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O Psicólogo

por André Flávio Nepomuceno Barbosa

Sem categoria

BORDERLINE: QUANDO É AMOR OU DEPENDÊNCIA?

Por andreflavionb em Sem categoria, Transtorno de personalidade boderline

09 de setembro de 2018

 

Instabilidade emocional, sensação de inutilidade, insegurança, impulsividade e relações sociais prejudicadas. Imagem retirada: http://images1.minhavida.com.br/imagensconteudo/17514/mediabox%20luto%20relacionamentos_17514_242_427.jpg

BORDERLINE: QUANDO É AMOR OU DEPENDÊNCIA?

 Hoje vamos falar sobre o transtorno de personalidade borderline; Um transtorno que pode provocar estragos emocionais na vida de quem sofre e de quem convive ao redor. O grande problema que dificulta o diagnóstico é a tendência a achar que é apenas um traço característico da pessoa; “Ah, não se preocupa, ela é assim mesmo.”/ “O que você tem? Nada, apenas baixou um espírito de tristeza e deu vontade chorar, normal”. “Não se preocupa, ela está puta contigo agora, mas amanhã ela volta atrás, é normal, ela é super bom coração”.

Um dos principais traços característico reconhecido por amigos ou familiares de um border é dizer “Ela é uma pessoa intensa”.

As pessoas que convivem com um borderline sente-se como se estivesse em constante estado alerta; é uma sensação de eternamente ter que pisar em ovos; “O grande problema é falar que fulano está errado, porque ele leva para o lado pessoal, fica extremamente ofendido, acha que você não gosta mais dele…”

E os borderlines sofrem todos os dias a angustia de conviver com a dor de ser aceito. Sentir uma grande necessidade de agradar. Desde demonstrar isso publicamente de forma exagerada (pessoas que postam nas redes sociais, por exemplo, que amam o outro, ou que encontrou o amor da vida, quando, na verdade, não tem nem 1 mês que conheceu o outro), ou tentam comprar presentes caros….

Os border vivem sempre como se estivessem no limite emocional. Qualquer coisa, por menor que seja, tem potencial de desestabilizar o sujeito que sofre desse transtorno; O medo de rejeição, por exemplo, deixa o sujeito em constante estado de alerta, buscando indícios se o outro está o deixando ou não, qualquer coisa, até um tom de voz, pode ser interpretado como um forte sinal de que o outro está prestes a deixa-la, ou, o que é pior; se apaixonando por outra.

Conviver com essas instabilidades emocionais não é fácil, a válvula de escape, muitas as vezes, é o comportamento compulsivo; comprar demais, comer demais…  Além de ser fácil identificar atos impulsivos: tomar grandes (e drásticas) decisões sem pensar e rápido demais.

Aqui vamos falar de três casos;

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Mesmo depois de 4 meses solteira, Luanne continua questionando-se o que fez de errado para que seu namoro de 2 anos chegasse ao fim? Fez tudo que o namorado pediu: Afastou-se dos amigos, deu todas as senhas de suas redes sociais, só saía se fosse com o ele e excluiu alguns amigos de suas redes para evitar confusão.

Comenta com a família, geralmente chorando, que nunca mais vai encontrar alguém, que tem medo de morrer sozinha, apesar de nunca ter ficado solteira por mais de 4 meses. Sempre quando achava que um namoro estava para acabar, ela ja tratava de garantir um paquera que fosse um forte candidato a futuro namorado. 

O mais estranho, comentário geral, era a facilidade de se envolver. Namora fulano por 1 mês e já esta se declarando na redes sociais. “O amor de minha vida!”

Criou uma conta fake no instagram e facebook para seguir o ex e saber de sua vida. Para seu desespero, descobriu que ele está saindo com outra. Comenta com as amigas que sente uma dor profunda, na alma… Uma dor insuportável… que está perdendo a alegria de viver.

Hoje os pais de Luanne comentam que ela piorou a instabilidade de humor, está comendo demais, bebendo demais, trancou a faculdade e irrita-se facilmente por qualquer coisa. Fala aos pais que sente um vazio, como se precisasse de alguém para se sentir completa, mas sempre sentiu isso a vida inteira.

 

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Lícia sempre foi uma pessoa intensa. Daquelas que ou ama ou odeia. Uma pessoa que se entrega de corpo e alma quando gosta de alguém, mas que vive a mesma intensidade de dor quando se decepciona com essas pessoas. É como se parte dela morresse ao ver-se traída, seja por amigas ou namorado.

Costuma achar (e ter quase certeza) que as pessoas ficam falando dela quando chega em algum canto e vê alguém cochichando ou olhando de lado. Inclusive ja pegou várias brigas por isso. Quando questionada sobre o motivo, apenas fala “Eu tenho certeza que ela não gosta de mim! Ou que estava falando mal de mim!”.

Lícia foi miss, mas se considera feia e desinteressante. É uma pessoa extremamente carente e hoje está sofrendo violentamente por um relacionamento de 4 meses que terminou. Perdoou a traição do namorado com outra menina a fim de manter o relacionamento, mas foi Roberto que quis o fim, alegando querer “curtir mais a vida com os amigos”.

Sentir-se trocada, abandonada, rejeitada, está sendo pesado demais para Licia, que confessa ter pensado se matar já algumas vezes.

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O que Luanne e Lícia tem em comum é que as duas sofrem do transtorno de personalidade boderline.

Um transtorno extremamente complicado e que afeta todas as áreas da vida de uma pessoa (profissional, familiar, afetivo… ).

Um dos traços característicos do transtorno de personalidade Borderline (que refere-se viver na borda, no limite) é instabilidade no humor,  no comportamento e e nos relacionamentos.

Geralmente são pessoas que precisam da aprovação dos outros para se sentir bem consigo. Submetem-se aos desejos e ao controle ( incluindo tolerar invasão de privacidade) dos outros para sentirem-se aceitos. Podem apresentar um ciúmes excessivo dos parceiros por medo de abandono.

Alguns tem a necessidade de estar sempre em um relacionamento (São pessoas que você nunca viu solteiro por muito tempo) e que, em um espaço curtíssimo de tempo, já está se declarando apaixonado.

Borders sentem-se inferiores (baixa autoestima). Às vezes, evitam contato com as outras pessoas por  medo de não se sentir aceito. Não reagem bem a criticas. Aliás, são pessoas que geralmente temos que “pisar em ovos” para realizar qualquer crítica por menor que seja. 

Outro traço característico é impulsividade (ou compra demais, ou/e come demais, ou/e promiscuidade nas relações….) , tomam decisões e atitudes impulsivas (e geralmente se arrependem na sequencia). São pessoas que confiam demais nas emoções.

Relatam sentir uma angústia/sensação de vazio.

É difícil também saber o que um border sente pelo outro; Se é amor ou se é simplesmente um traço da doença; a dependência de ter um relacionamento para se sentir completo… Custe o que custar.

Não existe medicação que cure o transtorno, embora seja necessário, em casos graves, alguma medicação que ajude no controle da depressão e impulsividade juntamente com a terapia.

Hoje o tratamento mais efetivo no controle da doença é a psicoterapia. Vários estudos apontam a Terapia Cognitivo-Comportamental como a terapia de maior eficiência no tratamento, especificamente: a terapia dialética.

 

O ponta pé inicial é buscar ajuda.

 

Procure um psicólogo

André Barbosa

Psicólogo Clínico/ CRP 11/11089

Terapeuta Cognitivo-Comportamental

85 988139593

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Uma manipulação milenar: a invenção do inimigo maior.

Por andreflavionb em paixão política, Psicologia, Sem categoria

07 de junho de 2017

A manipulação milenar: a invenção de um inimigo maior.
*Foto tirada em campanha a qual Lula pedia votos para FHC.
A polarização política foi usada para ganhar votos e militantes para ambos os lados.

 

Uma manipulação milenar: a invenção do inimigo maior.

Criar um inimigo exterior é a tática mais antiga (e ainda hoje usada) para unir pessoas, apesar de suas diferenças e insatisfações.

De acordo com Yuval Noah Harari, em seu livro “uma breve história da humanidade”, para que nossos primeiros ancestrais conseguissem manter as primeiras tribos unidas, foi preciso “criar” inimigos exteriores comuns. Alguns inimigos de carne e osso, como por exemplo: predadores, tribos rivais… .Alguns inimigos da ordem espiritual/ideológica, como por exemplo: Os deuses que despertavam a “fúria” da natureza; “vulcão, terremoto, seca… “.

Mas como esse inimigo consegue unir as pessoas?

Nossos primeiros ancestrais perceberam que criando um inimigo poderoso os membros da tribo jogavam suas diferenças de lado em prol de proteger o bem comum e suas crenças/ideologias de serem devastadas. Manter e proteger a estabilidade da tribo era o mais importante.

As principais religiões do mundo usaram desse artificio para expandir, dominar e se manter ativas. Para todo bem, existe o mal a ser combatido.

De acordo com Freud, em sua obra “O mal estar da civilização”, o homem tem dois objetivos de vida: A busca da felicidade e fuga do desprazer. Inclua nessa “fuga do desprazer” ter suas crenças e familiares postos em risco. Acreditar que existe um inimigo maior a ser derrotado, para Freud, é um motor motivador para que o homem, inclusive, entre em guerra. Coloque sua vida em risco. Tanto que sua obra foi escrita um pouco antes da segunda-guerra mundial.

Um dos sociólogos mais influentes do mundo, Bauman, aponta que o homem está disposto inclusive de abrir mão de sua liberdade para viver em sociedade apenas para se proteger. Para se sentir seguro. Seguro de que/quem? Resposta: o inimigo exterior que vai promover a instabilidade de sua vida e objetivos.

Trazendo essa teoria para uma experiência mais pessoal, quantos casais você já viu que aumentaram o nível de união a partir do momento que os outros se colocaram contra aquele relacionamento? Um exemplo clássico disso é o romance de Shakespeare, Romeu e Julieta.

Um dos casais mais famosos da história, John Lennon e Yoko, foram contra todos e tudo. Incluindo os próprios membros de sua banda, The Beatles, que até antes de conhecer Yoko, era o maior tesouro de sua vida.

Quer a solução para unir muçulmanos extremistas e católicos, e promover a “paz” mundial? Um inimigo comum. Uma pena que, como não compartilhamos da mesma teologia, não dá para criar um inimigo exterior da ordem espiritual. Agora imagine uma invasão alienígena ou uma catástrofe natural de ordem planetária? Sim, estou exagerando para que você consiga entender de uma forma didática a influencia de um inimigo exterior para promover a união das pessoas.

Sabe quem se utiliza desse artificio diariamente? Partidos políticos. Sim, diariamente somos bombardeados de manipulações de todos os lados, a fim de promover a união contra um mal maior. Em troca dessa união e dessa luta contra o inimigo maior, esquecemos tudo (crimes e mais crimes contra os cofres públicos) e aceitamos as desculpas mais esfarrapadas do mundo dos nossos políticos.

A esquerda brasileira articula com sua base eleitoral que existe um inimigo maior a ser derrotado: Os tucanos coxinhas. Acusam Sergio Moro de ser um perseguidor partidarista (alguns inclusive falam que o juiz federal é um filiado do PSDB).

A direita do Brasil articula que o inimigo comum é o PT. Os mortadelas. Que querem tomar o Brasil e implantar o comunismo. Acusam Sergio Moro TAMBÉM de ser um perseguidor político. Exatamente! Os dois lados acusam a operação lava-jato e o juiz Sérgio Moro da mesma forma, com praticamente os mesmos termos.

Por mais que todas as provas nos mostrem que quando o assunto é corrupção não existe bandeiras partidárias, ou ideologias políticas. Por mais que todas as provas nos mostrem que os políticos de “supostos partidos rivais” estão atuando juntos para combater a lava-jato, pode ter certeza que a narrativa do inimigo em comum é poderosa. E pode ter certeza: muitas pessoas caem nesse golpe milenar.

André Barbosa

Psicólogo Clínico

85 996513394

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Uma manipulação milenar: a invenção do inimigo maior.

Por andreflavionb em paixão política, Psicologia, Sem categoria

07 de junho de 2017

A manipulação milenar: a invenção de um inimigo maior.
*Foto tirada em campanha a qual Lula pedia votos para FHC.
A polarização política foi usada para ganhar votos e militantes para ambos os lados.

 

Uma manipulação milenar: a invenção do inimigo maior.

Criar um inimigo exterior é a tática mais antiga (e ainda hoje usada) para unir pessoas, apesar de suas diferenças e insatisfações.

De acordo com Yuval Noah Harari, em seu livro “uma breve história da humanidade”, para que nossos primeiros ancestrais conseguissem manter as primeiras tribos unidas, foi preciso “criar” inimigos exteriores comuns. Alguns inimigos de carne e osso, como por exemplo: predadores, tribos rivais… .Alguns inimigos da ordem espiritual/ideológica, como por exemplo: Os deuses que despertavam a “fúria” da natureza; “vulcão, terremoto, seca… “.

Mas como esse inimigo consegue unir as pessoas?

Nossos primeiros ancestrais perceberam que criando um inimigo poderoso os membros da tribo jogavam suas diferenças de lado em prol de proteger o bem comum e suas crenças/ideologias de serem devastadas. Manter e proteger a estabilidade da tribo era o mais importante.

As principais religiões do mundo usaram desse artificio para expandir, dominar e se manter ativas. Para todo bem, existe o mal a ser combatido.

De acordo com Freud, em sua obra “O mal estar da civilização”, o homem tem dois objetivos de vida: A busca da felicidade e fuga do desprazer. Inclua nessa “fuga do desprazer” ter suas crenças e familiares postos em risco. Acreditar que existe um inimigo maior a ser derrotado, para Freud, é um motor motivador para que o homem, inclusive, entre em guerra. Coloque sua vida em risco. Tanto que sua obra foi escrita um pouco antes da segunda-guerra mundial.

Um dos sociólogos mais influentes do mundo, Bauman, aponta que o homem está disposto inclusive de abrir mão de sua liberdade para viver em sociedade apenas para se proteger. Para se sentir seguro. Seguro de que/quem? Resposta: o inimigo exterior que vai promover a instabilidade de sua vida e objetivos.

Trazendo essa teoria para uma experiência mais pessoal, quantos casais você já viu que aumentaram o nível de união a partir do momento que os outros se colocaram contra aquele relacionamento? Um exemplo clássico disso é o romance de Shakespeare, Romeu e Julieta.

Um dos casais mais famosos da história, John Lennon e Yoko, foram contra todos e tudo. Incluindo os próprios membros de sua banda, The Beatles, que até antes de conhecer Yoko, era o maior tesouro de sua vida.

Quer a solução para unir muçulmanos extremistas e católicos, e promover a “paz” mundial? Um inimigo comum. Uma pena que, como não compartilhamos da mesma teologia, não dá para criar um inimigo exterior da ordem espiritual. Agora imagine uma invasão alienígena ou uma catástrofe natural de ordem planetária? Sim, estou exagerando para que você consiga entender de uma forma didática a influencia de um inimigo exterior para promover a união das pessoas.

Sabe quem se utiliza desse artificio diariamente? Partidos políticos. Sim, diariamente somos bombardeados de manipulações de todos os lados, a fim de promover a união contra um mal maior. Em troca dessa união e dessa luta contra o inimigo maior, esquecemos tudo (crimes e mais crimes contra os cofres públicos) e aceitamos as desculpas mais esfarrapadas do mundo dos nossos políticos.

A esquerda brasileira articula com sua base eleitoral que existe um inimigo maior a ser derrotado: Os tucanos coxinhas. Acusam Sergio Moro de ser um perseguidor partidarista (alguns inclusive falam que o juiz federal é um filiado do PSDB).

A direita do Brasil articula que o inimigo comum é o PT. Os mortadelas. Que querem tomar o Brasil e implantar o comunismo. Acusam Sergio Moro TAMBÉM de ser um perseguidor político. Exatamente! Os dois lados acusam a operação lava-jato e o juiz Sérgio Moro da mesma forma, com praticamente os mesmos termos.

Por mais que todas as provas nos mostrem que quando o assunto é corrupção não existe bandeiras partidárias, ou ideologias políticas. Por mais que todas as provas nos mostrem que os políticos de “supostos partidos rivais” estão atuando juntos para combater a lava-jato, pode ter certeza que a narrativa do inimigo em comum é poderosa. E pode ter certeza: muitas pessoas caem nesse golpe milenar.

André Barbosa

Psicólogo Clínico

85 996513394