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Tribuna Científica

por Hugo Fernandes-Ferreira

Ciência e Política

Ei, você que acredita na “pílula do câncer”! Precisamos conversar numa boa.

Por hugofernandesbio em Ciência e Política

15 de Abril de 2016

Olá, meu caro. Precisamos conversar. Antes de mais nada, quero dizer que se você é paciente ou é muito próximo a alguém que esteja sofrendo com o câncer, saiba que não só respeito sua dor, como faço questão de, enquanto divulgador científico, mostrar os avanços e servir como porta-voz para que continuemos crescendo na luta contra essa doença que assola milhões de pessoas ao redor do mundo.

Você vai ler muitas críticas sobre o caso da fosfoetanolamina nesse texto. Definitivamente, essas críticas não são sobre você. Não são a respeito da sua dor. São sobre como essa sua dor está sendo direta ou indiretamente explorada para que você acredite na eficácia de um composto sem qualquer comprovação científica. São sobre o erro e, por que não dizer, irresponsabilidade do Judiciário e do Executivo na assinatura da liberação de algo que nem remédio é. Vamos enumerar alguns fatos que você precisa saber sobre o assunto, que já virou uma grande bola de neve.

1 – A fosfoetanolamina não é remédio. É um composto fosfolipídico produzido pelo nosso próprio corpo. Em 1980, um químico da USP, Dr. Gilberto Chierice, apenas sintetizou esse composto em laboratório.

2 – Chierice é químico e nunca capitaneou nenhuma pesquisa publicada envolvendo medicina ou biomedicina. A única pesquisa de sua autoria envolvendo a fosfoetalonamina compreende o uso desse composto na oxidação de microeletrodo de cobre, em 2011. Após ler artigos basais sobre a presença desse composto em células de defesa contra células tumorais, eles passou a creditar à droga algum poder “milagroso”.

3 – Depois de constituir parceria com outros pesquisadores, principalmente o Dr. Adilson Cleber Ferreira, seu laboratório começou a pesquisar o efeito do composto em células cancerígenas de camundongos (principalmente melanoma e câncer de Ehrlich, sendo essa última acometida somente em roedores). Após observar alguma regressão do crescimento dessas células (regressão essa que estava longe de ser sensacional sob um ponto de vista médico), ele passa a envasar a substância e distribui-la em um hospital público de Jaú, interior de São Paulo.

4 – Esse é o ponto principal. O composto foi distribuído apenas com evidências muito rasas de melhoria. Para que um remédio chegue ao paciente, é preciso realizar três fases de testes em animais, outras três em humanos, passar por critérios rígidos de controle médico e sanitário por órgãos de vigilância, para só depois chegar aos laboratórios farmacêuticos, em um processo que dura aproximadamente dez anos. Esse espaço de tempo é suficiente para que outros pesquisadores possam replicar os métodos e inclusive confirmar ou refutar os resultados e a conclusão dos experimentos prévios. O uso dessa droga parou na fase pré-clínica em animais, tornando sua distribuição ilegal, irresponsável, antiética e perigosa.

5 – A pior parte desse ponto é que esse processo também é importante para detectar riscos à saúde humana a curto, médio e longo e prazo. Isso foi totalmente ignorado na distribuição da fosfoetanolamina aos pacientes. Não há, por exemplo, estudos sobre efeitos colaterais e, por esse motivo, os pacientes são obrigados a assinar um termo de responsabilidade para adquirir a droga.

6 – Após a aposentadoria do Chierice em 2014, o laboratório parou de produzir o composto. Porém, milhares de pessoas já tomavam a droga acreditando em uma cura milagrosa. O nome da USP, a maior universidade do país, dava credibilidade a algo que nunca havia sido corretamente testado como eficaz. O desespero de famílias motivou inúmeras ações legais após o ministro do Supremo, Edson Fachin, obrigar o laboratório a voltar a produzir a droga para uma paciente em estado terminal, em outubro de 2015.

7 – A Reitoria da USP prontamente emite uma nota afirmando que não caberia a ela servir como indústria farmacêutica, tampouco para produzir algo que não passou pelos critérios legais e científicos necessários. Entretanto, muitos políticos se aproveitaram do desespero dessas pessoas para propor liminares de liberação de sua produção.

8 – Diante da pressão, o Ministério da Ciência em Tecnologia anuncia, em novembro de 2015, a destinação de 10 milhões de reais para pesquisas sobre o composto.

9 – De dezembro de 2015 até março de 2016, os primeiros testes da fosfoetanolamina já mostram o que a comunidade científica já esperava. Os resultados não apontaram ação efetiva contra câncer. O Laboratório de Oncologia Experimental da Universidade Federal do Ceará mostrou que o composto só produziu efeitos em uma concentração mil vezes maior do que o valor potencial para que alguma substância ataque efetivamente células tumorais. As análises do Centro de Inovação e Ensaios Pré-Clínicos de Santa Catarina corroboraram os mesmos resultados. Os defensores da suposta droga afirmam que é preciso pesquisas em seres humanos, sob a alegação de que ela só funcionaria quando metabolizada pelo organismo. Os testes serão feitos, mas as evidências de que darão certo estão muito mais longe do que muitas drogas que obtiveram excelentes observações in vitro e mesmo assim alcançaram péssimos resultados em seres humanos.

10 – Mesmo diante dessas conclusões e excluindo a necessidade de passar por controles sanitários, a Câmara dos Deputados aprovou no dia 8 de março o projeto de lei para fabricação e distribuição da fosfoetanolamina, que foi aprovada pelo Senado e agora sancionada como Lei pela presidente Dilma Roussef.

Agora que nós já fizemos essa análise temporal, precisamos tratar dos pontos que você definitivamente precisa compreender dentro de um processo científico. Peço a você muita calma e serenidade.

Primeiramente, os pesquisadores que são contra a distribuição da fosfoetanolamina são de diversos setores da Ciência, de todas as partes do país e locados em instituições de altíssima credibilidade internacional. E não, eles não são vendidos para a indústria farmacêutica. Sim, é verdade que esse setor econômico se mostra como um dos mais imorais do cenário mundial, mas colocar o caso da fosfoetanolamina nesse bolo é de um conspiracionismo totalmente infundado. Pense comigo. Um remédio que garantisse o tratamento eficaz contra qualquer tipo de câncer teria como impacto potencial 14 milhões de pessoas, com lucros inimagináveis. Não à toa, remédios desenvolvidos a partir de métodos corretos recebem altíssimas fontes de financiamento, como o caso do tomoxifeno. Mas ainda que você desconfie, pense mais uma vez, você realmente acha que todos os oncologistas e demais pesquisadores sérios sobre câncer desse país conseguiriam ser comprados? Faço o pedido para que você reflita. Não se deixe enganar. Não há qualquer evidência de que esses pesquisadores sejam vendidos.

Outro ponto bastante levantado por parte da sociedade é o de que esses pacientes, principalmente em estado terminal, merecem uma chance de tentar, já que o suposto remédio não faz mal. Concordo, de fato o composto passou nos testes de toxicidade, mas é importante ressaltar de novo a questão da ausência da lista de efeitos colaterais. De todo modo, eles tem esse direito a lutar pela vida, principalmente diante dessas circunstâncias, mas o que estamos discutindo aqui não é esse direito e sim os motivos que levaram essas pessoas a acreditarem nisso. Esses motivos são infundados. Além disso, pense que 10 milhões de reais que saíram do seu bolso e dos contribuintes estão sendo fornecidos para algo desse tipo, enquanto milhares de bolsas de estudo estão sendo cortadas de pesquisadores sérios desse país. Estamos sem recursos para encontrarmos remédios que tenham realmente potenciais de cura para diversas doenças, inclusive o câncer.

Você deve estar pensando nesse exato momento nas dezenas de relatos de pacientes que foram curados ou tiveram sintomas aliviados pela pílula. Bom, vamos lá. O câncer dessas pessoas pode ter regredido por tratamentos convencionais, causas naturais ou mesmo pelo efeito de placebo. A sensação de melhoria pode ser devido à oscilação da manifestação dos sintomas, que também depende de causas naturais e da ação do tratamento convencional. Além disso, você precisa ter conhecimento de que inúmeras pessoas pioraram ou morreram, mesmo tomando a fosfoetanolamina. Relatos populares só servem para levantar hipóteses científicas e nunca para confirmá-las. Você vai encontrar muitos que afirmam categoricamente que banha de cobra cura asma e que manga com leite mata. Por mais que elas atestem casos pessoais, nada disso faz sentido sob a luz da Ciência.

Meu caro, não permita que grupos sem compromisso com o método científico utilize sua dor para promover desinformação, falsas esperanças e ainda por cima dando margem para outros se aproveitarem politicamente disso. A liberação desse composto foi um atestado de ignorância científica dos nossos governantes e que certamente já é motivo de vergonha internacional. A abertura desse precedente pode causar um desastre. A partir de agora, qualquer um pode disseminar uma informação falsa para pessoas desesperadas sobre a cura de alguma doença e lucrar fortemente com isso sob proteção legal. Não aceite que você, seus amigos e familiares sejam as cobaias desse “experimento”.

E se você quiser saber mais e atestar as fontes de tudo isso que falei, vou te passar aqui embaixo uma playlist com vídeos do Science Vlogs Brasil, repleto de mais informações com os links dos artigos e notícias sobre o assunto. Esses caras são cientistas divulgadores e, assim como eu, não são vendidos para a indústria farmacêutica. Nem se preocupe, porque nem remédio de graça a gente recebe. Acredite na Ciência, ajude a fomentá-la e juntos, aí sim, podemos vencer o câncer.

 

 

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A incrível incapacidade de interpretar um texto

Por hugofernandesbio em Ciência e Política

23 de Fevereiro de 2016

Semana passada, postei o artigo “Um exército de Doutores desempregados”. Milhares de likes, compartilhamentos e, felizmente, muitas críticas também. E quando digo felizmente, não estou sendo nenhum pouco demagogo.

A Ciência enriquece muito mais na discordância do que o contrário. Entretanto, muitas dessas críticas atacam pontos que eu definitivamente não escrevi. Partem de uma interpretação própria, que nada mais é do que o reflexo de pouca leitura ou pelo menos incapacidade de absorver uma informação sem deixar de lado sentimentos românticos, posicionamentos políticos ou qualquer modo abstrato que provoque nossos julgamentos antes mesmo de uma análise coerente.

Um exemplo típico está em um artigo de opinião replicado pela Tribuna do Ceará. Vamos analisá-lo ponto a ponto.

                                                       “Para o autor do texto, agora que há pouca oferta de concurso público, as alternativas de emprego para doutores seriam: 1) “Fazer concurso público em outras áreas”; 2) “Fazer doces caseiros”. Isso é sério? Iniciativa privada não pode empregar cientista nunca? Cientista não pode empreender jamais (a não ser vendendo chocolate de panela)? “

Eu jamais sugeri esses itens como alternativa para a falta de emprego. Apenas apliquei exemplos (vejam bem, exemplos) de como alguns Doutores estão se virando para superar essa crise. E embora eu nunca tivesse a coragem de sugerir isso a alguém, infelizmente é um fato que já está ocorrendo. Sim, faculdades privadas podem empregar cientistas, mas o que está acontecendo é que centenas delas estão preferindo os mestres para não terem que pagar o salário de doutores, ao ponto de levar alguns deles a esconderem seu diploma ou a se sujeitarem ao triplo de horas/aula para ganharem menos do que o equivalente em universidades públicas.

Outro ponto muito importante é que o artigo se limita aos cientistas. E vou além, se limita a Ciência Básica (como bem explicado no texto original, onde citei Química, Física, Matemática e Biologia como exemplos). Isso significa que esses profissionais vivem de recursos para pesquisa, que são majoritariamente públicos. Pouquíssimas universidades particulares tem foco em pesquisa. Mais abaixo, no presente texto, comentarei sobre iniciativa privada e empreendedorismo. Vamos ao próximo ponto.

                                                           “O autor parece até estar sugerindo cortar os recursos para a pesquisa e o ensino superior, porque nem alunos nem instituições prestariam. Para ele, os “bilhões de reais gastos” no ensino superior geram “graduados analfabetos funcionais”, “mestres que não merecem o título”, “doutores cujo diploma só servem para enfeitar a parede” e o retorno em ciência “é pífio para o país”. Tirando o fato de que isso tudo é extremamente controverso (especialmente na área do pensamento social), ele não menciona que a esmagadora maioria dos poucos cientistas que temos ainda vieram e vêm dessas instituições públicas brasileiras.”

Para um texto que se inicia me acusando de desonestidade intelectual, eu nem sei como eu poderia classificar essa passagem. Para começar, não, eu não pareço estar sugerindo absolutamente nada disso e não há nada no texto que indique tal absurdo. Em segundo, o que é de enorme desonestidade é destacar essa passagem como se eu tivesse resumindo todo o resultado dos bilhões gastos nesse diagnóstico. Para esclarecer (ou para desenhar), eu disse que “bilhões são gastos para investir e manter esse grupo”. E logo depois (ressaltando, imediatamente depois) eu cito que esse nem é o cenário mais alarmante, dando lugar ao exército de pessoas competentes que estão sem emprego. Esse exército, por sinal, é mais numeroso.

                                                              “É com recurso público (neste momento, pingadíssimo) que se faz estágios sanduíche em grandes universidades no exterior. Fora as bolsas governamentais para formar pesquisadores nas nossas excelentes particulares, bem menos numerosas que as públicas de quilate. Então cuidado ao desmerecer a área pública quando se trata de pesquisa.”

Ao longo do texto, pelo menos duas vezes, eu afirmo que o Governo acertou bastante na criação de novas universidades e de programas de pós-graduação. Isso é inegável. O que eu pontuei categoricamente é que parte dessa gestão (o Ciência sem Fronteiras é um excelente exemplo) foi mal conduzida e mal planejada. Pensamos muito no número de doutores, mas não houve planejamento sobre demanda e reserva.

                                                               “Que podemos melhorar a formação no setor público, ora, não há a menor das dúvidas. Mas não parece que é esse o debate que o autor quer fazer. Ele quer emprego. Ok, então vamos lá. Nenhuma surpresa: o setor público é também o que mais emprega cientistas no Brasil. Há problemas? Como há!”

Sim, era esse o debate que eu queria fazer e fiz. Não, não quero emprego, pois já sou concursado. Sim, o setor público é a área que mais emprega cientistas e, por estarmos numa crise do setor público, foi que fiz o artigo ressaltando os problemas que a autora mesmo encontrou.

                                                                 “Quem entende que os anos que se passa como investigadores de mestrado, doutorado e pós-doutorado devem contar como tempo de serviço para a previdência social sabe que essas pessoas não estão aqui de brincadeira. Não sei na área das engenharias (da qual aparentemente vem o autor), nem sei da real nas instituições pelas quais ele passou, mas o que eu vejo perto de mim é muito trabalho.”

É justamente por estar há 11 anos nesse sistema e por defender direitos trabalhistas para cientistas que resolvi elaborar o artigo, em prol de dezenas de conhecidos e milhares de colegas competentes que, apesar de terem suas formações graças ao sistema público, hoje são vítimas de uma má gestão do próprio. Quando a autora sugere que eu seja engenheiro, finalmente entendi o motivo da sua falta de interpretação. Ela deve ter imaginado que meu artigo tinha tom de deboche e que eu estava provocando uma guerra econômica de classes profissionais. Bom, definitivamente, eu não sou engenheiro.

                                                                  “O “Carinha” citado no texto está convicto sobre fazer ciência no seu laboratório e desenvolver institucionalmente a ciência no Brasil?”

Sim, mas o colega medíocre dele, assim como milhares iguais, não. Esse é o ponto. Aí é que nasce a inflação da oferta diante da pouca demanda. Sobre iniciativa privada, que admite o menor preço, ambos estariam concorrendo no mesmo nicho, com uma forte possibilidade do colega medíocre ganhar, caso o Carinha não se sujeite a baixar seu salário.

                                                                    “Mas por que o horizonte discutido tem sempre um fundo mais imediato e particular, que é o do emprego na praça e do salário bom? O autor fica sempre olhando pro cara do lado, que está comprando carro e casa (…) Então estamos falando de ter emprego e ganhar salário bom? Ou estamos aqui falando de fazer ciência, ter emprego e ganhar salário bom? Porque se for a última, é melhor saber que essa coisa troncha que alguns estão vendo corresponde à melhor fase de investimentos que a ciência já teve no país, que muita gente pode começar a largar a rodilha do pote agora que o dinheiro está sumindo, mas que vai ter muita gente comprometida a não arredar o pé, inclusive porque o Brasil precisa de ciência para ser um país melhor. “

Estamos falando de fazer Ciência e poder pagar suas contas com isso. Independente de carro ou casa. Confesso que fui infeliz quando comparei com um engenheiro, porque até ele está passando por uma grave crise. Minha intenção foi mostrar que enquanto o colega prosperava financeiramente, o Carinha hoje está endividado. O exemplo serviu apenas para mostrar o abismo de diferenças, não para reivindicar riqueza para o Carinha. Afinal, bem sabemos que é quase impossível ficar rico como cientista no Brasil, mas esse não é o ponto.

                                                                    “O autor ignora a falta de empregos na iniciativa privada (grande empregadora em países mais desenvolvidos) e a própria falta de interesse dos doutores e incentivo do governo de empreender para além do ambiente das universidades. Só ficar esperando concurso não vai dar, nem ficar cobrando apenas do governo.”

Concordo demais. De fato, não mencionei isso, mas apenas por uma questão de foco nas causas públicas. Entretanto, faço do comentário da autora o meu. É preciso que haja incentivo para que a iniciativa privada, além das instituições de ensino, financie e empregue o cientista brasileiro. Mas, já tentaram discutir isso dentro das universidades? Sabem que a resistência não é só governamental né? Imagino que sim. Além disso, é bom pontuar que empresas não ligadas aos setores de educação no Brasil, quando investem, só o fazem em Ciência Aplicada. Ciência Básica (ressaltando, mais uma vez, que foi sobre ela que eu escrevi) dificilmente é absorvida e pesquisas de ponta nesse escopo são fortemente dependentes da máquina pública. Empreendedorismo? Não sei como montar uma empresa de Taxonomia de Roedores Sigmodontíneos, de Cristalografia de Proteínas de Lectina de Soja, de Desenvolvimento de Nanocompósitos de Poliuretana, de Fotocálise do Azul de Metileno na Presença de Óxido de Bismuto, entre outras áreas de extrema importância para a Ciência brasileira (essa passagem não contém ironia, antes que alguém diga o contrário). Mais uma vez, falei sobre Ciência Básica. Não dá para falar sobre iniciativa privada e empreendedorismo como se fosse simples de resolver.

                                                                       “A ânsia de se achar um culpado sem apontar soluções, pode-se faltar com o respeito aos pesquisadores que cortam um dobrado para que ainda se desenvolva projetos relevantes no país (eles existem!). Fazer ciência no Brasil hoje não é apenas reclamarmos da nossa realidade mais imediata (quase toda ela incentivada pelo governo), mas estarmos dispostos a trabalhar também na institucionalização de um política muito mais ampla para o campo – ou pelo menos conhecer sua história, acompanhar os atuais desdobramentos e fazer um debate mais qualificado.”

Em momento algum, desrespeitei o pesquisador brasileiro. Pelo contrário. A autora, seja lá por qual motivo, não deve ter lido com cuidado ou leu imbuída de percepções que nada tem a ver com o teor do manuscrito. Na verdade, as respostas que obtive de colegas foram, em sua maioria, as mais positivas possíveis. Quanto à última frase, não teria como discordar. Mas tenho que reforçar o adendo de que, para fazer um debate qualificado, antes de mais nada, é preciso saber interpretar um texto. Pelo menos.

 

 

 

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Um exército de Doutores desempregados

Por hugofernandesbio em Ciência e Política

17 de Fevereiro de 2016

Vou contar uma história para vocês, para que entendam em que ponto a Ciência brasileira se insere nessa crise. Ao personagem, dou o nome de Carinha. Obviamente, é uma história generalista, que jamais pode ser aplicada a todos, mas pelo menos a uma enorme parcela dos acadêmicos. Você verá muitos amigos seus na pele do Carinha. Talvez, você mesmo.

1 – No começo dos anos 2000, principalmente a partir de 2005, novas universidades começam a surgir e o número de vagas, inclusive nas já existentes, aumentam vertiginosamente. A estrutura também melhora e as taxas de evasão de cursos de Ciência básica (Física, Química, Biologia e Matemática, por exemplo) caem. O Carinha, então, ingressa em um desses cursos.

2 – O Carinha que entrou em 2005 e se formou em 2009 passou o período da faculdade desconhecendo o mercado de trabalho do seu curso fora do meio acadêmico. Ao seu lado, muitos colegas que passaram quatro anos sem saber nem o que estavam fazendo. Para o Carinha, não havia outra solução a não ser lecionar em escolas ou tentar o Mestrado, que oferecia bolsa de pesquisa de R$ 1.100,00. Mas, para isso, teria que passar por uma difícil e concorrida seleção. Até que, com o aumento do número de programas e bolsas de pós-graduação, ele viu então que aquilo não era tão difícil assim. Em 2010, torna-se mestrando.

3 – Enquanto seu amigo engenheiro civil****, recém-formado, já está dando entrada para comprar um carro, o Carinha usa sua bolsa para pagar seus pequenos gastos pessoais, além de sua pesquisa sem financiamento externo

(****PS. Permitam-me uma edição aqui. Fui infeliz quando exemplifiquei o colega como um engenheiro civil, pois o mercado para esse profissional atualmente também encontra-se em crise. Tente imaginar qualquer profissão facilmente absorvida pelo mercado de trabalho privado e o texto continuará com o mesmo objetivo).

Em dois anos, o Carinha tenta produzir alguns artigos para enriquecer o currículo. Tem planos para publicar cinco, mas publica um, em revista de qualis baixo. Em paralelo, entra num forte estresse para entregar sua dissertação e passar pelo forte crivo da banca, que pode reprová-lo. Será? Na semana de sua defesa, seu colega também é aprovado, mas com um projeto medíocre e mal conduzido, que, apesar de criticado, foi encaminhado pela banca porque reprovações não são interessantes para a avaliação de conceito do Programa. Normas do MEC.

4 – Já mestre, publica mais um artigo e entra no Doutorado, em 2012. Foi mais difícil que o Mestrado, porém mais fácil do que teria sido anos atrás, por conta do bom número de bolsas disponível. Boa parte daqueles colegas medianos desiste da vida acadêmica, mas aquele dito cujo sem perfil de cientista de alto nível também é aprovado. Afinal, ter bolsas desocupadas não é interessante, porque senão o Programa é obrigado a devolvê-las. Normas do MEC.

5 – Sua bolsa de R$ 2.500,00 já ajuda um pouco sua condição financeira, enquanto aquele colega engenheiro conta sobre sua primeira casa própria. Além disso, o amigo já contribui com o INSS, tem seguro desemprego, 13º salário, plano de saúde, cartão alimentação, entre outros benefícios. O Carinha não, tem só a bolsa e um abraço. Normas do MEC. Mas, tudo bem, é um investimento em longo prazo. Logo menos, ele tentará um concurso para ser professor universitário, com iniciais de cerca de R$9.000,00. Ele se esforça, publica artigos, dá aulas, redige a Tese, defende e é aprovado. O colega mediano faz um terço disso, mas também alcança o título.

6 – Eis que, em 2016, Doutor Carinha se depara com uma grave crise financeira. Cortes profundos no orçamento, principalmente no Ministério da Educação, tornam escassas as vagas como docente. Concursos em cidades remotas do interior, antes com dois, cinco concorrentes no máximo, contam hoje com 30, 50, 80.A solução então é caminhar urgentemente para um Pós-Doutorado, com bolsa de R$ 4.100,00, metade do que ganha seu amigo engenheiro, mas ok, dá um caldo bom, ainda que continue sem direitos trabalhistas. Pouco tempo atrás, as bolsas sobravam e os convites eram feitos pelo próprio professor. Hoje, ele enfrenta uma seleção com 30. Ele passa, o outro colega já fica pelo caminho, assim como centenas espalhados pelo país. O que eles estão fazendo agora?

O resumo da história é… Temos um exército de graduados analfabetos funcionais e de mestres que não merecem o título. Em um pelotão menor, mas ainda numeroso, doutores cujo diploma só serve para enfeitar a parede. Bilhões de reais gastos para investir e manter um grupo cujo retorno científico é pífio para o país. Entretanto, esse não é o pior cenário.

Alarmante é ver um outro exército de Carinhas, esse qualificado, com boas produções, só que desempregado e enfrentando a maior dificuldade financeira de suas vidas. Alguns há anos em bolsas de Pós-Doutorado, sem saberem se essas podem ser cortadas no ano seguinte. Se forem, nenhum mísero centavo de seguro desemprego. Na rua, ponto. Outros abandonando por vez a carreira para tentar os já escassos concursos públicos em outras áreas ou mesmo para fazer doces caseiros, entre outras alternativas.

Ao passo que o Governo acertou na criação de novas universidades, programas e bolsas de pós-graduação nesses últimos 14 anos, a gestão desse material humano e financeiro foi bastante descontrolada. Quantidade exacerbada de cursos criados sem demanda profissional, falta de política de cargos e carreiras para o cientista brasileiro, recursos transportados para um programa de intercâmbio que não exigia praticamente nenhum produto de um aluno de graduação (sobre Ciência Sem Fronteiras, teremos um post exclusivo), critérios de avaliação bem distantes da realidade das melhores universidades do mundo, além de uma série de outros absurdos.

Teremos cerca de dez anos pela frente para que essa curva entre oportunidades e demanda volte a estabilizar. Não tenho dúvidas de que alcançaremos isso. Mas, até lá, cabe a pergunta. O que faremos com os novos Carinhas que ainda surgem a cada vestibular?

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Uma entrevista descontraída para você entender o maior impacto ambiental do Brasil

Por hugofernandesbio em Ciência e Política

25 de novembro de 2015

Segue abaixo o link para uma entrevista que concedi para Haroldo Guimarães, advogado, professor, ator e músico, que faz sucesso nas redes sociais com seus vídeos informativos, mas cheios de humor. No caso, o papo é descontraído, mas sem deixar de lado a seriedade que o assunto merece. Entenda porque esse é o maior impacto ambiental que o Brasil já viu, quais serão as consequências e, o mais importante, como você pode fazer para ajudar. Existe um corpo de cientistas independentes para estudar o impacto da tragédia sobre o meio ambiente e que precisa de levantamento de fundos para isso. Para contribuir, é só acessar http://www.kickante.com.br/campanhas/relatorio-independente-de-impacto-causado-pelo-rompimento-das-barragens-de-fundao-e

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Cientistas precisam da sua ajuda! E você ganha duas vezes.

Por hugofernandesbio em Ciência e Política

12 de novembro de 2015

Orçamento apertado e previsão para cortes mais drásticos nas universidades federais e estaduais do Brasil. Esse é o cenário para o qual, segundo os economistas, não há previsão de melhoras pelo menos até 2017.

A última do Governo foi a suspensão de 75% verba do Programa de Apoio a Pós-Graduação (PROAP) sem aviso prévio em julho, além do corte de novos editais para concursos federais. Diante desse cenário, muitos cientistas com pesquisas em andamento estão com as análises de seus trabalhos comprometidas. Desesperar? Jamais, como diria o velho samba. Reclamar? Claro, mas não sem agir. E foi tentando pensar “fora da caixa” que alguns brasileiros estão recorrendo aos programas de financiamento coletivo para dar continuidade às suas pesquisas.

É o caso da equipe do Dr. Ulysses Paulino Albuquerque, da Universidade Federal Rural de Pernambuco. O Laboratório de Etnobiologia Aplicada e Teórica é umas das maiores referências internacionais sobre o uso de plantas por populações tradicionais e rurais, incluindo aquelas usadas na medicina popular. Por envolver esse tipo de conhecimento, Albuquerque faz questão de que esses resultados sejam divulgados em revistas conceituadas, mas de acesso aberto a qualquer pessoa no mundo. Para isso, o custo de publicação de cada artigo em um desses veículos é de no mínimo R$ 4.500,00. A cura de diversas doenças podem ter seus processos iniciados por essas pesquisas, por isso a importância de uma ampla divulgação.

Diante do orçamento apertado, os pesquisadores agora estão fazendo uma campanha para arrecadar R$ 50.000,00. Para fazer doações, basta acessar o link http://www.kickante.com.br/campanhas/producao-de-conhecimento-cientifico .

Essa também foi a solução encontrada pelo biólogo Diogo Dutra-Araújo, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), no Rio Grande do Sul. O objetivo do projeto “Fluxo de Energia do Jacaré-de-papo-amarelo” é entender e identificar qual a origem da alimentação do jacaré e avaliar esta disponibilidade em banhados e áreas úmidas que vêm sofrendo inúmeras pressões pelo desenvolvimento humano. O jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris) é uma espécie de ampla distribuição nacional, sendo encontrada nos biomas Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pampa e Marinho-costeiro, habitando lagoas costeiras, manguezais, brejos, banhados e pântanos de água doce ou salobra. O projeto está em campanha pelo Catarse no link https://www.catarse.me/fluxojacare

Ambos os projetos oferecem brindes aos doadores, como cursos, livros e até mesmo a oportunidade de adotar um jacaré! Ou seja, ganha-se duas vezes. Na hora de votar e, a longo prazo, no retorno das pesquisas quando aplicadas para a conservação e medicina.

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Pichar é errado, mas não deslegitima a ocupação. A ocupação é legítima, mas pichar é errado.

Por hugofernandesbio em Ciência e Política

02 de setembro de 2015

Dois títulos, um texto. Essa é a tentativa de ponderar o diálogo pelo conteúdo, não pela chamada.

A priori, estou somado à luta dos servidores, professores e estudantes da Universidade Federal do Ceará, bem como de outras instituições federais e estaduais, que optaram pela greve. Entretanto, a perigosa dicotomia entre “esquerda ou direita”, “militante ou pelego”, “vermelho ou azul” por vezes impede que a gente enxergue limites de ações e principalmente o degradê de opiniões que estão no meio desses ramos opostos.

As pichações encontradas na Reitoria são um ato pequeno diante dos problemas enfrentados pelos estudantes, servidores e professores da UFC? – São. Extremamente pequenas. Estamos falando de cortes profundos, atrasos em obras, não atendimento a planos de carreira, entre outros pontos. Os estudantes ainda falam de expulsão de alunas grávidas das residências universitárias e reivindicam gratuidade da alimentação.

Isso justifica o ato de pichar? – De jeito nenhum. Se isso é pequeno diante das reivindicações, é grande diante do patrimônio histórico. E é essa subjetividade que torna o ato injustificável. Hoje, pichar uma parede é coisa pequena para alguns. Nada impede que quebrar uma veneziana de uma janela centenária também seja. Quebrar a moldura de um quadro? Uma porta? Talvez seja pequeno para vários. Por mais que se pinte ou restaure, custando pouco ou muito, todos esses atos se enquadram como depredação de patrimônio público e histórico. Pintar uma parede daquele tamanho não sai barato e quem paga é o contribuinte, não o Reitor.

Isso é estratégico? – Não. Alguns consideram ser a única solução para chamar a atenção da imprensa. Será? A Tribuna do Ceará noticiou a ocupação antes da pichação e outros veículos de comunicação inclusive tomaram isso como pauta fixa. Mas é claro que a polêmica traz mais impacto midiático e é óbvio que, nesse caso, esse impacto é negativo. É assim que funciona desde antes de Guttenberg e é preciso ser muito inocente para desconsiderar isso. Depredação de patrimônio não traz apoio popular algum, nem mesmo da massa de estudantes da universidade. E advinha quem passa a ganhar esse apoio? A Reitoria. A partir disso, não atender as reivindicações fica mais fácil que pintar uma parede.

Isso desmerece todo o movimento? – Em hipótese alguma. As pautas merecem ações corretas de pressão e, como eu falei, são muito mais sérias que uma parede pichada.

Em suma, agir ou justificar o injustificável não é correto nem tampouco estratégico. Contudo, criminalizar todo um movimento sério com base em um ato isolado também é falacioso e desmedido. Saibamos ponderar, interpretar e analisar. Estar de um lado não significa aplaudir sempre os seus e vaiar sempre os outros.

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Cobra fóssil descrita por cientista estrangeiro foi possivelmente saqueada do Ceará

Por hugofernandesbio em Ciência e Política

23 de julho de 2015

Esse artigo, inicialmente, era para dar ênfase a uma descoberta extraordinária: a descrição de um fóssil de serpente com quatro patas, publicada ontem (23/07) na conceituada revista Science (veja detalhes do artigo original aqui). O exemplar é proveniente da Bacia do Araripe, no sul do estado do Ceará.

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Representação gráfica de Tetrapodophis amplectus (Reprodução / Nature / Julius Cstonyu)

Serpentes (ou cobras, como preferirem) são animais que descendem de lagartos ancestrais. Isso não era nenhuma novidade. A presença de vestígios de patas posteriores pode ser observada no esqueleto de algumas espécies viventes como a jibóia (Boa constrictor) e principalmente em diversos fósseis que contam com patas traseiras relativamente bem desenvolvidas. Além disso, análises moleculares complexas corroboram essas afirmações.

O grande diferencial desse artigo, de autoria principal do paleontólogo britânico David Martill e de mais dois pesquisadores, é que o fóssil, nomeado Tetrapodophis amplectus, é de uma espécie com quatro patas, dedos e garras, enquanto todas as publicações antecedentes tinham revelado apenas espécies com patas posteriores e que portanto já haviam perdido ou reduzido as anteriores. A fotografia revela um fóssil perfeito, em excelente estado de conservação, um verdadeiro “elo perdido”.

É aí que começa a polêmica e, por isso, resolvi mudar um pouco o foco desse texto. De acordo com Martill, o exemplar estava depositado  no museu alemão Bürgermeister-Müller e era originalmente oriundo de uma coleção particular. Mais um gol da Alemanha? Sim, mas tudo indica que “havia impedimento” dessa vez. O problema é que nunca houve autorização para que esse fóssil saísse do Brasil. A outra única forma legal para sua exportação é se ele tiver sido coletado antes de 1942, ano em que ficou proibida a comercialização de fósseis no país. É isso que alega o pesquisador, que afirmou que o espécime ali estava por várias décadas. Mas não há qualquer dado anexado que demonstre a data do depósito.

Chegamos então em um ponto importante. Um fóssil em tão perfeitas condições e que claramente ilustra um passo importante para a Ciência, facilmente observável por qualquer paleontólogo especialista no grupo, dificilmente passaria tanto tempo despercebido.

Max Langer, da Sociedade Brasileira de Paleontologia e Felipe Chaves, chefe da divisão de proteção de depósitos fossilíferos do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), concederam entrevistas a alguns órgãos de imprensa afirmando que, “muito provavelmente”, esse fóssil tenha saído por vias ilegais.

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Fóssil de Tetrapodophis amplectus provavelmente saqueado (Reprodução / Nature).

O “muito provavelmente” é aplicado porque de fato não há provas para isso. O que fazer? Exigir do autor e do museu que mostrem as provas de que houve legalidade na ação. Cabe ao Governo Brasileiro uma atitude enérgica contra uma atividade que há séculos vem tolhendo a produção científica brasileira. Quadrilhas especializadas ainda atuam na retirada de fósseis na Bacia do Araripe, indubitavelmente um dos sítios arqueológicos mais importantes do mundo, principalmente para o Cretáceo. Os maiores beneficiados são colecionadores particulares e pesquisadores estrangeiros. É preciso que se esgotem os esforços para saber se esse “muito provavelmente” não é, na realidade, um “com certeza absoluta”.

Em entrevista a algumas fontes, Martill afirma que “não se importa com a procedência do material”, pois isso não é motivo para atravancar a Ciência. De fato, a Ciência não pode ser engessada por trâmites burocráticos fúteis (a exemplo de vários requerimentos que nós, pesquisadores brasileiros, temos que solicitar para fazer pesquisa aqui). Entretanto, uma das premissas científicas é pautada pela ética. Importar-se com a procedência, nesse caso, é um grande exemplo. Uma vez que o material está depositado de forma irregular em outro país, é preciso que ele seja repatriado ao seu país de origem. Não é questão de lei e sim de princípios. Cabe pontuar ainda que Martill é um pesquisador conhecido por criticar as atuais leis brasileiras de proteção ao patrimônio genético, além de ser assumidamente comprador de fósseis. A própria Sociedade Brasileira de Paleontologia já se colocou contra alguns de seus posicionamentos (confira aqui).

Isso também não exime o Governo da culpa pelo histórico enorme de descaso em relação às riquezas naturais, paleontológicas e arqueológicas do Brasil. Parques Nacionais estão às mínguas, sem segurança, sem estrutura e com pouco incentivo  à pesquisa.

A descoberta desse fóssil é um mini retrato da final da Copa do Mundo de 2014. A vitória foi da Alemanha, o mundo todo gostou de ver e só o Brasil ficou chorando. E, pelo jeito, ainda vai chorar muito.

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Linha do Metrofor custa mais caro do que ir a Plutão

Por hugofernandesbio em Ciência e Política

17 de julho de 2015

Essa semana, o mundo assistiu a uma das maiores conquistas da Astronomia Moderna. Pela primeira vez, uma espaçonave conseguiu sobrevoar Plutão. Antigamente considerado como um planeta, Plutão é na realidade um planeta-anão, que faz parte do Cinturão de Kuiper.

A New Horizons é o veículo não-tripulado que está realizando a missão, que tem como objetivo mapear a morfologia, atmosfera e geologia do planeta-anão, bem como de suas luas: Caronte. Nix, Hyndra, Cérbero e Estige. Através desse mapeamento, será possível traçar a história geológica do planeta, caracterizar partículas atmosféricas ou mesmo encontrar satélites naturais ainda não documentados. A nave chegou muito perto (cerca de 12.000 km de distância) do astro e já mostrou resultados incríveis. Os cientistas identificaram a presença de montanhas de gelo.

A distância da Terra para Plutão é de 5.763.920.000 Km. Mesmo navegando a uma velocidade que pode ultrapassar 75.000 km/h, a expedição demorou nove anos e meio e ainda vai demorar outros cinco para ser concluída, a um custo de 700 milhões de dólares (cerca de 2 bilhões de reais).

Diante desses números, o biólogo cearense Heideger Nascimento resolveu fazer uma comparação no mínimo inusitada. Ele relacionou custo e resultado de uma expedição dessa magnitude com o nosso querido Metrofor, projeto metroviário de Fortaleza iniciado no início da década de 90 que prevê a construção de cinco linhas que cortam toda a capital do estado, mas que atualmente conta só com uma totalmente construída, a Linha Sul, que liga a Pacatuba ao Centro. Foi justamente essa linha que serviu de comparação com a New Horizons. Vejamos o infográfico.

 

info

 

Cada quilômetro percorrido da New Horizons custou menos de R$ 0,40. Isso é cerca de três vezes menos que a meia passagem do Metrofor, cuja linha sul foi construída a um custo de R$ 75 milhões de reais por quilômetro. Essa diferença significa que cada quilômetro do metrô fortalezense custou 187.000.000 de vezes mais alto do que o investido para o New Horizons. Vale lembrar que essa mesma obra foi investigada em 2006 pelo Tribunal de Contas da União, que identificou formação de cartel e um superfaturamento de 136%.

Claro que comparar uma nave espacial com um metrô pode não fazer muito sentido. Afinal, uma vez construída a nave, os custos para mandá-la até lá são apenas operacionais, enquanto um metrô necessitaria de trilhos. Mas a comparação é importante para que haja uma percepção sobre o quão longe se pode chegar com tanto dinheiro. Quando vemos uma notícia na ordem de milhões ou bilhões, a maioria das pessoas não consegue de fato processar a real grandeza dessas cifras. Quando há a identificação de um superfaturamento nessa magnitude, isso dói ao bolso do contribuinte muito mais do que diversos escândalos políticos, embora o fato não receba o mesmo peso midiático.

Por isso, caro leitor, toda vez que você quiser andar de metrô em Fortaleza, vista uma roupa espacial. Será a vestimenta mais adequada para utilizar um serviço com um orçamento tão astronômico.

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Homofóbicos podem ser homossexuais reprimidos, afirmam cientistas

Por hugofernandesbio em Ciência e Política

04 de junho de 2015

Julho de 2002. Eu tinha 16 anos e ficava com uma menina que ia estrear na passarela em um evento de moda. Fomos eu e o irmão dela, da mesma idade que eu. Fomos para prestigiá-la e também porque o agente tinha visto no irmão um grande potencial para também seguir a carreira de modelo.

Quando entramos no backstage após o desfile, o agente, homossexual assumido, cuidava dos trâmites finais de camarim gesticulando, rindo e balançando as mãos de forma bem estereotipada. Normal né? Mas ao ver aquela cena, o irmão da menina cerrou dentes e olhos enfurecidos, deu meia volta e saiu. Transtornado, disse à irmã que nunca iria “entrar num negócio que só tinha ‘viado'(sic)”. “Pouca vergonha… Eu sou é homem, porra”. Eu particularmente vi mais do que raiva naquela cena. Mesmo sem entender, eu vi um pouco de medo. Mas relevei aquilo. Afinal, medo do que? Logo ele, que xingava, chutava e perseguia um colega de classe notavelmente afeminado.

Oito anos depois, o vejo de mãos dadas com seu namorado. Não fiquei surpreso, porque já tinha lido as pesquisas de Harry Adams. Em 1996, ele e outros pesquisadores da University of Georgia (EUA), realizaram uma pesquisa com mais de 70 pessoas, que foram divididas em dois grupos: homofóbicos e não-homofóbicos. Esses grupos foram caracterizados a partir de entrevistas prévias com os participantes, que depois tinham que assistir a vídeos eróticos com aparelhos ligados para medir excitação sexual. Os autores mostraram que a maioria dos homofóbicos, bem como os não homofóbicos, ficaram excitados com vídeos de cena heterossexual. Porém, a maior parte dos homofóbicos também ficou excitada ao ver cenas de conteúdo homossexual, enquanto os não homofóbicos não apresentaram excitação.

É uma pesquisa antiga, de fato. E ainda há trabalhos indicando isso desde a década de 80, como o dos norte-americanos Walter Hudson e Wendell Ricketts. Entretanto, outros estudos desde então tem reforçado essa ideia de forma cada vez mais consistente. Um artigo mais recente e de caráter muito mais complexo, envolvendo quase 800 pessoas, foi conduzido nos Estados Unidos e Alemanha por Netta Weistein e sua equipe. Os pesquisadores indicaram que 20% das pessoas que se demonstravam agressivas contra homossexuais apresentavam desejos por pessoas do mesmo sexo, de acordo com os testes. O trabalho ainda mostra uma correlação muito forte entre homofobia e um histórico de educação rígida dos pais, onde os filhos possuem pouca autonomia. Como essas crianças crescem em um ambiente muito repressor, a não aceitação do próprio desejo passa a ser transferida para a não aceitação social da homossexualidade.

Essa amostra é um reflexo da nossa sociedade. Há, por exemplo, grupos extremamente conservadores que são capazes de promover boicote a uma marca de perfumes, porque essa resolveu colocar casais gays em sua campanha publicitária. Felizmente, as lutas sociais atreladas a pilhas de informações históricas e científicas sobre o tema conseguiram, a muito custo (e até sangue), mostrar para uma parcela enorme da sociedade que esse padrão homofóbico, antigamente normalizado, é atualmente inaceitável.

Embora ainda falte muito a ser feito, não tenho dúvidas de que os homofóbicos de hoje pensarão duas vezes antes de, no futuro, contar aos netos e bisnetos sobre os impropérios que eles falavam e faziam contra homossexuais.

P.S. Anexo aqui um vídeo onde eu respondo alguns comentários e questionamentos de leitores sobre homofobia e homossexualidade. Entenda porque a homossexualidade é natural e porque isso não é apenas uma opinião diferente.

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O que pode ser mais importante que Ciência?

Por hugofernandesbio em Ciência e Política

22 de Abril de 2015

Bem, eu sei que muitos já vão dar uma resposta pronta, possivelmente ligada a algo afetivo ou espiritual. Respeito demais (mesmo!). Mas vamos tentar, pelo menos agora, amarrar nossa pergunta a questões, digamos, mais “terrenas”.

Provavelmente, você está lendo esse texto em um computador ou quem sabe no seu celular ou tablet. Olhe bem para os componentes do seu aparelho. O plástico presente na maior parte dele não é matéria prima encontrada na natureza. Ele é desenvolvido a partir de décadas de pesquisa em materiais de resistência, durabilidade e baixo custo. A tela finíssima é graças ao advento e consolidação da nanotecnologia, ciência recente quando comparada aos códigos binários que permitem respostas eletrônicas aos seus comandos de digitação. Se você estiver num ambiente urbano, olhe tudo em sua volta e tenha a certeza de que cada item que você está vendo, desde a tinta da parede até os freios de um automóvel, só está aí porque milhares de cientistas investiram muito tempo, muito cérebro e muito dinheiro nisso. Se você por um acaso estivesse no meio da floresta agora, saiba que novas espécies são descobertas praticamente todos os dias e que as relações ecológicas entre seres vivos e o meio estão se revelando cada vez mais complexas, graças a pesquisadores que estão nos ajudando a como medir nossos impactos no planeta e a como resolvê-los. O que você comeu hoje passou por testes químicos e por décadas de melhoramento genético. A economia de uma nação é baseada em estatística avançada. O remédio que você tomou quando ficou doente não foi uma descoberta acidental. Uma cirurgia de sucesso não foi alcançada naquele momento, ela nasceu em dezenas de laboratórios bem antes disso. Em resumo, você não teria sequer chegado até aqui se não fosse pela Ciência.

Talvez, eu não tenha falado nenhuma novidade para você. Mas será que damos o real valor para esses processos? E eu ainda o convido a um seguinte questionamento. Pense mentalmente no nome de cinco cientistas… Agora pense mentalmente no nome de cinco cientistas brasileiros.

Aposto duas coisas agora. No primeiro desafio, sua mente visitou cientistas estrangeiros mais velhos como Einstein, Hawking, Darwin, Marie Curie, não é isso? Já o segundo eu arrisco dizer que foi bem mais difícil. Carlos Chagas, talvez?

Pois bem, vamos fazer um resumo agora da relação do brasileiro com a Ciência.

  • Ele acha que Ciência é só uma disciplina que se aprende na escola;
  • Ele não percebe que praticamente tudo o que ele consome advém de processos científicos complexos;
  • A imagem do cientista é tida por ele como um profissional que “descobre” coisas e não alguém que desenvolve coisas;
  • Para ele, os modelos de cientistas são estrangeiros e com pesquisas desenvolvidas no século passado, mesmo que ele não saiba ao certo o que esses cientistas de fato fizeram.

Tudo bem, mas qual o problema nisso? Simples. Uma sociedade que não entende Ciência, não a valoriza. Uma sociedade que não a valoriza não a consome. E uma sociedade que não a consome não a fomenta. E o que ganha uma sociedade ao fomentar Ciência? Vamos aos exemplos práticos.  O Japão resolveu investir maciçamente em Ciência após a II Guerra, que quase o destruiu por completo. Hoje, o país conta com quase 700.000 cientistas dentre os seus 127 milhões de habitantes. Com orçamento anual de cerca de 120 bilhões de dólares, a nação é líder mundial na produção de pesquisa fundamental e detém um PIB de quase 5 trilhões de dólares, cuja maior parte é fruto de insumos tecnológicos. Israel também em seu PIB de 290 bilhões fortemente atrelado à produção científico-tecnológica. Apesar de ter crescido bastante no número de publicações, o Brasil ocupa o 40º lugar em termos de relevância científica e a produção econômica advinda de nossas pesquisas é pífia, mesmo com PIB de US$ 2,2 trilhões. Mesmo se considerarmos o PIB per capita brasileiro (cerca de US$ 11.000), o Brasil ainda está atrás da Índia na produção científica, país que detém aproximadamente US$ 1.000 per capita, valor 10 vezes menor.

Ou seja, Ciência é um dos principais fatores de evolução de um país. Em termos políticos, sociais, educacionais e principalmente econômicos. Sabendo dessa necessidade, como mudar esse quadro de desvalorização no Brasil? A resposta é teoricamente óbvia, mas de aplicação prática complicada. Educação, claro. Mas se a educação formal não tem cumprido o papel de despertar a predileção para que esses jovens busquem na informal um maior aporte de conhecimento científico, a solução por enquanto é mudar a educação informal. E a melhor maneira é através da Internet e de recursos audiovisuais.

Podemos usar exemplos que já deram certo inclusive. Lembra do Mundo de Beackman, aquele cientista maluco que ao lado de uma garota e um rato gigante desvendavam vários experimentos? Ou quem sabe do Chocolate Surpresa, que vinha acompanhado de cartões repletos de informações incríveis? Ou ainda do Tíbio e Perônio, do Castelo Ratimbum? Se você lembrou desses programas com um sorriso no rosto, pensa que iniciativas como essa podem voltar a dar certo.

Há dezenas de canais virtuais como o Nerdologia, Canal do Pirula, Manual do Mundo, Física Marginal, que já estão cumprindo um papel fundamental para essa mudança. Agora, nós também resolvemos arriscar com o Zoa. Vamos ver no que isso vai dar. De qualquer forma, é um bom (re)começo. E que seja o início de um Brasil mais científico e, sobretudo, mais cientista.

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O que pode ser mais importante que Ciência?

Por hugofernandesbio em Ciência e Política

22 de Abril de 2015

Bem, eu sei que muitos já vão dar uma resposta pronta, possivelmente ligada a algo afetivo ou espiritual. Respeito demais (mesmo!). Mas vamos tentar, pelo menos agora, amarrar nossa pergunta a questões, digamos, mais “terrenas”.

Provavelmente, você está lendo esse texto em um computador ou quem sabe no seu celular ou tablet. Olhe bem para os componentes do seu aparelho. O plástico presente na maior parte dele não é matéria prima encontrada na natureza. Ele é desenvolvido a partir de décadas de pesquisa em materiais de resistência, durabilidade e baixo custo. A tela finíssima é graças ao advento e consolidação da nanotecnologia, ciência recente quando comparada aos códigos binários que permitem respostas eletrônicas aos seus comandos de digitação. Se você estiver num ambiente urbano, olhe tudo em sua volta e tenha a certeza de que cada item que você está vendo, desde a tinta da parede até os freios de um automóvel, só está aí porque milhares de cientistas investiram muito tempo, muito cérebro e muito dinheiro nisso. Se você por um acaso estivesse no meio da floresta agora, saiba que novas espécies são descobertas praticamente todos os dias e que as relações ecológicas entre seres vivos e o meio estão se revelando cada vez mais complexas, graças a pesquisadores que estão nos ajudando a como medir nossos impactos no planeta e a como resolvê-los. O que você comeu hoje passou por testes químicos e por décadas de melhoramento genético. A economia de uma nação é baseada em estatística avançada. O remédio que você tomou quando ficou doente não foi uma descoberta acidental. Uma cirurgia de sucesso não foi alcançada naquele momento, ela nasceu em dezenas de laboratórios bem antes disso. Em resumo, você não teria sequer chegado até aqui se não fosse pela Ciência.

Talvez, eu não tenha falado nenhuma novidade para você. Mas será que damos o real valor para esses processos? E eu ainda o convido a um seguinte questionamento. Pense mentalmente no nome de cinco cientistas… Agora pense mentalmente no nome de cinco cientistas brasileiros.

Aposto duas coisas agora. No primeiro desafio, sua mente visitou cientistas estrangeiros mais velhos como Einstein, Hawking, Darwin, Marie Curie, não é isso? Já o segundo eu arrisco dizer que foi bem mais difícil. Carlos Chagas, talvez?

Pois bem, vamos fazer um resumo agora da relação do brasileiro com a Ciência.

  • Ele acha que Ciência é só uma disciplina que se aprende na escola;
  • Ele não percebe que praticamente tudo o que ele consome advém de processos científicos complexos;
  • A imagem do cientista é tida por ele como um profissional que “descobre” coisas e não alguém que desenvolve coisas;
  • Para ele, os modelos de cientistas são estrangeiros e com pesquisas desenvolvidas no século passado, mesmo que ele não saiba ao certo o que esses cientistas de fato fizeram.

Tudo bem, mas qual o problema nisso? Simples. Uma sociedade que não entende Ciência, não a valoriza. Uma sociedade que não a valoriza não a consome. E uma sociedade que não a consome não a fomenta. E o que ganha uma sociedade ao fomentar Ciência? Vamos aos exemplos práticos.  O Japão resolveu investir maciçamente em Ciência após a II Guerra, que quase o destruiu por completo. Hoje, o país conta com quase 700.000 cientistas dentre os seus 127 milhões de habitantes. Com orçamento anual de cerca de 120 bilhões de dólares, a nação é líder mundial na produção de pesquisa fundamental e detém um PIB de quase 5 trilhões de dólares, cuja maior parte é fruto de insumos tecnológicos. Israel também em seu PIB de 290 bilhões fortemente atrelado à produção científico-tecnológica. Apesar de ter crescido bastante no número de publicações, o Brasil ocupa o 40º lugar em termos de relevância científica e a produção econômica advinda de nossas pesquisas é pífia, mesmo com PIB de US$ 2,2 trilhões. Mesmo se considerarmos o PIB per capita brasileiro (cerca de US$ 11.000), o Brasil ainda está atrás da Índia na produção científica, país que detém aproximadamente US$ 1.000 per capita, valor 10 vezes menor.

Ou seja, Ciência é um dos principais fatores de evolução de um país. Em termos políticos, sociais, educacionais e principalmente econômicos. Sabendo dessa necessidade, como mudar esse quadro de desvalorização no Brasil? A resposta é teoricamente óbvia, mas de aplicação prática complicada. Educação, claro. Mas se a educação formal não tem cumprido o papel de despertar a predileção para que esses jovens busquem na informal um maior aporte de conhecimento científico, a solução por enquanto é mudar a educação informal. E a melhor maneira é através da Internet e de recursos audiovisuais.

Podemos usar exemplos que já deram certo inclusive. Lembra do Mundo de Beackman, aquele cientista maluco que ao lado de uma garota e um rato gigante desvendavam vários experimentos? Ou quem sabe do Chocolate Surpresa, que vinha acompanhado de cartões repletos de informações incríveis? Ou ainda do Tíbio e Perônio, do Castelo Ratimbum? Se você lembrou desses programas com um sorriso no rosto, pensa que iniciativas como essa podem voltar a dar certo.

Há dezenas de canais virtuais como o Nerdologia, Canal do Pirula, Manual do Mundo, Física Marginal, que já estão cumprindo um papel fundamental para essa mudança. Agora, nós também resolvemos arriscar com o Zoa. Vamos ver no que isso vai dar. De qualquer forma, é um bom (re)começo. E que seja o início de um Brasil mais científico e, sobretudo, mais cientista.