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Socializando

por Felipe Feijão

O Reino da folia

Por Felipe Feijão em Artigos

10 de Fevereiro de 2018

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O Reino da folia é consagrado como o reino por excelência do carnaval. Claro, por outros tantos fenômenos que é melhor que aqui não constem. Ora, um paraíso tropical, repleto de agradáveis praias, iluminado pelo calor de um sol escaldante boa parte do ano, é, pois o cenário propício para incansáveis celebrações e para um clima de alegria perene (ainda que sem muito motivo).

Fevereiro é o mês reconhecidamente da alegria, da folia, da bebedeira, de muitas farras, de esquecer que existe quarta-feira de cinzas, até porque, antigamente o carnaval tinha data para terminar; hoje não tem nem para começar. São vários dias dedicados exclusivamente a esquecer dos problemas para extravasar.

 Ora, parece que nesse Reino, existem muitos motivos para festas. Afinal, o povo aparenta cada vez mais estar preparado para a folia. Contam os dias para tirar dos ombros a carga pesada do trabalho e cair na algazarra. Engraçado: não é carga também pesada, passar horas em pé, cantar ou gritar até surgir a rouquidão, beber até ficar inebriado e inúmeros outros atos que desafiam a sobriedade humana a acreditar que são praticados por seus semelhantes?

 De fato, cada um sabe o que faz (ainda que depois do período momino se arrependa). No entanto, a gravidade política e social que assola desde há muito a vida do Reino da folia, parece não contagiar os entusiasmados foliões. Brincam despreocupadamente. Parecem transcender para um paraíso.   Quando acordam para a imanência (o que é raro), diante do preço de algum produto útil para a curtição, se desapercebem, no máximo uma reclamação entre quatro paredes ou entre amigos, e voltam para o mundo da alegria.

 Os hits que explodem freneticamente são parte importante da festa.   Felizmente, em alguns, a capacidade cognoscitiva não comporta tais elucubrações. E sim, estes precisam procurar outra ocupação durante o carnaval.

Não se pode esquecer do elevado desperdício de farinha e ovos, produtos que fazem falta na mesa de muitos habitantes do Reino. Além de tantos outros desperdícios que nesse tempo são observados, mas, indubitavelmente, no idioma não oficial do Reino da folia, recebem outro nome.

 Este é um breve retrato do Reino da folia, onde para festas não há cansaço nem crise econômica. Reflexo de um povo alegre, festivo e com muitas razões para fazer do ano inteiro, um constante júbilo. Manifestação cultural à parte, qualquer semelhança com a realidade é pura e simples coincidência.

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Banho de sangue

Por Felipe Feijão em Artigos

30 de Janeiro de 2018

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Num cenário de eminente barbárie, o que é incomum por vezes se torna comum. Dificilmente alguém não anda apavorado e em estado de alerta sempre que sai às ruas, para o trabalho, ou no retorno para casa. De fato, agora, nem mesmo a casa, moradia, é sinônimo de segurança e tranquilidade. Hoje, não há mais lugar, nem horário, nem situação para que aconteçam tragédias das mais absurdas possíveis.

 A inversão do incomum em comum, anuncia a permanência de um tempo sombrio. Elevado número de mortes, casos de crimes, banhos de sangue, são manchetes comuns que fazem parte já do cotidiano. Acostumar-se, então, com a barbárie é feito que se consegue sem esforço. Basta respirar e sentir a atmosfera circundante.

Não é mais novidade que o Ceará, que a cidade de Fortaleza, serve de palco para o derramamento de sangue de vítimas da violência em sua expressão nitidamente perversa e cruel. A perversão, o desejo mal ou sabe-se lá o que, são cultivos indispensáveis no terreno em que se propicia o surgimento de requintes diversos, que chocam e desafiam crer que sejam verdade.

Com efeito, seria mais fácil, imaginar que tais atrocidades tão reais e presentes (sim, pois são consumidas ou pelo menos colocadas goela abaixo diariamente), constam apenas em filmes ou séries estrangeiras de suspense, terror. Mas não. São episódios da vida concreta. Talvez, por isso, a vida real se assemelha ao terror. E ao suspense. Também, a aventura tem lugar, em seu sentido mais negativo, uma vez que driblar o penoso cotidiano de violência, parece cada vez mais com uma proeza.

Salve-se quem puder! Viver assim, ou melhor, sobreviver assim é difícil. Um ambiente de pânico, de pavor, toma conta de tudo e de todos. Afinal, lidar com uma guerra não é fácil. Sair cedo de casa sem saber se ao final do dia haverá retorno, parece mesmo ser coisa de batalha declarada, ou não.

Ora, mas essa batalha, quem a trava é o povo que precisa sobreviver. Povo que sabe contornar as condições mais adversas. Em grande parte, corajoso para encarar o incerto ou o previsível amanhã. Infelizmente, refém e vítima de estruturas medíocres por excelência que favorecem a manutenção da miserabilidade e sobretudo da negligência na oferta de serviços básicos.

Torna-se o incomum, comum. Grupos periculosos, poderosos, assombram. Localizações periféricas, abandonadas ao deus dará, conhecem bem essa realidade. Onde falta quase tudo, os jovens habitantes parecem que possuem destino certo. Destino premeditado que honra o legado circunstancial. Banho de sangue. Tanta violência! Por quê?

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Passa o “zap”?

Por Felipe Feijão em Artigos

22 de Janeiro de 2018

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 Hoje é raro encontrar alguém que não use WhatsApp. Aplicativo de mensagens que é quase obrigação para quem porta um aparelho celular. Para alguns é um meio de comunicação reservado, pelo menos em relação as redes sociais que possuem bate-papo. Para outros é ferramenta de trabalho, auxiliador na divulgação de produtos, facilitador de compras, prestador de informações.

 Unanimidade é que crianças, jovens, adultos e idosos, utilizam o chamado “zap”, para manter contato com amigos, familiares.  A praticidade e a comodidade de apenas digitar ou fazer uma chama em qualquer lugar e em qualquer momento e assim haver contato, por exemplo, entre indivíduos sentados na mesma mesa de restaurante ou entre indivíduos separados por oceanos e continentes, seduzem os milhões de usuários. De fato, é bastante atraente e útil.

 Longas conversas, grupos dos mais diferentes tipos (que agrupam desde familiares até totalmente desconhecidos), mensagens motivacionais, imagens e vídeos diversos, tudo o que for possível imaginar, pode ser encontrado em circulação.

 Por meio do status, os usuários agora podem publicar fotos ou vídeos rápidos, divulgar links ou escrever brevemente alguma coisa. Isso abriu espaço para que também o zap se tornasse viável para que os contatos acompanhem as postagens uns dos outros.

 As redes sociais e o zap formam uma combinação perfeita para viciar inocentes que cada vez mais se prendem a tal junção com intenção diversa da de vício. Sinal disso pode ser observado numa simples saída. Em shoppings, restaurantes, locais públicos, até mesmo nas ruas, é impossível não ver pessoas de cabeça baixa segurando um celular.

 O desejo de estar sempre perto de quem está longe por meio da comunicação online, se torna estranho, porque ao mesmo tempo desapercebidamente essa atitude pode tornar distantes os que estão perto fisicamente. A falta de diálogo, do olho no olho, do saudável contato, da prazerosa convivência familiar e fraterna, são consequências da atenção quase exclusiva ao celular.

 Obviamente, as redes e os aplicativos, podem ser úteis e bons. Sim! Para tanto, é necessário que exista no manuseio, devida moderação, coisa que parece escassa, e de ocorrência perceptível demasiadamente em crianças. Brincar na rua, com amigos, correr, cair e levantar, se torna cada dia mais raro, uma vez que o celular oferece uma infinidade de jogos, sem precisar sair de casa e estar em perigo devido ao  caos da vida moderna tecnológica.   Com efeito, encontros pessoais, convivência pessoal, demonstrações à moda antiga, em tempos de zap, parecem peças de museu.

  Ora, se o presente colabora com a visualização do futuro, emerge, então uma questão: como se comportarão as futuras gerações? A atual já se assemelha a zumbis monoglotas ambulantes que sempre estão em contato uns com os outros graças ao pedido: “Passa o zap?”.

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O maravilhoso mundo da exposição: arrasando no Youtube

Por Felipe Feijão em Artigos

15 de Janeiro de 2018

 

Outro espaço na internet que se popularizou bastante nos últimos anos foi o site de vídeos Youtube. Vídeos de todo tipo podem ser encontrados na plataforma que os disponibiliza com facilidade.

A moda do momento é tornar-se um youtuber, termo que designa o indivíduo que tem como tarefa produzir constantemente vídeos e dessa maneira manter ativo seu canal. Aqui vale a criatividade que for possível imaginar para atrair seguidores, que com um tempo, se tornarão telespectadores fiéis do astro nascente.

 É preciso dizer que esses indivíduos produtores de vídeo, possuem quantidade razoável de jovens que fazem de tudo para não perder uma atração nova de seu ídolo. Não é necessário entrar muito em detalhe no conteúdo ou nos conteúdos que fazem sucesso com a galera.

 Cabe ressaltar que existem generosas exceções de temas abordados em inúmeras produções constantes que não decepcionam na mais esperançosa expressão, uma multidão de internautas, em busca, de fato, de conteúdo, isto é, daquilo que contenha alguma coisa, que tenha fundamentos, abordagens sérias, diálogo com a realidade da vida social, numa palavra, um ambiente em que se pode fazer algo a mais além de rir.

 Fica claro que assim como em outras redes, também aqui, são encontrados brilhantes intelectuais, versados em saberes diversos, prontos a opinar e a emitir parecer sobre tudo. Suas legiões, por vezes, disseminam polêmicas em cortes (na maioria das vezes mal feitos) de pronunciamentos do mestre, e compram disputas monumentais com possíveis adversários que por sua vez não ficam calados.

 As músicas dos famosos agora são conhecidas depois de aqui lançadas, acompanhadas por uma gigantesca produção artística, em nível quase cinematográfico. A partir daí sim, o hit vai para a boca dos fãs. Uma coisa intrigante: em poucas horas e consequentemente em poucos dias, milhões de visualizações, podem ser constatadas nos sucessos em alta. Felizmente, há muito conteúdo antigo, claro, com o mínimo de visualizações, mas que vale a pena ouvir e relembrar o que já foi produzido por um cenário que hoje beira o indescritível.

 Nem todo mundo tem jeito com uma câmera e ainda bem que muitos têm bom senso para discernir isso, o que coloca as redes sociais de fotos em vantagem. Mas, numa roda de amigos, ou em círculos de distinta inteligência (no assunto), qualquer novidade que tenha acontecido, lançamento de novo sucesso, nova piada, e discurso oficial das estrelas, a recomendação entusiasmada diz: “Olha lá no Youtube”.

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O maravilhoso mundo da exposição: arrasando no “insta”

Por Felipe Feijão em Artigos

08 de Janeiro de 2018

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É inegável a explosão que nos últimos tempos ocorreu na internet. O uso das redes sociais por pessoas comuns ou celebridades proclamadas, agora é algo bastante explícito. Uma gama de informações pode estar à disposição do usuário em apenas simples movimentos dos dedos na tela do celular.

Daí a necessidade sentida por alguns de prestarem um culto devoto a constante alimentação de sua conta. Num ritmo quase frenético, postagens e mais postagem invadem as publicações. Interessante: parece que há uma regra que deve ser seguida a todo custo. Nas fotos postadas, devem constar rostos alegres, ainda que aparentemente, o importante é o sorriso estampado.   Para alguns, outra regra é a de informar aos seguidores tudo ou quase tudo que estão fazendo em forma de publicação. Sim, existem os calados, que acompanham em solene silêncio, mas vigilante, a vida alheia. Nesse quesito de fofoca, as vizinhas conhecidas por isso, não precisam mais espiar na rua quem chega, quem sai ou para onde vão, pois recebem a informação na comodidade de seu celular.

Sem dúvida, existem generosas exceções de figuras que não decepcionam os seguidores, muitas vezes presos nas teias da generalizada bestialização imperceptível que os circunda a todo momento. Ora, nunca se sabe se as manias citadas anteriormente, são contagiosas. Entretanto, sinal de que influenciam é a popularização de tais vícios que se propagam em ritmo de doença disseminada. Vale tudo para que mais e mais indivíduos adiram outros que não se cansam de se expor. Conexão a toda hora e em qualquer lugar também consta nos mandamentos que agora constituem o seguimento de um dos novos deuses contemporâneos.

Falando em influência, existem agora os que ditam tendências para que outros provem e façam uso da coisa utilizada em questão. Nesse sentido, para muitos empreendedores, o uso da rede social, é sério. Aproveitam o potencial público que ali podem conseguir, e propagandeiam produtos. Parece que isso tem se mostrado lucrativo. Aos que desejam recrutar elevado número de discípulos, técnicas testadas e comprovadas, são indispensáveis e, nesse caso, fazer um curso intensivo é bem oportuno.

Não se pode esquecer de outro fator que agrega internautas. O poder da afinidade. Contas das mais variadas celebridades, de distintos temas, somam fiéis adeptos que assim demonstram sua militância engajada ou sua indiferença preocupada com determinado assunto. Formam verdadeiras comunidades organizadas que não dispensam polêmica (ainda que criada e vulgarizada pelos próprios).

Enfim, nos dias de hoje, quem não se enquadra nessas referências, em círculos de elevada inteligência (no assunto), pode até ser ridicularizado. Os silenciosos que pouco se pronunciam ou os que preferem não aderir a febre que veio para ficar (se mostrando uma doença séria), se mantendo assim, na pré-história, possuem a vantagem de observar esse espetáculo limitadamente, mas padecem da tentação de repentinamente se tornarem o que observam.

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O que nos resta depois dos fogos?

Por Felipe Feijão em Artigos

03 de Janeiro de 2018

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No final de cada ano, surge repentinamente um clima de aparente bondade entre as pessoas, troca de presentes, de afeto, todos desejosos de novas conquistas, realizações, empreendimentos no novo período cronológico que se inicia. Essa atmosfera tem seu lado positivo e pode ser boa, mas sua manifestação no mais das vezes é explicitada por um sentimentalismo barato e de curta duração, pois, não é observada no resto do ano.

Torna-se, nesse tempo, o consumismo bastante aflorado, devido a quase obrigação de presentear familiares e amigos. Muitas dívidas parceladas em cartão de crédito, e os que podem, na mesa, muita fartura. É perceptível que para alguns que endeusam o próprio corpo, a ceia natalina e de ano novo, são um peso, uma tortura, mas logo depois que passarem, o projeto corpo divinizado e cérebro vazio, volta a lotar as academias.

Em meio a isso, festas e mais festas monumentais, são realizadas. Milhões de pessoas acorrem para uma diversão que dura poucas horas, e que tem seu auge na queima de fogos, cada vez mais duradoura (ainda que em minutos). Enquanto isso, não muito longe de onde acontecem tais espetáculos, serviços públicos básicos que deveriam ser prestados eficazmente, são negligenciados.

No entanto, a multidão de pessoas que muitas vezes padece dos problemas dessa negligência, marca presença nas festas gigantescas. Diante disso, emerge uma questão: o que nos resta depois dos fogos? É preciso colocar o pé no chão da realidade presente, de modo que não aconteça um mascaramento ou sufocação desta em relação a encenação de um curto espaço de tempo.

Uma alienação, no sentido de tirar da realidade e conduzir para um mundo distante que se encarna na eminente devastação cultural, parece que toma conta da atmosfera geral. Infelizmente, o rebanho dessa curtição, parece não estar preocupado ou não ter consciência da gravidade política e social na qual o país se encontra.

Longe da ilusão e do devaneio de um ano novo repleto de maravilhas, de um paraíso que só existe no imaginário que termina juntamente com a virada do ano, os fatos constatam o contrário. Ano de eleições, de continuidade governista, de manutenção de um tempo sombrio para a vulnerabilidade social. Não muda muita coisa. Talvez possa ser menos pior que 2017, ou não. O pessimismo guardamos para dias melhores, já a realidade nos acompanha sempre.

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O ideal de paz

Por Felipe Feijão em Artigos

28 de dezembro de 2017

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O espetáculo da violência no Brasil, que amedronta a todos, segue se desenvolvendo e se manifestando nas mais diversas formas e expressões de barbárie. Vive-se numa atmosfera comparável à de uma guerra.

De fato, parece que a intervenção simplesmente do braço armado não dialoga com a conjuntura social que permanece carente de serviços públicos. A punição sem antes, existir a oferta de oportunidades propícias para a minoração da violência é punição cega, sua utilidade é momentânea.

Nesse sentido, é num cenário de quase caos generalizado que emerge o clamor pela paz. Entretanto, é preciso conceber que o desejo de paz se associa a um elemento fundamental que compõe essencialmente sua estrutura constitutiva. É o homem consciente da realidade que o cerca e que o marca que tem a capacidade de alterar o curso dos acontecimentos.

O filósofo Manfredo Oliveira, em texto sobre a paz, afirma que para a construção de um mundo de paz, justiça e fraternidade, “o fundamento normativo deste mundo de paz é a dignidade de toda realidade e, de modo supremo, a dignidade do ser humano enquanto ser pessoal, inteligente e livre e, enquanto tal portador de direitos inalienáveis decorrentes, como exigências da constituição do seu ser”.

Isso significa dizer que o sujeito na sua existência histórica, portador, portanto de dignidade, fornecedor, assim, de sentido para tudo o mais, é quem reclama pela paz, por um lado, e é o mesmo que, por outro lado, se insere num mundo de guerras.

Nessa tensão é que se situa o problema do estabelecimento de uma sociedade de paz. As realidades que configuram o atual momento: terrorismo, guerras, ameaças de guerra, miséria, fome, desigualdade, eminente catástrofe ambiental, mazelas essas em grande parte, patrocinadas pelo interesse financeiro cego, que instaura uma lógica perversa de riqueza para poucos, acentuam o condicionamento de um demasiado fosso entre a realidade e a idealização de um mundo minimamente humanizado.

Esse reflexo de realidades absurdas causadas e desenvolvidas pelo homem, pode ser mudado mediante a reivindicação de efetivação do que de mais fundamental caracteriza o próprio sujeito: a dignidade.

O princípio, portanto, que dignifica a pessoa humana que a contempla em sua integralização, que não a reduz a coisa objetificada, embasa e respalda, o horizonte da construção de uma nova realidade pelas mãos de homens artífices de um novo tempo possível.

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O jogo bem executado

Por Felipe Feijão em Artigos

18 de dezembro de 2017

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O ano finda. Ao longo de seu percurso, veio à tona, uma série de dados, acontecimentos e decisões no mundo político, que agora, cada vez mais se torna nítido o projeto que se tenta explicitamente desenvolver. Diante do triste cenário da política brasileira, desgastada, corrompida, como se encontra o país?

 Situa-se, pois, segundo estudo publicado recentemente, entre um dos mais desiguais. Qual é, então, a atitude do atual modelo governamental perante o escândalo da desigualdade? O filósofo Manfredo Oliveira em texto recente, expõe um panorama que explica o que aconteceu após a saída do governo derrotado: “Isso faz aparecer a natureza do que se articulou: a junção de capitalismo selvagem de rapina e do enfraquecimento das garantias democráticas. A execução do plano foi um jogo de mestres: em nome da justiça e da moralidade, fez-se um violento ataque à democracia e às garantias constitucionais. Uma vez consumado o golpe, todos os interesses articulados partem para a rapina e o saque do espólio: vender as riquezas brasileiras – em primeiro lugar, o petróleo; cortar gastos sociais, já que o que vale primeiro é o interesse do 1% mais rico”.

 Nesse sentido, qual a condição dos mais vulneráveis? “No esquecimento, na marginalidade, com salários aviltantes por serviços à classe média e às empresas dos endinheirados”, diz Manfredo.  Noutros termos: essa lógica perversa, diminui ou acentua, o Brasil como espetáculo da mazela da desigualdade?

Ora, o discurso reformista que claramente reivindica o progresso da nação, garantida de direitos para todos, parece não dialogar com a realidade concreta de um povo que se encontra num estado semelhante a uma desolação geral, sem a oferta de condições mínimas de vida digna. A conjuntura que vigora, aparenta estar empenhada na defesa de interesses próprios numa dinâmica de constante culto ao interesse econômico, portanto, na linha de frente do impedimento de alteração dessa situação lamentável.

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Violência em pauta

Por Felipe Feijão em Artigos

12 de dezembro de 2017

 

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 Estudo recente da Fundação Abrinq, mostra que no Brasil, a cada 48 minutos uma criança ou jovem é assassinado. Esse dado assustador, expõe na formalidade de estatística numérica, o que é reflexo da realidade vivenciada e sentida por todos.

 Vive-se num constante estado de alerta. A violência se manifesta de diversas maneiras. Nas periferias dos grandes centros urbanos, onde prevalece o abandono e a negligência de serviços públicos, a violência marca forte presença. Ora, se não há minimamente oferta de condições de vida digna, por que, então se pensa que a intervenção do braço armado (proveniente da mesma estrutura de onde deveriam ter sido ofertados os serviços que colaborariam para a minoração da violência), adianta? Sim, pode ter utilidade momentânea.

 É desse modo que o estado de alerta submete todos a um medo contínuo. Devido a isso, as relações sociais ficam prejudicadas. A perversa lógica do medo, diminui, pois, a afirmação e o reconhecimento do outro também como sujeito. Sujeito é o agente de algo. Numa sociedade civil adequada, todos são sujeitos, isto é, participam, são incluídos, atuam.

 Consequentemente, o discurso que permanece no âmbito formal, parece não dialogar com o mundo da realidade que se manifesta. Isso implica no que resultará, por exemplo, na punição, que é exercida sobre a conjuntura, mas os componentes desta, antes, de alguma forma, foram punidos.

 Outro discurso que se assemelha ao mencionado, é o que reclama pela violência. Infelizmente, essa ideia confusa, também não dialoga com o que realmente acontece. Responder a um ato violento de igual maneira ou pior, solucionará os gritantes problemas?

 Sabe-se, com efeito, que o problema de um permanente estado de guerra, não está isolado de outros problemas que se relacionam numa imbricação mútua e profícua. Basta observar a produtividade desse relacionamento em dados de estudos como o referido neste texto.

 A mediocridade, marca registrada no modo de gerir a coisa pública, segue impedindo que esse cenário de barbárie seja alterado.

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A gravidade do que está em jogo

Por Felipe Feijão em Artigos

05 de dezembro de 2017

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É nítida e perceptível a situação lamentável na qual se encontra a sociedade brasileira. Sem dúvida, o advento do modelo governamental vigente, reforça e torna o terreno do atraso e do retrocesso propício para o cultivo de medidas retrógradas, sobretudo para os mais vulneráveis.

As chamadas reformas, que mobilizam atualmente o Congresso Nacional (em sua grande parte constituído por corruptos), são colocadas como salvadoras da pátria. Além disso, o discurso político de preocupação com a nação, que denota uma ideia de progressividade nas atividades governistas, se torna bastante evidente. Isso viabiliza, pois, que as pautas de interesse maior dos próprios votantes, ganhem andamento e consequentemente votação.

Entretanto, não é possível se convencer com isso. A clareza do debate entusiasmado com o bem de todos, com garantia econômica para as futuras gerações, parece estar posicionado de um lado bem definido. Leonardo Boff em texto recente adverte que após anos do governo recentemente derrotado, “agora esta elite despertou. Deu-se conta de que estas políticas de inclusão social poderiam se consolidar e modificar a lógica de sua abusiva acumulação”. É claro, que aqui, a referência explícita é ao modo de gerir que forneceu com uma diversidade de programas públicos, nova cara para o país.

O que impera devido a eminente perversidade é a primazia do interesse financeiro: “O capital não tem pátria, apenas interesses no Brasil e em qualquer parte do mundo. Estas elites do atraso colocam-se decididamente do lado de seus interesses globais”, diz Boff.

O que está em jogo diante disso? Que força ou quais forças atuantes são as protagonistas dessa avalanche que pesará nos ombros dos mais humildes? Boff alerta que “trata-se de solapar um caminho autônomo, entregar a riqueza social e natural, acumulada em gerações, às grandes corporações. Esse modelo, para nossa desgraça, é assumido pelo atual governo corrupto e totalmente descolado do povo, de um neoliberalismo radical que implica o desmonte da nação. Daí o dever cívico e patriótico de derrotarmos estas elites do atraso, anti-povo e anti-nacionais que assumiram esta aventura, que poderá não ser mais suportável pelo povo. Tudo tem limites. Há de surgir uma consciência patriótica na forma de uma generalizada rejeição social”.

A realidade aponta para o fato de que a possibilidade de tal consciência, ou seja, de conceber o que acontece, se situa ainda muito distante.

 

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A gravidade do que está em jogo

Por Felipe Feijão em Artigos

05 de dezembro de 2017

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É nítida e perceptível a situação lamentável na qual se encontra a sociedade brasileira. Sem dúvida, o advento do modelo governamental vigente, reforça e torna o terreno do atraso e do retrocesso propício para o cultivo de medidas retrógradas, sobretudo para os mais vulneráveis.

As chamadas reformas, que mobilizam atualmente o Congresso Nacional (em sua grande parte constituído por corruptos), são colocadas como salvadoras da pátria. Além disso, o discurso político de preocupação com a nação, que denota uma ideia de progressividade nas atividades governistas, se torna bastante evidente. Isso viabiliza, pois, que as pautas de interesse maior dos próprios votantes, ganhem andamento e consequentemente votação.

Entretanto, não é possível se convencer com isso. A clareza do debate entusiasmado com o bem de todos, com garantia econômica para as futuras gerações, parece estar posicionado de um lado bem definido. Leonardo Boff em texto recente adverte que após anos do governo recentemente derrotado, “agora esta elite despertou. Deu-se conta de que estas políticas de inclusão social poderiam se consolidar e modificar a lógica de sua abusiva acumulação”. É claro, que aqui, a referência explícita é ao modo de gerir que forneceu com uma diversidade de programas públicos, nova cara para o país.

O que impera devido a eminente perversidade é a primazia do interesse financeiro: “O capital não tem pátria, apenas interesses no Brasil e em qualquer parte do mundo. Estas elites do atraso colocam-se decididamente do lado de seus interesses globais”, diz Boff.

O que está em jogo diante disso? Que força ou quais forças atuantes são as protagonistas dessa avalanche que pesará nos ombros dos mais humildes? Boff alerta que “trata-se de solapar um caminho autônomo, entregar a riqueza social e natural, acumulada em gerações, às grandes corporações. Esse modelo, para nossa desgraça, é assumido pelo atual governo corrupto e totalmente descolado do povo, de um neoliberalismo radical que implica o desmonte da nação. Daí o dever cívico e patriótico de derrotarmos estas elites do atraso, anti-povo e anti-nacionais que assumiram esta aventura, que poderá não ser mais suportável pelo povo. Tudo tem limites. Há de surgir uma consciência patriótica na forma de uma generalizada rejeição social”.

A realidade aponta para o fato de que a possibilidade de tal consciência, ou seja, de conceber o que acontece, se situa ainda muito distante.