Crítica: ‘Resident Evil 5′ agrada aos fãs de ação e games…mas só eles

Pôster de "Resident Evil 5: Retribuição"

Pôster de “Resident Evil 5: Retribuição” – Foto: Divulgação

“Resident Evil”, famosa série de games da Capcom, ganhou uma versão para o cinema em 2002, intitulada “Resident Evil: O Hóspede Maldito”. Dentro do que se propunha, conseguiu ser uma adaptação bem correta, fiel até certo ponto aos jogos (apesar da mudança da protagonista) e com boas cenas de ação. Mas a franquia nunca mostrou conteúdo suficiente para ter mais do que dois filmes. Imagina cinco! Se esticando até onde não pode mais, este novo “Resident Evil 5: Retribuição” se aproveita do que pode para agradar a um público seleto: os jovens fãs dos jogos eletrônicos.

A história agora traz Alice (Milla Jovovich) acordando misteriosamente em outra realidade, como se nada tivesse acontecido no planeta Terra. Mas as sequelas do vírus T logo aparecem na forma de zumbis famintos por carne humana e ela descobre, novamente, fazer parte de um novo experimento. Dentro das instalações da Umbrella Corporation, ela se junta a novos e antigos companheiros de batalha em busca de salvação, enquanto são perseguidos por pelo exército liderado por Jill Valentine (Sienna Gillory), sob ordens da poderosa Rainha Vermelha.

O diretor Paul W.Anderson, que dirigiu quatro dos cinco filmes da franquia (ficou de fora do terceiro), usa e abusa da condução semelhante à de um vídeo-game, sendo esse um diferencial que torna essa “parte 5” mais estilosa do que as demais continuações. Desde cenários com grande predominância da cor branca, portas que se abrem sozinhas, até lutas exageradas com monstros gigantes portando martelos maiores ainda, são cenas bastante divertidas de tão absurdas.

As coreografias de combates, sempre mesclando golpes e tiros, continuam eficientes e devem agradar aos fãs. Anderson ainda consegue brincar na direção ao incluir detalhes exóticos (mas nada que já não tenha sido visto em muitos outros filmes) como o uso de “Raio-X” nos corpos humanos nos momentos de impacto, ou loucuras no melhor estilo John Woo (diretor de “A Outra Face”) ao mostrar um personagem cair baleado, se levantar, pegar a sua própria arma ainda no ar, efetuar o último disparo, para então morrer. O recurso do 3D também funciona bem, ampliando bastante a sensação de imersão.

Como roteirista, Anderson até que tenta trazer alguma profundidade à trama, como a inclusão de uma “filha” para Alice e a existência de um mundo paralelo (afinal, já que é para inventar alguma coisa mesmo…).  Mas ao invés de buscar aprofundar essas relações, desenvolvendo melhor até Ada, a nova parceira da protagonista, a trama cai aos montes nos clichês sobre clonagens, de modo que o retorno de personagens que morreram em episódios anteriores soa uma grande forçada de barra.

O mau aproveitamento dos personagens e a falta de continuidade são defeitos constantes durante toda a projeção. O grupo de apoio da protagonista, formado por Kevin Durand, Robin Kasyanov, Johann Urb e Ofillio Portillo, aparece totalmente deslocado e sem importância, parecendo que eles estão estrelando um filme paralelo. A personagem Jill Valentine (Siena Guillory), uma das favoritas dos games, é apenas uma vilã robótica com uma aranha de metal no pescoço. Pelo menos, Paul W.Anderson acerta ao encaixar alguns momentos de alívio cômico.

Milla Jovovich (que não custa nada lembrar, é casada com o diretor), está mais do que acostumada com a personagem Alice e já atua no modo automático, esbanjando beleza e uma habilidade invejável nas cenas de luta. Já no time da “volta dos que não foram”, a ressurreição dos personagens de Michelle Rodriguez, Oded Fehr e Colin Salmon (que teoricamente era para ser um atrativo extra), eles poderiam muito bem ser substituídos por qualquer um, mas a produção insiste em um inexistente ar nostálgico em referência aos dois primeiros filmes.

Sem negar seus cunhos de caça-níquel, um sexto episódio surge como quase inevitável, dando a entender que a franquia não parece nem perto do fim. Mas enquanto existir um público que aprecia boas cenas de ação, bons efeitos e zero de coerência ou roteiro, o retorno financeiro está garantido.

Nota: 6,0

Comentários

Thiago Sampaio

Thiago Sampaio

Thiago Sampaio é jornalista e apaixonado desde sempre por cinema, música, seriados, cultura pop de um modo geral!