Crítica: "Velozes e Furiosos 7" se despede de maneira honrosa de Paul Walker - Cinema Sinergia 
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Cinema Sinergia

por Thiago Sampaio

Crítica: “Velozes e Furiosos 7” se despede de maneira honrosa de Paul Walker

Por Thiago Sampaio em Crítica

09 de Abril de 2015

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

A franquia “Velozes e Furiosos” há tempos conquistou um público alvo, com garantia de bilheteria alta a cada edição e fórmula básica que mistura carros tunados e ação exagerada. Mas “Velozes e Furiosos 7” (Furious 7, 2015) chega aos cinemas com um ar de melancolia após a morte de Paul Walker em novembro de 2013, ironicamente em um acidente automobilístico. Eis que o novo filme tanto agrada em cheio aos fãs do gênero como também se despede de maneira digna de um dos seus protagonistas!

Sinopse

Após os acontecimentos em Londres, Dominic Toretto (Vin Diesel), Brian O’Conor (Paul Walker), Letty (Michelle Rodriguez) e o resto da equipe tiveram a chance de voltar para os Estados Unidos e recomeçarem suas vidas. Mas a tranquilidade do grupo é destruída quando Deckard Shaw (Jason Statham), um assassino profissional, quer vingança pela morte de seu irmão. Agora, a equipe tem que se reunir para impedir este novo vilão.

Exageros divertidos

Se desde “Velozes e Furiosos 4” (2009) a franquia ganhou novo ânimo ao abordar assaltos bem arquitetados ao invés da ostentação nos rachas com carros estilosos, esse sétimo episódio faz um apanhado de tudo o que deu certo até então, usando e abusando de frases de efeito. Sim, até os rachas voltam, afinal, foi daí que nasceu todo o sucesso. Méritos do diretor James Wan que, conhecido pelo gênero terror (“Jogos Mortais”, “Invocação do Mal”), faz um ótimo trabalho no comando de cenas brutais, grandiosas e, principalmente, exageradas de maneira proposital.

Transbordando testosterona ao longo dos 137 minutos de duração, “Velozes 7” tem cenas de ação de todo o tipo e para todos os gostos, conseguindo o objetivo de arrancar o sorriso do espectador perante tamanhos absurdos. Tem carros caindo de precipícios, saltando por três arranha-céus no Oriente Médio, perseguição com drones…tudo, claro, sem os personagens sofrerem um arranhão! Lutas corporais? Temos pancadaria com Dwayne “The Rock” Johnson x Jason Statham; Michelle Rodriguez x Ronda Rousey; Paul Walker x Tony Jaa…até um animalesco embate entre Vin Diesel e Statham, cada um empunhando duas chaves inglesas (!).

Reunindo um time de respeito, há aqui referências às produções do estilo dos anos 80, em uma homenagem semelhante ao que Sylvester Stallone faz de maneira apenas mediana na franquia “Os Mercenários” (2010, 2012, 2014). Não à toa é a participação de Kurt Russell (“Fuga de Nova York”, “Os Aventureiros do Bairro Proibido”), vivendo um policial que também tem seus momentos em tiroteio. E se as interpretações nunca foram o ponto alto da franquia, é bom ver o quanto o elenco se mostra entrosado. As piadas do tagarela Roman (Tyrese Gibson), a onipresência física de Hobbs (Dwayne Johnson) que gera piadas à parte…estão tudo lá!

Ligando os fios

Se o roteiro de Chris Morgan e Gary Scott Thompson não é o carro-chefe (a trama da vingança não passa de desculpa para as muitas cenas de ação e isso não é novidade para ninguém), pelo menos ele liga os pontos com o terceiro filme, “Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio” (2006), tendo a morte do personagem Han (Sung Kang) como ponto de partida, com direito a uma participação de Lucas Black, protagonista daquele episódio “avulso”. A amnésia de Letty (Michelle Rodriguez) e o esforço de Dom Toretto em reconquistá-la; a dificuldade de Brian em largar da vida perigosa para viver ao lado da esposa Mia (Jordana Brewster) e o filho trazem o lado humano à produção.

O emocionante adeus

Mas mesmo em clima de despretensão, não tem como fugir que o adeus de Paul Walker é um fardo que a produção carrega. Quando aconteceu a tragédia, as filmagens não estavam concluídas e, após seis meses de intervalo, foi preciso improvisar. Com uma injeção de mais US$50 milhões ao já inflado orçamento de US$200 milhões e a ajuda dos dois irmãos do ator que serviram como dublês, foi preciso utilizar tecnologia de ponta para completar digitalmente a participação de Paul, além de mudar o rumo do personagem. E há de reconhecer: o final é uma homenagem digna ao ator e a tudo o que ele viveu com essa equipe há nada menos que 14 anos.

Não é a toa que o tema Família é tão frisado pelo personagem de Vin Diesel ao longo dos filmes. Assim como a gangue de velocistas, Diesel, Walker, Michelle Rodriguez, Jordana Brewster, Tyrese, Chris “Ludacris” Bridges, estão nessa aventura há tempos e, perder um amigo…é difícil! Essa é a última corrida de Paul e nós espectadores acompanhamos juntos como passageiros. Não se trata de uma homenagem do cinema a um ator genial. Mas uma bela forma de uma família não se despedir, mas eternizar alguém que trouxe tantos momentos agradáveis.

Nota: 8,5

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Crítica: “Velozes e Furiosos 7” se despede de maneira honrosa de Paul Walker

Por Thiago Sampaio em Crítica

09 de Abril de 2015

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

A franquia “Velozes e Furiosos” há tempos conquistou um público alvo, com garantia de bilheteria alta a cada edição e fórmula básica que mistura carros tunados e ação exagerada. Mas “Velozes e Furiosos 7” (Furious 7, 2015) chega aos cinemas com um ar de melancolia após a morte de Paul Walker em novembro de 2013, ironicamente em um acidente automobilístico. Eis que o novo filme tanto agrada em cheio aos fãs do gênero como também se despede de maneira digna de um dos seus protagonistas!

Sinopse

Após os acontecimentos em Londres, Dominic Toretto (Vin Diesel), Brian O’Conor (Paul Walker), Letty (Michelle Rodriguez) e o resto da equipe tiveram a chance de voltar para os Estados Unidos e recomeçarem suas vidas. Mas a tranquilidade do grupo é destruída quando Deckard Shaw (Jason Statham), um assassino profissional, quer vingança pela morte de seu irmão. Agora, a equipe tem que se reunir para impedir este novo vilão.

Exageros divertidos

Se desde “Velozes e Furiosos 4” (2009) a franquia ganhou novo ânimo ao abordar assaltos bem arquitetados ao invés da ostentação nos rachas com carros estilosos, esse sétimo episódio faz um apanhado de tudo o que deu certo até então, usando e abusando de frases de efeito. Sim, até os rachas voltam, afinal, foi daí que nasceu todo o sucesso. Méritos do diretor James Wan que, conhecido pelo gênero terror (“Jogos Mortais”, “Invocação do Mal”), faz um ótimo trabalho no comando de cenas brutais, grandiosas e, principalmente, exageradas de maneira proposital.

Transbordando testosterona ao longo dos 137 minutos de duração, “Velozes 7” tem cenas de ação de todo o tipo e para todos os gostos, conseguindo o objetivo de arrancar o sorriso do espectador perante tamanhos absurdos. Tem carros caindo de precipícios, saltando por três arranha-céus no Oriente Médio, perseguição com drones…tudo, claro, sem os personagens sofrerem um arranhão! Lutas corporais? Temos pancadaria com Dwayne “The Rock” Johnson x Jason Statham; Michelle Rodriguez x Ronda Rousey; Paul Walker x Tony Jaa…até um animalesco embate entre Vin Diesel e Statham, cada um empunhando duas chaves inglesas (!).

Reunindo um time de respeito, há aqui referências às produções do estilo dos anos 80, em uma homenagem semelhante ao que Sylvester Stallone faz de maneira apenas mediana na franquia “Os Mercenários” (2010, 2012, 2014). Não à toa é a participação de Kurt Russell (“Fuga de Nova York”, “Os Aventureiros do Bairro Proibido”), vivendo um policial que também tem seus momentos em tiroteio. E se as interpretações nunca foram o ponto alto da franquia, é bom ver o quanto o elenco se mostra entrosado. As piadas do tagarela Roman (Tyrese Gibson), a onipresência física de Hobbs (Dwayne Johnson) que gera piadas à parte…estão tudo lá!

Ligando os fios

Se o roteiro de Chris Morgan e Gary Scott Thompson não é o carro-chefe (a trama da vingança não passa de desculpa para as muitas cenas de ação e isso não é novidade para ninguém), pelo menos ele liga os pontos com o terceiro filme, “Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio” (2006), tendo a morte do personagem Han (Sung Kang) como ponto de partida, com direito a uma participação de Lucas Black, protagonista daquele episódio “avulso”. A amnésia de Letty (Michelle Rodriguez) e o esforço de Dom Toretto em reconquistá-la; a dificuldade de Brian em largar da vida perigosa para viver ao lado da esposa Mia (Jordana Brewster) e o filho trazem o lado humano à produção.

O emocionante adeus

Mas mesmo em clima de despretensão, não tem como fugir que o adeus de Paul Walker é um fardo que a produção carrega. Quando aconteceu a tragédia, as filmagens não estavam concluídas e, após seis meses de intervalo, foi preciso improvisar. Com uma injeção de mais US$50 milhões ao já inflado orçamento de US$200 milhões e a ajuda dos dois irmãos do ator que serviram como dublês, foi preciso utilizar tecnologia de ponta para completar digitalmente a participação de Paul, além de mudar o rumo do personagem. E há de reconhecer: o final é uma homenagem digna ao ator e a tudo o que ele viveu com essa equipe há nada menos que 14 anos.

Não é a toa que o tema Família é tão frisado pelo personagem de Vin Diesel ao longo dos filmes. Assim como a gangue de velocistas, Diesel, Walker, Michelle Rodriguez, Jordana Brewster, Tyrese, Chris “Ludacris” Bridges, estão nessa aventura há tempos e, perder um amigo…é difícil! Essa é a última corrida de Paul e nós espectadores acompanhamos juntos como passageiros. Não se trata de uma homenagem do cinema a um ator genial. Mas uma bela forma de uma família não se despedir, mas eternizar alguém que trouxe tantos momentos agradáveis.

Nota: 8,5