Publicidade

MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

vírgula

Gols e travessões duplos

Por Orlando Nunes em Pontuação

24 de janeiro de 2015

 

“Tricolor do Pici empatou na rodada inaugural da competição, longe de casa – em Iguatu, e estreou no Estádio Presidente Vargas no domingo”

Como estou mesmo na arquibancada, vou soltar um palavrão: pontuação parentética.

Essa expressão abrange o conceito de vírgulas, parênteses ou travessões duplos. Isso significa dizer que, no contexto de pontuação parentética, se empregamos a primeira vírgula, o primeiro parêntese ou o primeiro travessão, temos de concluir a pontuação com idêntico sinal (outra vírgula, outro parêntese ou outro travessão. Em outras palavras, ajoelhou, tem de rezar. É o caso do fragmento acima, entre aspas.

O termo “em Iguatu” tem à sua esquerda um travessão, e, à sua direita, uma vírgula.

Ninguém agrada a dois senhores; então, resta-nos uma de três alternativas:

  1. empregar travessões duplos

“Tricolor do Pici empatou na rodada inaugural da competição, longe de casa – em Iguatu – e estreou no Estádio Presidente Vargas no domingo”

  1. empregar vírgulas duplas

“Tricolor do Pici empatou na rodada inaugural da competição, longe de casa, em Iguatu, e estreou no Estádio Presidente Vargas no domingo”

  1. empregar parênteses duplos

“Tricolor do Pici empatou na rodada inaugural da competição, longe de casa (em Iguatu) e estreou no Estádio Presidente Vargas no domingo”

É isso. E, para completar, no meio da semana o Fortaleza tomou gols duplos em Juazeiro.

Paciência, as coisas hão de melhorar, inclusive nossa pontuação na tabela, seja ela parentética ou não.

 

 

 

leia tudo sobre

Publicidade

Vendeu pra burro, muito inteligente

Por Orlando Nunes em Gramática

08 de outubro de 2014

Aposto que você um dia já separou o aposto com um ponto.

Veja esta frase:

“O deputado reeleito é natural de Lavras da Mangabeira. Uma pequena e aprazível cidade do interior do Ceará”.

Então, camarada, já ouviu falar em frase fragmentada?

Se não, releia o enunciado acima, ele é um bom exemplo disso. Vamos lá, percebeu que há um ponto no meio do caminho de Lavras da Mangabeira? Nunca se esqueça disso.

Afinal, o que é uma frase não fragmentada?

É um enunciado que contém duas partes: um sujeito e um predicado.

Assim, não resta dúvida de que em “O deputado reeleito é natural de Lavras da Mangabeira” temos uma frase bem-comportada. Sujeito: O deputado reeleito; predicado: é natural de Lavras da Mangabeira. Agora, em “Uma pequena e aprazível cidade do interior do Ceará”, onde está o sujeito? Onde está o verbo?

Não há, não temos aí uma frase, mas um fragmento dela, no caso um aposto.

Um aposto se refere a um nome à sua esquerda e dele vem separado por vírgula, não por ponto. Essa pseudofrase é, aqui, um aposto explicativo – “explica” Lavras da Mangabeira.

Reescritura: se no meio do caminho tinha (havia, como dizem os gramáticos) um ponto, agora tem (como dizem os poetas) uma vírgula. Esta é a pontuação jornalística adequada:

“O deputado reeleito é natural de Lavras da Mangabeira, uma pequena e aprazível cidade do interior do Ceará”.

Detalhe: no texto publicitário, é muito comum o emprego de “frases fragmentadas”: um ponto separando um aposto, um adjunto, etc. Utilizadas com criatividade, elas (frases fragmentadas) possibilitam valor expressivo inegável. Contudo, utilizadas desastradamente, vão vender gato por lebre; vão quebrar a unidade da frase, vão quebrar o pau da barraca.

Não dá pra lavar as mãos, é preciso saber onde pôr os pés, onde pôr os pontos.

Crianças, não façam isso em casa

Exemplo de boa (a meu ver) frase fragmentada na publicidade (anúncio adaptado).

Observo que há nela erro de estruturação (não deve ser imitada na redação do Enem, por exemplo). O desvio gramatical, contudo, foi calculado, consciente, “estudado”.

Anúncio de revista
Videoaulas Exatas.
Falamos sua língua: Matemática.
Fique ligado.
Nossos professores dão aula na sala.
Da sua casa.

Quantos engraçadinhos de plantão não devem ter comentado: “Ainda bem que não é curso de português”. Sim, porque o termo “Da sua casa” é adjunto de “sala” (núcleo do sintagma), e quem já viu separar o adjunto de seu núcleo por um ponto? Eu já vi. Às vezes cumpre uma missão, ou mais de uma.

Vejamos algumas do anúncio publicitário acima:

– nossa língua é a matemática, o português é o que você usa em casa mesmo.

– o termo “Da sua casa”, isolado e em um corpo maior que o do restante do texto, chamava atenção (destacava) para o “conforto” de o aluno “não precisar sair de casa para estudar (matemática)”.

– Entre “descrição” e “discrição”, o texto publicitário marca a primeira alternativa quase sempre (o desvio intencional do padrão gramatical pode ser útil, se apreciado com moderação).

– Veja em um dicionário os verbetes “eficácia” e “eficiência”.

– O curso de matemática anunciado vendeu pra burro (pra inteligente também, a maioria).

Até!

Publicidade

Como não ir para o céu por uma besteirinha de nada

Por Orlando Nunes em Pontuação

05 de agosto de 2014

Todos sabemos que “o desafortunado que separar o sujeito de seu verbo com uma vírgula não vai para o céu quando bater as botas” (para os mais novos, bater as botas tem o mesmo teor semântico de “ser deletado”, serena ou abruptamente, do planeta Terra).

Gramaticalmente, no princípio era o sujeito, não o verbo. Mas como revelar o sujeito?

A milenar perguntinha feita antes do verbo (Que/Quem é quê?) descobre praticamente qualquer sujeito na face da terra, tiro e queda, só vendo pra crer.

Isso vale para encontrar um sujeitinho mixuruca:

Frase: “Zecão fez um golaço”.

Descubra o sujeito: “Quem fez um golaço?”. Resposta: “Zecão”. Então, Zecão é o cara.

Isso vale também para encontrar um sujeito mais feladagaita:

Frase: “A simples presença em campo de um dos melhores jogadores de futebol dos últimos tempos garantiu a venda antecipada de mais da metade dos ingressos disponíveis”.

Descubra o sujeito: “Quem garantiu…?”

Resposta: “A simples presença em campo de um dos melhores jogadores de futebol dos últimos tempos”. Eis, portanto, o aloprado sujeito procurado.

É sempre bom lembrar: como não se separa o sujeito e o verbo com uma vírgula…

1-      Esta vírgula está condenada:

“A simples presença em campo de um dos melhores jogadores de futebol dos últimos tempos, garantiu a venda antecipada de mais da metade dos ingressos disponíveis”.

2-      A ausência de vírgula neste longo período vos salvará das trevas:

“A simples presença em campo de um dos melhores jogadores de futebol dos últimos tempos garantiu a venda antecipada de mais da metade dos ingressos disponíveis”.

Isto posto, você não vai perder o paraíso por uma besteirinha deste tamanho, vai?

Até!

 

 

 

leia tudo sobre

Publicidade

Com Ciro não tem vírgula

Por Orlando Nunes em Teste simulado

19 de outubro de 2013

A redação do Enem vem aí, não tropece na vírgula.

Leia o texto de apoio e entre na briga por uma vaga na academia.

Segundo o secretário estadual da Saúde, Ciro Gomes, “Isso foi manipulado, é um assunto de maio passado, por um procurador da República, irresponsável, politiqueiro, que será processado pelo governador Cid Gomes”, afirmou.

Sobre o emprego de vírgulas no fragmento acima, é CORRETO afirmar:

(A)   O nome próprio “Ciro Gomes” vem entre vírgulas para demarcar o distanciamento entre o autor e a personagem da notícia, técnica esta conhecida como imparcialidade jornalística.

(B)   O trecho entre aspas, que registra a fala do secretário, não deveria apresentar uma vírgula sequer, pois o discurso direto livre de Ciro Gomes prescinde de toda pausa ou pontuação.

(C)   A ciência linguística demonstra que a vírgula não é propriamente um recurso sintático de organização e clareza do texto, mas um sinal de pausa da fala representado na escrita pelo microdesenho de um gatilho; a arma é a língua.

(D)  A vírgula depois do vocábulo “manipulado” demonstra claramente que, neste ponto da fala, o secretário embargou a voz e fez uma leve pausa no discurso antes de disparar a sua eloquente metralhadora giratória.

(E)   A vírgula utilizada depois do vocábulo República é inadequada, porque não devemos empregar esse sinal de pontuação antes do primeiro ou depois do último item de uma série.

GABARITO OFICIAL

Seguindo pelo caminho iluminado da sintaxe, a resposta correta está na alternativa E. Caso haja algum recurso, entretanto, acredito que os procuradores só encontrem uma luz no fim do túnel escuro da semântica.

Estou no marjangadeiro@gmail.com

Até!

leia tudo sobre

Publicidade

Vale a pena ver de novo

Por Orlando Nunes em Gramática

02 de setembro de 2013

Fragmento para análise:

“Segundo Flávia, além de técnicas complicadas, o resgate depende de fatores como o tamanho do animal, condição da maré e material necessário.”

Que tal a pontuação empregada no período acima?

Com base no que vimos no post anterior, apresentamos outra pontuação (ou pequena readaptação estrutural da frase com deslocamento de termos da oração.

Sugestão 1: retirar a vírgula depois da palavra “complicadas”:

“Segundo Flávia, além de técnicas complicadas o resgate depende de fatores como o tamanho do animal, condição da maré e material necessário.”

Sugestão 2: deslocamento de termos da oração, eliminando ambiguidade:

“Segundo Flávia, o resgate depende, além de técnicas complicadas, de fatores como o tamanho do animal, condição da maré e material necessário.”

Mais explicações, (re)veja post anterior.

Boa semana.

Publicidade

Vírgula existe para ajudar, nunca para atrapalhar

Por Orlando Nunes em Gramática

26 de agosto de 2013

“Segundo informação do Ministério do Turismo, hoje, o estado do Ceará investe R$ 273,4 milhões em 398 obras.”

A estrutura acima apresenta uma sequência de adjuntos adverbiais – Segundo informação do Ministério do Turismo (1) e hoje (2) – deslocados para o início da frase.

Gatos escaldados, sacamos das vírgulas e disparamos.

A pontuação utilizada, porém, suscita certa ambiguidade: o advérbio “hoje” parece referir-se ao momento em que foi dada a informação pelo Ministério do Turismo, quando, na verdade, algo nos diz (o tal “conhecimento de mundo”?) que não é bem assim. Em outras palavras, qual a interpretação adequada do período em análise?

  1.  “O Ministério do Turismo informou hoje…”.
  2. “O estado do Ceará investe hoje…”.

A informação pretendida era a de número 2, logo há problema de pontuação (ou de estruturação da frase). Vamos consertar isso. Duas soluções possíveis, dentre outras:

  1. “Segundo informação do Ministério do Turismo, o estado do Ceará investe hoje R$ 273,4 milhões em 398 obras.” (aproximação do advérbio ao verbo)
  2. “Segundo informação do Ministério do Turismo, hoje o estado do Ceará investe R$ 273,4 milhões em 398 obras. (supressão da vírgula após o advérbio).

Lembre-se: vírgula serve para sinalizar a leitura adequada, nunca para dificultá-la.

Boa semana.

leia tudo sobre

Publicidade

Vírgula de enumeração e concordância nominal

Por Orlando Nunes em Dica

19 de agosto de 2013

“A Jamaica venceu a prova de revezamento 4×100 m masculino no Mundial de Atletismo, em Moscou, na Rússia.”

Um passo além do princípio geral de não pontuar os termos da oração dispostos na ordem direta (sujeito-verbo-complemento verbal-adjunto adverbial): uma sequência de dois ou mais adjuntos adverbiais será separada por vírgula(s).

A frase-modelo apresenta os seguintes termos na ordem direta:

Sujeito: A Jamaica
Verbo transitivo direto: venceu
Objeto direto: a prova de revezamento 4×100 m masculino
Adjunto adverbial 1: no Mundial de Atletismo
Adjunto adverbial 2: em Moscou
Adjunto adverbial 3: na Rússia

Analisando a pontuação

Até o primeiro adjunto adverbial, nenhuma vírgula foi utilizada, pois os termos estão na ordem direta, ordem normal da frase – não há necessidade de nenhum “aviso” ao leitor..
Os adjuntos adverbiais seguintes (2 e 3) são separados por vírgulas – apesar de a ordem direta não ter sido alterada – por causa da estrutura de enumeração, da sequência de termos de mesmo valor sintático na frase – as enumerações acompanham-se de vírgulas.

Analisando a concordância

Aproveitando o embalo da corrida: com quem concorda o adjetivo “masculino” na frase destacada acima (A Jamaica venceu a prova de revezamento 4×100 m masculino)?

Resposta: com o substantivo masculino “revezamento”. Ou seja, revezamento 4×100 m masculino. Trata-se, no entanto, de uma concordância medalha de bronze, Uma dica de ouro para o portal: nas estruturas formadas por substantivo + termo preposicionado, prefira a concordância com o núcleo (substantivo que precede a preposição).

Exemplos:

“A seleção cearense masculina de basquete”, em vez de
“A seleção cearense de basquete masculino”.
“A prova de revezamento 4×100 m masculina”, ou
“A prova masculina de revezamento 4×100 m, em vez de
“A prova de revezamento 4×100 m masculino

É isso, vamos correr. Boa semana.
Até!

Publicidade

Vírgula antes de gerúndio

Por Orlando Nunes em Gramática

12 de agosto de 2013

“A Prefeitura de Fortaleza intensifica a fiscalização de estacionamento irregular na Praia do Futuro visando ao desenvolvimento da cultura de respeito às regras básicas da convivência urbana e à legislação de trânsito, além de assegurar uma travessia mais segura aos pedestres.”

PERGUNTA: Vai uma vírgula aí, antes do gerúndio?

Vamos por parte (ou por caso).

Em continuidade à análise do emprego da vírgula, veremos neste post quando empregar ou não a vírgula antes de um verbo no gerúndio (forma verbal terminada em –ndo).

1º caso – orações coordenadas aditivas

Quando o gerúndio introduz uma estrutura frasal equivalente a uma oração coordenada aditiva (soma de ideias), utilizamos a vírgula antes da forma nominal do verbo (gerúndio).

A operação será iniciadas às 8h do sábado e prosseguirá até o final da tarde.

A operação será iniciadas às 8h do sábado, prosseguindo até o final da tarde.

2º caso – oração subordinada adverbial final

Quando o gerúndio introduz uma estrutura de frase correspondente a uma oração subordinada final (responde à pergunta “para quê?”), NÃO utilizamos a vírgula.

Medidas serão tomadas para garantir a fluidez do tráfego.

Medidas serão tomadas garantindo a fluidez do tráfego.

3º caso – oração subordinada adverbial de modo

Se a estrutura iniciada por gerúndio equivale a uma oração que indica MODO, MEIO, INSTRUMENTO (responde à pergunta “como?”), também não empregamos a vírgula.

Um motorista entrou voando na avenida, durante a operação municipal.

4º caso – oração subordinada adjetiva restritiva

Como uma oração adjetiva restritiva desenvolvida (iniciada por pronome relativo) não é separada da principal por vírgula, uma estrutura semelhante iniciada por gerúndio (adjetiva reduzida de gerúndio) também não terá esse sinal de pontuação.

A prefeitura desenvolve ações que alertam sobre as regras básicas de convivência urbana.

A prefeitura desenvolve ações alertando sobre as regras básicas de convivência urbana.

PS: O gerúndio empregado no período inicial deste post (visando) não deve mesmo ser antecedido de vírgula, pois vem conforme a estrutura vista no 2º caso.

Até!

 

leia tudo sobre

Publicidade

Vírgula com deslocamentos e intercalações

Por Orlando Nunes em Dica

05 de agosto de 2013

Como vimos nos dois posts anteriores, a ordem direta dos termos da oração (sujeito-verbo-complemento verbal-adjunto adverbial) dispensa o emprego da vírgula.

Ex.: “O governador encaminha mensagem à Assembleia nesta segunda-feira”.

Obs.: Mesmo na ordem direta, a sequência de dois ou mais adjuntos adverbiais exige a separação de cada um deles por meio de vírgula.

Ex.: “O governador encaminha mensagem à Assembleia nesta segunda-feira, dia 5”.

Adjunto adverbial deslocado.

O deslocamento do adjunto adverbial é assinalado por vírgula:

  1. Nesta segunda-feira, O governador encaminha mensagem à Assembleia.
  2. O governador, nesta segunda-feira, encaminha mensagem à Assembleia.
  3. O governador encaminha, nesta segunda-feira, mensagem à Assembleia.
  4. O governador encaminha mensagem, nesta segunda-feira, à Assembleia.

Obs. O gramático Celso Pedro Luft chama atenção para a prática de bons escritores que dispensam o emprego da vírgula quando o advérbio deslocado (normalmente de curta extensão) vem entre o verbo e seu complemento (caso 3, acima).

Ex.: O governador encaminha hoje mensagem à Assembleia.

Obs. 2: Igualmente, a prática na comunicação contemporânea é não usar vírgula para marcar o adjunto adverbial deslocado, quando este vem com um verbo que antecede o sujeito, isto é, na sequência “adjunto adverbial-verbo-sujeito”.

Ex.: No domingo ocorreu apenas um clássico.

Verbo antes do sujeito

A simples anteposição do verbo ao sujeito também não é normalmente um deslocamento assinalado por vírgula.

Ex.: Encaminhará o governador mensagem à Assembleia nesta segunda-feira.

Na verdade, o deslocamento entre as três posições iniciais dos termos (sujeito-verbo-complemento verbal) não é necessariamente marcado por vírgula.

Ex. com a ordem objeto direto-sujeito-verbo: “As provas o acusador não trouxe”.

Quando, nessa sequência, o objeto vem repetido (objeto pleonástico) mais à frente por meio de um pronome oblíquo, a vírgula normalmente separa o primeiro complemento.

Ex. As provas, o acusador não as trouxe.

Intercalações

As intercalações (um comentário, uma correção, um aposto explicativo, um vocativo, etc.) vêm isoladas por vírgula.

  1. O momento por que passa a equipe, todos sabemos, não é dos melhores.
  2. O time não vem jogando bem, ou antes, não vem jogando nada.
  3. Miss Fortaleza 2013, Mariana Vasconcelos, é eleita miss Ceará.
  4. Brasil, mostra a tua cara. / Mostra, Brasil, a tua cara. / Mostra a tua cara, Brasil.

Voltamos na próxima segunda.

Até!

Publicidade

Conheça a vírgula de Oxford

Por Orlando Nunes em Dica

08 de julho de 2013

“Antes da premiação, o desfile das equipes classificadas: a verde e branca, vermelha e preto e azul.” Agora uma pergunta: Quantas equipes se classificaram? Chamem a vírgula de Oxford.

Há regras bem (?) definidas para o emprego da vírgula, sem dúvida. Por que polêmicas?

Mas toda vírgula é um aviso ao leitor: “Cuidado, alguma coisa está fora da ordem”.

A vírgula, por exemplo, informa ao leitor que o adjunto adverbial (cuja posição natural é o fim da frase) está deslocado, antecipado: “Todos os dias, tropeçamos em uma vírgula”.

Percebeu a vírgula informando que o adjunto adverbial foi deslocado de seu habitat? Na ordem normal da frase, ela não entraria na história: “Tropeçamos na vírgula todos os dias”.

Usamos vírgula também para enumerar elementos de uma série: “Comprou tinta verde, amarela, branco e azul”. Assim, temos um elenco de regras bem claras, “a regra é clara”.

Mas nem o redator nem o idioma são robôs, é preciso pensar, avaliar, clarear.

A vírgula nasceu para clarear o texto para o leitor, facilitar a leitura. Em outras palavras, isso nos obriga a pôr a clareza em primeiro lugar. A regra não deve turvar o texto.

Nasce a vírgula de Oxford

Quem veio primeiro, o ovo ou a galinha? Ora, sei lá! Em inglês, quem vem primeiro, o substantivo ou o adjetivo? Ora, quem vem primeiro é o segundo, o adjetivo, é claro.

Pois essa galinhagem de sempre pôr o adjetivo antes do substantivo sujou o poleiro inglês. Porém não muito, nada que impedisse a vírgula de Oxford de repor a ordem do galinheiro.

Pena no papel, range regra

Em português: política internacional e negócios (claro)

Em inglês: international politics and business (ambíguo)

A ambiguidade reside no fato de o adjetivo anteposto (na estrutura do inglês) poder ser interpretado como “política e negócios internacionais (na estrutura portuguesa).

Aqui entra em cena a vírgula de Oxford, para iluminar o breu:

Em inglês: international politics, and business (agora claro).

Que tem a ver com isso o português?

Ora, a “vírgula da clareza” também é usada por nós, pois, pois. A frase com que iniciamos o texto deste post “pede” (em nome da clareza) uma vírgula de Oxford: “Antes da premiação, o desfile das equipes classificadas: a verde e branca, vermelha e preto, e azul”. Três equipes.

Moral da história: a regra é clara, mas o usuário é complexo, superior.

Estou no marjangadeiro@gmail.com
Abraço.

Publicidade

Gols e travessões duplos

Por Orlando Nunes em Pontuação

24 de janeiro de 2015

 

“Tricolor do Pici empatou na rodada inaugural da competição, longe de casa – em Iguatu, e estreou no Estádio Presidente Vargas no domingo”

Como estou mesmo na arquibancada, vou soltar um palavrão: pontuação parentética.

Essa expressão abrange o conceito de vírgulas, parênteses ou travessões duplos. Isso significa dizer que, no contexto de pontuação parentética, se empregamos a primeira vírgula, o primeiro parêntese ou o primeiro travessão, temos de concluir a pontuação com idêntico sinal (outra vírgula, outro parêntese ou outro travessão. Em outras palavras, ajoelhou, tem de rezar. É o caso do fragmento acima, entre aspas.

O termo “em Iguatu” tem à sua esquerda um travessão, e, à sua direita, uma vírgula.

Ninguém agrada a dois senhores; então, resta-nos uma de três alternativas:

  1. empregar travessões duplos

“Tricolor do Pici empatou na rodada inaugural da competição, longe de casa – em Iguatu – e estreou no Estádio Presidente Vargas no domingo”

  1. empregar vírgulas duplas

“Tricolor do Pici empatou na rodada inaugural da competição, longe de casa, em Iguatu, e estreou no Estádio Presidente Vargas no domingo”

  1. empregar parênteses duplos

“Tricolor do Pici empatou na rodada inaugural da competição, longe de casa (em Iguatu) e estreou no Estádio Presidente Vargas no domingo”

É isso. E, para completar, no meio da semana o Fortaleza tomou gols duplos em Juazeiro.

Paciência, as coisas hão de melhorar, inclusive nossa pontuação na tabela, seja ela parentética ou não.