junho 2012 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

junho 2012

Pesquisa Ibope mostra aprovação recorde para o governo Dilma e apagão da oposição

Por Wanfil em Pesquisa

29 de junho de 2012

Pesquisas refletem cenários mutáveis. Cada momento permite diversas leituras, cada leitura diversos caminhos. O governo escolheu o seu enquanto a oposição fecha os olhos, esperando pela sorte.

Os números da pesquisa CNI/Ibope divulgados nesta sexta-feira (29) mostram recorde de aprovação para o governo Dilma Rousseff : 59% dos entrevistados consideram a gestão da petista boa ou ótima. A confiança na presidente não alterou em relação à pesquisa anterior e permanece em 72%. Parece um mundo perfeito, mas não é.

Os curiosos que foram além das manchetes de jornal puderam ver que o governo é reprovado em três áreas fundamentais. São informações relevantes que acabam aparecendo como complementos secundários. A saúde é ruim para 66% , a educação é reprovada por 54% e a segurança pública é condenada por 61%.

Já imaginou se algum noticiário destacasse esse ponto do levantamento? “Brasileiros desaprovam atuação do governo na saúde, segurança e educação”. No outro dia apareceriam os defensores do “controle social” da imprensa falando em golpe. Mas como a manchete é positiva, então a isenção está comprovada e ninguém reclama. Veja onde chegamos.

Ocorre que não adianta cobrar que a imprensa seja a única instância de alerta para os problemas que vivemos. Onde está a oposição? Por que não criam fatos para mostrar o descontentamento registrado pela pesquisa? E aí chegamos ao ponto central deste post:  Como explicar a alta popularidade de um governo mal avaliado em áreas de tamanha importância?

Economia e comunicação

Para o Ibope, a população está satisfeita com a política econômica. Certamente isso tem impacto positivo, mas não explica tudo. Haveria, pelo menos, um flanco aberto que poderia causar desgaste à imagem do governo. Falta, entretanto, quem ligue criatura ao criador aos olhos da opinião pública.

Dessa forma, a popularidade de Dilma é resultado da soma de uma boa comunicação do governo com a mudez total da oposição. Leia mais

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Em defesa do aumento: Vereadores, unidos, jamais serão vencidos!

Por Wanfil em Câmara de Vereadores

28 de junho de 2012

Sem os nossos vereadores, não teríamos o Dia do Saci ou o Dia do Abraço – Foto: Divulgação Cmfor

Como é que é? Essas redes sociais não têm jeito, não. A novidade agora é um monte de anônimos – provavelmente contribuintes que vivem a reclamar de pagar impostos – protestando contra a proposta de aumento salarial de 60% para os vereadores de Fortaleza, que passariam a receber pouco mais de 15 mil reais por mês. É muita ingratidão com esses abnegados servidores.

Policiais correm o risco de prisão por terem cruzado os braços pedindo aumento. Professores apanharam da Guarda Municipal em frente a Câmara de Vereadores da Capital pelo mesmo motivo. Nas duas ocasiões, a população se mostrou solidária com essas categorias. Mas quando o aumento é para os nobres parlamentares, todos reclamam. Isso só pode ser implicância.

Tudo bem, é meio estranho que uma determinada categoria tenha o poder de se autoconceder aumentos, calculados pelos índices mais convenientes e custeados com o nosso dinheirinho. Como não precisam pedir aumento aos seus patrões – o povo – fica a impressão de privilégio. Curiosamente, esses reajustes autoconcedidos sempre chamam a atenção pelos percentuais aplicados. Fazer o quê? A vida está difícil, a inflação assusta e agradar cabos eleitorais custa caro. Para compensar o desgaste, os pobres parlamentares dificilmente propõem menos de 50% de aumento salarial. Existem, pasmem, criaturas insensíveis que defendem a indexação dos vencimentos de um vereador, deputados estaduais e federais, e até senadores, pelo salário mínimo. O percentual de reajuste de autoridades não poderia ser maior do que o concedido aos pobres. Um acinte!

Por isso, imbuído do maravilhoso sentimento da solidariedade, sugiro aos nossos vereadores que façam uma greve. Isso mesmo! Parem de trabalhar para que a população perceba como os senhores são indispensáveis. Quero ver só esses contribuintes que vivem a reclamar o que farão sem poder assistir uma sessão na TV Câmara. Já imaginaram? Sem os vereadores, não teríamos o Dia do Saci ou o Dia do Abraço, por exemplo.

Eu gostaria de dar essa sugestão ao próprio vereador em quem votei nas últimas eleições, se eu me lembrasse dele. Mas você que me compreende pode fazer isso com o seu representante. Ou você também não lembra em quem votou? É muita ingratidão.

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Refinaria não vem e cearenses são tapeados mais uma vez

Por Wanfil em Noticiário

26 de junho de 2012

A notícia que se repete ano após ano: Refinaria do Ceará não consta no plano de investimentos da Petrobras. Alguma novidade? Não. Mais uma vez o plano de negócios da empresa não faz previsão, até 2016, para a construção da refinaria “Premium 2” no Ceará.

Factoide

Desculpas não faltam: burocracia estatal, crise internacional, complexidade técnica, tudo muito difícil, mas nada que impeça, por exemplo, as obras superfaturadas da refinaria Abreu e Lima, no vizinho Pernambuco. É constrangedor observar como o ex-presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, político matreiro disfarçado de técnico, usou a estatal para criar um factoide eleitoreiro dessa dimensão.

Se a refinaria não era uma certeza, então que não fosse prometida, especialmente em troca de votos. Não tenho dúvida de que na próxima campanha presidencial – e estadual – o empreendimento constará como promessa encaminhada, em vias de execução para transformar a realidade, gerar empregos e mudar radicalmente a realidade. Tudo estelionato eleitoral.

Filme repetido

Em 2010, faltando apenas dois dias para o fim de seu segundo mandato, ex-presidente Lula esteve no Ceará para lançar a pedra fundamental da refinaria cujas obras não existem. É um acinte, mas não faltaram louvores e manchetes favoráveis para a promessa não cumprida, nem sequer iniciada, muito menos com orçamento previsto.

Um ano antes, escrevi um artigo para o jornal O Estado com o seguinte título: A refinaria não vem para o Ceará. O que mais falta acontecer para isso ficar claro? Reproduzo um trecho, em azul:

O caso da prometida refinaria de petróleo para o Ceará já não pode ser visto apenas como uma certeza constantemente adiada por causa de contratempos técnicos. Não cola mais. (…) Nunca um governo tão carente de realizações concretas foi tão popular. E o segredo não é apenas  o populismo assistencialista. Falta cobrança. A oposição é fraca a ponto de não conseguir explorar uma realidade que salta aos olhos. A base aliada de Lula no Ceará sabe bater palmas como poucas, mas seu entusiasmo febril é inversamente proporcional aos investimentos. Sobra discurso e falta ação. O resultado colhido é mais desprezo e mais promessas.

Pois é. Não mudo uma vírgula do que disse no passado. Só o que muda constantemente é a data para o início das obras da refinaria.

Cobrar a promessa ou denunciar o embuste

O fato é que o governo federal percebeu que para conseguir votações expressivas no Ceará basta o bolsa família. Enquanto que para outros estados, mais exigentes, são necessárias ações de maior substância. No ano passado, o governador Cid Gomes denunciou, com razão, a situação das estradas federais no estado. Fez bem e o ministro, enrolado com corrupção, caiu. É hora de fazer o mesmo em relação a Petrobras, que sistematicamente exclui o Ceará em seu plano de investimentos. É preciso denunciar o embuste, explicando aos cearenses que o ex-presidente Lula e a presidente Dilma souberam vir aqui pedir votos, mas que na hora de entregar o que prometeram, deixam a Petrobras tergiversar.

Muitos podem pensar que estou exagerando, uma vez que a instalação de uma refinaria é algo realmente demorada, coisa e tal. Publico então um vídeo institucional do próprio Governo do Ceará. Nele não constam dúvidas ou empecilhos, só vantagens maravilhosas de uma realidade indiscutível. Quem um dia acreditou no que aparece no vídeo, sinto muito dizer, foi enganado.

 

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Cuidado senhores laranjas: sempre sobra pra vocês

Por Wanfil em Corrupção

23 de junho de 2012

Estátua de Lépido, a quem cabia carregar os “fardos infamantes” no lugar de Otávio e Marco Antônio, no Segundo Triunvirato.

O que Adalberto Vieira, ex-assessor do então deputado estadual José Guimarães flagrado em 2005 no notório caso dos dólares na cueca; Guedes Neto, ex-superintendente do Dnit, que chegou a ser preso numa operação da Polícia Federal em 2010; e Jurandir Santiago, ex-presidente do BNB e ex-adjunto da Secretaria da Cidades acusado de envolvimento no escândalo do “Banheiros Fantasmas” têm em comum?

Simples. Além dos problemas com a Justiça, todos foram levados aos cargos de confiança que ocuparam por padrinhos políticos que nada sofreram com a desgraça de seus apadrinhados. Ninguém foi condenado até o momento, é verdade, mas o constrangimento de ser indiciado por corrupção e de ter o nome exposto publicamente já serve para mostrar como certas atividades guardam riscos que muitas vezes são menosprezados.

O que parece coincidência, na verdade, é uma forma bastante conhecida das autoridades investigativas para “apagar” vestígios de participação em ilicitudes. Collor de Mello, por exemplo, nunca assinou nada que o desabonasse. Judicialmente, quem pagou o pato foram seus subalternos, inclusive a secretária particular. Se esses personagens que emprestam os nomes para que tubarões possam continuar nadando impunes fazem isso por ingenuidade, burrice ou ganância (ou tudo junto), cabe aos processos judiciais esclarecer.

Recentemente citei Shakespeare num post sobre o filme Coriolano. Vez por outra releio os clássicos do dramaturgo inglês do século XVI. E a cada vez, algo se mostra em sintonia com o presente. Na peça Júlio César, uma passagem ilustra perfeitamente o papel do laranja. Após o assassinato de César, Otávio e Marco Antônio conversam sobre Lépido, hábil guerreiro sem experiência política. Destaco algumas passagens em negrito.

Ato IV, Cena I

ANTÔNIO – (Sai Lépido.) É um homem fútil e de nulo mérito. Só serve para dar recados. Justo vos parece que o mundo dividido, como vai ser, em três, fique ele sendo dono de uma das partes?

OTÁVIO – Fazeis dele esse juízo? No entanto lhe pedistes a opinião (…).

ANTÔNIO – (…) Se sobre esse homem acumulamos honras, é para que nos poupemos do peso de fardos infamantes, que ele carrega tal como ouro o burro, que geme e sua sob a carga ingente e é tocado ou levado pela estrada que bem nos aprouver. Levado todo nosso tesouro ao ponto que queríamos, dos fardos o aliviamos e o deixamos como burro sem carga, para que à solta as orelhas sacuda e se regale nas pastagens do Estado.

OTÁVIO – Procedei como quiserdes; mas é um bom soldado, valente e experimentado.

ANTÔNIO – Meu cavalo, Otávio, também o é; por essa causa lhe dou sua ração. (…). Em muitas coisas Lépido é apenas isso. É necessário adestrá-lo, educá-lo, dirigi-lo; é um sujeito de espírito acanhado, que se alimenta só de rebotalhos, de imitações, apenas, fora de uso, já bastante surradas, que ele adota por moda. Só falai a seu respeito como de um instrumento manejável.

Todo laranja, ainda que não saiba (ou não queira ver) que é um laranja, ainda que imagine ser um servidor respeitado, não passa de um instrumento descartável. Vejam o episódio mais recente, com Jurandir Santiago. Ninguém mais assume sua indicação para o BNB. De uma hora para a outra virou órfão. Com os outros não foi diferente.

Portanto, senhores laranjas, cuidado. Quando o esquema é descoberto, aquele papel que você assinou ou o dinheiro que pediram para você sacar na boca do caixa, tudo aquilo que não era “nada demais”, será usado contra você. E seus padrinhos, livres dos “fardos infamantes”,  irão procurar novos Lépidos.

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Escândalo dos Banheiros Fantasmas: mais perto dos verdadeiros responsáveis

Por Wanfil em Corrupção

20 de junho de 2012

Arquivo Jangadeiro

A TV Jangadeiro mostrou que o caso dos banheiros fantasmas não se restringia a região metropolitana de Fortaleza. Na foto, um dos poucos kits sanitários “feitos” em Ipu. O prefeito está foragido e o ex-secretário adjunto da Secretaria das Cidades, Jurandir Santiago, será investigado.

Imagine, caro leitor, a situação de um síndico de algum condomínio residencial que anunciasse a reforma da portaria e não a realizasse, embora o dinheiro dos condôminos tivesse sumido, supostamente utilizado para a aquisição do material de construção que nunca chegou. Imagine ainda que, uma vez cobrado a prestar contas, esse síndico se limitasse a responsabilizar terceiros e lavasse as mãos. O que aconteceria? A resposta é óbvia. O síndico seria, só pra começar, imediatamente destituído e processado.

A origem

Pois essa é a exata situação de Jurandir Santiago, o iminente mais novo ex-presidente do Banco do Nordeste, que entregou o cargo ao ministro da Fazenda Guido Mantega, depois que seu nome foi incluído no rol dos denunciados no processo do escândalo dos “Banheiros Fantasmas”, como informa o blog da jornalista Kézya Diniz.

Em 2009, Santiago era secretário adjunto na Secretaria das Cidades do Ceará, uma pasta que ninguém sabe explicar muito bem para o que serve, quando mais de 3 milhões de reais foram liberados para a construção de banheiros na área rural do município de Ipu. O dinheiro foi liberado sem a devida fiscalização e os banheiros não foram construídos. O contribuinte e a gente humilde do interior, que vive sem direito a um vaso sanitário sequer, acabaram prejudicados pela, digamos assim, displicência com o nosso dinheiro. Prefeito de Ipu, Sávio Pontes, contra quem há um mandado de prisão justamente por esse caso, está foragido.

A recompensa

Pelos serviços prestados no governo estadual, Jurandir Santiago chegou ao BNB como a única indicação importante do governador Cid Gomes no governo federal. Alguns governadores emplacam ministros, outros conseguem descolar cargos de segundo escalão. É a vida.

A denúncia

No entano, uma vez no BNB, Santiago voltou ao noticiário de escândalos em dois casos. No começo do mês, a revista Época publicou matéria sobre uma investigação da Polícia Federal na instituição que apura o suposto desvio de R$ 100 milhões na instituição. O principal suspeito é justamente o então chefe de gabinete de Jurandir, Robério Gress, indicação do deputado federal José Guimarães (cotado para ser o novo presidente estadual do PT). Após a denúncia Gress foi transferido de cargo.

E agora, o procurador Geral de Justiça, Ricardo Machado, volta com o caso do Ipu. A situação ficou insustentável. Evidentemente, Jurandir Santiago é inocente até que se prove o contrário. Suspeito mesmo que ele seja apenas um técnico que se deixou seduzir pelo canto da sereia dos políticos. Ocorre que, assim como a mulher de César, a um presidente de instituição financeira não pode recair dúvida sobre sua honestidade ou, no caso, competência técnica.

A responsabilidade

Até o momento, apenas os destinatários mais notórios dos recursos que sumiram  tinham sido alcançados pelas investigações. Teodorico Menezes, do Tribunal de Contas do Estado, acusado de operar entidades de fachada e o prefeito Sávio Pontes, do Ipu. Da parte que liberou indevidamente e não fiscalizou a aplicação desses recursos, apenas subalternos menores tinham sido afastados.

Portanto, para encerrar, vale lembrar que o destino dado aos recursos da Secretaria das Cidades não é (verbo conjugado no presente mesmo) responsabilidade apenas de Jurandir Santiago, seu ex-secretário adjunto. Embora fossem suas as assinaturas estampadas em diversos convênios investigados, seus superiores são corresponsáveis, se não administrativamente e judicialmente, pelo menos politicamente pelos atos do órgão. Seus nomes são Camilo Santana e Joaquim Cartaxo, ex-titulares da pasta. É o ônus da liderança. Ou não é?

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A criança e o abutre

Por Wanfil em Crônica

17 de junho de 2012

Pesquisando imagens para um trabalho acadêmico deparei-me com uma foto que me chamou a atenção. Uma criança negra no chão de terra batida, nua, esquálida, observada por um abutre sombrio. Morte e solidão rondam o ambiente. Procurei informações sobre a data e o autor do registro e descobri que essa imagem é a extremidade oposta de uma outra tragédia, que se abateu sobre o próprio fotógrafo que a capturou.

A impressionante imagem foi a glória e a desgraça do fotojornalista sul-africano Kevin Carter

A foto é de 1993 e a criança era uma menina – o rosto ninguém viu, o nome ninguém sabe – que buscava forças para rastejar,  sozinha, em direção a um campo de alimentação da ONU, distante cerca de 1 km. Feita no Sudão e publicada no The New York Times em 26 de março de 1993, rendeu ao fotógrafo sul-africano Kevin Carter, especialista em cobertura de guerras, o Prêmio Pulitzer por Fotografia, em 23 de maio de 1994. É o maior prêmio no mundo para quem trabalha com comunicação.

No entanto, dois meses depois do auge profissional, no dia 27 de julho, Carter se matou envenenado com monóxido de carbono em seu carro, às margens de um rio onde brincava na infância. Ema sua carta de despedida, obviamente perturbado, Kevin relata o seu tormento:

“Eu estou sendo perseguido pela viva memória de matanças, cadáveres, cólera e dor… Pelas crianças famintas ou feridas… Pelos homens loucos com o dedo no gatilho, mesmo policiais, executivos, assassinos…”.

Kevin Carter morreu atormentado pelas imagens que registrou.

E a criança?

Após a publicação da foto, o público passou a questionar o jornal sobre o destino da menina. Afinal, o que teria acontecido a ela? Sobrevivera? Estaria com os pais? A resposta foi que, obedecendo orientação da ONU, jornalistas e fotógrafos não deveriam entrar em contato com as pessoas na região, para evitar doenças contagiosas e mesmo riscos de guerra.

Carter contou que ouviu a criança choramingar e ao perceber a ave, esperou por cerca de vinte minutos, aguardando que o animal abrisse as asas, o que não aconteceu. Ele tirou a foto e correu para afastar o abutre, deixando a criança onde estava. A postura, elogiada por profissionais da fotografia (o fotógrafo não pode nunca interferir na realidade que registra, sob pena de transformar o trabalho em montagem), especialmente em regiões de conflito, foi duramente rejeitada pela opinião pública. O trabalho de maior sucesso de Carter tornou-se também alvo de críticas de cunho moral. Leia mais

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Dia dos Namorados, aliança desfeita

Por Wanfil em Política

12 de junho de 2012

Parecia uma parceria, mas não passou de arranjo eleitoreiro. Na imagem, Cid e Luizianne mantendo as aparências. Nesse caso, o único traído foi o povo.

Véspera do Dia dos Namorados. Em meio a uma crise no relacionamento, ele consulta os amigos. Dias antes, ela dera um ultimato. Cada um desejava conduzir o parceiro de outrora para caminhos diferentes. Ela queria a segurança da continuidade; ele queria vida nova. À noite, ela descobre, por meio de terceiros, que a partir do dia 12 de junho, cada um seguirá para o seu lado. A aliança se desfez, a união fatigou. O PSB decidiu, em anúncio feito por Cid Gomes, que não apoia o candidato escolhido pelo PT de Luizianne Lins. O mesmo Cid que pediu votos a Luizianne, a mesma Luizianne que pediu votos a Cid.

O relacionamento se desgastou, não resistiu ao peso das obrigações cotidianas. A paixão eleitoral deu lugar aos deveres administrativos e fez sucumbir a união. O que antes parecia cumplicidade, não passou – o teste do tempo é implacável – de interesse passageiro.No fundo, sempre desconfiaram um do outro. E os elogios gravados em propagandas eleitorais se transformam em críticas azedas, em negações, ambos os lados testemunhando decepções e lamentos, findando em acusações mútuas de intransigência.

Em jogo, agora, a disputa para saber quem fica com a guarda de Fortaleza. Que aguardem os cidadãos que apostaram (e os que dependem) da coligação celebrada na vitória da eleição passada, quando as juras de fidelidade davam a impressão de que era imortal o que não passava de chama.

Simbolismo perfeito

Nada poderia ser mais simbólico do que a constatação de uma separação – de fato, aguardando ser de direito – no dia em que as pessoas comuns celebram as uniões verdadeiras e livres. Como metáfora, é a demonstração perfeita da completa dissonância entre os nossos gestores e as esperanças da população, entre a política interesseira e o ideal de servir por vocação. Enquanto os poderosos mudam de aliados e de adversários ao sabor das conveniências eleitorais, o eleitor, coitado, busca alguém que tenha compromisso com a cidade e com a palavra empenhada.

A vida continua, todos sabem. No entanto, os momentos que se seguem a uma separação política são de exposição, nunca de reserva. Cada um tentará fazer prevalecer a sua versão e ninguém dirá que o verdadeiro traído nessa história foi o eleitor. Cada um garantirá que está aberto a dialogar com outros parceiros para assim compensar o rompimento do presente. E farão novas juras de amor e fidelidade, prometendo que agora sim Fortaleza será bem cuidada. Até o próximo dia dos namorados, ou melhor, até as próximas eleições.

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Dica de filme: Coriolanus – e um alerta de Shakespeare

Por Wanfil em Cinema

10 de junho de 2012

Coriolanus - As desventuras de um homem que não teme ser autêntico - com seus defeitos e qualidade - num mundo de aparências.

Coriolanus (Reino Unido – 2011), é uma adaptação cinematográfica da peça de William Shakespeare. Gravado na Sérvia, o filme mantém boa parte do texto original – do século XVI -, mas o figurino é contemporâneo, opção mostra que o dramaturgo inglês é atemporal e que suas peças servem a qualquer época.

Caio Márcio Coriolano (Ralph Fiennes) é um general romano, herói de guerra que salvou a cidade do ataque de Tullus Aufidius (Gerard Butler), líder dos volscos. Coriolano é honesto, temido e antissocial. Luta pela pátria, porém, despreza o povo. Aceita concorrer ao cargo de Cônsul para atender um pedido de Volúmnia, sua mãe. Durante a campanha, entretanto, seus adversários fazem o povo se voltar contra ele, que é forçado a se exilar.

Qualquer semelhança com eleições…

Reproduzo trechos da peça, notáveis pela pertinência com que revela a natureza das tramas políticas. Notem como os argumentos de Volúmnia se assemelham aos conselhos de marqueteiros. Vejam como Coriolano não consegue fingir só para parecer agradável aos eleitores (Dilma, por exemplo, chegou e negar que seja contra o aborto, conforme havia declarado meses antes). Destaco algumas passagens em azul.

CENA II

Volúmnia — Porque importa muito falardes hoje para o povo, não segundo a experiência vos ditar, nem como o coração vos aconselha, mas com palavras que só tenham curso superficial na língua, pensamentos bastardos e fraseado sem nenhuma relação com a lealdade do imo peito. (…) Sim, meu filho, dirige-te para eles com teu gorro na mão, assim, levando-o bem à frente, e deixa que teu joelho beije a terra, porque nesses assuntos a eloquência melhor é o gesto; muito mais instruído é o olho do ignorante do que o ouvido.

Palavras e atos

Coriolano esperava que seus atos de bravura falassem por si. No entanto, ao debater com adversários, ele se exalta e destrata o povo. Acaba, por isso, banido da cidade. Tomado de ira, ele desabafa na passagem a seguir.

CENA III

Coriolano – Vil matilha de cães, cujo mau hálito odeio como o pântano empestado, e cuja simpatia estimo tanto quanto o cadáver insepulto e podre que deixa o ar corrompido e irrespirável: sou eu que vos desterro, e aqui vos deixo com vossa inconsistência. Que o mais fraco rumor o coração vos deixe inquieto, e que só com moverem seus penachos vos insuflem terror os inimigos. Ficai com força para banir todos os vossos defensores, até o dia em que vossa ignorância, que só entende quanto venha a sentir, tiver limpado com todos, menos vós — os inimigos de vós mesmos — alfim vos entregando como fracos escravos a algum povo que vos conquiste sem fazer esforço. Por vossa causa desprezando Roma dou-lhe as costas. O mundo é muito grande.

Final

O resto da história fala sobre o desejo de vingança de Coriolano, que se une aos volscos para destruir a antiga pátria. Mas adianto – sem prejuízo para quem deseje assistir o filme – que o final de qualquer personagem que procure ser autêntico no universo da política não pode ser muito diferente ao de Coriolano.

Por último, nesse ano eleitoral, muitas serão as promessas feitas a partir de pesquisas qualitativas. Candidatos, em sua imensa maioria, não falam o que pensam, mas o que entende que seus eleitores querem ouvir. E geralmente o povo só percebe isso, como disse Coriolano, quando sente o peso de duas decisões.

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Ministério da Saúde estuda orientar mulheres que desejam abortar: além de absurdo, é crime!

Por Wanfil em Brasil

06 de junho de 2012

Os apologistas do aborto sempre procuram evitar a perspectiva de uma parte fundamental nesse debate: o abortado

É incrível como alguns setores organizados da sociedade brasileira insistem em promover ações que a favor do aborto e do livre consumo (portanto, também do livre comércio) de drogas, não obstante as leis que as proíbem.

Sem contar com o apoio da opinião pública, ativistas pró-aborto e pró-drogas procuram encaminhar seus sonhos homicidas e delirantes em ações silenciosas, inserindo dispositivos malandros em projetos governamentais. O segredo, claro, é nunca chamar as coisas pelos devidos nomes e apostar na dubiedade, invertendo a lógica dos enunciados de suas propostas para preservar-lhes a essência. Dessa forma, a apologia ao consumo de drogas vira “defesa da liberdade” e o incentivo ao aborto se transforma em ato de “proteção da vida”. Tudo para “combater a hipocrisia” de quem enxerga nas drogas uma prisão tormentosa e no aborto um assassinato abjeto – afinal, o abortado indefeso morre.

Pois bem, vejam a mais nova desses humanistas, em notícia publicada no jornal Folha de São Paulo desta quarta-feira (em azul):

O Ministério da Saúde estuda a adoção de uma política de redução de danos e riscos para o aborto ilegal. Trata-se de orientar o sistema de saúde a acolher a mulher decidida a fazer o aborto clandestino e dar a ela informação sobre riscos à saúde e métodos existentes.

A ideia ainda está em fase de discussão interna, dentro de uma política maior de planejamento reprodutivo e combate à mortalidade materna.

Vejam como palavras podem criar armadilhas. Os defensores do aborto procuram associá-lo a um sentimento positivo. Alguém por acaso é contra a redução de riscos e de danos para qualquer coisa? Claro que não. No entanto, o que dizer dos danos e dos riscos impostos ao abortado? Essa perspectiva, evidentemente, é encoberta pelo palavreado bacana dessa turma, para que ninguém perceba que a discussão, no fundo, é sobre a melhor forma de como violar uma vida. Mas como nada é perfeito, a verdadeira intenção dos ativistas do aborto é revelada quando somos informados que a medida faz parte de uma política maior de planejamento reprodutivo. Percebem? É o incentivo ao aborto como controle de natalidade. É repugnante.  Leia mais

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Depoimento gravado de Cid Gomes: “Luizianne tem o melhor projeto para Fortaleza”

Por Wanfil em Eleições 2012

03 de junho de 2012

O tempo passa, o tempo voa, o mundo gira, nada é para sempre e tudo muda de lugar. Quando o assunto é eleição, os lugares comuns da sabedoria popular ganham praticamente a força de leis da física. O ex-governador Gonzaga Mota sintetizou essa volatilidade com uma frase precisa: “A política é dinâmica”. Alguém discorda?

Cada eleição mostra que essa sentença permanece atual e inegável. Basta observar a parceria entre o governador do Ceará Cid Gomes e a prefeita de Fortaleza Luizianne Lins. Agora que nenhum dos dois pode concorrer à reeleição, a coligação entre seus respectivos partidos, PSB e PT, apresenta fissuras cada vez mais profundas e corre o risco de não se repetir.

Recordar é viver

Não era bem assim quatro anos atrás. Vejam no vídeo abaixo, depoimento do governador na propaganda eleitoral da prefeita endossando a gestão “Fortaleza Bela” e pedindo a recondução da aliada para continuar o que lhe parecia bom demais. A rigor, dizer que um projeto é bom não significa dizer que sua execução é boa. No entanto, o estilo administrativo de Luizianne, atualmente alvo de críticas de aliados próximos a Cid, é o mesmo desde o primeiro mandato. Esse modelo de gestão, segundo Cid Gomes, mereceria mais quatro anos, tal como aconteceu: Luizianne, que no início da campanha aparecia mal avaliada nas pesquisas, reagiu e foi reeleita em primeiro turno.

Confiram a fala de Cid sobre Luizianne na campanha de 2008:

“É muito bom para o governador contar com o apoio da prefeita; é muito bom para a prefeita contar com o apoio do governador. E é muito bom para a prefeita e o governador contarem com o apoio do presidente Lula. Sabem quem ganha com isso? O povo de Fortaleza: você! Luizianne conhece a cidade, está mais preparada e tem o melhor projeto para Fortaleza”.

Mea culpa?

Evidentemente, todos podem mudar de opinião. Leia mais

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Depoimento gravado de Cid Gomes: “Luizianne tem o melhor projeto para Fortaleza”

Por Wanfil em Eleições 2012

03 de junho de 2012

O tempo passa, o tempo voa, o mundo gira, nada é para sempre e tudo muda de lugar. Quando o assunto é eleição, os lugares comuns da sabedoria popular ganham praticamente a força de leis da física. O ex-governador Gonzaga Mota sintetizou essa volatilidade com uma frase precisa: “A política é dinâmica”. Alguém discorda?

Cada eleição mostra que essa sentença permanece atual e inegável. Basta observar a parceria entre o governador do Ceará Cid Gomes e a prefeita de Fortaleza Luizianne Lins. Agora que nenhum dos dois pode concorrer à reeleição, a coligação entre seus respectivos partidos, PSB e PT, apresenta fissuras cada vez mais profundas e corre o risco de não se repetir.

Recordar é viver

Não era bem assim quatro anos atrás. Vejam no vídeo abaixo, depoimento do governador na propaganda eleitoral da prefeita endossando a gestão “Fortaleza Bela” e pedindo a recondução da aliada para continuar o que lhe parecia bom demais. A rigor, dizer que um projeto é bom não significa dizer que sua execução é boa. No entanto, o estilo administrativo de Luizianne, atualmente alvo de críticas de aliados próximos a Cid, é o mesmo desde o primeiro mandato. Esse modelo de gestão, segundo Cid Gomes, mereceria mais quatro anos, tal como aconteceu: Luizianne, que no início da campanha aparecia mal avaliada nas pesquisas, reagiu e foi reeleita em primeiro turno.

Confiram a fala de Cid sobre Luizianne na campanha de 2008:

“É muito bom para o governador contar com o apoio da prefeita; é muito bom para a prefeita contar com o apoio do governador. E é muito bom para a prefeita e o governador contarem com o apoio do presidente Lula. Sabem quem ganha com isso? O povo de Fortaleza: você! Luizianne conhece a cidade, está mais preparada e tem o melhor projeto para Fortaleza”.

Mea culpa?

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