Maio 2012 - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Maio 2012

Imprensa sob ataque no Ceará: “Joga pedra na Geni!”

Por Wanfil em Imprensa

30 de Maio de 2012

Um grupo de sindicalistas da construção civil patrocinou manifestação que resultou na destruição da portaria do jornal Diário do Nordeste, em Fortaleza, nesta terça-feira (29). Um carro da empresa foi apedrejado. A categoria está em greve há mais de vinte dias. Integrantes do sindicato da indústria gráfica também participaram do quebra-quebra. Na semana anterior, dois profissionais da imprensa já tinham sido agredidos pela malta comandada pelos sindicalistas. No início do mês, uma equipe da TV Cidade, que havia registrado o consumo de cachaça durante as passeatas, também foi alvo da ira dos baderneiros.

Definitivamente a imprensa virou a Geni de certos movimentos organizados no Brasil.  Geni, para quem não sabe, é personagem da música Geni e o Zepelim, composição de Chico Buarque de Holanda. Ao menor sinal de qualquer contrariedade, “Joga pedra da Geni, Joga pedra na Geni! Ela é feita pra apanhar! Ela é boa de cuspir! Ela dá pra qualquer um! Maldita Geni!”. Esses movimentos reivindicatórios fazem e acontecem, comentem crimes em nome de uma causa supostamente justa e não admitem nada menos do que o apoio incondicional aos seus métodos. Isso é autoritarismo!

Impunidade e omissão

Antes, faço uma pequena digressão. Esses arruaceiros agem assim porque confiam na impunidade, devidamente estimulados em duas frentes.  Primeiro, a mesma imprensa que agora é alvo de ataques, corrobora gentilmente com o discurso ressentido desses grupos. Por medo de parecer conservadora – palavra inclusa no índex expurgatório do politicamente correto -, opta por chamar de “manifestação” o que não passa de vandalismo e de “trabalhadores” sujeitos que agem como desordeiros. O jornalismo virou um subprotudo do marxismo. Em nome de furada tese da luta de classes, aceita tudo, até apanhar. O mérito de uma negociação salarial nunca é percebido como mediação normal entre profissionais e empreendedores. É sempre a “luta” dos explorados contra os exploradores. Taí o resultado: intolerância.

A outra frente é a omissão da polícia e das autoridades, que se furtam ao dever de proteger cidadãos (no ataque ao jornal, houve feridos), o patrimônio público e o privado, de manter a ordem, sempre receosos de serem apontados pela imprensa, vejam a ironia, de abuso de autoridade. Ninguém foi preso até o momento. Fosse uma torcida organizada, a discussão seria acalorada, mas como se trata de um sindicato, todo amansam.

Fechou rua para protestar impedindo as pessoas de ir e vir? Tropa de choque neles! Invadiram prédio público e causaram prejuízo ao bem comum? Cadeia! Experimente você contribuintes invadir o Incra ou a reitoria da UFC para ver o que acontece. Mas os movimentos ditos sociais têm passe livre para agir acima das leis. A greve é um direito e a liberdade para protestar idem. Desde que exercidos dentro da legalidade. Qual o problema de fazer passeata na calçada? Por que destruir um canteiro de obras?

A materialização de uma violência moral

Agora, voltando a essa moda de culpar a imprensa pelos males do mundo, muitos colegas jornalistas se mostraram surpresos com os recentes ataques, especialmente ao DN, sem perceber que a violência física que testemunhamos é a projeção natural de uma violência anterior, de caráter institucional, político, moral e ideológico. – Leia mais

Publicidade

Cid, Luizianne e o darwinismo eleitoral

Por Wanfil em Partidos

28 de Maio de 2012

Darwinismo eleitoral: Não é o mais leal a uma ideologia ou o mais fiel a um aliado que sobrevive. É aquele que se adapta melhor as conveniências das pesquisas.

A semana que passou foi marcada pela troca de farpas, via imprensa, entre a prefeita Luizianne Lins (PT) e o governador Cid Gomes (PSB), sobre a manutenção ou não da aliança eleitoral entre seus partidos para as eleições de outubro em Fortaleza.

A prefeita reclamou da falta de diálogo entre os dois. Em seguida, Cid afirmou estar quites com a prefeita e completou afirmado estar livre doravante, embora reconheça e tenha gratidão pelo apoio vigente nos últimos oito anos.

As bases de uma aliança

Em nenhum momento questões como divergências ideológicas ou incompatibilidades programáticas foram colocadas como entraves para a continuação da parceria. Nada. Críticas veladas sobre incompetência e insinuações de desvios éticos trocadas por integrantes de ambas as gestões não causaram abalos maiores, antes disso, resultaram de um desacerto de natureza bem mais objetiva: a sobrevivência de seus respectivos projetos políticos.

A verdade é que a aliança entre PT e PSB em Fortaleza se desfaz em função de sua única e verdadeira razão de existir: as conveniências eleitorais. Não há prestação de contas, ações conjuntas ou realizações de relevância em debate. A aliança não funcionou do ponto de vista administrativo e isso é tomado como detalhe secundário. Isso não é exclusividade da união entre PT e PSB. É um mal do frágil partidarismo brasileiro, questão que pretendo abordar em outro texto.

Pragmatismo

Cada grupo – governo e município – tem suas pesquisas internas. O movimento de Cid é cristalino: descolamento progressivo da incômoda aliada, que tenta manter a estrutura de poder atual sob sua influência no município e dentro de seu próprio partido. O governo certamente avaliou o peso de entrar numa eleição como força auxiliar de um candidato escolhido por Luizianne. E optou por se afastar dessa possibilidade, com o devido cuidado de evitar transformar o antigo companheiro em vítima.

Fosse a gestão municipal bem avaliada pelo eleitorado, a história seria bem diferente. O próprio governo seria o primeiro a alardear que a parceria eleitoral se projetou em harmonia administrativa de sucesso. Entretanto, o que acontece é o oposto: a silenciosa tentativa de esconder essa parceria administrativa – vendida em eleições passadas como solução infalível.

Darwinismo

O naturalista britânico Charles Darwin consagrou a tese de que somente as espécies mais aptas conseguem sobreviver. Projetando essa característica no ambiente competitivo da política partidária nacional, é fácil observar por que os aliados de hoje podem ser os adversários de amanhã; ou como os inimigos de ontem viram os companheiros de hoje, dançando conforme a música tocada pelas pesquisas. O que interesse é a perspectiva de conquista ou de manutenção do poder. Quem não se adapta, fica para trás. Eis um modo de fazer política que tão cedo não corre o risco de extinção.

Publicidade

As revelações da seca que castiga o Ceará. Ou: Sem água, não adianta ter aquário

Por Wanfil em Ceará

25 de Maio de 2012

Retirantes (1944), de Cândido Portinari. Sina nordestina?

O Nordeste sofre mais uma vez com a seca. Mais precisamente, a gente humilde do sertão sofre com a estiagem. Para socorrê-las, o governo do Ceará lançou uma campanha de arrecadação de água potável e de alimentos não perecíveis para distribuir entre as famílias atingidas, batizada de Força Solidária. Ninguém em sã consciência é contra uma iniciativa dessas. Nessa hora de necessidade, qualquer ajuda é preciosa. No entanto, é preciso estar atento para não se deixar enganar pelas aparências. O que parece agilidade governamental na verdade é disfarce para a própria imprevidência da gestão pública. Vejamos.

Fenômeno cíclico

Primeiro, não estamos diante de uma catástrofe inesperada. Secas são fenômenos perfeitamente esperados no semi-árido por uma série de razões, como pode atestar qualquer climatologista. Não constituem, portanto, nenhuma novidade ambiental resultante de eventuais desequilíbrios. Via de regra, é algo com que temos que conviver.

Segundo, quando governos lançam campanhas de solidariedade, é justamente a condição de emergência – o inesperado – que as justificam. Dificuldades de acesso ao locais a serem atendidos, destruição dos estoques ou grande número de desabrigados em função de alguma tragédia, demandam esforços adicionais que não estavam previstos. Agora, se o caso é crônico – “histórico”, como bem lembrou o secretário Nelson Martins, do Desenvolvimento Agrário – ou cíclico, políticas públicas de prevenção ou de convivência deveriam ter sido ser estipuladas pelo governo. Se ao longo dos anos as ações de vários governos contribuíram para reduzir os impactos de secas menores, fica claro que ainda não conseguimos conviver com uma seca maior. Leia mais

Publicidade

Fortaleza no Spaece-Alfa: o bê a bá de um fracasso na educação

Por Wanfil em Fortaleza

22 de Maio de 2012

O resultado do exame Space-Alfa contrasta com a propaganda oficial da Prefeitura de Fortaleza: ilusão não gera resultado. Imagens: Youtube

Fortaleza ficou em penúltimo lugar no exame Spaece-Alfa, o ranking da educação no Ceará, elaborado pela secretaria estadual de Educação e divulgado na segunda-feira (21). Alunos da rede pública de 183 municípios conseguiram melhores resultados nas provas de proficiência que os alunos da capital.

Nos próximos dias, certamente, técnicos e especialistas em educação irão debater os números do levantamento. No campo político, a prefeita Luizianne Lins e o secretário de Educação, Elmano de Freitas, reagiram no mesmo dia da divulgação da pesquisa.

Justificativas

Luizianne sugeriu que a metodologia aplicada no exame seria inadequada para comparar redes de ensino grandes com outras pequenas. A queixa pode ter a sua razão de ser, mas é preciso que a prefeitura prove isso, que mostre em que ponto exato uma possível distorção poderia ter acontecido. Sem isso, o argumento vira bravata.

Já Elmano – pré-candidato do PT para as eleições de outubro em Fortaleza – afirmou que o Spaece, na verdade, comprova que as coisas estão melhorando “significativamente”. O secretário afirma que a capital saltou de 14 escolas com nível desejado em 2003 para 55 em 2011, perfazendo um ritmo nada impressionante de cinco escolas melhorando por ano.

Realidades comparadas

O mérito do Spaece está justamente na comparação entre municípios. O argumento da prefeita não leva em consideração que os recursos das grandes cidades são maiores e o de Elmano peca ao não reconhecer que o problema não está em 2003, mas no presente em que todas as demais cidades do Ceará conseguiram melhorar mais suas notas do que Fortaleza.

De pouco adianta comparar uma realidade somente com ela mesma. É preciso confrontá-la com outras realidades. Uma empresa pode até aumentar suas vendas em relação ao ano anterior, mas se as concorrentes principais tiverem crescido muito mais, avançando sobre o mercado, o sucesso desta empresa será ilusório. Se não quiser ver isso, ela fatalmente quebrará em pouco tempo.

Autismo

Esse autismo analítico é uma praga generalizada na administração pública nacional. No Ceará comemoramos crescimento atrás de crescimento, ignorando alegremente que, por algum motivo, o vizinho Pernambuco cresce muito mais. No Brasil é a mesma coisa. Temos a impressão de experimentar um salto na educação, mas ficamos no 57º lugar entre os 65 participantes do último PISA, o exame de qualidade educacional mais respeitado do mundo. Triste desempenho.

A educação é ponto fraco na atual gestão de Fortaleza, segundo indica o Spaece. E vem piorando. No último ano de mandado, quaisquer que sejam as causas do problema, não há mais tempo para saná-lo. A próxima gestão deverá avaliar criteriosamente essa realidade. Quais regionais têm pior desempenho? Caso existem, quais metas não foram batidas? Como replicar os casos de sucesso? Qual o impacto do crescimento populacional no repasse de recursos a longo prazo? Quem são os melhores gestores para liderar um processo de recuperação?

De tudo isso, fica uma lição: dar uniforme de graça pode até alegrar os pais eleitores, mas não ensina o bê a bá para as crianças. Um desastre que será sentido adiante, quando necessitarmos de mão de obra qualificada para atrair investimentos.

Publicidade

Cid quer encontro com Lula: direto na fonte

Por Wanfil em Eleições 2012

21 de Maio de 2012

Mário Quintana: "Não me ajeito com os padres, os críticos e os canudinhos de refresco: não há nada que substitua o sabor da comunicação direta". Pois é. Quando o assunto é eleição, Cid também dispensa intermediários.

Após uma reunião entre governadores do Nordeste, realizada na semana passada, o governador do Ceará Cid Gomes cedeu espaço para que o presidente do PSB cearense, Cid Gomes, revelasse que irá procurar o ex-presidente Lula em São Paulo, nesta terça (22), para falar de cenários eleitorais em Fortaleza.

A dupla condição de autoridade pública e presidente de partido assumida por Cid serve para lembrar que a relação de Lula com o Ceará tem igualmente uma forma dupla, constituída de partes teoricamente separadas, mas que na prática se misturam: a administrativa e a eleitoral. Relação sempre muito bem conduzida e explorada pelo político Cid Gomes, mas de pouco proveito para o governador Cid Gomes. Explico.

Parceria administrativa

Lula foi presidente do Brasil por dois mandatos, conquistando votações impressionantes no Ceará. Sobre a área de infraestrutura, não foram poucas as vezes que o ex-presidente veio ao Estado prometer: 1) uma refinaria, 2) uma siderúrgica, 3) a ferrovia Transnordestina e 4) a transposição do Rio São Francisco. Nada disso aconteceu, apesar dos anúncios grandiosos do PAC.

De concreto, os cearenses conseguiram uma usina de biodiesel a base de mamona. Os demais ganhos foram de ordem econômica, com forte componente conjuntural e experimentados por todos os entes da Federação. A rigor, Cid não tem muito o que mostrar em termos de obras federais no Ceará. As estradas, por exemplo, continuam na mesma precariedade de sempre, conforme já denunciou o próprio governador.

A parceria administrativa não rendeu o que prometia ou o que poderia nesse campo, apesar da aliança política anunciada como vantagem nas eleições.

Parceria eleitoral

Candidato crônico à Presidência, Lula conseguiu mudar a imagem de eterno perdedor para a de político imbatível. Algo sem precedentes na história do Brasil. E foi nessa condição de vitorioso que o petista tornou-se aliado de Cid e Ciro Gomes. Veio por cima.

Aí sim, o político Cid não tem do que reclamar da parceria.

Leia mais

Publicidade

Palavras que curam, palavras que adoecem

Por Wanfil em Artigo, convidado

18 de Maio de 2012

Publico abaixo texto do jornalista Wanderley Pereira, da TV Jangadeiro. Vale a reflexão.

Temos que aprender a vestir as ideias com as palavras adequadas. A palavra reflete o estado de espírito. Tudo que se fala está carregado das vibrações dos sentimentos. É como a flor que espalha o perfume agradável, ou como a que espalha o odor excêntrico, irritante, importuno. Assim também é a palavra exteriorizada, ela alcança os ouvidos e a sensibilidade, produzindo reações diversas, negativas ou positivas, nos que a ouvem.

O leitor já deve ter passado certamente pela experiência de ouvir uma boca que conforta, que acalma, que levanta o ânimo, que modifica a mente para melhor, ou a boca inflamada que agride, que inquieta, amarga e põe para baixo quem a ouve. A primeira desperta um sentimento de aceitação, de segurança e bem-estar, e quem a ouve tem interesse de continuar ouvindo-a. No segundo caso, a reação do ouvinte é que o interlocutor se retire logo para que ele não se imponha ao constrangimento de continuar ouvindo-o.

Por isso, é muito importante o falar. Há pessoas capazes de magnetizar as outras com os nutrientes espirituais do seu verbo educado, alegre, sensato. Outras há que exteriorizam um magnetismo contaminado que adoece. Uma conversa atenciosa, alentadora, do médico com o paciente é capaz de produzir resultados mais satisfatórios do que uma receita muda indicando comprimidos e injeções. Um diálogo fraterno, que produz energia pacífica, pode contornar situações que a força e a imposição não conseguem.

Daí a necessidade das pessoas optarem por ouvir a palavra edificante, as mensagens da mente higienizada, sobretudo em se tratando de notícias, comentários, reportagens e entrevistas. Vivemos sob uma carga muito pesada de palavras que transportam agressão, censura, desconfiança, insegurança, medo, desespero. São tóxicos perigosos que estimulam o ódio e a violência. Só a palavra de amor, só o timbre suave da esperança, podem levantar os enfermos das emoções. Não foi à toa que o apóstolo Paulo disse numa carta aos coríntios: “As más conversações corrompem os bons costumes.”

Publicidade

Lei Anti-baixaria em Fortaleza não cuida das verdadeiras baixarias

Por Wanfil em Legislação

16 de Maio de 2012

A mão "amiga" e segura que indica o caminho correto e a "verdade" do mundo. É o estado paternalista, autoritário, velha mania brasileira, preocupado em controlar comportamentos, enquanto outras questões, como prestação de contas, ficam de lado.

Tramita na Câmara Municipal de Fortaleza um projeto de lei de autoria do vereador Ronivaldo Maia (PT) para proibir o uso de recursos públicos para “contratar ou apoiar artistas que possuem composições ou danças que desrespeitem ou constranjam mulheres, homossexuais ou negros”. É a chamada Lei Anti-baixaria, que será debatida em audiência pública nesta sexta-feira (18).

A ideia não é original. Recentemente um projeto igual foi aprovado na Bahia, sinal de que a iniciativa é se trata de uma excentricidade, mas projeção de uma concepção de sociedade.

Sim, existem músicas de baixa qualidade e de gosto duvidoso. Pessoalmente vejo a maioria das músicas da atualidade, com suas respectivas coreografias (dancinhas ridículas para adultos), como lixo. Toda massificação tende à igualdade, ao nivelamento por baixo. Segundo Tocqueville, igualdade demais sempre acaba em mediocridade. Mas isso é uma forma de ver a questão cultural. Longe de mim propor uma lei para fazer da minha régua a medida dos outros.

Quem diz o que é bom ou ruim para você?

Vamos em frente. Aceitando o projeto de Ronivaldo como ação inspirada nos mais belos propósitos educacionais e artísticos, resta definir um ponto crucial: Quem determina quando e quais limites morais, estéticos e éticos são desrespeitados por uma música? A resposta é óbvia: o estado. E a premissa escondida sob o discurso politicamente correto é inegável: Uma vez que as pessoas não possuem capacidade intelectual e de discernimento para separar o que é bom do que é ruim, a burocracia deverá tomar o lugar das consciências para determinar o que deve ser ouvido ou não. É o papai governo levando o cidadão criança pela mão.

Se Moroni Torgan propusesse isso seria taxado de preconceituoso, elitista, fanático religioso e direitista. Sabem como é, gente do DEM não aceita que o povo se manifeste com o linguajar das ruas. Como é um esquerdista o autor do mimo, a coisa muda de figura e tudo passa a ser muito democrático e sublime.

Natureza autoritária

Entretanto, isso não muda a essência autoritária do projeto, que se manifesta já pelo corte de gênero e raça. Por que não proibir a contratação de artistas que ofendam a religião, a família, a pátria, os gordos, os pobres, os ricos, os bastardos, os cornos ou os brancos? Esses não merecem cuidados? Leia mais

Publicidade

Torcedor baderneiro precisa é de punição pesada

Por Wanfil em Segurança

14 de Maio de 2012

Torcedores usam pedras e rojões em briga registrada próximo ao terminal da Parangaba. Imagem: TV Jangadeiro

É sempre assim. Arruaceiros protagonizam espetáculos de baderna e violência nas ruas, assustando e até afastando pessoas de bem dos grandes jogos de futebol. O pior é que tudo se repete clássico após clássico, como bem reportagem do programa Barra Pesada, da TV Jangadeiro. Não adianta autoridades anunciarem mais policiamento. Não adianta jogadores, jornalistas e celebridades pedirem paz nos estádios. Os marginais não se sensibilizam com nada disso.

O esporte tem enorme capacidade de promover integração social, não obstante o surgimento de algumas rivalidades. Tudo saudável. No entanto, o fanatismo de alguns pode gerar um subproduto: os bandos de arruaceiros, geralmente abrigado dentro de torcidas organizadas. Como evitar que esses poucos atrapalhem a maioria?

Juventude mimada

Invariavelmente os grupos de baderneiros é composto por maioria de jovens. Não é por acaso. Temos uma juventude mimada no Brasil, que cresceu acreditando ter direitos e mais direitos, sem arcar com nenhuma obrigação. Se reprovam na escola, a culpa é dos professores; se não conseguem socializa-se, a culpa é dos pais; se roubam, a culpa é da publicidade que lhes alimenta o desejo de consumir; se não conseguem emprego, a culpa é do capitalismo; se brigam nos estádios, a culpa é falta de políticas públicas de lazer para a juventude. A responsabilidades pelos atos do jovem só nunca é imputada ao próprio indivíduo e seu livre arbítrio.

O marmanjo de 17 anos que apedreja um coletivo se sente algo entre uma vítima que reaje ao mundo que lhe parece opressor, e um herói destemido que luta em nome de uma causa sem nome e inimigos imaginários.

Impunidade

No fundo, sabem que não terão que arcar com o que fazem. Sabem que na hora de prestar contas sobre os seus atos serão tratados como coitados incapazes de compreender o que fizeram. Contam com a complacência do progressismo bacana que tudo entende. Pedir cadeia para esses jovens é ser reacionário. Quem disser que punição severa para baderneiros, com proibição de frequentar estádios e multas pesadas, é ação didática que serve de exemplo para que outros vândalos não façam o mesmo, será acusado de incitar, vejam só, a violência. E ai do policial que prender um membro dessas torcidas. Será suspenso por truculência.

A melhor forma de evitar novas cenas de violência patrocinadas por esses jovens mimados é cobrar das autoridades tolerância zero com esses sujeitos. Quantos foram presos? Onde estão agora? Poderão voltar ao estádio no próximo jogo? A resposta é a seguinte: todos estão soltos e assistem jogos quando quiserem – e como quiserem. Enquanto for assim, não adianta pedir bons modos aos violentos.

Confira o vídeo

 

Publicidade

Lei de Acesso à Informação em órgãos públicos começa a valer na quarta

Por Wanfil em Noticiário

13 de Maio de 2012

A partir da próxima quarta-feira (16), todos os órgãos dos  três Poderes da União, Estados e municípios, deverão ter salas de atendimento ao público, com acesso a informações públicas e sigilosas. É o que determina a Lei 12.527, chamada de Lei de Acesso à Informação, sancionada em 18 de novembro de 2011.

Pela legislação, cada órgão deverá criar o Serviço de Informações ao Cidadão (SIC), dotado das condições necessárias para receber, orientar e encaminhar pedidos sobre informações que venham a ser solicitadas pelo público.

Eventualmente, um pedido poderá ser indeferido, dentro de prazo determinado e com a devida justificativa, cabendo recurso ao solicitante.

Algumas dúvidas ainda precisam de esclarecimento, como o procedimento sobre a divulgação de folhas de pagamento de servidores públicos. Para isso, aguarda-se um decreto da presidente Dilma Rousseff regulamentando os SICs, sem data para acontecer.

Teste

Jornalistas bem sabem como algumas informações de interesse público são difíceis – até impossíveis  – de se obter, quando solicitadas a órgãos da administração pública.

Além dos cansativos labirintos da burocracia brasileira e da desorganização administrativa, existe ainda uma cultura de aversão contra a transparência. Governantes costumam tomar essas solicitações como ofensas pessoais.

Pois bem, caso venha a funcionar, o serviço pode ser de extrema valia. O atraso na regulamentação da lei contrasta com o discurso de apoio às medidas de transparência da presidente. De qualquer forma, já tenho uma lista de solicitações. Quarta-feira eu mesmo farei alguns testes e volto ao assunto.

Publicidade

A marcha dos maconheiros em Fortaleza

Por Wanfil em Movimentos Sociais

12 de Maio de 2012

Maconha em formato "recreativo", segundo os defensores da legalização, popularmente conhecido como "baseado".

A Praia de Iracema será palco, neste sábado (12), da “Marcha da Maconha Fortaleza”. A manifestação foi liberada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que a entende como legítimo exercício da liberdade de expressão. O movimento em até um jingle: “O cultivo é consciente, o consumo é consciente, a viagem nem tanto”.

Sujeitos da ação

Pessoalmente, prefiro chamar a marcha da maconha de “marcha dos maconheiros”,  não por provocação gratuita ou ironia hipócrita, mas por um motivo simples: maconha – a planta natural ou sua forma recreativa batizada de “baseado” – não marcha. Poderia chamá-la de marcha dos maconhados, mas aí estaria dizendo que os participantes estariam sob efeito da droga. Talvez de marcha dos apologistas da maconha, mas nesse caso estaria acusando seus participantes de outro crime, em discordância com o STF, intenção que não tenho.

É verdade que o artigo 33, § 2º da Lei 11.343, é bastante claro: Induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de droga: Pena – detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa de 100 (cem) a 300 (trezentos) dias-multa”. Mas como o STF considera que uma passeata pedindo a legalização da maconha não é o mesmo que instigar o seu consumo, então não posso usar o termo apologia. Para a Corte, seria necessário que os manifestante portassem cartazes do tipo: “Experimente maconha” ou “maconha é bom”, coisa que eles não farão, pois tais mensagens estão, obviamente, implícitas na causa. Para efeito de comparação , é mais ou menos assim: pedófilos poderiam organizar uma marcha da pedofilia em favor do amor livre, desde que não abusassem de crianças na caminhada ou incentivassem o comportamento explicitamente, afinal, estariam apenas exercendo sua liberdade de expressão…

Alguns defendem o uso medicinal da planta, mas tenho a impressão de que médicos e cientistas têm mais o que fazer do que ir a passeatas.

Ação e reação

Portanto, com todo o respeito, opto pelo substantivo maconheiro para me referir aos defensores da liberação desse entorpecente.

Como nem tudo são flores, discordo desses ativistas em alguns pontos. Primeiro, todo direito corresponde, inalienavelmente, a um dever. O direito a liberdade de expressão está vinculado ao dever de arcar com as consequências do que é expressado. Assim, exortar a maconha pedindo sua legalização é um direito cuja consequência final é o reforço de uma cadeia produtiva liderada pelo crime organizado (maconha importada será legalizada? Fernandinho Beira-Mar seria um empresário doravante?), como bem mostrou o filme Tropa de Elite.

Segundo, passeata é propaganda. Realmente eu acredito que existam pessoas dispostas a debater com seriedade a liberação da maconha com especialistas em saúde e segurança. No entanto, isso é coisa para fóruns adequados, não para festas ou oba-oba. Lugar de propor legalização de algo não é a praia, mas o Congresso Nacional. Vamos ver se algum parlamentar defende a causa. Junto com os bem-intencionados amigos da maconha, é bom lembrar, estão os empreendedores que fornecem e distribuem a droga, também denominados de traficantes.

Desafio Jovem

No Ceará, uma instituição luta bravamente para ajudar dependentes químicos. É o Desafio Jovem, criado pelo falecido Dr. Silas Munguba. Visitei o lugar duas vezes, o suficiente para que eu entendesse uma coisa: não há argumento a favor do afrouxamento do combate as drogas – qualquer uma – que resista ao encontro com aquelas pessoas destruídas pelo vício. É brutal. Dos pacientes que lá vi alquebrados, humilhados e doentes, muitos – a maioria – encontraram no “inocente” uso recreativo da maconha a porta de entrada para o mundo das drogas pesadas.

Quando minhas filhas estiverem maiores, já na idade de ser tentadas pelo discurso de progressistas bacanas que acham que certas substâncias possuem um charme transgressor e libertador, vou levá-las ao Desafio Jovem – endereço que certamente não constará nunca da marcha – para que elas vejam os riscos reais das drogas, sejam elas liberadas ou não.

Publicidade

A marcha dos maconheiros em Fortaleza

Por Wanfil em Movimentos Sociais

12 de Maio de 2012

Maconha em formato "recreativo", segundo os defensores da legalização, popularmente conhecido como "baseado".

A Praia de Iracema será palco, neste sábado (12), da “Marcha da Maconha Fortaleza”. A manifestação foi liberada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que a entende como legítimo exercício da liberdade de expressão. O movimento em até um jingle: “O cultivo é consciente, o consumo é consciente, a viagem nem tanto”.

Sujeitos da ação

Pessoalmente, prefiro chamar a marcha da maconha de “marcha dos maconheiros”,  não por provocação gratuita ou ironia hipócrita, mas por um motivo simples: maconha – a planta natural ou sua forma recreativa batizada de “baseado” – não marcha. Poderia chamá-la de marcha dos maconhados, mas aí estaria dizendo que os participantes estariam sob efeito da droga. Talvez de marcha dos apologistas da maconha, mas nesse caso estaria acusando seus participantes de outro crime, em discordância com o STF, intenção que não tenho.

É verdade que o artigo 33, § 2º da Lei 11.343, é bastante claro: Induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de droga: Pena – detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa de 100 (cem) a 300 (trezentos) dias-multa”. Mas como o STF considera que uma passeata pedindo a legalização da maconha não é o mesmo que instigar o seu consumo, então não posso usar o termo apologia. Para a Corte, seria necessário que os manifestante portassem cartazes do tipo: “Experimente maconha” ou “maconha é bom”, coisa que eles não farão, pois tais mensagens estão, obviamente, implícitas na causa. Para efeito de comparação , é mais ou menos assim: pedófilos poderiam organizar uma marcha da pedofilia em favor do amor livre, desde que não abusassem de crianças na caminhada ou incentivassem o comportamento explicitamente, afinal, estariam apenas exercendo sua liberdade de expressão…

Alguns defendem o uso medicinal da planta, mas tenho a impressão de que médicos e cientistas têm mais o que fazer do que ir a passeatas.

Ação e reação

Portanto, com todo o respeito, opto pelo substantivo maconheiro para me referir aos defensores da liberação desse entorpecente.

Como nem tudo são flores, discordo desses ativistas em alguns pontos. Primeiro, todo direito corresponde, inalienavelmente, a um dever. O direito a liberdade de expressão está vinculado ao dever de arcar com as consequências do que é expressado. Assim, exortar a maconha pedindo sua legalização é um direito cuja consequência final é o reforço de uma cadeia produtiva liderada pelo crime organizado (maconha importada será legalizada? Fernandinho Beira-Mar seria um empresário doravante?), como bem mostrou o filme Tropa de Elite.

Segundo, passeata é propaganda. Realmente eu acredito que existam pessoas dispostas a debater com seriedade a liberação da maconha com especialistas em saúde e segurança. No entanto, isso é coisa para fóruns adequados, não para festas ou oba-oba. Lugar de propor legalização de algo não é a praia, mas o Congresso Nacional. Vamos ver se algum parlamentar defende a causa. Junto com os bem-intencionados amigos da maconha, é bom lembrar, estão os empreendedores que fornecem e distribuem a droga, também denominados de traficantes.

Desafio Jovem

No Ceará, uma instituição luta bravamente para ajudar dependentes químicos. É o Desafio Jovem, criado pelo falecido Dr. Silas Munguba. Visitei o lugar duas vezes, o suficiente para que eu entendesse uma coisa: não há argumento a favor do afrouxamento do combate as drogas – qualquer uma – que resista ao encontro com aquelas pessoas destruídas pelo vício. É brutal. Dos pacientes que lá vi alquebrados, humilhados e doentes, muitos – a maioria – encontraram no “inocente” uso recreativo da maconha a porta de entrada para o mundo das drogas pesadas.

Quando minhas filhas estiverem maiores, já na idade de ser tentadas pelo discurso de progressistas bacanas que acham que certas substâncias possuem um charme transgressor e libertador, vou levá-las ao Desafio Jovem – endereço que certamente não constará nunca da marcha – para que elas vejam os riscos reais das drogas, sejam elas liberadas ou não.