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O Psicólogo

por André Flávio Nepomuceno Barbosa

Depressão

Depressão: como acontece?

Por andreflavionb em Depressão, terapia cognitivo-comportamental

08 de junho de 2018

Depressão como acontece?

 

Depressão: como acontece?

Vamos ouvir o relato de alguém que viveu o inicio de uma depressão e, sem tratamento, foi piorando.

“De repente um dia…

Você acorda sem motivação para fazer nada. Aliás, você não consegue ver sentido para fazer nada. Não consegue ver boas expectativas. O futuro e o presente são apenas uma mancha cinza na sua vida.

Sabe aquele lugar que você gostava de ir? Sabe aquele seu passatempo favorito? Aquela comida que você amava? Sua série favorita? Aquela ida ao cinema? De repente tudo isso que te alegrava, animava seu dia, te dava prazer, não existe mais.

Se essas coisas tivessem evaporado do mapa ou deixado de existir, talvez você sentisse até um reconforto: ” Eu sei o que me animaria, mas infelizmente não tem mais”. O problema é que todas essas coisas estão presente e você nota, para seu desespero, que não te animam mais, não te traz mais nenhum prazer.

A sua memória e atenção começam a te deixar na mão. Você esquece coisas e atividades que jamais achava que iria esquecer.
Você começa a adoecer com qualquer coisa. Um pequeno resfriado chega até você como uma fortíssima gripe.
Tudo vai perdendo a graça e o brilho aos poucos, até a comida perde o sabor e se transforma em apenas mais uma obrigação que você tem que cumprir.

Você sente que está preso dentro de si, dentro de algo escuro, sem perspectiva de melhoria alguma.
Pensamentos questionando sua utilidade no mundo começam a invadir sua mente. Você começa a se achar a pior de todas as criaturas. Começa a se achar um fardo na vida das pessoas.

O choro vem do nada, é como algo que você precisa botar pra fora.

Para piorar, você não sabe dizer exatamente o motivo de estar se sentido assim e isso te desespera ainda mais. ”

Imagine sentir tudo isso ocorrendo em um único dia. Não é uma tortura? Agora imagine sentir isso de forma crônica, dia após dia? Essa é a vida de uma pessoa que sofre com os sintomas da doença que é a segunda maior causa de morte no mundo: A Depressão.

Tratar alguém que está com depressão como “isso é frescura! Reage menino!! Se levanta da cama!” É o mesmo que pedir para alguém que está com hemorragia causada por dengue que “pare de sangrar menino!! Deixa de frescura!”. É simplesmente ridículo e ofensivo, pois, assim como qualquer outra doença, ninguém escolhe ficar depressivo.

E como qualquer doença grave, deve ser tratada com máxima seriedade . Só medicação apenas NÃO RESOLVE e, em casos graves, só psicoterapia também NÃO RESOLVE.

Depressão deve ser encarada como uma doença grave SIM e que precisa de tratamento (como em qualquer doença) logo no começo dos primeiros sintomas. Quanto mais tempo passa-se sem o devido tratamento, mais perdas (sociais, pessoais, profissionais e até risco de vida) acontecem na vida da pessoa.

A depressão, muitas as vezes, é a ponta do iceberg. Cabe ao psicoterapeuta analisar de onde vem a depressão. Pode ser o excesso de estresse, ansiedade, instabilidade de humor, impulsividade… Depressão, muitas as vezes, é o sintoma que aparece quando o corpo e a mente estão esgotados. Por isso a importância de uma boa terapia e, muitas as vezes, de uma boa estratégia medicamentosa, com o objetivo de analisar profundamente as causas da depressão.



A pergunta é: Você vai deixar seu quadro se agravar ?

Contato:
André Barbosa
Psicólogo Clínico
CRP 11/11089
85 9 96513394

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Sobrevivendo ao luto de relacionamento

Por andreflavionb em Depressão, Luto de relacionamento

01 de novembro de 2017

LUTO DE RELACIONAMENTO.
Imagem retirada: http://images1.minhavida.com.br

 

Sobrevivendo ao luto de um relacionamento.

Recebi uma pergunta recentemente de uma seguidora de meu instagram (@Opsicologo) que trata de um tema que é bastante discutido hoje: estou com depressão ou apenas triste por ter rompido um relacionamento? E como superar?

Vamos chama-la de Silvia. Segue a sua pergunta:

“Terminei uma relação altamente instável, mas que durou cerca de 4 anos. Na verdade ele terminou comigo. Isso já tem cerca de 2 meses. Estou em depressão desde então. Fico depressiva na maioria dos dias. Choro por qualquer coisa. Está atrapalhando até meu sono. O que me deixa ainda mais angustiada (e até revoltada) é ficar na deprê desse jeito por alguém que nunca me valorizou de verdade. Mentia, saia escondido e tenho certeza que fui traída. E pior de tudo, ainda gosto dele, e muito. Sinto-me uma idiota por está sofrendo por alguém assim, mas não tenho como controlar. O que posso fazer?”

Silvia, antes de mais nada, vamos substituir o nome “depressão” por tristeza, ou, mais especificamente, um luto pelo fim de um relacionamento, ok? Digo isso porque não vi você mencionando que foi diagnosticada por um psiquiatra/psicólogo com algum transtorno depressivo anteriormente (que é uma doença grave, séria e que não pode ser diagnosticado agora porque pode-se confundir a dor desse rompimento com os sintomas da depressão. Então dificilmente um psiquiatra/psicólogo, sabendo disso, dirá que você está com depressão)

Dito isso, vamos ao que interessa: como lidar com a dor de um rompimento amoroso?

Primeiramente, precisamos normalizar essa sua emoção. O que quero dizer com isso? Quero dizer que é normal você se sentir triste, chorosa, pelo rompimento de um relacionamento de longa duração (apesar de todas as instabilidades citadas). Anormal seria você, ainda gostando dele, pular de alegria após esse rompimento. Entende?

Estamos vivendo em tempos que não toleramos mais sofrer. Isso é muito preocupante, uma vez que a vida é composta de altos e baixos e, acredite em mim, graças a esses “baixos” evoluímos na maioria das vezes.

Portanto, para começar a dar volta por cima, é preciso que você entenda a naturalidade dessa emoção. Você não precisa se sentir uma idiota. Aliás, o que deve estar piorando seu quadro de tristeza/luto é seu julgamento dessa emoção. “Estou triste, logo sou uma idiota.”. Toda vida que não aceitamos determinada emoção, a tendência é ela aumentar a intensidade. Para explicar isso de uma forma resumida (e didática),  basta entender que isso ocorre porque simplesmente mantemos a emoção viva em nosso cérebro, toda vez que lutamos contra. É como se eu dissesse pra mim, repetidamente; “eu não quero ficar ansioso antes de me apresentar”. Pode ter certeza que ficarei ansioso. Isso porque o cérebro não “capta” o comando “não”. Quer fazer uma teste de como isso funciona? Vamos lá: pense em um elefante rosa com manchinhas pretas! Pensou? Pronto, agora tente não pensar no elefante rosa com manchinha pretas? Conseguiu? Se você fez o exercício da forma correta, certamente não conseguiu.

Aceitar a emoção, entendendo que é normal se sentir triste após esse luto de relacionamento, é a maneira mais inteligente de dar a volta por cima. Detalhe: aceitar não é alimentar, tá?

Aceitar é simplesmente entender :”bem, estou me sentindo triste, mas é normal, afinal, terminei um relacionamento recentemente de longa data”.

Alimentar é você, sentindo-se triste, começar a procurar evidências de que seu ex está com outra, ou que está curtindo a vida, ou que está mais feliz sem você… (detalhe: todas essas “evidências” serão contaminadas pela minha emoção e atenção seletiva. Meu cérebro sai buscando no ambiente algo que comprove a sua teoria. Entendeu? Ou seja, se eu mostrar uma foto do seu ex em  algum lugar para alguém, a pessoa pode simplesmente dizer que ele está normal ou até mesmo triste, mas você pode dizer, vendo essa mesma foto; olha como ele está feliz! Isso é normal de acontecer.)

Portanto, repito: aceite a emoção sem julgamentos. Até porque desse julgamento “sou uma idiota por estar me sentindo triste”, brotam consequências: aumenta mais ainda a tristeza, pode vir raiva, revolta, diminuir sua autoestima… E não vai ajudar em nada a sua situação, percebe?

Essa virada de página não vai ocorrer do nada. Você precisa se engajar em uma mudança comportamental, por exemplo; não deixe de resgatar e praticar coisas que você gosta de fazer. De preferência, faça uma lista de coisas que você gosta de fazer e faça um planejamento de quando você pode fazer (executar) todas essas coisas.

Resgate o contato social, cuide da alimentação, regule seu sono (tente dormir pelo menos 8 horas por dia), faça alguma atividade física, faça (e execute) planos profissionais… Se você notar que fotos dele em seu feed de suas redes sociais estão lhe desestabilizando, bloquei. Oriente também seus amigos em comum não ficar levando ou trazendo assuntos do seu ex.

Se você notar também que ver ele no whatsapp online aumenta sua ansiedade ou tristeza, bloquei. Nesse tempo de recuperação é preciso você saber o que lhe tira do eixo (que lhe deixa triste e instável emocionalmente) e sair eliminando cada um desses itens (estímulos) que te deixa pra baixo.

Acredito que essas ações já se constituem um ótimo começo para virar essa página. Agora se essa condição de tristeza persistir de forma crônica por mais dois meses, mesmo você fazendo tudo isso, aconselho você buscar uma ajuda psiquiátrica e psicológica para examinar mais a fundo isso.

 

Espero ter ajudado,

 

André Barbosa

Psicólogo Clínico

CRP – 11/11089

Terapeuta Cognitivo- Comportamental

85 98813 9593

 

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IN THE END: até quando assistiremos a depressão roubar vidas?

Por andreflavionb em Depressão, Psicologia, suicidio

30 de julho de 2017

*Reprodução de imagem da pagina oficial da banda no facebook. facebook.com/linkinpark

IN THE END: ATÉ QUANDO ASSISTIREMOS A DEPRESSÃO ROUBAR VIDAS?

Sexta, 21 de Julho de 2017, acordo com uma trágica notícia: Chester Charles Bennington, cantor, compositor, ator (sim ele atuou em jogos mortais: o final e Adrenalina 2) e vocalista da banda americana Linkin Park (foi também vocalista do Stone Temple Pilots entre 2013 e 2015 e Dead by sunrise), cometeu suicídio. Deixou sua mulher, seis filhos, os amigos de adolescência da banda (que considerava como irmãos), e uma legião de fãs que o amava pelo mundo.

Assim como muitos fãs, fiquei perplexo, sem acreditar… Mas, mais do que isso, constatei: a depressão, essa doença safada e sorrateira, não deixa ninguém imune a ela. Nem a fama, dinheiro, sucesso, amor da família, foram capazes de livrar Chester dessa doença, desse trágico fim. E ela, a depressão, tem seu poder destrutivo violentamente aumentado quando a vítima, para se livrar da dor, recorre as drogas (incluo todas elas: abuso de antidepressivos, álcool e todas as drogas ilícitas). Chester estava justamente nesse quadro de alto risco: lutava contra as drogas e a depressão há anos.

Não costumo analisar os fatos do passado com “e se… ?”, mas em uma breve (e rasa) análise psicoeducativa posso afirmar que essa história poderia ter tomado um rumo diferente com alguns “e ses… ”

1 – E se Chester tivesse feito uma terapia focada em regulação emocional?

2- E se, aliado a isso, tivesse feito um tratamento de apoio individual/grupal cognitivo-comportamental contra as drogas?

3- E se tivesse se submetido ao tratamento de eletroconvulsoterapia (sim, esse é um tratamento excelente de combate a depressão e a suicidalidade que Hollywood infelizmente resolveu usar em seus filmes no sentido pejorativo, como se fosse uma tortura medieval. Vale ressaltar que é um tratamento com embasamento científico e de alta eficácia. O paciente sequer sente qualquer dor, pois é feito em sala cirúrgica, com anestesia geral, e o choque dura segundos apenas).

A ECT (eletroconvulsoterapia) promove disparos rítmicos cerebrais autolimitados. Com isso, ocorre um equilíbrio nos neurotransmissores como a serotonina, dopamina, noradrenalina e glutamato, responsáveis por propagar os impulsos nervosos do cérebro e manter o bem-estar.

Óbvio que sem uma terapia focada em resultados o ECT não faz milagres. Não consegue manter esse resultado por tanto tempo. Assim como uma medicação sozinha também não. É papel ético do psiquiatra/neurologista orientar seus pacientes a fazer terapia, pois estes sabem que a medicação sozinha não resolve (e as vezes até piora, pois cria dependência e o cérebro se acostuma com a medicação, tendo que aumentar as doses).

Além disso, a medicação costuma agir apenas apagando incêndio. Apenas diminuindo a dor da emoção que a depressão causa, mas nada faz para atuar no comportamento/cognições do indivíduo que causou/alimentou (e ainda alimenta) a depressão. Ou seja, se retirar a medicação volta tudo. Se o cérebro se acostumar com a medicação, volta tudo. Para piorar, se acostumarmos nosso cérebro com antidepressivos, ele passará a produzir ( recaptação de hormônios relacionado ao prazer será cada vez menos inibida de forma natural) menos prazer de forma natural. Dai a dependência.  Por isso, digo e REPITO, a medicação sozinha, pode PIORAR o problema… E MUITO!

A morte de Chester ligou o alerta máximo ao mundo: Depressão MATA! Pensando nisso, a própria banda criou o site chester.linkinpark.com e estão divulgando para todo mundo em suas redes sociais. Esse site tem como finalidade dar suporte as pessoas com depressão e que estão pensando em cometer suicídio.

Mas o que é depressão?

Antes de mais nada, quero lembrar que, de acordo com OMS (organização mundial da saúde), a depressão já é a doença mais incapacitante do mundo e que mata 1 pessoa a cada 40 segundos no mundo por suicídio.

A depressão é assim, você acorda sem motivação para fazer nada. Aliás, você não consegue ver sentido para fazer nada. Não consegue ver boas expectativas. O futuro e o presente são apenas uma mancha cinza na sua percepção de vida.

Sabe aquele lugar que você gostava de ir? Sabe aquele seu passatempo favorito? Aquela comida que você amava? Sua série favorita? Aquela ida ao cinema? De repente tudo isso que te alegrava, animava seu dia, te dava prazer, não faz mais qualquer sentido. Não te animam.

Tudo vai perdendo a graça e o brilho aos poucos, até a comida perde o sabor e se transforma em apenas mais uma obrigação que você tem que cumprir.Você sente que está preso dentro de si, dentro de algo escuro, sem perspectiva de melhoria

Pensamentos questionando sua utilidade no mundo começam a invadir sua mente. Você começa a se achar a pior de todas as criaturas. Começa a se achar um fardo na vida das pessoas.O choro vem do nada, é como algo que você precisa botar pra fora.Para piorar, você não sabe dizer exatamente o motivo de estar se sentido assim e isso te desespera ainda mais.

Tratar alguém que está com depressão com “isso é frescura! Reage menino!! Se levanta da cama!” É o mesmo que pedir para alguém que está com hemorragia causada por dengue que “pare de sangrar menino!! Deixa de frescura!”. É simplesmente ridículo e ofensivo, pois, assim como qualquer outra doença, ninguém escolhe ficar depressivo.

Depressão deve ser encarada como uma doença grave SIM e que precisa de tratamento (como em qualquer doença) logo no começo dos primeiros sintomas. Quanto mais tempo passa sem o devido tratamento, mais perdas (sociais, pessoais, profissionais e até risco de vida) e mais difícil é o tratamento.



A pergunta é: Você vai deixar seu quadro se agravar ? Deixar a depressão roubar sua vida? Não deixe para cuidar disso in the end… Busque ajuda!

Reprodução homenagem da pagina facebook.com/sherlockspuboficial

André Barbosa

Terapeuta Cognitivo-Comportamental

Psicólogo Clínico

CRP 11/11089

85 98813 9593

 

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“A série é inspiradora – no mau sentido – para que jovens depressivos e angustiados não percebam outra saída que não a própria morte.” André Trigueiro

Por andreflavionb em Depressão, Psicologia, suicidio

11 de Abril de 2017

Além do "Efeito Werther" (a constatação de que o suicídio é inspirador para pessoas fragilizadas psíquica ou emocionalmente) a série da Netflix promove também a vitimização do suicida, justificando o autoextermínio de Hannah por tudo o que lhe aconteceu.

“A série é inspiradora – no mau sentido – para que jovens depressivos e angustiados não percebam outra saída que não a própria morte.” André Trigueiro

“Como se os outros – quando não fazem exatamente aquilo que esperamos deles – pudessem ser responsabilizados pelo suicídio de alguém.” André Trigueiro

Essa semana, publico o texto critico do jornalista André Trigueiro sobre a série 13 reasons why (os 13 porquês) que está fazendo sucesso no Netflix (principalmente entre os jovens) . O texto está de forma integral. O jornalista André Trigueiro estuda desde 1999  o fenômeno do suicídio, inclusive publicando livros sobre o assunto “Viver é a melhor opção: a prevenção do suicídio no Brasil e no mundo” (Ed. Correio Fraterno, 2015). Segue o texto disponível no facebook do Jornalista.

“Foram tantas pessoas – próximas ou desconhecidas – que fizeram contato pelo face ou por e-mail pedindo que eu escrevesse algo sobre a série da Netflix “13 reasons why” (“Os 13 porquês”, baseado no best-seller homônimo lançado em 2007 sobre o suicídio de uma adolescente nos Estados Unidos) que reservei o dia de hoje para uma maratona cansativa assistindo aos filmes na telinha do computador.

Antes de compartilhar minha opinião sobre a série, segue um breve resumo do enredo (se você tem aversão a spoilers, pule os próximos dois parágrafos).

A série começa com um fato consumado: o suicídio da jovem Hannah Baker, e o cuidado que ela teve – antes de se matar – de registrar em 13 diferentes gravações as situações e os personagens que teriam de alguma forma contribuído para a decisão de se matar.

Bullying, drogas, depressão, assédio, homofobia, violência sexual e outros problemas recorrentes na escola onde Hanna estuda – e em tantas outras escolas pelo mundo – tornam a vida da protagonista uma experiência cada vez mais angustiante. Castigada por sucessivas decepções e frustrações, sem ter com quem compartilhar sua dor, ela se percebe subitamente sem saída. É quando resolve se matar.

Sou contra qualquer censura e não tenho competência para fazer crítica de cinema. Mas desde 1999 venho estudando o fenômeno do suicídio e um resumo desse trabalho encontra-se disponível no livro “Viver é a melhor opção: a prevenção do suicídio no Brasil e no mundo” (Ed. Correio Fraterno, 2015).

É assustadora a forma como a série da Netflix atropela várias recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre como se deve abordar o problema do suicídio em obras de ficção. A ótima ideia de expor o problema do suicídio entre jovens – um tema relevante que deveria inspirar mais roteiristas – ignorou alguns cuidados básicos indicados pelos profissionais de saúde especializados no assunto (“suicidólogos”).

Poucas vezes no cinema uma cena de suicídio foi mostrada com tamanho realismo e brutalidade. É uma aula mórbida sobre como promover o autoextermínio numa banheira. Violência desnecessária, tragicamente didática e infortunadamente sugestiva.

Antevendo as críticas, a Netflix abre o capítulo com um texto onde se lê a seguinte mensagem: “este episódio contém cenas que alguns espectadores podem considerar perturbadoras e/ou podem não ser adequadas para públicos mais jovens”. Será que funciona como álibi? Não para a OMS.

Após encerrar a maioria das gravações – em que aponta nominalmente os “culpados” por seu mal estar existencial – Hannah se sente melhor por ter “despejado tudo”. Diz ela no filme: “senti que talvez pudesse vencer isso. Eu decidi dar mais uma chance à vida. Desta vez eu ia pedir ajuda. Por que sei que não podia fazer isso sozinha”. É quando ela procura o profissional que oferece os serviços de “conselheiro” na escola onde estuda. Cria-se a expectativa de que finalmente Hannah terá a ajuda e o apoio necessários para sair do buraco em que se encontra.

A conversa com o conselheiro da escola é difícil, dolorida, e decepcionante. Hannah hesita em seguir em frente – principalmente quando o assunto é o estupro sofrido por um colega de escola – e deixa abruptamente a sala onde o atendimento acontecia, apesar dos apelos feitos pelo conselheiro para que continuasse a conversa. Ela fecha a porta, pára do lado de fora e fica na expectativa de que o profissional saia da sala e a procure. Mas isso não acontece. É a derradeira frustração antes de cometer suicídio. Não sem antes deixar gravado o relato sobre seu desapontamento com o profissional da escola que não agiu exatamente como ela esperava.

A série é inspiradora – no mau sentido – para que jovens depressivos e angustiados não percebam outra saída que não a própria morte. Pior: sugere que suicidas em potencial registrem em gravações ou anotações os “culpados” pelos seus infortúnios, e punam através do suicídio aqueles que lhe faltaram quando mais precisavam. O suicídio como pretexto para se vingar de alguém, aliás, é um comportamento patológico. Mas a personagem principal da série não parece alguém que possua algum distúrbio. Pelo contrário. O relato sereno e lúcido de Hannah nas gravações sugere que o suicídio possa ser a resposta esperada, previsível, diante de tantas desilusões e sofrimentos. Será? Segundo a Organização Mundial de Saúde, em pelo menos 90% dos casos, os suicídios estão relacionados a patologias de ordem mental, diagnosticáveis e tratáveis, principalmente a depressão.

Além do “Efeito Werther” (a constatação de que o suicídio é inspirador para pessoas fragilizadas psíquica ou emocionalmente) a série da Netflix promove também a vitimização do suicida, justificando o autoextermínio de Hannah por tudo o que lhe aconteceu. Como se diante de tantas experiências dolorosas, não houvesse mesmo outra saída. Como se os outros – quando não fazem exatamente aquilo que esperamos deles – pudessem ser responsabilizados pelo suicídio de alguém.

Num mundo onde o suicídio é caso de saúde pública, e o autoextermínio de jovens vem aumentando de forma preocupante, espera-se que outras séries possam ser mais cuidadosas e responsáveis na abordagem do tema.”

André Trigueiro

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Depressão: Ninguém escolhe ficar depressivo.

Por andreflavionb em Depressão, Psicologia

14 de Março de 2017

Depressão: Um dos primeiros sinais clássicos é Anedonia ( perda da capacidade de sentir prazer por coisas que geralmente sentia)

De repente um dia…

Você acorda sem motivação para fazer nada. Aliás, você não consegue ver sentido para fazer nada. Não consegue ver boas expectativas. O futuro e o presente são apenas uma mancha cinza na sua vida.

Sabe aquele lugar que você gostava de ir? Sabe aquele seu passatempo favorito? Aquela comida que você amava? Sua série favorita? Aquela ida ao cinema? De repente tudo isso que te alegrava, animava seu dia, te dava prazer, não existe mais.
Se essas coisas tivessem evaporado do mapa ou deixado de existir, talvez você sentisse até um reconforto: ” Eu sei o que me animaria agora, mas infelizmente não tem mais”. O problema é que todas essas coisas estão presente e você nota, para seu desespero, que não te animam mais, não te traz mais nenhum prazer.
A sua memória e atenção começam a te deixar na mão. Você esquece coisas e atividades que jamais achava que iria esquecer.
Você começa a adoecer com qualquer coisa. Um pequeno resfriado chega até você como uma fortíssima gripe.
Tudo vai perdendo a graça e o brilho aos poucos, até a comida perde o sabor e se transforma em apenas mais uma obrigação que você tem que cumprir.
Você sente que está preso dentro de si, dentro de algo escuro, sem perspectiva de melhoria alguma.
Pensamentos questionando sua utilidade no mundo começam a invadir sua mente. Você começa a se achar a pior de todas as criaturas. Começa a se achar um fardo na vida das pessoas.
O choro vem do nada, é como algo que você precisa botar pra fora.
Para piorar, você não sabe dizer exatamente o motivo de estar se sentido assim e isso te desespera ainda mais. Simplesmente aconteceu.
Imagine sentir tudo isso um único dia. Não é uma tortura? Agora imagine sentir isso de forma crônica, dia após dia?
Essa é a vida de uma pessoa que sofre com os sintomas da doença que é a segunda maior causa de morte no mundo: A Depressão.
Tratar alguém que está com depressão como “isso é frescura! Reage menino!! Se levanta da cama!” É o mesmo que pedir para alguém que está com hemorragia causada por dengue que “para de sangrar menino!! Deixa de frescura!”. É simplesmente ridículo e ofensivo, pois, assim como qualquer outra doença, ninguém escolhe ficar depressivo.
E como qualquer doença grave, deve ser tratada com máxima seriedade . Só medicação apenas NÃO RESOLVE e, em casos graves, só terapia também NÃO RESOLVE.
Depressão deve ser encarada como uma doença grave SIM e que precisa de tratamento (como em qualquer doença) logo no começo dos primeiros sintomas. Quanto mais tempo passa-se sem o devido tratamento, mais perdas (sociais, pessoais, profissionais e até risco de vida) e mais difícil é o tratamento.



A pergunta é: Você vai deixar seu quadro se agravar ?

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Depressão: Ninguém escolhe ficar depressivo.

Por andreflavionb em Depressão, Psicologia

14 de Março de 2017

Depressão: Um dos primeiros sinais clássicos é Anedonia ( perda da capacidade de sentir prazer por coisas que geralmente sentia)

De repente um dia…

Você acorda sem motivação para fazer nada. Aliás, você não consegue ver sentido para fazer nada. Não consegue ver boas expectativas. O futuro e o presente são apenas uma mancha cinza na sua vida.

Sabe aquele lugar que você gostava de ir? Sabe aquele seu passatempo favorito? Aquela comida que você amava? Sua série favorita? Aquela ida ao cinema? De repente tudo isso que te alegrava, animava seu dia, te dava prazer, não existe mais.
Se essas coisas tivessem evaporado do mapa ou deixado de existir, talvez você sentisse até um reconforto: ” Eu sei o que me animaria agora, mas infelizmente não tem mais”. O problema é que todas essas coisas estão presente e você nota, para seu desespero, que não te animam mais, não te traz mais nenhum prazer.
A sua memória e atenção começam a te deixar na mão. Você esquece coisas e atividades que jamais achava que iria esquecer.
Você começa a adoecer com qualquer coisa. Um pequeno resfriado chega até você como uma fortíssima gripe.
Tudo vai perdendo a graça e o brilho aos poucos, até a comida perde o sabor e se transforma em apenas mais uma obrigação que você tem que cumprir.
Você sente que está preso dentro de si, dentro de algo escuro, sem perspectiva de melhoria alguma.
Pensamentos questionando sua utilidade no mundo começam a invadir sua mente. Você começa a se achar a pior de todas as criaturas. Começa a se achar um fardo na vida das pessoas.
O choro vem do nada, é como algo que você precisa botar pra fora.
Para piorar, você não sabe dizer exatamente o motivo de estar se sentido assim e isso te desespera ainda mais. Simplesmente aconteceu.
Imagine sentir tudo isso um único dia. Não é uma tortura? Agora imagine sentir isso de forma crônica, dia após dia?
Essa é a vida de uma pessoa que sofre com os sintomas da doença que é a segunda maior causa de morte no mundo: A Depressão.
Tratar alguém que está com depressão como “isso é frescura! Reage menino!! Se levanta da cama!” É o mesmo que pedir para alguém que está com hemorragia causada por dengue que “para de sangrar menino!! Deixa de frescura!”. É simplesmente ridículo e ofensivo, pois, assim como qualquer outra doença, ninguém escolhe ficar depressivo.
E como qualquer doença grave, deve ser tratada com máxima seriedade . Só medicação apenas NÃO RESOLVE e, em casos graves, só terapia também NÃO RESOLVE.
Depressão deve ser encarada como uma doença grave SIM e que precisa de tratamento (como em qualquer doença) logo no começo dos primeiros sintomas. Quanto mais tempo passa-se sem o devido tratamento, mais perdas (sociais, pessoais, profissionais e até risco de vida) e mais difícil é o tratamento.



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