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MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

Gramática

Porque junto também faz perguntas?

Por Orlando Nunes em Gramática

02 de fevereiro de 2016

(Ilustração: Divulgação)

(Ilustração: Divulgação)

Sabia que “porque junto” (uma só palavra) também faz perguntas?

Se não, talvez você seja a milionésima vítima desta enganosa dicazinha:

“por que separado usamos em perguntas, e porque junto nas respostas”.

Na verdade, nem sempre funciona assim. Observe o seguinte diálogo extraído (não confundir com “ex-traído”, aquele que votou enganado, mas não vota mais) de um debate entre um situacionista e um oposicionista do Planalto:

Situacionista (com a mão direita sobre a Bíblia): “Camarada, o Brasil vive uma crise econômica PORQUE a economia no mundo também vai mal”.

Oposicionista (incrédulo como um pobre diabo): “Pelo amor de Deus, Excelência, se o Brasil vive esta crise toda, então é PORQUE a economia no mundo vai mal?”

Viu?!

O oposicionista faz uma pergunta (com direito a ponto de interrogação e tudo) lançando mão de um “porque” junto (uma só palavra).

Isso não é intriga da oposição, é somente uma conjunção.

Sim, uma conjunção causal (= pois), e não um advérbio interrogativo (por que).

O oposicionista se valeu de uma pergunta retórica (aquela que, no fundo monetário gramatical, dispensa resposta) para dizer, com outras palavras e ao pé da letra:

“Então Vossa Excelência tem, com o devido respeito, a cara de pau de afirmar que o Brasil vive esta crise toda PORQUE/POIS o mundo também a vive?”.

É tudo verdade!

Até podemos discordar do discurso da esquerda ou da direita. Mas, como diz o ditado, o porquê unido jamais será vencido. Por que, hein? Será porque assim Deus quis?

Até!

marjangadeiro@gmail.com

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As ou Os milhares de lojas?

Por Orlando Nunes em Gramática

14 de março de 2015

Pergunta da semana: o milhar ou a milhar?

“As milhares de lojas de toda a região serão beneficiadas com nova linha de crédito.”

Há algum reparo a fazer na frase acima (não de ordem econômica, mas de ordem gramatical)? Há sim. Milhar é um substantivo masculino e, desse modo, acompanha-o um artigo (ou outro determinante) também masculino, embora, no dia a dia, perguntemos cheios de zoológica esperança: “Que bicho deu hoje, qual foi A milhar?”.

Há uma tese pouco conhecida fora da academia que atribui a falta de sorte da maioria dos apostadores nos jogos de azar aos desvios frequentes da norma culta do idioma.

Assim, se escrevêssemos, por exemplo, Megassena (em vez de Mega-Sena), ou se perguntássemos “Qual foi O milhar de hoje?”, a sorte no jogo de azar seria consideravelmente ampliada. Claro que aqui também há os que não apostam um centavo neste negócio, nesta tese, e eu os respeito muito, porque igualmente não sou um grande apostador (jogo mais nas dezenas, quando muito nas centenas, só pra não ser obrigado a perguntar contrariado ao cidadão comum da mesa: “Qual foi O milhar de hoje?”. Ele certamente imaginaria que eu fosse um bom alemão de português ruim).

Mas, voltando à frase principal em questão, o adequado seria dizer ou escrever: “Os milhares de lojas de toda a região serão beneficiadas com nova linha de crédito.”.

Mais exemplos de acordo com a norma culta da língua portuguesa:

Os milhares de crianças da cidades serão vacinadas”.

Dois milhares de mulheres da comunidade farão exames preventivos hoje”.

É isso aí. E, para fechar a conta: assim como “milhar”, também são masculinos (devendo, portanto, ser acompanhado de determinantes masculinos) “milhão”, “bilhão”, “trilhão”. Um exemplo: OS milhões de dúvidas estão diminuindo, uma a uma.

Até!

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O segundo deputado mais bem votado

Por Orlando Nunes em Gramática

19 de outubro de 2014

Diga-me cá uma coisa, caro internauta:

O correto é falar (ou escrever) “O segundo deputado mais bem votado para a Assembleia Legislativa do Ceará foi Aderlânia Noronha” OU “A segunda deputada mais bem votada para a Assembleia Legislativa do Ceará foi Aderlânia Noronha”?

Se você respondeu algo do tipo: “Claro que a correta é a segunda frase, afinal de contas, nos referimos a uma deputada, e não a um deputado”, devo-lhe dizer que não é bem assim que a regra range em português; vamos devagar na apuração.

Não resta hoje a menor dúvida ou polêmica quanto a formas femininas como “vereadora”, “prefeita”, “deputada”, “senadora”, “ministra” (há, sim, uma discussãozinha boba a respeito da corretíssima forma “presidenta”, mas isso são outros quinhentos). A questão em análise neste post, porém, traz consigo dois traços importantes a serem levados em consideração: o de “gênero” e o de “generalidade”.

Quem fala (ou escreve) “O segundo deputado mais bem votado para a Assembleia Legislativa do Ceará foi Aderlânia Noronha” declara algo distinto daquilo que declara quem fala (ou escreve) “A segunda deputada mais bem votada para a Assembleia Legislativa do Ceará foi Aderlânia Noronha”. Vixe Maria; e agora, José?

Aviso aos navegantes do MAR: as duas estruturas estão gramaticalmente CORRETAS.

Mas…

  • a primeira frase nos informa, ao pé da letra, que, dentre os deputados eleitos (homens e mulheres) para a Assembleia Legislativa, a deputada Aderlânia Noronha foi “o segundo candidato (repito, consideram-se aqui os homens e mulheres) mais bem votado”.
  • a segunda frase nos informa (e aqui teríamos uma informação incorreta (não no âmbito da gramática, mas no da matemática)) que a parlamentar foi “a segunda deputada mais bem votada” (neste caso, são consideradas apenas as mulheres eleitas para o cargo (além de Aderlânia, e pela ordem decrescente do número de votos recebidos, a deputada Fernanda Pessoa, a deputada Augusta Brito, a deputada Laís Nunes, a deputada Mirian Sobreira, a deputada Dra. Silvana e a deputada Bethrose)).

Nesse novo contexto, deveríamos declarar (para a correção numérica do enunciado e precisão da notícia): “A segunda deputada mais bem votada para a Assembleia Legislativa do Ceará foi Fernanda Pessoa”. Resumindo, a desinência de gênero manda.

Em outras palavras, a língua portuguesa nunca foi “machista”, pelo contrário. Quando queremos ser genéricos, empregamos formas neutras, as do masculino; quando queremos especificar o sexo, utilizamos formas marcadas, as do feminino.

Em razão da marca forte do gênero feminino é que ouvimos (ou lemos), por exemplo, frases assim: “Fulano tem dois filhos, um homem e uma mulher”. Se fossem duas mulheres, ouviríamos (ou leríamos) apenas: “Fulano tem duas filhas”. É o bastante.

Em bom português, a mulher é o gênero forte. Parabéns às deputadas eleitas.

Até!

P.S. Aqui entre nós, meu irmão camarada, me responda a última: quem emprega muitos parênteses num texto pode ser também acusado da prática de nepotismo?

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Vendeu pra burro, muito inteligente

Por Orlando Nunes em Gramática

08 de outubro de 2014

Aposto que você um dia já separou o aposto com um ponto.

Veja esta frase:

“O deputado reeleito é natural de Lavras da Mangabeira. Uma pequena e aprazível cidade do interior do Ceará”.

Então, camarada, já ouviu falar em frase fragmentada?

Se não, releia o enunciado acima, ele é um bom exemplo disso. Vamos lá, percebeu que há um ponto no meio do caminho de Lavras da Mangabeira? Nunca se esqueça disso.

Afinal, o que é uma frase não fragmentada?

É um enunciado que contém duas partes: um sujeito e um predicado.

Assim, não resta dúvida de que em “O deputado reeleito é natural de Lavras da Mangabeira” temos uma frase bem-comportada. Sujeito: O deputado reeleito; predicado: é natural de Lavras da Mangabeira. Agora, em “Uma pequena e aprazível cidade do interior do Ceará”, onde está o sujeito? Onde está o verbo?

Não há, não temos aí uma frase, mas um fragmento dela, no caso um aposto.

Um aposto se refere a um nome à sua esquerda e dele vem separado por vírgula, não por ponto. Essa pseudofrase é, aqui, um aposto explicativo – “explica” Lavras da Mangabeira.

Reescritura: se no meio do caminho tinha (havia, como dizem os gramáticos) um ponto, agora tem (como dizem os poetas) uma vírgula. Esta é a pontuação jornalística adequada:

“O deputado reeleito é natural de Lavras da Mangabeira, uma pequena e aprazível cidade do interior do Ceará”.

Detalhe: no texto publicitário, é muito comum o emprego de “frases fragmentadas”: um ponto separando um aposto, um adjunto, etc. Utilizadas com criatividade, elas (frases fragmentadas) possibilitam valor expressivo inegável. Contudo, utilizadas desastradamente, vão vender gato por lebre; vão quebrar a unidade da frase, vão quebrar o pau da barraca.

Não dá pra lavar as mãos, é preciso saber onde pôr os pés, onde pôr os pontos.

Crianças, não façam isso em casa

Exemplo de boa (a meu ver) frase fragmentada na publicidade (anúncio adaptado).

Observo que há nela erro de estruturação (não deve ser imitada na redação do Enem, por exemplo). O desvio gramatical, contudo, foi calculado, consciente, “estudado”.

Anúncio de revista
Videoaulas Exatas.
Falamos sua língua: Matemática.
Fique ligado.
Nossos professores dão aula na sala.
Da sua casa.

Quantos engraçadinhos de plantão não devem ter comentado: “Ainda bem que não é curso de português”. Sim, porque o termo “Da sua casa” é adjunto de “sala” (núcleo do sintagma), e quem já viu separar o adjunto de seu núcleo por um ponto? Eu já vi. Às vezes cumpre uma missão, ou mais de uma.

Vejamos algumas do anúncio publicitário acima:

– nossa língua é a matemática, o português é o que você usa em casa mesmo.

– o termo “Da sua casa”, isolado e em um corpo maior que o do restante do texto, chamava atenção (destacava) para o “conforto” de o aluno “não precisar sair de casa para estudar (matemática)”.

– Entre “descrição” e “discrição”, o texto publicitário marca a primeira alternativa quase sempre (o desvio intencional do padrão gramatical pode ser útil, se apreciado com moderação).

– Veja em um dicionário os verbetes “eficácia” e “eficiência”.

– O curso de matemática anunciado vendeu pra burro (pra inteligente também, a maioria).

Até!

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Todo o elenco do Audax no Verdão

Por Orlando Nunes em Gramática

19 de março de 2014

Audax pretende firmar parceria com Icasa.

Assim, todos jogadores do Audax jogariam pelo Verdão do Cariri . Todo elenco paulista, bem como sua Comissão Técnica, viriam para o Ceará por empréstimo.

 

Agora vamos da grama à gramática, que é nosso campo aqui no Tribuna.

 

TODO X TODO O

Há diferença semântica entre as expressões “todo elenco” e “todo o elenco”?

Naturalmente.

Poderíamos reescrever a primeira estrutura, sem alterar seu sentido, deste modo: “Qualquer elenco”. Ex.: “Todo/qualquer elenco pode ser reforçado com novos atletas”.

A segunda estrutura (Todo o elenco) equivale a “O elenco inteiro”. Ex.: “Todo o elenco/O elenco inteiro pode ser reforçado com novos atletas”.

Na estrutura 1 (todo elenco), nos referimos a mais de uma equipe, na verdade a qualquer equipe. Na estrutura 2, a referência é a apenas um time de futebol.

 

TODOS OS

Com o pronome no plural (todos), não há tabelinha, sempre empregaremos o artigo depois dele e antes do substantivo: todos os jogadores, e não *todos jogadores.

 

CONCORDÂNCIA

“Todo o elenco paulista, bem como sua Comissão Técnica, viria para o Ceará por empréstimo.”

Observe que o verbo não deve ser flexionado no plural nessa estrutura. O sujeito (sublinhado) está no singular; o verbo concorda com o sujeito em número e pessoa.

 

REESCRITA

Audax pretende firmar parceria com Icasa.

Assim, todos os jogadores do Audax jogariam pelo Verdão do Cariri. Todo o elenco paulista, bem como sua Comissão Técnica, viria para o Icasa por empréstimo.

 

Hoje, dia 19, é feriado no Ceará, estou no marjangadeiro@gmail.com

Até!

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Desde quando verbo é rei?

Por Orlando Nunes em Gramática

16 de dezembro de 2013

A Silvana, do Montese, Fortaleza-CE, escreveu para o marjangadeiro@gmail.com e lascou a pergunta: que m… é essa de regência verbal, desde quando verbo é rei?

É verdade, Silvana, só existe um rei por estas bandas, o Rei Leão do Pici.

Em bom português, regência é outra coisa, trata-se da parte da sintaxe (depois explico que bicho é esse, mas antecipo que não é o sindicato dos taxistas, ok?) que estuda a relação entre um termo regente (um verbo, por exemplo) e outro termo que o complementa, termo regido (o objeto, por exemplo). Isso tem nome: Regência Verbal.

Podemos recorrer àquela ladainha lengalenga da regência. Exemplo: obedecer é um verbo transitivo indireto (rege complemento sempre preposicionado). A ladainha oficial é assim: “quem obedece, obedece A alguém ou A alguma coisa.

Esse A é a preposição obrigatória regida pelo verbo. Aqui pra nós, lá no fundo essa ladainha é um canto de sereia, porque ela ilude. Alguém poderia cantar desafinando (João Gilberto?): “quem obedece, obedece alguém ou alguma coisa (sem a preposição A exigida pela norma culta).  Logo, quem escrever na redação, por exemplo, “O motorista não obedeceu o sinal de trânsito” pode perder ponto na carteira pela sutil barbeiragem de empregar o verbo obedecer sem a preposição A (Calma, AMC).

Deveria o redator ter escrito: “O motorista não obedeceu AO sinal de trânsito.

Então, cara Silvana, se você vai fazer uma prova ou escrever uma redação do Enem e desafinar… pense no lado bom: vai dançar.

O melhor a fazer é tocar um tango argentino e estudar a listinha das gramáticas com a regência culta dos verbos portugueses mais cobrados em provas (não são muitos, uns 30, nada de mais diante dos cerca de 60 mil verbos do nosso idioma).

Sacou, Silvana?

Um abração procê, viu? E viva o Rei!

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Todo idioma é osso duro de roer

Por Orlando Nunes em Gramática

27 de outubro de 2013

Uma pergunta difícil de responder:

Hoje, Brasil adentro (aí dentro, em cearês), os candidatos a uma vaga na universidade terão pela frente uma prova fácil de resolver ou uma prova fácil de se resolver?

A sequência preferida pelo fantasma da norma culta da língua escrita é esta:

adjetivo–preposição–infinitivo, em lugar da estrutura de carne e osso (e gordura) adjetivo–preposição–SE–infinitivo.

Domingos Paschoal Cegalla não me deixa mentir:

“É dispensável o pronome SE em expressões desse tipo”, caro marujo.

 

Vejamos alguns exemplos ancorados na praia do presente.

 

– Mar calmo de navegar – língua culta escrita.

– Mar calmo de se navegar – língua (culta) falada.

 

– Casa boa de morar – língua culta escrita.

– Casa boa de se morar – língua (culta) falada.

 

– Assuntos difíceis de comentar – língua culta escrita.

– Assuntos difíceis de se comentar  – língua (culta) falada.

 

– Atitudes raras de ver – língua culta escrita.

– Atitudes raras de se ver – língua (culta) falada.

 

Culto com SE

Por que digo que o “se”, considerado dispensável pelo Professor Paschoal (entre outros gramáticos) é de emprego culto? Pois muito bem, escute aí uma coisa.

Basta ouvir (muitas vezes até ler) as pessoas cultas de hoje (advogados, jornalistas, médicos, professores, etc.). Elas falam assim, e onde há fumaça, há fogo também.

Mas nada de pensar que as novas gerações vão acabar assassinando a gramática. Pura viagem. Quando esses pensamentos apocalípticos começarem a queimar seus miolos, entre numa biblioteca de sua cidade, encare um livro antigo (séc. 18, 19?!) e o leia (ao menos algumas páginas). Você verá que, se há de fato um viés homicida integrado à linguagem dos novos usuários do idioma, tudo não passa, na verdade, de praxe bem antiga. Uma coisa, porém, é tiro e queda: desde Adão e Eva, que falavam pelos cotovelos (não havia chat e sexo era proibido), o usuário sempre morre pela língua, que sobrevive para contar a história. É que todo idioma é osso duro de (se) roer.

Estou no marjangadeiro@gmail.com

Até!

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A pontuação e o porquê

Por Orlando Nunes em Gramática

11 de setembro de 2013

Como dissemos em posts anteriores, a vírgula sinaliza o caminho da leitura, facilitando a assimilação rápida da mensagem apresentada.

Dessa forma, cada vírgula tem um porquê, um motivo, um papel na história.

Vejamos alguns casos (noticiáriol do domingo passado, 8.9.13).

 

Goleada no Mané, no DF

“Brasil goleia Austrália em amistoso no Mané Garrincha, em Brasília.”

– vírgula separa a enumeração (sequência) de adjuntos adverbiais.

 

Depois da peia, a paz

“Após três derrotas, Fluminense reencontra a vitória diante do Bahia e respira.”

“Com torção, Felipe desfalca Flamengo.”

– vírgula marca a antecipação do adjunto adverbial

 

Advérbio intrometido merece duas vírgula

“Cape d’Agde, na França, é capital do nudismo.”

– vírgula marca a intercalação do adjunto adverbial.

 

Enumeração, vírgula

O serviço é gratuito e confere a condição dos freios, dos amortecedores, da suspensão e até a quantidade de emissão de poluentes que sai do escapamento.

– vírgula marca uma enumeração (no caso, de adjuntos adnominais).

 

Explicativa exige vírgula

O grupo, que tem como tema “Juventude que ousa lutar, constrói o projeto popular”, objetiva chamar atenção para as condições de crescente exclusão social na sociedade brasileira.

– vírgula separa a oração principal da oração adjetiva explicativa.

 

Restritiva rejeita vírgula

Vidraças de lojas e carros que estavam estacionados nos arredores da praça foram atingidos durante o conflito.

– não há vírgula, porque a oração adjetiva neste caso é restritiva, e não explicativa.

 

Distinguindo a adjetiva explicativa da adjetiva restritiva

– A adjetiva explicativa faz referência a todo o conjunto representado pelo termo antecedente.

O tema “juventude (…) popular” se refere a todo o “grupo”.

– A adjetiva restritiva se refere a parcela do conjunto representado pelo termo antecedente.

Nem todo o conjunto de carros foi atingido, isso se restringe aos que estavam estacionados nos arredores da praça.

No mais, é MAR: marjangadeiro@gmail.com

Vou indo a pé. Até!

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Vale a pena ver de novo

Por Orlando Nunes em Gramática

02 de setembro de 2013

Fragmento para análise:

“Segundo Flávia, além de técnicas complicadas, o resgate depende de fatores como o tamanho do animal, condição da maré e material necessário.”

Que tal a pontuação empregada no período acima?

Com base no que vimos no post anterior, apresentamos outra pontuação (ou pequena readaptação estrutural da frase com deslocamento de termos da oração.

Sugestão 1: retirar a vírgula depois da palavra “complicadas”:

“Segundo Flávia, além de técnicas complicadas o resgate depende de fatores como o tamanho do animal, condição da maré e material necessário.”

Sugestão 2: deslocamento de termos da oração, eliminando ambiguidade:

“Segundo Flávia, o resgate depende, além de técnicas complicadas, de fatores como o tamanho do animal, condição da maré e material necessário.”

Mais explicações, (re)veja post anterior.

Boa semana.

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Vírgula existe para ajudar, nunca para atrapalhar

Por Orlando Nunes em Gramática

26 de agosto de 2013

“Segundo informação do Ministério do Turismo, hoje, o estado do Ceará investe R$ 273,4 milhões em 398 obras.”

A estrutura acima apresenta uma sequência de adjuntos adverbiais – Segundo informação do Ministério do Turismo (1) e hoje (2) – deslocados para o início da frase.

Gatos escaldados, sacamos das vírgulas e disparamos.

A pontuação utilizada, porém, suscita certa ambiguidade: o advérbio “hoje” parece referir-se ao momento em que foi dada a informação pelo Ministério do Turismo, quando, na verdade, algo nos diz (o tal “conhecimento de mundo”?) que não é bem assim. Em outras palavras, qual a interpretação adequada do período em análise?

  1.  “O Ministério do Turismo informou hoje…”.
  2. “O estado do Ceará investe hoje…”.

A informação pretendida era a de número 2, logo há problema de pontuação (ou de estruturação da frase). Vamos consertar isso. Duas soluções possíveis, dentre outras:

  1. “Segundo informação do Ministério do Turismo, o estado do Ceará investe hoje R$ 273,4 milhões em 398 obras.” (aproximação do advérbio ao verbo)
  2. “Segundo informação do Ministério do Turismo, hoje o estado do Ceará investe R$ 273,4 milhões em 398 obras. (supressão da vírgula após o advérbio).

Lembre-se: vírgula serve para sinalizar a leitura adequada, nunca para dificultá-la.

Boa semana.

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Porque junto também faz perguntas?

Por Orlando Nunes em Gramática

02 de fevereiro de 2016

(Ilustração: Divulgação)

(Ilustração: Divulgação)

Sabia que “porque junto” (uma só palavra) também faz perguntas?

Se não, talvez você seja a milionésima vítima desta enganosa dicazinha:

“por que separado usamos em perguntas, e porque junto nas respostas”.

Na verdade, nem sempre funciona assim. Observe o seguinte diálogo extraído (não confundir com “ex-traído”, aquele que votou enganado, mas não vota mais) de um debate entre um situacionista e um oposicionista do Planalto:

Situacionista (com a mão direita sobre a Bíblia): “Camarada, o Brasil vive uma crise econômica PORQUE a economia no mundo também vai mal”.

Oposicionista (incrédulo como um pobre diabo): “Pelo amor de Deus, Excelência, se o Brasil vive esta crise toda, então é PORQUE a economia no mundo vai mal?”

Viu?!

O oposicionista faz uma pergunta (com direito a ponto de interrogação e tudo) lançando mão de um “porque” junto (uma só palavra).

Isso não é intriga da oposição, é somente uma conjunção.

Sim, uma conjunção causal (= pois), e não um advérbio interrogativo (por que).

O oposicionista se valeu de uma pergunta retórica (aquela que, no fundo monetário gramatical, dispensa resposta) para dizer, com outras palavras e ao pé da letra:

“Então Vossa Excelência tem, com o devido respeito, a cara de pau de afirmar que o Brasil vive esta crise toda PORQUE/POIS o mundo também a vive?”.

É tudo verdade!

Até podemos discordar do discurso da esquerda ou da direita. Mas, como diz o ditado, o porquê unido jamais será vencido. Por que, hein? Será porque assim Deus quis?

Até!

marjangadeiro@gmail.com