Blog do Wanfil - Sem meias palavras
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Muito anúncio, pouco resultado: agora são os iranianos que podem construir uma refinaria no Ceará

Por Wanfil em Ceará

19 de janeiro de 2017

Lembra dela?

Em viagem oficial ao Oriente Médio nesta semana, o governador Camilo Santana (ainda no PT, apesar do noticiário) conversou com investidores do Irã sobre a instalação de uma refinaria no Ceará.  E Dubai, nos Emirados Árabes, visitou “a maior usina de dessalinização do planeta”, empresa italiana que “demonstrou interesse em instalar unidade no Ceará”.

Em novembro do ano passado Camilo assinou um memorando de estudos para avaliar condições para uma refinaria, desta vez chinesa, aqui no Estado. Não faz muito tempo, o assessor especial para assuntos internacionais do governo cearense, Antonio Balhmann, conversou com fabricantes de tratores na Bielorrússia.

Naturalmente, o governo acerta quando procura investimentos, mas se arrisca ao alimentar expectativas com base em tratativas tão iniciais. Não se trata de ser otimista ou pessimista, mas de guardar prudência para não confundir desejo com realização. É preciso tratar prospecção como prospecção e não como missão cumprida. Nesse sentido, o alarde sobre possibilidades pode gerar ilusões que mais à frente gerem constrangimento. Quanto maior a esperança atiçada, maior pode ser a decepção, como no caso da refinaria da Petrobras que seria construída no Ceará.

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Assegurando a segurança nos presídios do Ceará

Por Wanfil em Segurança

18 de janeiro de 2017

Notícia do portal do Governo do Estado informa:

Ceará assegura R$ 52 milhões para sistema prisional

No texto do próprio governo o leitor descobre que:

1 – R$ 8,49 milhões foram garantidos após reunião nesta quarta-feira com o “Departamento Penitenciário Nacional (Depen/MJ) e secretários da Justiça de todo o País”, em Brasília;

2 – “o valor se soma aos R$ 44 milhões – anunciados pelo Ministério da Justiça no início deste mês”.

Conclusão: Quem assegurou o dinheiro para os presídios no Ceará foi o Governo Federal, foi Michel Temer.

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Imagens de elevador que leva a lugar nenhum em escola de Fortaleza ganham projeção nacional

Por Wanfil em Fortaleza

17 de janeiro de 2017

Elevador em Fortaleza agora nacionalmente famoso (Foto: MPCE)

A Prefeitura de Fortaleza conseguiu sua primeira notícia de repercussão nacional em 2017. A edição desta terça-feira (17) do Jornal Hoje, da Rede Globo, apresentou, com direito a imagens exclusivas, denúncia do MP sobre a instalação de um elevador que não leva a lugar nenhum na Escola Municipal Professor Denizard Macedo.

O apresentador Evaristo Costa apresentou a obra como mau exemplo de ação pública:

Uma escola municipal de Fortaleza ganhou um elevador, ao custo de R$ 50 mil. Isso deveria ser um bom exemplo, mas não foi o que aconteceu.

Segundo a matéria, o relatório dos gestores municipais escondeu o fato: “A parte de cima não tem acesso a nada, mas isso não aparece na foto do relatório da obra encaminhado ao Ministério Público”. Ainda de acordo com o Jornal Hoje, a prefeitura responsabiliza a construtora que realizou a obra pela situação inusitada. Esta, por sua vez, responde afirmando que fez o que o projeto determinava.

A notícia foi devidamente coberta com farto material de imagens e amplo acesso ao local com exclusividade -, de modo que todos os brasileiros pudessem ver melhor a “qualidade” do planejamento das obras nas escolas municipais de Fortaleza.

O caso foi mostrado pelo portal Tribuna do Ceará no último dia 12.

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Justiça põe água no chope de Cid Gomes

Por Wanfil em Ceará

14 de janeiro de 2017

A Justiça Federal aceitou ação de improbidade movida pelo Ministério Público Federal contra o ex-governador do Ceará Cid Gomes, acusado de participar de um esquema para a liberação irregular de R$ 1,3 milhão junto ao Banco do Nordeste, para a construção de galpões em Sobral.

Cid Gomes é 100% inocente até prova em contrário. Ser réu não antecipa juízo de culpa. Na verdade, será uma boa oportunidade para esclarecer um conjunto de relações e coincidências que abrem espaço para eventuais suspeições e dúvidas.

Cid é sócio da empresa Corte Oito Gestão e Empreendimento Ltda, beneficiária do empréstimo e dona do galpão. Segundo a Revista Época publicou em janeiro de 2015, a empresa de Cid acertou o aluguel do galpão em Sobral em 2014 com a cervejaria Petrópolis por R$ 36 mil mensais.

O dono da cervejaria Petrópolis, dona da marca Itaipava – “a cerveja 100%”, é o empresário Walter Faria, que no mesmo ano conseguiu um empréstimo de R$ 830 milhões no mesmo Banco do Nordeste para, logo em seguida, depositar R$ 5 milhões na conta do comitê da então candidata Dilma Rousseff. Dias depois, foram mais R$ 12 milhões para a campanha da petista, que depois de reeleita, nomeou Cid para o Ministério da Educação.

Tudo 100% coincidência, até prova em contrário.

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Ocupados demais para falar sobre seca

Por Wanfil em Assembleia Legislativa

13 de janeiro de 2017

O Ceará enfrenta o sexto ano de seca. Não há quem não coloque o combate aos seus efeitos como a prioridade das prioridades no momento. Pois bem. O Diário do Nordeste desta sexta-feira apresentou m levantamento sobre a tramitação de matérias na Assembleia Legislativa sobre o tema, entre 2015 e 2016.

Segundo o jornal, “os deputados estaduais apresentaram pelo menos 16 projetos de Lei e 15 de Indicação com propostas relacionadas à convivência com a estiagem. Destes, porém, apenas quatro projetos de Lei e cinco de Indicação foram apreciados na Casa”.

Pelo visto, o comando do legislativo estadual não enxergam os projetos desses deputados como prioridade. Estes, por sua vez, talvez não façam a devida pressão sobre os responsáveis por pautar as votações na Casa.

E não dá para alegar falta de tempo, pois tempo nunca falta na hora de batizar ruas e escolas ou para homenagear autoridades e amigos com medalhas e salamaleques, coisas sem as quais, devem imaginar, o Ceará não pode sobreviver.

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Nelson Martins na Casa Civil e Maia Júnior no Planejamento: Max Weber explica

Por Wanfil em Política

12 de janeiro de 2017

Max Weber alertava para a tensão entre  interesses políticos e decisões técnicas de um governo. Eis o desafio

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), assim justificou a minirreforma no secretariado, com destaque para Nelson Martins (PT) na Casa Civil e Maia Júnior (PSDB) no Planejamento: “Esses ajustes feitos (…) buscam imprimir um ritmo ainda maior nas nossas ações nesta segunda metade de governo”.

Martins e Maia comandarão, respectivamente, ações de articulação política e coordenação executiva. Para Max Weber (1864-1920), as características de comando do político são totalmente opostas as do burocrata (no sentido de executor de serviços). Nesse sentido, o técnico visa a execução eficaz das tarefas, subordinando-as às suas convicções de ofício; já o político vive a luta pelo poder, buscando, ao final, manter as condições de sucesso eleitoral do governo. Trata-se, com efeito, de um sistema de tensão permanente.

Como vivemos um momento atípico, de crise profunda e pouca margem de manobra para governos, esse potencial de conflito apontado por Weber precisa, por força das circunstâncias, amoldar-se a uma nova lógica. Nesse caso, caberá ao formulador político dar as condições para que o técnico faça o que é necessário fazer, harmonicamente combinados a partir de um sentido comum de autopreservação.

O desafio para Camilo é dar as condições de autoridade para que ambos possam desempenhar seus papéis. Além da qualidades pessoais, o poder de um secretário depende em grande medida da liderança de quem o escolheu para o cargo. As trocas no secretariado refletem uma demanda por mudanças identificada pelo governador, o que é um mérito de quem comanda. Insistir no que não está a contento é que não pode.

Ocorre que mesmo com uma equipe atuando em conjunto internamente, mudanças reais propostas por governos implicam, mais cedo ou mais tarde, na possibilidade de comprar brigas, desagradar a opinião pública e enfrentar resistências. Por exemplo: uma decisão técnica no Planejamento bate de frente com interesses políticos e econômicos de aliados ligados ao grupo de apoio ao governo, que pressiona a Casa Civil para impedir sua execução. O que prevalecerá? É nessas horas que o poder é realmente testado.

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Maia Júnior na gestão Camilo: fatos e versões

Por Wanfil em Política

10 de janeiro de 2017

Principal assunto político do momento no Ceará, a ida do empresário Francisco Queiroz Maia Júnior para a gestão Camilo Santana tem suscitado diversas especulações: para alguns significaria uma reaproximação entre Tasso e Ciro Gomes; para outros, indicaria um afastamento entre Camilo e Cid Gomes. As eleições de 2018 ampliam esse leque de possibilidades jogadas ao vento e fontes ouvidas por jornalistas aproveitam para “vender” o fato de acordo com seus interesses e desejos pessoais. Camilo disputaria uma reeleição ou abriria espaço para um Ferreira Gomes? Boatos, boatos, boatos.

No final, quem atira para todos os lados acabará dizendo, mais adiante, que acertou, mas a verdade é que no momento as certezas são poucas. É que a trajetória política de Maia Júnior atiça imaginações. Filiado ao PSDB, foi secretário de Infraestrutura de Tasso e vice-governador de Lúcio Alcântara, mas é sua visão sobre gestão pública que melhor pode indicar o principal real sentido dessa escolha.

Nos cargos que ocupou, Maia Júnior se destacou por adotar como parâmetro de gestão pública os padrões de eficiência e controle da administração privada, justamente o entendimento que prevaleceu nos governos de Tasso, marcados pelo desafio de retomar o caminho do crescimento em tempos de crise. Diz o ditado que o sapo não pula por boniteza, mas por necessidade. Pois é.

Camilo Santana recebeu de seu antecessor Cid Gomes uma herança pesada de obras não concluídas, com problemas judiciais, que não funcionam ou de pouca serventia. Sem contar os problemas na segurança, que consumiram grandes investimentos sem apresentar resultados. Com a recessão, o peso dessa herança aumentou. É preciso sair do marasmo, é preciso ação.

Acerta pois quem diz que a escolha pelo nome de Maia Júnior é primordialmente técnica, com experiência e boa circulação em variados setores, para atender uma demanda operacional por eficiência. As consequências políticas dessa escolha dependerão dos resultados das ações do governo para os próximos dois anos e da relação de seu novo homem forte com outros nomes da gestão.

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Instituições rebaixadas no Ceará: manda quem pode, obedece quem tem medo

Por Wanfil em Ceará

06 de janeiro de 2017

Na política, peões são descartáveis e sabem disso

O ex-deputado e ex-vice-governador Domingos Filho tomou posse, nesta sexta-feira, na presidência do Tribunal de Contas dos Municípios, em mais um capítulo da briga política com os Ferreira Gomes (ver mais nos posts Ajuste de contasConsequências da extinção do TCM pela AL a mando do governo).

Na solenidade, Domingos criticou a decisão da Assembleia Legislativa de extinguir o TCM por ordem do governo, o que só não aconteceu ainda por causa de uma liminar do STF. Porém, ninguém ouviu as queixas do presidente empossado. É que nem o Executivo nem o Legislativo enviaram representantes para a cerimônia, numa clara demonstração de que as instituições definitivamente subjugadas por interesses particulares, tornadas meros instrumentos de conveniência.

A ausência de muitas autoridades foi observada, o que é sintomático. Sabe como é, quem estivesse presente poderia ser visto com desconfiança por Cid e Ciro Gomes. Não há inocentes nessa história e sobram acusações mútuas, mas ainda que se detestem, seria preciso cumprir as liturgias da democracia. As instituições deveriam estar acima das diferenças pessoais.

A política no Ceará chegou a um ponto que nem as aparências parecem ter mais importância: manda quem pode, obedece quem tem medo. E ai de quem discordar.

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Segurança pública no Ceará: o novo e o velho

Por Wanfil em Segurança

05 de janeiro de 2017

Delegado aposentado da Polícia Federal, Delci Teixeira deixa o comando da Secretaria de Segurança. Assume o posto André Costa, jovem delegado da Polícia Federal.

O legado de Teixeira pode ser resumido na quebra da escalada dos homicídios no Estado, com dois anos consecutivos de uma gradual redução nesse tipo de crime, e no restabelecimento do diálogo com os policiais, patrocinado pelo governador Camilo Santana. Por outro lado, os assaltos continuam a crescer, assim como as mortes de policiais.

Além disso, o fortalecimento do crime organizado a partir do caos no sistema penitenciário, área da Secretaria da Justiça, é uma realidade que afeta a segurança pública como um todo. No ano passado, de dentro dos presídios, facções ordenaram ataques a ônibus, delegacias e prédios públicos. Colocaram um carro com dinamites ao lado da Assembleia Legislativa. Organizaram ainda na maior rebelião da História no Ceará, obrigando o governo estadual a pedir o socorro de tropas federais. É um problema nacional que, por sua vez, encontra solo fértil nos estados mais violentos.

Sobre isso, o governo federal lançou um programa para a modernização das penitenciárias estaduais, após a repercussão internacional do massacre de presos em Manaus, decorrente de uma guerra entre criminosos. Pode ser que algo melhore. Vamos aguardar.

De resto, a mudança na Secretaria de Segurança acontece menos de um mês após a saída de Andrade Júnior, também a pedido, do cargo de Delegado-Geral da Polícia Civil. Aparentemente, para quem acredita em coincidências, não há correlação entre essas baixas.

A novidade que chega e o ano que se inicia se deparam com alguns velhos problemas de anos que se prolongam. Por tudo isso, boa sorte ao novo secretário André Costa.

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Retrospectiva política: o ano da vergonha

Por Wanfil em Política

28 de dezembro de 2016

vergonha

Vergonha alheia, diga-se.

Este 2016 que se encerra já pode entrar para os anais da História cearense, pelo menos no que diz respeito à clássica divisão do poder político em três poderes, como o Ano da Vergonha.

Não é preciso muito esforço para situar essa condição. Vejamos aqui, de memória mesmo, casos que marcaram o ano:

Poder Executivo: Apesar dos esforços para a contenção da escalada da violência dos últimos anos, o Governo do Estado enviou projeto para a Assembleia Legislativa para organizar a instalação de bloqueadores de celulares nos presídios, após as rebeliões de maio, que resultaram em 18 mortes. A bem da verdade o sistema carcerário é ruim não é de hoje, mas agora as coisas chegaram a um ponto surreal. O crime organizado reagiu, enviou recados, colocou um carro bomba ao lado da Assembleia. No final, o fato é que os bloqueadores não foram instalados. Uma vergonha fora da curva para as outras vergonhas que marcam as administrações públicas nos Brasil.

Poder Legislativo: No mês de dezembro a Assembleia Legislativa aceitou ser usada pelo Executivo como instrumento de vingança contra ex-aliados que enfrentaram o governo na disputa pela presidência do parlamento estadual. O alvo escolhido para a retaliação foi o Tribunal de Contas dos Municípios, que foi extinto de uma hora para outra, às pressas, em razão de ajustes particulares entre nossas autoridades. Uma vergonha até mesmo para um poder acostumado a humilhações.

Poder Judiciário: No final de setembro o Tribunal de Justiça do Ceará foi alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga um esquema de vendas de liminares para beneficiar traficantes e quadrilhas organizadas, envolvendo desembargadores e advogados. Muito provavelmente, a maior vergonha do Judiciário, não obstante os péssimos serviços prestados aos cidadãos.

Esses episódios desmoralizantes foram, entretanto, de certo modo ofuscados pelos escândalos nacionais, prisões, delações e pelo impeachment de Dilma. A sorte deles, é sempre o nosso azar.

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Muito anúncio, pouco resultado: agora são os iranianos que podem construir uma refinaria no Ceará

Por Wanfil em Ceará

19 de janeiro de 2017

Lembra dela?

Em viagem oficial ao Oriente Médio nesta semana, o governador Camilo Santana (ainda no PT, apesar do noticiário) conversou com investidores do Irã sobre a instalação de uma refinaria no Ceará.  E Dubai, nos Emirados Árabes, visitou “a maior usina de dessalinização do planeta”, empresa italiana que “demonstrou interesse em instalar unidade no Ceará”.

Em novembro do ano passado Camilo assinou um memorando de estudos para avaliar condições para uma refinaria, desta vez chinesa, aqui no Estado. Não faz muito tempo, o assessor especial para assuntos internacionais do governo cearense, Antonio Balhmann, conversou com fabricantes de tratores na Bielorrússia.

Naturalmente, o governo acerta quando procura investimentos, mas se arrisca ao alimentar expectativas com base em tratativas tão iniciais. Não se trata de ser otimista ou pessimista, mas de guardar prudência para não confundir desejo com realização. É preciso tratar prospecção como prospecção e não como missão cumprida. Nesse sentido, o alarde sobre possibilidades pode gerar ilusões que mais à frente gerem constrangimento. Quanto maior a esperança atiçada, maior pode ser a decepção, como no caso da refinaria da Petrobras que seria construída no Ceará.