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O Psicólogo

por André Flávio Nepomuceno Barbosa

concursos

Entrevista com o promotor de Justiça Rafhael Nepomuceno “uma das principais causas da reprovação em concurso público é a falta de equilíbrio emocional”

Por andreflavionb em concursos, Psicologia

31 de Março de 2017

“uma das principais causas da reprovação em concurso público é a falta de equilíbrio emocional”

Essa semana entrevisto o promotor de justiça do MP/CE, Rafhael Nepomuceno. Conversamos um pouco sobre os desafios dos concurseiros e sobre a importância de um bom equilíbrio emocional.

Boa tarde, para iniciarmos, conta pra gente um pouco da sua carreira e os caminhos que o trouxeram até aqui. 

Cursei faculdade de Ciências da Computação, e, durante o curso, resolvi prestar alguns concursos públicos de nível médio. Foi quando tive meu primeiro contato com o Direito e me apaixonei. Resolvi fazer vestibular pra Direito, passei, e decidi abandonar Computação. Quando me formei, logo decidi estudar para concursos públicos, tendo como foco principal a carreira do Ministério Público. Advoguei por muito pouco tempo na área cível até passar no concurso de Analista Judiciário da Justiça Federal do Maranhão, onde fiquei por dois anos e meio. Depois, passei no concurso do Ministério Público de Alagoas e, logo após, passei e tomei posse no meu cargo atual cargo, Promotor de Justiça do MP/CE, em que logrei a 2a posição no certame. Pouco tempo depois, fui convidado para lecionar no curso MEGE preparatório para carreiras jurídicas, onde hoje, além de ensinar, coordeno turmas de alunos que desejam aprender a se preparar para concursos do Ministério Público. Sou pós-graduado em Direito Civil e Processual Civil pela UNISEB, pós-graduando em Corrupção, controle e repressão a desvio de recursos públicos pela Estácio de Sá. Além disso, sou Coach Profissional com formação pela Sociedade Latino Americana de Coaching.

Pode-se dizer que você alcançou seu objetivo de vida?

Meu objetivo profissional, certamente. Desde o colégio tive um grande encanto com a arte de ensinar, e decidi que um dia na minha vida faria isso também. Quando me formei em Direito, decidi que não sossegaria enquanto não passasse num concurso para membro do Ministério Público. Hoje sou Promotor de Justiça e leciono num dos maiores cursos preparatórios do país para concursos públicos. Sou muito grato a Deus pelas bênçãos que recebi e à minha família por terem me fornecido todo suporte para eu realizar os meus sonhos.

Na sua opinião o que não pode faltar na personalidade de um concurseiro?  E por que?

Há tempos atrás eu diria que para passar em concurso público basta ter muita determinação, mas hoje não basta só isso. Com certeza esse é um elemento essencial que não pode faltar na personalidade de um concurseiro. Porém, o estudo para concursos públicos está cada vez mais profissional. Por isso, de nada adianta o árduo suor se não houver um planejamento específico pro concurso que você almeja, uma estratégia de estudos bem definida, uma organização didática e que tudo isso esteja aliado a uma boa carga de disciplina e equilíbrio emocional.

Quais os maiores desafios nessa caminhada? E como enfrenta-los?

As renúncias e abdicações. O concurseiro, no momento em que toma a decisão de estudar para certames, sabe que está abrindo mão de muita coisa. O tempo se torna cada vez mais exíguo, os amigos cobram sua presença em eventos sociais que você não pode comparecer, e até muitas vezes a convivência familiar fica de certa forma sacrificada. Isso, em menor ou maior grau, acontece com a maioria dos concurseiros, e não é fácil manter-se sempre focado e motivado quando você vê um mundo circulando ao seu redor – e você não está nele. Pode parecer clichê, mas a melhor forma de enfrentar isso é buscar enxergar que, no final, tudo vai valer à pena. Tudo. Não me arrependo um só segundo de ter entrado nessa luta, e nem conheço alguém que se arrependa.

É possível se dedicar aos estudos sem motivação (sem vontade de estudar)?

Jamais. É muito simples você dizer que, para passar em concurso, você deve se manter sempre determinado, focado e motivado. Mas colocar isso em prática é um exercício diário, e, se não houve uma boa base psicológica por trás, seu equilíbrio acaba sendo afetado. Ouso dizer, sem base estatística nenhuma, mas com uma grande experiência de campo, que uma das principais causas da reprovação em concurso público é a falta de equilíbrio emocional. Já vi (e continuo vendo) muitas pessoas capacitadíssimas que ficam no meio do caminho porque não suportaram a pressão. Não quero, com isso, assustar quem deseja iniciar uma trajetória de estudo para concursos públicos. É possível sim conviver de forma saudável com essa rotina. Mas o exercício de motivação tem que ser diário, e você deve se preparar físico e psicologicamente pra uma vida um pouco diferente.

A ansiedade e estresse está presente na vida do concurseiro. Na sua opinião, isso afeta a qualidade de estudo, memória e aprendizagem? E quais suas táticas para enfrentar essas adversidades?

Afeta sim. Quanto maior for a ansiedade, o estresse e a carga emocional abalada, pior é, consequentemente, a qualidade do estudo. Concurseiros não são máquinas, todos têm suas ansiedades, inseguranças e incertezas. A principal é a mais óbvia: “Será que um dia eu vou mesmo conseguir passar?”. Além de professor, sou mentor de turmas de concurseiros que buscam um norte para a sua preparação, e, com isso, acabo compartilhando toda essa ansiedade e estresse. A principal tática é a boa e velha paciência. Existe um lema que diz: “não é você que escolhe o concurso, é o concurso que lhe escolhe. O concurseiro tem que ter a paciência de aguardar a sua hora. Podemos plantar a melhor semente, no solo mais fértil, com adubo de primeira qualidade e ter todas as condições climática favoráveis. Mas se não tivermos paciência para aguardar o fator tempo, essa planta não brotará. Com concurseiro é a mesma coisa. Você pode estudar com determinação, disciplinar, foco, organização, estratégia, planejamento, mas se não tiver paciência de esperar o seu momento, de nada vai adiantar. Conhece a história do bambu chinês, que, durante anos, o crescimento é subterrâneo. Quem vê de fora não enxerga o resultado. Porém, quando ele desabrota, atinge uma altura e uma firmeza que nenhum outro é capaz de superar. Assim é o concurseiro: existem um período de maturação, mas, quando os resultados chegam, ninguém mais segura.

Você pensou em desistir em algum momento? Caso sim, o que fez você se manter na caminhada?

Sim, mas nunca levei esse pensamento a sério por mais de um minuto. Costumo dizer que concurso foi feito pra dar porrada, e o concurseiro foi feito para apanhar. A reprovação é a grande regra geral. A aprovação é a exceção. Assim, é natural que depois de tanta porrada, você pense em jogar a toalha. O que me fazia pensar em não desistir era simplesmente pensar em todo o caminho que eu já havia percorrido. Então eu me perguntava: “Isso tudo foi pra nada?”. Institivamente eu me respondia: “Claro que não! Só posso parar quando eu atingir meu objetivo.”.

Por que muitos concurseiros preferem estudar fora de casa, mesmo tendo espaço apropriado para estudo dentro de casa?

É como sair para trabalhar: é um local de estudo profissional. Eu digo que, certamente, estudar em uma sala de estudos foi determinante para atingir meus resultados. Talvez eu até tivesse atingido sem, mas foi nas salas de estudos que eu conheci pessoas que estavam passando pelo mesmo momento que o meu. As mesmas angústias, aflições, renúncias e abdicações. Você sente que não está sozinho nessa luta, e a solidariedade mútua é um oxigênio pra seguir a caminhada. Além disso, é um reduto de trocas de materiais, experiências, estratégias. É um ambiente em que sua família não irá lhe interromper, em que você não terá a distração de uma cama afável do lado, o barulho da faxineira ou a sedução de passear pela cozinha até chegar na geladeira. Porém, apesar e recomendável, é uma questão pessoal, pois existem pessoas que têm um bom ambiente de estudos dentro de casa e também rendem bem.

Para finalizar, é preciso ter muitas horas de estudo por dia para passar em concurso público? Existe alguma dica que você possa nos passar para o dia que antecede as provas?

Mais que muitas horas de estudo, é preciso haver disciplina. Quanto menos tempo, maior deve ser a disciplina. Percebo uma grande preocupação das pessoas que tentam conciliar estudo e trabalho com os “concurseiros profissionais”, ou seja, aqueles que possuem a disponibilidade de um dia inteiro pra estudar. A experiência prática me mostrou que, sem sombra de dúvidas, o fator “horas de estudo por dia” não é o determinante. Logicamente, deve haver um bom te

mpo por dia separado exclusivamente aos estudos. Nunca vi ninguém que estudava uma horinha por dia – quando dava tempo – e passou.  Porém, se houver uma disciplina aliada com uma estratégia e planejamento corretos, é possível chegar lá. E, não raras vezes, vejo pessoas com menos tempo para estudar conseguirem mais rapidamente resultados porque costumam ser mais focadas e disciplinas que concurseiros profissionais que não se utilizam do seu tempo da forma mais dedicada e inteligente.

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Entrevista com o promotor de Justiça Rafhael Nepomuceno “uma das principais causas da reprovação em concurso público é a falta de equilíbrio emocional”

Por andreflavionb em concursos, Psicologia

31 de Março de 2017

“uma das principais causas da reprovação em concurso público é a falta de equilíbrio emocional”

Essa semana entrevisto o promotor de justiça do MP/CE, Rafhael Nepomuceno. Conversamos um pouco sobre os desafios dos concurseiros e sobre a importância de um bom equilíbrio emocional.

Boa tarde, para iniciarmos, conta pra gente um pouco da sua carreira e os caminhos que o trouxeram até aqui. 

Cursei faculdade de Ciências da Computação, e, durante o curso, resolvi prestar alguns concursos públicos de nível médio. Foi quando tive meu primeiro contato com o Direito e me apaixonei. Resolvi fazer vestibular pra Direito, passei, e decidi abandonar Computação. Quando me formei, logo decidi estudar para concursos públicos, tendo como foco principal a carreira do Ministério Público. Advoguei por muito pouco tempo na área cível até passar no concurso de Analista Judiciário da Justiça Federal do Maranhão, onde fiquei por dois anos e meio. Depois, passei no concurso do Ministério Público de Alagoas e, logo após, passei e tomei posse no meu cargo atual cargo, Promotor de Justiça do MP/CE, em que logrei a 2a posição no certame. Pouco tempo depois, fui convidado para lecionar no curso MEGE preparatório para carreiras jurídicas, onde hoje, além de ensinar, coordeno turmas de alunos que desejam aprender a se preparar para concursos do Ministério Público. Sou pós-graduado em Direito Civil e Processual Civil pela UNISEB, pós-graduando em Corrupção, controle e repressão a desvio de recursos públicos pela Estácio de Sá. Além disso, sou Coach Profissional com formação pela Sociedade Latino Americana de Coaching.

Pode-se dizer que você alcançou seu objetivo de vida?

Meu objetivo profissional, certamente. Desde o colégio tive um grande encanto com a arte de ensinar, e decidi que um dia na minha vida faria isso também. Quando me formei em Direito, decidi que não sossegaria enquanto não passasse num concurso para membro do Ministério Público. Hoje sou Promotor de Justiça e leciono num dos maiores cursos preparatórios do país para concursos públicos. Sou muito grato a Deus pelas bênçãos que recebi e à minha família por terem me fornecido todo suporte para eu realizar os meus sonhos.

Na sua opinião o que não pode faltar na personalidade de um concurseiro?  E por que?

Há tempos atrás eu diria que para passar em concurso público basta ter muita determinação, mas hoje não basta só isso. Com certeza esse é um elemento essencial que não pode faltar na personalidade de um concurseiro. Porém, o estudo para concursos públicos está cada vez mais profissional. Por isso, de nada adianta o árduo suor se não houver um planejamento específico pro concurso que você almeja, uma estratégia de estudos bem definida, uma organização didática e que tudo isso esteja aliado a uma boa carga de disciplina e equilíbrio emocional.

Quais os maiores desafios nessa caminhada? E como enfrenta-los?

As renúncias e abdicações. O concurseiro, no momento em que toma a decisão de estudar para certames, sabe que está abrindo mão de muita coisa. O tempo se torna cada vez mais exíguo, os amigos cobram sua presença em eventos sociais que você não pode comparecer, e até muitas vezes a convivência familiar fica de certa forma sacrificada. Isso, em menor ou maior grau, acontece com a maioria dos concurseiros, e não é fácil manter-se sempre focado e motivado quando você vê um mundo circulando ao seu redor – e você não está nele. Pode parecer clichê, mas a melhor forma de enfrentar isso é buscar enxergar que, no final, tudo vai valer à pena. Tudo. Não me arrependo um só segundo de ter entrado nessa luta, e nem conheço alguém que se arrependa.

É possível se dedicar aos estudos sem motivação (sem vontade de estudar)?

Jamais. É muito simples você dizer que, para passar em concurso, você deve se manter sempre determinado, focado e motivado. Mas colocar isso em prática é um exercício diário, e, se não houve uma boa base psicológica por trás, seu equilíbrio acaba sendo afetado. Ouso dizer, sem base estatística nenhuma, mas com uma grande experiência de campo, que uma das principais causas da reprovação em concurso público é a falta de equilíbrio emocional. Já vi (e continuo vendo) muitas pessoas capacitadíssimas que ficam no meio do caminho porque não suportaram a pressão. Não quero, com isso, assustar quem deseja iniciar uma trajetória de estudo para concursos públicos. É possível sim conviver de forma saudável com essa rotina. Mas o exercício de motivação tem que ser diário, e você deve se preparar físico e psicologicamente pra uma vida um pouco diferente.

A ansiedade e estresse está presente na vida do concurseiro. Na sua opinião, isso afeta a qualidade de estudo, memória e aprendizagem? E quais suas táticas para enfrentar essas adversidades?

Afeta sim. Quanto maior for a ansiedade, o estresse e a carga emocional abalada, pior é, consequentemente, a qualidade do estudo. Concurseiros não são máquinas, todos têm suas ansiedades, inseguranças e incertezas. A principal é a mais óbvia: “Será que um dia eu vou mesmo conseguir passar?”. Além de professor, sou mentor de turmas de concurseiros que buscam um norte para a sua preparação, e, com isso, acabo compartilhando toda essa ansiedade e estresse. A principal tática é a boa e velha paciência. Existe um lema que diz: “não é você que escolhe o concurso, é o concurso que lhe escolhe. O concurseiro tem que ter a paciência de aguardar a sua hora. Podemos plantar a melhor semente, no solo mais fértil, com adubo de primeira qualidade e ter todas as condições climática favoráveis. Mas se não tivermos paciência para aguardar o fator tempo, essa planta não brotará. Com concurseiro é a mesma coisa. Você pode estudar com determinação, disciplinar, foco, organização, estratégia, planejamento, mas se não tiver paciência de esperar o seu momento, de nada vai adiantar. Conhece a história do bambu chinês, que, durante anos, o crescimento é subterrâneo. Quem vê de fora não enxerga o resultado. Porém, quando ele desabrota, atinge uma altura e uma firmeza que nenhum outro é capaz de superar. Assim é o concurseiro: existem um período de maturação, mas, quando os resultados chegam, ninguém mais segura.

Você pensou em desistir em algum momento? Caso sim, o que fez você se manter na caminhada?

Sim, mas nunca levei esse pensamento a sério por mais de um minuto. Costumo dizer que concurso foi feito pra dar porrada, e o concurseiro foi feito para apanhar. A reprovação é a grande regra geral. A aprovação é a exceção. Assim, é natural que depois de tanta porrada, você pense em jogar a toalha. O que me fazia pensar em não desistir era simplesmente pensar em todo o caminho que eu já havia percorrido. Então eu me perguntava: “Isso tudo foi pra nada?”. Institivamente eu me respondia: “Claro que não! Só posso parar quando eu atingir meu objetivo.”.

Por que muitos concurseiros preferem estudar fora de casa, mesmo tendo espaço apropriado para estudo dentro de casa?

É como sair para trabalhar: é um local de estudo profissional. Eu digo que, certamente, estudar em uma sala de estudos foi determinante para atingir meus resultados. Talvez eu até tivesse atingido sem, mas foi nas salas de estudos que eu conheci pessoas que estavam passando pelo mesmo momento que o meu. As mesmas angústias, aflições, renúncias e abdicações. Você sente que não está sozinho nessa luta, e a solidariedade mútua é um oxigênio pra seguir a caminhada. Além disso, é um reduto de trocas de materiais, experiências, estratégias. É um ambiente em que sua família não irá lhe interromper, em que você não terá a distração de uma cama afável do lado, o barulho da faxineira ou a sedução de passear pela cozinha até chegar na geladeira. Porém, apesar e recomendável, é uma questão pessoal, pois existem pessoas que têm um bom ambiente de estudos dentro de casa e também rendem bem.

Para finalizar, é preciso ter muitas horas de estudo por dia para passar em concurso público? Existe alguma dica que você possa nos passar para o dia que antecede as provas?

Mais que muitas horas de estudo, é preciso haver disciplina. Quanto menos tempo, maior deve ser a disciplina. Percebo uma grande preocupação das pessoas que tentam conciliar estudo e trabalho com os “concurseiros profissionais”, ou seja, aqueles que possuem a disponibilidade de um dia inteiro pra estudar. A experiência prática me mostrou que, sem sombra de dúvidas, o fator “horas de estudo por dia” não é o determinante. Logicamente, deve haver um bom te

mpo por dia separado exclusivamente aos estudos. Nunca vi ninguém que estudava uma horinha por dia – quando dava tempo – e passou.  Porém, se houver uma disciplina aliada com uma estratégia e planejamento corretos, é possível chegar lá. E, não raras vezes, vejo pessoas com menos tempo para estudar conseguirem mais rapidamente resultados porque costumam ser mais focadas e disciplinas que concurseiros profissionais que não se utilizam do seu tempo da forma mais dedicada e inteligente.