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Papo Psi

por Caroline Secundino Treigher

Eleições 2018 e a guerra das sombras

Por Caroline Treigher em Comportamento, Política, Psicologia

16 de setembro de 2018

As pessoas pensam que a sombra – conceito da psicologia junguiana – é a nossa parte ruim, que escondemos. Mas não é bem assim. A sombra é o inconsciente, que não se encontra à luz da consciência. Parte da dificuldade em reconhecer a sombra se deve ao medo de, ao revelarmos características inaceitáveis, sofrermos “rejeição”. O ruim é que, embora ignorados, os conteúdos da sombra não deixam de existir e de determinar nossas ações. É por isso que, de repente, nos surpreendemos agindo contra tudo o que pregamos.

Um exemplo é o tanto de gente postando aqui que o candidato X é preconceituoso, enquanto chama os que votam no dito X de burros. Isso não é preconceito? Acaso a inteligência dos eleitores de X foi mensurada por técnicas confiáveis? Por outro lado, alguns postam que o candidato Y é corrupto, e que seus eleitores são fanáticos e imorais, mas usam, corruptamente, discursos falsos, não menos fanáticos e imorais. Acaso as justificativas dos eleitores de Y foram comprovadas como infundadas e mal intencionadas?

Enfim, estamos literalmente numa guerra das sombras. A julgar pelas postagens citadas, o país está repleto de burrices, preconceitos, corrupções, fanatismos e imoralidades… de todos os lados!

A saída não é ficar em cima do muro, mas tentar ser coerente. Se você acreditar no amor, no respeito, ser amoroso e respeitoso. Se quiser paz e justiça, portar-se com pacificidade e não fazer julgamentos genéricos e precipitados. Essa atitude não vai iluminar o mundo, mas já acenderá pelo menos uma centelha.

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Para quem está cansado da violência

Por Caroline Treigher em Comportamento, Política

09 de setembro de 2018

Hoje queria partilhar com você que me lê, um pouco da minha indignação. Talvez também seja a sua. Pelo menos me parece que muita gente, como eu, anda incomodada com a grande onda de violência que assola o país e o mundo. Bem, vou falar do país, que é a parte do mundo que melhor conheço. Mais especificamente, vou falar da minha cidade.

Moro em Fortaleza, capital do Ceará. Um dos maiores índices de violência do Brasil. Do mundo! Aqui, é difícil conhecer alguém que nunca foi assaltado. E quando a gente conhece, logo se pergunta: “Até quando?” Nesse contexto, sentir medo é regra.

Por isso, chega a época das eleições e os candidatos fazem promessas de segurança. Claro, é o mínimo que se espera. O inesperado é a atitude dos eleitores. Isso mesmo. Todo mundo fica indignado com a hipocrisia dos políticos, mas eu tenho começado a me chocar com a incongruência dos cidadãos. Não vou dizer hipocrisia, porque hipocrisia requer uma vontade manipuladora, e me parece que as pessoas nem percebem o que fazem. Mas basta acessar as redes sociais, para ver.

Há um monte de gente se agredindo. Uns se batem claramente com palavrões, acusações etc. Outros são esgrimistas que usam a ironia, o sarcasmo, a indireta. Todos pregam a liberdade, oprimindo; falam de paz, brigando; pedem tolerância, chamando de burros os que julgam intolerantes; exigem respeito, insultando. E no meio disso tudo, um posta, de Gandhi: “Seja a mudança que você quer ver no mundo”. Aí os gladiadores digitais suspendem as armas e curtem. Oi? Como assim? É incoerência demais!

Não pense você, leitor, que me excluo do contra-senso. Escrevo também para mim. Não estou aqui para apontar o dedo, mas para partilhar a reflexão. Nunca vamos mudar os políticos que aí estão, muito menos o quadro de violência que se alastra na cidade, no estado, no país e no mundo, se não mudarmos, em nós mesmos, as bases de tudo isso que nos horroriza: a má educação, o desrespeito, a grosseria, o egoísmo, o desamor, a presunção. Queremos mais igualdade? Queremos menos violência? Queremos o fim da corrupção? Não vamos esperar que alguém, eleito, nos dê isso. Vamos fazer a nossa parte. Vamos ser, nós mesmos, aquilo que esperamos que os outros sejam: pessoas melhores.

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Amor não é prisão, mas liberdade

Por Caroline Treigher em Comportamento

08 de junho de 2018

Amor de verdade é assim: leve, dedicado e fiel por vontade, e não por imposição. Se não for assim, não é amor, é prisão.

Está chegando o dia dos namorados e muita gente aproveita o momento para declarar o seu amor. Alguns usam uma linda poesia do poeta português Luís Vaz de Camões. Segue abaixo, para vocês se deliciarem:

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

É linda, não é mesmo? Mas observando atentamente, a gente vê que não é realmente de amor que o autor está falando. Camões que me perdoe, ele parece estar descrevendo o VÍCIO. Releia a poesia substituindo a palavra “amor” por qualquer vício, seja “bebida”, “cocaína”, “comida”, qualquer um. Veja se não se aplica?

O amor, para você, “é ferida que dói e não se sente”? Eu acho que não. Esse “contentamento descontente” é na verdade uma característica da dependência. Tem gente que não ama, mas se vicia na outra. Uma coisa, porém, não tem nada a ver com a outra. O amor de verdade é livre.

Quando você ama alguém, não é porque não pode viver sem essa pessoa. Neste caso, estar com a dita pessoa seria uma necessidade e não uma escolha. Parece bonito, mas não é. Porque o mais bonito é você saber que pode ser feliz sem alguém, e mesmo assim, escolher ser feliz com este alguém. Ele não é a única opção de felicidade na sua vida, mas é a opção que você escolheu, deliberadamente, porque ama. Amor de verdade é assim: leve, dedicado e fiel por vontade, e não por imposição. Se não for assim, não é amor, é prisão.

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O que fazer quando não se pode fazer nada?

Por Caroline Treigher em Comportamento, Psicologia

26 de Maio de 2018

Tem coisas que não podemos mudar. Mas será que isso quer dizer que não resta nada a fazer? (Foto: Guilherme Collares)

A impotência, sentimento que nos trespassa quando não podemos mudar algo que aconteceu e foi muito ruim, é uma das piores experiências da vida. Eu que trabalho com a escuta das dores da alma, que acesso os segredos das famílias, suas feridas psíquicas e cicatrizes emocionais, sei bem disso. A pessoa que sofreu um abuso sexual, a que perdeu um ente querido, que foi vítima da violência na infância, que sofreu uma rejeição, foi abandonada, ou cometeu um erro pelo qual não se perdoa… São muitas possibilidades que geram uma sensação terrível, uma dor no peito que não raro vem acompanhada de um pensamento: “Não há nada que eu possa fazer para mudar isso.” Daí nasce uma tristeza ou apatia, que nos faz sentir fracos, sem poder. É a impotência.
Mas até que ponto somos impotentes perante o passado? De fato, não há como reverter o que já foi. A história está posta e só segue para frente. Tem coisas que absolutamente não podemos mudar. Mesmo assim, existe algo que podemos fazer. Nem sempre nos damos conta de que nossa psique é um universo de possibilidades. Podemos alterar a forma como encaramos as experiências e, a partir disso, construir novas experiências. Podemos ressignificar. Esse é um dos objetivos da psicoterapia, mas podemos realizá-lo até mesmo sozinhos (embora quando estamos muito fracos, receber ajuda se torne essencial). Requer esforço, treinamento, mas pode mudar nossas vidas, ainda que não mude o passado.
Diante daquilo que entrou para a casa do “sem jeito”, posso perguntar o que está nas minhas mãos fazer com o resultado. É como reciclar lixo. Olho aquilo que restou, que é tão feio, e me questiono como aproveitar. É preciso boas porções de criatividade, claro.
Um dos maiores exemplos neste campo foi o ator Christopher Reeve. Para quem não sabe, ele interpretou no cinema um dos mais famosos heróis dos quadrinhos: o Super-Homem. Era lindo e saudável, mas uma queda de cavalo o deixou tetraplégico. Isso poderia tê-lo destruído, e chegou perto, mas ele ressignificou. Usou sua fortuna e influência para liderar uma campanha a favor de pesquisas com células-tronco. Também fundou e dirigiu uma organização de estudos e cuidados paliativos relacionados a doenças que afetam o sistema nervoso central e o cérebro. Obviamente este é um exemplo extremo. Meu intuito é mostrar que mesmo diante do que não podemos mudar, é possível fazer algo que dê sentido à dor e à vida. Cada um com suas condições, naturalmente. Por isso, quando você achar que não pode fazer nada, reflita um pouco mais. Peça ajuda. Mas não desista. Há sempre um caminho a seguir.

 

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Jovem demais para morrer

Ontem uma amiga minha se foi.  Ela tinha a minha idade e um filho novinho, ainda. Meu coração ficou em choque. Nunca esperamos a morte de alguém ainda jovem, com cara de saúde, equilibrada, como era ela. Mas é assim que funciona.

Não sabemos até quando estaremos por aqui, mas sem dúvida estamos só de passagem. Para alguns a viagem é maior, para outros é menor. Mas nunca é para sempre.

Tem gente que vive como se não fosse morrer nunca. Deixa tudo para depois, coleciona ressentimentos, esconde declarações de amor, guardando tudo para um dia no futuro. E esse dia pode não chegar…

Tem gente que não vê a vida passar, tentando conquistar elementos para ser feliz, sem entender que a felicidade não surge dos bens que colecionamos, mas do bem que espalhamos.

Acho que devíamos viver cada dia como se fosse o último. Um último dia tem que ser lindo, pelo menos por dentro, tem que ser cheio de amor. Para mim este é um grande projeto: me preparar para chegar ao meu “fim” com paz no coração. Consciência tranquila. Amores conectados. Desamores superados. Felicidade sentida na alma.

Um último dia tem que ser bom, e como não sabemos quando será, vale o esforço para que todos os dias sejam bons. Claro que não podemos mudar o mundo para ajustá-lo à nossa perspectiva do que é bom. Contudo, podemos abraçar o desafio de olhar o mundo com muito mais bondade.

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Por que continuar vivo?

Por Caroline Treigher em Comportamento, Psicologia

13 de Maio de 2018

Acredito que todo mundo, cedo ou tarde, tem pelo menos um dia de desespero. E no desespero pensa em morrer. Às vezes por um raio, uma morte súbita, qualquer evento que o retire do mundo como nos videogames; às vezes pelas próprias mãos. Desejar estar morto é bem mais comum do

Toda dor tem um pico, no qual não se permanece eternamente. É uma lei natural: tudo passa.

que se publica nas redes sociais.

Então, quando alguém se mata, seria bom pensar que poderia ser qualquer um de nós, num momento de desespero. Ao contrário do que se pensa, as pessoas que se matam nem sempre estão em depressão. O suicídio acontece num impulso, naquele breve momento em que a angústia parece intolerável. Eu, ou você que me lê, podemos passar por isso. Não estamos imunes. E se encaramos essa possibilidade, nos protegemos melhor. Nos munimos com uma espécie de “medidas de emergência”, para serem usadas no dia em que bater o desespero.

A primeira coisa a se fazer é pensar no que realmente se quer, quando surge o desejo de morte. Acredito que seja alívio. Mas, será que o suicídio trará alívio? Bem, independentemente de você acreditar ou não em vida após a morte, uma coisa que os tanatólogos[1] falam é que existe a boa morte. A boa morte é a morte aliviada. Aquela em que o homem está emocionalmente confortado. Para chegar à boa morte, não pode haver desespero. Se você morre cheio de culpa, raiva, angústia, a única coisa que não sentirá será alívio. Porque alívio se sente depois que se atravessa uma situação difícil, e, bem, a única chance de sentir o procurado alívio, no caso do suicídio, é se houver um depois, se a vida continuar noutra dimensão, como afirmam os espiritualistas.

Porém, na hipótese de haver uma vida além da morte, ela não será no corpo que acabou de morrer. Será uma vida da alma, e a alma é pura emoção. Bom, onde estava a angústia? Na alma. Significa que, se você se mata e continua vivo do lado de lá, vai viver com a angústia que o levou ao suicídio. Acho que não é uma boa opção, porque alívio, você não sentirá.

De qualquer maneira, ao que tudo indica, matar a si mesmo não traz o que se deseja com o gesto. O melhor é continuar aqui. Puxa, mas e o desespero? Ele pode ser tão grande, que até o alívio se torna dispensável. Isso acontece quando esquecemos que tudo passa. Acredite, toda dor tem um pico, no qual não se permanece eternamente. Por uma questão de lógica, aceite que ela vai, pelo menos, diminuir. É uma lei natural: tudo se transforma. Mas, se você quer fazer algo além de esperar passar, tente ressignificar. Você muda a sua maneira de encarar os fatos. Isso pode ser feito olhando para a angústia e se perguntando: como posso me tornar mais maduro a partir de tudo isso? Sei que não é uma pergunta fácil de responder. Mas sempre é possível ressignificar, mesmo as maiores tragédias. A mãe do Cazuza fez isso, a irmã do Aírton Senna, a Glória Perez, e muitos outros exemplos.

Enfim, acho que é por aí. Espero que você continue vivo ainda por muitos anos, e sem desespero, mas se o desespero acontecer, lembre-se: isso passará. E se acreditar nisso, você ainda viverá muitas alegrias!

[1] Tanatologia: vertente do conhecimento que estuda a morte e o morrer.

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A culpa nem sempre é dos pais

Por Caroline Treigher em Comportamento, Família, Psicologia

06 de novembro de 2016

A polêmica do “Jogo da Asfixia”, que já levou à morte dezenas de crianças, tem suscitado discussões a respeito da culpabilidade dos pais. Sobre o tema, li um texto incentivando os pais a estarem mais próximos de seus filhos, “para que os meninos não precisem recorrer a brincadeiras perigosas, em busca de adrenalina”. E, com o típico saudosismo que caracteriza certas pessoas com mais de trinta anos, o autor referiu-se aos tempos em que a criançada brincava no quintal, como sendo algo muito precioso que se perdeu, nesta contemporaneidade repleta de tablets e celulares. Inevitavelmente, eu, que já cheguei aos “enta”, lembrei de quando era menina. Apesar de já existirem vídeo games, eu gostava de brincar nos corredores do prédio onde morava. Tinha uma brincadeira de ficar girando no lugar, até ficar tonta, só para experimentar a sensação de vertigem. Também pegava impulso numa corrida, com a turminha, para saltar sobre uma escadaria de dez a doze degraus, só pelo gosto da emoção. Alguns amiguinhos davam saltos mortais no parquinho, no intuito de impressionar a galera. Às vezes, eu e uma amiga cozinhávamos ovos numa lata de leite vazia, sobre uma fogueira que nós mesmas acendíamos no chão, para depois comermos, pela aventura de fazer o próprio rango. E assim eu brincava, correndo risco de quebrar o pescoço ou ser contaminada, sem que meus pais jamais sonhassem, porque, do mesmo jeito que muitos hoje não fiscalizam o que suas crianças fazem nos quartos, eles não me vigiavam no corredor, no parquinho, na rua. Graças a Deus! Imaginem que infância reprimida teria, com meus pais colados o tempo todo, dando conta de cada passo meu?

Acho que há um certo exagero na responsabilização dos pais pelo que sucede aos filhos. Isso torna o sonho de ser mãe ou pai algo muito assustador! Os pais devem, sim, estar suficientemente próximos para saber o que seus filhos fazem, mas não tanto, que os sufoquem. O ponto do equilíbrio é o meio, nunca os extremos. Não dá para saber tudo o que o filho faz, nem se recomenda que seja assim. É preciso lembrar que filhos são gente, com vontade própria, com desejos de aventura e adrenalina como qualquer ser humano, e que nem tudo o que eles fazem é consequência do que acontece em casa.

Não acredito que as crianças vitimadas pelo “Jogo da Asfixia” fossem todas carentes de presença e afeto. Pelo que li e ouvi, algumas tinham pais bastante dedicados. Acontece que sempre teve menino se machucando e, infelizmente, morrendo em brincadeiras. Os pais devem estar alertas, sim, e devem entabular o diálogo sempre que possível. Mas precisam entender que não são deuses. Não controlam tudo, não determinam o destino, e, de certo modo, são crianças também, porque ninguém, neste mundo, deixa de aprender e crescer, mesmo que tenha noventa anos!

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Autoengrandecimento não é autoestima

Por Caroline Treigher em Comportamento, Psicologia

23 de outubro de 2016

A pessoa que se gaba e sente a constante necessidade de chamar atenção sobre os próprios feitos, não por brincadeira, mas por acreditar possuir virtudes que na verdade lhe faltam, está longe de ser alguém que se ama. Ao contrário, pode ser que esteja tão alheia a si, e que viva tão distante de quem realmente é, e pior, que se despreze, inconscientemente, de tal forma, que necessita que os outros confirmem, com sua admiração, o seu valor.

Esta pessoa não possui, como se poderia pensar, uma elevada autoestima. A verdadeira autoestima fundamenta-se nas qualidades que realmente se tem, e que não precisam ser gritadas aos quatro ventos, embora todo mundo deseje ser reconhecido. Quem se ama, sabe seu valor e não o impõe a ninguém. Já o autoengradecimento é que embasa a atitude narcísica, daquele que se proclama superior, que acha que toda crítica é inveja, e que se afasta das pessoas (sem abrir mão de seus elogios), porque elas não lhe merecem a presença. Por trás dessa atitude, o que existe é uma sensação de insignificância muito grande, tão grande quanto a suposta magnificência de seu portador.

O que se acredita em Psicologia, é que esta pessoa foi ferida na sua autoestima desde a infância, quando provavelmente veio a acreditar que, para ser amada e aceita, precisaria ser o que desejavam que fosse. Assim, ela foi reprimindo seus próprios desejos, sentimentos e afinidades, para se tornar “alguém aparentemente importante”; ou seja, ela abriu mão de si mesma e virou uma farsa. A farsa se confirma nos “aplausos do público”, de que ela tanto necessita. Para descobrir que vive num eterno palco, uma pessoa assim precisa se tratar com boas doses de verdade, oferecidas pela vida, às vezes de forma bastante dolorosa. Se tiver um mínimo de amor por si mesma, talvez procure uma psicoterapia, e consiga construir uma realística autoestima.

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Reciclagem psicológica para preservar a saúde

Por Caroline Treigher em Comportamento, Psicologia

15 de outubro de 2016

Quando eu era menina, gostava muito de desenhar. Mas possuía um nível de exigência tamanho, que quando não apreciava o desenho, não tentava ajeitar, simplesmente jogava fora. Assim, era muito difícil guardar um desenho, e se não fosse mamãe salvando alguns, não teria sobrado muito da minha produção desta época…
Hoje, adulta, percebi que isso não se dava apenas com os desenhos, mas com tudo. E descobri que muita gente é assim também. Uma autora junguiana, Marion Woodman, chama essa prática de “vício da perfeição”. A mania de jogar fora o que não ficou perfeito, voltando sempre ao começo de tudo, para fazer de novo e melhor.
Felizmente, descobri a tempo que tal vício não faz ninguém melhor; pelo contrário, paralisa. Desejosos de atingir um nível impossível, não apreciamos o possível. Jogamos fora as oportunidades, e até as amizades e os amores, porque exigimos perfeição de tudo. O amigo decepcionou? Fora! O casamento entrou em crise? Fora! O trabalho tem problemas? Fora! Um constante desperdício de tempo e energia,  com prejuízo da saúde mental, por não se permitir reciclar.
É uma bênção aprender a RECICLAR. Se algo não saiu do jeito que se desejava, não é preciso jogar fora todo o resto, o que foi bom. A vida me ensinou que muitas vezes vale à pena tentar de novo. Me ensinou a perseverar nos desenhos, e descobrir que, a partir de traços feios, ainda se pode conseguir algo muito bonito…
A vida me ensinou que não é possível (nem necessário) controlar tudo e que o dono do mundo – Deus – sabe muito bem o que está fazendo. E não foi Ele o criador da reciclagem? Não fez a Terra dos destroços de uma explosão? Não fez surgir do caos, uma nova ordem? Portanto, viva a reciclagem!

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Quando amar é para sempre

Por Caroline Treigher em Comportamento

08 de outubro de 2016

Eu te amo porque te amo./ Não precisas ser amante,/ E nem sempre sabes sê-lo./ Eu te amo porque te amo./ Amor é estado de graça/ E com amor não se paga. (Carlos Drummond de Andrade)

Ao contrário do que se pensa, é muito mais fácil declarar amor a quem pouco se conhece. Difícil é identificar o amor quando os anos encobriram de realidade as fantasias dos primeiros meses… Não há mais aquele frescor do início, quando o casal descobre o que tem em comum, quando tudo é uma bela novidade, e os obstáculos têm gosto de desafio. Quando o costume e o hábito desaceleram o coração. E quando, justamente por não haver mais aquele frisson que turva a vista, as diferenças começam a aparecer com clareza. Neste momento, é mais fácil querer um novo amor. Porém, pode-se perder a chance de experimentar o aprofundamento do amor, que é uma experiência melhor que a primeira. É quando você redescobre o amor pela mesma pessoa. Quando quer estar ao lado dela, não porque não pode viver sem ela, mas porque simplesmente quer viver com ela. Quando ela não é mais a compensação de um complexo de inferioridade ou um objeto para a superação das carências infantis. Quando ela é ela, e mesmo assim, viver com ela é bom, sem nenhum redemoinho de emoções, e sem muitas explicações. É mais difícil identificar o amor por quem muito se conhece, mas quando se identifica, é muito, muito mais valioso. Porque só quem amou até este momento, consegue dizer sem ilusão, que amar é para sempre!

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Quando amar é para sempre

Por Caroline Treigher em Comportamento

08 de outubro de 2016

Eu te amo porque te amo./ Não precisas ser amante,/ E nem sempre sabes sê-lo./ Eu te amo porque te amo./ Amor é estado de graça/ E com amor não se paga. (Carlos Drummond de Andrade)

Ao contrário do que se pensa, é muito mais fácil declarar amor a quem pouco se conhece. Difícil é identificar o amor quando os anos encobriram de realidade as fantasias dos primeiros meses… Não há mais aquele frescor do início, quando o casal descobre o que tem em comum, quando tudo é uma bela novidade, e os obstáculos têm gosto de desafio. Quando o costume e o hábito desaceleram o coração. E quando, justamente por não haver mais aquele frisson que turva a vista, as diferenças começam a aparecer com clareza. Neste momento, é mais fácil querer um novo amor. Porém, pode-se perder a chance de experimentar o aprofundamento do amor, que é uma experiência melhor que a primeira. É quando você redescobre o amor pela mesma pessoa. Quando quer estar ao lado dela, não porque não pode viver sem ela, mas porque simplesmente quer viver com ela. Quando ela não é mais a compensação de um complexo de inferioridade ou um objeto para a superação das carências infantis. Quando ela é ela, e mesmo assim, viver com ela é bom, sem nenhum redemoinho de emoções, e sem muitas explicações. É mais difícil identificar o amor por quem muito se conhece, mas quando se identifica, é muito, muito mais valioso. Porque só quem amou até este momento, consegue dizer sem ilusão, que amar é para sempre!