Gramática

 

Todo o elenco do Audax no Verdão

Compartilhar por e-mail

Audax pretende firmar parceria com Icasa.

Assim, todos jogadores do Audax jogariam pelo Verdão do Cariri . Todo elenco paulista, bem como sua Comissão Técnica, viriam para o Ceará por empréstimo.

 

Agora vamos da grama à gramática, que é nosso campo aqui no Tribuna.

 

TODO X TODO O

Há diferença semântica entre as expressões “todo elenco” e “todo o elenco”?

Naturalmente.

Poderíamos reescrever a primeira estrutura, sem alterar seu sentido, deste modo: “Qualquer elenco”. Ex.: “Todo/qualquer elenco pode ser reforçado com novos atletas”.

A segunda estrutura (Todo o elenco) equivale a “O elenco inteiro”. Ex.: “Todo o elenco/O elenco inteiro pode ser reforçado com novos atletas”.

Na estrutura 1 (todo elenco), nos referimos a mais de uma equipe, na verdade a qualquer equipe. Na estrutura 2, a referência é a apenas um time de futebol.

 

TODOS OS

Com o pronome no plural (todos), não há tabelinha, sempre empregaremos o artigo depois dele e antes do substantivo: todos os jogadores, e não *todos jogadores.

 

CONCORDÂNCIA

“Todo o elenco paulista, bem como sua Comissão Técnica, viria para o Ceará por empréstimo.”

Observe que o verbo não deve ser flexionado no plural nessa estrutura. O sujeito (sublinhado) está no singular; o verbo concorda com o sujeito em número e pessoa.

 

REESCRITA

Audax pretende firmar parceria com Icasa.

Assim, todos os jogadores do Audax jogariam pelo Verdão do Cariri. Todo o elenco paulista, bem como sua Comissão Técnica, viria para o Icasa por empréstimo.

 

Hoje, dia 19, é feriado no Ceará, estou no marjangadeiro@gmail.com

Até!

Desde quando verbo é rei?

Compartilhar por e-mail

A Silvana, do Montese, Fortaleza-CE, escreveu para o marjangadeiro@gmail.com e lascou a pergunta: que m… é essa de regência verbal, desde quando verbo é rei?

É verdade, Silvana, só existe um rei por estas bandas, o Rei Leão do Pici.

Em bom português, regência é outra coisa, trata-se da parte da sintaxe (depois explico que bicho é esse, mas antecipo que não é o sindicato dos taxistas, ok?) que estuda a relação entre um termo regente (um verbo, por exemplo) e outro termo que o complementa, termo regido (o objeto, por exemplo). Isso tem nome: Regência Verbal.

Podemos recorrer àquela ladainha lengalenga da regência. Exemplo: obedecer é um verbo transitivo indireto (rege complemento sempre preposicionado). A ladainha oficial é assim: “quem obedece, obedece A alguém ou A alguma coisa.

Esse A é a preposição obrigatória regida pelo verbo. Aqui pra nós, lá no fundo essa ladainha é um canto de sereia, porque ela ilude. Alguém poderia cantar desafinando (João Gilberto?): “quem obedece, obedece alguém ou alguma coisa (sem a preposição A exigida pela norma culta).  Logo, quem escrever na redação, por exemplo, “O motorista não obedeceu o sinal de trânsito” pode perder ponto na carteira pela sutil barbeiragem de empregar o verbo obedecer sem a preposição A (Calma, AMC).

Deveria o redator ter escrito: “O motorista não obedeceu AO sinal de trânsito.

Então, cara Silvana, se você vai fazer uma prova ou escrever uma redação do Enem e desafinar… pense no lado bom: vai dançar.

O melhor a fazer é tocar um tango argentino e estudar a listinha das gramáticas com a regência culta dos verbos portugueses mais cobrados em provas (não são muitos, uns 30, nada de mais diante dos cerca de 60 mil verbos do nosso idioma).

Sacou, Silvana?

Um abração procê, viu? E viva o Rei!

Todo idioma é osso duro de roer

Compartilhar por e-mail

Uma pergunta difícil de responder:

Hoje, Brasil adentro (aí dentro, em cearês), os candidatos a uma vaga na universidade terão pela frente uma prova fácil de resolver ou uma prova fácil de se resolver?

A sequência preferida pelo fantasma da norma culta da língua escrita é esta:

adjetivo–preposição–infinitivo, em lugar da estrutura de carne e osso (e gordura) adjetivo–preposição–SE–infinitivo.

Domingos Paschoal Cegalla não me deixa mentir:

“É dispensável o pronome SE em expressões desse tipo”, caro marujo.

 

Vejamos alguns exemplos ancorados na praia do presente.

 

- Mar calmo de navegar – língua culta escrita.

- Mar calmo de se navegar – língua (culta) falada.

 

- Casa boa de morar – língua culta escrita.

- Casa boa de se morar – língua (culta) falada.

 

- Assuntos difíceis de comentar – língua culta escrita.

- Assuntos difíceis de se comentar  – língua (culta) falada.

 

- Atitudes raras de ver – língua culta escrita.

- Atitudes raras de se ver – língua (culta) falada.

 

Culto com SE

Por que digo que o “se”, considerado dispensável pelo Professor Paschoal (entre outros gramáticos) é de emprego culto? Pois muito bem, escute aí uma coisa.

Basta ouvir (muitas vezes até ler) as pessoas cultas de hoje (advogados, jornalistas, médicos, professores, etc.). Elas falam assim, e onde há fumaça, há fogo também.

Mas nada de pensar que as novas gerações vão acabar assassinando a gramática. Pura viagem. Quando esses pensamentos apocalípticos começarem a queimar seus miolos, entre numa biblioteca de sua cidade, encare um livro antigo (séc. 18, 19?!) e o leia (ao menos algumas páginas). Você verá que, se há de fato um viés homicida integrado à linguagem dos novos usuários do idioma, tudo não passa, na verdade, de praxe bem antiga. Uma coisa, porém, é tiro e queda: desde Adão e Eva, que falavam pelos cotovelos (não havia chat e sexo era proibido), o usuário sempre morre pela língua, que sobrevive para contar a história. É que todo idioma é osso duro de (se) roer.

Estou no marjangadeiro@gmail.com

Até!

A pontuação e o porquê

Compartilhar por e-mail

Como dissemos em posts anteriores, a vírgula sinaliza o caminho da leitura, facilitando a assimilação rápida da mensagem apresentada.

Dessa forma, cada vírgula tem um porquê, um motivo, um papel na história.

Vejamos alguns casos (noticiáriol do domingo passado, 8.9.13).

 

Goleada no Mané, no DF

“Brasil goleia Austrália em amistoso no Mané Garrincha, em Brasília.”

- vírgula separa a enumeração (sequência) de adjuntos adverbiais.

 

Depois da peia, a paz

“Após três derrotas, Fluminense reencontra a vitória diante do Bahia e respira.”

“Com torção, Felipe desfalca Flamengo.”

- vírgula marca a antecipação do adjunto adverbial

 

Advérbio intrometido merece duas vírgula

“Cape d’Agde, na França, é capital do nudismo.”

- vírgula marca a intercalação do adjunto adverbial.

 

Enumeração, vírgula

O serviço é gratuito e confere a condição dos freios, dos amortecedores, da suspensão e até a quantidade de emissão de poluentes que sai do escapamento.

- vírgula marca uma enumeração (no caso, de adjuntos adnominais).

 

Explicativa exige vírgula

O grupo, que tem como tema “Juventude que ousa lutar, constrói o projeto popular”, objetiva chamar atenção para as condições de crescente exclusão social na sociedade brasileira.

- vírgula separa a oração principal da oração adjetiva explicativa.

 

Restritiva rejeita vírgula

Vidraças de lojas e carros que estavam estacionados nos arredores da praça foram atingidos durante o conflito.

- não há vírgula, porque a oração adjetiva neste caso é restritiva, e não explicativa.

 

Distinguindo a adjetiva explicativa da adjetiva restritiva

- A adjetiva explicativa faz referência a todo o conjunto representado pelo termo antecedente.

O tema “juventude (…) popular” se refere a todo o “grupo”.

- A adjetiva restritiva se refere a parcela do conjunto representado pelo termo antecedente.

Nem todo o conjunto de carros foi atingido, isso se restringe aos que estavam estacionados nos arredores da praça.

No mais, é MAR: marjangadeiro@gmail.com

Vou indo a pé. Até!

Vale a pena ver de novo

Compartilhar por e-mail

Fragmento para análise:

“Segundo Flávia, além de técnicas complicadas, o resgate depende de fatores como o tamanho do animal, condição da maré e material necessário.”

Que tal a pontuação empregada no período acima?

Com base no que vimos no post anterior, apresentamos outra pontuação (ou pequena readaptação estrutural da frase com deslocamento de termos da oração.

Sugestão 1: retirar a vírgula depois da palavra “complicadas”:

“Segundo Flávia, além de técnicas complicadas o resgate depende de fatores como o tamanho do animal, condição da maré e material necessário.”

Sugestão 2: deslocamento de termos da oração, eliminando ambiguidade:

“Segundo Flávia, o resgate depende, além de técnicas complicadas, de fatores como o tamanho do animal, condição da maré e material necessário.”

Mais explicações, (re)veja post anterior.

Boa semana.

Vírgula existe para ajudar, nunca para atrapalhar

Compartilhar por e-mail

“Segundo informação do Ministério do Turismo, hoje, o estado do Ceará investe R$ 273,4 milhões em 398 obras.”

A estrutura acima apresenta uma sequência de adjuntos adverbiais – Segundo informação do Ministério do Turismo (1) e hoje (2) – deslocados para o início da frase.

Gatos escaldados, sacamos das vírgulas e disparamos.

A pontuação utilizada, porém, suscita certa ambiguidade: o advérbio “hoje” parece referir-se ao momento em que foi dada a informação pelo Ministério do Turismo, quando, na verdade, algo nos diz (o tal “conhecimento de mundo”?) que não é bem assim. Em outras palavras, qual a interpretação adequada do período em análise?

  1.  “O Ministério do Turismo informou hoje…”.
  2. “O estado do Ceará investe hoje…”.

A informação pretendida era a de número 2, logo há problema de pontuação (ou de estruturação da frase). Vamos consertar isso. Duas soluções possíveis, dentre outras:

  1. “Segundo informação do Ministério do Turismo, o estado do Ceará investe hoje R$ 273,4 milhões em 398 obras.” (aproximação do advérbio ao verbo)
  2. “Segundo informação do Ministério do Turismo, hoje o estado do Ceará investe R$ 273,4 milhões em 398 obras. (supressão da vírgula após o advérbio).

Lembre-se: vírgula serve para sinalizar a leitura adequada, nunca para dificultá-la.

Boa semana.

Vírgula antes de gerúndio

Compartilhar por e-mail

“A Prefeitura de Fortaleza intensifica a fiscalização de estacionamento irregular na Praia do Futuro visando ao desenvolvimento da cultura de respeito às regras básicas da convivência urbana e à legislação de trânsito, além de assegurar uma travessia mais segura aos pedestres.”

PERGUNTA: Vai uma vírgula aí, antes do gerúndio?

Vamos por parte (ou por caso).

Em continuidade à análise do emprego da vírgula, veremos neste post quando empregar ou não a vírgula antes de um verbo no gerúndio (forma verbal terminada em –ndo).

1º caso – orações coordenadas aditivas

Quando o gerúndio introduz uma estrutura frasal equivalente a uma oração coordenada aditiva (soma de ideias), utilizamos a vírgula antes da forma nominal do verbo (gerúndio).

A operação será iniciadas às 8h do sábado e prosseguirá até o final da tarde.

A operação será iniciadas às 8h do sábado, prosseguindo até o final da tarde.

2º caso – oração subordinada adverbial final

Quando o gerúndio introduz uma estrutura de frase correspondente a uma oração subordinada final (responde à pergunta “para quê?”), NÃO utilizamos a vírgula.

Medidas serão tomadas para garantir a fluidez do tráfego.

Medidas serão tomadas garantindo a fluidez do tráfego.

3º caso – oração subordinada adverbial de modo

Se a estrutura iniciada por gerúndio equivale a uma oração que indica MODO, MEIO, INSTRUMENTO (responde à pergunta “como?”), também não empregamos a vírgula.

Um motorista entrou voando na avenida, durante a operação municipal.

4º caso – oração subordinada adjetiva restritiva

Como uma oração adjetiva restritiva desenvolvida (iniciada por pronome relativo) não é separada da principal por vírgula, uma estrutura semelhante iniciada por gerúndio (adjetiva reduzida de gerúndio) também não terá esse sinal de pontuação.

A prefeitura desenvolve ações que alertam sobre as regras básicas de convivência urbana.

A prefeitura desenvolve ações alertando sobre as regras básicas de convivência urbana.

PS: O gerúndio empregado no período inicial deste post (visando) não deve mesmo ser antecedido de vírgula, pois vem conforme a estrutura vista no 2º caso.

Até!

 

As frases simples do papa (pontuação 2)

Compartilhar por e-mail

No post anterior, dissemos que a pontuação “é penta”. Fazíamos alusão a cinco estruturas de frase simples (um sujeito e um verbo) que dão origem a qualquer engenharia frasal produzida ou que venhamos a produzir em língua portuguesa padrão culto escrito.

A pontuação na linguagem escrita nada mais é do que um aviso ao leitor de que a ordem direta dos termos da frase, com a qual todos nós leitores já nos acostumamos, foi estrategicamente alterada. Em outras palavras, a pontuação organiza, sinaliza, ilumina a frase.

Aonde vamos

Durante a série de textos Pontuação: É penta! (a pontuação passo a passo), vamos empregar as cinco estruturas de frase simples, modificá-las ou combiná-las, de modo a criar os mais diversos ambientes contextuais de uso dos sinais de pontuação de nosso idioma – vírgula, ponto e vírgula, travessão, dois-pontos, ponto de exclamação, etc.

Inicialmente, aproveitando o noticiário de cobertura da bem-vinda visita do papa Francisco ao Brasil, vamos apresentar rapidamente cada uma das cinco estruturas da frase simples.

Modelo 1 – sujeito–verbo (S–V)

O tempo passa. / A vida segue. / A Igreja cresce.

- A ordem é direta, logo não há necessidade de nenhum sinal de pontuação entre os termos.

Como a vírgula sinaliza ao leitor que algo importante subverte a ordem tradicional da frase, se usássemos uma vírgula nas estruturas acima (*O tempo, passa / *A vida, segue / *A Igreja, cresce), estaríamos pondo pedras no meio do caminho, dificultando a leitura normal do texto.

Modelo 2 – sujeito–verbo–objeto direto (S–V–Od)

O papa visitou o Brasil. / O papa convocou os jovens. / O papa abençoou o povo brasileiro.

- A ordem é direta, logo não há necessidade de nenhum sinal de pontuação entre os termos.

O objeto direto é o complemento verbal cuja ligação com o verbo (transitivo direto) é feita sem a necessidade de uma preposição (a, de, em, para, com, por).

Modelo 3 – sujeito–verbo–objeto indireto (S–V–Oind)

A Igreja precisa de vocês. / Mais de 3 milhões de pessoas assistiram à celebração da missa.

- A ordem é direta, logo não há necessidade de nenhum sinal de pontuação entre os termos.

O objeto indireto é o complemento verbal cuja ligação com o verbo (transitivo indireto) é feita necessariamente com uma preposição (a, de, em, para, com, por).

Modelo 4 – sujeito–verbo–objeto direto e objeto indireto (S–V–Od e Oind)

O papa dá recado aos jovens. / O papa agradeceu o carinho ao povo brasileiro.

- A ordem é direta, logo não há necessidade de nenhum sinal de pontuação entre os termos.

Modelo 5 – sujeito–verbo de ligação–predicativo (S–VLig–Pvo)

A Cidade Maravilhosa [é linda] / [está linda] / [parece linda] / [ficou linda] / [continua linda]

- A ordem é direta, logo não há necessidade de nenhum sinal de pontuação entre os termos.

Atenção, jovens do Brasil

As cinco estruturas acima são consideradas modelos não porque sejam as mais frequentes em qualquer texto escrito em língua portuguesa, e sim por serem a fonte de toda estrutura frasal.

Tudo que escrevemos tem uma dessas cinco arquiteturas, ou se trata de modificação (inversão da ordem dos termos, por exemplo) ou de combinação dos vários modelos apresentados.

Em tempo: qualquer um dos cinco modelos de frase pode vir acrescido de um adjunto adverbial, termo que ocupará a última posição na frase (na ordem direta), especificando uma circunstância relacionada ao processo verbal: modo, tempo, lugar, entre outras.

Exemplos

O tempo passa rapidamente. / O papa abençoou o povo brasileiro na missa dominical. / A Igreja precisa da criatividade de vocês sempre. / Papa dá recado aos jovens na Praia de Copacabana. / A Cidade Maravilhosa parece mais linda neste domingo.

Vamos em paz

Apresentados os cinco modelos de frase simples em sua ordem direta (S-V-O [adj. Adv.]), iniciaremos na próxima segunda-feira os primeiros casos de emprego da vírgula: (1) com o deslocamento do adjunto adverbial e (2) com a introdução de elementos intercalados.

Até!

 

Pontuação: É penta!

Compartilhar por e-mail

Salve, navegante do MAR Jangadeiro. Iniciamos neste post uma série de textos dedicada ao estudo da pontuação, o flagelo de muitos redatores. Contudo, ninguém é mais flagelado que o próprio leitor diante de um texto que tropeça nas vírgulas e nos demais sinais de pontuação.

Vírgula não é oxigênio

Creio que a maior parte dos leitores já deve ter tido contato com o alerta de algum professor de português a respeito da desvinculação entre pausa respiratória e vírgula. É isso mesmo, a vírgula é um sinal de pontuação associado meramente à estrutura sintática da frase, relaxe.

Onde há ordem, não há vírgula

Em português, há uma ordem tradicional de disposição dos termos da frase. Leitores que somos, já nos acostumamos a essa ordem, também conhecida por ordem direta. Quando dispomos os termos da frase segundo essa ordem tradicional, deixamos as vírgulas de molho.

Ordem e Progresso

Brasileiras e brasileiros, eis os termos perfilados segundo a tradição de nossa pátria, a língua portuguesa é nossa pátria: sujeito – verbo – complemento verbal (objeto direto e/ou indireto).

Assim sendo, não separe com uma vírgula o sujeito do verbo.

Assim sendo, não separe com uma vírgula o verbo do objeto.

Você sabia?

Você sabe quantas frases tem um jornal, um jornal parrudo daqueles de domingo? Claro que você tem mais o que fazer do que contar as frases do jornal num domingo de sol. Mas eu não tenho e contei para você, leitor dileto do MAR Jangadeiro. Vou contar para você agora, já.

Um jornal de domingo tem cinco frases, igual àquele jornal magrinho da segunda-feira. Tudo que escrevemos, aliás, não passa de cinco frases (isso não é uma hipérbole às avessas, um jeitinho brasileiro de não torturar ou um pau de arara de algodão-doce – é tudo verdade).

Se formos rigorosos, encontraremos seis frases. Mas a Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB), diplomática e didática, não comprou a briga e reconhece somente cinco filhos, cinco frases. O resto é mar e lenda.

Penso, logo...

Então, dileto, para aprender a pontuar, você precisa dominar apenas cinco estruturas de frase. É isso que vamos fazer na série Pontuação: É penta! Senta, que vamos começar.

Toda segunda-feira, publicamos um post do penta, a pontuação passo a passo. Começa dia 29.

Concluiremos bem antes do hexa de 2014, e ponto final.

Até!

É só pegar o Machado

Compartilhar por e-mail

Em um post recente dos “simulados” de gramática, o sintagma (conjunto) nominal “suspeita de fraude” serviu de referência para a análise sintática do termo preposicionado “de fraude”.

Conforme o GABARITO OFICIAL apresentado no final do texto, o termo em questão funciona sintaticamente como complemento nominal, e não como adjunto adnominal. Era a resposta.

Muito bem, o leitor Miguel Ferreira, de Maceió (AL), envia e-mail com uma ótima pergunta:

“Qual é a utilidade prática de saber fazer essa distinção, um escritor será melhor ou pior a depender de tal conhecimento?”

Salve, salve, Miguel Ferreira; salve, salve, Alagoas!

Considero tão importante saber fazer distinções deste gênero quanto julgo ser importante a um motorista, por exemplo, conhecer um pouco de mecânica de automóvel além de saber simplesmente dirigi-lo. Claro que sempre haverá argumentos do tipo: “Para que servem os mecânicos de carro (ou os revisores de texto)? Em outras palavras, esta tese parece dizer que aprender a dirigir um carro ou a escrever um texto é o que importa, consertá-los é tarefa para outras mãos, são outros quinhentos (talvez, mas às vezes dá para economizar uns trocados).

Não discordo integralmente deste ponto de vista, mas em parte, sim. Claro que “saber gramática” não tem nada a ver com “saber escrever”, são domínios distintos, naturalmente (de outro modo, digamos, Evanildo Bechara seria um dos melhores escritores brasileiros).

Mas, relembrando grandes profissionais, penso igualmente que um Ayrton Senna era melhor piloto porque sacava também de mecânica, e um Graciliano Ramos (salve, salve, Alagoas) era melhor escritor porque sacava também de gramática. A gramática é a faca (ferramenta); o texto, o queijo (alimento). Um escritor pode estar com a faca e o queijo às mãos.

O adjunto adnominal e o complemento nominal na prática

Qual o significado de uma frase como esta: “A solicitação de mecânico (ou de revisor) será atendida”? Resposta: depende da função sintática de mecânico (ou de revisor).

1-      Se alguém solicita mecânico (ou revisor), em “solicitação de mecânico (ou de revisor)” o termo sublinhado desempenha a função sintática de complemento nominal.

2-      Se o mecânico (ou revisor) é quem solicita algo, em “solicitação de mecânico (ou de revisor)” o termo sublinhado desempenha a função sintática de adjunto adnominal.

Estudar sintaxe pode ajudar redatores a reconstruir frases quando, p.ex., a clareza o solicita.

Certamente um escritor poderá facilmente distinguir um tijolo de um gato jogando ambos numa parede (o tijolo não mia), e imediatamente perceberá a ambiguidade possível em “solicitação de mecânico (ou de revisor)”. E claro: o próprio contexto ajudará a salvar o gato.

Contudo, Miguel, o diagnóstico sintático tem salvado do muro muitos estudantes (e, melhor ainda, muitos escritores não abrem mão de derrubar o muro, é só pegar o Machado).

Estou no marjangadeiro@gmail.com

Grande abraço.

Página 1 de 512345