Flashback: Marvel Studios abre sua trajetória com o pé direito em "Homem de Ferro" 
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Cena Cultural

por Thiago Sampaio

Flashback: Marvel Studios abre sua trajetória com o pé direito em “Homem de Ferro”

Por Thiago Sampaio em Flashback

30 de Abril de 2018

Foto: Divulgação

Caros leitores, “Vingadores: Guerra Infinita” (Avengers: Infinity War, 2018) está fazendo um estardalhaço nas bilheterias e gerando muitos comentários. A crítica deste que vos fala, você pode ler aqui. Porém, o longa que coroa os 10 anos da Marvel Studios não teria chegado neste nível de grandiosidade, ou, provavelmente, nem existiria, se o filme de estreia da coluna Flashback tivesse naufragado. No dia 30 de abril de 2008, chegava aos cinemas “Homem de Ferro” (Iron Man, 2008)!

No ano 2000, o diretor Bryan Singer e sua trupe de mutantes dos X-Men fizeram a moda de adaptar heróis dos quadrinhos para às telas voltar com tudo. Depois dali, vieram Batman, Homem-Aranha, Hulk, Superman, Quarteto Fantástico, Demolidor, Justiceiro, Motoqueiro Fantasma…enfim, havia a certeza que o Homem de Ferro uma hora teria sua vez nas telonas. Não por importância ou gosto do público pelo personagem, afinal, ele nunca foi dos mais populares. Por isso mesmo, pouca gente poderia apostar que justamente este figurasse como uma das melhores dessas adaptações na época e iniciasse a fonte de riqueza que virou a Marvel nos cinemas.

O longa aborda a origem do herói. Tony Stark (Robert Downey Jr.) é um bilionário fornecedor de armas do governo americano que sofre um acidente em uma explosão, alojando estilhaços de bomba em seu coração. Para viver, ele necessita de um superdispositivo eletrônico no órgão vital. Tony é sequestrado e forçado a criar uma arma devastadora. No entanto, ele cria uma armadura de alta tecnologia para escapar do cativeiro. Quando retorna aos EUA, descobre um plano com implicações globais e resolve usar suas invenções para salvar o planeta.

Antes de tudo, se há alguém a quem o bom resultado deve ser creditado é o diretor Jon Favreau. Substituindo o duvidoso Nick Cassavetes (do romance modinha “Diário de uma Paixão”, 2004), que abandonou o projeto, Favreau foi uma escolha questionada por ter em seu currículo apenas “filmes de família”, como “Um Duende em Nova York” (2003), e “Zathura” (2005). Acontece que o ator/cineasta tomou esse como um projeto de fã, feito para fãs. Percebe-se o carinho com que ele tratou a produção, visto que ele conhece a fundo o personagem e o mundo dos quadrinhos (tendo alguns trabalhos como roteirista em histórias do próprio Homem de Ferro).

Com isso, os leitores de HQs e nerds de plantão perceberam ali muitas referências ao universo Marvel, como a criação da S.H.I.E.L.D.; a iniciativa para fundação de uma “certa liga” (sim, os Vingadores, termo então pouco conhecido pelo público médio); além de ganchos para uma continuação, como indícios do arquivilão Mandarim (que só veio aparecer no problemático “Homem de Ferro 3”, 2013, numa versão decepcionante) e do surgimento de seu parceiro, o Máquina de Combate.

Mesmo sem nunca esconder o propósito de filme pipocão, o longa prima por se mostrar até pé no chão, pegando carona na seriedade que funcionou muito bem em “Batman Begins” (2005). E por mais que os fatos sejam exagerados, eles soam reais ao público ao mostrar em detalhes a criação de cada parte da armadura, a adaptação de Tony Stark a ela, e claro, sua evolução. Cenas que mostram a dificuldade do protagonista em vestir o traje ou em mexer no seu “coração artificial” o transformam cada vez mais humano. Óbvio, é preciso relevar inúmeros detalhes sem embasamento científico, como a absurda velocidade com que ele constrói as coisas, mas entendível para o melhor aproveitamento da narrativa (que por sinal, ultrapassa as duas horas de duração).

E ritmo é o que o diretor mantém durante o filme, auxiliado pelo competente trabalho de edição. Desde o início, o espectador é jogado ao clima despretensioso ao som de “Back in Black”, do AC/DC, em momentos a seguir que são cruciais para o resto da trama. Só depois que entra o título do filme é que a história volta alguns dias antes e apresenta a fundo o personagem principal. A construção da primeira armadura, o trabalho de Stark nos outros dois modelos, sempre intercalando com eficientes e barulhentas cenas de ação, não deixam a atenção do espectador cair até os créditos finais.

Falando nas armaduras, bom frisar que a direção de arte nelas ficou impecável. Desde o primeiro modelo, grande e primitivo, até a versão final, o famoso traje vermelho e dourado, foram desenhados e construídos de maneira que beira a perfeição.

Constantemente, o clima elétrico é quebrado com o humor, ferramenta que virou essencial no que viria a se transformar na “Fórmula Marvel”. O roteiro, de nada menos que quatro roteiristas (Arthur Marcum, Matthew Hollaway, Mark Fergus e Hawk Ostby), é cheio de piadinhas propositalmente bestas, mas utilizadas em momentos pontuais, fugindo do tom pastelão do horroroso “Quarteto Fantástico” (2005).

O mesmo acontece com as sequências de ação, que não tomam conta de todo o longa, mas as que são apresentadas, justificam o orçamento de U$ 150 milhões. Efeitos especiais específicos, de modo que Jon Favreau consegue “escondê-los”, mesmo estando quase o tempo todo diante dos olhos. A fuga de Stark da caverna; seu primeiro ataque com a armadura vermelha aos terroristas seguida da ótima cena de perseguição a aviões de caça, funcionam muito bem! Tudo embalado por uma trilha sonora de Ramin Djawadi, sempre apoiada em guitarras pesadas, que ajuda a conferir ritmo intenso às cenas. Claro, a clássica “Iron Man”, do Black Sabbath, que tanto ajudou a promover o longa nos trailers, tem seus acordes referenciados.

Tudo se encaminha tão bem, que até esquecemos da possível existência de um vilão para uma luta durante o clímax. Isto acontece, e por soar meio forçado, tal conflito acaba se mostrando lamentavelmente desinteressante. Tudo bem, o vilão Monge de Ferro não ajuda porque é uma cópia chinfrim do próprio Homem de Ferro, com a diferença apenas do tamanho. Apesar de ótimo ator, Jeff Bridges está um tanto “congelado” na pele de Obidiah Stane, como se para ter um ar vilanesco bastasse fazer cara de poucos amigos o tempo todo e ter um visual que parece saído das revistas.

Mas um dos principais méritos do sucesso é de Robert Downey Jr. O astro, que havia atingido o ápice em sua carreira quando foi indicado ao Oscar pelo papel-título em “Chaplin” (1992), chegou ao inferno por seu envolvimento com drogas, chegando a ser preso, e passar por maus bocados em uma prisão barra-pesada. O papel de Tony Stark foi sua redenção, graças a Jon Favreau que bancou a sua escalação, já que não era a escolha inicial do estúdio por motivos óbvios. A partir dali, Stark e Downey Jr. passaram a se confundir como a mesma pessoa. Favorecido pelo bom tratamento do roteiro ao personagem, o ator (que possui apenas 1,74m, pouco para o tipo de papel) transforma o herói em um ser tridimensional. De início, Tony é um típico playboy arrogante e egocêntrico, ficando difícil o público criar simpatia por ele.

Apesar de ser incontestavelmente um gênio, ele não sente remorso algum ao enriquecer construindo armas letais, ganhar fama e pegar quantas mulheres bem quiser. Para isso, Robert confere o ar de canastrice perfeito ao bilionário. Quando começa a se conscientizar de seus erros, acertadamente o personagem não se torna simplesmente bonzinho, e sim, transmite uma imagem mais humana, mostrando que apesar de tanto dinheiro e inteligente, ele é solitário, sem figuras maternas ou uma única mulher que o acolhesse. O fato de se tornar o Homem de Ferro surge não como um ato de justiça, e sim, redenção. E quando tudo indica que o longa terminará mostrando-o completamente transformado, os clichês são quebrados e vemos que a essência de um ser humano uma vez plantada, nunca é totalmente mudada.

O resto do elenco está bem, porém, com discrição. Terrence Howard, como o piloto e amigo de confiança de Stark, Jim Rhodes, está correto, não tendo grandes oportunidades pelo roteiro para expor sua carga dramática (e ainda travou briga pública com Robert Downey Jr., com os produtores, e foi substituído por Don Cheadle nas continuações). Por fim, Gwyneth Paltrow confere toda a meiguice e personalidade que Pepper Potts exige, sendo a única pessoa realmente de confiança de Stark. E até o inevitável interesse romântico entre eles é tratado de uma maneira cuidadosa pelo roteiro, exigindo da atriz além de alguns sorrisos.

O longa do “Vingador Dourado” é um exemplo de superprodução que cumpre o dever de divertir como, na época, poucos conseguiam aos fãs e espectadores de primeira viagem. Inaugura com o pé direito a trajetória da Marvel Studios nos cinemas, que depois viria a ser adquirida pela The Walt Disney Company. e construir esse grandioso universo compartilhado que antes parecia existir apenas na imaginação de muitos, além de agregar uma nova geração. Aguardar os crossovers entre heróis virou realidade.

Obs: há uma cena pós-créditos, a primeira de uma marca registrada deste universo, que planta a semente para a união de personagens.

Nota: 9,0

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Flashback: Marvel Studios abre sua trajetória com o pé direito em “Homem de Ferro”

Por Thiago Sampaio em Flashback

30 de Abril de 2018

Foto: Divulgação

Caros leitores, “Vingadores: Guerra Infinita” (Avengers: Infinity War, 2018) está fazendo um estardalhaço nas bilheterias e gerando muitos comentários. A crítica deste que vos fala, você pode ler aqui. Porém, o longa que coroa os 10 anos da Marvel Studios não teria chegado neste nível de grandiosidade, ou, provavelmente, nem existiria, se o filme de estreia da coluna Flashback tivesse naufragado. No dia 30 de abril de 2008, chegava aos cinemas “Homem de Ferro” (Iron Man, 2008)!

No ano 2000, o diretor Bryan Singer e sua trupe de mutantes dos X-Men fizeram a moda de adaptar heróis dos quadrinhos para às telas voltar com tudo. Depois dali, vieram Batman, Homem-Aranha, Hulk, Superman, Quarteto Fantástico, Demolidor, Justiceiro, Motoqueiro Fantasma…enfim, havia a certeza que o Homem de Ferro uma hora teria sua vez nas telonas. Não por importância ou gosto do público pelo personagem, afinal, ele nunca foi dos mais populares. Por isso mesmo, pouca gente poderia apostar que justamente este figurasse como uma das melhores dessas adaptações na época e iniciasse a fonte de riqueza que virou a Marvel nos cinemas.

O longa aborda a origem do herói. Tony Stark (Robert Downey Jr.) é um bilionário fornecedor de armas do governo americano que sofre um acidente em uma explosão, alojando estilhaços de bomba em seu coração. Para viver, ele necessita de um superdispositivo eletrônico no órgão vital. Tony é sequestrado e forçado a criar uma arma devastadora. No entanto, ele cria uma armadura de alta tecnologia para escapar do cativeiro. Quando retorna aos EUA, descobre um plano com implicações globais e resolve usar suas invenções para salvar o planeta.

Antes de tudo, se há alguém a quem o bom resultado deve ser creditado é o diretor Jon Favreau. Substituindo o duvidoso Nick Cassavetes (do romance modinha “Diário de uma Paixão”, 2004), que abandonou o projeto, Favreau foi uma escolha questionada por ter em seu currículo apenas “filmes de família”, como “Um Duende em Nova York” (2003), e “Zathura” (2005). Acontece que o ator/cineasta tomou esse como um projeto de fã, feito para fãs. Percebe-se o carinho com que ele tratou a produção, visto que ele conhece a fundo o personagem e o mundo dos quadrinhos (tendo alguns trabalhos como roteirista em histórias do próprio Homem de Ferro).

Com isso, os leitores de HQs e nerds de plantão perceberam ali muitas referências ao universo Marvel, como a criação da S.H.I.E.L.D.; a iniciativa para fundação de uma “certa liga” (sim, os Vingadores, termo então pouco conhecido pelo público médio); além de ganchos para uma continuação, como indícios do arquivilão Mandarim (que só veio aparecer no problemático “Homem de Ferro 3”, 2013, numa versão decepcionante) e do surgimento de seu parceiro, o Máquina de Combate.

Mesmo sem nunca esconder o propósito de filme pipocão, o longa prima por se mostrar até pé no chão, pegando carona na seriedade que funcionou muito bem em “Batman Begins” (2005). E por mais que os fatos sejam exagerados, eles soam reais ao público ao mostrar em detalhes a criação de cada parte da armadura, a adaptação de Tony Stark a ela, e claro, sua evolução. Cenas que mostram a dificuldade do protagonista em vestir o traje ou em mexer no seu “coração artificial” o transformam cada vez mais humano. Óbvio, é preciso relevar inúmeros detalhes sem embasamento científico, como a absurda velocidade com que ele constrói as coisas, mas entendível para o melhor aproveitamento da narrativa (que por sinal, ultrapassa as duas horas de duração).

E ritmo é o que o diretor mantém durante o filme, auxiliado pelo competente trabalho de edição. Desde o início, o espectador é jogado ao clima despretensioso ao som de “Back in Black”, do AC/DC, em momentos a seguir que são cruciais para o resto da trama. Só depois que entra o título do filme é que a história volta alguns dias antes e apresenta a fundo o personagem principal. A construção da primeira armadura, o trabalho de Stark nos outros dois modelos, sempre intercalando com eficientes e barulhentas cenas de ação, não deixam a atenção do espectador cair até os créditos finais.

Falando nas armaduras, bom frisar que a direção de arte nelas ficou impecável. Desde o primeiro modelo, grande e primitivo, até a versão final, o famoso traje vermelho e dourado, foram desenhados e construídos de maneira que beira a perfeição.

Constantemente, o clima elétrico é quebrado com o humor, ferramenta que virou essencial no que viria a se transformar na “Fórmula Marvel”. O roteiro, de nada menos que quatro roteiristas (Arthur Marcum, Matthew Hollaway, Mark Fergus e Hawk Ostby), é cheio de piadinhas propositalmente bestas, mas utilizadas em momentos pontuais, fugindo do tom pastelão do horroroso “Quarteto Fantástico” (2005).

O mesmo acontece com as sequências de ação, que não tomam conta de todo o longa, mas as que são apresentadas, justificam o orçamento de U$ 150 milhões. Efeitos especiais específicos, de modo que Jon Favreau consegue “escondê-los”, mesmo estando quase o tempo todo diante dos olhos. A fuga de Stark da caverna; seu primeiro ataque com a armadura vermelha aos terroristas seguida da ótima cena de perseguição a aviões de caça, funcionam muito bem! Tudo embalado por uma trilha sonora de Ramin Djawadi, sempre apoiada em guitarras pesadas, que ajuda a conferir ritmo intenso às cenas. Claro, a clássica “Iron Man”, do Black Sabbath, que tanto ajudou a promover o longa nos trailers, tem seus acordes referenciados.

Tudo se encaminha tão bem, que até esquecemos da possível existência de um vilão para uma luta durante o clímax. Isto acontece, e por soar meio forçado, tal conflito acaba se mostrando lamentavelmente desinteressante. Tudo bem, o vilão Monge de Ferro não ajuda porque é uma cópia chinfrim do próprio Homem de Ferro, com a diferença apenas do tamanho. Apesar de ótimo ator, Jeff Bridges está um tanto “congelado” na pele de Obidiah Stane, como se para ter um ar vilanesco bastasse fazer cara de poucos amigos o tempo todo e ter um visual que parece saído das revistas.

Mas um dos principais méritos do sucesso é de Robert Downey Jr. O astro, que havia atingido o ápice em sua carreira quando foi indicado ao Oscar pelo papel-título em “Chaplin” (1992), chegou ao inferno por seu envolvimento com drogas, chegando a ser preso, e passar por maus bocados em uma prisão barra-pesada. O papel de Tony Stark foi sua redenção, graças a Jon Favreau que bancou a sua escalação, já que não era a escolha inicial do estúdio por motivos óbvios. A partir dali, Stark e Downey Jr. passaram a se confundir como a mesma pessoa. Favorecido pelo bom tratamento do roteiro ao personagem, o ator (que possui apenas 1,74m, pouco para o tipo de papel) transforma o herói em um ser tridimensional. De início, Tony é um típico playboy arrogante e egocêntrico, ficando difícil o público criar simpatia por ele.

Apesar de ser incontestavelmente um gênio, ele não sente remorso algum ao enriquecer construindo armas letais, ganhar fama e pegar quantas mulheres bem quiser. Para isso, Robert confere o ar de canastrice perfeito ao bilionário. Quando começa a se conscientizar de seus erros, acertadamente o personagem não se torna simplesmente bonzinho, e sim, transmite uma imagem mais humana, mostrando que apesar de tanto dinheiro e inteligente, ele é solitário, sem figuras maternas ou uma única mulher que o acolhesse. O fato de se tornar o Homem de Ferro surge não como um ato de justiça, e sim, redenção. E quando tudo indica que o longa terminará mostrando-o completamente transformado, os clichês são quebrados e vemos que a essência de um ser humano uma vez plantada, nunca é totalmente mudada.

O resto do elenco está bem, porém, com discrição. Terrence Howard, como o piloto e amigo de confiança de Stark, Jim Rhodes, está correto, não tendo grandes oportunidades pelo roteiro para expor sua carga dramática (e ainda travou briga pública com Robert Downey Jr., com os produtores, e foi substituído por Don Cheadle nas continuações). Por fim, Gwyneth Paltrow confere toda a meiguice e personalidade que Pepper Potts exige, sendo a única pessoa realmente de confiança de Stark. E até o inevitável interesse romântico entre eles é tratado de uma maneira cuidadosa pelo roteiro, exigindo da atriz além de alguns sorrisos.

O longa do “Vingador Dourado” é um exemplo de superprodução que cumpre o dever de divertir como, na época, poucos conseguiam aos fãs e espectadores de primeira viagem. Inaugura com o pé direito a trajetória da Marvel Studios nos cinemas, que depois viria a ser adquirida pela The Walt Disney Company. e construir esse grandioso universo compartilhado que antes parecia existir apenas na imaginação de muitos, além de agregar uma nova geração. Aguardar os crossovers entre heróis virou realidade.

Obs: há uma cena pós-créditos, a primeira de uma marca registrada deste universo, que planta a semente para a união de personagens.

Nota: 9,0