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Socializando

por Felipe Feijão

Espera vigilante 

Por Felipe Feijão em Artigos

09 de novembro de 2018

   

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  A corrida eleitoral chegou ao fim. O pleito deste ano, bastante característico, conduz a algumas considerações. O clima tenso que se instalou de forma virtual e física, chamou a atenção. Os dois maiores grupos de adeptos protagonizaram situações trágicas. Mortes, brigas de amigos e de familiares, foram consequências desse turbulento processo. A palavra polarização, bastante usada, serviu para definir os dois principais polos opostos que conflituaram.  
A internet, fundamental instrumento, marcou profundamente o momento eleitoral. Legiões de seguidores, se levantaram contra outras legiões e trocaram discussões, por vezes, não as melhores possíveis. O salutar confronto, a necessária discordância, os distintos pontos de vista, as diversas concepções, figuraram como que proibidos. Daí o surgimento e desenvolvimento de aglomerações inteiras de pensamento quase único.   
Temas ditos polêmicos estiveram presentes no debate. Assuntos que tratam em linhas gerais de moral e de vida particular, pareceram sobrepor o diálogo de propostas acerca da vida pública, do interesse comum.  E o pior, os temas serviram de provocação, trazidos à tona com certa banalização, uma vez que não foram encarados numa troca de ideias séria que visa o bem da organização da vida coletiva. Falar vulgarmente de algo polêmico simplesmente por atrair do grande público a atenção e inflamar discordantes, foi o que muito aconteceu. Talvez, um saldo bom do processo, seria um saudável enfrentamento dessas questões que dividem opiniões. 
A referida polarização não se esgotou. Pelo contrário, ela tende a se perpetuar, pois os dois grandes grupos permanecem na posição de sempre, quase num estado de alerta, esperando hora oportuna para entrar em cena.  
 O que se espera é que essa atmosfera de ódio e de violência possa diminuir mediante a manutenção da tolerância e de tempos vindouros que se comprometam com as garantias fundamentais da pessoa humana.  

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Como ganhar uma eleição?

Por Felipe Feijão em Artigos

09 de novembro de 2018

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“Onde quer que você ande, haverá de encontrar arrogância, teimosia, malevolência e ódio. Não se deixe desencorajar pela conversa de corrupção. Mesmo nas eleições mais corruptas há muitos eleitores que apoiam os candidatos em quem eles acreditam, sem receber em troca nenhum pagamento”. Eis uma exemplar afirmação que constitui o manual de conselhos práticos escrito em 64 a.C, por Quintus Tullius na Roma Antiga.

As considerações contidas no manual, versam sobre como ganhar uma eleição. No geral são dicas bastante diretas. O interessante é que permanecem atuais e tudo indica que são colocadas em prática (inconscientemente) ainda hoje pelos que tentam se eleger. A citação acima, por exemplo, pode ser interpretada atualmente relacionada com a questão das redes sociais. Muitos são os vídeos, os memes, as fake news, que se espalham freneticamente nas redes em tempos de campanha. Isso significa dizer que existe uma militância virtual, que ergue bandeira de pautas, de projetos, de nomes, de forma gratuita, sem receber nada em troca. E o papel relevante disso nessa campanha tem se mostrado decisivo. Talvez o que os entusiasmados debatedores virtuais recebam como recompensa é o orgulho de ver seus longos comentários registrados em postagens diversas, extensas discussões polêmicas, inúmeras curtidas de simpatizantes, enfim, a lista de retribuição pode ser longa demais para constar aqui.

Faltando menos de uma semana para a votação do segundo turno, o cenário parece já decidido. Uma brusca mudança não se cogita. E a possibilidade de virada do jogo parece não se viabilizar.

O fundamental nesse processo deveria ser a discussão de projetos que se colocam à disposição para a escolha. O ânimo aflorado, o desfazimento de relações fraternais ou familiares, as brigas online, são fatores que fazem parte do momento, mas não fundamentam um debate racional e justificativo que leve em conta a gravidade da opção que se coloca à frente de todos. O futuro próximo reserva a efetivação de projetos distintos de país. Mas num barco todos os passageiros sofrem com a tempestade e aproveitam a bonança, quer tenham escolhido o comandante quer não.

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Antes que seja tarde

Por Felipe Feijão em Artigos

16 de outubro de 2018

 

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O país se encontra dividido. De um lado, os adeptos de um discurso conservador, moralista, rígido; de outro, os favoráveis ao diálogo, ao debate, a um projeto amplo e democrático.

Difícil é dizer com exatidão quais as causas que levaram o eleitorado brasileiro conduzir o conservadorismo a vitória. Com efeito, os enormes problemas que o povo diariamente precisa enfrentar para sobreviver, servem de aparato para um discurso rigoroso que simplifica a complexidade social e propõe soluções imediatas e rápidas para questões estruturais. O que tudo indica é que boa parte dos votantes se identifica com as pautas pregadas pelo rigor.

Há, sem dúvida, considerável desgaste na força oponente. No entanto, o momento atual parece propício para visualizar nomes além de partidos, além do passado, pois o que está em jogo não diz respeito a partido, mas se refere a uma questão humanitária. Vários casos noticiados nesses dias expressam bem a intolerância para com quem pensa diferente, daí porque é preciso alargar as vistas e conceber o que está em jogo nesse momento. O fantasma ideológico pregado pelos adversários como ameaçador e a possível transformação do Brasil em Venezuela, parecem afirmações fora do tempo e do espaço. Em mais de uma década no poder não viramos nenhuma Venezuela. Cada povo, cada nação, constrói seu caminho, com as particularidades e adversidades marcadas pelos desafios temporais. Quanto a referida ideologia, há muito está sepultada.

A utilização da figura de Deus como bandeira chama a atenção. Pois não foi o próprio Jesus quem acolheu os leprosos, samaritanos, pagãos, excluídos de seu tempo? Hoje muitos continuam colocados à margem da sociedade por um sistema perverso e selvagem que mata. A bandeira com Deus estampado parece não compactuar com o ódio, com o desamor, com a intolerância, pois ele é essencialmente misericórdia como não cansa de lembrar o Papa Francisco.

Felizmente, ainda há tempo. Os desejosos de esperança podem enfrentar a onda obscura e optar pela democracia. Temos nas mãos o poder de construir um Brasil pacífico, justo e humano.

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A onda avassaladora

Por Felipe Feijão em Artigos

09 de outubro de 2018

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O ano de 2018 certamente será lembrado como o ano de eleições singulares. Após décadas de polarização entre dois maiores partidos, a novidade do momento é o crescimento de um partido até então pequeno e sem força representativa. Pleito marcado por enormes surpresas, por anúncio de renovação do Congresso e pela força política que agora emerge, os próximos quatro anos reservam dúvidas e incertezas para o país que se encontra profundamente dividido.

Grandes nomes de ampla experiência, não renovarão mandato para a Câmara ou para o Senado, o que pode representar certa resposta da sociedade e oportunidade para novos nomes na vida pública. Diante do gigantesco desgaste do sistema político-partidário, o eleitorado manda uma importante mensagem: tem nas mãos o poder de mudar, ainda que a longo prazo, o velho engodo que parece se perpetuar no poder.

O novo fenômeno dessas eleições, representado pela direita, se mostrou bastante forte e combativo. Tanto é que o discurso de apoio, fortaleceu nomes desconhecidos e outros já bem conhecidos. Essa poderosa onda se apresenta como reflexo de como passa a votar generosa parcela do eleitorado brasileiro, ou seja, expressa identificação com pautas conservadoras em termos econômicos e morais.

O segundo turno, fruto da força conservadora e do anti-petismo, denota angústia e infinitas incógnitas. Por um lado, a sociedade se manifestou, se aflorou, se alinhando a posicionamentos polêmicos e a um discurso bastante rígido. Por outro lado, o anti-petismo (consequência do movimento de 2013, de escândalos de corrupção, da Lava Jato, do impeachment), se dispersou em outros candidatos, com o fortalecimento do preferido, já que o desgaste assombra a todos os partidos, mas sustenta a robustez da eminente força favorita que se diz nova.

Vale lembrar que a população deseja ver o debate de ideias, de argumentos, de propostas para o país, não com soluções simplistas, mas com projetos que contemplem a complexidade social. O testemunho daquilo que já foi feito por cada uma das forças representadas, se torna válido e necessário. Está lançado o desafio de conquista de votos para ambos os concorrentes ao Palácio do Planalto.

 

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Angústia política

Por Felipe Feijão em Artigos

02 de outubro de 2018

Faltando poucos dias para as eleições, a situação de polarização do país, cada vez mais se acentua, revelando assim duas grandes parcelas que se destacam e expressam justamente a divisão.
Os dois polos, simbolizam, claramente, duas posturas distintas, dois caminhos diversos que remontam a inúmeras possibilidades, hipóteses que podem ser incertas e especulações que podem representar, de fato, projetos que uma vez tendo sustentação no poder, se viabilizará deles a desejada efetivação.
O fato é que diante do eminente caos ameaçador que se gestou nos últimos tempos, um discurso alinhado a um certo salvamento da pátria, serve de convencimento de grande parte do eleitorado desacreditada e cansada de tanto desgaste na política.
Isso não significa que a outra parte dos eleitores que não adere a tal vertente de discurso, deseja ver a perpetuação de enormes problemas estruturais que são  incansavelmente debatidos em época campanha e depois esquecidos.
Sem dúvida, perante o crescimento de duas gigantes posturas discordantes que reclamam possuir razão e verdade, difícil é que a atmosfera dos debates, das rodas de amigos, seja permeada pelo equilíbrio, pelo meio termo e pela sensatez.
Resta saber se o projeto vencedor, será capaz de trazer esperança de dias melhores para o povo sofrido que padece vítima do velho engodo de busca pelo poder impregnado na política. E se estará plenamente em harmonia com a construção de uma democracia que cada vez mais se torne sólida e bem acabada.

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Poder de quem?

Por Felipe Feijão em Artigos

16 de setembro de 2018

Aproximam-se as eleições. O período de campanha já vigora. Debates e entrevistas acontecem na mídia. Certo entusiasmo popular se volta para o fato de que o povo tem nas mãos o poder de escolha de novos representantes. O conhecido discurso que referenda a população como a poderosa que elegerá os seus mandatários ressurge.

Ora, mas se assim realmente fosse, não haveria motivo para tamanha insatisfação que atualmente impera. Como objeção a isso, emerge a esperança de que agora é o momento mais oportuno de renovar os cargos políticos, uma vez que os acontecimentos dos últimos anos (impeachment, gritantes escândalos de corrupção) deixaram aprendizados.

O que é óbvio é que se chegou a um ponto em que a possibilidade de mudança se torna algo muito difícil. Mudar o cenário político atual é coisa que acontecerá a longo prazo. E o papel de quem possui, com efeito, esse poder, ainda parece ser um papel de espectador, de mero observador, que entra em cena nas eleições.

A conjuntura mesma aponta para isso. O velho embate entre os que possuem mais poder e acordos permanece com a força. No entanto, a indignação com o engodo que aí está e a esperança da construção de um novo horizonte tem lugar no clamor que ecoa através de vozes  que tentam abafar e que representam nova perspectiva.

Resta saber se o tão aclamado privilégio do voto, positiva verdadeiramente o povo como cidadão detentor do poder e comprometido com o futuro de um novo e possível país. Ou se a condição em que se encontra a conjuntura vigente favorece uns e desfavorece outros.

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Fenômeno político

Por Felipe Feijão em Artigos

10 de julho de 2018

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Faltando menos de 90 dias para as eleições deste ano, nomes de candidatos favoritos já despontam, pesquisas revelam porcentagem de intenções de voto, entrevistas já ocorrem na mídia. Candidatos se destacam, nomes conhecidos são testados publicamente e nomes não tão conhecidos são apresentados.

 É perceptível o crescimento de uma linha política obscura. Entretanto, talvez a causa da manutenção de tal crescimento possa residir no atual cenário nacional. O País vive imerso em problemas gritantes das mais distintas ordens e não se vê empenho mínimo de resolução. Por sua vez, o projeto governamental que vigora permanece atento a interesses próprios, alheio à realidade do povo.

Desse modo, são observados diferentes discursos. O velho engodo que prega sempre as mesmas pautas, pode estar disfarçado em criativa maneira de convencer o eleitorado de que seu anúncio é a salvação. Além disso, uma certa esquizofrenia parece marcar presença na esperteza da proclamação de uma esperança que tem o testemunho ligado a modelos gastos. Ora, diante da negligência em efetivar o que deveria ser prioritariamente garantido para a população em termos de serviços básicos, o momento é propício para o surgimento de discursos salvadores da pátria que possuem o poder de tudo resolver, de passar o Brasil a limpo. Daí porque o esforço, a tentativa de enxergar o deslanche da referida postura  como sendo uma possível resposta ao eminente caos.

 Indubitavelmente, generoso público de  espectadores se identifica com este discurso e se convence de que nele está a solução para tudo, como num passe de mágica, da noite para o dia, um novo reino, pacífico e ordeiro pode ser instituído. É chegada a hora por excelência dos redentores que em muitos casos tendo nas mãos oportunidade de fazer algo, preferem acumular anos e anos de carreira de mera observação silenciosa e passiva.

Dessa forma, parece que  a base do posicionamento da expressiva linha está enraizada em radicalismos e fundamentalismos que não irão favorecer uma mudança de cenário, mas pelo contrário podem  agravar o sofrimento, sobretudo dos mais vulneráveis que já padecem nas mãos da atual estrutura, uma vez que não se debate a minoração da desordem desde sua origem. O desgaste do braço armado que diariamente se manifesta como um peso, é prova viva de que um diálogo solucionador passa longe de pronunciamentos acalorados e combativos.

 Se num primeiro momento a citada vertente se mostra como obscura, ulteriormente ela se revela como clara, possuidora de uma força que felizmente ainda é desconhecida, mas que aos poucos demonstra potência.  A conjuntura segue determinada por inúmeros grupos negociadores, nomes que não representam expectativa de mudança e eleitorado descrente.

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Futebol alienante

Por Felipe Feijão em Artigos

02 de julho de 2018

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Diante de um evento da magnitude da copa do mundo de futebol, surgem inúmeros comentários e manifestos contrários à realização do torneio esportivo internacional. Porém, meio mundo acompanha fielmente, religiosamente, cada passo dos jogadores, cada lance em campo. Vamos dividir nossa reflexão na exposição dessas duas distintas posturas que são nitidamente observadas nesse momento, ou seja, a favorável e a contra. 

  A multidão que adere a copa do mundo conta com milhões de adeptos. As cidades e o País como que param na hora dos jogos da seleção, para assistir, para torcer num envolvente entusiasmo. Nesse caso são formadas reuniões imensas de torcedores, em casa ou em espaços públicos. É um momento de celebração, de confraternização, e se o time favorito ganhar, aí a comemoração vai longe. Aqui parece para dizer como Marx que não mais, ou não apenas, a religião é o ópio do povo, mas o futebol faz as vezes desse ópio.

Isso significa dizer que muitos encontram no futebol amparo de opressões e sofrimentos. O momento do jogo, pelo menos, é o momento por excelência de esquecer tudo o mais, de esquecer do mundo, e se alegrar ou se entristecer dependendo do resultado.

Já os críticos da copa, perante tanta alegria proveniente dos entusiasmados e esperançosos torcedores, parecem uma turma de chatos. Aqui as questões fundamentais são: com o Brasil à beira de um caos das mais diversas ordens, quem liga para a copa, para o futebol? Com tantos problemas estruturais, com tanta morte de inocentes nas periferias, nas comunidades, como dar atenção a isso?

Pesquisa recente do Datafolha, mostrou que 53% dos brasileiros não estavam interessados no mundial de futebol. Isso aponta para a ideia de que a turma dos chatos não é tão reduzida e de que expressiva porcentagem da população sofre de um desencanto pela seleção pentacampeã.

 Esses dois posicionamentos possuem algo em comum. Os dois partem da questão do futebol. Um é a favor, o outro contra. Mas se por um lado, o favorável recebe tudo de coração aberto, o contrário recorda atentamente que a vida continua após as partidas, após o campeonato. De maneira que a existência de indivíduos que conjuguem num único comportamento os dois elementos é amplamente possível. Em época de extremismo político, buscar a justa medida, o meio termo, o equilíbrio das coisas, como bem propunha o velho Aristóteles, é um caminho que se abre para o saudável diálogo entre os diferentes.  

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Tolerância em debate

Por Felipe Feijão em Artigos

11 de Abril de 2018

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Atualmente, a sociedade brasileira, se depara com fatos que despertam distintos posicionamentos. As velhas divisões políticas, ideológicas, marcam e acentuam a conjuntura de lados opostos que caminham em direções opostas. Mas para entender o contexto que marca a época atual, se faz necessária uma breve observação sobre a modernidade em geral. Hoje, por um lado, a tolerância se situa como uma alta exigência para o caminhar futuro da humanidade e, por outro lado, a intolerância se determina como um grave problema permanente e ameaçador.

Sabe-se que as sociedades tradicionais eram hierarquizadas, o que significa dizer que existiam níveis de poder, de honra, de prestígio. Existiam pessoas mais importantes do que outras, e existiam pessoas mais iguais umas das outras. Dessa forma, é que se pode legitimar privilégios mediante o posto social ocupado por uma pessoa. Sem dúvida, esse modo de pensar, permanece bastante vivo, numa palavra, enraizado na formação brasileira.

De igual maneira, nas sociedades tradicionais, a posição, a identidade de uma pessoa, era estabelecida pelas classes, pelo papel social exercido por ela.

Com efeito, na modernidade, ocorre uma mudança de paradigma. Aqui acontece uma transferência da identidade que era determinada socialmente, para uma identidade particular, isto é, o indivíduo busca sua própria identidade, o indivíduo quer instituir o que ele é a partir de sua constituição mesma, portanto independentemente do que era socialmente estabelecido.

Isso conduz melhor para a compreensão de que as sociedades modernas são sociedades plurais. De fato, a questão cerne da tolerância e da intolerância reside precisamente nesse ponto. Antes de mais, o que significa aqui uma sociedade plural, pluralista? Para exemplificar, basta dizer que o homem antigo, possuía uma visão de mundo, uma cosmovisão, que abrangia uma organização, um todo geral da realidade. Já o homem moderno, não enxerga dessa forma. Há uma forte fragmentação de tudo, de conhecimento, do trabalho. Então, não há mais uma harmonia de sentido na vida humana. Consequentemente, emerge uma disputa de propostas de sentido.

Assim sendo, conviver com o diferente, com quem pensa diferente, com concepções de mundo e de vida distintas, se torna um desafio presente, desafio este que se manifesta de diferentes maneiras e por diferentes motivos. Conceber, o sujeito humano como indivíduo responsável pela construção de sua formação essencial e constitutiva, como ser realizador de escolhas próprias que funcionarão como identificadoras, é um passo já na trilha da tolerância.

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Testemunho vivo

Por Felipe Feijão em Artigos

20 de Março de 2018

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Semana passada o mundo todo tomou conhecimento das cruéis mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson. A repercussão do caso se expandiu pelo mundo e mobilizou milhares de pessoas em manifestações físicas e nas redes sociais.
 
Nas redes sociais muito se questionou o seguinte. 1) Por que tanto alarde devido a essas duas mortes? 2) Por que as mortes, numa palavra, cotidianas, não mobilizam as pessoas assim?
 
1) No que diz respeito à primeira questão se pode refletir o que se segue. Ora, a vereadora era testemunha viva de empenho em questões sociais fundamentais no país. A pauta das mulheres, dos negros, das minorias, ecoaram através do trabalho de vida e político de Marielle. 
 
Indubitavelmente, a notável quantidade de votos que ela recebeu e por todos que se esforçava, isso fazia muita gente se sentir bem representada. A bandeira levantada por Marielle (de origem humilde que conseguiu chegar até a vida pública), não era a bandeira do velho, desgastado e sujo modo de fazer política. Pelo contrário, era sinal de esperança.
 
2) Agora em relação a segunda questão. Sabe-se, com efeito, que o Rio de Janeiro, é palco de uma situação gritante de insegurança, portanto de violência que se manifesta em mortes cotidianas. Entretanto, toda vida humana, portadora de dignidade, merece respeito. Estar à mercê de a qualquer momento morrer simplesmente por sair na rua, voltar tarde para casa, vítima de assalto, bala perdida ou coisa parecida, é uma condição deplorável e muito triste. Portanto, cada morte, cada indivíduo que morre, seja quem for, ceifado pela atual guerra que impera, deve e merece ser lamentada. 
 
Felizmente, muitos se compadeceram com a morte da vereadora, porque ela consigo também simbolizava muitos. Seus ideais permanecem vivos.

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Testemunho vivo

Por Felipe Feijão em Artigos

20 de Março de 2018

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Semana passada o mundo todo tomou conhecimento das cruéis mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson. A repercussão do caso se expandiu pelo mundo e mobilizou milhares de pessoas em manifestações físicas e nas redes sociais.
 
Nas redes sociais muito se questionou o seguinte. 1) Por que tanto alarde devido a essas duas mortes? 2) Por que as mortes, numa palavra, cotidianas, não mobilizam as pessoas assim?
 
1) No que diz respeito à primeira questão se pode refletir o que se segue. Ora, a vereadora era testemunha viva de empenho em questões sociais fundamentais no país. A pauta das mulheres, dos negros, das minorias, ecoaram através do trabalho de vida e político de Marielle. 
 
Indubitavelmente, a notável quantidade de votos que ela recebeu e por todos que se esforçava, isso fazia muita gente se sentir bem representada. A bandeira levantada por Marielle (de origem humilde que conseguiu chegar até a vida pública), não era a bandeira do velho, desgastado e sujo modo de fazer política. Pelo contrário, era sinal de esperança.
 
2) Agora em relação a segunda questão. Sabe-se, com efeito, que o Rio de Janeiro, é palco de uma situação gritante de insegurança, portanto de violência que se manifesta em mortes cotidianas. Entretanto, toda vida humana, portadora de dignidade, merece respeito. Estar à mercê de a qualquer momento morrer simplesmente por sair na rua, voltar tarde para casa, vítima de assalto, bala perdida ou coisa parecida, é uma condição deplorável e muito triste. Portanto, cada morte, cada indivíduo que morre, seja quem for, ceifado pela atual guerra que impera, deve e merece ser lamentada. 
 
Felizmente, muitos se compadeceram com a morte da vereadora, porque ela consigo também simbolizava muitos. Seus ideais permanecem vivos.