Crítica: "Homem-Aranha: De Volta ao Lar" é o filme ideal do herói para o momento - Cinema Sinergia 
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Cinema Sinergia

por Thiago Sampaio

Crítica: “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” é o filme ideal do herói para o momento

Por Thiago Sampaio em Crítica

12 de julho de 2017

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Nem é preciso repetir que num intervalo de 15 anos, Homem-Aranha vai para a sua terceira versão nos cinemas. Mas agora o cenário é diferente. Com o universo compartilhado de heróis da Marvel Studios muito bem estabelecido, foi preciso uma verdadeira novela para adquirir os direitos do Amigão da Vizinhança junto a Sony Pictures. O final das negociações foi feliz, o passe do personagem está sendo “compartilhado”, e a nova produção não poderia ter título mais adequado: “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” (Spider-Man: Homecoming, 2017). No que se propõe a trazer renovação, mantendo a fidelidade, o resultado é irretocável.

A trama é simples: depois de atuar ao lado do Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) e cia, chegou a hora do pequeno Peter Parker (Tom Holland) voltar para casa e para a sua vida, já não mais tão normal. Lutando diariamente contra pequenos crimes nas redondezas, ele pensa ter encontrado a missão de sua vida quando o vilão Abutre (Michael Keaton) surge amedrontando a cidade realizando grandes roubos.

Após uma breve introdução logo ao fim da batalha de Nova York no primeiro “Os Vingadores” (The Avengers, 2012), em que o vilão vivido por Keaton é apresentado, somos jogados oito anos depois (a trama se passa em 2020? Detalhe até agora bem mal explicado), exatamente onde o novo Aranha foi introduzido nesse universo, em “Capitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War, 2016). Ali, o diretor Jon Watts (do elogiado “A Viatura”, 2015) já trás um pouco da sua criatividade ao trazer os fatos sob a percepção do garoto, como um youtuber deslumbrado com tudo o que está acontecendo.

E esse deslumbre não está lá apenas para fazer gracinha. Como a origem do personagem já foi repetida em exaustão e ninguém precisa ver o Tio Ben morrer pela enésima vez, o roteiro, escrito por seis autores (!), tem a liberdade para trazer a sua cara. Como o novo Peter Parker é um jovem de 15 anos, acertadamente esse é um filme de escola, sobre adolescentes buscando espaço e suas eternas indecisões. A influência de obras de John Hughes é clara! Tem ali um pouco de “Gatinhas e Gatões” (Sixteen Candles, 1984), de “Clube dos Cinco” (The Breakfast Club, 1985), até uma homenagem clara a “Curtindo a Vida Adoidado” (Ferris Bueller’s Day Off, 1986), numa interessante cena de ação em plano sequência.

Falando em cenas de ação, há sequências bem interessantes como o salvamento dos amigos presos num elevador no monumento central de Washington e a intervenção em uma navio, já tanto exibidas nos trailers. Mas em geral, nada que marque tanto e fique na memória, como a cena do trem de “Homem-Aranha 2” (“Homem-Aranha 2”, 2004). Os movimentos do heróis continuam incríveis, porém, sem o fator novidade e os efeitos especiais ainda nos passa a sensação de estarmos vendo uma animação. Apesar de eficientes, fica um pouco a sensação de que estamos torcendo para que a trama volte para a escola.

O que torna o longa-metragem tão eficiente é justamente o dilema de um jovem nerd conciliar os programas típicos da idade com as atividades heroicas, que na verdade se resumem a tarefas banais do bairro que ninguém dá valor – e ele é pra lá desajeitado, o que rende muitos momentos cômicos – perdendo momentos de se enturmar com os “populares”. Até mesmo quando ele está descobrindo as funções do novo uniforme, quando está preso num local e conversa com Karen (voz de Jennifer Connelly, esposa de Paul Bettany, o Visão), o seu sistema operacional, é possível apreciar como o personagem é interessante.

Para os fãs, há momentos que parecem saídos direto da HQ, como a motivação embaixo dos escombros. O tema clássico de Michael Giacchino ganha uma versão bem condizente com a nova fase. Para quem achava que estava tudo nos trailers e o Homem de Ferro tomaria conta da cena, pode ficar tranquilo. Robert Downey Jr. está lá em momentos pontuais, com sua canastrice habitual, como uma espécie de mentor do protagonista para trazer peso à trama. Há algumas conexões com o futuro dos filmes da Marvel, mas nada que tire a individualidade desse projeto em si.

Não tem como negar: o filme é de Tom Holland! Apesar de ter 21 anos, ele convence como um adolescente de 15, que grita desesperado quando tem medo, não tem o menor tato ao conversar com a menina que gosta e, quando se encontra num perigo real, age como alguém que ainda carece de proteção. Sem falar que ele tem treinos de ginástica olímpica e le-parkour, o que só reforça que não poderia existir escolha mais acertada para o papel. Se é o melhor Homem-Aranha de todos, fica para a interpretação dos fãs exigentes, mas certamente é o mais autêntico.

Enquanto isso, Michael Keaton consegue transformar um vilão sem graça dos quadrinhos como o Abutre (afinal, ele usa um traje para voar e nada mais) no antagonista mais humano desse universo da Marvel. Em um diálogo em especial com Peter Parker, até somos capazes de entender a sua agonia e suas motivações.

Destaque também para o ótimo Jacob Batalon, que encarna Ned Leeds, o melhor amigo do protagonista, funcionando como um fã que assiste a tudo de camarote e com informações privilegiadas. Enquanto isso, a versão jovial da Tia May vivida por Marisa Tomei infelizmente é subaproveitada, com poucos momentos em cena, apesar de ser possível conferir o constante cuidado com o sobrinho.

Um dos principais benefícios de “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” é não tentar ser maior do que nada. É honesto, um longa que busca agradar aos novos e antigos fãs e toca Ramones e MGMT sem preocupação. É uma “Sessão da Tarde” das antigas (sim, isso é um elogio e tanto), e ainda trouxe um ator que não poderia se encaixar melhor no papel. Isso está de ótimo tamanho!

Obs: há duas cenas pós-créditos, nenhuma importante!

Nota: 8,5

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Crítica: “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” é o filme ideal do herói para o momento

Por Thiago Sampaio em Crítica

12 de julho de 2017

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Nem é preciso repetir que num intervalo de 15 anos, Homem-Aranha vai para a sua terceira versão nos cinemas. Mas agora o cenário é diferente. Com o universo compartilhado de heróis da Marvel Studios muito bem estabelecido, foi preciso uma verdadeira novela para adquirir os direitos do Amigão da Vizinhança junto a Sony Pictures. O final das negociações foi feliz, o passe do personagem está sendo “compartilhado”, e a nova produção não poderia ter título mais adequado: “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” (Spider-Man: Homecoming, 2017). No que se propõe a trazer renovação, mantendo a fidelidade, o resultado é irretocável.

A trama é simples: depois de atuar ao lado do Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) e cia, chegou a hora do pequeno Peter Parker (Tom Holland) voltar para casa e para a sua vida, já não mais tão normal. Lutando diariamente contra pequenos crimes nas redondezas, ele pensa ter encontrado a missão de sua vida quando o vilão Abutre (Michael Keaton) surge amedrontando a cidade realizando grandes roubos.

Após uma breve introdução logo ao fim da batalha de Nova York no primeiro “Os Vingadores” (The Avengers, 2012), em que o vilão vivido por Keaton é apresentado, somos jogados oito anos depois (a trama se passa em 2020? Detalhe até agora bem mal explicado), exatamente onde o novo Aranha foi introduzido nesse universo, em “Capitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War, 2016). Ali, o diretor Jon Watts (do elogiado “A Viatura”, 2015) já trás um pouco da sua criatividade ao trazer os fatos sob a percepção do garoto, como um youtuber deslumbrado com tudo o que está acontecendo.

E esse deslumbre não está lá apenas para fazer gracinha. Como a origem do personagem já foi repetida em exaustão e ninguém precisa ver o Tio Ben morrer pela enésima vez, o roteiro, escrito por seis autores (!), tem a liberdade para trazer a sua cara. Como o novo Peter Parker é um jovem de 15 anos, acertadamente esse é um filme de escola, sobre adolescentes buscando espaço e suas eternas indecisões. A influência de obras de John Hughes é clara! Tem ali um pouco de “Gatinhas e Gatões” (Sixteen Candles, 1984), de “Clube dos Cinco” (The Breakfast Club, 1985), até uma homenagem clara a “Curtindo a Vida Adoidado” (Ferris Bueller’s Day Off, 1986), numa interessante cena de ação em plano sequência.

Falando em cenas de ação, há sequências bem interessantes como o salvamento dos amigos presos num elevador no monumento central de Washington e a intervenção em uma navio, já tanto exibidas nos trailers. Mas em geral, nada que marque tanto e fique na memória, como a cena do trem de “Homem-Aranha 2” (“Homem-Aranha 2”, 2004). Os movimentos do heróis continuam incríveis, porém, sem o fator novidade e os efeitos especiais ainda nos passa a sensação de estarmos vendo uma animação. Apesar de eficientes, fica um pouco a sensação de que estamos torcendo para que a trama volte para a escola.

O que torna o longa-metragem tão eficiente é justamente o dilema de um jovem nerd conciliar os programas típicos da idade com as atividades heroicas, que na verdade se resumem a tarefas banais do bairro que ninguém dá valor – e ele é pra lá desajeitado, o que rende muitos momentos cômicos – perdendo momentos de se enturmar com os “populares”. Até mesmo quando ele está descobrindo as funções do novo uniforme, quando está preso num local e conversa com Karen (voz de Jennifer Connelly, esposa de Paul Bettany, o Visão), o seu sistema operacional, é possível apreciar como o personagem é interessante.

Para os fãs, há momentos que parecem saídos direto da HQ, como a motivação embaixo dos escombros. O tema clássico de Michael Giacchino ganha uma versão bem condizente com a nova fase. Para quem achava que estava tudo nos trailers e o Homem de Ferro tomaria conta da cena, pode ficar tranquilo. Robert Downey Jr. está lá em momentos pontuais, com sua canastrice habitual, como uma espécie de mentor do protagonista para trazer peso à trama. Há algumas conexões com o futuro dos filmes da Marvel, mas nada que tire a individualidade desse projeto em si.

Não tem como negar: o filme é de Tom Holland! Apesar de ter 21 anos, ele convence como um adolescente de 15, que grita desesperado quando tem medo, não tem o menor tato ao conversar com a menina que gosta e, quando se encontra num perigo real, age como alguém que ainda carece de proteção. Sem falar que ele tem treinos de ginástica olímpica e le-parkour, o que só reforça que não poderia existir escolha mais acertada para o papel. Se é o melhor Homem-Aranha de todos, fica para a interpretação dos fãs exigentes, mas certamente é o mais autêntico.

Enquanto isso, Michael Keaton consegue transformar um vilão sem graça dos quadrinhos como o Abutre (afinal, ele usa um traje para voar e nada mais) no antagonista mais humano desse universo da Marvel. Em um diálogo em especial com Peter Parker, até somos capazes de entender a sua agonia e suas motivações.

Destaque também para o ótimo Jacob Batalon, que encarna Ned Leeds, o melhor amigo do protagonista, funcionando como um fã que assiste a tudo de camarote e com informações privilegiadas. Enquanto isso, a versão jovial da Tia May vivida por Marisa Tomei infelizmente é subaproveitada, com poucos momentos em cena, apesar de ser possível conferir o constante cuidado com o sobrinho.

Um dos principais benefícios de “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” é não tentar ser maior do que nada. É honesto, um longa que busca agradar aos novos e antigos fãs e toca Ramones e MGMT sem preocupação. É uma “Sessão da Tarde” das antigas (sim, isso é um elogio e tanto), e ainda trouxe um ator que não poderia se encaixar melhor no papel. Isso está de ótimo tamanho!

Obs: há duas cenas pós-créditos, nenhuma importante!

Nota: 8,5