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O Psicólogo

por André Flávio Nepomuceno Barbosa

conflitos familiares

CONFLITOS FAMILIARES: A TEORIA DO ESTEREÓTIPO IMUTÁVEL.

Por andreflavionb em conflitos familiares

26 de julho de 2018

CONFLITOS FAMILIARES: A TEORIA DO ESTEREÓTIPO IMUTÁVEL.

CONFLITOS FAMILIARES: A TEORIA DO ESTEREÓTIPO IMUTÁVEL.

Hoje falaremos sobre uma teoria que venho desenvolvendo sobre uma das principais causas de conflitos familiares, uma nova distorção cognitiva: o estereótipo imutável.

Sabe aquela queixa, um tanto quanto clichê de; “Minha mãe ainda acha que eu sou uma criança!”?, pois bem, ela é real e ocorre em todos os setores familiares; também achamos que nossa mãe, nosso irmão, irmã, tio, tia, primo, vô, vó.. não mudam.

Isso ocorre por um método preguiçoso de nosso cérebro de não querer repensar memorias já consolidadas de longo prazo. Antigamente, essa estratégia de não repensar fazia sentido, pois evitava gasto de energia desnecessário.

Como assim gasto de energia?

Acredite ou não; pensar gera gastos de energia metabólica corporal. Cada pensamento que você tem é uma onda eletroquímica gasta em seu cérebro. Imagine nuvens carregadas e vários relâmpagos; o espaço entre uma nuvem e outra chamaremos de sinapses, e cada raio disparado é um pensamento ou circuito neural automático gasto.

Para se ter uma leve noção do tamanho desse gasto, quando estamos dormindo, nosso cérebro gasta cerca de 30% do total de energia corpórea produzida. Imagine quando estamos pensando e repensando? (Exatamente por isso, quando uma pessoa é muito ansiosa – pensamentos acelerados – possui uma tendência maior de querer consumir alimentos calóricos. Essa vontade de comer quando se está ansiosa é um mecanismo cerebral para compensar o gasto de energia pensando em desgraça 24h por dia.).

Portanto, antigamente, há 150 mil anos atrás, quando os primeiros Homo Sapiens surgiram, era vital poupar energia, pois não havia alimentos disponíveis em fastfoods para repor os gastos calóricos perdidos/ desperdiçados em pensamentos. Por isso repensar sobre as coisas, pessoas, vida, passou a ser encarado pelo nosso cérebro como inimigo número 1 da sobrevivência humana.

Acontece que ainda hoje carregamos em nosso DNA esse hábito cognitivo de evitar repensar sobre memórias já consolidadas. Agora você conseguiu entender porquê aquele ditado “a primeira impressão é a que fica” é tão usada e real? Devemos isso ao sistema econômico cerebral.

Exatamente por conta desse mecanismo cerebral que temos uma equivocada tendência a acreditar que nossos pais ainda são as mesmas pessoas, que nosso irmão não muda, “continua o mesmo irresponsável de sempre”, que é importante não contar nada para tia Joaquina, pois ela poderá contar para todo mundo, que o primo Xiquinho continua não levando nenhum relacionamento a sério…

Sabe o que é mais engraçado disso tudo? É que temos uma nítida consciência de que a gente muda, pergunto: você acha que ainda é a mesmíssima pessoa de 6 meses atrás? Geralmente achamos que estamos em constante evolução, mas somos incapazes de acreditar que o outro também pode mudar da mesma forma. Estranho, incoerente, mas é real.

Criamos estereótipos mentais IMUTÁVEIS de nossos familiares para evitar repensar e evitar surpresas. “Não vou nem contar nada para João, pois ele é bocão.”. “Melhor não emprestar dinheiro para Tia Cintia, pois ela não paga.”. “Não vou emprestar o carro para Fernando pois ele é irresponsável”.

Geralmente não toleramos esses estereótipos quando somos vítimas deles, mas não temos problemas algum em utiliza-lo com os outros.

Não suportamos sermos vistos como erámos a 15 anos atrás, isso dói como se o outro apagasse, deliberadamente, de minha existência, toda história evolutiva de minha vida pessoal. Ser tratado como um moleque de 12 anos, quando temos mais de 20 nos causa uma angústia sem fim e, quando não raro, explosões de raiva. Dai as brigas e desentendimentos familiares.

Agora sabe qual a maior pegadinha cerebral disso tudo?

É que temos uma coisa chamada comportamento automático que são mantidos por determinadas contingências (situações) gravadas em nosso hipocampo por dopamina (que forma nossa memória de longo prazo), e esses comportamentos costumam surgir, quase involuntariamente (daí o termo: comportamento automático) quando estamos vivendo uma contingência repetida (e aprendida).

Calma eu explico; Em outras palavras, isso significa que, apesar de termos consciência de nossa evolução cronológica ( não somos mais os mesmos sujeitos de quando tínhamos 10 anos de idade, certo?), quando somos tratados da forma de como erámos no passado ( tratado como criança, por exemplo.), temos uma grande tendência de apresentar o mesmo comportamento que tínhamos lá atrás (ou, na melhor das hipóteses, um comportamento similar). Portanto, mesmo sem querer, acabamos alimentando a percepção de que continuamos os mesmos, imutáveis.

Em casais essa distorção ocorre quase de forma consciente: “Para que eu vou mudar se ela ainda continua achando que eu sou o mesmo de quando começamos?”.

Sim, é um jogo de xadrez complicado, mas nada no psiquismo humano é simples.

O que podemos fazer desde agora é por o cérebro para trabalhar e repensar e sair do automático.

Repensar sobre os conceitos que temos sobre o outro que estão congelados (imutáveis), pois afinal, é mais coerente (e inteligente) entender que: se não somos os mesmos de 4 meses atrás, porque o outro também não pode ter evoluído? Mudado? Ou só você acha que tem o dom da evolução humana que lhe foi dado com a mesma probabilidade de quem ganha na megasena?

O outro ponto é também repensar sobre os nossos comportamentos automáticos; Quais comportamentos eu ando tendo perante meus familiares que podem estar alimentando a crença de que ainda sou a mesma pessoa, parada no tempo, de 15 anos atrás?

 

André Barbosa

85 98813-9593

Psicoterapeuta Cognitivo-Comportamental

Instagram – O psicólogo.

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CONFLITOS FAMILIARES: A TEORIA DO ESTEREÓTIPO IMUTÁVEL.

Por andreflavionb em conflitos familiares

26 de julho de 2018

CONFLITOS FAMILIARES: A TEORIA DO ESTEREÓTIPO IMUTÁVEL.

CONFLITOS FAMILIARES: A TEORIA DO ESTEREÓTIPO IMUTÁVEL.

Hoje falaremos sobre uma teoria que venho desenvolvendo sobre uma das principais causas de conflitos familiares, uma nova distorção cognitiva: o estereótipo imutável.

Sabe aquela queixa, um tanto quanto clichê de; “Minha mãe ainda acha que eu sou uma criança!”?, pois bem, ela é real e ocorre em todos os setores familiares; também achamos que nossa mãe, nosso irmão, irmã, tio, tia, primo, vô, vó.. não mudam.

Isso ocorre por um método preguiçoso de nosso cérebro de não querer repensar memorias já consolidadas de longo prazo. Antigamente, essa estratégia de não repensar fazia sentido, pois evitava gasto de energia desnecessário.

Como assim gasto de energia?

Acredite ou não; pensar gera gastos de energia metabólica corporal. Cada pensamento que você tem é uma onda eletroquímica gasta em seu cérebro. Imagine nuvens carregadas e vários relâmpagos; o espaço entre uma nuvem e outra chamaremos de sinapses, e cada raio disparado é um pensamento ou circuito neural automático gasto.

Para se ter uma leve noção do tamanho desse gasto, quando estamos dormindo, nosso cérebro gasta cerca de 30% do total de energia corpórea produzida. Imagine quando estamos pensando e repensando? (Exatamente por isso, quando uma pessoa é muito ansiosa – pensamentos acelerados – possui uma tendência maior de querer consumir alimentos calóricos. Essa vontade de comer quando se está ansiosa é um mecanismo cerebral para compensar o gasto de energia pensando em desgraça 24h por dia.).

Portanto, antigamente, há 150 mil anos atrás, quando os primeiros Homo Sapiens surgiram, era vital poupar energia, pois não havia alimentos disponíveis em fastfoods para repor os gastos calóricos perdidos/ desperdiçados em pensamentos. Por isso repensar sobre as coisas, pessoas, vida, passou a ser encarado pelo nosso cérebro como inimigo número 1 da sobrevivência humana.

Acontece que ainda hoje carregamos em nosso DNA esse hábito cognitivo de evitar repensar sobre memórias já consolidadas. Agora você conseguiu entender porquê aquele ditado “a primeira impressão é a que fica” é tão usada e real? Devemos isso ao sistema econômico cerebral.

Exatamente por conta desse mecanismo cerebral que temos uma equivocada tendência a acreditar que nossos pais ainda são as mesmas pessoas, que nosso irmão não muda, “continua o mesmo irresponsável de sempre”, que é importante não contar nada para tia Joaquina, pois ela poderá contar para todo mundo, que o primo Xiquinho continua não levando nenhum relacionamento a sério…

Sabe o que é mais engraçado disso tudo? É que temos uma nítida consciência de que a gente muda, pergunto: você acha que ainda é a mesmíssima pessoa de 6 meses atrás? Geralmente achamos que estamos em constante evolução, mas somos incapazes de acreditar que o outro também pode mudar da mesma forma. Estranho, incoerente, mas é real.

Criamos estereótipos mentais IMUTÁVEIS de nossos familiares para evitar repensar e evitar surpresas. “Não vou nem contar nada para João, pois ele é bocão.”. “Melhor não emprestar dinheiro para Tia Cintia, pois ela não paga.”. “Não vou emprestar o carro para Fernando pois ele é irresponsável”.

Geralmente não toleramos esses estereótipos quando somos vítimas deles, mas não temos problemas algum em utiliza-lo com os outros.

Não suportamos sermos vistos como erámos a 15 anos atrás, isso dói como se o outro apagasse, deliberadamente, de minha existência, toda história evolutiva de minha vida pessoal. Ser tratado como um moleque de 12 anos, quando temos mais de 20 nos causa uma angústia sem fim e, quando não raro, explosões de raiva. Dai as brigas e desentendimentos familiares.

Agora sabe qual a maior pegadinha cerebral disso tudo?

É que temos uma coisa chamada comportamento automático que são mantidos por determinadas contingências (situações) gravadas em nosso hipocampo por dopamina (que forma nossa memória de longo prazo), e esses comportamentos costumam surgir, quase involuntariamente (daí o termo: comportamento automático) quando estamos vivendo uma contingência repetida (e aprendida).

Calma eu explico; Em outras palavras, isso significa que, apesar de termos consciência de nossa evolução cronológica ( não somos mais os mesmos sujeitos de quando tínhamos 10 anos de idade, certo?), quando somos tratados da forma de como erámos no passado ( tratado como criança, por exemplo.), temos uma grande tendência de apresentar o mesmo comportamento que tínhamos lá atrás (ou, na melhor das hipóteses, um comportamento similar). Portanto, mesmo sem querer, acabamos alimentando a percepção de que continuamos os mesmos, imutáveis.

Em casais essa distorção ocorre quase de forma consciente: “Para que eu vou mudar se ela ainda continua achando que eu sou o mesmo de quando começamos?”.

Sim, é um jogo de xadrez complicado, mas nada no psiquismo humano é simples.

O que podemos fazer desde agora é por o cérebro para trabalhar e repensar e sair do automático.

Repensar sobre os conceitos que temos sobre o outro que estão congelados (imutáveis), pois afinal, é mais coerente (e inteligente) entender que: se não somos os mesmos de 4 meses atrás, porque o outro também não pode ter evoluído? Mudado? Ou só você acha que tem o dom da evolução humana que lhe foi dado com a mesma probabilidade de quem ganha na megasena?

O outro ponto é também repensar sobre os nossos comportamentos automáticos; Quais comportamentos eu ando tendo perante meus familiares que podem estar alimentando a crença de que ainda sou a mesma pessoa, parada no tempo, de 15 anos atrás?

 

André Barbosa

85 98813-9593

Psicoterapeuta Cognitivo-Comportamental

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