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MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

Dez dicas da série Competência 1: português profissional – texto jornalístico

Por Orlando Nunes em Dica

29 de Janeiro de 2018

1 – Cai, chuva

Evite a obviedade da construção “a chuva que caiu”. Em vez de “A chuva que caiu ontem na região”, escreva, por exemplo, “A chuva de ontem na região”, ou “A chuva que atingiu ontem a região”. Enfim, fuja sempre da “chuva que cai” (agora, se ela, surpreendentemente, começar a subir, aí sim, seja o primeiro a noticiar a novidade).

2 – Hora determinada

Observe: “A reunião ocorreu de 9h às 11h” (errado). Antes de “11h” temos, corretamente, preposição (a) + artigo (a), resultando em crase (às). Antes de “9h”, por paralelismo, deveríamos ter também preposição + artigo (de + as), resultando em “das”. Logo, “A reunião ocorreu das 9h às 11h”.

3 – Tinha uma pedra no meio do caminho

“Todas as medidas legalmente cabíveis no difícil e permanente combate à sonegação de impostos no país, têm sido e continuarão sendo tomadas pelo governo, disse o ministro.”

É sempre bom lembrar que não se separa o sujeito do predicado com vírgula. Como, no período acima, temos um exemplo de sujeito de longa extensão (ele começa em “Todos”, no início da frase, e vai até a palavra “país”), sua completa identificação foi dificultada, levando o redator a, equivocadamente, separá-lo de seu verbo com uma vírgula – retire-a.

4 – À medida que x Na medida em que

Não confunda a locução conjuntiva “à medida que” (“à proporção que”) com a locução “na medida em que” (“porque”). Obs. É equivocada a construção híbrida dessas locuções, isto é, “à medida em que” ou “na medida que”. Veja os exemplos: “Desfavoravelmente, o diálogo entre policial e sequestrador se tornava mais tenso à medida que/à proporção que o tempo passava” (certo); “Na medida em que/Porque as reivindicações da categoria não foram atendidas, a paralisação dos trabalhadores será mantida” (certo); “O interrogado se contradizia cada vez mais à medida em que falava” (errado); “De acordo com o delegado, as peças do quebra-cabeça não se encaixavam, na medida que havia muitas contradições no depoimento” (errado).

5 – Em frente a, em face de, diante de

O último vocábulo das locuções prepositivas (grupo de palavras com valor de preposição) quase sempre (em 99,99% das ocorrências, digamos) é uma preposição. Assim, em vez de “Em face os últimos acontecimentos, a reunião foi antecipada”, escreva “Em face dos últimos acontecimentos, a reunião foi antecipada”. Outro fato: a maioria dos gramáticos tradicionais desaconselham a locução “face a” em vez de “em face de”. Obs. Quando semanticamente equivale a “apesar de”, a expressão “não obstante” é locução prepositiva (a única da língua portuguesa não terminada com preposição. Ex.: “Não obstante/apesar de já ter tomado a vacina no passado, temia a viagem à cidade, considerada área de risco com muitos casos registrados de febre amarela”.

6 – O porquê das perguntas

Não leve totalmente a sério a lenda de que, para perguntas, sempre empregamos “por que separado”. Observe: “O jogador foi multado só porque chegou alguns minutos atrasado ao treino? Esse “porque” é uma conjunção causal e deve ser mesmo escrito em uma só palavra, mesmo numa frase interrogativa.

7 – Chavão

Evite os chavões dos boletins policiais (ou de quaisquer outros). Ex.: Em vez de “O grupo de homens armados efetuaram diversos disparos”, escreva, simplesmente, “O grupo de homens armados atiraram várias/diversas vezes”.

8 – Ordinais

Na indicação de artigos de lei, empregue numeral ordinal de um a nove e numeral cardinal a partir de dez. Ex.: “Segundo o artigo 5º da referida lei” (e não artigo 5). Mas… “Segundo o artigo 10 da referida lei” (e não artigo 10º).

9 – Um dos que

Dê preferência à flexão de plural do verbo seguinte à expressão “um dos que”. Ex.: “O meia-atacante foi um dos que mais se destacaram na partida de ontem”.

10 – Duração

Em tempo: sem o artigo antes dos numerais indicadores de horas, o sentido é de duração de tempo. Veja a seguinte construção: “A reunião durou de três a quatro horas” é diferente semanticamente de “A reunião durou das 3h às 4h”. Nesta segunda estrutura, com preposição e artigo, inferimos que a reunião teve duração de uma hora; no primeiro exemplo, com preposição e sem artigo, deduzimos que a reunião durou aproximadamente três ou quatro horas.

 

Até!

marjangadeiro@gmail.com

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Blog MAR Jangadeiro inicia série Competência 1: Gramática Aplicada ao Texto Jornalístico 2018

Por Orlando Nunes em Sintaxe

22 de Janeiro de 2018

Manual de Apoio à Redação – MAR Jangadeiro

Paralelismo sintático

“A capacidade de autocontrole emocional em um indivíduo submetido a tão precárias condições de sobrevivência talvez esteja mais relacionada à loteria genética do que a esforços pessoais.”

Competência 1 – Gramática Aplicada ao Texto Jornalístico

Análise da estrutura “…mais relacionada à loteria genética do que a esforços pessoais”.

 

– Termo regente: “relacionada”.

Termos regidos: (1) “à loteria genética” e (2) “a esforços pessoais”.

 

Observe que, em (1), temos a fusão da preposição A com o artigo A, resultando em À (crase). Entretanto, em (2), segundo termo regido, há somente a preposição A, falta o artigo (“os”, no caso) para a promoção do paralelismo sintático da estrutura (à / aos).

Copidesque

“A capacidade de autocontrole emocional em um indivíduo submetido a tão precárias condições de sobrevivência talvez esteja mais relacionada à loteria genética do que aos esforços pessoais.”

 

E o resto é MAR.

marjangadeiro@gmail.com

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Esgotaram-se ou esgotou-se um milhão de ingressos?

Por Orlando Nunes em Concordância verbal

01 de dezembro de 2016

Duas frases novinhas do noticiário nacional para revermos uma velha questão: a concordância (verbal e nominal) com a palavra MILHÃO.

Concordância verbal

“Esgotaram-se, em menos de 24 horas, um milhão de ingressos para os cem shows do artista na Europa.”

Temos na frase acima um caso de verbo anteposto ao sujeito (verbo + sujeito). Na ordem direta (sujeito + verbo), escreveríamos “Um milhão de ingressos … esgotou-se ou esgotaram-se”.

Nessa segunda estrutura (ordem direta), portanto, há dupla possibilidade de concordância verbal. O verbo pode concordar com o núcleo do sujeito, no singular (um milhão esgotou-se), ou concordar com o termo especificador do núcleo do sujeito (um milhão de ingressos esgotaram-se), por atratividade (concordância do verbo com o termo mais próximo).

Entretanto, na primeira estrutura (verbo + sujeito), a concordância verbal deve ser feita com o núcleo do sujeito, quer na concordância lógica (gramatical), quer na concordância atrativa, pois o verbo agora está mais próximo do núcleo do sujeito do que de seu especificador.

Reescritura:

“Esgotou-se, em menos de 24 horas, um milhão de ingressos para os cem shows do artista na Europa.”

Concordância nominal

“Mais de duas milhões de pessoas assinaram o projeto de iniciativa popular.”

Milhão, já comentamos isso noutros posts, é vocábulo masculino. Assim, em vez de “duas milhões”, deveríamos ter na frase acima “dois milhões”. O desvio de concordância se dá em razão de o redator fazer concordar o numeral (duas) com o substantivo feminino “pessoas”. Contudo, “dois” é, nesse caso, determinante do vocábulo masculino “milhão”.

Reescritura:

“Mais de dois milhões de pessoas assinaram o projeto de iniciativa popular.”

Até!

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O Bruxo do Cosme Velho e a Vírgula

Por Orlando Nunes em Pontuação

29 de outubro de 2016

machado

(FOTO: Reprodução)

“Quem viesse pelo lado do mar, veria as costas do palácio, os jardins e os lagos…” Machado de Assis – Esaú e Jacó

Antes de mais nada, três breves considerações acerca da organização sintática do período acima:

1) Há nele dois verbos; trata-se, portanto, de um período composto formado por duas orações. A primeira: “Quem viesse pelo mar”. A segunda: “veria as costas do palácio, os jardins e os lagos”.
2) A primeira oração funciona sintaticamente como sujeito, um “sujeito oracional”. O predicado desse “sujeito oracional” é a segunda oração do período.
3) Não devemos empregar uma vírgula entre o sujeito e seu predicado.

Aqui a regra range

Se a primeira oração é o sujeito e a segunda é o predicado, por que o grande Machado não cortou a pequena vírgula entre elas?
a) O Machado estava meio cego
b) O Machado tropeçou na vírgula
c) Machado que se preza não corta vírgula
d) O Machado era mesmo de lascar
e) O Machado acertou na mosca

Gabarito oficial: “e”, de extraordinário.

Comentário

Nesse contexto, a vírgula é correta, embora opcional. O sujeito oracional iniciado por “QUEM” pode vir separado por vírgula de seu predicado. Escritores valem-se desse recurso para deixar mais clara a estrutura sintática do enunciado. Com uma vírgula, o Bruxo do Cosme Velho deixa evidente o conjunto de vocábulos representativo do sujeito. Sem a vírgula, uma leitura apressada, por exemplo, poderia levar a uma equivocada interpretação da frase.

Vejamos

* Abaixo, os colchetes são empregados para destacar o que foi tomado como “sujeito oracional”.

– A “visualização” correta do “sujeito oracional” conduz o leitor a uma rápida compreensão do enunciado:
[Quem viesse pelo lado do mar] veria as costas do palácio, os jardins e os lagos…”
– A “visualização” errada do “sujeito oracional” possibilita uma interpretação equivocada da frase:
[Quem viesse] pelo lado do mar veria as costas do palácio… ou seja, [Quem viesse] veria, pelo lado do mar, as costas do palácio…

A vírgula de Machado, nesse caso, contribui para a compreensão imediata do período.

Moral da história

Uma vírgula não separa o sujeito do predicado, a não ser quando ela, à Machado, abre caminho para a melhor leitura.

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Sujeito a alteração não tem crase?

Por Orlando Nunes em Crase

04 de outubro de 2016

A frase está correta (FOTO: Divulgação)

A frase está correta (FOTO: Divulgação)

Na frase “Sujeito a alteração sem aviso prévio” não está faltando uma crase? Pergunta de Júlia M., Dionísio Torres, Fortaleza (CE).

Resposta

A frase está correta, nela não há a ocorrência de crase, que é a fusão de duas vogais idênticas. Esse A de “sujeito a” é apenas uma preposição. Para que ocorresse crase, seria necessária, além da preposição A, a presença de um artigo feminino A.

A ausência de artigo fica evidente na substituição do substantivo feminino “alteração” por um substantivo masculino (“ajuste”, por exemplo). Observe: “Sujeito a ajuste sem aviso prévio”. Se houvesse um artigo antes da palavra “ajuste”, teríamos: “Sujeito ao ajuste sem aviso prévio”. Não é o caso.

Frases corretas: “Sujeito a alteração sem aviso prévio” / “Sujeito a ajuste sem aviso prévio”.

Até!

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Como você pronuncia a palavra subsídio?

Por Orlando Nunes em Fonologia

09 de julho de 2016

balaoA gramática tradicional recomenda a pronúncia /subcídio/, afinal a letra “S” depois de uma consoante mantém “seu som” forte, /S/ e não /Z/.

Assim, a sílaba “sí” de subsídio é pronunciada como o “sí” da palavra sílaba.

Contudo, o cordão dos que puxam a pronúncia /subzídio/ cada vez aumenta mais. Sabe o que isso significa ao pé da letra? Mais cedo ou mais tarde, o /subcídio/ perde o lugar.

Obs.: as barras acima sugerem a pronúncia, não a grafia correta do vocábulo, é claro.

Em outras palavras

“S” depois de consoante não tem, normalmente, som de “Z”: absurdo, imprensa, obsoleto, subsolo, subsíndico, subsídio, etc. Mas língua em forma foge à fôrma, e na palavra “obséquio” e nos vocábulos formados com o elemento “trans-”, excepcionalmente, o “S” tem som de “Z”: transação, transatlântico, trânsito.

Detalhe: se depois de “trans-” a palavra começar com a letra “S”, tudo volta ao princípio geral e o som /Z/ cede lugar ao /S/: Trans + Secular = transecular.

Até

 

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Augusta Casa de Irene

Por Orlando Nunes em Concordância verbal

28 de junho de 2016

(FOTO: Divulgação)

(FOTO: Divulgação)

“Cabe a cada um dos deputados desta augusta Casa certas obrigações inerentes ao escorreito desempenho da atividade parlamentar”.

Há um erro no período acima, identificado em uma das alternativas abaixo.

É CORRETO afirmar que…

(A) a Casa não é de Augusta, e sim de Irene;

(B) “obrigações” é vocábulo aplicável ao eleitor, pois deputados só têm “direitos”;

(C) “inerentes” é a negativa prefixal da política parassintética de empregar “parentes”;

(D) “escorreito” é escorrego ou desvio de conduta de um prefeito, não de deputado;

(E) há um erro de concordância verbal no período, o resto é blá-blá-blá.

GABARITO: E (se você errou essa, cabe recurso, ou seja, retorno ao cursinho).

Comentário: Sem “rapapés”, o que se quis dizer, simplesmente, foi isto: “Certas obrigações CABEM (e não “cabe”, como está escrito no período destacado) a cada um dos deputados…”.

Reescritura: “Cabem a cada um dos deputados desta augusta Casa certas obrigações inerentes ao escorreito desempenho da atividade parlamentar.”

Até!

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Lava Jato: a preposição roubada

Por Orlando Nunes em Dica

20 de junho de 2016

operacao lava jato“Força-tarefa da Lava Jato quer multa de R$ 6 bi da Odebrecht”

SUBSTANTIVO COMPOSTO
Quando um substantivo se encontra com outro substantivo, dá pau, e só um hífen para separar a briga feia: força-tarefa, um substantivo composto,

PREPOSIÇÃO ROUBADA
Já a Operação Lava Jato, que está dando um banho, seria mais enxuta como Operação Lava a Jato” (algo é lavado a jatos d’água, afinal).

Na fala, contudo, “lava a jato” vira naturalmente /“lavajato”/. A força da fala, superior à da escrita, cunhou (sem trocadilho) Lava Jato.

Em todo caso, a operação da Polícia Federal é um sucesso, é Lava Jato e ninguém mexe. Que nenhum “delator premiado” me acuse de tentar barrar a dita cuja. Eu sou apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior.

Até!

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A pronúncia do têm

Por Orlando Nunes em Concordância verbal

10 de junho de 2016

(FOTO: Flickr/Creative Commons/Pedro Ribeiro Simões)

(FOTO: Flickr/Creative Commons/Pedro Ribeiro Simões)

Na escrita, a terceira pessoa do plural do presente do indicativo do verbo TER é assinalada com um acento circunflexo: Ele/Ela TEM um plano; Eles/Elas TÊM um plano.

Esse acento diferencial de plural NADA tem a ver com a pronúncia ou FALA.

Assim, FALAMOS (pronúncia) /Eles ou Elas TEM um plano/, e não /… TEEM um plano /.

Até!

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Português para extraterrestres

Por Orlando Nunes em Concordância verbal

25 de Abril de 2016

(FOTO: Divulgação)

(FOTO: Divulgação)

“Depois da aparição de objetos voadores não identificados (OVNIs), fatos estranhos começaram a haver na misteriosa cidadezinha do sertão cearense.”

Em relação ao fragmento de texto acima, é correto afirmar:

(A) Está adequado à norma culta da língua portuguesa

(B) Há um erro de regência verbal

(C) Há um erro de concordância nominal

(D) Há um erro de regência nominal

(E) Há um erro de concordância verbal

GABARITO: E

COMENTÁRIO: O verbo “haver”, quando sinônimo de “existir”, “ocorrer” ou “acontecer”, é impessoal (sem sujeito), não é flexionado no plural. Ex.: “Houve (e não *houveram) fatos estranhos”. Há um erro de concordância verbal na frase analisada. O verbo auxiliar da locução verbal não deve ser flexionado no plural. Em vez de “começaram a haver”, o correto seria “começou a haver”, pois o verbo principal da locução (haver) sendo impessoal “transmite” sua impessoalidade ao verbo auxiliar (começou). Na frase, “fatos estranhos” é o objeto direto, e não sujeito (começou a haver fatos estranhos). A inversão dos termos (OD + Verbo) dificulta a análise sintática, e “fatos estranhos” parece ser o sujeito, MAS NÃO É!

Reescritura:

“Depois da aparição de objetos voadores não identificados (OVNIs), fatos estranhos começou a haver na misteriosa cidadezinha do sertão cearense.”

Até!

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Português para extraterrestres

Por Orlando Nunes em Concordância verbal

25 de Abril de 2016

(FOTO: Divulgação)

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“Depois da aparição de objetos voadores não identificados (OVNIs), fatos estranhos começaram a haver na misteriosa cidadezinha do sertão cearense.”

Em relação ao fragmento de texto acima, é correto afirmar:

(A) Está adequado à norma culta da língua portuguesa

(B) Há um erro de regência verbal

(C) Há um erro de concordância nominal

(D) Há um erro de regência nominal

(E) Há um erro de concordância verbal

GABARITO: E

COMENTÁRIO: O verbo “haver”, quando sinônimo de “existir”, “ocorrer” ou “acontecer”, é impessoal (sem sujeito), não é flexionado no plural. Ex.: “Houve (e não *houveram) fatos estranhos”. Há um erro de concordância verbal na frase analisada. O verbo auxiliar da locução verbal não deve ser flexionado no plural. Em vez de “começaram a haver”, o correto seria “começou a haver”, pois o verbo principal da locução (haver) sendo impessoal “transmite” sua impessoalidade ao verbo auxiliar (começou). Na frase, “fatos estranhos” é o objeto direto, e não sujeito (começou a haver fatos estranhos). A inversão dos termos (OD + Verbo) dificulta a análise sintática, e “fatos estranhos” parece ser o sujeito, MAS NÃO É!

Reescritura:

“Depois da aparição de objetos voadores não identificados (OVNIs), fatos estranhos começou a haver na misteriosa cidadezinha do sertão cearense.”

Até!