Crítica: “Os Vingadores” tem todos os elementos para levar a êxtase os fãs do estilo - Cinema Sinergia 
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Cinema Sinergia

por Thiago Sampaio

Crítica: “Os Vingadores” tem todos os elementos para levar a êxtase os fãs do estilo

Por Thiago Sampaio em Crítica

01 de Maio de 2012

Heróis reunidos: um presente aos nerds de plantão – Foto: Divulgação

Depois de a Marvel Studios vir alimentando nos últimos anos as expectativas dos fãs de quadrinhos e filmes de super heróis através de “avisos” que as produções individuais de seus personagens (Homem de Ferro, Hulk, Thor e Capitão América) eram apenas partes de um projeto maior, reunindo todos eles, “Os Vingadores” chega às telas cumprindo o que prometia. Trata-se de um blockbuster completo, com muita ação, efeitos especiais eficientes e boas doses de humor.

A trama em geral não é nada criativa: um vilão de outro mundo (Loki, irmão de Thor) tenta se apoderar de um poderoso artefato alienígena para dominar um planeta subdesenvolvido (a Terra, óbvio) e os conhecidos heróis precisam se juntar para impedi-lo. Ainda assim, há uma bem aplicada crítica ao sistema em geral em tempos de guerra, de modo que nenhuma das figuras autoritárias, seja Nick Fury (Samuel L.Jackson), diretor da S.H.I.E.L.D., ou o governo dos Estados Unidos possuem razão em algo e não poupam mentiras (mesmo entre seus aliados) para garantirem seus interesses.

Não à toa o primeiro “atentado” é realizado na Alemanha e o Capitão América não perde a referência a outro certo “ditador local”. A história frisa muito a questão de armas exóticas e bombas nucleares para combater o “desconhecido”, com o intuito de não fugir 100% para o lado fantasioso. Mas o principal mérito do roteiro escrito por Zak Penn (“O Incrível Hulk”, “X-Men 3”), juntamente com o diretor Joss Whedon, é conseguir reunir de maneira uniforme tantos personagens, de modo que todos tenham suas devidas importâncias e tempo em cena semelhantes. Até mesmo a Viúva Negra e o Gavião Arqueiro, os menos badalados da turma, têm muitos momentos de destaque.

Sem haver mais a necessidade de apresentar cada personagem, o desafio de reuni-los é feito através de uma maneira interessante: com muita turbulência. Quem é fã de quadrinhos sabe bem que a relação entre heróis, pelo menos de imediato, nunca é das melhores. E essa briga de egos é levada às telonas em momentos tensos, seja através dos questionamentos sobre os propósitos de cada um, ou partindo para o combate físico. Nesse ponto, não faltam alegrias para o expectador: lutas pra lá de avassaladoras entre Homem de Ferro, Thor, e Capitão América (sim, os três); e Thor contra Hulk estão entre as melhores cenas do longa.

Mesmo em meio a tantos atrativos, é novamente Tony Stark, alter ego do Homem de Ferro, quem consegue sempre roubar a cena. Novamente vivido propositalmente de maneira canastrona pelo ótimo Robert Downey Jr., o egocêntrico personagem não só funciona como principal alívio cômico, tirando sarro de todos (sem exceção), como serve de saída para o roteiro ironizar ou arrumar explicação plausível para pontos que soam ridículos em figuras tão cartunescas em um mundo real.

Robert Downey Jr. novamente se destaca na pele de Tony Stark

Fora Downey Jr., outro destaque do elenco é Mark Ruffalo, terceiro ator a viver o Dr. Bruce Banner nas telonas (os outros foram Eric Bana e Edward Norton) e consegue se mostrar o melhor deles, mostrando pela primeira vez o contraponto do gigante esmeralda com um homem visivelmente desajeitado, inseguro e depressivo. Quando transformado, Hulk é responsável por grandes momentos de ação (incluindo uma impagável cena com o vilão principal). Chris Evans e Chris Hemsworth, intérpretes do Capitão e Thor, continuam com presença forte, mantendo as posturas de seus filmes solos. Scarlett Johansson leva a sensualidade e desenvoltura que a Viúva Negra exige, enquanto Jeremy Renner está apenas correto na pele do Gavião Arqueiro.

Mesmo sendo sua primeira experiência em uma grande produção de cinema, Joss Whedon se mostrou a opção certa para o posto de diretor, seja pelo costume de administrar muitos personagens em séries de TV (é o idealizador de ‘Firefly’, ‘Buffy’, ‘Angel’, entre outros), como pela habilidade em criar momentos de tensão (destaque para um diálogo entre Tony Stark sem armadura e Loki) e, principalmente, por ser fã assumido de HQs. Ou seja, ele sabia bem com o que estava lidando. No comando das cenas de ação, cria situações grandiosas e repletas de efeitos especiais, mas sem exagerar na confusão visual. Até mesmo no longo e bastante explosivo clímax, quando o número de elementos em cena é demasiadamente grande, há uma coesão em tudo o que se vê em cena.

“Os Vingadores” é aquele filme de alta temporada que deve agradar em cheio aqueles que apreciam o estilo. Já os nerds assumidos se sentirão diante de uma realização de um sonho, algo inimaginável até anos atrás. Diversos diálogos e outras referências trazidas direto das HQs, ou até golpes conhecidos dos games estão lá, para o deleite completo. Esse nicho, por sinal, está bem homenageado através da figura do simpático Agente Coulson (Clark Gregg), alguém que ainda acredita em heroísmo em um mundo de caos e um apreciador que não esconde a emoção de estar perto dos ídolos. Até a chegada dos créditos finais, a missão de levar um pouco desse sentimento a cada um na poltrona é cumprida.

Nota: 9,0

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Crítica: “Os Vingadores” tem todos os elementos para levar a êxtase os fãs do estilo

Por Thiago Sampaio em Crítica

01 de Maio de 2012

Heróis reunidos: um presente aos nerds de plantão – Foto: Divulgação

Depois de a Marvel Studios vir alimentando nos últimos anos as expectativas dos fãs de quadrinhos e filmes de super heróis através de “avisos” que as produções individuais de seus personagens (Homem de Ferro, Hulk, Thor e Capitão América) eram apenas partes de um projeto maior, reunindo todos eles, “Os Vingadores” chega às telas cumprindo o que prometia. Trata-se de um blockbuster completo, com muita ação, efeitos especiais eficientes e boas doses de humor.

A trama em geral não é nada criativa: um vilão de outro mundo (Loki, irmão de Thor) tenta se apoderar de um poderoso artefato alienígena para dominar um planeta subdesenvolvido (a Terra, óbvio) e os conhecidos heróis precisam se juntar para impedi-lo. Ainda assim, há uma bem aplicada crítica ao sistema em geral em tempos de guerra, de modo que nenhuma das figuras autoritárias, seja Nick Fury (Samuel L.Jackson), diretor da S.H.I.E.L.D., ou o governo dos Estados Unidos possuem razão em algo e não poupam mentiras (mesmo entre seus aliados) para garantirem seus interesses.

Não à toa o primeiro “atentado” é realizado na Alemanha e o Capitão América não perde a referência a outro certo “ditador local”. A história frisa muito a questão de armas exóticas e bombas nucleares para combater o “desconhecido”, com o intuito de não fugir 100% para o lado fantasioso. Mas o principal mérito do roteiro escrito por Zak Penn (“O Incrível Hulk”, “X-Men 3”), juntamente com o diretor Joss Whedon, é conseguir reunir de maneira uniforme tantos personagens, de modo que todos tenham suas devidas importâncias e tempo em cena semelhantes. Até mesmo a Viúva Negra e o Gavião Arqueiro, os menos badalados da turma, têm muitos momentos de destaque.

Sem haver mais a necessidade de apresentar cada personagem, o desafio de reuni-los é feito através de uma maneira interessante: com muita turbulência. Quem é fã de quadrinhos sabe bem que a relação entre heróis, pelo menos de imediato, nunca é das melhores. E essa briga de egos é levada às telonas em momentos tensos, seja através dos questionamentos sobre os propósitos de cada um, ou partindo para o combate físico. Nesse ponto, não faltam alegrias para o expectador: lutas pra lá de avassaladoras entre Homem de Ferro, Thor, e Capitão América (sim, os três); e Thor contra Hulk estão entre as melhores cenas do longa.

Mesmo em meio a tantos atrativos, é novamente Tony Stark, alter ego do Homem de Ferro, quem consegue sempre roubar a cena. Novamente vivido propositalmente de maneira canastrona pelo ótimo Robert Downey Jr., o egocêntrico personagem não só funciona como principal alívio cômico, tirando sarro de todos (sem exceção), como serve de saída para o roteiro ironizar ou arrumar explicação plausível para pontos que soam ridículos em figuras tão cartunescas em um mundo real.

Robert Downey Jr. novamente se destaca na pele de Tony Stark

Fora Downey Jr., outro destaque do elenco é Mark Ruffalo, terceiro ator a viver o Dr. Bruce Banner nas telonas (os outros foram Eric Bana e Edward Norton) e consegue se mostrar o melhor deles, mostrando pela primeira vez o contraponto do gigante esmeralda com um homem visivelmente desajeitado, inseguro e depressivo. Quando transformado, Hulk é responsável por grandes momentos de ação (incluindo uma impagável cena com o vilão principal). Chris Evans e Chris Hemsworth, intérpretes do Capitão e Thor, continuam com presença forte, mantendo as posturas de seus filmes solos. Scarlett Johansson leva a sensualidade e desenvoltura que a Viúva Negra exige, enquanto Jeremy Renner está apenas correto na pele do Gavião Arqueiro.

Mesmo sendo sua primeira experiência em uma grande produção de cinema, Joss Whedon se mostrou a opção certa para o posto de diretor, seja pelo costume de administrar muitos personagens em séries de TV (é o idealizador de ‘Firefly’, ‘Buffy’, ‘Angel’, entre outros), como pela habilidade em criar momentos de tensão (destaque para um diálogo entre Tony Stark sem armadura e Loki) e, principalmente, por ser fã assumido de HQs. Ou seja, ele sabia bem com o que estava lidando. No comando das cenas de ação, cria situações grandiosas e repletas de efeitos especiais, mas sem exagerar na confusão visual. Até mesmo no longo e bastante explosivo clímax, quando o número de elementos em cena é demasiadamente grande, há uma coesão em tudo o que se vê em cena.

“Os Vingadores” é aquele filme de alta temporada que deve agradar em cheio aqueles que apreciam o estilo. Já os nerds assumidos se sentirão diante de uma realização de um sonho, algo inimaginável até anos atrás. Diversos diálogos e outras referências trazidas direto das HQs, ou até golpes conhecidos dos games estão lá, para o deleite completo. Esse nicho, por sinal, está bem homenageado através da figura do simpático Agente Coulson (Clark Gregg), alguém que ainda acredita em heroísmo em um mundo de caos e um apreciador que não esconde a emoção de estar perto dos ídolos. Até a chegada dos créditos finais, a missão de levar um pouco desse sentimento a cada um na poltrona é cumprida.

Nota: 9,0