Blog do Wanfil - Sem meias palavras
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

A diferença da segurança pública cearense no Facebook e no mundo real

Por Wanfil em Segurança

23 de agosto de 2017

No Facebook

Todas as terças o governador Camilo Santana interage com internautas via Facebook. A ideia é bacana e naturalmente as ações de governo são apresentadas ao público. No que diz respeito a segurança pública, Camilo cita investimentos e faz declarações sobre o combate contra a criminalidade.

Disse em abril passado que deseja”botar o bandido na cadeia ou botar o bandido pra correr do estado do Ceará“. Ontem anunciou novidades: “Já foram entregues nove batalhões fixos, regionalizados, com equipes de até 35 homens. A ação do Raio tem sido tão eficiente, positiva, que tomamos a decisão de implantar o sistema em todos os municípios com mais de 50 mil habitantes”.

Essa é a segurança pública do Ceará no Facebook: um prodígio de ações e determinação.

No mundo real

Os homicídios aumentaram 6,8% no Brasil, na comparação entre o primeiro semestre de 2016 e deste ano. Pernambuco – com aumento de 38%; Ceará – com alta de 32%; e Rio Grande do Norte – com 26%, puxaram os índices para cima. A informação foi divulgada pelo Estadão, a partir de dados fornecidos pelas secretarias estaduais de segurança. 

Para quem diz que o problema é nacional, insinuando que se repete em todo o país com a mesma intensidade, vale destacar que em Tocantins os assassinatos caíram 42%. E no próprio Nordeste há bons resultados, como em Sergipe, que reduziu os assassinatos em 12% e na Paraíba, com recuo de 10%.

Confira a tabela do Estadão:

Os investimentos existem, assim como acontecia no governo Cid Gomes, com resultados desastrosos. O Raio sozinho não pode compensar as deficiências de planejamento e gestão da Segurança e da Justiça. Como podemos ver, não são os bandidos que estão correndo, mas os homicídios.

A distância entre o virtual e o real pode ser explicada pela necessidade de se construir um discurso político e também eleitoral para a segurança.

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Doria manda recado a Ciro em Fortaleza: “procure um psiquiatra”

Por Wanfil em Política

18 de agosto de 2017

João Doria, prefeito de São Paulo, posa para a imprensa em Fortaleza. Pode não ser candidato, mas que parece, parece. (Foto: Jéssica Welma/TBN)

O prefeito de São Paulo, João Doria, em passagem por Fortaleza nesta sexta-feira para evento com empresários, disse a jornalistas que não é candidato à Presidência da República, mas lembrou que está capacitado para administrar o País, defendeu a redução do Estado como forma de combate à corrupção, atacou Lula e criticou o populismo, classificou políticas assistencialistas de cabresto eleitoral e afirmou que o Nordeste precisa é de empregos e empreendedorismo, apontando o Ceará como referência para a região.

Ao ser indagado sobre os recorrentes ataques de Ciro Gomes, pré-candidato do PDT na disputa presidencial, Doria respondeu: “Porque ele me teme, assim como o Lula e o petismo me temem também. Aliás, ao Ciro Gomes, um recado para ele: que ele intensifique mais a sua frequência nas consultas ao psiquiatra, ele está precisando”.

 

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Bolsa Família: o eterno ativo eleitoral

Por Wanfil em Política

15 de agosto de 2017

O governador cerense Camilo Santana, do PT, classificou de “crime” o recente anúncio de cortes no programa Bolsa Família. Segundo o petista, “quem deve pagar a conta da má administração do país não são os mais pobres, mais humildes”.

Quem há de discordar? A questão, porém, é outra: quem pode realmente cobrar em nomes dos mais humildes? Durante os anos de crescimento da economia brasileira (impulsionada por commodities e sempre abaixo da média dos países emergentes, festivamente embalada como verdadeiro milagre para consumo local), o conceito de política compensatória que inspirou o  Bolsa Família foi pervertido ativo eleitoreiro paternalista, a comprar gratidão em troca de votos.

E como deu certo, não obstante a contradição entre o aumento na distribuição dos benefícios e os anúncios sobre a maior redução de pobreza do mundo. Ora, com menos pobres, o programa deveria progressivamente reduzir, como reflexo da emancipação dos assistidos ou de seus filhos, a geração que teria condições de ir à escola. Se cresceu é porque a pobreza aumentou, não é lógico?

Sim, o programa é importante e necessita de maior controle, mas é evidente que o combate à pobreza pela mera via da transferência de recursos da classe média para os miseráveis é limitado, pois a base material não muda.

O problema é que a gestão Temer não inspira confiança em ninguém. Politicamente, é óbvio que a oposição tentará tirar, mais uma vez, proveito eleitoral da situação. Os governistas, cuja maioria até outro dia era parceira do petismo, que se expliquem agora. Isso, todavia, não autoriza o oportunismo dos responsáveis pela crise. Se hoje o mais humilde “paga pela má administração do país”, é preciso lembrar que essa incompetência administrativa diz respeito sobretudo a gestão da ex-presidente Dilma Rouseff, com a maior recessão da história, juros e inflação nas alturas, corroendo renda e ceifando vagas de trabalho, sem que nenhum dos seus aliados jamais reclamasse de nada.

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Guardas municipais de Sobral fazem segurança particular em propriedade de Cid: Qual a surpresa?

Por Wanfil em Política

12 de agosto de 2017

O Ministério Público do Ceará acusa o ex-governador Cid Gomes de usar a Guarda Municipal de Sobral como segurança particular em Meruoca, onde tem uma propriedade. Por isso a Câmara Municipal de Sobral aprovou uma lei casuística que regulamenta o uso de guardas municipais para a segurança de ex-prefeitos, mesmo que seja em outro município.

Curiosamente a notícia repercutiu pouco. Talvez seja por causa daquela sensação de filme repetido, afinal, estamos diante da mesma lógica, a mesma compreensão sobre o que é público e privado, o velho cacoete patrimonialista do mesmo grupo político que protagonizou o famoso caso da viagem com a sogra para a Europa em jatinho fretado pelo Governo do Ceará.

Para saber mais, o caso foi tema do quadro conjunturas, da Tribuna BandNews:

Câmara de Sobral aprova lei que dá segurança pessoal a ex-prefeitos do município

 

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Omissões da oposição pavimentam caminho para a reeleição de Camilo

Por Wanfil em Política

08 de agosto de 2017

Dispersa, oposição deixa caminho livre para o governo

O site do Governo do Ceará informa: “Governador reúne secretários para balanço do semestre e projeta execução de 1.400 obras no Estado“. O texto da matéria reforça o título: No encontro, foram destacadas as mais de 1.400 obras em andamento no Estado. Como ainda estão em andamento, é lítico concluir que as obras ainda por iniciar e as que já foram concluídas não constam dessa lista. E o próprio governador Camilo Santana ressaltou o que isso significa: No momento difícil que o Brasil vive, o Ceará tem ampliado os serviços.

Tudo isso é tão bacana que instiga a curiosidade. Que obras são essas? Onde estão sendo feitas? Qual o impacto delas? Reparo de adutora mal construída é obra em andamento? Conserto de teto de quadra esportiva que desabou é obra em andamento a constar na listagem de ações que demonstram a operacionalidade e competência da gestão? Não se trata de acusar, mas apenas de lembrar que informações oficiais precisam de critérios que possam avaliar a necessidade, a relação custo-benefício e a qualidade dos investimentos feitos com dinheiro público.

Certamente há méritos em muitos projetos, como também existem problemas em muitos outros. Além do mais, é importante saber se existem desequilíbrios na distribuição desses investimentos pelas regiões e municípios do Ceará. Será que a Região Norte, onde brilha Sobral, recebe mais recursos que o Cariri, de Barbalha, terra do governador? E o Sertão Central? Interesses políticos ou ausência de planejamento podem beneficiar uma área em detrimento de outra. Quem sabe, né?

Caberia à oposição fiscalizar isso. Mas com o PMDB rachado, o PSDB quase extinto, e com os deputados Heitor Férrer (PSB) e Capitão Wagner (PR) atuando isolados, no varejo, sem uma ação estratégica para o atacado, a oposição deita em berço esplêndido esperando as eleições do próximo ano. Sem contraponto ao seu discurso, o governo agradece. Ter uma oposição que não incomoda é o caminho mais curto para uma reeleição.

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Não basta ser contra Temer, tem que ser diferente dele: eis o problema da oposição

Por Wanfil em Política

02 de agosto de 2017

Dilma e Temer: lembram disso, companheiros? Onde vocês estavam? (Arte sobre foto da Agência Brasil)

Nelson Rodrigues dizia invejar a burrice, que é eterna. Quando o assunto é política, eu invejo a eternidade da hipocrisia. Por ocasião da votação do pedido de investigação contra o presidente Michel Temer, como era de se esperar, a oposição foi a favor da continuidade do processo, em alinhamento, diga-se, com a opinião pública. Até aí tudo bem, é natural.

O problema é quando seus representantes, especialmente nos estados, tentam adornar esse posicionamento com discursos contra, vejam só, a corrupção e a crise econômica, como se seus partidos e lideranças nada tivessem com a maior recessão e o maior escândalo de corrupção da história brasileira. Como se nunca tivessem feito campanha para eleger o próprio Temer, seu aliado até uma dia desses, junto com Dilma. Como se fossem puros. É demais.

Não faltam ao governo Temer defeitos, como a contradição entre a promessa de rigor fiscal e a gastança com emendas parlamentares para garantir apoio no Congresso. Mas falar disso não basta aos adversários do presidente impopular, é preciso tentar ainda apagar as próprias digitais dos problemas que agora dizem combater. E então exageram.

No fim, por falta de correspondência entre discurso e prática no poder, o esforço finda inútil. Toda a indignação fingida de quem nunca fez um mea-culpa por toda essa situação, não passa de jogo de cena. Não enganam ninguém.

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Moleque, não!

Por Wanfil em Política

02 de agosto de 2017

Após um rápido recesso retorno e vejo resquícios de uma nova polêmica que agitou parlamentares da Assembleia Legislativa, chamados de “moleques” pela procuradora-geral do Tribunal de Contas dos Municípios, Leilyanne Feitosa. De fato a expressão não condiz com as liturgias institucionais, mesmo entre instituições em pé de guerra, como é o caso, por causa do projeto que tramita na AL propondo a extinção do TCM.

Deputados cobraram retratação e cogitaram convocar a procuradora para prestar esclarecimentos sobre a declaração. É justo. Se nada fizessem, estariam consentindo com a ofensa.

Foi uma reação rápida, especialmente se comparada a outros episódios, como nas delações da JBS sobre uma suposta ação corrupta de arrecadadores de campanha que hoje ocupam secretarias estaduais. Ninguém foi convocado a se defender ou instigado a dar explicações. Ficou o dito pelo não dito, embora o Estado esteja entre os três que mais receberam doações da JBS.

Talvez haja o entendimento de que falta credibilidade aos delatores (que até pouco tempo atrás eram respeitáveis doadores), que agem como “quem não tem integridade, não é  sério”. Definição igual a que consta no dicionário para o adjetivo “moleque”.

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Roubos caem, apreensão de drogas e armas sobe, mas homicídios disparam no Ceará: seguro ou inseguro?

Por Wanfil em Segurança

18 de julho de 2017

Números oficiais apontam para direções opostas na Segurança (Divulgação SSPDS)

O secretário de Segurança Pública, André Costa, divulgou nesta -terça-feira em coletiva de imprensa números relativos ao trabalho de combate ao crime no primeiro semestre de 2017, em comparação com o mesmo período do ano passado:

Apreensão de drogas: amento de 117,6%
Apreensão de armas: aumento de 26,6%
Prisões qualificadas (assaltantes, traficantes, homicidas e pessoas portando armas):  aumento de 8,9%
Latrocínios: queda de 8,2%
Roubos e furtos a bancos: queda 12,1%

São bons números, é inegável. Ocorre que na contramão desses resultados positivos, os homicídios têm registrado grande aumento. De acordo com dados da própria SSPDS divulgados no início de julho, os assassinatos aumentaram 31,9% no primeiro semestre de 2017. Em junho, os números subiram 91% em relação ao mesmo mês do ano passado. Na capital, o crescimento foi de 217,7%.

Nesse caso o problema, e sempre existe um problema, é que os relatórios nacionais e internacionais de segurança pública levam em consideração, na hora de fazer os rankings da violência, o índice de homicídios, onde o Ceará tem aparecido nas primeiras colocações.

Estamos diante de um contraste estatístico que aponta duas direções aparentemente opostas. A não ser que a morte de bandidos numa guerra de quadrilhas esteja puxando os demais índices para baixo, algo difícil de conceber, posto que seria a bandidagem tratando de reduzir a criminalidade à bala.

Resta ainda a possibilidade de que o aumento nas apreensões esteja relacionado a um provável aumento na circulação de armas e drogas, decorrente de um ambiente mais inseguro.

Por fim, resta saber se o cidadão se sente mais ou menos seguro. Se tivesse que apostar, diria que o impacto dos homicídios ofuscam a melhora nos demais itens.

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Conselho Penitenciário critica gestão de presídios e política de segurança no Ceará. Quem haverá de responder?

Por Wanfil em Segurança

17 de julho de 2017

O Conselho Penitenciário do Ceará (Copen), órgão vinculado à Secretaria de Justiça, divulgou nota no sábado com críticas à gestão dos presídios estaduais. Publico alguns trechos (grifos meus):

“O sistema penitenciário cearense, é hoje, ao invés de fator de redução da incidência de criminalidade, como o esperado, um significativo fator do aumento dessa mesma criminalidade.”

“A gestão tem minimizado o problema e adotado medidas meramente reativas e paliativas às demandas do sistema penitenciário.”

“No âmbito maior da política de segurança pública, assistimos ações de caráter meramente midiático, de promoção da imagem institucional da gestão, mas sem efetividade de resultados. Os números falam alto e por si!”

“As ações de gestão são adotadas sem planejamento prévio e a necessária discussão com os outros atores da Execução Penal.”

“As medidas adotadas pelas diversas gestões são meramente cosméticas.”

A nota fala ainda em superlotação, efetivo de agentes insuficiente, baixo orçamento e prisões sem estrutura adequada, problemas já bem conhecidos por todos.  O que traz de novidade – para um órgão estadual – é o reconhecimento da relação direta de causa e efeito entre a precariedade da situação carcerária com os índices de violência fora das unidades de custódia, nas ruas.

Por enquanto, ninguém no governo, ou nas secretarias da Justiça ou de Segurança, respondeu à nota. Silêncio. Quem cala, consente.

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Como eu avisei, aliados no Ceará não botam a mão no fogo por Lula

Por Wanfil em Política

13 de julho de 2017

Quem brinca com fogo pode se queimar

Eu não disse? A repercussão no Ceará da condenação de Lula por corrupção mobilizou, no meio político, protestos somente de nomes do PT, que acusaram uma grande armação contra o inocente ex-presidente.

Os adversários optaram por não tripudiar da situação, para não soarem antipáticos.

Já os aliados, vejam que coisa, preferiram não colocar a mão no fogo pelo ex-presidente, tudo conforme o roteiro que antecipei no post anterior: Quem ganha e quem perde no Ceará com a condenação de Lula?

Importante também destacar a posição do governador Camilo Santana, que é do PT, mas que também é Ciro para 2018, elogiou Lula, mas não contestou a decisão de Moro. Disse, sobre o ex-presidente, que nada poderá tirar-lhe “o brilho de sua história”.

O prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), não tocou no assunto e cumpriu agenda em Brasília junto ao Ministério da Saúde. Foco na gestão. O resto é o resto. Ivo Gomes (PDT), prefeito de Sobral, foi mais além e afirmou que “tudo o que o Brasil não precisa” é a volta de Lula, que “prestigiou a alta bandidagem brasileira”. Cid não se pronunciou ainda.

Ciro Gomes (PDT), em nota, disse “torcer” para que Lula prove sua inocência. Torce porque não tem certeza, é o recado. Como escrevi antes, o PDT conta com a saída de Lula do páreo para fazer de Ciro o candidato das esquerdas, herdando de quebra parte de seus votos. Postura devidamente copiada pelos liderados do pedetista.

O problema para o PT, e em especial para o PT cearense, é que se o partido quiser usar os palanques estaduais para defender Lula é ficar atento para ver se conta com nomes realmente dispostos a queimar a mão no fogo.

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A diferença da segurança pública cearense no Facebook e no mundo real

Por Wanfil em Segurança

23 de agosto de 2017

No Facebook

Todas as terças o governador Camilo Santana interage com internautas via Facebook. A ideia é bacana e naturalmente as ações de governo são apresentadas ao público. No que diz respeito a segurança pública, Camilo cita investimentos e faz declarações sobre o combate contra a criminalidade.

Disse em abril passado que deseja”botar o bandido na cadeia ou botar o bandido pra correr do estado do Ceará“. Ontem anunciou novidades: “Já foram entregues nove batalhões fixos, regionalizados, com equipes de até 35 homens. A ação do Raio tem sido tão eficiente, positiva, que tomamos a decisão de implantar o sistema em todos os municípios com mais de 50 mil habitantes”.

Essa é a segurança pública do Ceará no Facebook: um prodígio de ações e determinação.

No mundo real

Os homicídios aumentaram 6,8% no Brasil, na comparação entre o primeiro semestre de 2016 e deste ano. Pernambuco – com aumento de 38%; Ceará – com alta de 32%; e Rio Grande do Norte – com 26%, puxaram os índices para cima. A informação foi divulgada pelo Estadão, a partir de dados fornecidos pelas secretarias estaduais de segurança. 

Para quem diz que o problema é nacional, insinuando que se repete em todo o país com a mesma intensidade, vale destacar que em Tocantins os assassinatos caíram 42%. E no próprio Nordeste há bons resultados, como em Sergipe, que reduziu os assassinatos em 12% e na Paraíba, com recuo de 10%.

Confira a tabela do Estadão:

Os investimentos existem, assim como acontecia no governo Cid Gomes, com resultados desastrosos. O Raio sozinho não pode compensar as deficiências de planejamento e gestão da Segurança e da Justiça. Como podemos ver, não são os bandidos que estão correndo, mas os homicídios.

A distância entre o virtual e o real pode ser explicada pela necessidade de se construir um discurso político e também eleitoral para a segurança.