Crítica: "Velozes e Furiosos 8" é exagerado e repetitivo - Cinema Sinergia 
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Cinema Sinergia

por Thiago Sampaio

Crítica: “Velozes e Furiosos 8” é exagerado e repetitivo

Por Thiago Sampaio em Crítica

17 de Abril de 2017

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Já citei aqui em resenhas de episódios anteriores de “Velozes & Furiosos” que não importa o que aconteça, a franquia já conquistou o seu público alvo e, por isso, é garantia de dinheiro no caixa. Não interessa se não tem história a ser contada, ela é a menina dos olhos da Universal Studios e, tendo carros tunados garantindo cenas de ação grandiosas, teremos quantos filmes derem na telha. Mantendo a “ideologia” de entregar situações cada vez mais exageradas, “Velozes & Furiosos 8” (The Fate of the Furious, 2017) cumpre o dever e garante a diversão aos que vão às salas de cinema já sabendo o que está por vir.

Na trama, Dom (Vin Diesel) e Letty (Michelle Rodriguez) estão curtindo a lua de mel em Havana, mas a súbita aparição de Cipher (Charlize Theron) atrapalha os planos do casal. Ela logo arma um plano para chantagear Dom, de forma que ele traia seus amigos e passe a ajudá-la a obter ogivas nucleares. Tal situação faz com Letty reúna os velhos amigos, que agora precisam enfrentar o antigo companheiro.

Como uma franquia que já existe há 16 anos, a ideia de “família” foi construída também fora das telas. Tanto que a maior parte do elenco se repete, assim como o produtor Neal H. Moritz e o roteirista Chris Morgan, que assina o script desde o terceiro filme, “Velozes e Furiosos – Desafio em Tóquio” (The Fast and the Furious: Tokyo Drift, 2006). Mas é o astro Vin Diesel que, após retornar em “Velozes e Furiosos 4” (Fast & Furious, 2009), ganhou cada vez mais autonomia criativa. Neste novo longa-metragem, o qual também é produtor, a ideia de jogá-lo como vilão é claramente para a trama girar em torno dele. Afinal, o público adora anti-heróis!

Assim, o roteiro de Morgan se desenvolve em cima da premissa “a família foi desfeita”, com enxertos de elementos de episódios anteriores (Brian O’Conner, personagem do falecido Paul Walker, é lembrado) e uma história que culmina num plano para evitar a Terceira Guerra Mundial, que mais remete aos antigos filmes do 007 – e como aqueles ladrões que roubavam carros para disputar rachas lá atrás, em 2001, chegaram a esse nível de importância, não me perguntem!

Há uma tentativa sem sucesso de criar mistério sobre o motivo de Dom Toretto ser manipulado pela vilã, que logo é revelado. Ele, que sempre usa a regata branca, passa a vestir preto quando muda de lado. Nossa, quanta criatividade (ironia, mode on)! Por sinal, usar uma atriz talentosa como Charlize Theron no papel de Cipher acaba sendo um desperdício, já que ela em nada se diferencia dos estereótipos de antagonistas ambiciosos, dificilmente sai da zona de conforto e tem apenas a beleza como fator diferencial (como no momento em que “seduz” Dom na frente de Letty). Um erro e tanto para uma franquia que sempre trouxe mulheres fortes.

Mas tudo isso é pano de fundo para o que todo mundo sabe: muitas cenas de ação, propositalmente absurdas. A ideia de ter carros como objetos soberanos cria situações que arrancam sorriso do espectador, honrando cada centavo do inflado orçamento de U$ 250 milhões. É como se os realizadores se divertissem junto com quem assiste a cada momento “impossível” em cena, mesclando efeitos práticos (centenas de veículos foram mesmo destruídos ao cair de arranha-céus) com computação gráfica já bastante vista nas produções anteriores.

O tom adotado a partir de “Velozes & Furiosos 5: Operação Rio” (Fast Five, 2011, para muitos, o melhor), em que abraça a galhofa sem medo, tornando-se cada vez mais caricato e até engraçado, segue firme e forte. Para isso, o diretor F. Gary Gray (do elogiado Straight Outta Compton: A História do N.W.A., 2015), não habituado com sequências de ação, parece seguir à risca o padrão estabelecido por Justin Lin, que comandou quatro longas da série, lotando a tela de elementos, sem necessariamente criar uma confusão visual. Apesar das muitas explosões, tiros, colisões, dá pra entender tudo sem ficar com labirintite.

Em quais outros longas veríamos versões de “carros-zumbis”, que andam sozinhos sem um condutor, se albaroando pelas ruas de Nova York; em perseguições envolvendo tanque de guerra e submarino; ou um veículo sendo “pescado” por arpões? São detalhes que tornam a série tão peculiar. Ah, só para não deixar as origens de lado, o novo longa abre com uma cena de racha em um cenário bem exótico: Havana, Cuba. Claro que existe todo um contexto histórico por ser a primeira superprodução de Hollywood a ser gravada na terra de Fidel Castro. Para isso, o diretor tem muito cuidado ao explorar toda a beleza do local, com uma bela fotografia que aproveita as cores fortes.

Vale dizer que o fato de mandar e desmandar não garante destaque a Vin Diesel (que chega até a usar uma máscara para se aproximar do status de vilão). Isso porque nem de longe ele tem o carisma de Dwayne Johnson e Jason Statham, que protagonizam os melhores momentos. A química entre seus personagens é um ponto alto, com constantes provocações a ponto de rirem descaradamente após uma “ameaça”. A cena da fuga da prisão é uma das mais divertidas por mesclar as piadas visuais sobre o porte físico do The Rock, em que atropela qualquer um pela frente e é até “à prova de balas de borracha”, com o talento de Statham com as artes marciais.

As brincadeiras sobre o tamanho de Johnson funcionam, que inclui até a dança haka (típica do povo Maori, que se popularizou ao ser adotada pelo time de rugby da Nova Zelândia) e o fato de o carro dele sempre ser bem maior do que os dos demais. Statham, um dos melhores astros de ação da nova geração, é responsável pela ótima e bem humorada sequência do avião, certamente a mais bem coreografada. Especula-se que havia uma cena pós-créditos em que sugeria um spin-off com os personagens Hobbs e Deckard, mas, quando Vin Diesel viu, ordenou que fosse retirada. O clima nas filmagens, pelo o que foi divulgado, também não foi dos melhores. Ah, o ego!

Além deles, o já conhecido time retorna cumprindo suas funções: Roman (Tyrese Gibson) continua como o alívio cômico sempre soltando piadas e disputando com Tej (Ludacris) a atenção da hacker Ramsey (Nathalie Emmanuel). Letty (Michelle Rodriguez) é a eterna apaixonada por Dom, mas que foge totalmente do padrão mocinha e sempre vai pra briga. Kurt Russell segue como o “Ninguém” apenas para dar o seu ar veterano à produção, servindo como uma espécie de mentor do grupo, um Charlie das “Charlie’s Angels”.

Russell agora tem a missão de apresentar seu possível sucessor, vivido por Scott Eastwood (filho de Clint), que se mostra bem deslocado em cena, claramente incluído à força para reforçar o já abarrotado elenco. Pelo menos, o ritmo descontração tornou possível a participação especial da veteraníssima Helen Mirren, vencedora do Oscar de Melhor Atriz por “A Rainha” (The Queen, 2006), num papel cômico. Algumas outras figuras que já deram as caras em longas anteriores da série também voltam em aparições breves, num verdadeiro pacote de fan-service.

Inferior a “Velozes & Furiosos 7” (Furious Seven, 2015), que foi impulsionado pelo apelo emocional após a partida precoce de Paul Walker, mas ainda eficiente dentro das pretensões, o oitavo episódio é talvez o maior em termos de megalomania. E os resultados são surpreendentes: faturou mais de meio bilhão de dólares ao redor do mundo só no fim de semana de estreia! Fica a sensação de que não há mais nada de novo a ser mostrado, mas enquanto mantiver os cofres cheios, veremos os carros indo até para o espaço ou virando robôs se for preciso. Não duvide de mais nada!

Nota: 7,0

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Crítica: “Velozes e Furiosos 8” é exagerado e repetitivo

Por Thiago Sampaio em Crítica

17 de Abril de 2017

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Já citei aqui em resenhas de episódios anteriores de “Velozes & Furiosos” que não importa o que aconteça, a franquia já conquistou o seu público alvo e, por isso, é garantia de dinheiro no caixa. Não interessa se não tem história a ser contada, ela é a menina dos olhos da Universal Studios e, tendo carros tunados garantindo cenas de ação grandiosas, teremos quantos filmes derem na telha. Mantendo a “ideologia” de entregar situações cada vez mais exageradas, “Velozes & Furiosos 8” (The Fate of the Furious, 2017) cumpre o dever e garante a diversão aos que vão às salas de cinema já sabendo o que está por vir.

Na trama, Dom (Vin Diesel) e Letty (Michelle Rodriguez) estão curtindo a lua de mel em Havana, mas a súbita aparição de Cipher (Charlize Theron) atrapalha os planos do casal. Ela logo arma um plano para chantagear Dom, de forma que ele traia seus amigos e passe a ajudá-la a obter ogivas nucleares. Tal situação faz com Letty reúna os velhos amigos, que agora precisam enfrentar o antigo companheiro.

Como uma franquia que já existe há 16 anos, a ideia de “família” foi construída também fora das telas. Tanto que a maior parte do elenco se repete, assim como o produtor Neal H. Moritz e o roteirista Chris Morgan, que assina o script desde o terceiro filme, “Velozes e Furiosos – Desafio em Tóquio” (The Fast and the Furious: Tokyo Drift, 2006). Mas é o astro Vin Diesel que, após retornar em “Velozes e Furiosos 4” (Fast & Furious, 2009), ganhou cada vez mais autonomia criativa. Neste novo longa-metragem, o qual também é produtor, a ideia de jogá-lo como vilão é claramente para a trama girar em torno dele. Afinal, o público adora anti-heróis!

Assim, o roteiro de Morgan se desenvolve em cima da premissa “a família foi desfeita”, com enxertos de elementos de episódios anteriores (Brian O’Conner, personagem do falecido Paul Walker, é lembrado) e uma história que culmina num plano para evitar a Terceira Guerra Mundial, que mais remete aos antigos filmes do 007 – e como aqueles ladrões que roubavam carros para disputar rachas lá atrás, em 2001, chegaram a esse nível de importância, não me perguntem!

Há uma tentativa sem sucesso de criar mistério sobre o motivo de Dom Toretto ser manipulado pela vilã, que logo é revelado. Ele, que sempre usa a regata branca, passa a vestir preto quando muda de lado. Nossa, quanta criatividade (ironia, mode on)! Por sinal, usar uma atriz talentosa como Charlize Theron no papel de Cipher acaba sendo um desperdício, já que ela em nada se diferencia dos estereótipos de antagonistas ambiciosos, dificilmente sai da zona de conforto e tem apenas a beleza como fator diferencial (como no momento em que “seduz” Dom na frente de Letty). Um erro e tanto para uma franquia que sempre trouxe mulheres fortes.

Mas tudo isso é pano de fundo para o que todo mundo sabe: muitas cenas de ação, propositalmente absurdas. A ideia de ter carros como objetos soberanos cria situações que arrancam sorriso do espectador, honrando cada centavo do inflado orçamento de U$ 250 milhões. É como se os realizadores se divertissem junto com quem assiste a cada momento “impossível” em cena, mesclando efeitos práticos (centenas de veículos foram mesmo destruídos ao cair de arranha-céus) com computação gráfica já bastante vista nas produções anteriores.

O tom adotado a partir de “Velozes & Furiosos 5: Operação Rio” (Fast Five, 2011, para muitos, o melhor), em que abraça a galhofa sem medo, tornando-se cada vez mais caricato e até engraçado, segue firme e forte. Para isso, o diretor F. Gary Gray (do elogiado Straight Outta Compton: A História do N.W.A., 2015), não habituado com sequências de ação, parece seguir à risca o padrão estabelecido por Justin Lin, que comandou quatro longas da série, lotando a tela de elementos, sem necessariamente criar uma confusão visual. Apesar das muitas explosões, tiros, colisões, dá pra entender tudo sem ficar com labirintite.

Em quais outros longas veríamos versões de “carros-zumbis”, que andam sozinhos sem um condutor, se albaroando pelas ruas de Nova York; em perseguições envolvendo tanque de guerra e submarino; ou um veículo sendo “pescado” por arpões? São detalhes que tornam a série tão peculiar. Ah, só para não deixar as origens de lado, o novo longa abre com uma cena de racha em um cenário bem exótico: Havana, Cuba. Claro que existe todo um contexto histórico por ser a primeira superprodução de Hollywood a ser gravada na terra de Fidel Castro. Para isso, o diretor tem muito cuidado ao explorar toda a beleza do local, com uma bela fotografia que aproveita as cores fortes.

Vale dizer que o fato de mandar e desmandar não garante destaque a Vin Diesel (que chega até a usar uma máscara para se aproximar do status de vilão). Isso porque nem de longe ele tem o carisma de Dwayne Johnson e Jason Statham, que protagonizam os melhores momentos. A química entre seus personagens é um ponto alto, com constantes provocações a ponto de rirem descaradamente após uma “ameaça”. A cena da fuga da prisão é uma das mais divertidas por mesclar as piadas visuais sobre o porte físico do The Rock, em que atropela qualquer um pela frente e é até “à prova de balas de borracha”, com o talento de Statham com as artes marciais.

As brincadeiras sobre o tamanho de Johnson funcionam, que inclui até a dança haka (típica do povo Maori, que se popularizou ao ser adotada pelo time de rugby da Nova Zelândia) e o fato de o carro dele sempre ser bem maior do que os dos demais. Statham, um dos melhores astros de ação da nova geração, é responsável pela ótima e bem humorada sequência do avião, certamente a mais bem coreografada. Especula-se que havia uma cena pós-créditos em que sugeria um spin-off com os personagens Hobbs e Deckard, mas, quando Vin Diesel viu, ordenou que fosse retirada. O clima nas filmagens, pelo o que foi divulgado, também não foi dos melhores. Ah, o ego!

Além deles, o já conhecido time retorna cumprindo suas funções: Roman (Tyrese Gibson) continua como o alívio cômico sempre soltando piadas e disputando com Tej (Ludacris) a atenção da hacker Ramsey (Nathalie Emmanuel). Letty (Michelle Rodriguez) é a eterna apaixonada por Dom, mas que foge totalmente do padrão mocinha e sempre vai pra briga. Kurt Russell segue como o “Ninguém” apenas para dar o seu ar veterano à produção, servindo como uma espécie de mentor do grupo, um Charlie das “Charlie’s Angels”.

Russell agora tem a missão de apresentar seu possível sucessor, vivido por Scott Eastwood (filho de Clint), que se mostra bem deslocado em cena, claramente incluído à força para reforçar o já abarrotado elenco. Pelo menos, o ritmo descontração tornou possível a participação especial da veteraníssima Helen Mirren, vencedora do Oscar de Melhor Atriz por “A Rainha” (The Queen, 2006), num papel cômico. Algumas outras figuras que já deram as caras em longas anteriores da série também voltam em aparições breves, num verdadeiro pacote de fan-service.

Inferior a “Velozes & Furiosos 7” (Furious Seven, 2015), que foi impulsionado pelo apelo emocional após a partida precoce de Paul Walker, mas ainda eficiente dentro das pretensões, o oitavo episódio é talvez o maior em termos de megalomania. E os resultados são surpreendentes: faturou mais de meio bilhão de dólares ao redor do mundo só no fim de semana de estreia! Fica a sensação de que não há mais nada de novo a ser mostrado, mas enquanto mantiver os cofres cheios, veremos os carros indo até para o espaço ou virando robôs se for preciso. Não duvide de mais nada!

Nota: 7,0