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O Psicólogo

por André Flávio Nepomuceno Barbosa

Psicologia

BORDERLINE: QUANDO É AMOR OU DEPENDÊNCIA?

Por andreflavionb em Psicologia, Transtorno de personalidade boderline

29 de Maio de 2018

Instabilidade emocional, sensação de inutilidade, insegurança, impulsividade e relações sociais prejudicadas. Imagem retirada: http://images1.minhavida.com.br/imagensconteudo/17514/mediabox%20luto%20relacionamentos_17514_242_427.jpg

BORDERLINE: QUANDO É AMOR OU DEPENDÊNCIA?

 Hoje vamos falar sobre o transtorno de personalidade borderline; Um transtorno que pode provocar estragos emocionais na vida de quem sofre e de quem convive ao redor. O grande problema que dificulta o diagnóstico é a tendência a achar que é apenas um traço característico da pessoa; “Ah, não se preocupa, ela é assim mesmo.”/ “O que você tem? Nada, apenas baixou um espírito de tristeza e deu vontade chorar, normal”. “Não se preocupa, ela está puta contigo agora, mas amanhã ela volta atrás, é normal, ela é super bom coração”.

Um dos principais traços característico reconhecido por amigos ou familiares de um border é dizer “Ela é uma pessoa intensa”.

As pessoas que convivem com um borderline sente-se como se estivesse em constante estado alerta; é uma sensação de eternamente ter que pisar em ovos; “O grande problema é falar que fulano está errado, porque ele leva para o lado pessoal, fica extremamente ofendido, acha que você não gosta mais dele…”

E os borderlines sofrem todos os dias a angustia de conviver com a dor de ser aceito. Sentir uma grande necessidade de agradar. Desde demonstrar isso publicamente de forma exagerada (pessoas que postam nas redes sociais, por exemplo, que amam o outro, ou que encontrou o amor da vida, quando, na verdade, não tem nem 1 mês que conheceu o outro), ou tentam comprar presentes caros….

Os border vivem sempre como se estivessem no limite emocional. Qualquer coisa, por menor que seja, tem potencial de desestabilizar o sujeito que sofre desse transtorno; O medo de rejeição, por exemplo, deixa o sujeito em constante estado de alerta, buscando indícios se o outro está o deixando ou não, qualquer coisa, até um tom de voz, pode ser interpretado como um forte sinal de que o outro está prestes a deixa-la, ou, o que é pior; se apaixonando por outra.

Conviver com essas instabilidades emocionais não é fácil, a válvula de escape, muitas as vezes, é o comportamento compulsivo; comprar demais, comer demais…  Além de ser fácil identificar atos impulsivos: tomar grandes (e drásticas) decisões sem pensar e rápido demais.

Aqui vamos falar de três casos;

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Mesmo depois de 4 meses solteira, Luanne continua questionando-se o que fez de errado para que seu namoro de 2 anos chegasse ao fim? Fez tudo que o namorado pediu: Afastou-se dos amigos, deu todas as senhas de suas redes sociais, só saía se fosse com o ele e excluiu alguns amigos de suas redes para evitar confusão.

Comenta com a família, geralmente chorando, que nunca mais vai encontrar alguém, que tem medo de morrer sozinha, apesar de nunca ter ficado solteira por mais de 4 meses. Sempre quando achava que um namoro estava para acabar, ela ja tratava de garantir um paquera que fosse um forte candidato a futuro namorado. 

O mais estranho, comentário geral, era a facilidade de se envolver. Namora fulano por 1 mês e já esta se declarando na redes sociais. “O amor de minha vida!”

Criou uma conta fake no instagram e facebook para seguir o ex e saber de sua vida. Para seu desespero, descobriu que ele está saindo com outra. Comenta com as amigas que sente uma dor profunda, na alma… Uma dor insuportável… que está perdendo a alegria de viver.

Hoje os pais de Luanne comentam que ela piorou a instabilidade de humor, está comendo demais, bebendo demais, trancou a faculdade e irrita-se facilmente por qualquer coisa. Fala aos pais que sente um vazio, como se precisasse de alguém para se sentir completa, mas sempre sentiu isso a vida inteira.

 

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Lícia sempre foi uma pessoa intensa. Daquelas que ou ama ou odeia. Uma pessoa que se entrega de corpo e alma quando gosta de alguém, mas que vive a mesma intensidade de dor quando se decepciona com essas pessoas. É como se parte dela morresse ao ver-se traída, seja por amigas ou namorado.

Costuma achar (e ter quase certeza) que as pessoas ficam falando dela quando chega em algum canto e vê alguém cochichando ou olhando de lado. Inclusive ja pegou várias brigas por isso. Quando questionada sobre o motivo, apenas fala “Eu tenho certeza que ela não gosta de mim! Ou que estava falando mal de mim!”.

Lícia foi miss, mas se considera feia e desinteressante. É uma pessoa extremamente carente e hoje está sofrendo violentamente por um relacionamento de 4 meses que terminou. Perdoou a traição do namorado com outra menina a fim de manter o relacionamento, mas foi Roberto que quis o fim, alegando querer “curtir mais a vida com os amigos”.

Sentir-se trocada, abandonada, rejeitada, está sendo pesado demais para Licia, que confessa ter pensado se matar já algumas vezes.

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O que Luanne e Lícia tem em comum é que as duas sofrem do transtorno de personalidade boderline.

Um transtorno extremamente complicado e que afeta todas as áreas da vida de uma pessoa (profissional, familiar, afetivo… ).

Um dos traços característicos do transtorno de personalidade Borderline (que refere-se viver na borda, no limite) é instabilidade no humor,  no comportamento e e nos relacionamentos.

Geralmente são pessoas que precisam da aprovação dos outros para se sentir bem consigo. Submetem-se aos desejos e ao controle ( incluindo tolerar invasão de privacidade) dos outros para sentirem-se aceitos. Podem apresentar um ciúmes excessivo dos parceiros por medo de abandono.

Alguns tem a necessidade de estar sempre em um relacionamento (São pessoas que você nunca viu solteiro por muito tempo) e que, em um espaço curtíssimo de tempo, já está se declarando apaixonado.

Borders sentem-se inferiores (baixa autoestima). Às vezes, evitam contato com as outras pessoas por  medo de não se sentir aceito. Não reagem bem a criticas. Aliás, são pessoas que geralmente temos que “pisar em ovos” para realizar qualquer crítica por menor que seja. 

Outro traço característico é impulsividade (ou compra demais, ou/e come demais, ou/e promiscuidade nas relações….) , tomam decisões e atitudes impulsivas (e geralmente se arrependem na sequencia). São pessoas que confiam demais nas emoções.

Relatam sentir uma angústia/sensação de vazio.

É difícil também saber o que um border sente pelo outro; Se é amor ou se é simplesmente um traço da doença; a dependência de ter um relacionamento para se sentir completo… Custe o que custar.

Não existe medicação que cure o transtorno, embora seja necessário, em casos graves, alguma medicação que ajude no controle da depressão e impulsividade juntamente com a terapia.

Hoje o tratamento mais efetivo no controle da doença é a psicoterapia. Vários estudos apontam a Terapia Cognitivo-Comportamental como a terapia de maior eficiência no tratamento, especificamente: a terapia dialética.

 

O ponta pé inicial é buscar ajuda.

 

Procure um psicólogo

André Barbosa

Psicólogo Clínico/ CRP 11/11089

Terapeuta Cognitivo-Comportamental

85 988139593

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Manual do paciente: Dicas de como aproveitar, ao máximo, seu tempo na psicoterapia.

Por andreflavionb em Manual do paciente, Psicologia, terapia cognitivo-comportamental

01 de Fevereiro de 2018

Manual do paciente: como aproveitar, ao máximo, seu tempo na psicoterapia.
*imagem retirada facebook/opsicologooficial.

 

Manual do paciente: Dicas de como aproveitar, ao máximo, seu tempo na psicoterapia.

Hoje decidi escrever pequenas e valiosas dicas de como aproveitar, ao máximo, seu tempo na terapia, usando essa oportunidade como uma verdadeira fase transformadora em sua vida.

Escrevo não só pelo ponto de vista de um psicólogo, mas no papel de quem já fez psicoterapia, que esteve do outro lado da mesa.

Primeiro, muitos perguntam-me: “por que devo fazer terapia?”. Minha resposta sempre é: Por que não? Se você tem condições/oportunidade, não pense duas vezes, faça! Terapia além de ser um momento impar na vida (você poderá não lembrar em 20 anos se tomou determinada vacina, se fez determinado checkup, ou se fez ou não fez determinados procedimentos médicos, mas lhe garanto que você jamais esquecerá que fez terapia), irá te proporcionar um ótimo canal autoconhecimento, amadurecimento e evolução em várias esferas da vida: pessoal, social, afetiva, profissional…

Portanto,  terapia é para todos e o melhor de tudo; não possui efeito colateral.

Agora, uma vez que você já está decidido fazer terapia, vamos algumas dicas para você aproveitar ao máximo esse lindo momento de transformação:

DICAS:

1 – Verifique qual abordagem clínica do psicólogo em questão.

Para quem não sabe, existem várias abordagens (especializações/método de atendimento clínico) dentro da psicologia. As principais: Análise do comportamento, terapia cognitivo-comportamental, humanismo, sistêmico, psicodrama, psicanálise.

Cada abordagem tem um método e uma forma de tratamento. Em algumas abordagens o paciente é levado a falar na maior parte do tempo. Outras o tempo já é mais dividido. Algumas psicoterapias são mais objetivas, o paciente realiza atividades terapêuticas fora da terapia, realiza experiências comportamentais, recebe orientações diretas e objetivas, aprende técnicas de como amenizar um determinado sofrimento ou problema, outras são mais subjetivas…

Algumas psicoterapias o paciente é informado de uma previsão de fim da terapia (duração/prazo) logo nas sessões iniciais, outras não existe esse tipo de previsão.

Todas as abordagens clínicas da psicologia são interessantes, mas algumas você adapta mais, outras não, procure uma que você se identifica mais.

Posso falar, com algum propriedade, apenas da minha abordagem que é a terapia cognitivo-comportamental, onde transcrevo abaixo um trecho do que se trata a terapia cognitivo-comportamental, retirado de um dos fundadores dessa abordagem, Aroon Beck .

“A cognitivo-comportamental é uma terapia breve, prazo limitado, estruturada, orientada ao presente, direcionada a resolver problemas atuais e modificar pensamentos e comportamentos… indicada atualmente por sua eficácia cientificamente comprovada.”( BECK, 1997, p. 1).

2 – Não economize nas palavras.

Imagine você ir para uma consulta médica:

“ – Doutor, estou aqui apenas porque tenho sentido umas coisas ruins…

  • Como assim? O que são essas coisas ruins?
  • Não sei. Apenas um mal estar.
  • Consegue descrever esse mal estar?
  • Não. Apenas umas coisas ruins…”

Pergunta: qual a probabilidade do médico ajudar nesse caso? Caso ele não seja advinha, a probabilidade dele ajudar é muito remota.

Da mesma forma acontece na terapia; quanto maior quantidade de dados sobre sua história de vida, problemas do cotidiano, reações comportamentais diante de determinadas situações, medos, anseios, pensamentos que te deixam mal, emoções que andam te tirando a paz, seus relacionamentos afetivos, profissionais, sociais, maior será a probabilidade do psicoterapeuta realizar uma boa analise do seu caso e te ajudar de uma forma mais efetiva.

3 – Seja sincero.

Já fui paciente e sei que muitas vezes somos tentados a omitir certas informações ou simplesmente mentir. Isso ocorre principalmente porque temos uma falsa impressão de que temos que agradar o psicoterapeuta ou de que o terapeuta poderá realizar julgamentos morais da gente.

O psicoterapeuta não está ali para te julgar. Não está ali para te dar uma lição de moral. Pelo contrário, ele está ali para entender a realidade dos seus problemas, olhar para seu mundo através do seu olhar.

Se determinada técnica não estiver surtindo efeito, por exemplo, Fale! Assim ele poderá verificar outras estratégias mais efetivas para seu caso. Se você teve algum tipo de recaída, exponha. Isso vai ajudar em uma estratégia de recaídas, uma previsão comportamental.

4 – Avise antecipadamente das faltas.

Existem faltas que são acasos do destino. Doença, passar mal, acidente…

Porém, na maioria das vezes, a gente tem um controle sim de nossa agenda. É importante informar ao psicoterapeuta de possíveis faltas para que ele possa preparar uma estratégia clinica adaptada para essa falta.

Por exemplo; se eu aviso ao meu psicoterapeuta que faltarei na próxima semana, ele poderá se preparar estrategicamente e me passar algumas atividades na semana para que continue no ritmo da terapia.

Psicoterapia é como se fosse uma malhação. Quanto maior a quantidade de faltas, menor o rendimento. Dai eu acabo associando essa falta de resultados (evolução) a própria psicoterapia e/ou a mim mesmo; “Essa terapia não está me adiantando de nada.”, ou “eu não tenho jeito!”.

Lembrando: o psicoterapeuta, antes de cada sessão, dedica bastante tempo estudando seu caso, traçando protocolos clínicos, técnicas e objetivos para cada sessão. A hora que você passa na terapia é apenas a execução desse planejamento antecipado. Quando ocorrem faltas não-programadas, toda essa preparação corre risco de ir para o “lixo”, pois a quantidade de problemas pontuais do dia-a-dia vão se acumulando e o psicoterapeuta acaba ficando “cego” desse acompanhamento e quando o paciente retorna ele acaba, geralmente, relatando muitos fatos que não estavam no “radar” terapêutico, levando o psicoterapeuta a focar em “apagar incêndio” com os problemas pontuais do cotidianos e não tendo chances de ir na causa, se aprofundar.

Em breve seguirei com mais dicas,

sds

André Barbosa                                                                                                                                                                                                85 98813 9593                                                                                                                                                                                      Psicólogo Clínico                                                                                                                                                                                          CRP 11/11089                                                                                                                                                                                        Terapeuta Cognitivo-Comportamental

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BORDERLINE: QUANDO É AMOR OU DEPENDÊNCIA?

Por andreflavionb em Psicologia, suicidio, Transtorno de personalidade boderline

30 de novembro de 2017

 

 

Instabilidade emocional, sensação de inutilidade, insegurança, impulsividade e relações sociais prejudicadas. Imagem retirada: http://images1.minhavida.com.br/imagensconteudo/17514/mediabox%20luto%20relacionamentos_17514_242_427.jpg

 

 

BORDERLINE: QUANDO É AMOR OU DEPENDÊNCIA?

Mesmo depois de 4 meses solteira, Luanne continua questionando-se o que fez de errado para que seu namoro de 2 anos chegasse ao fim? Fez tudo que o namorado pediu: Afastou-se dos amigos, deu todas as senhas de suas redes sociais, só saía se fosse com o ele e excluiu alguns amigos de suas redes para evitar confusão.

Comenta com a família, geralmente chorando, que nunca mais vai encontrar alguém, que tem medo de morrer sozinha, apesar de nunca ter ficado solteira por mais de 4 meses. Sempre quando achava que um namoro estava para acabar, ela ja tratava de garantir um paquera que fosse um forte candidato a futuro namorado. 

O mais estranho, comentário geral, era a facilidade de se envolver. Namora fulano por 1 mês e já esta se declarando na redes sociais. “O amor de minha vida!”

Criou uma conta fake no instagram e facebook para seguir o ex e saber de sua vida. Para seu desespero, descobriu que ele está saindo com outra. Comenta com as amigas que sente uma dor profunda, na alma… Uma dor insuportável… que está perdendo a alegria de viver.

Hoje os pais de Luanne comentam que ela piorou a instabilidade de humor, está comendo demais, bebendo demais, trancou a faculdade e irrita-se facilmente por qualquer coisa. Fala aos pais que sente um vazio, como se precisasse de alguém para se sentir completa, mas sempre sentiu isso a vida inteira.

 

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Lícia sempre foi uma pessoa intensa. Daquelas que ou ama ou odeia. Uma pessoa que se entrega de corpo e alma quando gosta de alguém, mas que vive a mesma intensidade de dor quando se decepciona com essas pessoas. É como se parte dela morresse ao ver-se traída, seja por amigas ou namorado.

Costuma achar (e ter quase certeza) que as pessoas ficam falando dela quando chega em algum canto e vê alguém cochichando ou olhando de lado. Inclusive ja pegou várias brigas por isso. Quando questionada sobre o motivo, apenas fala “Eu tenho certeza que ela não gosta de mim! Ou que estava falando mal de mim!”.

Lícia foi miss, mas se considera feia e desinteressante. É uma pessoa extremamente carente e hoje está sofrendo violentamente por um relacionamento de 4 meses que terminou. Perdoou a traição do namorado com outra menina a fim de manter o relacionamento, mas foi Roberto que quis o fim, alegando querer “curtir mais a vida com os amigos”.

Sentir-se trocada, abandonada, rejeitada, está sendo pesado demais para Licia, que confessa ter pensado se matar já algumas vezes.

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O que Luanne e Lícia tem em comum é que as duas sofrem do transtorno de personalidade boderline.

Um transtorno extremamente complicado e que afeta todas as áreas da vida de uma pessoa (profissional, familiar, afetivo… ).

Um dos traços característicos do transtorno de personalidade Borderline (que refere-se viver na borda, no limite) é instabilidade no humor,  no comportamento e e nos relacionamentos.

Geralmente são pessoas que precisam da aprovação dos outros para se sentir bem consigo. Submetem-se aos desejos e ao controle ( incluindo tolerar invasão de privacidade) dos outros para sentirem-se aceitos. Podem apresentar um ciúmes excessivo dos parceiros por medo de abandono.

Alguns tem a necessidade de estar sempre em um relacionamento (São pessoas que você nunca viu solteiro por muito tempo) e que, em um espaço curtíssimo de tempo, já está se declarando apaixonado.

Borders sentem-se inferiores (baixa autoestima). Às vezes, evitam contato com as outras pessoas por  medo de não se sentir aceito. Não reagem bem a criticas. Aliás, são pessoas que geralmente temos que “pisar em ovos” para realizar qualquer crítica por menor que seja. 

Outro traço característico é impulsividade (ou compra demais, ou/e come demais, ou/e promiscuidade nas relações….) , tomam decisões e atitudes impulsivas (e geralmente se arrependem na sequencia). São pessoas que confiam demais nas emoções.

Relatam sentir uma angústia/sensação de vazio.

É difícil também saber o que um border sente pelo outro; Se é amor ou se é simplesmente um traço da doença; a dependência de ter um relacionamento para se sentir completo… Custe o que custar.

Não existe medicação que cure o transtorno, embora seja necessário, em casos graves, alguma medicação que ajude no controle da depressão e impulsividade juntamente com a terapia.

Hoje o tratamento mais efetivo no controle da doença é a psicoterapia. Vários estudos apontam a Terapia Cognitivo-Comportamental como a terapia de maior eficiência no tratamento, especificamente: a terapia dialética.

 

O ponta pé inicial é buscar ajuda.

 

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Psicólogo Clínico/ CRP 11/11089

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Qual a importância da psicologia em nossas vidas?

Por andreflavionb em Dia do psicólogo, Psicologia

27 de agosto de 2017

*Imagem obtida https://www.psicologoeterapia.com.br/wp-content/uploads/psicologo-ou-psiquiatra.jpg

Qual a importância da psicologia em nossas vidas?

Hoje 27 de agosto, no dia do psicólogo, vamos falar de algo muitíssimo apropriado: qual a importância da psicologia em nossas vidas e porque devemos buscar essa ajuda?

Imagine alguém, digamos Emanuel, com uma dor dente terrível e que, ao invés de ir ao dentista, apenas fica tomando analgésico para passar a dor. A dor realmente passa, mas o problema continua lá e assim que a medicação passar o efeito, a dor vai voltar com tudo. Se Emanuel continuar sem ir ao dentista, a dor vai aumentar e ele terá que aumentar as doses da medicação. Pode até trocar a medicação por outra mais forte, e mais forte, e mais forte…

Isso, além de não resolver o real problema, ainda pode prejudicar gravemente a saúde de Emanuel, causar dependência, prejudicando a sua vida pessoal e a sua vida profissional. Emanuel entraria para estatística muito comum das pessoas que apenas querem tratar a dor, não a causa dela.

E o que isso tem a ver com a psicologia? Basta substituir os sintomas da dor de dente pelo que os filósofos gregos chamam de “a dor da alma” (estresse crônico, ansiedade, fobia, depressão, insônia…).

Assim como Emanuel, que deveria ter procurado um dentista logo no início de sua dor de dente, quem sofre com transtornos emocionais/psíquicos deve procurar um psicólogo para, em terapia, tratar da causa do problema.

É dever ético do psiquiatra informar ao paciente, por exemplo, que somente o antidepressivo/ansiolítico não resolverá a depressão/ansiedade do paciente. Ele sabe disso. Assim como é papel ético do psicólogo encaminhar ao psiquiatra o paciente que está em sofrimento agudo emocional ou em surto. A medicação vai ajudar a acalmar a dor (como um curativo), e a terapia vai ajudar a combater o problema. O real problema.

Esse não é um texto para condenar medicamentos psicoativos, mas para mostrar o quanto é absurdo achar que APENAS as medicações resolvem os problemas da saúde mental. Aliás, em muitos casos (assim como vimos com Emanuel), o tratamento apenas medicamentoso pode até piorar o problema.

Uma vez que muitos seguem a mesma linha de raciocínio de Emanuel, o uso de psicoativos, como os antidepressivos, só aumentam… E já estão entre os medicamentos mais usados no mundo. Estima-se que entre 1 e 3% de toda a população ocidental já os tenha consumido regularmente por mais de um ano (Baldessarini, 1995; Huf, Lopes, Rosenfeld, 2000).

Teoricamente, quanto mais antidepressivo é consumido no mundo, menos gente deveria sofrer com depressão, certo? Errado! De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), até 2020, a depressão será a doença mais incapacitante do mundo (Nascimento, 1999; Lafer & Amaral, 2000).

É importante informar que a associação entre suicídio e transtornos mentais é de mais de 90%. Entre os transtornos mentais associados ao suicídio, a “Depressão Maior” se destaca (McGirr, A. et al, 2007).  Vale ressaltar que hoje o suicídio está entre as cinco maiores causas de morte no mundo.

Isso ocorre porque, assim como Emanuel, estamos mais preocupados em tratar a dor do que a causa dela. “Para depressão, antidepressivos. Para ansiedade, ansiolíticos. Para insônia, soníferos…”.

Contra essa onda simplista, a Inglaterra investiu cerca de 600 milhões de dólares em programas para formar e capacitar psicólogos em terapia cognitiva-comportamental. Isso para que o povo britânico tivesse acesso à terapia (ao invés de simplesmente propor apenas medicações), uma vez que foram verificados seus resultados positivos na saúde pública mental. O governo da Austrália seguiu o mesmo modelo.

ilustração obtida http://www.psicologiaexplica.com.br/wp-content/uploads/2015/01/decisa%CC%83o.jpg

Além do mais, não deveríamos procurar terapia apenas quando estivermos no limite. Psicologia não possui efeitos colaterais. Podemos procurar um psicólogo para controlar nossa impulsividade, autoconhecimento, ciúmes patológico, insegurança, baixo autoestima, melhorar nossa relações interpessoais, comunicação, melhorar a liderança, melhorar o relacionamento, o foco, metas profissionais…

Portanto, não deixe o problema acumular, vá na causa. Melhore sua vida. Procure um psicólogo.

André Flávio N. Barbosa

(85) 99651-3394

Psicólogo Clínico – CRP 11/11089

 

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IN THE END: até quando assistiremos a depressão roubar vidas?

Por andreflavionb em Depressão, Psicologia, suicidio

30 de julho de 2017

*Reprodução de imagem da pagina oficial da banda no facebook. facebook.com/linkinpark

IN THE END: ATÉ QUANDO ASSISTIREMOS A DEPRESSÃO ROUBAR VIDAS?

Sexta, 21 de Julho de 2017, acordo com uma trágica notícia: Chester Charles Bennington, cantor, compositor, ator (sim ele atuou em jogos mortais: o final e Adrenalina 2) e vocalista da banda americana Linkin Park (foi também vocalista do Stone Temple Pilots entre 2013 e 2015 e Dead by sunrise), cometeu suicídio. Deixou sua mulher, seis filhos, os amigos de adolescência da banda (que considerava como irmãos), e uma legião de fãs que o amava pelo mundo.

Assim como muitos fãs, fiquei perplexo, sem acreditar… Mas, mais do que isso, constatei: a depressão, essa doença safada e sorrateira, não deixa ninguém imune a ela. Nem a fama, dinheiro, sucesso, amor da família, foram capazes de livrar Chester dessa doença, desse trágico fim. E ela, a depressão, tem seu poder destrutivo violentamente aumentado quando a vítima, para se livrar da dor, recorre as drogas (incluo todas elas: abuso de antidepressivos, álcool e todas as drogas ilícitas). Chester estava justamente nesse quadro de alto risco: lutava contra as drogas e a depressão há anos.

Não costumo analisar os fatos do passado com “e se… ?”, mas em uma breve (e rasa) análise psicoeducativa posso afirmar que essa história poderia ter tomado um rumo diferente com alguns “e ses… ”

1 – E se Chester tivesse feito uma terapia focada em regulação emocional?

2- E se, aliado a isso, tivesse feito um tratamento de apoio individual/grupal cognitivo-comportamental contra as drogas?

3- E se tivesse se submetido ao tratamento de eletroconvulsoterapia (sim, esse é um tratamento excelente de combate a depressão e a suicidalidade que Hollywood infelizmente resolveu usar em seus filmes no sentido pejorativo, como se fosse uma tortura medieval. Vale ressaltar que é um tratamento com embasamento científico e de alta eficácia. O paciente sequer sente qualquer dor, pois é feito em sala cirúrgica, com anestesia geral, e o choque dura segundos apenas).

A ECT (eletroconvulsoterapia) promove disparos rítmicos cerebrais autolimitados. Com isso, ocorre um equilíbrio nos neurotransmissores como a serotonina, dopamina, noradrenalina e glutamato, responsáveis por propagar os impulsos nervosos do cérebro e manter o bem-estar.

Óbvio que sem uma terapia focada em resultados o ECT não faz milagres. Não consegue manter esse resultado por tanto tempo. Assim como uma medicação sozinha também não. É papel ético do psiquiatra/neurologista orientar seus pacientes a fazer terapia, pois estes sabem que a medicação sozinha não resolve (e as vezes até piora, pois cria dependência e o cérebro se acostuma com a medicação, tendo que aumentar as doses).

Além disso, a medicação costuma agir apenas apagando incêndio. Apenas diminuindo a dor da emoção que a depressão causa, mas nada faz para atuar no comportamento/cognições do indivíduo que causou/alimentou (e ainda alimenta) a depressão. Ou seja, se retirar a medicação volta tudo. Se o cérebro se acostumar com a medicação, volta tudo. Para piorar, se acostumarmos nosso cérebro com antidepressivos, ele passará a produzir ( recaptação de hormônios relacionado ao prazer será cada vez menos inibida de forma natural) menos prazer de forma natural. Dai a dependência.  Por isso, digo e REPITO, a medicação sozinha, pode PIORAR o problema… E MUITO!

A morte de Chester ligou o alerta máximo ao mundo: Depressão MATA! Pensando nisso, a própria banda criou o site chester.linkinpark.com e estão divulgando para todo mundo em suas redes sociais. Esse site tem como finalidade dar suporte as pessoas com depressão e que estão pensando em cometer suicídio.

Mas o que é depressão?

Antes de mais nada, quero lembrar que, de acordo com OMS (organização mundial da saúde), a depressão já é a doença mais incapacitante do mundo e que mata 1 pessoa a cada 40 segundos no mundo por suicídio.

A depressão é assim, você acorda sem motivação para fazer nada. Aliás, você não consegue ver sentido para fazer nada. Não consegue ver boas expectativas. O futuro e o presente são apenas uma mancha cinza na sua percepção de vida.

Sabe aquele lugar que você gostava de ir? Sabe aquele seu passatempo favorito? Aquela comida que você amava? Sua série favorita? Aquela ida ao cinema? De repente tudo isso que te alegrava, animava seu dia, te dava prazer, não faz mais qualquer sentido. Não te animam.

Tudo vai perdendo a graça e o brilho aos poucos, até a comida perde o sabor e se transforma em apenas mais uma obrigação que você tem que cumprir.Você sente que está preso dentro de si, dentro de algo escuro, sem perspectiva de melhoria

Pensamentos questionando sua utilidade no mundo começam a invadir sua mente. Você começa a se achar a pior de todas as criaturas. Começa a se achar um fardo na vida das pessoas.O choro vem do nada, é como algo que você precisa botar pra fora.Para piorar, você não sabe dizer exatamente o motivo de estar se sentido assim e isso te desespera ainda mais.

Tratar alguém que está com depressão com “isso é frescura! Reage menino!! Se levanta da cama!” É o mesmo que pedir para alguém que está com hemorragia causada por dengue que “pare de sangrar menino!! Deixa de frescura!”. É simplesmente ridículo e ofensivo, pois, assim como qualquer outra doença, ninguém escolhe ficar depressivo.

Depressão deve ser encarada como uma doença grave SIM e que precisa de tratamento (como em qualquer doença) logo no começo dos primeiros sintomas. Quanto mais tempo passa sem o devido tratamento, mais perdas (sociais, pessoais, profissionais e até risco de vida) e mais difícil é o tratamento.



A pergunta é: Você vai deixar seu quadro se agravar ? Deixar a depressão roubar sua vida? Não deixe para cuidar disso in the end… Busque ajuda!

Reprodução homenagem da pagina facebook.com/sherlockspuboficial

André Barbosa

Terapeuta Cognitivo-Comportamental

Psicólogo Clínico

CRP 11/11089

85 98813 9593

 

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Desconfiança; o maior sabotador das relações.

Por andreflavionb em Psicologia

15 de junho de 2017

 

DESCONFIANÇA: O MAIOR SABOTADOR DAS RELAÇÕES. 

Hoje vamos conversar um pouco sobre um tema que está presente em quase todos os rompimentos/discórdias nas relações (sejam elas; amorosa, familiar, profissional): a desconfiança.

A desconfiança é uma estratégia cerebral (cognitiva) que todos nós temos que tem como principal objetivo nos proteger de frustrações futuras. A pegadinha cerebral disso é que acabamos vivendo essa frustração em nossos pensamentos e sentindo todas as dores emocionais como se o pior já estivesse ocorrido (ou ocorrendo).

O que muitos não sabem é que existe a desconfiança positiva. É aquela que nos move a detectar falhas e nos aprimorar. Evoluir. A própria ciência, como estudamos hoje, é resultado de anos e anos de desconfianças. Devemos isso, principalmente, a René Descartes, um dos mais importantes filósofos do mundo, que ajudou a ciência a dar um salto enorme com seu método: a dúvida, que é a busca incansável pela verdade das coisas que nos são apresentadas (não aceitar dogmas).

A desconfiança positiva ajudou o homem a descobrir que a terra é redonda e que gira em torno do sol, e não ao contrário (incluindo achar que a terra era quadrada). Nos permite a reler um relatório antes de entregar para o chefe, nos faz solicitar uma nova correção quando desconfiamos que o professor corrigiu errado.

O problema é o excesso de desconfiança. Quando você desconfia de seu namorado, no fundo, ela quer evitar sofrer futuramente. Quer evitar perde-lo. Portanto, usa como estratégia cercar Antônio de todas as formas. Saber por onde anda, o que está fazendo, quem são seus amigos… E pior: para quem desconfia, tudo é um indício de que o outro realmente pode quebrar (ou já quebrou) sua confiança. Porque temos uma grande tendência a selecionar fatos que confirmam nossas teorias e eliminar os que não confirmam.

Por excesso de medo de perder, portanto, acabamos perdendo. Afinal, do outro lado dessa relação, existe alguém que sente-se constantemente vigiado, em sinal de alerta máximo, pisando em ovos, em tensão máxima. E sabe o que mais pode acontecer? A vítima da sua desconfiança pode começar a achar que você desconfia porque faz coisa pior. Iai começa um relacionamento instável.

Questionar várias vezes sobre um determinado assunto, que envolva o tema desconfiança, faz com que o outro sinta-se em um tribunal, a espera de algum erro em sua versão dos fatos. O que precisamos saber é que nossa memória (uma das funções principais do hipocampo) é altamente flexível e a toda hora pode adicionar ou omitir algum fato que ocorreu (e as vezes até criar, sem intenção alguma de enganar. Vide teoria da sedução de Freud que fala das falsas memórias.).  Portanto, esses lapsos de memória, são naturais, mas para quem desconfia, isso é a prova cabal de uma traição, ou seja, quando o outro ao relatar o fato por várias vezes e cair no erro (comum) de acrescentar ou retirar algum relato, isso poderá ser entendido como uma mentira e quebrar a confiança do desconfiado.

Quando a desconfiança não destrói uma relação, acaba transformando um relacionamento em uma ilha deserta. Aqueles relacionamentos que os dois se afastam de tudo e todos, que é uma estratégia para manter a salvo o relacionamento. A má noticia é que relacionamentos “ilha deserta” não costumam durar muito. Isso porque geneticamente fomos programados para viver em sociedade e, ao mesmo tempo, ter nossa individualidade (que é afirmar nossa própria essência a essa sociedade). Fugir disso é colocar nossa própria saúde mental em risco.

Uma das histórias de traição mais famosa é do século I A.C., que fala do imperador romano Júlio César o qual foi vítima de uma conspiração de senadores para tirá-lo do cargo. Entre eles estava o seu filho adotivo Marcus Brutus.

O complô resultou no assassinato do imperador a punhaladas pelo grupo de senadores. Na hora da morte, Júlio César reconheceu o filho entre os seus algozes e proferiu a famosa frase. “Até tu, Brutus, filho meu?”.

Essa história nos ensina uma coisa, um tanto quanto cruel, mas verdadeira; quem quer trair, trai. Não adianta tentar cercar o outro, ele vai dar o seu jeito (se ele quiser trair). Portanto, perceba que desconfiar é uma estratégia que não garante nenhuma segurança. Pelo contrário, se o seu parceiro estiver realmente te traindo e souber de seu excesso de desconfiança, ele vai se armar de estratégias fantásticas para acobertar sua traição.

O contrário também é verdade: quanto menos eu desconfio, mais eu deixo o parceiro relapso em cobrir o “rastro do crime”e, portanto, mais fácil pega-lo no erro.

Quando eu sofro por desconfiança eu acabo vivendo essa traição (mesmo que não seja real) todos os dias em minha cabeça. É torturante. Além do mais, eu acabo despertando no outro, como falei anteriormente, uma desconfiança de sua desconfiança. Existem casos, e não são poucos, de pessoas que cometem algo errado pelo simples fato de sentirem “incriminados” por algo que não cometeram. “Já que me acusa de ter feito algo errado, vou fazer!”.

Nas relações de amizade a desconfiança age da mesma maneira. Desgasta o relacionamento. Transforma o carinho em algo aversivo. Principalmente quando isso é reincidente. A pessoa que desconfia de todos e tudo, acaba, infelizmente, tornando-se uma pessoa solitária no mundo.

Existe  também a desconfiança de si mesmo, que nos causa sofrimento e insegurança quanto a nossa capacidade de enfrentar problemas, alcançar objetivos, melhorar relacionamentos.

A desconfiança tem cura? Claro que tem! Mas é um processo complicado que requer terapia, comprometimento e aceitar mudanças. Minha dica para iniciar essa mudança: procure um psicólogo.

 

André Barbosa

85 996513394

Psicólogo Clínico

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Uma manipulação milenar: a invenção do inimigo maior.

Por andreflavionb em paixão política, Psicologia, Sem categoria

07 de junho de 2017

A manipulação milenar: a invenção de um inimigo maior.
*Foto tirada em campanha a qual Lula pedia votos para FHC.
A polarização política foi usada para ganhar votos e militantes para ambos os lados.

 

Uma manipulação milenar: a invenção do inimigo maior.

Criar um inimigo exterior é a tática mais antiga (e ainda hoje usada) para unir pessoas, apesar de suas diferenças e insatisfações.

De acordo com Yuval Noah Harari, em seu livro “uma breve história da humanidade”, para que nossos primeiros ancestrais conseguissem manter as primeiras tribos unidas, foi preciso “criar” inimigos exteriores comuns. Alguns inimigos de carne e osso, como por exemplo: predadores, tribos rivais… .Alguns inimigos da ordem espiritual/ideológica, como por exemplo: Os deuses que despertavam a “fúria” da natureza; “vulcão, terremoto, seca… “.

Mas como esse inimigo consegue unir as pessoas?

Nossos primeiros ancestrais perceberam que criando um inimigo poderoso os membros da tribo jogavam suas diferenças de lado em prol de proteger o bem comum e suas crenças/ideologias de serem devastadas. Manter e proteger a estabilidade da tribo era o mais importante.

As principais religiões do mundo usaram desse artificio para expandir, dominar e se manter ativas. Para todo bem, existe o mal a ser combatido.

De acordo com Freud, em sua obra “O mal estar da civilização”, o homem tem dois objetivos de vida: A busca da felicidade e fuga do desprazer. Inclua nessa “fuga do desprazer” ter suas crenças e familiares postos em risco. Acreditar que existe um inimigo maior a ser derrotado, para Freud, é um motor motivador para que o homem, inclusive, entre em guerra. Coloque sua vida em risco. Tanto que sua obra foi escrita um pouco antes da segunda-guerra mundial.

Um dos sociólogos mais influentes do mundo, Bauman, aponta que o homem está disposto inclusive de abrir mão de sua liberdade para viver em sociedade apenas para se proteger. Para se sentir seguro. Seguro de que/quem? Resposta: o inimigo exterior que vai promover a instabilidade de sua vida e objetivos.

Trazendo essa teoria para uma experiência mais pessoal, quantos casais você já viu que aumentaram o nível de união a partir do momento que os outros se colocaram contra aquele relacionamento? Um exemplo clássico disso é o romance de Shakespeare, Romeu e Julieta.

Um dos casais mais famosos da história, John Lennon e Yoko, foram contra todos e tudo. Incluindo os próprios membros de sua banda, The Beatles, que até antes de conhecer Yoko, era o maior tesouro de sua vida.

Quer a solução para unir muçulmanos extremistas e católicos, e promover a “paz” mundial? Um inimigo comum. Uma pena que, como não compartilhamos da mesma teologia, não dá para criar um inimigo exterior da ordem espiritual. Agora imagine uma invasão alienígena ou uma catástrofe natural de ordem planetária? Sim, estou exagerando para que você consiga entender de uma forma didática a influencia de um inimigo exterior para promover a união das pessoas.

Sabe quem se utiliza desse artificio diariamente? Partidos políticos. Sim, diariamente somos bombardeados de manipulações de todos os lados, a fim de promover a união contra um mal maior. Em troca dessa união e dessa luta contra o inimigo maior, esquecemos tudo (crimes e mais crimes contra os cofres públicos) e aceitamos as desculpas mais esfarrapadas do mundo dos nossos políticos.

A esquerda brasileira articula com sua base eleitoral que existe um inimigo maior a ser derrotado: Os tucanos coxinhas. Acusam Sergio Moro de ser um perseguidor partidarista (alguns inclusive falam que o juiz federal é um filiado do PSDB).

A direita do Brasil articula que o inimigo comum é o PT. Os mortadelas. Que querem tomar o Brasil e implantar o comunismo. Acusam Sergio Moro TAMBÉM de ser um perseguidor político. Exatamente! Os dois lados acusam a operação lava-jato e o juiz Sérgio Moro da mesma forma, com praticamente os mesmos termos.

Por mais que todas as provas nos mostrem que quando o assunto é corrupção não existe bandeiras partidárias, ou ideologias políticas. Por mais que todas as provas nos mostrem que os políticos de “supostos partidos rivais” estão atuando juntos para combater a lava-jato, pode ter certeza que a narrativa do inimigo em comum é poderosa. E pode ter certeza: muitas pessoas caem nesse golpe milenar.

André Barbosa

Psicólogo Clínico

85 996513394

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Estudos neurocientíficos comprovam: A paixão política nos cega.

Por andreflavionb em paixão, paixão política, Psicologia

30 de Maio de 2017

O Cerebro apaixonado (por seu partido) libera o mesmo sistema de recompensa cerebral de um viciado

Estudos neurocientíficos comprovam: A paixão política nos cega.

“A paixão é cega”. “Quando estamos apaixonados, ficamos encantados pelo outro”. Essas são frases que provavelmente você já deve ter ouvido falar, e é a mais pura verdade. Ficamos REALMENTE ENCANTADOS (no sentido literal da palavra). Quando estamos apaixonados, nosso cérebro libera neurotransmissores relacionados ao prazer. São exatamente os mesmos liberados no cérebro de um viciado ao consumir uma droga. Pergunta: você acha que um viciado, que acaba de consumir sua droga, está apto a ter uma conversa sincera, critica e racional sobre a sua droga? O mesmo ocorre em qualquer campo de nossa vida que envolve a paixão.

Um desses neurotransmissores envolvidos no sistema de recompensa cerebral é a dopamina. Ao olharmos a pessoa, mesmo que seja só uma foto, temos uma sensação agradável, parecida com a de comer um doce, uma comida predileta ou mesmo uma droga. A serotonina é o hormônio que nos torna obcecados. Essas substâncias produzidas em nosso corpo são muito parecidas com drogas do tipo anfetaminas.

Isso significa que nossa capacidade realizar uma crítica realista da pessoa amada, é prejudicada devido a toda essa química cerebral. Daí as empresas geralmente proibir, por exemplo, relacionamento entre um líder e um liderado diretamente. Porque a capacidade de julgamento do líder do desempenho do liderado está afetada. Acontece que essa paixão ocorre não só por pessoas, mas por qualquer coisa: Ideias, projetos, esporte, religião… e política.

Uma pessoa apaixonada pelo seu partido ou ídolo político não é diferentes de uma pessoa apaixonada pelo namorado (a). Estudos de neuroimagem comprovam isso, e nos mostra inclusive que as mesmas conexões cerebrais que envolve a paixão de relacionamentos afetivos, são as mesmas que envolvem a paixão política, religiosa, esporte…

No mundo da política podemos encontrar  pessoas apaixonadas pelos partidos em um grupo de militantes políticos. É nesse grupo que você vê pessoas que são capazes de dar a própria vida pelo seu líder.

Um estudo realizado por um psicólogo norte-americano, Drew Westen (Universidade de Emory, autor do livro “Cérebro Político”), com 30 eleitores americanos (15 democratas e 15 republicanos), exibiu a cada um a imagem de seus candidatos favoritos, George W. Bush e John Kerry, contrapondo um ao outro. Os voluntários se mostravam capazes de identificar as contradições do candidato rival, mas não reconheciam quando seu candidato mentia ou manipulava os fatos. Exames de ressonância magnética mostraram que seus cérebros entravam numa espécie de curto-circuito.

Partes do cérebro mais associadas à razão, na face dorsolateral do córtex pré-frontal, ficaram quietas, mas o córtex orbital frontal, envolvido no processo das emoções, ficou agitado. Também havia confusão no cingulado anterior, associado com a resolução de conflitos, e no cingulado posterior, preocupado com os julgamentos morais. Uma vez que as contradições eram ignoradas, foi ativado o estriato ventral, a região relacionada com recompensa e prazer, uma indicação de que cada participante, a despeito dos fatos, só ficou satisfeito com uma conclusão confortável. Drew Westen defende a tese, portanto, que o eleitor vota mais acreditando em suas emoções (paixão) do que com sua razão.

Portanto a nossa capacidade de racionalizar uma decisão ou apoio político, se estamos apaixonados (militantes), é altamente prejudicada. Quando os dois extremos políticos estão discutindo, ambos falam a verdade quando acham que estão certos. No fundo, não estão mentindo. Estão simplesmente acreditando na pegadinha cerebral da paixão: Ficamos cegos. Ou seja, nossa capacidade de julgamento é altamente prejudicada, e acabamos acreditando em tudo que nosso líder nos falar, independente de qualquer fato que prove o contrário do que ele nos diz.

André Barbosa

Psicólogo Clínico

CRP 11/11089

Contato: 85 996513394

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Entrevista Dr. Samuel Cavalcante : ODONTOLOGIA COMPORTAMENTAL.

Por andreflavionb em odontologia comportamental, Psicologia

16 de Abril de 2017

Cada tipo de personalidade se enquadra em um formato de rosto específico. E consequentemente possui características da forma do dente diferentes.

 

Essa semana bati um papo rápido e muitíssimo interessante com o Dr. Samuel Cavalcante, um dentista que está aliando odontológica + tecnologia + Psicologia: Odontologia Comportamental.

1 ) Doutor Samuel, primeiramente gostaria de saber um pouco de como chegou até aqui.

Bem , eu me formei em 2001 pela UFC , já na faculdade eu me interessei muito pela área de Periodontia, que é a especialidade, num termo bem coloquial (informal), que cuida das gengivas. Sempre via como muito interesse essa parte da relação dos problemas bucais com outras doenças do corpo. Foi partir dai que fiz minha primeira especialização e passei dois anos sendo professor da Faculdade de odontologia, na cadeira de Periodontia. Foi uma época muito gratificante e enriquecedora, aprendi muita coisa, apresentei trabalhos em congressos e orientei alunos, confesso que tenho saudades daquela época. Logo que me formei montei um consultório com minha esposa, na época namorávamos e tentei conciliar o consultório com a faculdade. A partir dai, essa bagagem me fez despertar para a Implantodontia, por devolver a capacidade dos pacientes de ter uma boa mastigação e principalmente de sorrir. A ortodontia veio como uma necessidade natural. Na ortodontia você estuda muito as relações faciais, perfil do paciente, sorriso. Já tinha feito vários cursos e aperfeiçoamentos na área de estética, mas quando apareceu o DSD ( digital simile design – planejamento digital do sorriso) e o visagismo que é a arte de criar uma imagem que demonstre as qualidades interiores de uma pessoa de acordo com as formas do rosto, então tudo se encaixou. Trabalhamos juntos, eu e minha esposa numa odontologia integrada e amamos fazer o que fazemos.

 

2) O que chamou-me muito atenção foi saber dessa junção entre psicologia + odontologia, como funciona a odontologia Comportamental?

 

Vou começar com uma pergunta. O que é beleza? Difícil entrar num consenso, mas podemos dizer que beleza é, por definição, simetria, equilíbrio, harmonia e proporção. Quando fiz o curso de DSD (digital smile design – Planejamento digital do sorriso), que é um planejamento digital do sorriso, vi que não somente os dentes teriam que ser proporcionais como teriam que combinar com a personalidade ou com a imagem que o paciente quer passar. Vou ser mais claro, imagine uma pessoa que exerce um cargo de chefia em uma empresa, mas quando sorri os dentes são pequenos e infantis, não combina nem um pouco. Hipócrates em seus estudos, identificou quatro tipos de personalidades diferentes: Colérico, Melancólico, Sanguíneo e Fleumático.

. E consequentemente possui características da forma do dente diferentes. E esse é o segredo! É buscar adequar o visual da pessoa para que a sua personalidade seja refletida na sua imagem da melhor maneira possível! Claro que todo esse processo é discutido e revisado com o paciente de acordo com seus desejos e objetivos.

 

3) E os resultados? Você nota que houve realmente uma mudança comportamental?

 

O legal de trabalhar na área de estética e reabilitação oral é que você vibra junto com os pacientes. Os resultados são muito mais satisfatórios, porque busca sempre um sorriso cada vez mais personalizado e com precisão. Por isso a busca cada vez maior por essa união do DSD e visagismo. Não é a busca de dentes brancos e perfeitos, é a busca pela harmonia e isso tem influência direta nos relacionamentos das pessoas. As pessoas que antes tinham vergonha de falar em público agora se sentem muito mais seguras. Um paciente já me relatou uma vez que ele foi promovido na empresa, por agora ele não tinha mais vergonha de dar uma opinião nas reuniões. Imagina como me senti na hora…

 

4) A odontologia afeta a carreira e comportamento das pessoas?

 

Um sorriso bonito tem forte apelo atrativo, sendo uma das principais regiões observadas no primeiro contato. Em um estudo realizado no King´s College London, o pesquisador Tim Newton conseguiu chegar à conclusão de que o bom estado dentário é capaz de transmitir a sensação de confiança, de bom relacionamento interpessoal e até de mais inteligência, influenciando diretamente em sua carreira. Uma outra realizada pela Kelton Research e divulgada pela Procter & Gamble mostrou que dentes esteticamente mais bonitos causam uma excelente primeira impressão servindo como cartão de visitas, atribuindo traços positivos para a sua personalidade. Nessa pesquisa, foi feita uma simulação de entrevistas de emprego apresentando duas fotos de cada possível candidato a vagas de emprego. Em uma das fotos as pessoas estavam com os dentes desalinhados, e/ou amarelados, e em outra com dentes mais brancos e um sorriso mais harmônico. O resultado foi surpreendente: Os candidatos com mais chances de serem contratados foram os que estavam com o sorriso mais bonito esteticamente para 53% dos avaliadores; e 53% deles ainda ofereceram propostas de salários mais altas quando a mesma pessoa aparecia com os dentes mais brancos. Outros dados levantados por essa pesquisa indicam que, para os participantes do estudo, a aparência é muito importante ao avaliar candidatos para emprego. Para eles uma boa aparência indica: Sucesso profissional (68%);Sucesso financeiro (64%);Integridade (52%).

 

5) Muito interessante. Talvez melhore até relacionamentos amorosos…

 

Mas é claro. Aí eu vou ter que citar mais um estudo (risos). Um estudo da Universidade de Queensland (UQ), na Austrália, examinou as possíveis associações entre uma vida amorosa feliz e dentes saudáveis. O objetivo desse estudo foi examinar as ligações entre qualidade de vida relacionada à saúde bucal. A pesquisa concluiu que aqueles que tendem a se distanciar em relações amorosas fazem menos visitas ao dentista, por outro lado, pessoas com mais confiança, com uma vida amorosa ativa, vão mais vezes ao dentista. Esse estudo foi composto por 265 pessoas e descobriu que a principal motivação para visita ao consultório veio de fatores como aparência estética. E você sabe quais são os procedimentos mais procurados? As lentes de contato e clareamento dental. Exatamente porque esses procedimentos passam a impressão dentes saudáveis. As lentes de contato dental são hoje um dos procedimentos mais procurados nos consultórios exatamente porque com um sorriso harmônico as pessoas se sentem mais confiantes em seus relacionamentos pessoais e esse procedimento associado ao DSD e visagismo tornam os sorrisos mais harmoniosos e consequentemente mais belos.

 

6) Para finalizar, como você imagina a odontologia no futuro? Quais evoluções e soluções?

A odontologia é muito dinâmica, está sempre se modernizando , seja através de novos materiais , seja de diagnóstico e planejamento. A atualização e estudo são muitos importantes. O uso do computador na parte do planejamento tem se tornado frequente, principalmente em casos onde a estética está presente, é uma tendência que não tem volta. Não só nos casos das lentes de contato, mas também em tratamentos envolvendo implantes dentários , como no caso das cirurgias guiadas por computador em que o planejamento é feito pelo cirurgião-dentista num programa de computador e a partir daí é gerado um guia para a colocação dos implantes. Sabe o que é bacana nesses casos, a cirurgia não tem cortes ,nem pontos, a cirurgia se torna mais rápida e a recuperação do paciente é fantástica.

 

Contatos e dúvidas: Samuel Cavalcante: (85) 40112774 ou WhatsApp (85) 9 86762774.

 

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“A série é inspiradora – no mau sentido – para que jovens depressivos e angustiados não percebam outra saída que não a própria morte.” André Trigueiro

Por andreflavionb em Depressão, Psicologia, suicidio

11 de Abril de 2017

Além do "Efeito Werther" (a constatação de que o suicídio é inspirador para pessoas fragilizadas psíquica ou emocionalmente) a série da Netflix promove também a vitimização do suicida, justificando o autoextermínio de Hannah por tudo o que lhe aconteceu.

“A série é inspiradora – no mau sentido – para que jovens depressivos e angustiados não percebam outra saída que não a própria morte.” André Trigueiro

“Como se os outros – quando não fazem exatamente aquilo que esperamos deles – pudessem ser responsabilizados pelo suicídio de alguém.” André Trigueiro

Essa semana, publico o texto critico do jornalista André Trigueiro sobre a série 13 reasons why (os 13 porquês) que está fazendo sucesso no Netflix (principalmente entre os jovens) . O texto está de forma integral. O jornalista André Trigueiro estuda desde 1999  o fenômeno do suicídio, inclusive publicando livros sobre o assunto “Viver é a melhor opção: a prevenção do suicídio no Brasil e no mundo” (Ed. Correio Fraterno, 2015). Segue o texto disponível no facebook do Jornalista.

“Foram tantas pessoas – próximas ou desconhecidas – que fizeram contato pelo face ou por e-mail pedindo que eu escrevesse algo sobre a série da Netflix “13 reasons why” (“Os 13 porquês”, baseado no best-seller homônimo lançado em 2007 sobre o suicídio de uma adolescente nos Estados Unidos) que reservei o dia de hoje para uma maratona cansativa assistindo aos filmes na telinha do computador.

Antes de compartilhar minha opinião sobre a série, segue um breve resumo do enredo (se você tem aversão a spoilers, pule os próximos dois parágrafos).

A série começa com um fato consumado: o suicídio da jovem Hannah Baker, e o cuidado que ela teve – antes de se matar – de registrar em 13 diferentes gravações as situações e os personagens que teriam de alguma forma contribuído para a decisão de se matar.

Bullying, drogas, depressão, assédio, homofobia, violência sexual e outros problemas recorrentes na escola onde Hanna estuda – e em tantas outras escolas pelo mundo – tornam a vida da protagonista uma experiência cada vez mais angustiante. Castigada por sucessivas decepções e frustrações, sem ter com quem compartilhar sua dor, ela se percebe subitamente sem saída. É quando resolve se matar.

Sou contra qualquer censura e não tenho competência para fazer crítica de cinema. Mas desde 1999 venho estudando o fenômeno do suicídio e um resumo desse trabalho encontra-se disponível no livro “Viver é a melhor opção: a prevenção do suicídio no Brasil e no mundo” (Ed. Correio Fraterno, 2015).

É assustadora a forma como a série da Netflix atropela várias recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre como se deve abordar o problema do suicídio em obras de ficção. A ótima ideia de expor o problema do suicídio entre jovens – um tema relevante que deveria inspirar mais roteiristas – ignorou alguns cuidados básicos indicados pelos profissionais de saúde especializados no assunto (“suicidólogos”).

Poucas vezes no cinema uma cena de suicídio foi mostrada com tamanho realismo e brutalidade. É uma aula mórbida sobre como promover o autoextermínio numa banheira. Violência desnecessária, tragicamente didática e infortunadamente sugestiva.

Antevendo as críticas, a Netflix abre o capítulo com um texto onde se lê a seguinte mensagem: “este episódio contém cenas que alguns espectadores podem considerar perturbadoras e/ou podem não ser adequadas para públicos mais jovens”. Será que funciona como álibi? Não para a OMS.

Após encerrar a maioria das gravações – em que aponta nominalmente os “culpados” por seu mal estar existencial – Hannah se sente melhor por ter “despejado tudo”. Diz ela no filme: “senti que talvez pudesse vencer isso. Eu decidi dar mais uma chance à vida. Desta vez eu ia pedir ajuda. Por que sei que não podia fazer isso sozinha”. É quando ela procura o profissional que oferece os serviços de “conselheiro” na escola onde estuda. Cria-se a expectativa de que finalmente Hannah terá a ajuda e o apoio necessários para sair do buraco em que se encontra.

A conversa com o conselheiro da escola é difícil, dolorida, e decepcionante. Hannah hesita em seguir em frente – principalmente quando o assunto é o estupro sofrido por um colega de escola – e deixa abruptamente a sala onde o atendimento acontecia, apesar dos apelos feitos pelo conselheiro para que continuasse a conversa. Ela fecha a porta, pára do lado de fora e fica na expectativa de que o profissional saia da sala e a procure. Mas isso não acontece. É a derradeira frustração antes de cometer suicídio. Não sem antes deixar gravado o relato sobre seu desapontamento com o profissional da escola que não agiu exatamente como ela esperava.

A série é inspiradora – no mau sentido – para que jovens depressivos e angustiados não percebam outra saída que não a própria morte. Pior: sugere que suicidas em potencial registrem em gravações ou anotações os “culpados” pelos seus infortúnios, e punam através do suicídio aqueles que lhe faltaram quando mais precisavam. O suicídio como pretexto para se vingar de alguém, aliás, é um comportamento patológico. Mas a personagem principal da série não parece alguém que possua algum distúrbio. Pelo contrário. O relato sereno e lúcido de Hannah nas gravações sugere que o suicídio possa ser a resposta esperada, previsível, diante de tantas desilusões e sofrimentos. Será? Segundo a Organização Mundial de Saúde, em pelo menos 90% dos casos, os suicídios estão relacionados a patologias de ordem mental, diagnosticáveis e tratáveis, principalmente a depressão.

Além do “Efeito Werther” (a constatação de que o suicídio é inspirador para pessoas fragilizadas psíquica ou emocionalmente) a série da Netflix promove também a vitimização do suicida, justificando o autoextermínio de Hannah por tudo o que lhe aconteceu. Como se diante de tantas experiências dolorosas, não houvesse mesmo outra saída. Como se os outros – quando não fazem exatamente aquilo que esperamos deles – pudessem ser responsabilizados pelo suicídio de alguém.

Num mundo onde o suicídio é caso de saúde pública, e o autoextermínio de jovens vem aumentando de forma preocupante, espera-se que outras séries possam ser mais cuidadosas e responsáveis na abordagem do tema.”

André Trigueiro

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“A série é inspiradora – no mau sentido – para que jovens depressivos e angustiados não percebam outra saída que não a própria morte.” André Trigueiro

Por andreflavionb em Depressão, Psicologia, suicidio

11 de Abril de 2017

Além do "Efeito Werther" (a constatação de que o suicídio é inspirador para pessoas fragilizadas psíquica ou emocionalmente) a série da Netflix promove também a vitimização do suicida, justificando o autoextermínio de Hannah por tudo o que lhe aconteceu.

“A série é inspiradora – no mau sentido – para que jovens depressivos e angustiados não percebam outra saída que não a própria morte.” André Trigueiro

“Como se os outros – quando não fazem exatamente aquilo que esperamos deles – pudessem ser responsabilizados pelo suicídio de alguém.” André Trigueiro

Essa semana, publico o texto critico do jornalista André Trigueiro sobre a série 13 reasons why (os 13 porquês) que está fazendo sucesso no Netflix (principalmente entre os jovens) . O texto está de forma integral. O jornalista André Trigueiro estuda desde 1999  o fenômeno do suicídio, inclusive publicando livros sobre o assunto “Viver é a melhor opção: a prevenção do suicídio no Brasil e no mundo” (Ed. Correio Fraterno, 2015). Segue o texto disponível no facebook do Jornalista.

“Foram tantas pessoas – próximas ou desconhecidas – que fizeram contato pelo face ou por e-mail pedindo que eu escrevesse algo sobre a série da Netflix “13 reasons why” (“Os 13 porquês”, baseado no best-seller homônimo lançado em 2007 sobre o suicídio de uma adolescente nos Estados Unidos) que reservei o dia de hoje para uma maratona cansativa assistindo aos filmes na telinha do computador.

Antes de compartilhar minha opinião sobre a série, segue um breve resumo do enredo (se você tem aversão a spoilers, pule os próximos dois parágrafos).

A série começa com um fato consumado: o suicídio da jovem Hannah Baker, e o cuidado que ela teve – antes de se matar – de registrar em 13 diferentes gravações as situações e os personagens que teriam de alguma forma contribuído para a decisão de se matar.

Bullying, drogas, depressão, assédio, homofobia, violência sexual e outros problemas recorrentes na escola onde Hanna estuda – e em tantas outras escolas pelo mundo – tornam a vida da protagonista uma experiência cada vez mais angustiante. Castigada por sucessivas decepções e frustrações, sem ter com quem compartilhar sua dor, ela se percebe subitamente sem saída. É quando resolve se matar.

Sou contra qualquer censura e não tenho competência para fazer crítica de cinema. Mas desde 1999 venho estudando o fenômeno do suicídio e um resumo desse trabalho encontra-se disponível no livro “Viver é a melhor opção: a prevenção do suicídio no Brasil e no mundo” (Ed. Correio Fraterno, 2015).

É assustadora a forma como a série da Netflix atropela várias recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre como se deve abordar o problema do suicídio em obras de ficção. A ótima ideia de expor o problema do suicídio entre jovens – um tema relevante que deveria inspirar mais roteiristas – ignorou alguns cuidados básicos indicados pelos profissionais de saúde especializados no assunto (“suicidólogos”).

Poucas vezes no cinema uma cena de suicídio foi mostrada com tamanho realismo e brutalidade. É uma aula mórbida sobre como promover o autoextermínio numa banheira. Violência desnecessária, tragicamente didática e infortunadamente sugestiva.

Antevendo as críticas, a Netflix abre o capítulo com um texto onde se lê a seguinte mensagem: “este episódio contém cenas que alguns espectadores podem considerar perturbadoras e/ou podem não ser adequadas para públicos mais jovens”. Será que funciona como álibi? Não para a OMS.

Após encerrar a maioria das gravações – em que aponta nominalmente os “culpados” por seu mal estar existencial – Hannah se sente melhor por ter “despejado tudo”. Diz ela no filme: “senti que talvez pudesse vencer isso. Eu decidi dar mais uma chance à vida. Desta vez eu ia pedir ajuda. Por que sei que não podia fazer isso sozinha”. É quando ela procura o profissional que oferece os serviços de “conselheiro” na escola onde estuda. Cria-se a expectativa de que finalmente Hannah terá a ajuda e o apoio necessários para sair do buraco em que se encontra.

A conversa com o conselheiro da escola é difícil, dolorida, e decepcionante. Hannah hesita em seguir em frente – principalmente quando o assunto é o estupro sofrido por um colega de escola – e deixa abruptamente a sala onde o atendimento acontecia, apesar dos apelos feitos pelo conselheiro para que continuasse a conversa. Ela fecha a porta, pára do lado de fora e fica na expectativa de que o profissional saia da sala e a procure. Mas isso não acontece. É a derradeira frustração antes de cometer suicídio. Não sem antes deixar gravado o relato sobre seu desapontamento com o profissional da escola que não agiu exatamente como ela esperava.

A série é inspiradora – no mau sentido – para que jovens depressivos e angustiados não percebam outra saída que não a própria morte. Pior: sugere que suicidas em potencial registrem em gravações ou anotações os “culpados” pelos seus infortúnios, e punam através do suicídio aqueles que lhe faltaram quando mais precisavam. O suicídio como pretexto para se vingar de alguém, aliás, é um comportamento patológico. Mas a personagem principal da série não parece alguém que possua algum distúrbio. Pelo contrário. O relato sereno e lúcido de Hannah nas gravações sugere que o suicídio possa ser a resposta esperada, previsível, diante de tantas desilusões e sofrimentos. Será? Segundo a Organização Mundial de Saúde, em pelo menos 90% dos casos, os suicídios estão relacionados a patologias de ordem mental, diagnosticáveis e tratáveis, principalmente a depressão.

Além do “Efeito Werther” (a constatação de que o suicídio é inspirador para pessoas fragilizadas psíquica ou emocionalmente) a série da Netflix promove também a vitimização do suicida, justificando o autoextermínio de Hannah por tudo o que lhe aconteceu. Como se diante de tantas experiências dolorosas, não houvesse mesmo outra saída. Como se os outros – quando não fazem exatamente aquilo que esperamos deles – pudessem ser responsabilizados pelo suicídio de alguém.

Num mundo onde o suicídio é caso de saúde pública, e o autoextermínio de jovens vem aumentando de forma preocupante, espera-se que outras séries possam ser mais cuidadosas e responsáveis na abordagem do tema.”

André Trigueiro