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O Psicólogo

por André Flávio Nepomuceno Barbosa

paixão política

Uma manipulação milenar: a invenção do inimigo maior.

Por andreflavionb em paixão política, Psicologia, Sem categoria

07 de junho de 2017

A manipulação milenar: a invenção de um inimigo maior.
*Foto tirada em campanha a qual Lula pedia votos para FHC.
A polarização política foi usada para ganhar votos e militantes para ambos os lados.

 

Uma manipulação milenar: a invenção do inimigo maior.

Criar um inimigo exterior é a tática mais antiga (e ainda hoje usada) para unir pessoas, apesar de suas diferenças e insatisfações.

De acordo com Yuval Noah Harari, em seu livro “uma breve história da humanidade”, para que nossos primeiros ancestrais conseguissem manter as primeiras tribos unidas, foi preciso “criar” inimigos exteriores comuns. Alguns inimigos de carne e osso, como por exemplo: predadores, tribos rivais… .Alguns inimigos da ordem espiritual/ideológica, como por exemplo: Os deuses que despertavam a “fúria” da natureza; “vulcão, terremoto, seca… “.

Mas como esse inimigo consegue unir as pessoas?

Nossos primeiros ancestrais perceberam que criando um inimigo poderoso os membros da tribo jogavam suas diferenças de lado em prol de proteger o bem comum e suas crenças/ideologias de serem devastadas. Manter e proteger a estabilidade da tribo era o mais importante.

As principais religiões do mundo usaram desse artificio para expandir, dominar e se manter ativas. Para todo bem, existe o mal a ser combatido.

De acordo com Freud, em sua obra “O mal estar da civilização”, o homem tem dois objetivos de vida: A busca da felicidade e fuga do desprazer. Inclua nessa “fuga do desprazer” ter suas crenças e familiares postos em risco. Acreditar que existe um inimigo maior a ser derrotado, para Freud, é um motor motivador para que o homem, inclusive, entre em guerra. Coloque sua vida em risco. Tanto que sua obra foi escrita um pouco antes da segunda-guerra mundial.

Um dos sociólogos mais influentes do mundo, Bauman, aponta que o homem está disposto inclusive de abrir mão de sua liberdade para viver em sociedade apenas para se proteger. Para se sentir seguro. Seguro de que/quem? Resposta: o inimigo exterior que vai promover a instabilidade de sua vida e objetivos.

Trazendo essa teoria para uma experiência mais pessoal, quantos casais você já viu que aumentaram o nível de união a partir do momento que os outros se colocaram contra aquele relacionamento? Um exemplo clássico disso é o romance de Shakespeare, Romeu e Julieta.

Um dos casais mais famosos da história, John Lennon e Yoko, foram contra todos e tudo. Incluindo os próprios membros de sua banda, The Beatles, que até antes de conhecer Yoko, era o maior tesouro de sua vida.

Quer a solução para unir muçulmanos extremistas e católicos, e promover a “paz” mundial? Um inimigo comum. Uma pena que, como não compartilhamos da mesma teologia, não dá para criar um inimigo exterior da ordem espiritual. Agora imagine uma invasão alienígena ou uma catástrofe natural de ordem planetária? Sim, estou exagerando para que você consiga entender de uma forma didática a influencia de um inimigo exterior para promover a união das pessoas.

Sabe quem se utiliza desse artificio diariamente? Partidos políticos. Sim, diariamente somos bombardeados de manipulações de todos os lados, a fim de promover a união contra um mal maior. Em troca dessa união e dessa luta contra o inimigo maior, esquecemos tudo (crimes e mais crimes contra os cofres públicos) e aceitamos as desculpas mais esfarrapadas do mundo dos nossos políticos.

A esquerda brasileira articula com sua base eleitoral que existe um inimigo maior a ser derrotado: Os tucanos coxinhas. Acusam Sergio Moro de ser um perseguidor partidarista (alguns inclusive falam que o juiz federal é um filiado do PSDB).

A direita do Brasil articula que o inimigo comum é o PT. Os mortadelas. Que querem tomar o Brasil e implantar o comunismo. Acusam Sergio Moro TAMBÉM de ser um perseguidor político. Exatamente! Os dois lados acusam a operação lava-jato e o juiz Sérgio Moro da mesma forma, com praticamente os mesmos termos.

Por mais que todas as provas nos mostrem que quando o assunto é corrupção não existe bandeiras partidárias, ou ideologias políticas. Por mais que todas as provas nos mostrem que os políticos de “supostos partidos rivais” estão atuando juntos para combater a lava-jato, pode ter certeza que a narrativa do inimigo em comum é poderosa. E pode ter certeza: muitas pessoas caem nesse golpe milenar.

André Barbosa

Psicólogo Clínico

85 996513394

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Estudos neurocientíficos comprovam: A paixão política nos cega.

Por andreflavionb em paixão, paixão política, Psicologia

30 de Maio de 2017

O Cerebro apaixonado (por seu partido) libera o mesmo sistema de recompensa cerebral de um viciado

Estudos neurocientíficos comprovam: A paixão política nos cega.

“A paixão é cega”. “Quando estamos apaixonados, ficamos encantados pelo outro”. Essas são frases que provavelmente você já deve ter ouvido falar, e é a mais pura verdade. Ficamos REALMENTE ENCANTADOS (no sentido literal da palavra). Quando estamos apaixonados, nosso cérebro libera neurotransmissores relacionados ao prazer. São exatamente os mesmos liberados no cérebro de um viciado ao consumir uma droga. Pergunta: você acha que um viciado, que acaba de consumir sua droga, está apto a ter uma conversa sincera, critica e racional sobre a sua droga? O mesmo ocorre em qualquer campo de nossa vida que envolve a paixão.

Um desses neurotransmissores envolvidos no sistema de recompensa cerebral é a dopamina. Ao olharmos a pessoa, mesmo que seja só uma foto, temos uma sensação agradável, parecida com a de comer um doce, uma comida predileta ou mesmo uma droga. A serotonina é o hormônio que nos torna obcecados. Essas substâncias produzidas em nosso corpo são muito parecidas com drogas do tipo anfetaminas.

Isso significa que nossa capacidade realizar uma crítica realista da pessoa amada, é prejudicada devido a toda essa química cerebral. Daí as empresas geralmente proibir, por exemplo, relacionamento entre um líder e um liderado diretamente. Porque a capacidade de julgamento do líder do desempenho do liderado está afetada. Acontece que essa paixão ocorre não só por pessoas, mas por qualquer coisa: Ideias, projetos, esporte, religião… e política.

Uma pessoa apaixonada pelo seu partido ou ídolo político não é diferentes de uma pessoa apaixonada pelo namorado (a). Estudos de neuroimagem comprovam isso, e nos mostra inclusive que as mesmas conexões cerebrais que envolve a paixão de relacionamentos afetivos, são as mesmas que envolvem a paixão política, religiosa, esporte…

No mundo da política podemos encontrar  pessoas apaixonadas pelos partidos em um grupo de militantes políticos. É nesse grupo que você vê pessoas que são capazes de dar a própria vida pelo seu líder.

Um estudo realizado por um psicólogo norte-americano, Drew Westen (Universidade de Emory, autor do livro “Cérebro Político”), com 30 eleitores americanos (15 democratas e 15 republicanos), exibiu a cada um a imagem de seus candidatos favoritos, George W. Bush e John Kerry, contrapondo um ao outro. Os voluntários se mostravam capazes de identificar as contradições do candidato rival, mas não reconheciam quando seu candidato mentia ou manipulava os fatos. Exames de ressonância magnética mostraram que seus cérebros entravam numa espécie de curto-circuito.

Partes do cérebro mais associadas à razão, na face dorsolateral do córtex pré-frontal, ficaram quietas, mas o córtex orbital frontal, envolvido no processo das emoções, ficou agitado. Também havia confusão no cingulado anterior, associado com a resolução de conflitos, e no cingulado posterior, preocupado com os julgamentos morais. Uma vez que as contradições eram ignoradas, foi ativado o estriato ventral, a região relacionada com recompensa e prazer, uma indicação de que cada participante, a despeito dos fatos, só ficou satisfeito com uma conclusão confortável. Drew Westen defende a tese, portanto, que o eleitor vota mais acreditando em suas emoções (paixão) do que com sua razão.

Portanto a nossa capacidade de racionalizar uma decisão ou apoio político, se estamos apaixonados (militantes), é altamente prejudicada. Quando os dois extremos políticos estão discutindo, ambos falam a verdade quando acham que estão certos. No fundo, não estão mentindo. Estão simplesmente acreditando na pegadinha cerebral da paixão: Ficamos cegos. Ou seja, nossa capacidade de julgamento é altamente prejudicada, e acabamos acreditando em tudo que nosso líder nos falar, independente de qualquer fato que prove o contrário do que ele nos diz.

André Barbosa

Psicólogo Clínico

CRP 11/11089

Contato: 85 996513394

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Estudos neurocientíficos comprovam: A paixão política nos cega.

Por andreflavionb em paixão, paixão política, Psicologia

30 de Maio de 2017

O Cerebro apaixonado (por seu partido) libera o mesmo sistema de recompensa cerebral de um viciado

Estudos neurocientíficos comprovam: A paixão política nos cega.

“A paixão é cega”. “Quando estamos apaixonados, ficamos encantados pelo outro”. Essas são frases que provavelmente você já deve ter ouvido falar, e é a mais pura verdade. Ficamos REALMENTE ENCANTADOS (no sentido literal da palavra). Quando estamos apaixonados, nosso cérebro libera neurotransmissores relacionados ao prazer. São exatamente os mesmos liberados no cérebro de um viciado ao consumir uma droga. Pergunta: você acha que um viciado, que acaba de consumir sua droga, está apto a ter uma conversa sincera, critica e racional sobre a sua droga? O mesmo ocorre em qualquer campo de nossa vida que envolve a paixão.

Um desses neurotransmissores envolvidos no sistema de recompensa cerebral é a dopamina. Ao olharmos a pessoa, mesmo que seja só uma foto, temos uma sensação agradável, parecida com a de comer um doce, uma comida predileta ou mesmo uma droga. A serotonina é o hormônio que nos torna obcecados. Essas substâncias produzidas em nosso corpo são muito parecidas com drogas do tipo anfetaminas.

Isso significa que nossa capacidade realizar uma crítica realista da pessoa amada, é prejudicada devido a toda essa química cerebral. Daí as empresas geralmente proibir, por exemplo, relacionamento entre um líder e um liderado diretamente. Porque a capacidade de julgamento do líder do desempenho do liderado está afetada. Acontece que essa paixão ocorre não só por pessoas, mas por qualquer coisa: Ideias, projetos, esporte, religião… e política.

Uma pessoa apaixonada pelo seu partido ou ídolo político não é diferentes de uma pessoa apaixonada pelo namorado (a). Estudos de neuroimagem comprovam isso, e nos mostra inclusive que as mesmas conexões cerebrais que envolve a paixão de relacionamentos afetivos, são as mesmas que envolvem a paixão política, religiosa, esporte…

No mundo da política podemos encontrar  pessoas apaixonadas pelos partidos em um grupo de militantes políticos. É nesse grupo que você vê pessoas que são capazes de dar a própria vida pelo seu líder.

Um estudo realizado por um psicólogo norte-americano, Drew Westen (Universidade de Emory, autor do livro “Cérebro Político”), com 30 eleitores americanos (15 democratas e 15 republicanos), exibiu a cada um a imagem de seus candidatos favoritos, George W. Bush e John Kerry, contrapondo um ao outro. Os voluntários se mostravam capazes de identificar as contradições do candidato rival, mas não reconheciam quando seu candidato mentia ou manipulava os fatos. Exames de ressonância magnética mostraram que seus cérebros entravam numa espécie de curto-circuito.

Partes do cérebro mais associadas à razão, na face dorsolateral do córtex pré-frontal, ficaram quietas, mas o córtex orbital frontal, envolvido no processo das emoções, ficou agitado. Também havia confusão no cingulado anterior, associado com a resolução de conflitos, e no cingulado posterior, preocupado com os julgamentos morais. Uma vez que as contradições eram ignoradas, foi ativado o estriato ventral, a região relacionada com recompensa e prazer, uma indicação de que cada participante, a despeito dos fatos, só ficou satisfeito com uma conclusão confortável. Drew Westen defende a tese, portanto, que o eleitor vota mais acreditando em suas emoções (paixão) do que com sua razão.

Portanto a nossa capacidade de racionalizar uma decisão ou apoio político, se estamos apaixonados (militantes), é altamente prejudicada. Quando os dois extremos políticos estão discutindo, ambos falam a verdade quando acham que estão certos. No fundo, não estão mentindo. Estão simplesmente acreditando na pegadinha cerebral da paixão: Ficamos cegos. Ou seja, nossa capacidade de julgamento é altamente prejudicada, e acabamos acreditando em tudo que nosso líder nos falar, independente de qualquer fato que prove o contrário do que ele nos diz.

André Barbosa

Psicólogo Clínico

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