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MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

Como você pronuncia a palavra subsídio?

Por Orlando Nunes em Fonologia

09 de julho de 2016

balaoA gramática tradicional recomenda a pronúncia /subcídio/, afinal a letra “S” depois de uma consoante mantém “seu som” forte, /S/ e não /Z/.

Assim, a sílaba “sí” de subsídio é pronunciada como o “sí” da palavra sílaba.

Contudo, o cordão dos que puxam a pronúncia /subzídio/ cada vez aumenta mais. Sabe o que isso significa ao pé da letra? Mais cedo ou mais tarde, o /subcídio/ perde o lugar.

Obs.: as barras acima sugerem a pronúncia, não a grafia correta do vocábulo, é claro.

Em outras palavras

“S” depois de consoante não tem, normalmente, som de “Z”: absurdo, imprensa, obsoleto, subsolo, subsíndico, subsídio, etc. Mas língua em forma foge à fôrma, e na palavra “obséquio” e nos vocábulos formados com o elemento “trans-”, excepcionalmente, o “S” tem som de “Z”: transação, transatlântico, trânsito.

Detalhe: se depois de “trans-” a palavra começar com a letra “S”, tudo volta ao princípio geral e o som /Z/ cede lugar ao /S/: Trans + Secular = transecular.

Até

 

Augusta Casa de Irene

Por Orlando Nunes em Concordância verbal

28 de junho de 2016

(FOTO: Divulgação)

(FOTO: Divulgação)

“Cabe a cada um dos deputados desta augusta Casa certas obrigações inerentes ao escorreito desempenho da atividade parlamentar”.

Há um erro no período acima, identificado em uma das alternativas abaixo.

É CORRETO afirmar que…

(A) a Casa não é de Augusta, e sim de Irene;

(B) “obrigações” é vocábulo aplicável ao eleitor, pois deputados só têm “direitos”;

(C) “inerentes” é a negativa prefixal da política parassintética de empregar “parentes”;

(D) “escorreito” é escorrego ou desvio de conduta de um prefeito, não de deputado;

(E) há um erro de concordância verbal no período, o resto é blá-blá-blá.

GABARITO: E (se você errou essa, cabe recurso, ou seja, retorno ao cursinho).

Comentário: Sem “rapapés”, o que se quis dizer, simplesmente, foi isto: “Certas obrigações CABEM (e não “cabe”, como está escrito no período destacado) a cada um dos deputados…”.

Reescritura: “Cabem a cada um dos deputados desta augusta Casa certas obrigações inerentes ao escorreito desempenho da atividade parlamentar.”

Até!

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Lava Jato: a preposição roubada

Por Orlando Nunes em Dica

20 de junho de 2016

operacao lava jato“Força-tarefa da Lava Jato quer multa de R$ 6 bi da Odebrecht”

SUBSTANTIVO COMPOSTO
Quando um substantivo se encontra com outro substantivo, dá pau, e só um hífen para separar a briga feia: força-tarefa, um substantivo composto,

PREPOSIÇÃO ROUBADA
Já a Operação Lava Jato, que está dando um banho, seria mais enxuta como Operação Lava a Jato” (algo é lavado a jatos d’água, afinal).

Na fala, contudo, “lava a jato” vira naturalmente /“lavajato”/. A força da fala, superior à da escrita, cunhou (sem trocadilho) Lava Jato.

Em todo caso, a operação da Polícia Federal é um sucesso, é Lava Jato e ninguém mexe. Que nenhum “delator premiado” me acuse de tentar barrar a dita cuja. Eu sou apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior.

Até!

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A pronúncia do têm

Por Orlando Nunes em Concordância verbal

10 de junho de 2016

(FOTO: Flickr/Creative Commons/Pedro Ribeiro Simões)

(FOTO: Flickr/Creative Commons/Pedro Ribeiro Simões)

Na escrita, a terceira pessoa do plural do presente do indicativo do verbo TER é assinalada com um acento circunflexo: Ele/Ela TEM um plano; Eles/Elas TÊM um plano.

Esse acento diferencial de plural NADA tem a ver com a pronúncia ou FALA.

Assim, FALAMOS (pronúncia) /Eles ou Elas TEM um plano/, e não /… TEEM um plano /.

Até!

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Português para extraterrestres

Por Orlando Nunes em Concordância verbal

25 de abril de 2016

(FOTO: Divulgação)

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“Depois da aparição de objetos voadores não identificados (OVNIs), fatos estranhos começaram a haver na misteriosa cidadezinha do sertão cearense.”

Em relação ao fragmento de texto acima, é correto afirmar:

(A) Está adequado à norma culta da língua portuguesa

(B) Há um erro de regência verbal

(C) Há um erro de concordância nominal

(D) Há um erro de regência nominal

(E) Há um erro de concordância verbal

GABARITO: E

COMENTÁRIO: O verbo “haver”, quando sinônimo de “existir”, “ocorrer” ou “acontecer”, é impessoal (sem sujeito), não é flexionado no plural. Ex.: “Houve (e não *houveram) fatos estranhos”. Há um erro de concordância verbal na frase analisada. O verbo auxiliar da locução verbal não deve ser flexionado no plural. Em vez de “começaram a haver”, o correto seria “começou a haver”, pois o verbo principal da locução (haver) sendo impessoal “transmite” sua impessoalidade ao verbo auxiliar (começou). Na frase, “fatos estranhos” é o objeto direto, e não sujeito (começou a haver fatos estranhos). A inversão dos termos (OD + Verbo) dificulta a análise sintática, e “fatos estranhos” parece ser o sujeito, MAS NÃO É!

Reescritura:

“Depois da aparição de objetos voadores não identificados (OVNIs), fatos estranhos começou a haver na misteriosa cidadezinha do sertão cearense.”

Até!

Os dois milhões de pessoas

Por Orlando Nunes em Concordância verbal, Sem categoria

10 de março de 2016

Manual de Apoio à Redação – MAR Jangadeiro

“Das 2,4 milhões de pessoas convidadas pelo Facebook, 234 mil já confirmaram presença.”

Milhão, vocábulo de gênero masculino, deve vir determinado por artigo (ou outro determinante) também masculino: “os dois milhões de pessoas”, “estes dois milhões de pessoas”, “todos os dois milhões de pessoas”, e não “*as duas milhões de pessoas”, “*estas duas milhões de pessoas”, “*todas as duas milhões de pessoas”.

Ajuste

Dos 2,4 milhões de pessoas convidadas pelo Facebook, 234 mil já confirmaram presença.”

Até!

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A regência do verbo ‘alertar’

Por Orlando Nunes em Regência

05 de março de 2016

Manual de Apoio à Redação – MAR Jangadeiro

“Dermatologista alerta que uso de repelentes caseiros é perigoso”

Atenção à regência do verbo “alertar”.

Alerta-se alguém para/sobre/contra o risco de alguma coisa. Evite a construção com complemento verbal oracional; resumidamente, evite a estrutura “alerta que…”.

Ajuste:

“Dermatologista alerta sobre perigo do uso de repelentes caseiros”

Até!

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Um milhão atrai um verbo?

Por Orlando Nunes em Concordância verbal

24 de fevereiro de 2016

(ILUSTRAÇÃO: Divulgação)

(ILUSTRAÇÃO: Divulgação)

Um milhão de mulheres participou OU participaram…”?

Quando a palavra “milhão” (núcleo do sujeito de uma frase) vem especificada por um termo no plural, ocorrem duas possibilidades de concordância verbal: verbo no singular, concordando com o núcleo singular, ou verbo no plural, concordando atrativamente com o especificador plural (termo mais próximo).

Passa a vista:

Mais de um milhão de mulheres participou da manifestação em todo o Brasil.”

Mais de um milhão de mulheres participaram da manifestação em todo o Brasil.”

Olho aberto:

E se, na frase acima, o verbo viesse antes do núcleo do sujeito (milhão), deveríamos empregar o singular ou o plural?

Veja só:

Participou (ou ‘Participaram’?) da manifestação, em todo o Brasil, mais de um milhão de mulheres.”

Recomenda-se aos redatores neste caso o emprego do verbo no singular. Por quê?

Primeiro: concordância lógica (gramatical): o verbo concorda com o núcleo do sujeito (‘milhão’, no caso).

Segundo: concordância atrativa (com o termo mais próximo): observe que, com a inversão dos termos da frase, o verbo (‘participar’, no caso) está mais próximo do núcleo do sujeito (milhão) que do termo especificador (‘de mulheres’).

Logo, “Participou da manifestação um milhão de mulheres…”.

marjangadeiro@gmail.com

Até!

Porque junto também faz perguntas?

Por Orlando Nunes em Gramática

02 de fevereiro de 2016

(Ilustração: Divulgação)

(Ilustração: Divulgação)

Sabia que “porque junto” (uma só palavra) também faz perguntas?

Se não, talvez você seja a milionésima vítima desta enganosa dicazinha:

“por que separado usamos em perguntas, e porque junto nas respostas”.

Na verdade, nem sempre funciona assim. Observe o seguinte diálogo extraído (não confundir com “ex-traído”, aquele que votou enganado, mas não vota mais) de um debate entre um situacionista e um oposicionista do Planalto:

Situacionista (com a mão direita sobre a Bíblia): “Camarada, o Brasil vive uma crise econômica PORQUE a economia no mundo também vai mal”.

Oposicionista (incrédulo como um pobre diabo): “Pelo amor de Deus, Excelência, se o Brasil vive esta crise toda, então é PORQUE a economia no mundo vai mal?”

Viu?!

O oposicionista faz uma pergunta (com direito a ponto de interrogação e tudo) lançando mão de um “porque” junto (uma só palavra).

Isso não é intriga da oposição, é somente uma conjunção.

Sim, uma conjunção causal (= pois), e não um advérbio interrogativo (por que).

O oposicionista se valeu de uma pergunta retórica (aquela que, no fundo monetário gramatical, dispensa resposta) para dizer, com outras palavras e ao pé da letra:

“Então Vossa Excelência tem, com o devido respeito, a cara de pau de afirmar que o Brasil vive esta crise toda PORQUE/POIS o mundo também a vive?”.

É tudo verdade!

Até podemos discordar do discurso da esquerda ou da direita. Mas, como diz o ditado, o porquê unido jamais será vencido. Por que, hein? Será porque assim Deus quis?

Até!

marjangadeiro@gmail.com

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A grande chance

Por Orlando Nunes em Dica

21 de janeiro de 2016

(FOTO: Arquivo/Tribuna do Ceará)

(FOTO: Arquivo/Tribuna do Ceará)

“Ceará tem grande chance de enfrentar 5º ano seguido de seca, prevê a Funceme”

Ops! Comentei esse assunto noutras épocas. Vale a pena ver de novo.

A palavra “chance” tem valor semântico positivo: chance de ganhar na Mega, chance de ser campeão da série C (Fortaleza, tantas vezes campeão…), chance de ir pro céu sem estágio no purgatório, etc. Então, chance de seca não cai bem. E confiemos nos profetas do sertão, chove.

Uma proposta de reescritura:

“Ceará pode enfrentar 5º ano seguido de seca, prevê Funceme”

Até!

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Como você pronuncia a palavra subsídio?

Por Orlando Nunes em Fonologia

09 de julho de 2016

balaoA gramática tradicional recomenda a pronúncia /subcídio/, afinal a letra “S” depois de uma consoante mantém “seu som” forte, /S/ e não /Z/.

Assim, a sílaba “sí” de subsídio é pronunciada como o “sí” da palavra sílaba.

Contudo, o cordão dos que puxam a pronúncia /subzídio/ cada vez aumenta mais. Sabe o que isso significa ao pé da letra? Mais cedo ou mais tarde, o /subcídio/ perde o lugar.

Obs.: as barras acima sugerem a pronúncia, não a grafia correta do vocábulo, é claro.

Em outras palavras

“S” depois de consoante não tem, normalmente, som de “Z”: absurdo, imprensa, obsoleto, subsolo, subsíndico, subsídio, etc. Mas língua em forma foge à fôrma, e na palavra “obséquio” e nos vocábulos formados com o elemento “trans-”, excepcionalmente, o “S” tem som de “Z”: transação, transatlântico, trânsito.

Detalhe: se depois de “trans-” a palavra começar com a letra “S”, tudo volta ao princípio geral e o som /Z/ cede lugar ao /S/: Trans + Secular = transecular.

Até