Crítica: 'Capitão América 2 - O Soldado Invernal' é o filme mais maduro da Marvel Studios - Cena Cultural 
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Cena Cultural

por Thiago Sampaio

Crítica: ‘Capitão América 2 – O Soldado Invernal’ é o filme mais maduro da Marvel Studios

Por Thiago Sampaio em Crítica

15 de Abril de 2014

Pôster de "Capitão América 2: O Soldado Invernal"

Pôster de “Capitão América 2: O Soldado Invernal” – Foto: Divulgação

Não tem como negar que a Marvel Studios implantou uma nova era de adaptações de super heróis dos quadrinhos para os cinemas. Com cores, ação, efeitos especiais, entretenimento de qualidade, tudo em um mesmo universo, “Homem de Ferro” (2008), “O Incrível Hulk” (2008), “Thor” (2011) e “Capitão América” (2011), até o êxtase máximo do mundo nerd quando eles se reúnem em “Os Vingadores” (2012), funcionaram perfeitamente dentro dos seus propósitos.

Considerado um dos menos badalados, o militar que leva no uniforme a bandeira dos EUA consegue surpreender nesta continuação, “Capitão América 2 – O Soldado Invernal” (Captain America: The Winter Soldier, 2014), pois se trata do mais maduro filme individual entre as franquias, acertando em quase todos os quesitos e indo além do deslumbre como diversão.

A história

A trama se passa dois anos após os acontecimentos de “Os Vingadores”. Steve Rogers (Chris Evans) continua a dedicar o seu trabalho com a agência S.H.I.E.L.D., ainda liderada por Nick Fury (Samuel L. Jackson), enquanto tenta se acostumar com o fato de que foi descongelado e acordou décadas depois de seu tempo. Em parceria com a agente Natasha Romanoff (Scarlett Johansson), a Viúva Negra, ele é obrigado a enfrentar um misterioso inimigo conhecido como Soldado Invernal. Mas em meio às missões, diversas conspirações acometem a organização. Steve e Natasha passam a ser perseguidos e eles precisam agir sozinhos para desvendar segredos de escalas mundiais.

Roteiro eficiente

Se o primeiro longa do Capitão América se mostrou apenas correto, visto a obrigação de introduzir o personagem franzino que ganha super habilidades naquele contexto da II Guerra Mundial, a continuação tem toda a liberdade para trabalhar o roteiro. Por sinal, o texto escrito por Christopher Markus e Stephen McFeely é o principal ponto forte, trazendo um tom de seriedade e cheio de reviravoltas à produção. Algo pouco visto nos filmes da Marvel Studios, se assemelhando mais aos filmes da franquia Batman (2005, 2008, 2012), dirigidos por Christopher Nolan. Na verdade, por ter como foco as conspirações internacionais, a nova aventura até lembra antigos filmes de espionagem, como “Intriga Internacional” (1959) e “Três Dias do Condor” (1975).

O misterioso método de trabalho da S.H.I.E.L.D., em que fatos importantes são omitidos e situações mentirosas são criadas para mobilizar as pessoas em que nela trabalham, que já havia sido abordado em “Os Vingadores”, é retomado com maior ousadia nesta continuação. Assim, ao longo dos 136 minutos, o espectador se vê questionando o que é verdade ou não ou se realmente há alguém honesto por completo naquele contexto. E ver o patriota herói desiludido com o próprio meio em que vive (tanto que pouco veste o uniforme durante a projeção) é algo, no mínimo, inusitado.

Os pontos são ligados de maneira perfeita com o primeiro filme do Capitão América. De uma forma ou de outra, ainda estão lá Peggy Carter (Hayley Atwell), Howard Stark (Dominic Cooper), Bucky Barnes (Sebastian Stan), o Caveira Vermelha (Hugo Weaving), Dr. Arnim Zola (Toby Jones), entre outros.  Destaque também para o humor, usado sem exagero, mas através de divertidos diálogos entre Steve Rogers e Natasha Romanoff, além de tiradas geniais, como o livro de anotações com tópicos de coisas que o herói deixou de conhecer enquanto esteve congelado. Vale frisar: os nomes foram alterados nas cópias de acordo com o país. No Brasil, por exemplo, há Mamonas Assassinas, Xuxa, Chaves, Wagner Moura e Ayrton Senna.

Ação continua

Mas os fãs da Marvel Studios não precisam temer o fato de “Capitão América 2 – O Soldado Invernal” se levar a sério demais e deixar de lado a diversão já característica. A quebradeira está presente desde o início até o final, até mesmo um pouco em excesso, quando as desilusões do personagem principal e as revelações sobre a S.H.I.E.L.D. poderiam ser mais aprofundadas.

Porém, mesmo com sequencias grandiosas, envolvendo destruições de aviões e rodovias, a produção nem de longe chega a ser megalomaníaca como foi o decepcionante “Homem de Ferro 3” (2013), em que priorizaram os excessos visuais. Aqui, os diretores Anthony e Joe Russo (oriundos da comédia, como “Dois é Bom, Três é Demais”, 2006″; e o seriado “Community”) têm a consciência de que não precisam de exageros para impressionar e criar tensão, exemplo disso é a interessante cena do elevador.

Por sinal, a dupla de cineastas se mostra uma grata surpresa no quesito ação, conduzindo combates corporais muito bem coreografados, com direito a luta de Steve Rogers com o ex-campeão do UFC, Georges St-Pierre; muitas exibições da Viúva Negra; além das sequencias com o ótimo vilão Soldado Invernal (depois de Loki, o melhor até aqui) . Destaque também para os momentos do Falcão, uma das novidades da continuação, estiloso quando aparece, mas sem a necessidade de roubar a cena.

Interseções e elenco

O universo Marvel também se mostra vivo o tempo todo, sempre repleto de referências, como a Homem de Ferro, Bruce Banner, etc. Assim como os demais filmes individuais, a continuação tem o intuito de fazer ponte para o aguardado “Os Vingadores 2: A Era de Ultron” (Avengers: Age of Ultron, 2015), mas a importância dos fatos apresentados é crucial para os rumos que todos irão seguir.

Já acostumados aos personagens, Chris Evans e Scarlett Johansson fazem um bom trabalho e sem atuar no modo automático, visto que o tom sério exige um maior esforço da parte deles. Figura constante dos longas da Marvel Studios, Samuel L. Jackson ainda consegue chamar atenção, mantendo a carga onipresente e imprevisível de Nick Fury, mas desta vez suscetível às muitas mudanças do meio. O veterano Robert Redford chega para trazer força ao elenco, na pele do figurão da S.H.I.E.L.D. Alexander Pierce, trazendo mistério a um ser de expressões serenas e caráter duvidoso. Anthony Mackie, o pacato militar Sam Wilson e futuro Falcão, também cumpre bem a função de coadjuvante carismático.

Mais cinema!

“Homem de Ferro” puxou uma legião de fãs em 2008 ao iniciar uma nova era, através de um ótimo filme, com personagem interessante, ação pontual e uma trama redondinha. “Os Vingadores” levou os mesmos admiradores a um patamar de satisfação antes inimaginável por ver tantos heróis em cena. Agora, “Capitão América 2 – O Soldado Invernal” junta os fatores que têm funcionado nos últimos anos, com o diferencial que é o mais cinematográfico de todos.

Obs: Há uma cena durante os créditos finais, e outra ao término deles. Ambas preparam bem o terreno para a próxima superprodução com todos os heróis e devem agradar em cheio ao público alvo.

Nota: 9,0

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Crítica: ‘Capitão América 2 – O Soldado Invernal’ é o filme mais maduro da Marvel Studios

Por Thiago Sampaio em Crítica

15 de Abril de 2014

Pôster de "Capitão América 2: O Soldado Invernal"

Pôster de “Capitão América 2: O Soldado Invernal” – Foto: Divulgação

Não tem como negar que a Marvel Studios implantou uma nova era de adaptações de super heróis dos quadrinhos para os cinemas. Com cores, ação, efeitos especiais, entretenimento de qualidade, tudo em um mesmo universo, “Homem de Ferro” (2008), “O Incrível Hulk” (2008), “Thor” (2011) e “Capitão América” (2011), até o êxtase máximo do mundo nerd quando eles se reúnem em “Os Vingadores” (2012), funcionaram perfeitamente dentro dos seus propósitos.

Considerado um dos menos badalados, o militar que leva no uniforme a bandeira dos EUA consegue surpreender nesta continuação, “Capitão América 2 – O Soldado Invernal” (Captain America: The Winter Soldier, 2014), pois se trata do mais maduro filme individual entre as franquias, acertando em quase todos os quesitos e indo além do deslumbre como diversão.

A história

A trama se passa dois anos após os acontecimentos de “Os Vingadores”. Steve Rogers (Chris Evans) continua a dedicar o seu trabalho com a agência S.H.I.E.L.D., ainda liderada por Nick Fury (Samuel L. Jackson), enquanto tenta se acostumar com o fato de que foi descongelado e acordou décadas depois de seu tempo. Em parceria com a agente Natasha Romanoff (Scarlett Johansson), a Viúva Negra, ele é obrigado a enfrentar um misterioso inimigo conhecido como Soldado Invernal. Mas em meio às missões, diversas conspirações acometem a organização. Steve e Natasha passam a ser perseguidos e eles precisam agir sozinhos para desvendar segredos de escalas mundiais.

Roteiro eficiente

Se o primeiro longa do Capitão América se mostrou apenas correto, visto a obrigação de introduzir o personagem franzino que ganha super habilidades naquele contexto da II Guerra Mundial, a continuação tem toda a liberdade para trabalhar o roteiro. Por sinal, o texto escrito por Christopher Markus e Stephen McFeely é o principal ponto forte, trazendo um tom de seriedade e cheio de reviravoltas à produção. Algo pouco visto nos filmes da Marvel Studios, se assemelhando mais aos filmes da franquia Batman (2005, 2008, 2012), dirigidos por Christopher Nolan. Na verdade, por ter como foco as conspirações internacionais, a nova aventura até lembra antigos filmes de espionagem, como “Intriga Internacional” (1959) e “Três Dias do Condor” (1975).

O misterioso método de trabalho da S.H.I.E.L.D., em que fatos importantes são omitidos e situações mentirosas são criadas para mobilizar as pessoas em que nela trabalham, que já havia sido abordado em “Os Vingadores”, é retomado com maior ousadia nesta continuação. Assim, ao longo dos 136 minutos, o espectador se vê questionando o que é verdade ou não ou se realmente há alguém honesto por completo naquele contexto. E ver o patriota herói desiludido com o próprio meio em que vive (tanto que pouco veste o uniforme durante a projeção) é algo, no mínimo, inusitado.

Os pontos são ligados de maneira perfeita com o primeiro filme do Capitão América. De uma forma ou de outra, ainda estão lá Peggy Carter (Hayley Atwell), Howard Stark (Dominic Cooper), Bucky Barnes (Sebastian Stan), o Caveira Vermelha (Hugo Weaving), Dr. Arnim Zola (Toby Jones), entre outros.  Destaque também para o humor, usado sem exagero, mas através de divertidos diálogos entre Steve Rogers e Natasha Romanoff, além de tiradas geniais, como o livro de anotações com tópicos de coisas que o herói deixou de conhecer enquanto esteve congelado. Vale frisar: os nomes foram alterados nas cópias de acordo com o país. No Brasil, por exemplo, há Mamonas Assassinas, Xuxa, Chaves, Wagner Moura e Ayrton Senna.

Ação continua

Mas os fãs da Marvel Studios não precisam temer o fato de “Capitão América 2 – O Soldado Invernal” se levar a sério demais e deixar de lado a diversão já característica. A quebradeira está presente desde o início até o final, até mesmo um pouco em excesso, quando as desilusões do personagem principal e as revelações sobre a S.H.I.E.L.D. poderiam ser mais aprofundadas.

Porém, mesmo com sequencias grandiosas, envolvendo destruições de aviões e rodovias, a produção nem de longe chega a ser megalomaníaca como foi o decepcionante “Homem de Ferro 3” (2013), em que priorizaram os excessos visuais. Aqui, os diretores Anthony e Joe Russo (oriundos da comédia, como “Dois é Bom, Três é Demais”, 2006″; e o seriado “Community”) têm a consciência de que não precisam de exageros para impressionar e criar tensão, exemplo disso é a interessante cena do elevador.

Por sinal, a dupla de cineastas se mostra uma grata surpresa no quesito ação, conduzindo combates corporais muito bem coreografados, com direito a luta de Steve Rogers com o ex-campeão do UFC, Georges St-Pierre; muitas exibições da Viúva Negra; além das sequencias com o ótimo vilão Soldado Invernal (depois de Loki, o melhor até aqui) . Destaque também para os momentos do Falcão, uma das novidades da continuação, estiloso quando aparece, mas sem a necessidade de roubar a cena.

Interseções e elenco

O universo Marvel também se mostra vivo o tempo todo, sempre repleto de referências, como a Homem de Ferro, Bruce Banner, etc. Assim como os demais filmes individuais, a continuação tem o intuito de fazer ponte para o aguardado “Os Vingadores 2: A Era de Ultron” (Avengers: Age of Ultron, 2015), mas a importância dos fatos apresentados é crucial para os rumos que todos irão seguir.

Já acostumados aos personagens, Chris Evans e Scarlett Johansson fazem um bom trabalho e sem atuar no modo automático, visto que o tom sério exige um maior esforço da parte deles. Figura constante dos longas da Marvel Studios, Samuel L. Jackson ainda consegue chamar atenção, mantendo a carga onipresente e imprevisível de Nick Fury, mas desta vez suscetível às muitas mudanças do meio. O veterano Robert Redford chega para trazer força ao elenco, na pele do figurão da S.H.I.E.L.D. Alexander Pierce, trazendo mistério a um ser de expressões serenas e caráter duvidoso. Anthony Mackie, o pacato militar Sam Wilson e futuro Falcão, também cumpre bem a função de coadjuvante carismático.

Mais cinema!

“Homem de Ferro” puxou uma legião de fãs em 2008 ao iniciar uma nova era, através de um ótimo filme, com personagem interessante, ação pontual e uma trama redondinha. “Os Vingadores” levou os mesmos admiradores a um patamar de satisfação antes inimaginável por ver tantos heróis em cena. Agora, “Capitão América 2 – O Soldado Invernal” junta os fatores que têm funcionado nos últimos anos, com o diferencial que é o mais cinematográfico de todos.

Obs: Há uma cena durante os créditos finais, e outra ao término deles. Ambas preparam bem o terreno para a próxima superprodução com todos os heróis e devem agradar em cheio ao público alvo.

Nota: 9,0