Crítica: "A Maldição da Casa Winchester" é um desperdício de trama e talentos 
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Cena Cultural

por Thiago Sampaio

Crítica: “A Maldição da Casa Winchester” é um desperdício de trama e talentos

Por Thiago Sampaio em Crítica

12 de Março de 2018

Foto: Divulgação

Casas mal-assombradas são alguns dos temas mais explorados dentro do terror/suspense. Levando em conta a quantidade de produções do gênero que são lançadas, muitas já chegam fadadas ao esquecimento. Por isso, ainda há de lamentar que a interessante história real da herdeira da empresa de rifles Winchester não tenha ganhado uma adaptação como merecia. “A Maldição da Casa Winchester” (Winchester, 2018) acaba por se perder nos clichês de sempre e não explora o potencial que tem por trás da personagem título.

Na trama, Sarah Winchester (Helen Mirren) é herdeira de uma empresa de armas de fogo e acredita ser assombrada por almas que foram mortas pelo rifle criado por sua família, os Winchester. Após as repentinas mortes do marido e filho, ela decide construir uma mansão para afastar os espíritos. Quando o psiquiatra Eric Price (Jason Clark) parte para avaliar o estado psicológico de Sarah, ele percebe que talvez a obsessão dela não seja tão insana assim.

O maior defeito do roteiro do inexperiente Tom Vaughn (“Playing House, 2010”), ao lado dos diretores Peter e Michael Spierig (do recente “Jogos Mortais: Jigsaw”, 2017), é deixar de lado exatamente a personagem mais interessante, Sarah Winchester, dando o protagonismo ao psiquiatra Eric Price. Ela, dentro de toda a sua complexidade por herdar uma empresa cujo meio de lucro é a matança, se sente angustiada por isso a ponto de viver numa mansão com os mortos que foram vítimas de seus produtos. Aqui, ela é relegada a ficar perambulando com seus trajes escuros. Ela é apenas um complemento da trama.

A veteraníssima Helen Mirren, vencedora do Oscar de Melhor Atriz por “A Rainha” (The Queen, 2007) estreia no gênero e faz o que pode, trazendo mistério na personagem que se esconde na própria escuridão, nos vestidos escuros e o rosto coberto. Ela consegue arrancar o drama que ali existe, quando a própria história opta por usá-la como alguém assustadora.

Por outro lado, o bom Jason Clarke (“A Hora Mais Escura, 2012) também tenta, mas o personagem que tem sua forte dramaticidade soa um tanto deslocado por ser o centro da narrativa. Afinal, desde a primeira aparição, é possível prever que na promiscuidade há ali uma tendência suicida. O ser amargurado pela morte da esposa que se entregou ao alcoolismo. Será que as “assombrações” são reais ou apenas consequência do veneno que ele adquiriu dependência? Curioso, sim, mas funcionaria bem melhor como uma trama secundária.

No fim das contas, os irmãos Spierig acabam por apelar para recursos mais do que batidos, como o uso o aumento gradual da trilha sonora ou para criar tensão ou dos efeitos sonoros do ambiente para provocar sustos gratuitos. O tempo todo existem códigos de narrativas dando pistas do que acontecer, como o espelho de um lado e para o outro, esperando para surgir um alma que vai soltar um grito. Até o mordomo (pelo menos esse tem aparência jovial) estranho está lá.

O longa vem em um momento bem oportuno, permeado sob a questão armamentista nos Estados Unidos e as medidas questionáveis do presidente Donald Trump. Afinal, a culpa é apenas de quem aperta o gatilho ou a existência da arma em si tem responsabilidade pela partida de entes queridos? E o nível de instrução de quem tem em mãos um equipamento de alta precisão letal? Esse poderia ser um questionamento do longa, mas a própria Helen Mirren fez questão de deixar claro em entrevistas que “é só um filme para dar medo mesmo”. Então, tá.

Completando o elenco, Sarah Snook (“O Castelo de Vidro”, 2017) fica limitada a fazer a ponte entre o psiquiatra e a dona da casa que vive reclusa, não dando o desenvolvimento que a personagem Marrion Marriott poderia ter. Enquanto isso, o filho serve como a cota da criança a ser usada pelas assombrações e o ator mirim Finn Scicluna-O’Prey chama atenção. Mas não de maneira positiva, pois a inexpressividade do menino é mais assustadora do que todo o filme em si.

Depois do pouco visto filme independente “Haunting of Winchester House” (2009), a história da considerada da “casa mais assustadora do mundo inteiro” ganha uma produção que desperdiça os recursos que tem. James Wan nos dias atuais mostra que tem feito diferença, nem que seja para colocar ali seu nome para aumentar a responsabilidade. Pobre Helen Mirren!

Nota: 3,0

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Crítica: “A Maldição da Casa Winchester” é um desperdício de trama e talentos

Por Thiago Sampaio em Crítica

12 de Março de 2018

Foto: Divulgação

Casas mal-assombradas são alguns dos temas mais explorados dentro do terror/suspense. Levando em conta a quantidade de produções do gênero que são lançadas, muitas já chegam fadadas ao esquecimento. Por isso, ainda há de lamentar que a interessante história real da herdeira da empresa de rifles Winchester não tenha ganhado uma adaptação como merecia. “A Maldição da Casa Winchester” (Winchester, 2018) acaba por se perder nos clichês de sempre e não explora o potencial que tem por trás da personagem título.

Na trama, Sarah Winchester (Helen Mirren) é herdeira de uma empresa de armas de fogo e acredita ser assombrada por almas que foram mortas pelo rifle criado por sua família, os Winchester. Após as repentinas mortes do marido e filho, ela decide construir uma mansão para afastar os espíritos. Quando o psiquiatra Eric Price (Jason Clark) parte para avaliar o estado psicológico de Sarah, ele percebe que talvez a obsessão dela não seja tão insana assim.

O maior defeito do roteiro do inexperiente Tom Vaughn (“Playing House, 2010”), ao lado dos diretores Peter e Michael Spierig (do recente “Jogos Mortais: Jigsaw”, 2017), é deixar de lado exatamente a personagem mais interessante, Sarah Winchester, dando o protagonismo ao psiquiatra Eric Price. Ela, dentro de toda a sua complexidade por herdar uma empresa cujo meio de lucro é a matança, se sente angustiada por isso a ponto de viver numa mansão com os mortos que foram vítimas de seus produtos. Aqui, ela é relegada a ficar perambulando com seus trajes escuros. Ela é apenas um complemento da trama.

A veteraníssima Helen Mirren, vencedora do Oscar de Melhor Atriz por “A Rainha” (The Queen, 2007) estreia no gênero e faz o que pode, trazendo mistério na personagem que se esconde na própria escuridão, nos vestidos escuros e o rosto coberto. Ela consegue arrancar o drama que ali existe, quando a própria história opta por usá-la como alguém assustadora.

Por outro lado, o bom Jason Clarke (“A Hora Mais Escura, 2012) também tenta, mas o personagem que tem sua forte dramaticidade soa um tanto deslocado por ser o centro da narrativa. Afinal, desde a primeira aparição, é possível prever que na promiscuidade há ali uma tendência suicida. O ser amargurado pela morte da esposa que se entregou ao alcoolismo. Será que as “assombrações” são reais ou apenas consequência do veneno que ele adquiriu dependência? Curioso, sim, mas funcionaria bem melhor como uma trama secundária.

No fim das contas, os irmãos Spierig acabam por apelar para recursos mais do que batidos, como o uso o aumento gradual da trilha sonora ou para criar tensão ou dos efeitos sonoros do ambiente para provocar sustos gratuitos. O tempo todo existem códigos de narrativas dando pistas do que acontecer, como o espelho de um lado e para o outro, esperando para surgir um alma que vai soltar um grito. Até o mordomo (pelo menos esse tem aparência jovial) estranho está lá.

O longa vem em um momento bem oportuno, permeado sob a questão armamentista nos Estados Unidos e as medidas questionáveis do presidente Donald Trump. Afinal, a culpa é apenas de quem aperta o gatilho ou a existência da arma em si tem responsabilidade pela partida de entes queridos? E o nível de instrução de quem tem em mãos um equipamento de alta precisão letal? Esse poderia ser um questionamento do longa, mas a própria Helen Mirren fez questão de deixar claro em entrevistas que “é só um filme para dar medo mesmo”. Então, tá.

Completando o elenco, Sarah Snook (“O Castelo de Vidro”, 2017) fica limitada a fazer a ponte entre o psiquiatra e a dona da casa que vive reclusa, não dando o desenvolvimento que a personagem Marrion Marriott poderia ter. Enquanto isso, o filho serve como a cota da criança a ser usada pelas assombrações e o ator mirim Finn Scicluna-O’Prey chama atenção. Mas não de maneira positiva, pois a inexpressividade do menino é mais assustadora do que todo o filme em si.

Depois do pouco visto filme independente “Haunting of Winchester House” (2009), a história da considerada da “casa mais assustadora do mundo inteiro” ganha uma produção que desperdiça os recursos que tem. James Wan nos dias atuais mostra que tem feito diferença, nem que seja para colocar ali seu nome para aumentar a responsabilidade. Pobre Helen Mirren!

Nota: 3,0