Blog do Wanfil - Sem meias palavras 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Milagres: as mesmas respostas de sempre

Por Wanfil em Segurança

10 de dezembro de 2018

O governador cearense Camilo Santana pediu desculpas às famílias dos seis reféns mortos durante um pesado tiroteio entre policiais e bandidos que tentavam roubar um banco em Milagres, no dia 7 de dezembro, em razão das declarações precipitadas e desencontradas que fez sobre o episódio. Está certíssimo, porém, mais uma vez, com atraso. Em cerimônia no Instituto do Câncer, nesta segunda (10) Camilo também informou que 12 policiais envolvidos no caso foram transferidos temporariamente de suas funções e que uma equipe foi formada para investigar o ocorrido.

De fato é necessário aguardar as apurações. As circunstâncias, as eventuais imponderabilidades ou falhas, a qualidade do treinamento aos agentes, o planejamento e acompanhamento da inteligência e do comando no decorrer da operação que conduziu a força policial de encontro a quadrilha de assaltantes, tudo isso precisa ser esclarecido. Ninguém discorda.

Mas se tem algo que desde já pode ser constatado é o modelo de reação do governo estadual diante de acontecimentos constrangedores relacionados à segurança pública. Sejam chacinas, rebeliões ou mortes de inocentes, e principalmente quando os casos ganham repercussão nacional, as primeiras declarações das autoridades no Ceará seguem um padrão defensivo, jamais admitindo nem sequer a hipótese de erros ligados a gestão. A determinação com que tentam convencer o público e a si mesmos dessa, digamos, imunidade, é impressionante e reveladora de profunda insegurança.

No evento de Milagres, após as declarações do primeiro momento, carentes ainda de maiores informações para serem proferidas, e que enalteciam o impedimento do roubo quando a tragédia estava na morte dos reféns, apenas seguiram um roteiro pré-formatado. Só depois, constatada a repercussão negativa, é que vem o segundo passo: o silêncio. As postagens diárias nas redes sociais cessam. É o tempo de pensar um novo discurso para reduzir o estrago de imagem. O novo discurso, invariavelmente, diz que tudo será investigado e que medidas administrativas (que nunca chegam ao comando) foram tomadas.

Aguardemos as investigações, mais uma vez. Enquanto isso a Secretaria de Segurança e o Governo do Ceará podem rever seus protocolos de comunicação para emergências nessa área. Se existe uma certeza, infelizmente, é de que as chances de que outros casos dessa natureza aconteçam é muito considerável.

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General Theophilo e Dra. Mayra: críticos do governo estadual assumem secretarias federais da Segurança e da Saúde

Por Wanfil em Política

04 de dezembro de 2018

Gen. Theophilo e Dra. Mayra: principais críticos das políticas de Segurança e Saúde na gestão de Camilo Santana

O General Guilherme Theophilo, candidato ao governo estadual contra o governador reeleito Camilo Santana, foi indicado por Sérgio Moro, futuro ministro da Justiça, para a Secretaria Nacional de Segurança Pública. Dra. Mayra Pinheiro, candidata ao Senado na chapa de oposição no Ceará, foi convidada pelo futuro ministro da Saúde, Henrique Mandetta, para assumir a Secretaria da Gestão do Trabalho e da Educação da Saúde.

As indicações levaram em conta o critério técnico. Ambos são reconhecidos em suas profissões e já mostraram compromisso com causas públicas. Tanto que apesar de terem disputado eleições pelo PSDB, que não apoiou oficialmente Jair Bolsonaro, foram chamados a participar do novo governo.

Naturalmente, existem implicações políticas nessas indicações. Mais que dois nomes da oposição estadual, Dra. Mayra e General Theophilo foram, nas eleições, os principais críticos da gestão Camilo Santana nas áreas da Saúde e da Segurança.

Há um constrangimento adicional por causa do afastamento da pediatra Dra. Mayra do HGF, após as eleições e depois de 15 anos. A médica acusa o governador de perseguição política.

Apesar das diferenças, consensos de ordem administrativa são perfeitamente possíveis. Todos têm um nome a zelar. O que muda são os caminhos que levam demandas do governo, deputados e prefeitos a Brasília. Não tem mais, por enquanto, o MDB de Eunício, o PT de Dilma ou o PDT de Ciro. Isso não é pouca coisa. Os novos secretários ministeriais são importantes canais de interlocução com as pastas em que atuarão, de importância fundamental no Estado.

E ainda falta definir que espaços na gestão federal terão os diretórios estaduais do PSL, representado no Ceará pelo deputado federal eleito Heitor Freire, e o PROS, do Capitão Wagner, também eleito deputado federal, partidos que apoiaram Bolsonaro desde o primeiro turno.

O eixo do poder, como era de se esperar, começou a girar.

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No Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, uma reflexão sobre a deficiência na política

Por Wanfil em Textos escolhidos

03 de dezembro de 2018

Aproveito este dia 3 de dezembro, Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, para indicar o site Eficiência e Superação. Em particular, um o texto do jornalista Edson Gomes, com um pertinente levantamento sobre a participação de pessoas com deficiência nas eleições do Ceará em 2018:

Por que nenhuma das seis pessoas com deficiência que se candidataram no Ceará foram eleitas?

Vale a reflexão. É um assunto muito abordado nas campanhas, mas que depois se perdem em meio a outras questões colocadas como prioridades. Para uma pessoa comum entender um pouco o que significam políticas de acessibilidade, por exemplo, basta um rápido período com uma perna imobilizada, ou mesmo outro incidente que a coloque em cadeira de rodas. Ir ao banheiro se transforma em pesadelo. Entrar em prédios ou subir andares pode ser impedimento para importantes obrigações e tarefas.

Segundo a matéria, “o Ceará tem cerca de 1,4 milhão de PcDs (incluídas deficiências físicas e intelectuais), das quais cerca de 300 mil só em Fortaleza“. Mesmo assim, nenhum candidato ligado a esse tema conseguiu ir bem. No texto, alguns deles falam sobre isolamento, desconfiança, falta de estrutura e apoio.

Os depoimentos são reveladores:

“O partido optou por não visibilizar a nossa pauta, desconhecendo, também, nosso potencial eleitoral.”

“Havia uma rejeição enorme de todos os grupos de cadeirantes da cidade e virtuais, os quais procurei ajuda”

“Difícil romper esse atual sistema, é quase uma muralha intransponível, principalmente no interior, onde famílias tradicionais tornaram a política um negócio, e vêm se alternando no poder ao longo de muitas gerações.”

Uma boa dica para os candidatos com deficiência é unir forças e desde logo procurar atuar junto a entidades ligadas a sua causa. A política, feita longe dos arranjos de gabinete, requer mais do que vontade individual, mas capacidade de envolvimento e disposição para escolher bons nomes que possam ser competitivos nas eleições.

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MPF investiga intolerância ideológica na UECE: a pluralidade das ideias não pode ser apenas um discurso

Por Wanfil em Ideologia

01 de dezembro de 2018

Durante as eleições deste ano a professora Catarina Rochamonte, do curso de Filosofia da Universidade Estadual do Ceará, publicou dois artigos no jornal O Povo: A guinada à direita e O fascismo da esquerda hipócrita, com fortes críticas a agentes de esquerda que atuam na imprensa e nas universidades.

O que deveria ser uma oportunidade para fomentar o debate público de ideias, acabou se transformado em acusações de difamação e ameaças que atingiriam a professora e alunos simpatizantes. Alguns estudantes que participam de grupos de estudos cristãos levaram o caso ao Ministério Público Federal, com material colhido em prints de redes sociais. O descontentamento com o posicionamento dos artigos é natural e até previsível, mas se limites legais foram ultrapassados, é preciso agir logo.

Desse modo, nesta semana o Ministério Público Federal enviou oficio a UECE para apurar “supostos atos de violência e intolerância política e religiosa” e a “organização de polícia ideológica” no Centro de Humanidades da universidade. Em resposta, a UECE divulgou nota:

“A Universidade Estadual do Ceará (UECE) não reconhece a existência de organização de polícia ideológica no seu âmbito. Reitera o respeito democrático, a autonomia assegurada pelas Constituições Federal e Estadual e o livre debate das ideias como base desta autonomia. Sobre a nota encaminhada pelo Ministério Público Federal, a resposta está sendo diligenciada para envio no prazo estabelecido.”

Que o caso seja esclarecido é o que se espera. De todo modo, seguem aqui algumas considerações, sem entrar no mérito jurídico. O termo polícia ideológica remete à ideia de milícias uniformizadas. Isso, de fato, não existe. O mais adequado é falar em policiamento ideológico, com a imposição do espírito de corpo, de pressões institucionais, isolamento e constrangimentos sociais. A hegemonia da esquerda nas universidades brasileiras não é feita de leis ou de documentos oficiais, é uma realidade construída ao longo de um meticuloso processo de trabalho dentro desses espaços. Com o tempo, a influência se transformou em dominação que, de tão natural, deixou de ser percebida como anomalia e passou a ser vivenciada como o estado natural dos cursos de humanas.

A reação agressiva aos artigos decorre de uma espécie de choque diante da possibilidade de alguém não ser de esquerda nesses ambientes. Entretanto, a maciça predominância ideológica do progressismo segue firme no dia a dia dessas instituições, na seletividade dos autores abordados, da limitada bibliografia adotada, nas entrevistas, na escolha dos cargos administrativos, no enfoque das pesquisas, na repetição de discursos políticos e por aí vai.

Nesse sentido, a nota é pura tergiversação. O livre debate de ideias é letra morta nas universidades. Sei disso por experiência própria, aluno que fui de História na própria UECE e na Universidade Federal do Ceará (leia mais aqui). De todo modo, como são novos tempos, faço aqui uma sugestão de boa fé, em nome do “respeito democrático”:

Que tal a UECE promover um seminário de estudos sobre as divergências e convergências entre o pensamento conservador e liberalismo? Uma discussão que abordasse, claro, textos originais dos autores mais conhecidos e respeitados dessas áreas e não apenas dos seus críticos. Seria uma forma inteligente de mostrar que a pluralidade das ideias é um valor caro e estimulado entre estudiosos.

Seria.

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Saiba quem não é Olavo de Carvalho

Por Wanfil em convidado

28 de novembro de 2018

Texto do jornalista e amigo Bruno Pontes especialmente para o blog, que aborda o recente interesse da imprensa brasileira sobre a figura do filósofo Olavo de Carvalho, uma das referências intelectuais influentes na futura gestão Jair Bolsonaro. Boa leitura.

Olavo de Carvalho: conhecido por quem leu seus livros e mais ainda pelos que nunca os leram (Foto: divulgação)

Saiba quem não é Olavo de Carvalho

Li artigos recentes, inclusive na imprensa cearense, alguns assinados e outros anônimos, apresentando Olavo de Carvalho ao público. Se eu já não conhecesse o filósofo, o máximo que conseguiria, ao sair da leitura desses artigos, seria não uma introdução ao Olavo real, mas àquele fantasiado na imaginação dos articulistas, que, a julgar pelo que escrevem, querem apresentar um autor do qual não leram os livros.

Uma norma de redação no jornalismo de esquerda é introduzir Olavo com os rótulos de “ex-astrólogo” e filósofo “autodenominado”. O primeiro busca explorar a imagem popular da astrologia como ocupação de lunáticos e/ou trapaceiros (algo como “Olavo de Carvalho traz o seu amor de volta em sete dias”). Olavo estudou o assunto por vinte anos. Segundo ele:

“A astrologia não é nem uma ciência nem uma pseudociência. É um PROBLEMA CIENTÍFICO atemorizante e fascinante, que ainda mal chegou a ser formulado, quanto mais estudado. Tudo quanto escrevi a respeito é uma tentativa de formulá-lo. Pessoas que não são capazes nem mesmo de imaginar que há um problema a formular são as que mais têm opiniões definitivas a respeito.” (https://olavodecarvalhofb. wordpress.com/2016/11/24/a- astrologia/)

É um assunto que atraiu a curiosidade e o estudo de gente como Giordano Bruno, Fernando Pessoa, Carl Jung e Renato Janine Ribeiro, que nunca serão tratados com deboche por causa disso nem terão seus currículos nos jornais iniciados com o carimbo de “ex-astrólogos”.

Platão: filósofo autodenominado?

O segundo rótulo, filósofo “autodenominado”, denuncia uma mancha terrível no caráter do Olavo: falta a ele um diploma de filosofia expedido pelo MEC, esse instrumento essencial na busca do conhecimento, sem o qual nada vale uma obra escrita que se estende por trinta anos e é reconhecida por gente adulta da filosofia no mundo, dentre a qual, para ficar num exemplo mais recente, Wolfgang Smith, autor de O Enigma Quântico.

Mas a imprensa trata Márcia Tiburi como filósofa sem aspas, já que além de ter diploma ela vota no PT.

(Enquanto isso, lá no outro mundo, as almas de Sócrates e Platão se queixam entre si: “Foi muito azar nosso nascer antes do advento das universidades, não foi não? Poderíamos ter virado filósofos de verdade…”)

Se não sai no jornal, não existe

Outra atitude comum na imprensa esquerdista é tratar como insignificâncias risíveis as realidades palpáveis analisadas pelo Olavo. Por exemplo: o globalismo. Um fato da vida promovido, denunciado, estudado, discutido e reconhecido como tal por intelectuais e agentes políticos em todo o mundo, desde há vários anos. Mas os jornalistas que não conhecem o assunto nem na superfície resolvem o problema dando aquele sorrisinho sarcástico de quem manja das coisas.

As idéias que estão fora do repertório de assuntos dos jornalistas contemporâneos são tratadas por eles como esquisitices cômicas ou indícios de malignidade. É aquele velho pressuposto já tantas vezes observado pelo Olavo: a ignorância como fonte de autoridade intelectual. Se eu nunca ouvi falar de uma coisa, se meus amigos nunca falaram dessa coisa, e se essa coisa nunca apareceu no jornal, é porque essa coisa não existe.

Todos os textos na imprensa que pretendem apresentar Olavo de Carvalho não têm uma coisa em comum: uma avaliação de sua obra. Um confronto com as teses. Apenas mentiras, distorções maliciosas, truques infantis à base de jargões. “Ex-astrólogo” pra cá, “ex-astrólogo” pra lá. “Ultra” isso e “ultra” aquilo. Existe algum jornalista de esquerda que tenha lido um livro do Olavo e se disponha a julgá-lo com a consciência honesta? Talvez seja pedir demais. Um dos artigos que li conseguiu errar até a ordem cronológica das obras.

Bruno Pontes, jornalista

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Médicos cubanos no Ceará: muito barulho, pouca informação

Por Wanfil em Saúde

26 de novembro de 2018

Voluntários substituem cubanos do Mais Médicos no Ceará (Foto: divulgação/Sindicato dos Médicos do CE)

Como tudo o que acontece no Brasil, a saída dos cubanos do programa Mais Médicos rendeu polêmicas acaloradas, declarações políticas, acusações diversas e previsões catastróficas.

No Ceará, não foi diferente. No calor do debate, a informação de que 118 municípios ficariam sem o atendimento de 448 profissionais de Cuba causou justa apreensão. A questão é pertinente e por isso mesmo qualquer antecipação de juízo poderia soar como exploração política sobre assunto grave, tanto pelos pacientes como pelos próprios cubanos, sujeitos a condições de trabalho inaceitáveis para uma democracia, pois 70% seus salários, pagos com dinheiro público brasileiro, era confiscado por um governo estrangeiro.

O governador Camilo Santana e governadores do Nordeste manifestaram, em carta, preocupação com a qualidade dos serviços de saúde na região. E pronto. Já o Sindicato dos Médicos do Ceará, em iniciativa coordenada pelos médicos Paulo Vasconcelos e Mayra Pinheiro, preferiu agir e lançou a campanha “Médicos por Amor”, com voluntários para substituir temporariamente os cubanos. Rapidamente 211 profissionais se ofereceram, mas apenas nove cidades se inscreveram para recebê-los. Eis um indicativo de que talvez o impacto previsto por alguns não seja tão negativo ou difícil de ser amenizado. (A não ser que a ação fosse boicotada por questões políticas, já que Mayra é de oposição do governo estadual, mas prefiro não acreditar nessa hipótese).

Em outra frente, o Ministério da Saúde lançou edital para o programa Mais Médicos e em poucos dias 96% das vagas foram preenchidas. É preciso aguardar para ver se os locais mais remotos serão atendidos. De todo modo, pela procura, é possível perceber que a continuação do programa em si não corre risco. Por aqui, até o momento, a Secretaria de Saúde não se posicionou sobre possíveis medidas de compensação. Provavelmente aguarda para ter um quadro mais definido e assim adotar ou não eventuais iniciativas.

Mais do que nunca, autoridades e a própria imprensa precisam estar atentas. Faltaram mesmo médicos? A população está realmente desassistida? Não é possível afirmar ainda. Um caso ou outro pode acontecer, mas se não for algo que realmente afete um contingente significativo de pessoas, causando um problema de médias ou grandes proporções, o alarmismo de tanta polêmica pode acabar desautorizada pelos fatos.

Colocar possibilidades é normal, mas cravar afirmações sem base em dados concretos, é arriscado demais. Mesmo nas urgências, saber esperar o tempo certo sempre será uma virtude.

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Governadores do NE cobram Bolsonaro por atrasos e omissões de governos anteriores

Por Wanfil em Política

21 de novembro de 2018

Governadores do NE reunidos em Brasília. Foto: Facebook / Camilo Santana

Governadores eleitos e reeleitos do Nordeste estiveram em Brasília nesta quarta-feira para combinar um pauta regional a ser apresentada ao presidente eleito Jair Bolsonaro, provavelmente em dezembro. Participou ainda do encontro o presidente do Senado, Eunício Oliveira.

Depois da reunião divulgaram uma carta em que cobram da próxima gestão algumas pendências deixadas por governos anteriores, como a “retomada urgente de obras”, “um Pacto Nacional pela Segurança Pública” em que o governo federal assuma ações contra “assaltos a bancos, tráfico de armas e explosivos, atuação de facções criminosas” e ” a viabilização de fontes financeiras para reequilíbrio do pacto federativo, uma vez que Estados e Municípios sofreram drasticamente com a recessão econômica”.

São pedidos pertinentes, e quem assume um governo tem que ser chamado à responsabilidade, mas ainda carecem de contrapartidas para ganhar consistência política. Sinalizar por exemplo, com o apoio das bancadas dos seus estados à reforma da Previdência, prioridade para a nova gestão que herda uma grave situação fiscal, seria interessante para iniciar o diálogo. Eis um trunfo que pode ser bem trabalhado. Caso contrário, fica parecendo jogo de cena.

Além do mais, não é de hoje que os governadores do Nordeste atuam POLITICAMENTE em conjunto. Já repudiaram, em nota, o impeachment de Dilma Rousseff, em desapreço a uma decisão do legislativo, e criticaram setores do judiciário por causa da condenação de Lula, a quem desejaram, sem sucesso, visitar na cadeia. Coincidentemente, durante as gestões de Lula e Dilma, os governadores nunca assinaram cartas ou notas, nem mesmo se reuniram, para protestar contra atrasos de obras ou contra o avanço da criminalidade na região.

Tentam agora compensar o tempo perdido e mesmo assim continuam a perder tempo. Bolsonaro poderia ter recebido pessoalmente os pedidos na semana passada quando se reuniu com governadores eleitos e reeleitos de outras regiões, evento boicotado justamente pelos governadores do Nordeste, com exceção do Piauí. Sem contar que Eunício Oliveira andou se estranhando com o novo governo por causa de pautas bombas.

Dessa forma, o risco de prejudicar articulações junto aos ministérios por causa de conveniências partidárias é grande. É preciso entender que a eleição acabou e que ações sem objetividade representam, nesse instante, desgaste desnecessário.

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Cid mostra como fazer oposição

Por Wanfil em Política

19 de novembro de 2018

Cid Gomes – (Foto: Fabio Pozzebom/Agência Brasil)

Em entrevista ao jornal o Estado de São Paulo, o senador eleito Cid Gomes (PDT) falou sobre a formação de uma frente de partidos que não sejam “nem oposição sistemática nem situação automática”.

Por oposição sistemática, entenda-se PT, que de acordo com Cid, tem “posição histórica” nesse sentido “quando não são eles no governo”. A proposta, resumindo, é criar um centro de oposição responsável, programática e suprapartidária, para fiscalizar e analisar as propostas e projetos do novo governo.

Sobre isso, dois pontos a observar. Primeiro, o PDT continua a bater mais no PT do que em Bolsonaro; segundo, a ideia deveria ser vir de inspiração para a oposição no Ceará, esvaziada na última legislatura pela cooptação descarada promovida pelos aliados PT e PDT (ainda parceiros no estado). De 14 deputados estaduais opositores eleitos na primeira gestão de Camilo Santana (PT), restaram apenas seis nessa condição ao final do mandato. MDB, PR e SD mudaram de lado. Agora, para a segunda gestão, foram eleitos oito para a oposição.

É isso. Sem uma estratégia para sobreviver, sem um plano de atuação que mantenha vivo o debate político, a oposição tende a ser engolida pela agenda oficial. Cid Gomes aponta um caminho para mobilizar atenções no Congresso. Por aqui, a oposição pode propor uma frente parlamentar que não seja “oposição sistemática” e que possa contar, eventualmente, com nomes que não sejam “situação automática”.

Se isso é bom para o Brasil, por que não seria para o Ceará?

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Escola sem Partido ainda é pouco

Por Wanfil em Educação

13 de novembro de 2018

A doutrinação ideológica, seja de esquerda ou de direita, impede o espírito crítico e a liberdade de escolha

Os projetos Escola sem Partido têm sido acusados de censura à liberdade de opinião. Na verdade, é uma reação ideológica corporativa que visa preservar a hegemonia das teorias de esquerda na produção e divulgação do conhecimento no Brasil, e na formação de profissionais para esse fim.

O que o aluno brasileiro em geral sabe sobre o pensamento conservador ou sobre o liberalismo se resume às caricaturas que seus críticos de esquerda desenham. Relato aqui um breve exemplo. Aluno de História na UFC, nos anos 90, apresentei um seminário sobre a influência européia na formação da América Latina, usando entre os livros de referência “O Liberalismo Antigo e Moderno”, de ninguém menos que José Guilherme Merquior. Resultado: fui interrompido e levei uma reprimenda de uns 10 minutos em sala de aula. O professor esconjurou o capitalismo, chorou (literalmente) ao lamentar o genocídio indígena e disse que os agentes de saúde eram uma invenção de Tasso Jereissati para impedir a revolução camponesa. Mandou-me refazer o trabalho seguindo a pregação antiamericana de “Veias Abertas da América Latina”, do uruguaio Eduardo Galeano, obra que anos depois viria a ser renegada pelo próprio autor.

Práticas assim acontecem diariamente, agora mesmo, nas salas de aula. E quanto mais cedo começa a propaganda ideológica, com ênfase no marxismo e sua adaptações, mais facilmente ela é incorporada pelo aluno como um dado da realidade, tão evidente e inegável como a leia da gravidade. Só um louco pode negar a teoria da mais-valia, imaginam os nossos jovens, sem suspeitarem da existência de autores como Raymond Aron (As Etapas do Pensamento Sociológico), e muito menos de que Marx morreu sem explicar como a jornada de trabalho reduziu de 16 para 8 horas diárias na Inglaterra, enquanto o lucro das empresas aumentavam.

O estabelecimento de uma hegemonia cultural, nos moldes de Gramsci, e denunciada creio que primeiro por Olavo de Carvalho, não acontece da noite para o dia. Leva décadas. Por isso, duvido que uma lei possa ter efeito prático sobre esse tipo de estrutura. É como tentar baixar juros por decreto. Não é assim que acontece. Será preciso um trabalho de formação intelectual fora dos espaços acadêmicos para criar um espírito crítico capaz de substituir a pregação ideológica ostensiva pela percepção de que existem correntes diferentes e respeitáveis de estudo.

Na verdade o Escola sem Partido incomoda mais pelo fato de lembrar que a doutrinação ideológica é uma realidade. Não apenas existe como seus efeitos se alastraram por diversas outras áreas, de modo que seria preciso ainda o sindicato sem partido, a igreja sem partido, a arte sem partido, as redações sem partido, as entidades estudantis sem partido, e por aí vai.

Não é proibido ou errado ter um partido de preferência, claro. Mas usar organismos outros para promover agendas partidárias é uma espécie de corrupção. Há o espaço para a atividade partidária, que é diferente da representação em entidades que reúnem pessoas de religiões, credos, cores e partidos diversos. E isso vale para qualquer sinal ideológico. Qualquer doutrinação, seja de esquerda ou de direita, onde existir, é a supressão da criticidade e da liberdade de escolha.

Por fim, uma lei jamais terá o poder de quebrar o monopólio da esquerda na formação intelectual brasileira, pois a educação é um processo que demanda tempo de maturação, mas a consciência de que o proselitismo tomou conta do sistema de ensino nacional desde o fundamental, de que existe uma escola “com” partido, sem dúvida é o primeiro passo para resgatar a pluralidade de ideias no Brasil.

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PDT e PT aprovam reforma da Previdência no Ceará. Manterão a coerência em Brasília?

Por Wanfil em Política

09 de novembro de 2018

Companheiros, cadê vocês? (Funcionários públicos do Ceará protestam contra a Reforma da Previdência em 2016) – Foto: Lyvia Rocha / Tribuna do Ceará

Sem alaridos ou polêmicas, passado o período eleitoral, a Assembleia Legislativa do Ceará aprovou a reforma da Previdência estadual. Entre as mudanças estão a criação do teto para as aposentadorias do funcionalismo e a criação de um sistema complementar privado. A matéria é do interesse do Governo do Estado, administrado por um condomínio partidário liderado por PT, de Camilo Santana, e o PDT dos Ferreira Gomes.

Curiosamente, ao contrário do que acontece quando o assunto é a reforma da Previdência no Congresso Nacional, por aqui não houve protestos de partidos de esquerda e de sindicatos, nem mobilizações contrárias de grande visibilidade, muito pelo contrário, houve uma disposição incomum nessas organizações para a concordância e a compreensão na hora de negociar pontos do projeto. Ótimo.

Para disfarçar, os governistas estaduais e aliados dizem que as propostas estaduais são diferentes das federais, mas não é bem assim. Na essência são parecidas e motivadas por um mesmo princípio: o ajuste das contas públicas. Atualmente, segundo dados da Secretaria do Planejamento, o déficit previdenciário com o funcionalismo será de R$ 1,6 bilhões neste ano.  Não é questão de interpretação, mas de aritmética. O resto é espuma ideológica.

Resta ver agora como a bancada federal do Ceará, especialmente com deputados federais dos partidos que no estado bancaram a reforma da Previdência estadual, vai se posicionar em relação a reforma da Previdência em Brasília. O deputado estadual Renato Roseno, do PSOL, disse ao jornal O Povo que votou contra a matéria porque foi “contra a mesma medida em nível federal”. Essa postura não muda a realidade dos números, mas contempla uma questão de fundo que precisa ser considerada: a coerência entre o discurso e a ação.

Não é possível defender responsabilidade fiscal em casa e pregar o contrário na rua, só para ser contra o governo federal. Partidos que foram favoráveis à reforma previdenciária em nível estadual, juntamente com as entidades que controlam, estão obrigados, pelo menos moralmente, a manter a coerência quando o assunto for discutido na Câmara dos Deputados e no Senado. Não pode haver dois pesos e duas medidas.

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PDT e PT aprovam reforma da Previdência no Ceará. Manterão a coerência em Brasília?

Por Wanfil em Política

09 de novembro de 2018

Companheiros, cadê vocês? (Funcionários públicos do Ceará protestam contra a Reforma da Previdência em 2016) – Foto: Lyvia Rocha / Tribuna do Ceará

Sem alaridos ou polêmicas, passado o período eleitoral, a Assembleia Legislativa do Ceará aprovou a reforma da Previdência estadual. Entre as mudanças estão a criação do teto para as aposentadorias do funcionalismo e a criação de um sistema complementar privado. A matéria é do interesse do Governo do Estado, administrado por um condomínio partidário liderado por PT, de Camilo Santana, e o PDT dos Ferreira Gomes.

Curiosamente, ao contrário do que acontece quando o assunto é a reforma da Previdência no Congresso Nacional, por aqui não houve protestos de partidos de esquerda e de sindicatos, nem mobilizações contrárias de grande visibilidade, muito pelo contrário, houve uma disposição incomum nessas organizações para a concordância e a compreensão na hora de negociar pontos do projeto. Ótimo.

Para disfarçar, os governistas estaduais e aliados dizem que as propostas estaduais são diferentes das federais, mas não é bem assim. Na essência são parecidas e motivadas por um mesmo princípio: o ajuste das contas públicas. Atualmente, segundo dados da Secretaria do Planejamento, o déficit previdenciário com o funcionalismo será de R$ 1,6 bilhões neste ano.  Não é questão de interpretação, mas de aritmética. O resto é espuma ideológica.

Resta ver agora como a bancada federal do Ceará, especialmente com deputados federais dos partidos que no estado bancaram a reforma da Previdência estadual, vai se posicionar em relação a reforma da Previdência em Brasília. O deputado estadual Renato Roseno, do PSOL, disse ao jornal O Povo que votou contra a matéria porque foi “contra a mesma medida em nível federal”. Essa postura não muda a realidade dos números, mas contempla uma questão de fundo que precisa ser considerada: a coerência entre o discurso e a ação.

Não é possível defender responsabilidade fiscal em casa e pregar o contrário na rua, só para ser contra o governo federal. Partidos que foram favoráveis à reforma previdenciária em nível estadual, juntamente com as entidades que controlam, estão obrigados, pelo menos moralmente, a manter a coerência quando o assunto for discutido na Câmara dos Deputados e no Senado. Não pode haver dois pesos e duas medidas.