22/05/2012 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

22/05/2012

Fortaleza no Spaece-Alfa: o bê a bá de um fracasso na educação

Por Wanfil em Fortaleza

22 de Maio de 2012

O resultado do exame Space-Alfa contrasta com a propaganda oficial da Prefeitura de Fortaleza: ilusão não gera resultado. Imagens: Youtube

Fortaleza ficou em penúltimo lugar no exame Spaece-Alfa, o ranking da educação no Ceará, elaborado pela secretaria estadual de Educação e divulgado na segunda-feira (21). Alunos da rede pública de 183 municípios conseguiram melhores resultados nas provas de proficiência que os alunos da capital.

Nos próximos dias, certamente, técnicos e especialistas em educação irão debater os números do levantamento. No campo político, a prefeita Luizianne Lins e o secretário de Educação, Elmano de Freitas, reagiram no mesmo dia da divulgação da pesquisa.

Justificativas

Luizianne sugeriu que a metodologia aplicada no exame seria inadequada para comparar redes de ensino grandes com outras pequenas. A queixa pode ter a sua razão de ser, mas é preciso que a prefeitura prove isso, que mostre em que ponto exato uma possível distorção poderia ter acontecido. Sem isso, o argumento vira bravata.

Já Elmano – pré-candidato do PT para as eleições de outubro em Fortaleza – afirmou que o Spaece, na verdade, comprova que as coisas estão melhorando “significativamente”. O secretário afirma que a capital saltou de 14 escolas com nível desejado em 2003 para 55 em 2011, perfazendo um ritmo nada impressionante de cinco escolas melhorando por ano.

Realidades comparadas

O mérito do Spaece está justamente na comparação entre municípios. O argumento da prefeita não leva em consideração que os recursos das grandes cidades são maiores e o de Elmano peca ao não reconhecer que o problema não está em 2003, mas no presente em que todas as demais cidades do Ceará conseguiram melhorar mais suas notas do que Fortaleza.

De pouco adianta comparar uma realidade somente com ela mesma. É preciso confrontá-la com outras realidades. Uma empresa pode até aumentar suas vendas em relação ao ano anterior, mas se as concorrentes principais tiverem crescido muito mais, avançando sobre o mercado, o sucesso desta empresa será ilusório. Se não quiser ver isso, ela fatalmente quebrará em pouco tempo.

Autismo

Esse autismo analítico é uma praga generalizada na administração pública nacional. No Ceará comemoramos crescimento atrás de crescimento, ignorando alegremente que, por algum motivo, o vizinho Pernambuco cresce muito mais. No Brasil é a mesma coisa. Temos a impressão de experimentar um salto na educação, mas ficamos no 57º lugar entre os 65 participantes do último PISA, o exame de qualidade educacional mais respeitado do mundo. Triste desempenho.

A educação é ponto fraco na atual gestão de Fortaleza, segundo indica o Spaece. E vem piorando. No último ano de mandado, quaisquer que sejam as causas do problema, não há mais tempo para saná-lo. A próxima gestão deverá avaliar criteriosamente essa realidade. Quais regionais têm pior desempenho? Caso existem, quais metas não foram batidas? Como replicar os casos de sucesso? Qual o impacto do crescimento populacional no repasse de recursos a longo prazo? Quem são os melhores gestores para liderar um processo de recuperação?

De tudo isso, fica uma lição: dar uniforme de graça pode até alegrar os pais eleitores, mas não ensina o bê a bá para as crianças. Um desastre que será sentido adiante, quando necessitarmos de mão de obra qualificada para atrair investimentos.

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Fortaleza no Spaece-Alfa: o bê a bá de um fracasso na educação

Por Wanfil em Fortaleza

22 de Maio de 2012

O resultado do exame Space-Alfa contrasta com a propaganda oficial da Prefeitura de Fortaleza: ilusão não gera resultado. Imagens: Youtube

Fortaleza ficou em penúltimo lugar no exame Spaece-Alfa, o ranking da educação no Ceará, elaborado pela secretaria estadual de Educação e divulgado na segunda-feira (21). Alunos da rede pública de 183 municípios conseguiram melhores resultados nas provas de proficiência que os alunos da capital.

Nos próximos dias, certamente, técnicos e especialistas em educação irão debater os números do levantamento. No campo político, a prefeita Luizianne Lins e o secretário de Educação, Elmano de Freitas, reagiram no mesmo dia da divulgação da pesquisa.

Justificativas

Luizianne sugeriu que a metodologia aplicada no exame seria inadequada para comparar redes de ensino grandes com outras pequenas. A queixa pode ter a sua razão de ser, mas é preciso que a prefeitura prove isso, que mostre em que ponto exato uma possível distorção poderia ter acontecido. Sem isso, o argumento vira bravata.

Já Elmano – pré-candidato do PT para as eleições de outubro em Fortaleza – afirmou que o Spaece, na verdade, comprova que as coisas estão melhorando “significativamente”. O secretário afirma que a capital saltou de 14 escolas com nível desejado em 2003 para 55 em 2011, perfazendo um ritmo nada impressionante de cinco escolas melhorando por ano.

Realidades comparadas

O mérito do Spaece está justamente na comparação entre municípios. O argumento da prefeita não leva em consideração que os recursos das grandes cidades são maiores e o de Elmano peca ao não reconhecer que o problema não está em 2003, mas no presente em que todas as demais cidades do Ceará conseguiram melhorar mais suas notas do que Fortaleza.

De pouco adianta comparar uma realidade somente com ela mesma. É preciso confrontá-la com outras realidades. Uma empresa pode até aumentar suas vendas em relação ao ano anterior, mas se as concorrentes principais tiverem crescido muito mais, avançando sobre o mercado, o sucesso desta empresa será ilusório. Se não quiser ver isso, ela fatalmente quebrará em pouco tempo.

Autismo

Esse autismo analítico é uma praga generalizada na administração pública nacional. No Ceará comemoramos crescimento atrás de crescimento, ignorando alegremente que, por algum motivo, o vizinho Pernambuco cresce muito mais. No Brasil é a mesma coisa. Temos a impressão de experimentar um salto na educação, mas ficamos no 57º lugar entre os 65 participantes do último PISA, o exame de qualidade educacional mais respeitado do mundo. Triste desempenho.

A educação é ponto fraco na atual gestão de Fortaleza, segundo indica o Spaece. E vem piorando. No último ano de mandado, quaisquer que sejam as causas do problema, não há mais tempo para saná-lo. A próxima gestão deverá avaliar criteriosamente essa realidade. Quais regionais têm pior desempenho? Caso existem, quais metas não foram batidas? Como replicar os casos de sucesso? Qual o impacto do crescimento populacional no repasse de recursos a longo prazo? Quem são os melhores gestores para liderar um processo de recuperação?

De tudo isso, fica uma lição: dar uniforme de graça pode até alegrar os pais eleitores, mas não ensina o bê a bá para as crianças. Um desastre que será sentido adiante, quando necessitarmos de mão de obra qualificada para atrair investimentos.