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Socializando

por Felipe Feijão

Populismo ameaçador

Por Felipe Feijão em Artigos

20 de janeiro de 2017

 

A Human Rights Watch em seu Relatório Mundial 2017 expõe uma constatação de fundamental importância para a compreensão do momento atual. Trata-se da defesa de que a ascensão de líderes populistas se torna uma ameaça perigosa à proteção de direitos básicos ao tornar favorável a efetivação de medidas lamentáveis ao redor do mundo.

Como exemplo, o Relatório cita a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos após uma campanha polêmica com propostas de intolerância e a crescente influência de partidos políticos que rejeitam os direitos universais na Europa. Além de explicitar a situação de países governados por líderes autoritários como a Rússia e a Turquia que aparentam dar preferência à autoridade à responsabilidade e ao Estado de direito.

A questão do populismo como uma ameaça aos direitos humanos se encontra no fato de estar em evidência uma geração de políticos que busca fazer cair por terra o conceito de proteção aos direitos humanos, lidando com o respeito aos direitos como um empecilho a realização da vontade da maioria da população, como afirma o Diretor Executivo, Kenneth Roth, na introdução: “A ascensão do populismo representa uma profunda ameaça aos direitos humanos”.

E acrescenta: “Trump e vários políticos na Europa buscam chegar ao poder com discursos que apelam ao racismo, à xenofobia, à misoginia, e ao nacionalismo. Todos eles afirmam que as pessoas entendem as violações de direitos humanos como supostamente necessárias para garantir empregos, evitar mudanças culturais, ou prevenir ataques terroristas. Na verdade, o desrespeito pelos direitos humanos oferece o caminho mais provável à tirania”.

Ora, mas quem é o responsável pela ascensão dessa onda populista? Em última instância é o povo, porque uma vez que se simpatiza com o discurso demagogo, os pretensos líderes angariam apoio popular. Parece que a população, por vezes, prefere falsas explicações e soluções que maquiam a cena da realidade.

Numa rápida perscrutação pela história, se vê o que ficou de legado para a humanidade. Os demagogos do passado, os fascistas, os nazistas e seus semelhantes, defendiam a superioridade e diziam possuir uma visão privilegiada em nome da maioria, mas acabaram suplantando as liberdades e os direitos fundamentais.

É preciso, pois, que a população atue na exigência de uma política embasada e fundamentada na verdade e nos valores sobre os quais é constituída uma democracia que referenda e plenifica direitos e que reconheça a necessidade essencial de direitos para todos.

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A verdade em debate

Por Felipe Feijão em Artigos, Filosofia

13 de janeiro de 2017

Este texto intenta expor o tema da perda da verdade na sociedade atual. Para tanto será utilizado o livro “Adeus à verdade” do filósofo italiano contemporâneo Gianni Vattimo. Tal livro aborda uma questão de relevo na atualidade: a possível predominância da verdade no mundo, não somente do ponto de vista filosófico enquanto trata de debates de natureza própria da filosofia, mas, sobretudo estabelecendo diálogos abertos com a política, com a religião e com a experiência comum.

Para Vattimo, o “adeus à verdade” exprime, ainda que de maneira controvérsia, a situação da cultura atual. Ora, se existem interesses e a reprodução desses interesses não necessariamente é falsa, mas percorre a trilha de intenções condicionadas, então há um jogo de interpretações responsáveis pelos mesmos interesses postos na cena, por exemplo, da mídia.

O autor, ao exemplificar a questão da mentira na política, sabe bem estruturar sua argumentação a partir do momento em que alerta para os limites do que está em jogo numa situação capaz de envolver países e até mesmo quando os interesses das partes pode descambar numa guerra. Nas palavras dele: “se digo que não me importa a mentira de Bush e de Blair, desde que seja justificada por um fim bom, ou seja, por um fim que eu partilhe, aceito que a verdade dos fatos seja uma questão de interpretação condicionada pela partilha de um paradigma”, nessa referência o autor trata da Guerra no Iraque.
De fato, numa cultura ocidental pluralista, diversificada e dinâmica, que atravessa, indubitavelmente, sobretudo do ponto de vista brasileiro, uma nebulosa crise no âmbito do que engloba o sistema político representativo e partidário, a questão da verdade na política emerge de forma exponencial e se mostra explícita na expressão demonstrada pela classe da mesma natureza da crise que a atinge.

É preciso, conscientemente perceber antes de tudo, que a possibilidade de sobrevivência de toda uma conjuntura sistemática governamental, segundo Vattimo, a democrática, por exemplo, passa pela salutar e necessária manutenção de um modelo social (adeus à verdade) que a rege e a instaura enquanto paradigma legado pela história e consequentemente atualizado de acordo com as conveniências políticas do momento, uma vez que as estruturas estatais e mundiais estão imersas numa profunda dinamicidade.

O contexto cultural e social, uma vez que se configura e se modela nos parâmetros das exigências hodiernas, precisa, com efeito, ser capaz de responder e reagir eficazmente aos novos debates que se apresentam em seu seio, por vezes, como desafios a serem enfrentados. Para Vattimo, a construção da verdade mediante o consenso e o respeito da sociedade de cada um e das diversas comunidades que convivem é um exemplo de desafio a ser aceito.

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Massacre de Manaus: alerta ao Brasil

Por Felipe Feijão em Artigos

05 de janeiro de 2017

O primeiro dia do ano de 2017 foi marcado por um acontecimento trágico no Brasil noticiado pela imprensa ao mundo todo: massacre no Sistema Penitenciário de Manaus. De acordo com a Nota a sociedade da Pastoral Carcerária da Arquidiocese de Manaus, ao menos 60 detentos morreram no ocorrido.

A referida Nota da Pastoral que há 40 anos acompanha o sistema prisional, afirma que “é dever do Estado cuidar e garantir a integridade física de cada detento, oferecendo as condições para cumprimento das suas respectivas penas”. E ainda que: “o Sistema prisional não recupera o cidadão, pelo contrário oportuniza escola de crime, em vez de oferecer atividades ocupacionais aos internos”.

Por último, “Considera ainda que a raiz do problema carcerário no Estado do Amazonas e no Brasil é falta de políticas públicas. A terceirização também fragiliza o sistema, onde o preso representa apenas valor econômico”.

Segundo dados do Anuário de 2016 do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a população carcerária do País é de 584.361. Desse total, 372.183 são condenados e 212.178 são provisórios. Números altos e preocupantes, porque denotam claramente a lotação dos presídios e consequentemente as condições em que vivem os presos.

De fato, por vezes não há sequer condição digna oferecida pelo Estado desde elementos físicos até atividades que visualizam a reeducação e reinserção social para os que se encontram reclusos. Ora, é óbvio que o braço armado do Estado sem uma intervenção que possibilite a mudança desse quadro de crise no Sistema Penitenciário não só de Manaus, mas do Brasil inteiro, exercerá o papel simplesmente de repressor momentâneo.

Números levantados com fonte dos governos dos estados, e informados pelo portal G1, mostram que em 2016, o total de mortes violentas em presídios foi de 385. O Ceará ocupa o primeiro lugar com 50 mortes, basta lembrar da barbárie que assolou o sistema prisional daqui ano passado.

O que aconteceu agora em Manaus, reflete o que pode acontecer e que não dificilmente acontece em qualquer outra cidade brasileira, uma vez que as condições prisionais são semelhantes. Sem políticas próprias para ofertar uma segunda chance de vida para o preso, não existirá terreno propício para que a liberdade do indivíduo antes sob a custódia do Estado seja efetivamente plena enquanto cidadão como os outros.

O empreendimento que aposta num horizonte de oportunidades para os detentos enfrenta além da situação na qual por natureza se insere, o forte preconceito social para com os que já cumpriram pena.

Para além dos muros dos presídios, a violência não pode ser respondida com violência, mas com não-violência, visando uma cultura da paz.

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Freiras realizam projeto social com crianças carentes de Recife

Por Felipe Feijão em Entrevista

02 de janeiro de 2017

Blog Socializando entrevista Irmã Anatília, fundadora do PROCRIU – Projeto Criança Urgente.

O Blog Socializando entrevistou Irmã Anatília, fundadora de um projeto social que atende crianças carentes em Recife.

Confira a entrevista realizada por Felipe Feijão

BLOG SOCIALIZANDO – Como se iniciou o projeto?

Ir. Anatília – O Centro de Revitalização e Valorização da Vida começou em 1988, tem 28 anos de presença na comunidade carente. Em 2003 conseguimos sede própria. O objetivo do projeto sempre foi um trabalho preventivo, porque a comunidade em que é realizado esse trabalho, comunidade do Bode, perto de Boa Viagem em Recife, é muito vulnerável, eu digo que é o fundo de quintal de um dos melhores bairros de Recife.

BLOG SOCIALIZANDO – Qual o objetivo do trabalho?

Ir. Anatília – O objetivo é um trabalho preventivo de ocupar as crianças e dar oportunidade a elas para que não entrem na droga porque devido a droga existem problemas muito sérios na comunidade. As crianças entram as 8h da manhã, tomam café, almoçam, realizam atividades de oficina de leitura, informática, futebol e procuramos oferecer sempre um atrativo para elas.

BLOG SOCIALIZANDO – O projeto funciona como um internato?

Ir. Anatília – Não. Passam a manhã conosco e de tarde vão para a escola. Uma das condições de participar do projeto é estarem na escola. Então, passam o dia todo ocupadas. Esse é um trabalho que o governo devia fazer: escola de tempo integral  de qualidade, principalmente nas áreas de risco. Infelizmente isso ainda não existe. É lamentável que as crianças ainda estejam numa situação de muita vulnerabilidade, por isso é que a violência aumenta cada vez mais, sobretudo nos bairros mais carentes, por exemplo o nosso bairro do Pina que tem um índice enorme de violência, abuso sexual.

BLOG SOCIALIZANDO – Há ajuda do governo?

Ir. Anatília – Não. Tivemos antigamente através da prefeitura e não valeria a pena continuar devido a ajuda ser baixa e insuficiente para o básico. Então desistimos. Ultimamente não há ajuda por parte de governo. Vivemos praticamente de doações e é isso que sustenta a instituição. Atendíamos 75 crianças, passamos a atender 50, mas temos espaço para 100 crianças tranquilamente, é uma área grande. No entanto, atendemos 50 porque vivemos de doações e de um bazar de roupas e objetos usados. Lamentavelmente, sentimos a ausência do governo num trabalho sério e importante. Nós dizemos o seguinte: as ONGs são parteiras da vida nas áreas mais desassistidas. Nossa ajuda não é certa. Quem nos ajuda são de doações e de amigos que conhecem o projeto e nos ajudam.

BLOG SOCIALIZANDO – O retorno do trabalho realizado é satisfatório?

Ir. Anatília – Sim. O retorno é tão grande que nos sentimos motivadas a continuar o projeto. Várias crianças que hoje são profissionais. E isso nos faz continuar a lutar. As famílias não nos ajudam porque são vulneráveis. Temos certeza que 80% das nossas crianças não entram na marginalidade. Sempre encontramos pelo bairro pessoas felizes, já com família constituída que nos agradecem. Isso serve de estímulo para continuar cada vez mais. Nunca faltou comida, porque a própria comunidade nos dá apoio com verduras e frutas. Temos poucos voluntários. Quando recebemos voluntários é muito bom, porque servem de apoio aos educadores que já trabalham no projeto.

BLOG SOCIALIZANDO – A presença do projeto na comunidade é reconhecida?

Ir. Anatília – Muito. Somos respeitadas. Nós não atacamos as coisas ruins que existem na comunidade. Simplesmente fazemos aumentar nossa dedicação e nosso amor e isso gera o reconhecimento. Muitas das crianças não possuem família estruturada, mas mesmo assim há muito respeito.

BLOG SOCIALIZANDO – Qual mensagem a senhora deixa para a sociedade em geral?

Ir. Anatília – A mensagem que eu deixo para a sociedade é que sejam mais sensíveis. Muita gente tem condições de ajudar os trabalhos que são realizados na periferia com dificuldade e muitas vezes só elogiam, acham bonito, mas quando é para colocar a mão no bolso, partilhar e participar é mais difícil. Eu digo o seguinte: é preciso darmos as mãos, porque quando caminhamos e sonhamos juntos é muito mais fácil a realização. O projeto existe porque existem pessoas sensíveis que nos ajudam. É preciso fazermos algo de concreto. As vezes guardamos coisas que não precisamos em casa, então porque não procurar uma ONG séria para ajudar? Não só os que precisam do trabalho serão beneficiados, mas a própria comunidade. Unidos é mais fácil de a gente vencer. Para todos que admiram o social: não fiquem só no elogio ou só culpando o governo. Eu me sinto a mulher mais feliz do mundo por doar minha vida com alegria para as crianças.

Irmã Anatília e Irmã Zena mantém e desenvolvem o trabalho social.

Sobre o Projeto:

C.R.V.V – Centro de Revitalização e Valorização da Vida

PROCRIU – Projeto Criança Urgente

Missão – Contribuir para a redução da exclusão social da criança e do adolescente em situação de risco e fortalecer a família de extrema pobreza da comunidade do Pina – Recife – PE – Brasil.

Contato: (081) 3327 – 3136

crvvida@gmail.com

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A paz social, fruto da justiça

Por Felipe Feijão em Artigos

01 de janeiro de 2017

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O primeiro dia de um novo ano é considerado um dia de reflexão sobre a paz no mundo. Na atual situação de guerras na Síria e conflitos no Iraque em decorrência do pesadelo do terrorismo e consequentemente da situação da crise dos refugiados, vítimas atingidas que buscam vida melhor noutros países, e por vezes sofrem as consequências do deslocamento para tal empreitada, pensar a paz se torna uma tarefa urgente e necessária.

A Mensagem do Papa Francisco para o 50º Dia Mundial da Paz (1º de janeiro de 2017), propõe a não-violência como uma política para a paz e é, indubitavelmente, uma resposta ao mundo de crises e de guerras. Diante de tantas realidades gritantes de violência que assolam profundamente a estrutura social, o Papa fala da existência de uma guerra nos dias de hoje aos pedaços, isto é, uma guerra não decretada em maiores âmbitos, mas guerras que atingem países, e conflitos e situações que castigam povos.

Mas no que está alicerçada a tão almejada paz? O filósofo Manfredo Oliveira em “A paz social” afirma que “O fundamento normativo deste mundo de paz é a dignidade de toda realidade e de modo supremo a dignidade do ser humano enquanto ser pessoal, inteligente e livre e enquanto tal portador de direitos inalienáveis decorrentes como exigências da constituição do seu ser”.

Isso significa que o pressuposto fundamental da paz é representado pela constituição do próprio homem enquanto ser humano. Para tanto, a necessidade de reconhecimento desta significação denota exatamente a condição da pessoa humana que aparentemente parece não ser observada pelos “senhores da guerra”, ou seja, pelos que promovem a guerra, para falar como o Papa Francisco em sua Mensagem.

João XXIII em sua encíclica “Pacem in terris” de 1963 já acenava para a necessidade do prevalecimento da paz ao declarar que a guerra não é justificável em nenhuma hipótese por acarretar sempre desgraças, depravações e perturbações para a humanidade.

É preciso, pois, que a dignidade humana seja efetivada mediante o fim de ações que aos poucos se tornam cada vez mais naturais como a coerção material, a insegurança e a dependência econômica. A progressiva normalidade das desigualdades econômicas, sociais, culturais, das diferentes formas de violências e até mesmo das guerras, não dialoga com as condições de possibilidade do horizonte de visualização de direitos para todos e de relações sociais salutares.

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Natal na praça da cidade em 2016

Por Felipe Feijão em Artigos

28 de dezembro de 2016

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O programa Fantástico da Rede Globo exibiu domingo, dia 25/12/2016, no quadro “Vai fazer o quê?” um teste social em forma de reconstituição da situação do nascimento de Jesus. Trata-se da interpretação da cena do nascimento de Jesus à luz do contexto hodierno da grande cidade. O casal visivelmente simples e recém-chegado a cidade grande, utiliza uma praça como meio de chamar a atenção dos transeuntes para o acontecimento. A mulher grávida, prestes a ter o filho, deitada ao chão e o homem em pé numa atitude de espera de alguém que passe e ajude.

A dinâmica da grande cidade expressa bem o resultado do teste. A praça se configura como cenário propício para que o teste seja percebido. O sociólogo contemporâneo Z. Bauman no livro Confiança e medo na cidade conceitua um espaço público como: “Um espaço é público à medida que permite o acesso de homens e mulheres sem que precisem ser previamente selecionados”. Certamente, o local ali demonstrado foi cogitado em termos de permanência certa do casal, uma vez que não tinham outro lugar para ficar, ou seja, o local público acolhe a todos sem distinção nem seleção.

Os transeuntes que rapidamente passavam e se deparavam com aquela cena, tinham reações diferentes: pessoas indiferentes, pessoas que olhavam e passavam e pessoas que paravam atenciosamente, se sensibilizavam e consequentemente ofereciam ajuda ao pai pedinte. A praça enquanto espaço público, segundo Bauman se estabelece como local favorável para a relação da vida social entendida no sentido da cidade: “É nos locais públicos que a vida urbana e tudo aquilo que a distingue das outras formas de convivência humana atingem sua mais completa expressão, com alegrias, dores, esperanças e pressentimentos que lhe são característicos”.

No momento em que acontece a sensibilização das pessoas que param e se deparam com a condição do casal em apuros, aquela praça (local público) na visão de Bauman consegue se distinguir dos demais espaços públicos, pois há a superação das diferenças e do estranhamento recíproco.

Obviamente, quando os comovidos saíam em busca de ajuda ou estavam prestes a, de fato, ajudar concretamente, a reportagem entrava em cena e esclarecia o ocorrido. A reação sincera dos que decidiram ajudar denota uma generosidade e solidariedade aparentemente escassas no contexto urbano atual. Por isso, a satisfação tanto dos atores da encenação quanto das pessoas disponíveis a realização da pretensa boa ação e da reportagem, chama a atenção do público. A existência do desejo de ajuda aqui mencionado na situação acima descrita expõe que ainda é possível haver a superação do novo modelo que se forma de sociedade enquanto indiferente. A partir daí, muitas outras possibilidades de superação podem acontecer mediante percepção e reconhecimento social.

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Pelo estabelecimento da Paz

Por Felipe Feijão em Artigos

25 de dezembro de 2016

Tradicionalmente o Papa Francisco, por ocasião do Natal concede ao mundo inteiro sua Mensagem. Neste ano, diante das tristes realidades de guerra e de terrorismo que assolam profundamente países e regiões, o discurso do Papa explicita tal situação gritante e ao recordar o sentido natalino, incentiva o estabelecimento da Paz.

Para a sofrida e devastada Síria: “Paz aos homens e mulheres na martirizada Síria, onde já demasiado sangue foi versado. Sobretudo na cidade de Aleppo, cenário nas últimas semanas de uma das batalhas mais atrozes, é tão urgente assegurar assistência e conforto à população civil exausta, respeitando o direito humanitário. É tempo que as armas se calem definitivamente, e a comunidade internacional se empenhe ativamente para se alcançar uma solução negociada e restabelecer a convivência civil no país”, pede o Papa.

O filósofo Manfredo Oliveira no artigo A paz social, nos diz que: “O fundamento normativo deste mundo de paz é a dignidade de toda realidade e de modo supremo a dignidade do ser humano enquanto ser pessoal, inteligente e livre e enquanto tal portador de direitos inalienáveis decorrentes como exigências da constituição do seu ser”. Ora, então a paz é necessária e precisa ser efetivada.

Sobre o terrorismo: “Paz aos homens e mulheres em várias regiões da África, particularmente na Nigéria, onde o terrorismo fundamentalista usa mesmo as crianças para perpetrar horror e morte. Paz no Sudão do Sul e na República Democrática do Congo, para que sejam sanadas as divisões e todas as pessoas de boa vontade se esforcem por embocar um caminho de desenvolvimento e partilha, preferindo a cultura do diálogo à lógica do conflito”, diz o Papa.

Para as vítimas do terrorismo, para os injustiçados, para os migrantes e aos refugiados: “Paz para quem perdeu uma pessoa querida por causa de brutais atos de terrorismo, que semearam pavor e morte no coração de muitos países e cidades. Paz – não em palavras, mas real e concreta – aos nossos irmãos e irmãs abandonados e excluídos, àqueles que padecem a fome e a quantos são vítimas de violência. Paz aos deslocados, aos migrantes e aos refugiados, a todos aqueles hoje são objeto do tráfico de pessoas. Paz aos povos que sofrem por causa das ambições econômicos de poucos e da avidez insaciável do deus-dinheiro que leva à escravidão. Paz a quem suporta dificuldades sociais e econômicas e a quem padece as consequências dos terremotos ou de outras catástrofes naturais”, deseja o Papa.

É perceptível então, que a humanidade possui grandes e desafiantes demandas que aguardam o olhar atento dos governantes. Desse modo, perante as constatações acima descritas, Manfredo Oliveira considera que: “Uma sociedade que deixa seres humanos morrer de fome e vegetando na mais profunda miséria é uma sociedade literalmente desumana. Não há dignidade humana sem o fim da coerção material, da insegurança e da dependência econômica”.

Aos homens e mulheres em geral: “Paz na terra a todas as pessoas de boa vontade, que trabalham diariamente, com discrição e paciência, em família e na sociedade para construir um mundo mais humano e mais justo, sustentadas pela convicção de que só há possibilidade de um futuro mais próspero para todos com a paz”, deseja o Papa.

Todos os condicionamentos expostos pelo discurso do Papa denotam a necessidade do estabelecimento da Paz num mundo de guerra, de violências e de injustiças. Tratar a realidade como está aí, não como algo pura e simplesmente dado desprovido de necessidade de mudança, mas como circunstâncias sedentas de transformação social, com proposta do diálogo e de abertura ao outro, é a expressão mais significativa da Mensagem que essencialmente se mostra atenta, preocupada e inconformada com mundo atual.

As marcas que agora perpassam as estruturas sociais do mundo atingido por tais realidades, possuem, de fato, uma raiz basilar profunda, estruturada em termos da expressão política dominante. A Paz social, portanto, pressupõe a questão da dignidade humana e do reconhecimento de direitos, mas, sobretudo, aguarda ainda que o ponto mais fundo do problema possa ser alcançado.

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Proposições natalinas

Por Felipe Feijão em Artigos

21 de dezembro de 2016

1. O Natal é uma festa cristã.

2. O sentido do Natal é celebrar e recordar a vinda de Jesus ao mundo.

3. Jesus encarnado na natureza humana que se manifesta aos homens.

4. Para os que professam a fé e para os que não a professam esse acontecimento, possui profundos significados.

5. A sociedade contemporânea ao deslocar o eixo do sentido do Natal para si mesma, se encontra imersa num vazio.

6. O sentido do Natal parece estar suplantado pela avalanche do comércio, dos pisca-piscas, dos presentes.

7. Os enfeites, o clima luminoso que toma conta dos ambientes, o Papai Noel e as atratividades comerciais não representam o Natal.

8. O sentido do Natal é essencialmente religioso.

9. O que é essencial é necessário.

10. Se a representatividade perde seu principal sentido e elementos superficiais passam significar o sentido essencial e necessário, há uma troca de valores.

11. O que é superficial está na superfície elementar que compõe o sentido.

12. O que é essencial está na profundidade da imprescindibilidade componente do sentido.

13. O reflexo da troca de valores explícita é expresso pela sociedade do consumo, do descarte, da liquidez e da selvageria.

14. Os elementos citados acima no ponto 7, são denominados elementos. Fazem parte e são importantes, mas o cerne da comemoração não pode ser a troca de presentes, o Papai Noel ou os enfeites natalinos.

15. O tempo natalino é propício para examinar a consciência e para uma reflexão de vida, uma vez sendo observado o sentido do Natal. O clima e o encanto se tornam favoráveis.

16. Acolher o Natal também é saber repartir o pão da ceia, reconhecer e se incomodar com as injustiças que marcam a sociedade.

17. Para além de felicitações superficiais, o desejo de um “feliz natal”, precisa ser sincero e não pode se tornar banal, visto que é um voto simbolizado por um sentido profundo.

18. As superficialidades natalinas momentâneas acima descritas passam junto com o final do ano.

19. O sentido profundo do Natal permanece.

20. Um feliz natal, vivenciado na sua essência e profundidade!

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Meditações noturnas

Por Felipe Feijão em Crônica

19 de dezembro de 2016

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Calmaria e silêncio. Solidão noturna. No início da noite um ânimo. Nada de sono. De um lado para outro na cama, numa tentativa frustrada de adormecer. Parece que essa movimentação faz com que os pensamentos fluam mais do que durante o dia. Através dos pensamentos parece que o corpo está tão somente presente na cama, mas o poder fantástico da imaginação conduz o meio pelo qual se viaja a uma aventura quase delirante.

É inevitável uma recordação ainda que breve do dia que chega ao seu término. Desde o amanhecer até o presente momento prestes a retornar ao ponto de partida da então reflexão. Lembranças outras da infância, de familiares que já se foram, de acontecimentos marcantes da vida, de decepções e de frustrações recentes, de arrependimentos dentre uma imensidão de reflexões, emergem como numa enxurrada avassaladora e tomam conta da noite. Os planos e projetos futuros com suas incertezas e possibilidades num momento otimista também fazem parte do turbilhão de pensamentos. E nada de sono.

Até que não mais se percebe nitidamente nada ou pelo menos no senso do estar em alerta. É a chegada do sono. Com ele os intrigantes sonhos registram na memória apenas algumas de suas manifestações sombrias e enigmáticas.

No meio da noite um despertar. Se o sonho gerou perturbação, se tornando um pesadelo, o despertar, para quem prefere ser sonhador, é um alívio. Se não há sequer recordação de sonhos, então o despertar é estranho: tudo pode voltar ao começo da noite e a dificuldade para dormir invade novamente a cena noturna. Ou não: o acordar pode ser breve ao ponto de durar somente o instante de olhar a hora no celular e voltar ao estado de sono.

Geralmente nesse estágio, as horas da noite criança já estão avançadas. Se houve sucesso no sono, então o possível descanso restaurador e salutar agraciou a temida noite.

No fim da noite, o raiar do dia. E com o amanhecer, o despertar definitivo. Ou se é possível ocorre novamente a tentativa impulsionadora do início da noite, tentativa de sono. Ademais, a referência ao meio da noite pode valer também aqui.

A noite assim vivenciada parece não ser tão criança. A tentativa empenhada de dormir às vezes não dialoga com tantas lembranças ou com constatações do momento presente num ritmo frenético. Até que de repente o despertar é antecedido pela dormida. Tudo pronto para novamente uma noite de sono.

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Contemplando o mundo da janela de minha casa

Por Felipe Feijão em Eventos

19 de dezembro de 2016

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Poesia livre, expressão de sentimentos e geração de reflexões a partir da “janela de casa”, tudo isso está reunido e pode ser encontrado no livro Contemplando o mundo da janela de minha casa, escrito por Antonio Augusto Menezes do Vale, que será lançado dia 20 de dezembro, em Fortaleza.

Como pensador, o autor intenta expor na obra, reflexões poéticas embasadas numa linguagem livre. Contemplando o mundo da janela de minha casa, uma obra com embasamento reflexivo que convida o leitor a uma fantástica aventura.

O lançamento acontecerá dia 20/12 às 19h na sede do Instituto I.A.I.S. Av. Monsenhor Tabosa, 111.

Sobre o autor:

Augusto do Vale é mestre em Filosofia pela Università Gregoriana di Roma, obtendo reconhecimento de título pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e professor na Faculdade Católica de Fortaleza.

 

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Populismo ameaçador

Por Felipe Feijão em Artigos

20 de janeiro de 2017

 

A Human Rights Watch em seu Relatório Mundial 2017 expõe uma constatação de fundamental importância para a compreensão do momento atual. Trata-se da defesa de que a ascensão de líderes populistas se torna uma ameaça perigosa à proteção de direitos básicos ao tornar favorável a efetivação de medidas lamentáveis ao redor do mundo.

Como exemplo, o Relatório cita a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos após uma campanha polêmica com propostas de intolerância e a crescente influência de partidos políticos que rejeitam os direitos universais na Europa. Além de explicitar a situação de países governados por líderes autoritários como a Rússia e a Turquia que aparentam dar preferência à autoridade à responsabilidade e ao Estado de direito.

A questão do populismo como uma ameaça aos direitos humanos se encontra no fato de estar em evidência uma geração de políticos que busca fazer cair por terra o conceito de proteção aos direitos humanos, lidando com o respeito aos direitos como um empecilho a realização da vontade da maioria da população, como afirma o Diretor Executivo, Kenneth Roth, na introdução: “A ascensão do populismo representa uma profunda ameaça aos direitos humanos”.

E acrescenta: “Trump e vários políticos na Europa buscam chegar ao poder com discursos que apelam ao racismo, à xenofobia, à misoginia, e ao nacionalismo. Todos eles afirmam que as pessoas entendem as violações de direitos humanos como supostamente necessárias para garantir empregos, evitar mudanças culturais, ou prevenir ataques terroristas. Na verdade, o desrespeito pelos direitos humanos oferece o caminho mais provável à tirania”.

Ora, mas quem é o responsável pela ascensão dessa onda populista? Em última instância é o povo, porque uma vez que se simpatiza com o discurso demagogo, os pretensos líderes angariam apoio popular. Parece que a população, por vezes, prefere falsas explicações e soluções que maquiam a cena da realidade.

Numa rápida perscrutação pela história, se vê o que ficou de legado para a humanidade. Os demagogos do passado, os fascistas, os nazistas e seus semelhantes, defendiam a superioridade e diziam possuir uma visão privilegiada em nome da maioria, mas acabaram suplantando as liberdades e os direitos fundamentais.

É preciso, pois, que a população atue na exigência de uma política embasada e fundamentada na verdade e nos valores sobre os quais é constituída uma democracia que referenda e plenifica direitos e que reconheça a necessidade essencial de direitos para todos.