inflacionado?

Se o valor destinado à empresa promotora do evento corresponde ao valor integral do cachê cobrado pelo artista, isso não está discriminado no Diário Oficial, o que termina por alimentar especulações. Seria provavelmente um recorde no mundo da música erudita, talvez do show business. O próprio Plácido Domingo teria cobrado bem menos para um show no Rio do Janeiro, em maio de 2011, de acordo com o jornalista Ricardo Feltrin, no site UOL: Tenor pede US$ 500 mil e jatinho para show único no Brasil. Valor esse rejeitado pelos organizadores do evento, que alegaram saber que o cachê do espanhol nos EUA seria de US$ 70 mil.

De qualquer forma, a polêmica sobre os gastos no show de inauguração mancha o equipamento em seu nascedouro. Com efeito, o preço pago realmente é discutível. Se por um lado é preciso pensar grande para avançar e crescer, por outro não se pode perder a noção de realidade, que no caso do Ceará, é feita de privações históricas.

Repercussão

Não há dúvida de que existem muitas outras formas mais baratas e inteligentes de enaltecer dignamente uma obra dessa magnitude e importância. Do jeito que aconteceu, ficou caro e o retorno certamente não foi o esperado. O que deveria ter sido a divulgação positiva de um empreendimento estratégico, se transformou em foco de notícias com teor negativo na mídia nacional. Tiro no pé.

Resta o consolo de que as polêmicas passam e as obras ficam. Talvez essa certeza tenha sido o maior combustível para tamanha empolgação de nossos gestores, uma espécie de convenção tácita, porém, nada plácida.

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O Ceará no Ideb: educação longe do ideal

Por Wanfil em Brasil

15 de agosto de 2012

Entre 2007 e 2011, alunos do ensino médio melhoraram 0,3 pontos. A média agora é de 3,4. Avanço lento para um problema urgente.

O Índice de Desenvolvimento da Educação Brasileira (Ideb) de 2011 dos ensinos fundamental e médio de todo o Brasil comprova que: 1) a educação ofertada aos nossos jovens é de baixa qualidade; 2) pouco avançou nos últimos anos; 3) a rede pública é pior que a privada. Os resultados podem ser conferidos na íntegra no site do Ministério da Educação.

Seguem abaixo as notas obtidas no Ceará, com médias que variam numa escala de zero a 10.

4ª série / 5º ano

Total: Nota 4,9.  Meta projetada pelo MEC para 2011: 4,0.
Rede estadual: Nota 4,4.  Meta para 2011: 4,0.
Rede Privada: Nota: 6,0. Meta para 2011: 6,1.

8ª série / 9º ano

Total: Nota 4,2.  Meta projetada pelo MEC para 2011: 3,6.
Rede estadual: Nota 3,7.  Meta para 2011: 3,2.
Rede Privada: Nota: 5,7. Meta para 2011: 5,9.

3ª série Ensino Médio

Total: Nota 3,7.  Meta projetada pelo MEC para 2011: 3,6.
Rede estadual: Nota 3,4.  Meta projetada pelo MEC para 2011: 3,2.
Rede Privada: Nota: 5,9. Meta projetada pelo MEC para 2011: 5,8.

A boa notícia

Os números mostram que o Ceará conseguiu desempenho superior à meta estipulada pelo MEC. No ensino médio, comparado aos demais estados, a rede estadual do Ceará ficou em 9º lugar, à frente do Rio de Janeiro e do Distrito Federal, por exemplo. A situação é melhor na rede privada, que fica na 4ª posição, empatado com o Rio Grande do Sul e superando até mesmo São Paulo.

A má notícia

O desempenho nacional é muito, mas muito ruim mesmo. E olha que a rede privada é quem eleva a média, deixando claro que os alunos da rede pública estão em situação pior. A elevação nas notas registrado em 2011 foi obtido a partir de uma base de comparação deprimida. Portanto, o avanço registrado significa, na prática, que estamos um pouco menos piores, mesmo com metas bastante tímidas. Não se trata de ver os fatos com má vontade, pois é inegável que uma média de 3,4 para a rede estadual é um desastre. Trata-se de alunos absolutamente despreparados para a vida profissional e para colocar o Ceará e o Brasil numa posição razoável de competitividade com outras nações.

Vejam o que diz o próprio MEC: “Se o ritmo for mantido, o Brasil chegará a uma média superior a 6,0 em 2022. É o mesmo que dizer que teremos uma educação compatível com países de primeiro mundo antes do previsto“.

Ocorre que os países com educação de primeiro mundo não ficarão parados esperando pelo Brasil. Em 2022, suas médias também terão subido, talvez num ritmo maior do que o nosso. Leia mais

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A traição como doutrina política e as eleições em Fortaleza

Por Wanfil em Crônica, Eleições 2012

12 de agosto de 2012

Cena de A Rainha Margot: Fazendo-se amiga de Henrique de Navarra, Catarina de Médici busca transformar a traição em virtude. Qualquer semelhança com as eleições…

Num dos diálogos mais cínicos do cinema, no filme A Rainha Margot (1994), Catarina de Médici diz ao genro e futuro rei da França, Henrique de Navarra: “Que é a traição? A habilidade de se adaptar aos acontecimentos”. O ardil tinha por intenção transformar o erro em virtude para justificar a falta de princípios no ambiente sórdido da corte francesa no ano de 1572, quando as disputas sem limites pelo poder e a desmesurada ambição da nobreza fizeram dessa trama, baseada em fatos reais, símbolo perfeito do vale tudo para se dar bem.

Deixando o século XVI e voltando ao XXI, viajando da França monarquista para a República brasileira, e mais precisamente para as eleições municipais em Fortaleza, capital do Ceará, recordo também de Karl Marx: “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”. Apesar da distância e guardadas devidas as proporções históricas, os candidatos em evidência na atual disputa eleitoral preservam esse elemento clássico das relações de poder: o signo da traição na política.

Conveniências da hora

Não vou citar nomes, pois esta reflexão diz respeito a uma forma generalizada, embora a cada época, possua seus protagonistas de sucesso. Pense um pouco, amigo leitor, quantos candidatos que agora posam de críticos convictos dos descaminhos da gestão de Luizianne não estavam, até poucos dias atrás, com seus partidos controlando secretarias e órgãos municipais, administrando verbas públicas e principalmente, caladinhos, sem nada verem de errado na administração da qual eram sócios menores. Quantos não foram fiadores do governo que agora repudiam, colocando a própria credibilidade a serviço da reeleição da petista, garantindo aos eleitores que era esse o melhor caminho, apesar das fragilidades que já se faziam sentir naquele momento.

A gestão atual, evidentemente, não é vítima passiva. Leia mais

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A traição como doutrina política e as eleições em Fortaleza

Por Wanfil em Crônica, Eleições 2012

12 de agosto de 2012

Cena de A Rainha Margot: Fazendo-se amiga de Henrique de Navarra, Catarina de Médici busca transformar a traição em virtude. Qualquer semelhança com as eleições…

Num dos diálogos mais cínicos do cinema, no filme A Rainha Margot (1994), Catarina de Médici diz ao genro e futuro rei da França, Henrique de Navarra: “Que é a traição? A habilidade de se adaptar aos acontecimentos”. O ardil tinha por intenção transformar o erro em virtude para justificar a falta de princípios no ambiente sórdido da corte francesa no ano de 1572, quando as disputas sem limites pelo poder e a desmesurada ambição da nobreza fizeram dessa trama, baseada em fatos reais, símbolo perfeito do vale tudo para se dar bem.

Deixando o século XVI e voltando ao XXI, viajando da França monarquista para a República brasileira, e mais precisamente para as eleições municipais em Fortaleza, capital do Ceará, recordo também de Karl Marx: “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”. Apesar da distância e guardadas devidas as proporções históricas, os candidatos em evidência na atual disputa eleitoral preservam esse elemento clássico das relações de poder: o signo da traição na política.

Conveniências da hora

Não vou citar nomes, pois esta reflexão diz respeito a uma forma generalizada, embora a cada época, possua seus protagonistas de sucesso. Pense um pouco, amigo leitor, quantos candidatos que agora posam de críticos convictos dos descaminhos da gestão de Luizianne não estavam, até poucos dias atrás, com seus partidos controlando secretarias e órgãos municipais, administrando verbas públicas e principalmente, caladinhos, sem nada verem de errado na administração da qual eram sócios menores. Quantos não foram fiadores do governo que agora repudiam, colocando a própria credibilidade a serviço da reeleição da petista, garantindo aos eleitores que era esse o melhor caminho, apesar das fragilidades que já se faziam sentir naquele momento.

A gestão atual, evidentemente, não é vítima passiva. (mais…)