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Socializando

por Felipe Feijão

Dia dos Pobres

Por Felipe Feijão em Artigos

17 de novembro de 2017

Imagem: Reprodução

 

O papa Francisco, convocou para o dia 19 de novembro, o I Dia Mundial dos Pobres. O que significa esse dia? Uma comemoração da pobreza? Parece que não. Trata-se, antes de mais, de uma reflexão sobre a realidade que assola milhares de seres humanos.

Surge, então, uma questão fundamental: como identificar o pobre? O papa afirma em sua mensagem para o referido dia, “Conhecemos a grande dificuldade que há, no mundo contemporâneo, de poder identificar claramente a pobreza. E todavia esta interpela-nos todos os dias com os seus inúmeros rostos marcados pelo sofrimento, pela marginalização, pela opressão, pela violência, pelas torturas e a prisão, pela guerra, pela privação da liberdade e da dignidade, pela ignorância e pelo analfabetismo, pela emergência sanitária e pela falta de trabalho, pelo tráfico de pessoas e pela escravidão, pelo exílio e a miséria, pela migração forçada. A pobreza tem o rosto de mulheres, homens e crianças explorados para vis interesses, espezinhados pelas lógicas perversas do poder e do dinheiro. Como é impiedoso e nunca completo o elenco que se é constrangido a elaborar à vista da pobreza, fruto da injustiça social, da miséria moral, da avidez de poucos e da indiferença generalizada!”.

Infelizmente, na realidade vivenciada num país como o Brasil, numa cidade como Fortaleza, é impossível, diariamente, não enxergar, a dignidade humana, sofrida e negligenciada. Tantas situações, tantos rostos sofridos, marcados pela dor, sobretudo pela indiferença, se apresentam nitidamente, nos mais diversos ambientes, ainda que estes adotem a educada política de segregação.

O filósofo Manfredo Oliveira afirma: “Vivemos em um país estranho, pois nele, no Brasil oficial, apenas uma parcela minoritária de sua população é incluída. Coexistem, no mesmo território, uma sociedade moderna, que cada vez mais se aproxima, econômica e culturalmente, dos países mais ricos do mundo, e uma sociedade primitiva, com milhões de habitantes vivendo nas cidades e nos campos em condições de vida que humilham a pessoa humana”[1].

Em virtude desse dia, surgem algumas perguntas. O percurso que cada vez mais é seguido pelo modelo governamental vigente, se volta para os vulneráveis? A agenda neoliberal que cada vez mais se explicita em privatizações, transformação de serviços públicos em produtos que se vende e compra no mercado, valorização da educação tecnicista e medidas que beneficiam os poderosos em detrimento dos mais fracos, são do interesse de quem?

Ora, num Congresso Nacional consideravelmente constituído por envolvidos em corrupção e investigados ou denunciados, não existe interesse para que as demandas populares sejam minimamente atendidas. Há, sim, interesse de grupos estratificados especificamente em defesa de representação própria.

Felizmente, um dia dedicado aos pobres, supõe, a possibilidade de reflexão e de conscientização dessa evidente situação.

 

[1] OLIVEIRA, Manfredo. Desafios éticos da globalização. São Paulo: Paulinas, 2008, p. 5.

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CNBB atuante

Por Felipe Feijão em Artigos

30 de outubro de 2017

 

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 Fruto de reunião recente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, foram publicadas notas pertinentes sobre o momento atual. Um manifesto se refere ao momento político de agora e outro trata em forma de repúdio da portaria do Ministério do Trabalho.

Em tom de denúncia afirma a primeira nota: “Repudiamos a falta de ética, que há décadas, se instalou e continua instalada em instituições públicas, empresas, grupos sociais e na atuação de inúmeros políticos que, traindo a missão para a qual foram eleitos, jogam a atividade política no descrédito. A barganha na liberação de emendas parlamentares pelo Governo é uma afronta aos brasileiros”.

Essa repulsa se apresenta como necessária. A situação de um Congresso repleto de corruptos, estratificados em grupos específicos que trabalham em prol de benefício próprio e que pela segunda vez no mesmo semestre, em sua maioria, admite que o Presidente denunciado não seja investigado, é muito grave.

Diante desse espetáculo, faltando menos de um ano para o período eleitoral, a nota reconhece que: “A apatia, o desencanto e o desinteresse pela política, que vemos crescer dia a dia no meio da população brasileira, inclusive nos movimentos sociais, têm sua raiz mais profunda em práticas políticas que comprometem a busca do bem comum, privilegiando interesses particulares. Tais práticas ferem a política e a esperança dos cidadãos que parecem não mais acreditar na força transformadora e renovadora do voto. É grave tirar a esperança de um povo”.

O nascente debate que emerge na especulação de possíveis ou já na constatação de nomes que disputarão campanha, faz com que os bispos alertem para o fato de que “Urge ficar atentos, pois, situações como esta abrem espaço para salvadores da pátria, radicalismos e fundamentalismos que aumentam a crise e o sofrimento, especialmente dos mais pobres, além de ameaçar a democracia no País”.

Sem dúvida, o desgaste e o permanente descrédito com a politicagem que é sinônimo do poderoso modelo partidário vigente, chega ao ponto de que um discurso que se manifesta travestido possa ganhar adeptos e força. A recente mudança de nome de alguns partidos é bonita e entusiasmante, porém na prática essa renovação nasce já desgastada.

No que diz respeito a publicação da portaria do Ministério do Trabalho que altera o conceito de trabalho escravo, a nota deixa claro “A desumana Portaria é um retrocesso que, na prática, faz fechar os olhos dos órgãos competentes do Governo Federal que têm a função de coibir e fiscalizar esse crime contra a humanidade e insere-se na perversa lógica financista que tem determinado os rumos do nosso país”.

E ainda: “Nosso País no qual, por séculos, vigorou a chaga da escravidão de modo legalizado, tem o dever de repudiar qualquer retrocesso ou ameaça à dignidade e liberdade da pessoa humana. Reconhecendo a importância da decisão liminar no Supremo Tribunal Federal que suspende essa Portaria da Escravidão e somando-nos a inúmeras reações nacionais e internacionais, conclamamos a sociedade a dizer mais uma vez um não ao trabalho escravo”, dizem os Bispos.

A mediocridade, marca registrada no modo de gerir a coisa pública, segue na intensificação da não valorização da dignidade do ser humano já tão maltratada pela negligência de oferta de serviços básicos que descamba contra a própria estrutura arruinada e esta tenta inutilmente enfrentar aquela, exemplo disso se vê na guerra da violência que impera por um lado, e por outro, o braço armado do Estado.

 

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Por uma sociedade humanizada

Por Felipe Feijão em Artigos

24 de outubro de 2017

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A situação política atualmente vivenciada no Brasil é preocupante. Quando se torna quase que rotineiro, a votação na Câmara pelo prosseguimento ou não de investigação contra o Presidente da República, algo não está muito certo. O mais grave disso é o aparato que esse modelo de governabilidade encontra numa permanência no poder, fato que se constata numa base que serve de alicerce e sustentáculo, raiz esta composta por envolvidos em corrupção.

Reformas, novas propostas, se apresentam como um marco que deve ser deixado. Parece que essa avalanche de novidade, que se manifesta numa agenda neoliberal, constituída de privatizações, de valorização do tecnicismo, dentre outros males, chega para acentuar cada vez mais o escândalo da desigualdade.

O filósofo Manfredo Oliveira em artigo recente recorda que: “O Brasil é um espetáculo de desigualdade e se situa entre os dez países mais desiguais do mundo”. Mas por que esse fosso lamentável permanece em constante estado de desenvolvimento? Ora, devido a uma estrutura que é sustentada pelos que justamente dominam. “Encaminhar trilhões aos cofres do sistema financeiro dos super-ricos por duas décadas (governos recentes) significou impossibilitar investimentos públicos e privados. Daí os efeitos negativos na indústria, na infraestrutura pública, nos serviços urbanos, na saúde, na educação, tendo como efeito a degradação da qualidade de vida das pessoas… A brutal desigualdade de renda continua a ser o traço definidor do Brasil. A equipe econômica atual empenha-se no aprimoramento desta postura”, afirma Manfredo.

Pensar que oito indivíduos possuem mais riqueza do que metade da humanidade não é imaginação, é a realidade apontada pelo relatório “Uma economia para os 99%”, divulgado no início do ano e elaborado pela Oxfam.

Em declaração recente o Papa Francisco propôs uma civilização do mercado na visualização de uma ética. Observando a condição de agora do país, as palavras do Papa são bastante oportunas: “O aumento endêmico e sistêmico das desigualdades e da exploração do Planeta, e o trabalho que não dignifica a pessoa humana são as duas causas específicas que alimentam a exclusão e as periferias existenciais”.

Será que a portaria que há pouco foi atestada pelo Ministério do Trabalho, beneficia os trabalhadores ou facilita a manutenção de trabalho escravo? Isso não valoriza a dignidade do ser humano já tão maltratada pela negligência de oferta de serviços básicos.

Numa sociedade em que impera a primazia do que é eficaz, produtivo, vantajoso, o Papa alerta que “Valores fundamentais como a democracia, a justiça, a liberdade… não podem ser sacrificadas no altar da eficiência”. E ensaia uma crítica ao Estado: “O Estado não pode conceber-se como único e exclusivo detentor do bem comum, não permitindo a corpos intermediários da sociedade civil de expressarem plenamente seu pleno potencial”. Infelizmente, o cenário dessa conjuntura que domina hoje, segue em pleno aperfeiçoamento. O questionamento fundamental que surge é se desse modo se pode ter uma sociedade humana.

 

 

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Quem governará o Brasil a partir de 2018?

Por Felipe Feijão em Artigos

19 de outubro de 2017

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Em postagem recente em seu blog, Leonardo Boff veicula um texto de Frei Betto no qual alerta bem para a séria situação atual. A questão fundamental é em quem votar para presidente na possível sucessão do atual governo, uma vez que tudo indica que as coisas permanecerão como estão: “Ora, devemos votar no Brasil que sonhamos para as futuras gerações. Isso significa priorizar programas e projetos, e não candidatos. Um país no qual coincidam democracia política e democracia econômica. De que vale o sufrágio universal se não repartimos o pão?

Votar no Brasil que requer profundas reformas estruturais, como a tributária, com impostos progressivos; a agrária, com o fim do latifúndio e do trabalho escravo; a política e a judiciária. Brasil que promova os direitos das populações indígenas, quilombolas e ribeirinhas. Brasil de democracia participativa e no qual o Estado seja o principal indutor do desenvolvimento, com distribuição de riqueza e preservação ambiental”.

De fato, é preciso perceber o cenário em que está inserido o Brasil. O atual modelo de governabilidade diariamente chama a atenção de todos, e deixa claro que imperam interesses próprios e uma já conhecida agenda de Estado mínimo, em certo sentido.
Recentemente, alguns partidos mudaram de nome, e agora, se denominam como movimentos nascentes em prol de novas causas, de um novo tempo na política ou mesmo não só na política, mas aparentam desejar uma certa mobilização na sociedade mesma. Esse discurso é bonito e entusiasmante. Entretanto, a constituição desses grupos de renovação, se mostra como velha e nasce já como desgastada.

Desde as últimas eleições gerais de 2014, o desgaste dos políticos e da política enquanto politicagem atingiu um nível demasiado. E nomes bem conhecidos do eleitorado, encontram-se, envolvidos em corrupção. Dessa forma, pode ser um bom palpite uma mudança superficial, que com um nome único, sem o velho título de “partido” no começo, satisfaça mais os ouvidos e os olhos do povo.

A chamada reforma que ainda há pouco esteve em pauta no Congresso, beneficia os próprios que a propuseram e que consequentemente a aprovaram, por acaso, faltando pouco mais de um ano para as eleições. A lembrança é válida: “Votar é importante, mas não suficiente. Porque no Brasil tradicionalmente nós votamos e o poder econômico elege. Em 2018, porém, será a primeira eleição para o Congresso e a presidência da República na qual as empresas não poderão financiar campanhas políticas, como faziam as que estão denunciadas pela Lava Jato. Isso não significa que o caixa dois será extinto. Seria muita ingenuidade pensar que políticos que se lixam para a ética não haverão de encontrar formas de obter dinheiro ilegal. Por isso, é um erro jogar nas eleições todas as fichas da nossa esperança em um Brasil melhor.

O mais importante é investir no empoderamento popular. Reforçar os movimentos sociais e sindicais, intensificar o trabalho de formação política e consciência crítica, dilatar os espaços de pressão, reivindicação e mobilização. Só conseguiremos mudanças significativas se vierem de baixo para cima”, conclui Frei Betto.

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O legado de Aparecida

Por Felipe Feijão em Artigos

14 de outubro de 2017

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No dia 12 de outubro deste ano, a Igreja Católica, comemorou os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora da Conceição, que pelo fato de ter sido encontrada por três humildes pescadores, recebeu mais tarde o nome de Aparecida.

Ela apareceu nas águas do Rio Paraíba do Sul, São Paulo, no ano de 1717. Os três homens, que saíram para pescar, lançaram as redes, e, primeiramente pescaram o corpo e depois a cabeça da imagem, conforme afirmou o papa Francisco, no encontro com o episcopado brasileiro em julho de 2013. “No início do evento, que é Aparecida, está a busca dos pescadores pobres. Tanta fome e poucos recursos. As pessoas sempre precisam de pão. Os homens partem sempre das suas carências, mesmo hoje”.

Com isso, nascia a devoção para com a imagem, o que séculos mais tarde, poderia ser observado na religiosidade popular que se manifesta atualmente na fé do povo católico brasileiro que a tem como padroeira.

Mas, é preciso atentar para o seguinte fato descrito pelo papa no referido texto: “Veem, então, a imagem da Imaculada Conceição. Primeiro o corpo, depois a cabeça, em seguida a unificação de corpo e cabeça: a unidade. Aquilo que estava quebrado retoma a unidade. O Brasil colonial estava dividido pelo muro vergonhoso da escravatura. Nossa Senhora Aparecida se apresenta com a face negra, primeiro dividida, mas depois unida, nas mãos dos pescadores”.

O País daquela época era escravagista. Utilizava seres humanos como se fossem objetos, por causa da cor, da origem. No entanto, são homens simples, os personagens do acontecimento do achado de uma imagem negra, o que significa o legado ulterior que a mística devocional de um povo reconheceria e, por isso, celebraria.

Interessante perceber que as aparições de Maria, possuem a característica de semelhança com o povo para o qual aparece. Em Lourdes como uma camponesa, no México se aproxima de um indígena e em Aparecida surge negra, o que denota também que toma as dores do povo.

 

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Que situação é essa?

Por Felipe Feijão em Artigos

06 de outubro de 2017

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Novamente, começa a tramitar na Câmara dos Deputados, nova denúncia contra o Presidente da República. Neste mesmo semestre, no início do mês de agosto, a maioria dos deputados decidiu não autorizar o prosseguimento de outra denúncia da PGR contra o referido senhor. Parece que isso, torna-se agora, algo rotineiro.
Diante dessa situação, de corrupção demasiada, que constitui grande parte do Congresso, ou seja, dos que decidem sobre aprovar ou não as denúncias, alguns questionamentos emergem como oportunos: a que ponto chegará isso? Seria uma solução o afastamento do Presidente? Quem ocuparia seu lugar?

Essa última interrogação, faz vir à tona, o já aflorado debate sobre as eleições de 2018. Há um nome capaz de inspirar confiança para uma possível governabilidade? Essa chamada reforma política que por acaso esteve em pauta, servirá aos interesses de quem?
O fato é que o País se encontra numa condição de desolação. Nos últimos dias, a declaração sobre a possibilidade de uma interferência militar, na conjuntura de corrupção política, fez abrir os olhos de quem se preocupa com a realidade que se manifesta.

Ora, num estado de corrupção generalizada, de um quase caos declarado, nada melhor do que restabelecer a ordem, a moral e os bons costumes. No entanto, vale perscrutar a história recente, para que se entenda, como no passado, tal interferência, impôs o ordenamento e a moralização. Não é de se admirar, a defesa que reivindica, pois, que isso aconteça, porém, ela não leva em conta as prováveis consequências que podem advir desse estabelecimento, uma vez que se embasa de modo geral na corrupção atual, no caos explícito que se encontra em diversos âmbitos, sobretudo na abrangência da vida social, para proteger seu argumento.

Na circunstância atual, não se vivencia já um modelo regrado, nas palavras de L. Boff, uma “ditadura civil” que não fornece opções, que tolhe a dignidade humana através da negligência de oferta de necessidades sociais básicas, gerada pela mediocridade instaurada na forma de gerir a coisa pública? Afinal, que turbulência é essa que atinge brutalmente a todos e não aponta perspectiva de uma saída?

Em artigo recente postado em seu Blog, Boff afirma: “Tudo está sendo feito ou por PECs, decreto ou por medidas provisórias propostas por um presidente, acusado de chefiar uma organização criminosa e com baixíssimo apoio popular que alcança apenas 3%, propostas estas enviadas, a um parlamento com 40% de membros acusados ou suspeitos de corrupção. Que significa tal situação senão a vigência de um Estado de exceção? Um governo que governa sem o povo e contra o povo, abandonou o estatuto da democracia e claramente instaurou uma ditadura civil”.

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Criticar a crítica

Por Felipe Feijão em Artigos

27 de setembro de 2017

O já conhecido discurso da politicagem que culpa determinado grupo de impotência tão comprometido quanto o que lança a crítica neste, emerge, inúmeras vezes, disfarçado como forte alternativa possível para solucionar os graves problemas que assolam a sociedade.

De fato, essa entrega de responsabilidades, acontece porque os que não estão com o poder nas mãos, como via para alcançá-lo, necessitam de um projeto que satisfaça os ouvidos e consequentemente os anseios do povo. Esse projeto, manifestado no velho engodo eleitoreiro, representa, pois, o explícito desgaste do modelo aqui tratado de crítica.

Uma crítica dessa crítica se mostra como reação de indignação ao que aí se coloca como proposta a ser aceita. O que precisa ser criticado? Ora, a estrutura mesma que enraíza e que mantém as condições de uma forma governamental que não mais oferece confiança, e, indubitavelmente, não representa os que acreditam na crítica de uns que depositam responsabilidade em outros.

Isso significa dizer que a impotência não possui simplesmente a um ou vários grupos desses, mas se refere ao que, por assim dizer, sustenta tal desenvoltura. Assim, a ineficiência se transmite a uma quase generalização deles, uma vez que, se o que conserva está arruinado, tudo o mais por ele conservado, será atingido.

A estrutura, chamada aqui, mantenedora disso, está comprometida porque, infelizmente, na medida em que se dispõe ao serviço de interesses outros que não são os de seu cumprimento que atende seu motivo próprio de ser, se lança numa aventura que cada vez mais se evidencia. E a nitidez se expressa na implementação de uma manutenção cruel em que o objetivo é tirar do que é público a responsabilidade de oferta de serviços e depositar no privado tal prestação, daí porque a ideia de qualidade se situar neste último.

Essa instauração não é novidade. E o intento para sua efetivação aos poucos encontra sustentáculo em grupos que justamente servem ao interesse dessa realização. Por isso, parece conveniente, observar que a perspectiva de que reside no desgaste, na insuficiência e na mediocridade da estrutura que alicerça tudo o mais a partir dela, da qual emanam os referidos grupos e, por conseguinte, as críticas, está numa condição propriamente de não dialogar com o que a sociedade em geral deseja.

Além disso, se o suporte que é base, é motivado, e por assim dizer, patrocinado pelos que possuem os canais de dinâmica mediante os quais precisam fazer uso para sua subsistência a maioria dos que parecem confiar na crítica que culpa os detentores do poder, não haverá intenção estrutural para que ocorram mudanças.

 

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Dependência do Brasil

Por Felipe Feijão em Artigos

07 de setembro de 2017

A dependência que aqui se aborda não é a da questão histórica da proclamação e das controvérsias que envolvem o tema, como não é novidade nos importantes registros históricos do país. Trata-se, pois do grave momento que ameaça a todos.

Parece que o grupo que atualmente detém o poder, instaura de forma disseminada uma dependência declarada. Dependência dos trabalhadores ao empresariado, dos estudantes a uma educação cada vez mais tecnicista, das empresas estatais ao interesse estrangeiro, da população em geral ao sofrimento devido a ineficiência evidente no que se pode imaginar de oferta de serviço mais básico.

A dependência também se torna nítida na urgente necessidade da realização de reformas que por assim dizer irão melhorar o país. No entanto, um questionamento fundamental que confronta essa imprescindibilidade: “reformar para quem?”.

Novamente, entra em pauta a reforma política. O fato é que tal reforma, apesar de ser positiva e gerar de certa forma consequências concretas e esperanças futuras, não satisfaz a participação popular e, tampouco colabora com a melhoria do sistema eleitoral. A partir do momento em que se discute sobre esse importante passo estrutural a ser dado, sem que haja um real engajamento social vinculado ao atendimento das verdadeiras demandas populares, existe nessa conjuntura algo que não dialoga diretamente com a sociedade e não efetiva positivamente as exigências sociais.

É salutar que aconteçam reformas na estrutura desgastada e esgotada das instituições, mas, mais do que criação de novas formulações superficiais, é preciso haver um novo enquadramento na estrutura, ou seja, no sentido mais profundo que ocasiona a manutenção do sistema.
Infelizmente, a permanência do interesse pelo poder e pela constância do desgastado modo de governar, continua ditando as regras do jogo, e isso gera dependência.

E, a mais recente novidade de dependência, foi o decreto presidencial para extinguir a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca) da Amazônia.

Enfim, os tentáculos impiedosos desse modelo de gerir a coisa pública, posicionam todos numa progressiva condição de sujeição, de retrocesso e de começo de um tempo incerto.

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Que Congresso é esse?

Por Felipe Feijão em Artigos

10 de agosto de 2017

Em artigo recente sobre a sessão da Câmara dos Deputados, que majoritariamente votou contra a admissibilidade de processo contra Temer no STF, Leonardo Boff se posiciona: “O que a sessão mostrou foi a real natureza de nossa democracia que se nega a si mesma. Se a medirmos pelos predicados mínimos de toda a democracia que é o respeito à soberania popular, a observância dos direitos fundamentais do cidadão, a busca de uma equidade mínima na sociedade e o incentivo à participação, o bem comum, além de uma ética pública reconhecível, então ela comparece como uma farsa e como uma negação de si mesma”.

A situação de quantidade expressiva de membros do Congresso envolvidos em corrupção denota o que pode se esperar deles. “Como iriam votar a favor da admissibilidade de um julgamento de um Presidente, pelo Supremo Tribunal Federal, se cerca de 40% de atuais deputados respondem a vários tipos de processos na Corte Suprema? Vigora sempre um conluio secreto entre os criminosos ou acusados como tais”, diz Boff.

Um governo altamente impopular, que parece a atender interesses abstrusos, marcha com o objetivo de aprovar as chamadas reformas. Qual a finalidade de reformar? Em nota sobre o assunto a CNBB afirma que: “Nessa lógica perversa do mercado, os Poderes Executivo e Legislativo reduzem o dever do Estado de mediar a relação entre capital e trabalho, e de garantir a proteção social. Exemplos disso são Lei das Terceirizações e Reforma Trabalhista, bem como a proposta de Reforma da Previdência. É inaceitável que decisões de tamanha incidência na vida das pessoas e que retiram direitos já conquistados, sejam aprovadas no Congresso Nacional, sem um amplo diálogo com a sociedade”.
Infelizmente, a estrutura que cada vez mais se instala, não está aberta ao diálogo, sobretudo com os que quando aos poucos conseguem mudanças significativas através de avanços sociais, são barrados pelo vício censurador que entra em jogo e condiciona a situação atual à semelhantes registradas pela história recente.

É preciso, pois que se atente para o fato de que tal estrutura desgastada, viciada e maculada não oferece mais esperança de que se possa realizar a efetivação de uma representação que se coloca ao lado dos que mais padecem perante o constante estado agonizante que atinge a vida de todos.

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Do papa aos jovens

Por Felipe Feijão em Artigos

07 de agosto de 2017

“O dinheiro deve servir, e não governar!”. Esta é uma exclamação presente na visualização de alguns desafios do mundo atual, expostos pelo Papa Francisco na exortação Evangelii Gaudium de 2013. O dinheiro é um meio (não um fim), quando o meio deixa de ser o que é para se tornar fim (que é governar), algo caminha de forma inversa.

O Papa escreveu uma carta que merece atenção dos jovens brasileiros por ocasião do encerramento do Rota 300, que ocorreu em Aparecida-SP. Esse evento comemora os 300 anos do encontro da imagem de Aparecida, no rio Paraíba do Sul.

A celebração dos três séculos transcorridos do encontro da imagem, denota o tema da imagem de Aparecida, que possui diversas vertentes que podem ser abordadas, mas não aqui, de um ponto de vista religioso e social, dado o contexto escravagista em que vivia o país.

Duas frases podem ser destacadas da mensagem do Papa aos jovens: “Não tenham medo de lutar contra a corrupção e não se deixem seduzir por ela!”. É possível fazer uma relação entre essa afirmação e a atual situação de corrupção na qual estão inseridos vários países, condição tratada por Francisco na exortação Evangelii Gaudium, 60: “Os mecanismos da economia atual… torna-se ainda mais irritante, quando os excluídos vêem crescer este câncer social que é a corrupção profundamente radicada em muitos países – nos seus Governos, empresários e instituições – seja qual for a ideologia política dos governantes”.

Infelizmente, a idolatria do dinheiro se enraíza cada vez mais em projetos de governo que não dialogam com as necessidades populares, mas que atendem pautas que apontam para o retrocesso. O que acontece agora no Brasil serve de exemplo bastante oportuno. Um Estado que delibera reformas que parecem atender o interesse do “mercado divinizado” como fala o Papa em Evangelii Gaudium, 56, não está preocupado com a efetivação de direitos básicos.

A segunda afirmativa relevante da carta: “Vocês são a esperança do Brasil e do mundo. E a novidade, da qual vocês são portadores, já começa a construir-se hoje”. Essa afirmação dialoga abertamente com o parágrafo 108 da citada encíclica: “Os jovens chamam-nos a despertar e a aumentar a esperança, porque trazem consigo as novas tendências da humanidade e abrem-nos ao futuro, de modo que não fiquemos encalhados na nostalgia de estruturas e costumes que já não são fonte de vida no mundo atual”.

De fato, a corrupção que gera morte, não pode ser fonte de vida. Sem dúvida, quando se deposita esperança em algo é porque se acredita numa nova realidade que é possível. O sofrimento, o padecimento, a angústia, a aflição, o estado de alerta em função da gritante violência, o abandono em que se encontra grande parte da população em decorrência da falta de oferta de serviços necessários que constituem a dignidade humana, são fruto do desinteresse com o que é público e do interesse de promoção com o que se torna de poucos.

A novidade que se pode oferecer é uma retomada a ética no agir humano em seu sentido mais profundo, que se despreza generosamente e que se desconhece.

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Dia dos Pobres

Por Felipe Feijão em Artigos

17 de novembro de 2017

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O papa Francisco, convocou para o dia 19 de novembro, o I Dia Mundial dos Pobres. O que significa esse dia? Uma comemoração da pobreza? Parece que não. Trata-se, antes de mais, de uma reflexão sobre a realidade que assola milhares de seres humanos.

Surge, então, uma questão fundamental: como identificar o pobre? O papa afirma em sua mensagem para o referido dia, “Conhecemos a grande dificuldade que há, no mundo contemporâneo, de poder identificar claramente a pobreza. E todavia esta interpela-nos todos os dias com os seus inúmeros rostos marcados pelo sofrimento, pela marginalização, pela opressão, pela violência, pelas torturas e a prisão, pela guerra, pela privação da liberdade e da dignidade, pela ignorância e pelo analfabetismo, pela emergência sanitária e pela falta de trabalho, pelo tráfico de pessoas e pela escravidão, pelo exílio e a miséria, pela migração forçada. A pobreza tem o rosto de mulheres, homens e crianças explorados para vis interesses, espezinhados pelas lógicas perversas do poder e do dinheiro. Como é impiedoso e nunca completo o elenco que se é constrangido a elaborar à vista da pobreza, fruto da injustiça social, da miséria moral, da avidez de poucos e da indiferença generalizada!”.

Infelizmente, na realidade vivenciada num país como o Brasil, numa cidade como Fortaleza, é impossível, diariamente, não enxergar, a dignidade humana, sofrida e negligenciada. Tantas situações, tantos rostos sofridos, marcados pela dor, sobretudo pela indiferença, se apresentam nitidamente, nos mais diversos ambientes, ainda que estes adotem a educada política de segregação.

O filósofo Manfredo Oliveira afirma: “Vivemos em um país estranho, pois nele, no Brasil oficial, apenas uma parcela minoritária de sua população é incluída. Coexistem, no mesmo território, uma sociedade moderna, que cada vez mais se aproxima, econômica e culturalmente, dos países mais ricos do mundo, e uma sociedade primitiva, com milhões de habitantes vivendo nas cidades e nos campos em condições de vida que humilham a pessoa humana”[1].

Em virtude desse dia, surgem algumas perguntas. O percurso que cada vez mais é seguido pelo modelo governamental vigente, se volta para os vulneráveis? A agenda neoliberal que cada vez mais se explicita em privatizações, transformação de serviços públicos em produtos que se vende e compra no mercado, valorização da educação tecnicista e medidas que beneficiam os poderosos em detrimento dos mais fracos, são do interesse de quem?

Ora, num Congresso Nacional consideravelmente constituído por envolvidos em corrupção e investigados ou denunciados, não existe interesse para que as demandas populares sejam minimamente atendidas. Há, sim, interesse de grupos estratificados especificamente em defesa de representação própria.

Felizmente, um dia dedicado aos pobres, supõe, a possibilidade de reflexão e de conscientização dessa evidente situação.

 

[1] OLIVEIRA, Manfredo. Desafios éticos da globalização. São Paulo: Paulinas, 2008, p. 5.