Crítica: "Guardiões da Galáxia Vol. 2" é grandioso e tão divertido quanto o anterior - Cinema Sinergia 
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Cinema Sinergia

por Thiago Sampaio

Crítica: “Guardiões da Galáxia Vol. 2” é grandioso e tão divertido quanto o anterior

Por Thiago Sampaio em Crítica

03 de Maio de 2017

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Quando “Guardiões da Galáxia” (Guardians of the Galaxy, 2014) chegou aos cinemas, poucos conheciam aqueles personagens esquisitos do Universo Cinematográfico Marvel. Mas tamanha despretensão do produto foi o seu maior triunfo, transformando a carismática equipe, embalada por uma trilha sonora repleta de hits dos anos 70 e 80, em um sucesso absoluto.

Repetir a fórmula numa inevitável continuação sem soar repetitivo por causa da ausência do fator surpresa não era uma missão fácil. Mas a sorte é que eles têm James Gunn na direção, um nerd que entende bem onde está mexendo e faz de “Guardiões da Galáxia Vol.2” (Guardians of the Galaxy Vol.2, 2017) algo maior e, se não melhor, tão eficiente quanto o seu antecessor.

A trama se passa seis meses após o primeiro filme. Os Guardiões da Galáxia são contratados por Ayesha, líder da raça Soberana, para proteger valiosas baterias de um monstro em troca da irmã de Gamora, Nebulosa. Enquanto isso, o eles têm que lutar para manter sua recém-descoberta família unida enquanto desvendam o mistério da real ascendência de Peter Quill.

Após uma breve cena de flashback na introdução, já nos encantamos com o ótimo efeito de rejuvenescimento do personagem de Kurt Russell (algo semelhante ao que fizeram bem com Michael Douglas em “Homem-Formiga”, 2015). Nos créditos iniciais,  percebemos que temos um produto diferente dos demais longas de super-heróis. Uma cena de ação em que a própria ação pouco importa, ela acontece como pano de fundo, enquanto em primeiro plano está Baby Groot dançando ao som de “Mr. Blue Sky” (Electric Light Orchestra). Desde já, um dos melhores momentos de todo esse universo!

E se a ideia era se destacar em relação ao anterior, desta vez tudo está maior: duração (136 minutos), cenas de ação grandiosas, número de personagens, humor…enfim, tudo mesmo! Mas mesmo assim, James Gunn consegue trazer o seu diferencial, por exemplo, quando faz da perseguição espacial das naves da vilã Ayesha (Elizabeth Debicki, escondida sob forte maquiagem) semelhante a um video game de 8-bits, ou quando, literalmente, deforma personagens como desenhos animados.

Há sequências mais sutis, como a estratégia militar de Rocket Racoon (voz de Bradley Cooper repetindo o sarcasmo constante) ao combater os saqueadores; até a espetacular fuga da prisão dele e Yondu (Michael Rooker, numa profundidade dramática inédita até então), que inicia com risos através do Baby Groot (voz de Vin Diesel em uma animação fofa que vai conquistar o público) e culmina numa destruição em câmera lenta de encher os olhos. Uma verdadeira aula de como fazer blockbusters entendendo tudo o que está em cena.

E se a intenção é fazer rir, consegue bem. Principalmente com momentos de vergonha alheia, que envolvem Rocket zoando do apelido de Taserface (Chris Sullivan) enquanto está preso e, principalmente com Drax (Dave Bautista mostrando uma excelente veia cômica), que consegue roubar todas as cenas em que aparece. Ele, que anteriormente se resumia à força física e ao fato de não entender metáforas, agora é responsável pelas melhores gags, com uma honestidade absurda e uma excelente química com a personagem Mantis (Pom Klementieff, uma meiguice contagiante, contrastando com o visual “diferente”).

Às vezes parece que na ideia de potencializar todos os fatores, James Gunn tenta a todo custo mostrar que a continuação é melhor do que o anterior. As piadas funcionam, mas saem quase que o tempo todo, aqui e acolá quebrando o clima de algum momento delicado que poderia ser melhor desenvolvido. São tantas cenas de ação e algumas parecem querer se aproximar do formato de “Os Vingadores”, com milhões de elementos num mesmo plano, quando, na verdade, o que consolidou os Guardiões foi fugir desse padrão.  Mas quando pensamos que vai seguir esse rumo, logo voltamos para “casa” ao ver uma procura por uma fita adesiva em meio a um planeta explodindo.

O diretor/roteirista tem a preocupação de desenvolver cada personagem. Um momento em especial em que Yondu conta para Rocket que eles são infelizes pelas trajetórias que tiveram e fazem de tudo para ser odiados por aqueles que demonstram afeto, tornando-os semelhantes, “mata dois coelhos numa rajada só” com sucesso. Peter Quill (Chris Pratt, um poço de carisma) segue como aquele cara do bem, agora enfrentando a ambição de se tornar um semideus.

Mas na tentativa de garantir subtramas para cada um (o que até consegue, em partes), a narrativa algumas vezes parece bagunçada. A personagem Nebulosa (Karen Gillan) tem uma história bem interessante, mas por vezes soa deslocada, de modo que Gamora (Zoe Saldana, cumprindo bem o papel no que lhe é possível), uma das protagonistas, soa mais como ponte para ela e interesse romântico de Peter. Até mesmo o capanga Kraglin (Sean Gunn, irmão do diretor) ganha um espaço entre os principais, algo que poderia ter ficado para um terceiro capítulo – que é o caso de Sylvester Stallone, que tem uma participação pequena.

Mas se tem algo que está bem melhor desenvolvido é o arco dramático. Acima de tudo, “Guardiões 2″ é um filme sobre família: a amizade entre o improvável grupo, a linha tênue entre as irmãs Gamora e Nebulosa e, principalmente, entre pai e filho. Se Kurt Russell confere toda a canastrice necessária para ar celestial de Ego, o Planeta Vivo (a direção de arte, que mistura um tom imperial com Valfenda, o reino élfico de “O Senhor dos Anéis”, é deslumbrante), Yondu é o coração. O saqueador que raptou Peter quando criança se destaca e é responsável pelos momentos mais emocionantes.

Quase tão aguardada quando o próprio longa-metragem, a trilha sonora não deixa em nada a desejar. Não é tão marcante quanto a “Awesome Mix Vol.1”, que emplacou “Hooked on a Feeling” (Blue Swede) até no trailer do segundo e também porque não é mais novidade. Mas o alto nível é mantido, incluindo as ótimas “The Chain” (Fleetwood Mac) “Bring It on Home to Me” (Sam Cooke), e a belíssima “My Sweet Lord” (George Harrison). Quem não se emocionar com o momento em que toca “Father and Son” (Cat Stevens), tem sérios problemas de falta de sensibilidade.

Com um ritmo frenético do início ao fim como poucas produções conseguem, recheado de referências à cultura pop (de David Hasselhoff a Pac-Man) e fan-services minuciosos que vão fazer os fãs de HQs da velha guarda vibrarem sozinhos enquanto grande parte do cinema não entende o motivo, “Guardiões da Galáxia Vol.2” acerta por continuar a expandir o próprio mundo, sem a necessidade de pontas para se misturar posteriormente com Capitão América, Homem de Ferro e cia., algo que vai acontecer de maneira natural. Com James Gunn, o universo cósmico da Marvel está em boas mãos.

Obs: Há CINCO (isso mesmo…) cenas pós-créditos!

Nota: 9,0

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Crítica: “Guardiões da Galáxia Vol. 2” é grandioso e tão divertido quanto o anterior

Por Thiago Sampaio em Crítica

03 de Maio de 2017

Foto: Divulgação

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Quando “Guardiões da Galáxia” (Guardians of the Galaxy, 2014) chegou aos cinemas, poucos conheciam aqueles personagens esquisitos do Universo Cinematográfico Marvel. Mas tamanha despretensão do produto foi o seu maior triunfo, transformando a carismática equipe, embalada por uma trilha sonora repleta de hits dos anos 70 e 80, em um sucesso absoluto.

Repetir a fórmula numa inevitável continuação sem soar repetitivo por causa da ausência do fator surpresa não era uma missão fácil. Mas a sorte é que eles têm James Gunn na direção, um nerd que entende bem onde está mexendo e faz de “Guardiões da Galáxia Vol.2” (Guardians of the Galaxy Vol.2, 2017) algo maior e, se não melhor, tão eficiente quanto o seu antecessor.

A trama se passa seis meses após o primeiro filme. Os Guardiões da Galáxia são contratados por Ayesha, líder da raça Soberana, para proteger valiosas baterias de um monstro em troca da irmã de Gamora, Nebulosa. Enquanto isso, o eles têm que lutar para manter sua recém-descoberta família unida enquanto desvendam o mistério da real ascendência de Peter Quill.

Após uma breve cena de flashback na introdução, já nos encantamos com o ótimo efeito de rejuvenescimento do personagem de Kurt Russell (algo semelhante ao que fizeram bem com Michael Douglas em “Homem-Formiga”, 2015). Nos créditos iniciais,  percebemos que temos um produto diferente dos demais longas de super-heróis. Uma cena de ação em que a própria ação pouco importa, ela acontece como pano de fundo, enquanto em primeiro plano está Baby Groot dançando ao som de “Mr. Blue Sky” (Electric Light Orchestra). Desde já, um dos melhores momentos de todo esse universo!

E se a ideia era se destacar em relação ao anterior, desta vez tudo está maior: duração (136 minutos), cenas de ação grandiosas, número de personagens, humor…enfim, tudo mesmo! Mas mesmo assim, James Gunn consegue trazer o seu diferencial, por exemplo, quando faz da perseguição espacial das naves da vilã Ayesha (Elizabeth Debicki, escondida sob forte maquiagem) semelhante a um video game de 8-bits, ou quando, literalmente, deforma personagens como desenhos animados.

Há sequências mais sutis, como a estratégia militar de Rocket Racoon (voz de Bradley Cooper repetindo o sarcasmo constante) ao combater os saqueadores; até a espetacular fuga da prisão dele e Yondu (Michael Rooker, numa profundidade dramática inédita até então), que inicia com risos através do Baby Groot (voz de Vin Diesel em uma animação fofa que vai conquistar o público) e culmina numa destruição em câmera lenta de encher os olhos. Uma verdadeira aula de como fazer blockbusters entendendo tudo o que está em cena.

E se a intenção é fazer rir, consegue bem. Principalmente com momentos de vergonha alheia, que envolvem Rocket zoando do apelido de Taserface (Chris Sullivan) enquanto está preso e, principalmente com Drax (Dave Bautista mostrando uma excelente veia cômica), que consegue roubar todas as cenas em que aparece. Ele, que anteriormente se resumia à força física e ao fato de não entender metáforas, agora é responsável pelas melhores gags, com uma honestidade absurda e uma excelente química com a personagem Mantis (Pom Klementieff, uma meiguice contagiante, contrastando com o visual “diferente”).

Às vezes parece que na ideia de potencializar todos os fatores, James Gunn tenta a todo custo mostrar que a continuação é melhor do que o anterior. As piadas funcionam, mas saem quase que o tempo todo, aqui e acolá quebrando o clima de algum momento delicado que poderia ser melhor desenvolvido. São tantas cenas de ação e algumas parecem querer se aproximar do formato de “Os Vingadores”, com milhões de elementos num mesmo plano, quando, na verdade, o que consolidou os Guardiões foi fugir desse padrão.  Mas quando pensamos que vai seguir esse rumo, logo voltamos para “casa” ao ver uma procura por uma fita adesiva em meio a um planeta explodindo.

O diretor/roteirista tem a preocupação de desenvolver cada personagem. Um momento em especial em que Yondu conta para Rocket que eles são infelizes pelas trajetórias que tiveram e fazem de tudo para ser odiados por aqueles que demonstram afeto, tornando-os semelhantes, “mata dois coelhos numa rajada só” com sucesso. Peter Quill (Chris Pratt, um poço de carisma) segue como aquele cara do bem, agora enfrentando a ambição de se tornar um semideus.

Mas na tentativa de garantir subtramas para cada um (o que até consegue, em partes), a narrativa algumas vezes parece bagunçada. A personagem Nebulosa (Karen Gillan) tem uma história bem interessante, mas por vezes soa deslocada, de modo que Gamora (Zoe Saldana, cumprindo bem o papel no que lhe é possível), uma das protagonistas, soa mais como ponte para ela e interesse romântico de Peter. Até mesmo o capanga Kraglin (Sean Gunn, irmão do diretor) ganha um espaço entre os principais, algo que poderia ter ficado para um terceiro capítulo – que é o caso de Sylvester Stallone, que tem uma participação pequena.

Mas se tem algo que está bem melhor desenvolvido é o arco dramático. Acima de tudo, “Guardiões 2″ é um filme sobre família: a amizade entre o improvável grupo, a linha tênue entre as irmãs Gamora e Nebulosa e, principalmente, entre pai e filho. Se Kurt Russell confere toda a canastrice necessária para ar celestial de Ego, o Planeta Vivo (a direção de arte, que mistura um tom imperial com Valfenda, o reino élfico de “O Senhor dos Anéis”, é deslumbrante), Yondu é o coração. O saqueador que raptou Peter quando criança se destaca e é responsável pelos momentos mais emocionantes.

Quase tão aguardada quando o próprio longa-metragem, a trilha sonora não deixa em nada a desejar. Não é tão marcante quanto a “Awesome Mix Vol.1”, que emplacou “Hooked on a Feeling” (Blue Swede) até no trailer do segundo e também porque não é mais novidade. Mas o alto nível é mantido, incluindo as ótimas “The Chain” (Fleetwood Mac) “Bring It on Home to Me” (Sam Cooke), e a belíssima “My Sweet Lord” (George Harrison). Quem não se emocionar com o momento em que toca “Father and Son” (Cat Stevens), tem sérios problemas de falta de sensibilidade.

Com um ritmo frenético do início ao fim como poucas produções conseguem, recheado de referências à cultura pop (de David Hasselhoff a Pac-Man) e fan-services minuciosos que vão fazer os fãs de HQs da velha guarda vibrarem sozinhos enquanto grande parte do cinema não entende o motivo, “Guardiões da Galáxia Vol.2” acerta por continuar a expandir o próprio mundo, sem a necessidade de pontas para se misturar posteriormente com Capitão América, Homem de Ferro e cia., algo que vai acontecer de maneira natural. Com James Gunn, o universo cósmico da Marvel está em boas mãos.

Obs: Há CINCO (isso mesmo…) cenas pós-créditos!

Nota: 9,0