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Socializando

por Felipe Feijão

O maravilhoso mundo da exposição: arrasando no Youtube

Por Felipe Feijão em Artigos

15 de Janeiro de 2018

 

Outro espaço na internet que se popularizou bastante nos últimos anos foi o site de vídeos Youtube. Vídeos de todo tipo podem ser encontrados na plataforma que os disponibiliza com facilidade.

A moda do momento é tornar-se um youtuber, termo que designa o indivíduo que tem como tarefa produzir constantemente vídeos e dessa maneira manter ativo seu canal. Aqui vale a criatividade que for possível imaginar para atrair seguidores, que com um tempo, se tornarão telespectadores fiéis do astro nascente.

 É preciso dizer que esses indivíduos produtores de vídeo, possuem quantidade razoável de jovens que fazem de tudo para não perder uma atração nova de seu ídolo. Não é necessário entrar muito em detalhe no conteúdo ou nos conteúdos que fazem sucesso com a galera.

 Cabe ressaltar que existem generosas exceções de temas abordados em inúmeras produções constantes que não decepcionam na mais esperançosa expressão, uma multidão de internautas, em busca, de fato, de conteúdo, isto é, daquilo que contenha alguma coisa, que tenha fundamentos, abordagens sérias, diálogo com a realidade da vida social, numa palavra, um ambiente em que se pode fazer algo a mais além de rir.

 Fica claro que assim como em outras redes, também aqui, são encontrados brilhantes intelectuais, versados em saberes diversos, prontos a opinar e a emitir parecer sobre tudo. Suas legiões, por vezes, disseminam polêmicas em cortes (na maioria das vezes mal feitos) de pronunciamentos do mestre, e compram disputas monumentais com possíveis adversários que por sua vez não ficam calados.

 As músicas dos famosos agora são conhecidas depois de aqui lançadas, acompanhadas por uma gigantesca produção artística, em nível quase cinematográfico. A partir daí sim, o hit vai para a boca dos fãs. Uma coisa intrigante: em poucas horas e consequentemente em poucos dias, milhões de visualizações, podem ser constatadas nos sucessos em alta. Felizmente, há muito conteúdo antigo, claro, com o mínimo de visualizações, mas que vale a pena ouvir e relembrar o que já foi produzido por um cenário que hoje beira o indescritível.

 Nem todo mundo tem jeito com uma câmera e ainda bem que muitos têm bom senso para discernir isso, o que coloca as redes sociais de fotos em vantagem. Mas, numa roda de amigos, ou em círculos de distinta inteligência (no assunto), qualquer novidade que tenha acontecido, lançamento de novo sucesso, nova piada, e discurso oficial das estrelas, a recomendação entusiasmada diz: “Olha lá no Youtube”.

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O maravilhoso mundo da exposição: arrasando no “insta”

Por Felipe Feijão em Artigos

08 de Janeiro de 2018

Imagem: reprodução

 

É inegável a explosão que nos últimos tempos ocorreu na internet. O uso das redes sociais por pessoas comuns ou celebridades proclamadas, agora é algo bastante explícito. Uma gama de informações pode estar à disposição do usuário em apenas simples movimentos dos dedos na tela do celular.

Daí a necessidade sentida por alguns de prestarem um culto devoto a constante alimentação de sua conta. Num ritmo quase frenético, postagens e mais postagem invadem as publicações. Interessante: parece que há uma regra que deve ser seguida a todo custo. Nas fotos postadas, devem constar rostos alegres, ainda que aparentemente, o importante é o sorriso estampado.   Para alguns, outra regra é a de informar aos seguidores tudo ou quase tudo que estão fazendo em forma de publicação. Sim, existem os calados, que acompanham em solene silêncio, mas vigilante, a vida alheia. Nesse quesito de fofoca, as vizinhas conhecidas por isso, não precisam mais espiar na rua quem chega, quem sai ou para onde vão, pois recebem a informação na comodidade de seu celular.

Sem dúvida, existem generosas exceções de figuras que não decepcionam os seguidores, muitas vezes presos nas teias da generalizada bestialização imperceptível que os circunda a todo momento. Ora, nunca se sabe se as manias citadas anteriormente, são contagiosas. Entretanto, sinal de que influenciam é a popularização de tais vícios que se propagam em ritmo de doença disseminada. Vale tudo para que mais e mais indivíduos adiram outros que não se cansam de se expor. Conexão a toda hora e em qualquer lugar também consta nos mandamentos que agora constituem o seguimento de um dos novos deuses contemporâneos.

Falando em influência, existem agora os que ditam tendências para que outros provem e façam uso da coisa utilizada em questão. Nesse sentido, para muitos empreendedores, o uso da rede social, é sério. Aproveitam o potencial público que ali podem conseguir, e propagandeiam produtos. Parece que isso tem se mostrado lucrativo. Aos que desejam recrutar elevado número de discípulos, técnicas testadas e comprovadas, são indispensáveis e, nesse caso, fazer um curso intensivo é bem oportuno.

Não se pode esquecer de outro fator que agrega internautas. O poder da afinidade. Contas das mais variadas celebridades, de distintos temas, somam fiéis adeptos que assim demonstram sua militância engajada ou sua indiferença preocupada com determinado assunto. Formam verdadeiras comunidades organizadas que não dispensam polêmica (ainda que criada e vulgarizada pelos próprios).

Enfim, nos dias de hoje, quem não se enquadra nessas referências, em círculos de elevada inteligência (no assunto), pode até ser ridicularizado. Os silenciosos que pouco se pronunciam ou os que preferem não aderir a febre que veio para ficar (se mostrando uma doença séria), se mantendo assim, na pré-história, possuem a vantagem de observar esse espetáculo limitadamente, mas padecem da tentação de repentinamente se tornarem o que observam.

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O que nos resta depois dos fogos?

Por Felipe Feijão em Artigos

03 de Janeiro de 2018

Imagem: reprodução

 

No final de cada ano, surge repentinamente um clima de aparente bondade entre as pessoas, troca de presentes, de afeto, todos desejosos de novas conquistas, realizações, empreendimentos no novo período cronológico que se inicia. Essa atmosfera tem seu lado positivo e pode ser boa, mas sua manifestação no mais das vezes é explicitada por um sentimentalismo barato e de curta duração, pois, não é observada no resto do ano.

Torna-se, nesse tempo, o consumismo bastante aflorado, devido a quase obrigação de presentear familiares e amigos. Muitas dívidas parceladas em cartão de crédito, e os que podem, na mesa, muita fartura. É perceptível que para alguns que endeusam o próprio corpo, a ceia natalina e de ano novo, são um peso, uma tortura, mas logo depois que passarem, o projeto corpo divinizado e cérebro vazio, volta a lotar as academias.

Em meio a isso, festas e mais festas monumentais, são realizadas. Milhões de pessoas acorrem para uma diversão que dura poucas horas, e que tem seu auge na queima de fogos, cada vez mais duradoura (ainda que em minutos). Enquanto isso, não muito longe de onde acontecem tais espetáculos, serviços públicos básicos que deveriam ser prestados eficazmente, são negligenciados.

No entanto, a multidão de pessoas que muitas vezes padece dos problemas dessa negligência, marca presença nas festas gigantescas. Diante disso, emerge uma questão: o que nos resta depois dos fogos? É preciso colocar o pé no chão da realidade presente, de modo que não aconteça um mascaramento ou sufocação desta em relação a encenação de um curto espaço de tempo.

Uma alienação, no sentido de tirar da realidade e conduzir para um mundo distante que se encarna na eminente devastação cultural, parece que toma conta da atmosfera geral. Infelizmente, o rebanho dessa curtição, parece não estar preocupado ou não ter consciência da gravidade política e social na qual o país se encontra.

Longe da ilusão e do devaneio de um ano novo repleto de maravilhas, de um paraíso que só existe no imaginário que termina juntamente com a virada do ano, os fatos constatam o contrário. Ano de eleições, de continuidade governista, de manutenção de um tempo sombrio para a vulnerabilidade social. Não muda muita coisa. Talvez possa ser menos pior que 2017, ou não. O pessimismo guardamos para dias melhores, já a realidade nos acompanha sempre.

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O ideal de paz

Por Felipe Feijão em Artigos

28 de dezembro de 2017

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O espetáculo da violência no Brasil, que amedronta a todos, segue se desenvolvendo e se manifestando nas mais diversas formas e expressões de barbárie. Vive-se numa atmosfera comparável à de uma guerra.

De fato, parece que a intervenção simplesmente do braço armado não dialoga com a conjuntura social que permanece carente de serviços públicos. A punição sem antes, existir a oferta de oportunidades propícias para a minoração da violência é punição cega, sua utilidade é momentânea.

Nesse sentido, é num cenário de quase caos generalizado que emerge o clamor pela paz. Entretanto, é preciso conceber que o desejo de paz se associa a um elemento fundamental que compõe essencialmente sua estrutura constitutiva. É o homem consciente da realidade que o cerca e que o marca que tem a capacidade de alterar o curso dos acontecimentos.

O filósofo Manfredo Oliveira, em texto sobre a paz, afirma que para a construção de um mundo de paz, justiça e fraternidade, “o fundamento normativo deste mundo de paz é a dignidade de toda realidade e, de modo supremo, a dignidade do ser humano enquanto ser pessoal, inteligente e livre e, enquanto tal portador de direitos inalienáveis decorrentes, como exigências da constituição do seu ser”.

Isso significa dizer que o sujeito na sua existência histórica, portador, portanto de dignidade, fornecedor, assim, de sentido para tudo o mais, é quem reclama pela paz, por um lado, e é o mesmo que, por outro lado, se insere num mundo de guerras.

Nessa tensão é que se situa o problema do estabelecimento de uma sociedade de paz. As realidades que configuram o atual momento: terrorismo, guerras, ameaças de guerra, miséria, fome, desigualdade, eminente catástrofe ambiental, mazelas essas em grande parte, patrocinadas pelo interesse financeiro cego, que instaura uma lógica perversa de riqueza para poucos, acentuam o condicionamento de um demasiado fosso entre a realidade e a idealização de um mundo minimamente humanizado.

Esse reflexo de realidades absurdas causadas e desenvolvidas pelo homem, pode ser mudado mediante a reivindicação de efetivação do que de mais fundamental caracteriza o próprio sujeito: a dignidade.

O princípio, portanto, que dignifica a pessoa humana que a contempla em sua integralização, que não a reduz a coisa objetificada, embasa e respalda, o horizonte da construção de uma nova realidade pelas mãos de homens artífices de um novo tempo possível.

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O jogo bem executado

Por Felipe Feijão em Artigos

18 de dezembro de 2017

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O ano finda. Ao longo de seu percurso, veio à tona, uma série de dados, acontecimentos e decisões no mundo político, que agora, cada vez mais se torna nítido o projeto que se tenta explicitamente desenvolver. Diante do triste cenário da política brasileira, desgastada, corrompida, como se encontra o país?

 Situa-se, pois, segundo estudo publicado recentemente, entre um dos mais desiguais. Qual é, então, a atitude do atual modelo governamental perante o escândalo da desigualdade? O filósofo Manfredo Oliveira em texto recente, expõe um panorama que explica o que aconteceu após a saída do governo derrotado: “Isso faz aparecer a natureza do que se articulou: a junção de capitalismo selvagem de rapina e do enfraquecimento das garantias democráticas. A execução do plano foi um jogo de mestres: em nome da justiça e da moralidade, fez-se um violento ataque à democracia e às garantias constitucionais. Uma vez consumado o golpe, todos os interesses articulados partem para a rapina e o saque do espólio: vender as riquezas brasileiras – em primeiro lugar, o petróleo; cortar gastos sociais, já que o que vale primeiro é o interesse do 1% mais rico”.

 Nesse sentido, qual a condição dos mais vulneráveis? “No esquecimento, na marginalidade, com salários aviltantes por serviços à classe média e às empresas dos endinheirados”, diz Manfredo.  Noutros termos: essa lógica perversa, diminui ou acentua, o Brasil como espetáculo da mazela da desigualdade?

Ora, o discurso reformista que claramente reivindica o progresso da nação, garantida de direitos para todos, parece não dialogar com a realidade concreta de um povo que se encontra num estado semelhante a uma desolação geral, sem a oferta de condições mínimas de vida digna. A conjuntura que vigora, aparenta estar empenhada na defesa de interesses próprios numa dinâmica de constante culto ao interesse econômico, portanto, na linha de frente do impedimento de alteração dessa situação lamentável.

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Violência em pauta

Por Felipe Feijão em Artigos

12 de dezembro de 2017

 

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 Estudo recente da Fundação Abrinq, mostra que no Brasil, a cada 48 minutos uma criança ou jovem é assassinado. Esse dado assustador, expõe na formalidade de estatística numérica, o que é reflexo da realidade vivenciada e sentida por todos.

 Vive-se num constante estado de alerta. A violência se manifesta de diversas maneiras. Nas periferias dos grandes centros urbanos, onde prevalece o abandono e a negligência de serviços públicos, a violência marca forte presença. Ora, se não há minimamente oferta de condições de vida digna, por que, então se pensa que a intervenção do braço armado (proveniente da mesma estrutura de onde deveriam ter sido ofertados os serviços que colaborariam para a minoração da violência), adianta? Sim, pode ter utilidade momentânea.

 É desse modo que o estado de alerta submete todos a um medo contínuo. Devido a isso, as relações sociais ficam prejudicadas. A perversa lógica do medo, diminui, pois, a afirmação e o reconhecimento do outro também como sujeito. Sujeito é o agente de algo. Numa sociedade civil adequada, todos são sujeitos, isto é, participam, são incluídos, atuam.

 Consequentemente, o discurso que permanece no âmbito formal, parece não dialogar com o mundo da realidade que se manifesta. Isso implica no que resultará, por exemplo, na punição, que é exercida sobre a conjuntura, mas os componentes desta, antes, de alguma forma, foram punidos.

 Outro discurso que se assemelha ao mencionado, é o que reclama pela violência. Infelizmente, essa ideia confusa, também não dialoga com o que realmente acontece. Responder a um ato violento de igual maneira ou pior, solucionará os gritantes problemas?

 Sabe-se, com efeito, que o problema de um permanente estado de guerra, não está isolado de outros problemas que se relacionam numa imbricação mútua e profícua. Basta observar a produtividade desse relacionamento em dados de estudos como o referido neste texto.

 A mediocridade, marca registrada no modo de gerir a coisa pública, segue impedindo que esse cenário de barbárie seja alterado.

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A gravidade do que está em jogo

Por Felipe Feijão em Artigos

05 de dezembro de 2017

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É nítida e perceptível a situação lamentável na qual se encontra a sociedade brasileira. Sem dúvida, o advento do modelo governamental vigente, reforça e torna o terreno do atraso e do retrocesso propício para o cultivo de medidas retrógradas, sobretudo para os mais vulneráveis.

As chamadas reformas, que mobilizam atualmente o Congresso Nacional (em sua grande parte constituído por corruptos), são colocadas como salvadoras da pátria. Além disso, o discurso político de preocupação com a nação, que denota uma ideia de progressividade nas atividades governistas, se torna bastante evidente. Isso viabiliza, pois, que as pautas de interesse maior dos próprios votantes, ganhem andamento e consequentemente votação.

Entretanto, não é possível se convencer com isso. A clareza do debate entusiasmado com o bem de todos, com garantia econômica para as futuras gerações, parece estar posicionado de um lado bem definido. Leonardo Boff em texto recente adverte que após anos do governo recentemente derrotado, “agora esta elite despertou. Deu-se conta de que estas políticas de inclusão social poderiam se consolidar e modificar a lógica de sua abusiva acumulação”. É claro, que aqui, a referência explícita é ao modo de gerir que forneceu com uma diversidade de programas públicos, nova cara para o país.

O que impera devido a eminente perversidade é a primazia do interesse financeiro: “O capital não tem pátria, apenas interesses no Brasil e em qualquer parte do mundo. Estas elites do atraso colocam-se decididamente do lado de seus interesses globais”, diz Boff.

O que está em jogo diante disso? Que força ou quais forças atuantes são as protagonistas dessa avalanche que pesará nos ombros dos mais humildes? Boff alerta que “trata-se de solapar um caminho autônomo, entregar a riqueza social e natural, acumulada em gerações, às grandes corporações. Esse modelo, para nossa desgraça, é assumido pelo atual governo corrupto e totalmente descolado do povo, de um neoliberalismo radical que implica o desmonte da nação. Daí o dever cívico e patriótico de derrotarmos estas elites do atraso, anti-povo e anti-nacionais que assumiram esta aventura, que poderá não ser mais suportável pelo povo. Tudo tem limites. Há de surgir uma consciência patriótica na forma de uma generalizada rejeição social”.

A realidade aponta para o fato de que a possibilidade de tal consciência, ou seja, de conceber o que acontece, se situa ainda muito distante.

 

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Dia dos Pobres

Por Felipe Feijão em Artigos

17 de novembro de 2017

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O papa Francisco, convocou para o dia 19 de novembro, o I Dia Mundial dos Pobres. O que significa esse dia? Uma comemoração da pobreza? Parece que não. Trata-se, antes de mais, de uma reflexão sobre a realidade que assola milhares de seres humanos.

Surge, então, uma questão fundamental: como identificar o pobre? O papa afirma em sua mensagem para o referido dia, “Conhecemos a grande dificuldade que há, no mundo contemporâneo, de poder identificar claramente a pobreza. E todavia esta interpela-nos todos os dias com os seus inúmeros rostos marcados pelo sofrimento, pela marginalização, pela opressão, pela violência, pelas torturas e a prisão, pela guerra, pela privação da liberdade e da dignidade, pela ignorância e pelo analfabetismo, pela emergência sanitária e pela falta de trabalho, pelo tráfico de pessoas e pela escravidão, pelo exílio e a miséria, pela migração forçada. A pobreza tem o rosto de mulheres, homens e crianças explorados para vis interesses, espezinhados pelas lógicas perversas do poder e do dinheiro. Como é impiedoso e nunca completo o elenco que se é constrangido a elaborar à vista da pobreza, fruto da injustiça social, da miséria moral, da avidez de poucos e da indiferença generalizada!”.

Infelizmente, na realidade vivenciada num país como o Brasil, numa cidade como Fortaleza, é impossível, diariamente, não enxergar, a dignidade humana, sofrida e negligenciada. Tantas situações, tantos rostos sofridos, marcados pela dor, sobretudo pela indiferença, se apresentam nitidamente, nos mais diversos ambientes, ainda que estes adotem a educada política de segregação.

O filósofo Manfredo Oliveira afirma: “Vivemos em um país estranho, pois nele, no Brasil oficial, apenas uma parcela minoritária de sua população é incluída. Coexistem, no mesmo território, uma sociedade moderna, que cada vez mais se aproxima, econômica e culturalmente, dos países mais ricos do mundo, e uma sociedade primitiva, com milhões de habitantes vivendo nas cidades e nos campos em condições de vida que humilham a pessoa humana”[1].

Em virtude desse dia, surgem algumas perguntas. O percurso que cada vez mais é seguido pelo modelo governamental vigente, se volta para os vulneráveis? A agenda neoliberal que cada vez mais se explicita em privatizações, transformação de serviços públicos em produtos que se vende e compra no mercado, valorização da educação tecnicista e medidas que beneficiam os poderosos em detrimento dos mais fracos, são do interesse de quem?

Ora, num Congresso Nacional consideravelmente constituído por envolvidos em corrupção e investigados ou denunciados, não existe interesse para que as demandas populares sejam minimamente atendidas. Há, sim, interesse de grupos estratificados especificamente em defesa de representação própria.

Felizmente, um dia dedicado aos pobres, supõe, a possibilidade de reflexão e de conscientização dessa evidente situação.

 

[1] OLIVEIRA, Manfredo. Desafios éticos da globalização. São Paulo: Paulinas, 2008, p. 5.

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CNBB atuante

Por Felipe Feijão em Artigos

30 de outubro de 2017

 

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 Fruto de reunião recente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, foram publicadas notas pertinentes sobre o momento atual. Um manifesto se refere ao momento político de agora e outro trata em forma de repúdio da portaria do Ministério do Trabalho.

Em tom de denúncia afirma a primeira nota: “Repudiamos a falta de ética, que há décadas, se instalou e continua instalada em instituições públicas, empresas, grupos sociais e na atuação de inúmeros políticos que, traindo a missão para a qual foram eleitos, jogam a atividade política no descrédito. A barganha na liberação de emendas parlamentares pelo Governo é uma afronta aos brasileiros”.

Essa repulsa se apresenta como necessária. A situação de um Congresso repleto de corruptos, estratificados em grupos específicos que trabalham em prol de benefício próprio e que pela segunda vez no mesmo semestre, em sua maioria, admite que o Presidente denunciado não seja investigado, é muito grave.

Diante desse espetáculo, faltando menos de um ano para o período eleitoral, a nota reconhece que: “A apatia, o desencanto e o desinteresse pela política, que vemos crescer dia a dia no meio da população brasileira, inclusive nos movimentos sociais, têm sua raiz mais profunda em práticas políticas que comprometem a busca do bem comum, privilegiando interesses particulares. Tais práticas ferem a política e a esperança dos cidadãos que parecem não mais acreditar na força transformadora e renovadora do voto. É grave tirar a esperança de um povo”.

O nascente debate que emerge na especulação de possíveis ou já na constatação de nomes que disputarão campanha, faz com que os bispos alertem para o fato de que “Urge ficar atentos, pois, situações como esta abrem espaço para salvadores da pátria, radicalismos e fundamentalismos que aumentam a crise e o sofrimento, especialmente dos mais pobres, além de ameaçar a democracia no País”.

Sem dúvida, o desgaste e o permanente descrédito com a politicagem que é sinônimo do poderoso modelo partidário vigente, chega ao ponto de que um discurso que se manifesta travestido possa ganhar adeptos e força. A recente mudança de nome de alguns partidos é bonita e entusiasmante, porém na prática essa renovação nasce já desgastada.

No que diz respeito a publicação da portaria do Ministério do Trabalho que altera o conceito de trabalho escravo, a nota deixa claro “A desumana Portaria é um retrocesso que, na prática, faz fechar os olhos dos órgãos competentes do Governo Federal que têm a função de coibir e fiscalizar esse crime contra a humanidade e insere-se na perversa lógica financista que tem determinado os rumos do nosso país”.

E ainda: “Nosso País no qual, por séculos, vigorou a chaga da escravidão de modo legalizado, tem o dever de repudiar qualquer retrocesso ou ameaça à dignidade e liberdade da pessoa humana. Reconhecendo a importância da decisão liminar no Supremo Tribunal Federal que suspende essa Portaria da Escravidão e somando-nos a inúmeras reações nacionais e internacionais, conclamamos a sociedade a dizer mais uma vez um não ao trabalho escravo”, dizem os Bispos.

A mediocridade, marca registrada no modo de gerir a coisa pública, segue na intensificação da não valorização da dignidade do ser humano já tão maltratada pela negligência de oferta de serviços básicos que descamba contra a própria estrutura arruinada e esta tenta inutilmente enfrentar aquela, exemplo disso se vê na guerra da violência que impera por um lado, e por outro, o braço armado do Estado.

 

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Por uma sociedade humanizada

Por Felipe Feijão em Artigos

24 de outubro de 2017

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A situação política atualmente vivenciada no Brasil é preocupante. Quando se torna quase que rotineiro, a votação na Câmara pelo prosseguimento ou não de investigação contra o Presidente da República, algo não está muito certo. O mais grave disso é o aparato que esse modelo de governabilidade encontra numa permanência no poder, fato que se constata numa base que serve de alicerce e sustentáculo, raiz esta composta por envolvidos em corrupção.

Reformas, novas propostas, se apresentam como um marco que deve ser deixado. Parece que essa avalanche de novidade, que se manifesta numa agenda neoliberal, constituída de privatizações, de valorização do tecnicismo, dentre outros males, chega para acentuar cada vez mais o escândalo da desigualdade.

O filósofo Manfredo Oliveira em artigo recente recorda que: “O Brasil é um espetáculo de desigualdade e se situa entre os dez países mais desiguais do mundo”. Mas por que esse fosso lamentável permanece em constante estado de desenvolvimento? Ora, devido a uma estrutura que é sustentada pelos que justamente dominam. “Encaminhar trilhões aos cofres do sistema financeiro dos super-ricos por duas décadas (governos recentes) significou impossibilitar investimentos públicos e privados. Daí os efeitos negativos na indústria, na infraestrutura pública, nos serviços urbanos, na saúde, na educação, tendo como efeito a degradação da qualidade de vida das pessoas… A brutal desigualdade de renda continua a ser o traço definidor do Brasil. A equipe econômica atual empenha-se no aprimoramento desta postura”, afirma Manfredo.

Pensar que oito indivíduos possuem mais riqueza do que metade da humanidade não é imaginação, é a realidade apontada pelo relatório “Uma economia para os 99%”, divulgado no início do ano e elaborado pela Oxfam.

Em declaração recente o Papa Francisco propôs uma civilização do mercado na visualização de uma ética. Observando a condição de agora do país, as palavras do Papa são bastante oportunas: “O aumento endêmico e sistêmico das desigualdades e da exploração do Planeta, e o trabalho que não dignifica a pessoa humana são as duas causas específicas que alimentam a exclusão e as periferias existenciais”.

Será que a portaria que há pouco foi atestada pelo Ministério do Trabalho, beneficia os trabalhadores ou facilita a manutenção de trabalho escravo? Isso não valoriza a dignidade do ser humano já tão maltratada pela negligência de oferta de serviços básicos.

Numa sociedade em que impera a primazia do que é eficaz, produtivo, vantajoso, o Papa alerta que “Valores fundamentais como a democracia, a justiça, a liberdade… não podem ser sacrificadas no altar da eficiência”. E ensaia uma crítica ao Estado: “O Estado não pode conceber-se como único e exclusivo detentor do bem comum, não permitindo a corpos intermediários da sociedade civil de expressarem plenamente seu pleno potencial”. Infelizmente, o cenário dessa conjuntura que domina hoje, segue em pleno aperfeiçoamento. O questionamento fundamental que surge é se desse modo se pode ter uma sociedade humana.

 

 

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Por uma sociedade humanizada

Por Felipe Feijão em Artigos

24 de outubro de 2017

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A situação política atualmente vivenciada no Brasil é preocupante. Quando se torna quase que rotineiro, a votação na Câmara pelo prosseguimento ou não de investigação contra o Presidente da República, algo não está muito certo. O mais grave disso é o aparato que esse modelo de governabilidade encontra numa permanência no poder, fato que se constata numa base que serve de alicerce e sustentáculo, raiz esta composta por envolvidos em corrupção.

Reformas, novas propostas, se apresentam como um marco que deve ser deixado. Parece que essa avalanche de novidade, que se manifesta numa agenda neoliberal, constituída de privatizações, de valorização do tecnicismo, dentre outros males, chega para acentuar cada vez mais o escândalo da desigualdade.

O filósofo Manfredo Oliveira em artigo recente recorda que: “O Brasil é um espetáculo de desigualdade e se situa entre os dez países mais desiguais do mundo”. Mas por que esse fosso lamentável permanece em constante estado de desenvolvimento? Ora, devido a uma estrutura que é sustentada pelos que justamente dominam. “Encaminhar trilhões aos cofres do sistema financeiro dos super-ricos por duas décadas (governos recentes) significou impossibilitar investimentos públicos e privados. Daí os efeitos negativos na indústria, na infraestrutura pública, nos serviços urbanos, na saúde, na educação, tendo como efeito a degradação da qualidade de vida das pessoas… A brutal desigualdade de renda continua a ser o traço definidor do Brasil. A equipe econômica atual empenha-se no aprimoramento desta postura”, afirma Manfredo.

Pensar que oito indivíduos possuem mais riqueza do que metade da humanidade não é imaginação, é a realidade apontada pelo relatório “Uma economia para os 99%”, divulgado no início do ano e elaborado pela Oxfam.

Em declaração recente o Papa Francisco propôs uma civilização do mercado na visualização de uma ética. Observando a condição de agora do país, as palavras do Papa são bastante oportunas: “O aumento endêmico e sistêmico das desigualdades e da exploração do Planeta, e o trabalho que não dignifica a pessoa humana são as duas causas específicas que alimentam a exclusão e as periferias existenciais”.

Será que a portaria que há pouco foi atestada pelo Ministério do Trabalho, beneficia os trabalhadores ou facilita a manutenção de trabalho escravo? Isso não valoriza a dignidade do ser humano já tão maltratada pela negligência de oferta de serviços básicos.

Numa sociedade em que impera a primazia do que é eficaz, produtivo, vantajoso, o Papa alerta que “Valores fundamentais como a democracia, a justiça, a liberdade… não podem ser sacrificadas no altar da eficiência”. E ensaia uma crítica ao Estado: “O Estado não pode conceber-se como único e exclusivo detentor do bem comum, não permitindo a corpos intermediários da sociedade civil de expressarem plenamente seu pleno potencial”. Infelizmente, o cenário dessa conjuntura que domina hoje, segue em pleno aperfeiçoamento. O questionamento fundamental que surge é se desse modo se pode ter uma sociedade humana.