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O Psicólogo

por André Flávio Nepomuceno Barbosa

psicologia

CONFLITOS FAMILIARES: A TEORIA DO ESTEREÓTIPO IMUTÁVEL.

Por andreflavionb em conflitos familiares

26 de julho de 2018

CONFLITOS FAMILIARES: A TEORIA DO ESTEREÓTIPO IMUTÁVEL.

CONFLITOS FAMILIARES: A TEORIA DO ESTEREÓTIPO IMUTÁVEL.

Hoje falaremos sobre uma teoria que venho desenvolvendo sobre uma das principais causas de conflitos familiares, uma nova distorção cognitiva: o estereótipo imutável.

Sabe aquela queixa, um tanto quanto clichê de; “Minha mãe ainda acha que eu sou uma criança!”?, pois bem, ela é real e ocorre em todos os setores familiares; também achamos que nossa mãe, nosso irmão, irmã, tio, tia, primo, vô, vó.. não mudam.

Isso ocorre por um método preguiçoso de nosso cérebro de não querer repensar memorias já consolidadas de longo prazo. Antigamente, essa estratégia de não repensar fazia sentido, pois evitava gasto de energia desnecessário.

Como assim gasto de energia?

Acredite ou não; pensar gera gastos de energia metabólica corporal. Cada pensamento que você tem é uma onda eletroquímica gasta em seu cérebro. Imagine nuvens carregadas e vários relâmpagos; o espaço entre uma nuvem e outra chamaremos de sinapses, e cada raio disparado é um pensamento ou circuito neural automático gasto.

Para se ter uma leve noção do tamanho desse gasto, quando estamos dormindo, nosso cérebro gasta cerca de 30% do total de energia corpórea produzida. Imagine quando estamos pensando e repensando? (Exatamente por isso, quando uma pessoa é muito ansiosa – pensamentos acelerados – possui uma tendência maior de querer consumir alimentos calóricos. Essa vontade de comer quando se está ansiosa é um mecanismo cerebral para compensar o gasto de energia pensando em desgraça 24h por dia.).

Portanto, antigamente, há 150 mil anos atrás, quando os primeiros Homo Sapiens surgiram, era vital poupar energia, pois não havia alimentos disponíveis em fastfoods para repor os gastos calóricos perdidos/ desperdiçados em pensamentos. Por isso repensar sobre as coisas, pessoas, vida, passou a ser encarado pelo nosso cérebro como inimigo número 1 da sobrevivência humana.

Acontece que ainda hoje carregamos em nosso DNA esse hábito cognitivo de evitar repensar sobre memórias já consolidadas. Agora você conseguiu entender porquê aquele ditado “a primeira impressão é a que fica” é tão usada e real? Devemos isso ao sistema econômico cerebral.

Exatamente por conta desse mecanismo cerebral que temos uma equivocada tendência a acreditar que nossos pais ainda são as mesmas pessoas, que nosso irmão não muda, “continua o mesmo irresponsável de sempre”, que é importante não contar nada para tia Joaquina, pois ela poderá contar para todo mundo, que o primo Xiquinho continua não levando nenhum relacionamento a sério…

Sabe o que é mais engraçado disso tudo? É que temos uma nítida consciência de que a gente muda, pergunto: você acha que ainda é a mesmíssima pessoa de 6 meses atrás? Geralmente achamos que estamos em constante evolução, mas somos incapazes de acreditar que o outro também pode mudar da mesma forma. Estranho, incoerente, mas é real.

Criamos estereótipos mentais IMUTÁVEIS de nossos familiares para evitar repensar e evitar surpresas. “Não vou nem contar nada para João, pois ele é bocão.”. “Melhor não emprestar dinheiro para Tia Cintia, pois ela não paga.”. “Não vou emprestar o carro para Fernando pois ele é irresponsável”.

Geralmente não toleramos esses estereótipos quando somos vítimas deles, mas não temos problemas algum em utiliza-lo com os outros.

Não suportamos sermos vistos como erámos a 15 anos atrás, isso dói como se o outro apagasse, deliberadamente, de minha existência, toda história evolutiva de minha vida pessoal. Ser tratado como um moleque de 12 anos, quando temos mais de 20 nos causa uma angústia sem fim e, quando não raro, explosões de raiva. Dai as brigas e desentendimentos familiares.

Agora sabe qual a maior pegadinha cerebral disso tudo?

É que temos uma coisa chamada comportamento automático que são mantidos por determinadas contingências (situações) gravadas em nosso hipocampo por dopamina (que forma nossa memória de longo prazo), e esses comportamentos costumam surgir, quase involuntariamente (daí o termo: comportamento automático) quando estamos vivendo uma contingência repetida (e aprendida).

Calma eu explico; Em outras palavras, isso significa que, apesar de termos consciência de nossa evolução cronológica ( não somos mais os mesmos sujeitos de quando tínhamos 10 anos de idade, certo?), quando somos tratados da forma de como erámos no passado ( tratado como criança, por exemplo.), temos uma grande tendência de apresentar o mesmo comportamento que tínhamos lá atrás (ou, na melhor das hipóteses, um comportamento similar). Portanto, mesmo sem querer, acabamos alimentando a percepção de que continuamos os mesmos, imutáveis.

Em casais essa distorção ocorre quase de forma consciente: “Para que eu vou mudar se ela ainda continua achando que eu sou o mesmo de quando começamos?”.

Sim, é um jogo de xadrez complicado, mas nada no psiquismo humano é simples.

O que podemos fazer desde agora é por o cérebro para trabalhar e repensar e sair do automático.

Repensar sobre os conceitos que temos sobre o outro que estão congelados (imutáveis), pois afinal, é mais coerente (e inteligente) entender que: se não somos os mesmos de 4 meses atrás, porque o outro também não pode ter evoluído? Mudado? Ou só você acha que tem o dom da evolução humana que lhe foi dado com a mesma probabilidade de quem ganha na megasena?

O outro ponto é também repensar sobre os nossos comportamentos automáticos; Quais comportamentos eu ando tendo perante meus familiares que podem estar alimentando a crença de que ainda sou a mesma pessoa, parada no tempo, de 15 anos atrás?

 

André Barbosa

85 98813-9593

Psicoterapeuta Cognitivo-Comportamental

Instagram – O psicólogo.

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Vitimismo: qual sua responsabilidade pelas coisas ruins que acontecem em sua vida?

Por andreflavionb em vitimismo

25 de Fevereiro de 2018

Vitimismo: qual sua responsabilidade pelas coisas ruins que acontecem em sua vida? *imagem retirada amazonaws

Vitimismo: qual sua responsabilidade pelas coisas ruins que acontecem em sua vida?

Tenho observado, cada vez mais, pessoas que vivem em uma espécie de prisão comportamental. São pessoas que estão sempre se queixando de seus relacionamentos instáveis, problemas no trabalho, familiares…

Este é o mundo de uma das distorções cognitivas que mais destroem relações afetivas, empregos, relações sociais, famílias; o vitimismo. Trata-se de uma forma distorcida de perceber o mundo. Pessoas com essa distorção possuem uma grande tendência de culpar 100% o mundo pelo resultado de suas escolhas e comportamentos.

É como se todos fossem maus e culpados pelo meu sofrimento, menos eu. Eu acabo me sentindo incapaz (ou com muita dificuldade) de buscar a minha felicidade. Como se fosse dever do outro me fazer feliz, não meu.

Parece uma prisão, pois, aparentemente, essas pessoas relatam fazer de tudo para mudar a condição ruim de suas vidas; trocam de empregos, terminam relacionamentos, começam outros, mas trocam-se apenas os personagens, ambientes, empregos e a história permanece a mesma.

Existe algo em comum nesses relatos; a maioria dessas pessoas sentem-se vítima do destino. Sentem como fosse “um carma”, destinadas a serem infelizes, dai perdem a esperança por lutar por coisas melhores. Acostumam-se com o ruim. “Meu relacionamento está uma bosta, mas pra que terminar? Nada vai mudar mesmo…”. “Eu só tenho chefe escroto, é impressionante, fazer o que?”.

Pessoas com essa distorção (vitimismo) sabem que o relacionamento está ruim, que está sendo traída, mas preferem manter o relacionamento a arriscar “encontrar outro pior”.

Quando sou assaltado, ou sofro um acidente, ou uma violência, sim eu sou uma vitima. Isso significa que, por questões meramente de azar, foi a minha vez. Eu tenho como prever um acidente? Prever um assalto? Quando sinto-me vítima de algo, penso, automaticamente, que algo aconteceu contra minha pessoa, independente de meu controle e vontade. Isso é ser vitima. Eu não tenho poder de ação sobre algo que está fora do meu controle.

O problema é quando a gente se sente vítima do mundo a toda hora. Quando faço isso, mesmo inconscientemente, a mensagem que passo para meu cérebro é: “não dá para fazer nada para melhorar, pois está fora do meu controle”. Ou não vejo motivos para mudar, pois o “problema é o mundo, não eu.”.

Alguns relatos que exemplificam o vitimismo:

  • Eu sou fria, não dou carinho, não dou atenção e culpo o outro pela esfriamento da relação. Esqueço-me de todas as vezes que o outro me pediu carinho, atenção, procurou-me e eu neguei, ou fiz ouvido de “mercador”. 
  • Não sou presente em minha relação e sinto raiva quando o outro prefere os amigos do que a mim. 
  • Eu brigo por qualquer coisa, sou excessivamente ciumenta, impulsiva, explosiva, intolerante, e me sinto vítima por meu namorado ter terminado comigo e me “trocado” por outra.
  • Sempre que meus amigos me chamavam para sair eu inventava uma desculpa, nunca ia, agora que estou solteiro, sinto-me muito magoado com a turma porque estão saindo e não me chamam. Estou sentindo-me isolado. Sozinho
  • Sempre chegava atrasado em meu trabalho, não cumpria com minhas obrigações, mas culpo meu chefe por ter sido insensível e  ter me demitido.
  • Eu não estudei absolutamente nada da matéria, mas sinto-me vítima do zero que tirei na prova. O problema é o professor!
  • Eu tenho tendência a engordar e estou acima do peso, graças a genética “ruim” que meus pais me repassaram.
  • Eu sempre sofro em meus relacionamentos. Mesmo sendo gente boa. Não adianta. Meu namoro terminou recentemente. Fui traída. Não sei o que há de errado comigo, eu sou carinhosa, compreensiva, até, no inicio do namoro, peguei várias mensagens de meu namorado dando em cima de outras meninas, coisas pesadíssimas, com troca de nudes e tudo, mas passamos apenas 1 semana brigados, eu p perdoei. Confiei no que ele disse, que não tinha passado de mensagens…

Veja bem, você pode ser vítima sim de um relacionamento ruim, vítima de uma traição, vítima de um emprego ruim, mas se você não entender qual sua responsabilidade em cima das coisas ruins que acontecem na sua vida, você jamais conseguirá sair de onde está. Sentir-se apenas vítima é sentar, chorar, cruzar os braços, querer carinho e consolo de todos (piedade) com minha situação e esperar por mais coisas ruins.

É preciso entender onde erramos. Será que me valorizei o suficiente? Será que fui aceitando coisas erradas demais? Será que fui responsável com meu emprego? Será que dei atenção a minha namorada? Será que fui um marido presente? Será que fiquei calada empurrando problema para debaixo do tapete, esperando o relacionamento melhorar por osmose?

Sim, coisas ruins acontecem, mas é nossa responsabilidade pegar essa dor e transformar em aprendizagem para melhorar nossa vida, nossos relacionamentos familiares, sociais, afetivos e profissionais.

Meu relacionamento está ruim, mas o que eu posso fazer para melhorar?

Meu emprego está ruim, mas o que eu posso fazer para ser feliz na minha profissão?

Tenho uma genética ruim, estou acima do peso, mas é minha responsabilidade, caso eu queira, recuperar minha forma.

Venhamos e convenhamos, é melhor culpar o outro pelo nosso fracasso, não é? Sentir-se vitima de tudo é, inicialmente ( e a curto prazo), até confortante, pois quando não nos responsabilizamos pelo que acontece em nossa vida a gente não precisa gastar energia para mudar, realizar uma analise profunda de nosso comportamento, fazer uma autocrítica “chata”…

Sim, sentir-se vítima de tudo, tem um prazer secundário forte. Ser traído dói, mas receber apoio dos amigos, da família, sentir-se cheia de atenção é prazeroso. Falar que meu chefe foi intolerante, é melhor do que gastar energia para mudar. Falar que o professor é ruim e severo, é melhor do que deixar de sair com meus amigos para estudar…

O problema é que esse prazer vai embora rapidamente e o que fica é você e a sua realidade. Enquanto não descruzarmos os braços e começarmos a atuar como protagonista, diretor e escritor de nossa própria historia, nada irá mudar, você continuará sendo um mero observador de si mesmo, sentando na cadeira do cinema, entediado, angustiado, triste, vendo o filme de sua vida em preto e branco passar, sem puder fazer nada.

André Barbosa                                                                                                                                                                                              Cognitivo comportamental – Psicólogo Clínico – CRP 11/11089

Instagram: @Opsicologo | Contato: 85 98813-9593

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Atendimento online: Por que sim?

Por andreflavionb em atendimento online, psicologia online, terapia online

14 de novembro de 2017

ATENDIMENTO ONLINE: POR QUE SIM?
*imagem retirada de www.amenteemaravilhosa.com.br

 

Atendimento online: Por que sim?

Recebi uma pergunta por direct de uma seguidora, estudante de psicologia, sobre o atendimento online. Segue.

“Olá, sou estudante de psicologia e estamos discutindo bastante em sala sobre atendimentos online. É eficiente? Antiético? O que você acha disso?”.

Primeiramente, obrigado por sua pergunta. Faz um bom tempo que estava querendo falar sobre essa questão. Vamos lá então…

Certamente não posso falar por todos profissionais da psicologia de diferentes abordagens, mas falando especificamente da terapia cognitivo-comportamental (atendimento clínico individual), não consigo visualizar perdas entre atendimentos online e presencial. Digo isso até porque um dos principais nomes da cognitivo-comportamento no mundo, Jesse H. Wright, tem inclusive visto ganhos na terapia online que a presencial não tem, como por exemplo; tratamento inicial para transtornos graves como síndrome do pânico, agorafobia, depressão maior… são alguns transtornos que, na fase aguda da doença, o paciente não consegue sequer sair de casa. Se estes pacientes recebem terapia online em casa, podem reduzir os sintomas através de técnicas e protocolos cognitivos-comportamentais e adquirirem força para sair de casa e participar da terapia presencial posteriormente. Portanto, ponto para o atendimento online.

Sem contar as pessoas que buscam terapia e que não encontram atendimento em sua cidade ou pessoas que estão fazendo terapia, mas que, por algum motivo, precisam viajar ou se mudar de cidade e querem continuar a terapia com o seu terapeuta, ou pessoas que simplesmente ouviram falar do trabalho de um determinando psicólogo e querem fazer terapia com o mesmo, mas moram distante. Outro ponto para o atendimento online.

Vale lembrar que a cognitivo-comportamental é uma abordagem da psicologia que trabalha reestruturando crenças, pensamentos, regulando emoções e modificando comportamentos. Por ser uma ciência baseada no funcionamento cerebral teve uma boa influencia da tecnologia e avanços científicos (ex: neurociência, neuropsicologia, mindfulness… ).

*imagem retirada de facebook.com/opsicologooficial.

Portanto, esse casamento com a tecnologia já era previsível, usamos desde monitoramento de estruturações cognitivas dos pacientes por aplicativos, além de controle da ansiedade e foco/atenção (também através de aplicativos), até monitoramento de qualidade do sono (todas essas ferramentas mencionadas uso em meu consultório e ajuda muito na estratégia terapêutica do paciente).

Nos EUA e boa parte da Europa, as sessões de terapia cognitivo-comportamental já são permitidos atendimento online praticamente desde a invenção da internet. Para um mundo cada vez mais conectado e que até procedimentos cirúrgicos estão sendo realizados online (uma pessoa em outro país controla/supervisiona e até realiza procedimentos cirúrgicos através da robótica) , o atendimento online é um movimento até normal de acontecer.

 

Quanto a eficiência da terapia online, isso vai depender de profissional para profissional. Alguns se adaptam. Outros não. Isso é normal. Porém, desde que a conexão de internet seja boa e o local de atendimento (tanto do psicólogo quanto do paciente) sejam adequados, posso até arriscar dizer que não fará diferença sendo presencial ou online. Veja bem, o que quero dizer é que se você ficar feliz com o atendimento presencial do seu terapeuta, provavelmente você ficará feliz com o atendimento online do mesmo. Agora se você não gostou do atendimento online, provavelmente poderá não gostar ao vivo. Tudo é uma questão de adaptação e empatia com o psicólogo e da sua própria adaptação como paciente com essa tecnologia.

 

Na cognitivo-comportamental trabalhamos com muitas técnicas que são acompanhadas por material psicoeduticativo, formulários, protocolos, aplicativos… E o atendimento online até facilita essa troca de informação e acompanhamento. Todo material de acompanhamento, por exemplo, pode ser enviado por email ou por Skype na mesma hora do atendimento online.

*imagem retirada de facebook.com/opsicologooficial

Talvez para psicólogos que possuem como abordagem a psicanalise, o atendimento online seja um pouco complicado. Falo da psicanalise tradicional; aquela em que paciente se posiciona deitado no divã. Porém, mesmo assim, existe um aplicativo disponível que se propõe atender pacientes apenas por profissionais da abordagem psicanalítica.

Fora isso não consigo verificar desvantagens. E acho que foi até um grande avanço do conselho federal de psicologia acompanhar esse avanço tecnológico, pois certamente, caso fosse proibido, seria uma espaço ocupado por pessoas sem capacitação nenhuma, podendo causar mais danos do que beneficio a saúde mental do paciente.

Referente a ética, todo o procedimento de atendimento online é respaldado pelo conselho federal de psicologia (ao final disponho o texto do conselho que regula esse tipo de atendimento).

Agora tenho uma critica pessoal nessa regulação: os atendimentos assíncronos foram permitidos pelo conselho. Assíncronos são atendimentos onde existe uma troca de dados, mas não precisa ser online. Em outras palavras, foi aberto uma brecha para atendimentos realizados por mensagem automática (whatsapp) ou email. Entendo que o conselho deva ter pensando em pessoas que perderam a voz e não podem falar (conheço muitos casos), mas o que impede desse atendimento ser feito por Skype utilizando o chat? Por que digo isso? Justamente porque não existe nenhuma garantia de que quem está te respondendo é realmente o psicólogo contratado, além de questões de sigilo. Essa é uma critica minha.

Fora isso vejo com bons olhos esse avanço da psicologia e parabenizo os psicólogos que estão expandindo nossa linda ciência para ajudar pessoas em todos os cantos do país e do mundo através do atendimento online.

Portanto, espero ter esclarecido sobre o tema. Segue abaixo o texto do conselho federal de psicologia que regula esse serviço.

André Flávio Nepomuceno Barbosa

CRP 11/11089

Psicólogo Clínico

Terapeuta Cognitivo-Comportamental.

 

“CAPÍTULO I- DOS SERVIÇOS PSICOLÓGICOS REALIZADOS POR MEIOS TECNOLÓGICOS DE COMUNICAÇÃO A DISTÂNCIA

Artigo. 1. São reconhecidos os seguinte serviços psicológicos realizados por meios tecnológicos de comunicação a distância desde que pontuais, informativos, focados no tema proposto e que não firam o disposto no Código de Ética Profissional da(o) psicóloga(o) e esta Resolução:

  1. As Orientações Psicológicas de diferentes tipos, entendendo-se por orientação o atendimento realizado em até 20 encontros ou contatos virtuais, síncronos ou assíncronos;
  2. Os processos prévios de Seleção de Pessoal;
  • A Aplicação de Testes devidamente regulamentados por resolução pertinente;
  1. A Supervisão do trabalho de psicólogos, realizada de forma eventual ou complementar ao processo de sua formação profissional presencial;
  2. O Atendimento Eventual de clientes em trânsito e/ou de clientes que momentaneamente se encontrem impossibilitados de comparecer ao atendimento presencial.

Parágrafo Único: Em quaisquer modalidades destes serviços a(o) psicóloga(o) está obrigada(o) a especificar quais são os recursos tecnológicos utilizados para garantir o sigilo das informações e esclarecer o cliente sobre isso.”

 

 

 

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Atendimento online: Por que sim?

Por andreflavionb em atendimento online, psicologia online, terapia online

14 de novembro de 2017

ATENDIMENTO ONLINE: POR QUE SIM?
*imagem retirada de www.amenteemaravilhosa.com.br

 

Atendimento online: Por que sim?

Recebi uma pergunta por direct de uma seguidora, estudante de psicologia, sobre o atendimento online. Segue.

“Olá, sou estudante de psicologia e estamos discutindo bastante em sala sobre atendimentos online. É eficiente? Antiético? O que você acha disso?”.

Primeiramente, obrigado por sua pergunta. Faz um bom tempo que estava querendo falar sobre essa questão. Vamos lá então…

Certamente não posso falar por todos profissionais da psicologia de diferentes abordagens, mas falando especificamente da terapia cognitivo-comportamental (atendimento clínico individual), não consigo visualizar perdas entre atendimentos online e presencial. Digo isso até porque um dos principais nomes da cognitivo-comportamento no mundo, Jesse H. Wright, tem inclusive visto ganhos na terapia online que a presencial não tem, como por exemplo; tratamento inicial para transtornos graves como síndrome do pânico, agorafobia, depressão maior… são alguns transtornos que, na fase aguda da doença, o paciente não consegue sequer sair de casa. Se estes pacientes recebem terapia online em casa, podem reduzir os sintomas através de técnicas e protocolos cognitivos-comportamentais e adquirirem força para sair de casa e participar da terapia presencial posteriormente. Portanto, ponto para o atendimento online.

Sem contar as pessoas que buscam terapia e que não encontram atendimento em sua cidade ou pessoas que estão fazendo terapia, mas que, por algum motivo, precisam viajar ou se mudar de cidade e querem continuar a terapia com o seu terapeuta, ou pessoas que simplesmente ouviram falar do trabalho de um determinando psicólogo e querem fazer terapia com o mesmo, mas moram distante. Outro ponto para o atendimento online.

Vale lembrar que a cognitivo-comportamental é uma abordagem da psicologia que trabalha reestruturando crenças, pensamentos, regulando emoções e modificando comportamentos. Por ser uma ciência baseada no funcionamento cerebral teve uma boa influencia da tecnologia e avanços científicos (ex: neurociência, neuropsicologia, mindfulness… ).

*imagem retirada de facebook.com/opsicologooficial.

Portanto, esse casamento com a tecnologia já era previsível, usamos desde monitoramento de estruturações cognitivas dos pacientes por aplicativos, além de controle da ansiedade e foco/atenção (também através de aplicativos), até monitoramento de qualidade do sono (todas essas ferramentas mencionadas uso em meu consultório e ajuda muito na estratégia terapêutica do paciente).

Nos EUA e boa parte da Europa, as sessões de terapia cognitivo-comportamental já são permitidos atendimento online praticamente desde a invenção da internet. Para um mundo cada vez mais conectado e que até procedimentos cirúrgicos estão sendo realizados online (uma pessoa em outro país controla/supervisiona e até realiza procedimentos cirúrgicos através da robótica) , o atendimento online é um movimento até normal de acontecer.

 

Quanto a eficiência da terapia online, isso vai depender de profissional para profissional. Alguns se adaptam. Outros não. Isso é normal. Porém, desde que a conexão de internet seja boa e o local de atendimento (tanto do psicólogo quanto do paciente) sejam adequados, posso até arriscar dizer que não fará diferença sendo presencial ou online. Veja bem, o que quero dizer é que se você ficar feliz com o atendimento presencial do seu terapeuta, provavelmente você ficará feliz com o atendimento online do mesmo. Agora se você não gostou do atendimento online, provavelmente poderá não gostar ao vivo. Tudo é uma questão de adaptação e empatia com o psicólogo e da sua própria adaptação como paciente com essa tecnologia.

 

Na cognitivo-comportamental trabalhamos com muitas técnicas que são acompanhadas por material psicoeduticativo, formulários, protocolos, aplicativos… E o atendimento online até facilita essa troca de informação e acompanhamento. Todo material de acompanhamento, por exemplo, pode ser enviado por email ou por Skype na mesma hora do atendimento online.

*imagem retirada de facebook.com/opsicologooficial

Talvez para psicólogos que possuem como abordagem a psicanalise, o atendimento online seja um pouco complicado. Falo da psicanalise tradicional; aquela em que paciente se posiciona deitado no divã. Porém, mesmo assim, existe um aplicativo disponível que se propõe atender pacientes apenas por profissionais da abordagem psicanalítica.

Fora isso não consigo verificar desvantagens. E acho que foi até um grande avanço do conselho federal de psicologia acompanhar esse avanço tecnológico, pois certamente, caso fosse proibido, seria uma espaço ocupado por pessoas sem capacitação nenhuma, podendo causar mais danos do que beneficio a saúde mental do paciente.

Referente a ética, todo o procedimento de atendimento online é respaldado pelo conselho federal de psicologia (ao final disponho o texto do conselho que regula esse tipo de atendimento).

Agora tenho uma critica pessoal nessa regulação: os atendimentos assíncronos foram permitidos pelo conselho. Assíncronos são atendimentos onde existe uma troca de dados, mas não precisa ser online. Em outras palavras, foi aberto uma brecha para atendimentos realizados por mensagem automática (whatsapp) ou email. Entendo que o conselho deva ter pensando em pessoas que perderam a voz e não podem falar (conheço muitos casos), mas o que impede desse atendimento ser feito por Skype utilizando o chat? Por que digo isso? Justamente porque não existe nenhuma garantia de que quem está te respondendo é realmente o psicólogo contratado, além de questões de sigilo. Essa é uma critica minha.

Fora isso vejo com bons olhos esse avanço da psicologia e parabenizo os psicólogos que estão expandindo nossa linda ciência para ajudar pessoas em todos os cantos do país e do mundo através do atendimento online.

Portanto, espero ter esclarecido sobre o tema. Segue abaixo o texto do conselho federal de psicologia que regula esse serviço.

André Flávio Nepomuceno Barbosa

CRP 11/11089

Psicólogo Clínico

Terapeuta Cognitivo-Comportamental.

 

“CAPÍTULO I- DOS SERVIÇOS PSICOLÓGICOS REALIZADOS POR MEIOS TECNOLÓGICOS DE COMUNICAÇÃO A DISTÂNCIA

Artigo. 1. São reconhecidos os seguinte serviços psicológicos realizados por meios tecnológicos de comunicação a distância desde que pontuais, informativos, focados no tema proposto e que não firam o disposto no Código de Ética Profissional da(o) psicóloga(o) e esta Resolução:

  1. As Orientações Psicológicas de diferentes tipos, entendendo-se por orientação o atendimento realizado em até 20 encontros ou contatos virtuais, síncronos ou assíncronos;
  2. Os processos prévios de Seleção de Pessoal;
  • A Aplicação de Testes devidamente regulamentados por resolução pertinente;
  1. A Supervisão do trabalho de psicólogos, realizada de forma eventual ou complementar ao processo de sua formação profissional presencial;
  2. O Atendimento Eventual de clientes em trânsito e/ou de clientes que momentaneamente se encontrem impossibilitados de comparecer ao atendimento presencial.

Parágrafo Único: Em quaisquer modalidades destes serviços a(o) psicóloga(o) está obrigada(o) a especificar quais são os recursos tecnológicos utilizados para garantir o sigilo das informações e esclarecer o cliente sobre isso.”