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Dica infalível dos porquês

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Há um caminho equivocado percorrido por quem deseja grafar os porquês.

A dica “furada” é a seguinte: “Nas perguntas, use por que (dois vocábulos), e, nas respostas, escreva “tudo junto”: porque.

 

Essa dica às vezes funciona:

Pergunta: Por que você não veio à aula?

Resposta: Porque o Icasa perdeu o jogo.

 

Essa dica às vezes não funciona:

Pergunta: Não veio à aula porque o Icasa perdeu o jogo?

Resposta: Sim, esse é o motivo por que não vim à aula.

 

Quer conhecer uma dica que sempre funciona?

Quando puder substituir o porquê por “por qual”, “pelo qual”, separe a fera: por que. Se a substituição ocorrer com a conjunção “pois”, escreva “porque”, junto.

 

Essa dica vale para pergunta ou resposta, não interessa. Vejamos:

Pergunta: Por que você não veio à aula? (por qual motivo?)

Resposta: Porque o Icasa perdeu o jogo. (pois o Icasa perdeu)

Pergunta: Não veio à aula porque o Icasa perdeu o jogo? (pois o Icasa perdeu?)

Resposta: Sim, esse é o motivo por que não vim à aula. (motivo pelo qual)

Resposta: Sim, essa é a razão por que não vim à aula. (razão pela qual)

 

Observações finais: quando determinado (antecedido de artigo, pronome), escreva “junto e com acento”: “Este é o porquê de eu não ter vindo à aula”; “Esse porquê me parece desculpa sem pé nem cabeça”; “Meus porquês não lhe interessam”.

Também vêm acentuados todos os porquês de fim de frase ou imediatamente seguidos de pontuação forte: Não veio por quê? Não sei dizer por quê. Por quê? Sei lá.

Até!

 

 

A violenta ordem dos termos

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“ONU anuncia que Fortaleza é a sede da Copa do Mundo mais violenta.”

 

DUPLA LEITURA

A ordem dos termos na frase deve contribuir para a clareza do texto. Normalmente, a segunda leitura do redator (revisão) elimina a necessidade da segunda leitura do receptor para entender (decodificar) a mensagem.

 

A frase destacada é um bom exemplo disso.

 

QUEM É A MAIS VIOLENTA?

“ONU anuncia que Fortaleza é a sede da Copa do Mundo mais violenta.”

“ONU anuncia que Fortaleza é a sede da Copa do Mundo mais violenta.

 

A disposição dos termos da frase nos leva à compreensão de que “a Copa do Mundo” é a mais violenta; mas imediatamente entra em cena o conhecimento de mundo, que nos alerta para a possibilidade da segunda interpretação: “a sede” é a mais violenta.

 

ORDEM E PROGRESSO

“ONU anuncia que Fortaleza é a sede mais violenta da Copa do Mundo.”

 

Ao pé da letra, nem tudo é tão simples assim. Ambiguidade faz parte do jogo, o duplo sentido nem sempre é indesejado (ou o que seria do humor, do cearense, da vida?).

Ora, o leitor desvela o texto.

Se o redator (quase um deus) escreve certo por linhas tortas, é porque o leitor (quase um santo) lê certo por linhas tortas. Isso é uma verdade; relativa, mas uma verdade.

Agora, uma verdade absoluta: mais mirabolante do que a capacidade humana de “ler certo por linhas tortas” é a capacidade animalesca de “ler errado por linhas certas”.

 

Veja a prova:

 

Redação, a prova; ou Redação à prova; ou (sei lá!) Redação aprova.

Banca: Gabola (Gramática para Alunos Bem Orientados sobre Leituras Absurdas).

 

Frase de apoio:

“ONU anuncia que Fortaleza é a sede da Copa do Mundo mais violenta”

 

Com base no que está por trás, à margem e à frente do anúncio da ONU, assinale a alternativa correta segundo a norma culta da língua portuguesa do país da Copa.

(a)   Esse ponto de vista é anterior às últimas chuvas na capital registradas pela Fundação Cearense de Meteorologia – Funceme; o problema agora não é mais a sede, mas a fome, a fome de bola da Copa, conforme números do Fome Zero.

(b)   Se, de fato, tivermos a “Copa do Mundo mais violenta”, o quadro de arbitragem da Fifa vai direto pra geladeira, uma vez que a cerveja, estupidamente negada no Cearense, recebeu carta branca na Copa.

(c)    O anúncio das Nações Unidas vai ao encontro de uma bem bolada parceria do Ministério do Esporte com o Ministério do Turismo, que tem por objetivo fomentar o turismo de aventureiros de todos os países-membros da ONU.

(d)   Quem é rato de arquibancada sabe muito bem que a declaração da ONU (Organizada Não Uniformizada) não passa de orquestração mal disfarçada contra a TUF (Torcida Uniformizada do Fortaleza), com apoio da Ceará Amor.

(e)   Sem prejuízo semântico ao ponto de vista das Nações Unidas e com a vantagem de eliminação de ambiguidade, poderíamos ter esta reescritura: “ONU anuncia que Fortaleza é a sede mais violenta da Copa do Mundo”.

 

GABARITO OFICIAL: letra “e”, de elucubração.

Estou no marjangadeiro@gmail.com

Até!

Irá fazer ou Vai fazer?

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“O treinador disse que não irá fazer qualquer mudança na equipe.”

Temos uma locução verbal na frase acima: irá fazer. O auxiliar, verbo à esquerda, está flexionado no futuro do presente do indicativo: irá fazer. Em vez da locução, poderíamos empregar só o verbo principal, flexionado no mesmo tempo e modo: fará.

Os manuais de redação jornalística costumam aconselhar o redator a optar (1) pelo verbo simples no futuro do presente (fará, no caso) ou, empregando-se uma locução verbal, (2) pelo auxiliar no presente do indicativo (vai, em vez de irá):

1-      “O treinador disse que não fará qualquer mudança na equipe”.

2-      “O treinador disse que não vai fazer qualquer mudança na equipe”.

Em outras palavras, os manuais estão “dizendo” ao redator:

“Meu caro, se você considera meio esnobe o futuro do presente simples (fará), e tenta fugir dele como o diabo da cruz, por que empregá-lo na locução verbal irá fazer?”.

Para acomodar confortavelmente o verbo auxiliar “ir” neste caso, graças a Deus dispomos do simpático e jornalístico presente do indicativo: [não] vai fazer.

 

Todo manual de redação é chato mesmo. Não satisfeito, diz mais: “O pronome qualquer não é sinônimo do pronome nenhum”. Então, aquele que, por alguma razão (talvez por zelo às normas de escrita da empresa em que trabalha), segue as recomendações do manual, pode escrever a frase inicial do post de duas maneiras:

1-      “O treinador disse que não fará nenhuma mudança na equipe”.

2-      “O treinador disse que não vai fazer nenhuma mudança na equipe”.

 

Mas, na prática, conselho (inclusive de manual) e rapé toma quem quer.

Até!

Isso já é de mais. Ou demais?

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“Comeu demais (ou de mais?), e já não se põe de pé o pobre diabo” (perdoe-me a intromissão dos parênteses, mas gostaria de alertar: aqui “o pobre diabo” não é o tal do objeto direto).

 

Uma das invenções mais saborosas do mundo diz respeito certamente ao espaço em branco entre as palavras. Quem o criou senão um gourmet? Uma palavra, um espaço, outra palavra… isso aumenta formidavelmente o apetite da leitura. Comer demais ou de mais? Eis a questão.

 

Quando a relação se der com substantivo ou pronome, separe os ingredientes.

“Saúde de mais; educação de menos.”

“Isso não é nada de mais, só exagero seu.”

 

Escreva numa só palavra na relação com um verbo, adjetivo ou advérbio.

“Ele comeu demais.”

“Ela é linda demais.”

“Cozinha bem demais.”

 

Vem cá.

Mas, se a relação com substantivo me leva à escrita “de mais”, com dois vocábulos”, onde ficam nessa história as “Três espiãs demais”, por exemplo?

 

Vamos lá.

Veja bem, as três espiãs são mesmo demais, é que a relação não se dá com o substantivo plural “espiãs”, expresso na frase, mas sim com um adjetivo implícito, elíptico, latente:

As três espiãs inteligentes demais.

As três espiãs bonitas demais.

As três espiãs gostosas demais.

 

Chega! Isso já é de mais, intimidade de mais.

Até!

O buraco é mais embaixo ou em baixo?

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É necessário muita cautela diante de questões… ortográficas.

Ora escrevemos embaixo, “tudo junto”; ora escrevemos em baixo, com dois vocábulos.

Bom de buraco que sou (eu me refiro ao jogo de cartas), apresento um curinga:

 

Escreva “em baixo”, separadamente, quando o vocábulo “baixo” se tratar de um adjetivo, ou seja, vier relacionado a um substantivo:

“Cantava em baixo tom”, “Não viva em baixo astral”.

 

E quando vou escrever “embaixo”, numa só palavra? Resposta: Nos demais casos.

 

“O poeta louco vivia embaixo do viaduto.”

“Embaixo da mesa comia uma gata.” (a gata é o sujeito da oração)

“O buraco é mais embaixo.”

 

É isso o que dizem as cartas.  Estou no marjangadeiro@gmail.com

Até!).

Todo o elenco do Audax no Verdão

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Audax pretende firmar parceria com Icasa.

Assim, todos jogadores do Audax jogariam pelo Verdão do Cariri . Todo elenco paulista, bem como sua Comissão Técnica, viriam para o Ceará por empréstimo.

 

Agora vamos da grama à gramática, que é nosso campo aqui no Tribuna.

 

TODO X TODO O

Há diferença semântica entre as expressões “todo elenco” e “todo o elenco”?

Naturalmente.

Poderíamos reescrever a primeira estrutura, sem alterar seu sentido, deste modo: “Qualquer elenco”. Ex.: “Todo/qualquer elenco pode ser reforçado com novos atletas”.

A segunda estrutura (Todo o elenco) equivale a “O elenco inteiro”. Ex.: “Todo o elenco/O elenco inteiro pode ser reforçado com novos atletas”.

Na estrutura 1 (todo elenco), nos referimos a mais de uma equipe, na verdade a qualquer equipe. Na estrutura 2, a referência é a apenas um time de futebol.

 

TODOS OS

Com o pronome no plural (todos), não há tabelinha, sempre empregaremos o artigo depois dele e antes do substantivo: todos os jogadores, e não *todos jogadores.

 

CONCORDÂNCIA

“Todo o elenco paulista, bem como sua Comissão Técnica, viria para o Ceará por empréstimo.”

Observe que o verbo não deve ser flexionado no plural nessa estrutura. O sujeito (sublinhado) está no singular; o verbo concorda com o sujeito em número e pessoa.

 

REESCRITA

Audax pretende firmar parceria com Icasa.

Assim, todos os jogadores do Audax jogariam pelo Verdão do Cariri. Todo o elenco paulista, bem como sua Comissão Técnica, viria para o Icasa por empréstimo.

 

Hoje, dia 19, é feriado no Ceará, estou no marjangadeiro@gmail.com

Até!

Tem sujeito que não se enxerga

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“Depois de reclamar demais em campo, o árbitro finalmente expulsou o atleta.”

 

PERÍODO COMPOSTO

Temos acima um período formado por duas orações.

- oração subordinada adverbial temporal: “Depois de reclamar demais em campo”.

- oração principal: “o árbitro finalmente expulsou o atleta”.

 

LEDO ENGANO

A estrutura sintática apresentada, contudo, revela-se inadequada. Não temos dúvida quanto à identificação do sujeito da oração principal: “o árbitro”. Mas qual o sujeito da oração subordinada? Se levarmos a sério a estruturação da frase, diríamos que é também “o árbitro”.

 

QUEM É QUEM

O tal “conhecimento de mundo”, entretanto, nos avisa que não é bem assim, quem reclamava demais em campo não era o árbitro, mas o atleta. O atleta, que reclamava demais, foi expulso.

 

PERNAS TORTAS

O “defeito” sintático do período referido é que o sujeito da oração subordinada (diferente do sujeito da oração principal) não veio expresso na frase, tornando-a, no mínimo, ambígua. A estrutura dribla o leitor, levando-o a crer que o sujeito das duas orações é o mesmo.

 

REESCRITA

“Depois de o atleta reclamar demais em campo, o árbitro o expulsou”.

Ou, fazendo com que o sujeito da oração subordinada seja o mesmo da oração principal, sem, contudoa, comprometer o sentido real da informação:

“Depois de reclamar demais em campo, o atleta foi expulso pelo árbitro”

.

Nesta última construção, “o árbitro” desempenha a função sintática de “agente da passiva”.

PLACA DE ACRÉSCIMOS: 2

1-      Os árbitros de futebol vão bem melhor de agente da passiva do que como sujeito.

2-      Domingo tem Clássico-Rei: mãos frias e pés gelados sob um sol de 40 graus.

Até!

O erro de português mais frequente da imprensa cearense

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Neste carnaval de 2014, de uma hora para outra, fizeram-me uma pergunta… descontextualizada, digamos. A resposta eu já expunha desde 2012.:

 

– Com sua experiência de cem anos de solidão …,

qual o erro mais frequente do jornalismo impresso cearense?

 

Resposta: há cem anos, numa aula no jornal O POVO, o professor Myrson Lima comentou que a Redação (não a do jornal O POVO, mas a do cearense, de modo geral) desconhece análise sintática.  Pois no meu trabalho diário, de cem anos, assino embaixo, e provo se quiser.

O maior erro da imprensa escrita cearense é o desconhecimento sintático. Excelentes redatores (e os outros) escrevem “de ouvido”. Escrevem bem, mas  sem controle sintático.

O Sistema Jangadeiro de Comunicação, graças à visão de um visionário (redundância?), vai mudar essa realidade. Cyro Thomás quer uma redação consciente da norma culta da língua portuguesa. Falei pra ele que era uma missão minha. Doravante, cobrem de mim.

O idioma Jangadeiro será o melhor do estado, por A mais B.

 

marjangadeiro@gmail.com

até!

 

 

Dia a dia ou dia-a-dia?

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“De saltimbancos ao dia-a-dia de luxo em 100 anos” ou

“De saltimbancos ao dia a dia de luxo em 100 anos”

 

Há bem pouco tempo, nosso cotidiano era farto de hifens.

Mas, hoje em dia, os substantivos compostos formados a partir de três vocábulos perderam o traço de união, o hífen. Na verdade não houve perda, propriamente, e sim um rapa, um furto.

O novo Acordo Ortográfico é o principal suspeito. Não, minto, ele é réu confesso.

 

CASA DA MÃE JOANA

Se o que nos resta é o “dia a dia” livre dos hifens, por que não aproveitar a folga do “fim de semana” para comer “pão de ló” e “pé de moleque” na “casa da mãe joana”?

Sem hífen esses compostos ficam menos calóricos, garante a nova embalagem ortográfica.

Noutros tempos, de fato, os comensais abusavam dos pés-de-moleque e dos pães-de-ló recheados de hifens. Ignorávamos completamente o risco de vida. Atentos a isso, os imortais da academia bolaram um plano para salvar o planeta luso do pecado da gula, afinal a meta era a de um mundo mais magro, com menos palitos de dente. Então, lançaram mão do jeitinho brasileiro: aqui e agora só comeremos pães de ló e pés de moleque desifenizados. Pois, pois.

 

PRESERVANDO A NATUREZA

Mantém-se o hífen, no entanto, quando o composto designa espécie botânica ou zoológica:

copo-de-leite, fava-de-santo-inácio; andorinha-do-mar, bem-te-vi, mico-leão-dourado, etc.

 

ROLEZINHO

Se você formar um grupinho de três ou mais elementos e não se tratar de um vegetal ou de um animal, saiba que sua integridade estará ameaçada. Vão passar a mão nos seus hifens.

Ou seja: tu tens três ou mais vocábulos formando uma unidade semântica e este conjunto não indica espécie vegetal ou animal? Pois também não empregues mais o hífen. Sempre? Quase!

 

No Brasil (graças ao Volp) temos somente seis exceções à nova regra:

água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia,

à queima-roupa. Essas mantiveram o hífen, mesmo morando fora do reino vegetal ou animal.

 

Assim sendo, vamos à reescrita: “De saltimbancos ao dia a dia de luxo em 100 anos.”

 

O VOLP É LEI

Obs. Quem é esse tal de Volp, é brasileiro? É sim, e tem nome completo e tudo: Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (da Academia Brasileira de Letras). O Volp não é legal?

Estou no marjangadeiro@gmail.com

Até!

Comer cachorro quente dá cadeia

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Sabemos (ou devemos saber) que uma mesa redonda não se confunde com uma mesa-redonda.

Do mesmo modo, um cachorro quente é bicho diferente de um cachorro-quente.

Em mesa redonda e cachorro quente, temos duas palavras independentes, uma locução. A palavra da direita (redonda ou quente) é um adjetivo que modifica, qualifica o substantivo à esquerda (mesa ou cachorro).

Nas locuções, as palavras mantêm a integridade semântica, cada uma conserva seu sentido real, denotativo.

Assim, uma mesa redonda é uma mesa em forma de um círculo; um cachorro quente é um cão com febre, por exemplo (um vira-lata, ao meio-dia, perambulando pelas ruas pra lá de ensolaradas de Fortaleza também é um cachorro quente (mesmo sem febre).

Mas eis que entra em ação a incomparável capacidade humana de criar e recriar.

E o homem diz: Quero um cachorro-quente!

E, nessa junção, os vocábulos perdem (poeticamente) o sentido literal e individual.

Não tenho mais uma locução (duas ou mais palavras independentes), mas um composto, uma palavra composta (o hífen, na escrita, comprova a união).

Cachorro-quente é um sanduíche; mesa-redonda, uma reunião, um debate.

 

Enem pra que te quero

Agora o leitor já adquiriu informação suficiente para responder adequadamente à questão proposta (de legislação ortográfica).

 

Quem come cachorro quente comete um crime

(a)   contra o código de defesa do consumidor

(b)   contra o código de proteção aos animais

(c)    contra a ortografia da língua portuguesa

(d)   crime de atentado ao pudor

(e)   todas as alternativas são verdadeiras

 

GABARITO OFICIAL DA BANCA: E, de “Eita, MAR!”

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