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Socializando

por Felipe Feijão

A onda avassaladora

Por Felipe Feijão em Artigos

09 de outubro de 2018

Imagem: reprodução

 

O ano de 2018 certamente será lembrado como o ano de eleições singulares. Após décadas de polarização entre dois maiores partidos, a novidade do momento é o crescimento de um partido até então pequeno e sem força representativa. Pleito marcado por enormes surpresas, por anúncio de renovação do Congresso e pela força política que agora emerge, os próximos quatro anos reservam dúvidas e incertezas para o país que se encontra profundamente dividido.

Grandes nomes de ampla experiência, não renovarão mandato para a Câmara ou para o Senado, o que pode representar certa resposta da sociedade e oportunidade para novos nomes na vida pública. Diante do gigantesco desgaste do sistema político-partidário, o eleitorado manda uma importante mensagem: tem nas mãos o poder de mudar, ainda que a longo prazo, o velho engodo que parece se perpetuar no poder.

O novo fenômeno dessas eleições, representado pela direita, se mostrou bastante forte e combativo. Tanto é que o discurso de apoio, fortaleceu nomes desconhecidos e outros já bem conhecidos. Essa poderosa onda se apresenta como reflexo de como passa a votar generosa parcela do eleitorado brasileiro, ou seja, expressa identificação com pautas conservadoras em termos econômicos e morais.

O segundo turno, fruto da força conservadora e do anti-petismo, denota angústia e infinitas incógnitas. Por um lado, a sociedade se manifestou, se aflorou, se alinhando a posicionamentos polêmicos e a um discurso bastante rígido. Por outro lado, o anti-petismo (consequência do movimento de 2013, de escândalos de corrupção, da Lava Jato, do impeachment), se dispersou em outros candidatos, com o fortalecimento do preferido, já que o desgaste assombra a todos os partidos, mas sustenta a robustez da eminente força favorita que se diz nova.

Vale lembrar que a população deseja ver o debate de ideias, de argumentos, de propostas para o país, não com soluções simplistas, mas com projetos que contemplem a complexidade social. O testemunho daquilo que já foi feito por cada uma das forças representadas, se torna válido e necessário. Está lançado o desafio de conquista de votos para ambos os concorrentes ao Palácio do Planalto.

 

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Angústia política

Por Felipe Feijão em Artigos

02 de outubro de 2018

Faltando poucos dias para as eleições, a situação de polarização do país, cada vez mais se acentua, revelando assim duas grandes parcelas que se destacam e expressam justamente a divisão.
Os dois polos, simbolizam, claramente, duas posturas distintas, dois caminhos diversos que remontam a inúmeras possibilidades, hipóteses que podem ser incertas e especulações que podem representar, de fato, projetos que uma vez tendo sustentação no poder, se viabilizará deles a desejada efetivação.
O fato é que diante do eminente caos ameaçador que se gestou nos últimos tempos, um discurso alinhado a um certo salvamento da pátria, serve de convencimento de grande parte do eleitorado desacreditada e cansada de tanto desgaste na política.
Isso não significa que a outra parte dos eleitores que não adere a tal vertente de discurso, deseja ver a perpetuação de enormes problemas estruturais que são  incansavelmente debatidos em época campanha e depois esquecidos.
Sem dúvida, perante o crescimento de duas gigantes posturas discordantes que reclamam possuir razão e verdade, difícil é que a atmosfera dos debates, das rodas de amigos, seja permeada pelo equilíbrio, pelo meio termo e pela sensatez.
Resta saber se o projeto vencedor, será capaz de trazer esperança de dias melhores para o povo sofrido que padece vítima do velho engodo de busca pelo poder impregnado na política. E se estará plenamente em harmonia com a construção de uma democracia que cada vez mais se torne sólida e bem acabada.

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Poder de quem?

Por Felipe Feijão em Artigos

16 de setembro de 2018

Aproximam-se as eleições. O período de campanha já vigora. Debates e entrevistas acontecem na mídia. Certo entusiasmo popular se volta para o fato de que o povo tem nas mãos o poder de escolha de novos representantes. O conhecido discurso que referenda a população como a poderosa que elegerá os seus mandatários ressurge.

Ora, mas se assim realmente fosse, não haveria motivo para tamanha insatisfação que atualmente impera. Como objeção a isso, emerge a esperança de que agora é o momento mais oportuno de renovar os cargos políticos, uma vez que os acontecimentos dos últimos anos (impeachment, gritantes escândalos de corrupção) deixaram aprendizados.

O que é óbvio é que se chegou a um ponto em que a possibilidade de mudança se torna algo muito difícil. Mudar o cenário político atual é coisa que acontecerá a longo prazo. E o papel de quem possui, com efeito, esse poder, ainda parece ser um papel de espectador, de mero observador, que entra em cena nas eleições.

A conjuntura mesma aponta para isso. O velho embate entre os que possuem mais poder e acordos permanece com a força. No entanto, a indignação com o engodo que aí está e a esperança da construção de um novo horizonte tem lugar no clamor que ecoa através de vozes  que tentam abafar e que representam nova perspectiva.

Resta saber se o tão aclamado privilégio do voto, positiva verdadeiramente o povo como cidadão detentor do poder e comprometido com o futuro de um novo e possível país. Ou se a condição em que se encontra a conjuntura vigente favorece uns e desfavorece outros.

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Fenômeno político

Por Felipe Feijão em Artigos

10 de julho de 2018

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Faltando menos de 90 dias para as eleições deste ano, nomes de candidatos favoritos já despontam, pesquisas revelam porcentagem de intenções de voto, entrevistas já ocorrem na mídia. Candidatos se destacam, nomes conhecidos são testados publicamente e nomes não tão conhecidos são apresentados.

 É perceptível o crescimento de uma linha política obscura. Entretanto, talvez a causa da manutenção de tal crescimento possa residir no atual cenário nacional. O País vive imerso em problemas gritantes das mais distintas ordens e não se vê empenho mínimo de resolução. Por sua vez, o projeto governamental que vigora permanece atento a interesses próprios, alheio à realidade do povo.

Desse modo, são observados diferentes discursos. O velho engodo que prega sempre as mesmas pautas, pode estar disfarçado em criativa maneira de convencer o eleitorado de que seu anúncio é a salvação. Além disso, uma certa esquizofrenia parece marcar presença na esperteza da proclamação de uma esperança que tem o testemunho ligado a modelos gastos. Ora, diante da negligência em efetivar o que deveria ser prioritariamente garantido para a população em termos de serviços básicos, o momento é propício para o surgimento de discursos salvadores da pátria que possuem o poder de tudo resolver, de passar o Brasil a limpo. Daí porque o esforço, a tentativa de enxergar o deslanche da referida postura  como sendo uma possível resposta ao eminente caos.

 Indubitavelmente, generoso público de  espectadores se identifica com este discurso e se convence de que nele está a solução para tudo, como num passe de mágica, da noite para o dia, um novo reino, pacífico e ordeiro pode ser instituído. É chegada a hora por excelência dos redentores que em muitos casos tendo nas mãos oportunidade de fazer algo, preferem acumular anos e anos de carreira de mera observação silenciosa e passiva.

Dessa forma, parece que  a base do posicionamento da expressiva linha está enraizada em radicalismos e fundamentalismos que não irão favorecer uma mudança de cenário, mas pelo contrário podem  agravar o sofrimento, sobretudo dos mais vulneráveis que já padecem nas mãos da atual estrutura, uma vez que não se debate a minoração da desordem desde sua origem. O desgaste do braço armado que diariamente se manifesta como um peso, é prova viva de que um diálogo solucionador passa longe de pronunciamentos acalorados e combativos.

 Se num primeiro momento a citada vertente se mostra como obscura, ulteriormente ela se revela como clara, possuidora de uma força que felizmente ainda é desconhecida, mas que aos poucos demonstra potência.  A conjuntura segue determinada por inúmeros grupos negociadores, nomes que não representam expectativa de mudança e eleitorado descrente.

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Futebol alienante

Por Felipe Feijão em Artigos

02 de julho de 2018

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Diante de um evento da magnitude da copa do mundo de futebol, surgem inúmeros comentários e manifestos contrários à realização do torneio esportivo internacional. Porém, meio mundo acompanha fielmente, religiosamente, cada passo dos jogadores, cada lance em campo. Vamos dividir nossa reflexão na exposição dessas duas distintas posturas que são nitidamente observadas nesse momento, ou seja, a favorável e a contra. 

  A multidão que adere a copa do mundo conta com milhões de adeptos. As cidades e o País como que param na hora dos jogos da seleção, para assistir, para torcer num envolvente entusiasmo. Nesse caso são formadas reuniões imensas de torcedores, em casa ou em espaços públicos. É um momento de celebração, de confraternização, e se o time favorito ganhar, aí a comemoração vai longe. Aqui parece para dizer como Marx que não mais, ou não apenas, a religião é o ópio do povo, mas o futebol faz as vezes desse ópio.

Isso significa dizer que muitos encontram no futebol amparo de opressões e sofrimentos. O momento do jogo, pelo menos, é o momento por excelência de esquecer tudo o mais, de esquecer do mundo, e se alegrar ou se entristecer dependendo do resultado.

Já os críticos da copa, perante tanta alegria proveniente dos entusiasmados e esperançosos torcedores, parecem uma turma de chatos. Aqui as questões fundamentais são: com o Brasil à beira de um caos das mais diversas ordens, quem liga para a copa, para o futebol? Com tantos problemas estruturais, com tanta morte de inocentes nas periferias, nas comunidades, como dar atenção a isso?

Pesquisa recente do Datafolha, mostrou que 53% dos brasileiros não estavam interessados no mundial de futebol. Isso aponta para a ideia de que a turma dos chatos não é tão reduzida e de que expressiva porcentagem da população sofre de um desencanto pela seleção pentacampeã.

 Esses dois posicionamentos possuem algo em comum. Os dois partem da questão do futebol. Um é a favor, o outro contra. Mas se por um lado, o favorável recebe tudo de coração aberto, o contrário recorda atentamente que a vida continua após as partidas, após o campeonato. De maneira que a existência de indivíduos que conjuguem num único comportamento os dois elementos é amplamente possível. Em época de extremismo político, buscar a justa medida, o meio termo, o equilíbrio das coisas, como bem propunha o velho Aristóteles, é um caminho que se abre para o saudável diálogo entre os diferentes.  

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Tolerância em debate

Por Felipe Feijão em Artigos

11 de Abril de 2018

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Atualmente, a sociedade brasileira, se depara com fatos que despertam distintos posicionamentos. As velhas divisões políticas, ideológicas, marcam e acentuam a conjuntura de lados opostos que caminham em direções opostas. Mas para entender o contexto que marca a época atual, se faz necessária uma breve observação sobre a modernidade em geral. Hoje, por um lado, a tolerância se situa como uma alta exigência para o caminhar futuro da humanidade e, por outro lado, a intolerância se determina como um grave problema permanente e ameaçador.

Sabe-se que as sociedades tradicionais eram hierarquizadas, o que significa dizer que existiam níveis de poder, de honra, de prestígio. Existiam pessoas mais importantes do que outras, e existiam pessoas mais iguais umas das outras. Dessa forma, é que se pode legitimar privilégios mediante o posto social ocupado por uma pessoa. Sem dúvida, esse modo de pensar, permanece bastante vivo, numa palavra, enraizado na formação brasileira.

De igual maneira, nas sociedades tradicionais, a posição, a identidade de uma pessoa, era estabelecida pelas classes, pelo papel social exercido por ela.

Com efeito, na modernidade, ocorre uma mudança de paradigma. Aqui acontece uma transferência da identidade que era determinada socialmente, para uma identidade particular, isto é, o indivíduo busca sua própria identidade, o indivíduo quer instituir o que ele é a partir de sua constituição mesma, portanto independentemente do que era socialmente estabelecido.

Isso conduz melhor para a compreensão de que as sociedades modernas são sociedades plurais. De fato, a questão cerne da tolerância e da intolerância reside precisamente nesse ponto. Antes de mais, o que significa aqui uma sociedade plural, pluralista? Para exemplificar, basta dizer que o homem antigo, possuía uma visão de mundo, uma cosmovisão, que abrangia uma organização, um todo geral da realidade. Já o homem moderno, não enxerga dessa forma. Há uma forte fragmentação de tudo, de conhecimento, do trabalho. Então, não há mais uma harmonia de sentido na vida humana. Consequentemente, emerge uma disputa de propostas de sentido.

Assim sendo, conviver com o diferente, com quem pensa diferente, com concepções de mundo e de vida distintas, se torna um desafio presente, desafio este que se manifesta de diferentes maneiras e por diferentes motivos. Conceber, o sujeito humano como indivíduo responsável pela construção de sua formação essencial e constitutiva, como ser realizador de escolhas próprias que funcionarão como identificadoras, é um passo já na trilha da tolerância.

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Testemunho vivo

Por Felipe Feijão em Artigos

20 de Março de 2018

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Semana passada o mundo todo tomou conhecimento das cruéis mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson. A repercussão do caso se expandiu pelo mundo e mobilizou milhares de pessoas em manifestações físicas e nas redes sociais.
 
Nas redes sociais muito se questionou o seguinte. 1) Por que tanto alarde devido a essas duas mortes? 2) Por que as mortes, numa palavra, cotidianas, não mobilizam as pessoas assim?
 
1) No que diz respeito à primeira questão se pode refletir o que se segue. Ora, a vereadora era testemunha viva de empenho em questões sociais fundamentais no país. A pauta das mulheres, dos negros, das minorias, ecoaram através do trabalho de vida e político de Marielle. 
 
Indubitavelmente, a notável quantidade de votos que ela recebeu e por todos que se esforçava, isso fazia muita gente se sentir bem representada. A bandeira levantada por Marielle (de origem humilde que conseguiu chegar até a vida pública), não era a bandeira do velho, desgastado e sujo modo de fazer política. Pelo contrário, era sinal de esperança.
 
2) Agora em relação a segunda questão. Sabe-se, com efeito, que o Rio de Janeiro, é palco de uma situação gritante de insegurança, portanto de violência que se manifesta em mortes cotidianas. Entretanto, toda vida humana, portadora de dignidade, merece respeito. Estar à mercê de a qualquer momento morrer simplesmente por sair na rua, voltar tarde para casa, vítima de assalto, bala perdida ou coisa parecida, é uma condição deplorável e muito triste. Portanto, cada morte, cada indivíduo que morre, seja quem for, ceifado pela atual guerra que impera, deve e merece ser lamentada. 
 
Felizmente, muitos se compadeceram com a morte da vereadora, porque ela consigo também simbolizava muitos. Seus ideais permanecem vivos.

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O Reino da folia

Por Felipe Feijão em Artigos

10 de Fevereiro de 2018

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O Reino da folia é consagrado como o reino por excelência do carnaval. Claro, por outros tantos fenômenos que é melhor que aqui não constem. Ora, um paraíso tropical, repleto de agradáveis praias, iluminado pelo calor de um sol escaldante boa parte do ano, é, pois o cenário propício para incansáveis celebrações e para um clima de alegria perene (ainda que sem muito motivo).

Fevereiro é o mês reconhecidamente da alegria, da folia, da bebedeira, de muitas farras, de esquecer que existe quarta-feira de cinzas, até porque, antigamente o carnaval tinha data para terminar; hoje não tem nem para começar. São vários dias dedicados exclusivamente a esquecer dos problemas para extravasar.

 Ora, parece que nesse Reino, existem muitos motivos para festas. Afinal, o povo aparenta cada vez mais estar preparado para a folia. Contam os dias para tirar dos ombros a carga pesada do trabalho e cair na algazarra. Engraçado: não é carga também pesada, passar horas em pé, cantar ou gritar até surgir a rouquidão, beber até ficar inebriado e inúmeros outros atos que desafiam a sobriedade humana a acreditar que são praticados por seus semelhantes?

 De fato, cada um sabe o que faz (ainda que depois do período momino se arrependa). No entanto, a gravidade política e social que assola desde há muito a vida do Reino da folia, parece não contagiar os entusiasmados foliões. Brincam despreocupadamente. Parecem transcender para um paraíso.   Quando acordam para a imanência (o que é raro), diante do preço de algum produto útil para a curtição, se desapercebem, no máximo uma reclamação entre quatro paredes ou entre amigos, e voltam para o mundo da alegria.

 Os hits que explodem freneticamente são parte importante da festa.   Felizmente, em alguns, a capacidade cognoscitiva não comporta tais elucubrações. E sim, estes precisam procurar outra ocupação durante o carnaval.

Não se pode esquecer do elevado desperdício de farinha e ovos, produtos que fazem falta na mesa de muitos habitantes do Reino. Além de tantos outros desperdícios que nesse tempo são observados, mas, indubitavelmente, no idioma não oficial do Reino da folia, recebem outro nome.

 Este é um breve retrato do Reino da folia, onde para festas não há cansaço nem crise econômica. Reflexo de um povo alegre, festivo e com muitas razões para fazer do ano inteiro, um constante júbilo. Manifestação cultural à parte, qualquer semelhança com a realidade é pura e simples coincidência.

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Banho de sangue

Por Felipe Feijão em Artigos

30 de Janeiro de 2018

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Num cenário de eminente barbárie, o que é incomum por vezes se torna comum. Dificilmente alguém não anda apavorado e em estado de alerta sempre que sai às ruas, para o trabalho, ou no retorno para casa. De fato, agora, nem mesmo a casa, moradia, é sinônimo de segurança e tranquilidade. Hoje, não há mais lugar, nem horário, nem situação para que aconteçam tragédias das mais absurdas possíveis.

 A inversão do incomum em comum, anuncia a permanência de um tempo sombrio. Elevado número de mortes, casos de crimes, banhos de sangue, são manchetes comuns que fazem parte já do cotidiano. Acostumar-se, então, com a barbárie é feito que se consegue sem esforço. Basta respirar e sentir a atmosfera circundante.

Não é mais novidade que o Ceará, que a cidade de Fortaleza, serve de palco para o derramamento de sangue de vítimas da violência em sua expressão nitidamente perversa e cruel. A perversão, o desejo mal ou sabe-se lá o que, são cultivos indispensáveis no terreno em que se propicia o surgimento de requintes diversos, que chocam e desafiam crer que sejam verdade.

Com efeito, seria mais fácil, imaginar que tais atrocidades tão reais e presentes (sim, pois são consumidas ou pelo menos colocadas goela abaixo diariamente), constam apenas em filmes ou séries estrangeiras de suspense, terror. Mas não. São episódios da vida concreta. Talvez, por isso, a vida real se assemelha ao terror. E ao suspense. Também, a aventura tem lugar, em seu sentido mais negativo, uma vez que driblar o penoso cotidiano de violência, parece cada vez mais com uma proeza.

Salve-se quem puder! Viver assim, ou melhor, sobreviver assim é difícil. Um ambiente de pânico, de pavor, toma conta de tudo e de todos. Afinal, lidar com uma guerra não é fácil. Sair cedo de casa sem saber se ao final do dia haverá retorno, parece mesmo ser coisa de batalha declarada, ou não.

Ora, mas essa batalha, quem a trava é o povo que precisa sobreviver. Povo que sabe contornar as condições mais adversas. Em grande parte, corajoso para encarar o incerto ou o previsível amanhã. Infelizmente, refém e vítima de estruturas medíocres por excelência que favorecem a manutenção da miserabilidade e sobretudo da negligência na oferta de serviços básicos.

Torna-se o incomum, comum. Grupos periculosos, poderosos, assombram. Localizações periféricas, abandonadas ao deus dará, conhecem bem essa realidade. Onde falta quase tudo, os jovens habitantes parecem que possuem destino certo. Destino premeditado que honra o legado circunstancial. Banho de sangue. Tanta violência! Por quê?

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Passa o “zap”?

Por Felipe Feijão em Artigos

22 de Janeiro de 2018

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 Hoje é raro encontrar alguém que não use WhatsApp. Aplicativo de mensagens que é quase obrigação para quem porta um aparelho celular. Para alguns é um meio de comunicação reservado, pelo menos em relação as redes sociais que possuem bate-papo. Para outros é ferramenta de trabalho, auxiliador na divulgação de produtos, facilitador de compras, prestador de informações.

 Unanimidade é que crianças, jovens, adultos e idosos, utilizam o chamado “zap”, para manter contato com amigos, familiares.  A praticidade e a comodidade de apenas digitar ou fazer uma chama em qualquer lugar e em qualquer momento e assim haver contato, por exemplo, entre indivíduos sentados na mesma mesa de restaurante ou entre indivíduos separados por oceanos e continentes, seduzem os milhões de usuários. De fato, é bastante atraente e útil.

 Longas conversas, grupos dos mais diferentes tipos (que agrupam desde familiares até totalmente desconhecidos), mensagens motivacionais, imagens e vídeos diversos, tudo o que for possível imaginar, pode ser encontrado em circulação.

 Por meio do status, os usuários agora podem publicar fotos ou vídeos rápidos, divulgar links ou escrever brevemente alguma coisa. Isso abriu espaço para que também o zap se tornasse viável para que os contatos acompanhem as postagens uns dos outros.

 As redes sociais e o zap formam uma combinação perfeita para viciar inocentes que cada vez mais se prendem a tal junção com intenção diversa da de vício. Sinal disso pode ser observado numa simples saída. Em shoppings, restaurantes, locais públicos, até mesmo nas ruas, é impossível não ver pessoas de cabeça baixa segurando um celular.

 O desejo de estar sempre perto de quem está longe por meio da comunicação online, se torna estranho, porque ao mesmo tempo desapercebidamente essa atitude pode tornar distantes os que estão perto fisicamente. A falta de diálogo, do olho no olho, do saudável contato, da prazerosa convivência familiar e fraterna, são consequências da atenção quase exclusiva ao celular.

 Obviamente, as redes e os aplicativos, podem ser úteis e bons. Sim! Para tanto, é necessário que exista no manuseio, devida moderação, coisa que parece escassa, e de ocorrência perceptível demasiadamente em crianças. Brincar na rua, com amigos, correr, cair e levantar, se torna cada dia mais raro, uma vez que o celular oferece uma infinidade de jogos, sem precisar sair de casa e estar em perigo devido ao  caos da vida moderna tecnológica.   Com efeito, encontros pessoais, convivência pessoal, demonstrações à moda antiga, em tempos de zap, parecem peças de museu.

  Ora, se o presente colabora com a visualização do futuro, emerge, então uma questão: como se comportarão as futuras gerações? A atual já se assemelha a zumbis monoglotas ambulantes que sempre estão em contato uns com os outros graças ao pedido: “Passa o zap?”.

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Passa o “zap”?

Por Felipe Feijão em Artigos

22 de Janeiro de 2018

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 Hoje é raro encontrar alguém que não use WhatsApp. Aplicativo de mensagens que é quase obrigação para quem porta um aparelho celular. Para alguns é um meio de comunicação reservado, pelo menos em relação as redes sociais que possuem bate-papo. Para outros é ferramenta de trabalho, auxiliador na divulgação de produtos, facilitador de compras, prestador de informações.

 Unanimidade é que crianças, jovens, adultos e idosos, utilizam o chamado “zap”, para manter contato com amigos, familiares.  A praticidade e a comodidade de apenas digitar ou fazer uma chama em qualquer lugar e em qualquer momento e assim haver contato, por exemplo, entre indivíduos sentados na mesma mesa de restaurante ou entre indivíduos separados por oceanos e continentes, seduzem os milhões de usuários. De fato, é bastante atraente e útil.

 Longas conversas, grupos dos mais diferentes tipos (que agrupam desde familiares até totalmente desconhecidos), mensagens motivacionais, imagens e vídeos diversos, tudo o que for possível imaginar, pode ser encontrado em circulação.

 Por meio do status, os usuários agora podem publicar fotos ou vídeos rápidos, divulgar links ou escrever brevemente alguma coisa. Isso abriu espaço para que também o zap se tornasse viável para que os contatos acompanhem as postagens uns dos outros.

 As redes sociais e o zap formam uma combinação perfeita para viciar inocentes que cada vez mais se prendem a tal junção com intenção diversa da de vício. Sinal disso pode ser observado numa simples saída. Em shoppings, restaurantes, locais públicos, até mesmo nas ruas, é impossível não ver pessoas de cabeça baixa segurando um celular.

 O desejo de estar sempre perto de quem está longe por meio da comunicação online, se torna estranho, porque ao mesmo tempo desapercebidamente essa atitude pode tornar distantes os que estão perto fisicamente. A falta de diálogo, do olho no olho, do saudável contato, da prazerosa convivência familiar e fraterna, são consequências da atenção quase exclusiva ao celular.

 Obviamente, as redes e os aplicativos, podem ser úteis e bons. Sim! Para tanto, é necessário que exista no manuseio, devida moderação, coisa que parece escassa, e de ocorrência perceptível demasiadamente em crianças. Brincar na rua, com amigos, correr, cair e levantar, se torna cada dia mais raro, uma vez que o celular oferece uma infinidade de jogos, sem precisar sair de casa e estar em perigo devido ao  caos da vida moderna tecnológica.   Com efeito, encontros pessoais, convivência pessoal, demonstrações à moda antiga, em tempos de zap, parecem peças de museu.

  Ora, se o presente colabora com a visualização do futuro, emerge, então uma questão: como se comportarão as futuras gerações? A atual já se assemelha a zumbis monoglotas ambulantes que sempre estão em contato uns com os outros graças ao pedido: “Passa o zap?”.