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O Psicólogo

por André Flávio Nepomuceno Barbosa

Fevereiro 2018

Vitimismo: qual sua responsabilidade pelas coisas ruins que acontecem em sua vida?

Por andreflavionb em vitimismo

25 de Fevereiro de 2018

Vitimismo: qual sua responsabilidade pelas coisas ruins que acontecem em sua vida? *imagem retirada amazonaws

Vitimismo: qual sua responsabilidade pelas coisas ruins que acontecem em sua vida?

Tenho observado, cada vez mais, pessoas que vivem em uma espécie de prisão comportamental. São pessoas que estão sempre se queixando de seus relacionamentos instáveis, problemas no trabalho, familiares…

Este é o mundo de uma das distorções cognitivas que mais destroem relações afetivas, empregos, relações sociais, famílias; o vitimismo. Trata-se de uma forma distorcida de perceber o mundo. Pessoas com essa distorção possuem uma grande tendência de culpar 100% o mundo pelo resultado de suas escolhas e comportamentos.

É como se todos fossem maus e culpados pelo meu sofrimento, menos eu. Eu acabo me sentindo incapaz (ou com muita dificuldade) de buscar a minha felicidade. Como se fosse dever do outro me fazer feliz, não meu.

Parece uma prisão, pois, aparentemente, essas pessoas relatam fazer de tudo para mudar a condição ruim de suas vidas; trocam de empregos, terminam relacionamentos, começam outros, mas trocam-se apenas os personagens, ambientes, empregos e a história permanece a mesma.

Existe algo em comum nesses relatos; a maioria dessas pessoas sentem-se vítima do destino. Sentem como fosse “um carma”, destinadas a serem infelizes, dai perdem a esperança por lutar por coisas melhores. Acostumam-se com o ruim. “Meu relacionamento está uma bosta, mas pra que terminar? Nada vai mudar mesmo…”. “Eu só tenho chefe escroto, é impressionante, fazer o que?”.

Pessoas com essa distorção (vitimismo) sabem que o relacionamento está ruim, que está sendo traída, mas preferem manter o relacionamento a arriscar “encontrar outro pior”.

Quando sou assaltado, ou sofro um acidente, ou uma violência, sim eu sou uma vitima. Isso significa que, por questões meramente de azar, foi a minha vez. Eu tenho como prever um acidente? Prever um assalto? Quando sinto-me vítima de algo, penso, automaticamente, que algo aconteceu contra minha pessoa, independente de meu controle e vontade. Isso é ser vitima. Eu não tenho poder de ação sobre algo que está fora do meu controle.

O problema é quando a gente se sente vítima do mundo a toda hora. Quando faço isso, mesmo inconscientemente, a mensagem que passo para meu cérebro é: “não dá para fazer nada para melhorar, pois está fora do meu controle”. Ou não vejo motivos para mudar, pois o “problema é o mundo, não eu.”.

Alguns relatos que exemplificam o vitimismo:

  • Eu sou fria, não dou carinho, não dou atenção e culpo o outro pela esfriamento da relação. Esqueço-me de todas as vezes que o outro me pediu carinho, atenção, procurou-me e eu neguei, ou fiz ouvido de “mercador”. 
  • Não sou presente em minha relação e sinto raiva quando o outro prefere os amigos do que a mim. 
  • Eu brigo por qualquer coisa, sou excessivamente ciumenta, impulsiva, explosiva, intolerante, e me sinto vítima por meu namorado ter terminado comigo e me “trocado” por outra.
  • Sempre que meus amigos me chamavam para sair eu inventava uma desculpa, nunca ia, agora que estou solteiro, sinto-me muito magoado com a turma porque estão saindo e não me chamam. Estou sentindo-me isolado. Sozinho
  • Sempre chegava atrasado em meu trabalho, não cumpria com minhas obrigações, mas culpo meu chefe por ter sido insensível e  ter me demitido.
  • Eu não estudei absolutamente nada da matéria, mas sinto-me vítima do zero que tirei na prova. O problema é o professor!
  • Eu tenho tendência a engordar e estou acima do peso, graças a genética “ruim” que meus pais me repassaram.
  • Eu sempre sofro em meus relacionamentos. Mesmo sendo gente boa. Não adianta. Meu namoro terminou recentemente. Fui traída. Não sei o que há de errado comigo, eu sou carinhosa, compreensiva, até, no inicio do namoro, peguei várias mensagens de meu namorado dando em cima de outras meninas, coisas pesadíssimas, com troca de nudes e tudo, mas passamos apenas 1 semana brigados, eu p perdoei. Confiei no que ele disse, que não tinha passado de mensagens…

Veja bem, você pode ser vítima sim de um relacionamento ruim, vítima de uma traição, vítima de um emprego ruim, mas se você não entender qual sua responsabilidade em cima das coisas ruins que acontecem na sua vida, você jamais conseguirá sair de onde está. Sentir-se apenas vítima é sentar, chorar, cruzar os braços, querer carinho e consolo de todos (piedade) com minha situação e esperar por mais coisas ruins.

É preciso entender onde erramos. Será que me valorizei o suficiente? Será que fui aceitando coisas erradas demais? Será que fui responsável com meu emprego? Será que dei atenção a minha namorada? Será que fui um marido presente? Será que fiquei calada empurrando problema para debaixo do tapete, esperando o relacionamento melhorar por osmose?

Sim, coisas ruins acontecem, mas é nossa responsabilidade pegar essa dor e transformar em aprendizagem para melhorar nossa vida, nossos relacionamentos familiares, sociais, afetivos e profissionais.

Meu relacionamento está ruim, mas o que eu posso fazer para melhorar?

Meu emprego está ruim, mas o que eu posso fazer para ser feliz na minha profissão?

Tenho uma genética ruim, estou acima do peso, mas é minha responsabilidade, caso eu queira, recuperar minha forma.

Venhamos e convenhamos, é melhor culpar o outro pelo nosso fracasso, não é? Sentir-se vitima de tudo é, inicialmente ( e a curto prazo), até confortante, pois quando não nos responsabilizamos pelo que acontece em nossa vida a gente não precisa gastar energia para mudar, realizar uma analise profunda de nosso comportamento, fazer uma autocrítica “chata”…

Sim, sentir-se vítima de tudo, tem um prazer secundário forte. Ser traído dói, mas receber apoio dos amigos, da família, sentir-se cheia de atenção é prazeroso. Falar que meu chefe foi intolerante, é melhor do que gastar energia para mudar. Falar que o professor é ruim e severo, é melhor do que deixar de sair com meus amigos para estudar…

O problema é que esse prazer vai embora rapidamente e o que fica é você e a sua realidade. Enquanto não descruzarmos os braços e começarmos a atuar como protagonista, diretor e escritor de nossa própria historia, nada irá mudar, você continuará sendo um mero observador de si mesmo, sentando na cadeira do cinema, entediado, angustiado, triste, vendo o filme de sua vida em preto e branco passar, sem puder fazer nada.

André Barbosa                                                                                                                                                                                              Cognitivo comportamental – Psicólogo Clínico – CRP 11/11089

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Automutilação emocional: quando fico preso na dor de um relacionamento instável.

Por andreflavionb em automutilação emocional

06 de Fevereiro de 2018

 

 

Automutilação emocional: quando fico preso na dor de um relacionamento instável.

Automutilação emocional: quando fico preso na dor de uma relacionamento instável. 

Hoje quero falar com vocês de um conceito novo que estou nomeando de: automutilação emocional.

Esse conceito surgiu em observações clínicas e estudos de casos onde tenho notado, cada vez mais, pessoas mergulhando (ou afundando) em relacionamentos nocivos. De muita dor, angústia e sofrimento. Essa pessoas se sentem como se estivessem presas a eles. Existem também pessoas que, embora consigam terminar um relacionamento instável, sempre acabam se envolvendo em outros relacionamentos corrosivos. Como se fosse um ciclo vicioso.

De uma forma consciente a pessoa sabe que está sofrendo muito por causa do relacionamento. São relacionamentos, geralmente, pautados por agressões emocionais, instabilidade, insegurança, ciúmes patológico. Tudo de forma exacerbada.

O discurso quase sempre é o mesmo: “Todo dia é dia. É como se estivesse em uma montanha russa. Estamos bem, mas ai, do nada, a ficamos mal.”, “Quando eu vejo ele, meu coração dispara e não é de amor, é de medo dele estar de mau humor e a gente acabar brigando”, “não consigo mais me concentrar em nada quando a gente briga. É horrível porque só consigo pensar nisso, fico com medo dele me ligar terminando, ou ficar com outra… e quando o telefone toca, meu coração dispara de nervoso”.

Essas pessoas, mesmo não possuindo vínculos que as “prendam” em um relacionamento, não conseguem sair desse tipo de relacionamento. Sentem-se presas a eles. Elas sabem que vão sofrer se continuar, mas elas continuam.

 

Onde entra o conceito de automutilação emocional?

Primeiro, para entender esse novo conceito, vamos falar da automutilação física. Ao contrário do que muitos pensam, a automutilação física, geralmente, não tem uma função de ameaçar tirar a própria vida, de sentir apenas dor, embora tais sintomas comportamentais quase sempre são acompanhados de pensamentos de ideações suicidas, mas eles coexistem. Não possuem o mesmo significado, pelo contrário, a automutilação é uma forma (equivocada) que o sujeito encontrou de suportar a vida.

Acontece que essas pessoas possuem pensamentos tão terríveis, problemas internos tão profundos, que não querem enfrenta-los e a única maneira (equivocada e arriscada) que encontraram para abafar tais pensamentos foi se automutilando. Funciona como se fosse uma distração da mente. Essas pessoas acabam associando a dor ao “prazer” de abafar os pensamentos, o mundo interno.

É ai que entro com o conceito de automutilação emocional. O funcionamento psíquico é o mesmo; são pessoas que, conscientemente, sabem que estão em um relacionamento que as provocam sofrimento, dor, mas não conseguem se livrar. Argumentam que ficar sozinhas é pior. A impressão que se tem é “essa daí já gosta de sofrer, viu?”. Se formos analisar mais profundamente, iremos descobrir que essas pessoas preferem distrair a mente com os problemas do relacionamento, do que encarar seus próprios “demônios” internos. E esse relacionamento acaba sendo mantido, geralmente, pelo prazer de não encarar a si mesmo, e não pelo amor.

Lembrando que estamos falando de relacionamentos instaveis na vida afetiva mas podemos extrapolar para relacionamentos instáveis na vida social, familiar, profissional.

Em ambos os casos (automutilação física e emocional)  a psicoterapia vai dar ferramentas ao paciente de enfrentamento desses “demônios” internos para que ele acabe com o ciclo de fuga, além é claro, de na fase inicial, ensinar o paciente outras estratégias psicoterápicas de distrações da mente que não causam danos (nem físicos e nem emocionais) com exercícios que irão fortalecer o controle emocional do paciente, como por exemplo; trazer a mente para o presente.

O psicoterapeuta também deverá ajudar o paciente a fortalecer autoestima, segurança e confiança, que são ferramentas que ajudarão, a curto e longo prazo, como prevenções de recaídas.

Agora o primeiro passo rumo a mudança é entender: estou nesse tipo de relacionamento? Estou me automutilando emocionalmente?

André Barbosa | 85 98813 9593                                                                                                                                                                                  Psicólogo Clínico | CRP 11/11089                                                                                                                                                                  Terapeuta Cognitivo-Comportamental

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Manual do paciente: Dicas de como aproveitar, ao máximo, seu tempo na psicoterapia.

Por andreflavionb em Manual do paciente, Psicologia, terapia cognitivo-comportamental

01 de Fevereiro de 2018

Manual do paciente: como aproveitar, ao máximo, seu tempo na psicoterapia.
*imagem retirada facebook/opsicologooficial.

 

Manual do paciente: Dicas de como aproveitar, ao máximo, seu tempo na psicoterapia.

Hoje decidi escrever pequenas e valiosas dicas de como aproveitar, ao máximo, seu tempo na terapia, usando essa oportunidade como uma verdadeira fase transformadora em sua vida.

Escrevo não só pelo ponto de vista de um psicólogo, mas no papel de quem já fez psicoterapia, que esteve do outro lado da mesa.

Primeiro, muitos perguntam-me: “por que devo fazer terapia?”. Minha resposta sempre é: Por que não? Se você tem condições/oportunidade, não pense duas vezes, faça! Terapia além de ser um momento impar na vida (você poderá não lembrar em 20 anos se tomou determinada vacina, se fez determinado checkup, ou se fez ou não fez determinados procedimentos médicos, mas lhe garanto que você jamais esquecerá que fez terapia), irá te proporcionar um ótimo canal autoconhecimento, amadurecimento e evolução em várias esferas da vida: pessoal, social, afetiva, profissional…

Portanto,  terapia é para todos e o melhor de tudo; não possui efeito colateral.

Agora, uma vez que você já está decidido fazer terapia, vamos algumas dicas para você aproveitar ao máximo esse lindo momento de transformação:

DICAS:

1 – Verifique qual abordagem clínica do psicólogo em questão.

Para quem não sabe, existem várias abordagens (especializações/método de atendimento clínico) dentro da psicologia. As principais: Análise do comportamento, terapia cognitivo-comportamental, humanismo, sistêmico, psicodrama, psicanálise.

Cada abordagem tem um método e uma forma de tratamento. Em algumas abordagens o paciente é levado a falar na maior parte do tempo. Outras o tempo já é mais dividido. Algumas psicoterapias são mais objetivas, o paciente realiza atividades terapêuticas fora da terapia, realiza experiências comportamentais, recebe orientações diretas e objetivas, aprende técnicas de como amenizar um determinado sofrimento ou problema, outras são mais subjetivas…

Algumas psicoterapias o paciente é informado de uma previsão de fim da terapia (duração/prazo) logo nas sessões iniciais, outras não existe esse tipo de previsão.

Todas as abordagens clínicas da psicologia são interessantes, mas algumas você adapta mais, outras não, procure uma que você se identifica mais.

Posso falar, com algum propriedade, apenas da minha abordagem que é a terapia cognitivo-comportamental, onde transcrevo abaixo um trecho do que se trata a terapia cognitivo-comportamental, retirado de um dos fundadores dessa abordagem, Aroon Beck .

“A cognitivo-comportamental é uma terapia breve, prazo limitado, estruturada, orientada ao presente, direcionada a resolver problemas atuais e modificar pensamentos e comportamentos… indicada atualmente por sua eficácia cientificamente comprovada.”( BECK, 1997, p. 1).

2 – Não economize nas palavras.

Imagine você ir para uma consulta médica:

“ – Doutor, estou aqui apenas porque tenho sentido umas coisas ruins…

  • Como assim? O que são essas coisas ruins?
  • Não sei. Apenas um mal estar.
  • Consegue descrever esse mal estar?
  • Não. Apenas umas coisas ruins…”

Pergunta: qual a probabilidade do médico ajudar nesse caso? Caso ele não seja advinha, a probabilidade dele ajudar é muito remota.

Da mesma forma acontece na terapia; quanto maior quantidade de dados sobre sua história de vida, problemas do cotidiano, reações comportamentais diante de determinadas situações, medos, anseios, pensamentos que te deixam mal, emoções que andam te tirando a paz, seus relacionamentos afetivos, profissionais, sociais, maior será a probabilidade do psicoterapeuta realizar uma boa analise do seu caso e te ajudar de uma forma mais efetiva.

3 – Seja sincero.

Já fui paciente e sei que muitas vezes somos tentados a omitir certas informações ou simplesmente mentir. Isso ocorre principalmente porque temos uma falsa impressão de que temos que agradar o psicoterapeuta ou de que o terapeuta poderá realizar julgamentos morais da gente.

O psicoterapeuta não está ali para te julgar. Não está ali para te dar uma lição de moral. Pelo contrário, ele está ali para entender a realidade dos seus problemas, olhar para seu mundo através do seu olhar.

Se determinada técnica não estiver surtindo efeito, por exemplo, Fale! Assim ele poderá verificar outras estratégias mais efetivas para seu caso. Se você teve algum tipo de recaída, exponha. Isso vai ajudar em uma estratégia de recaídas, uma previsão comportamental.

4 – Avise antecipadamente das faltas.

Existem faltas que são acasos do destino. Doença, passar mal, acidente…

Porém, na maioria das vezes, a gente tem um controle sim de nossa agenda. É importante informar ao psicoterapeuta de possíveis faltas para que ele possa preparar uma estratégia clinica adaptada para essa falta.

Por exemplo; se eu aviso ao meu psicoterapeuta que faltarei na próxima semana, ele poderá se preparar estrategicamente e me passar algumas atividades na semana para que continue no ritmo da terapia.

Psicoterapia é como se fosse uma malhação. Quanto maior a quantidade de faltas, menor o rendimento. Dai eu acabo associando essa falta de resultados (evolução) a própria psicoterapia e/ou a mim mesmo; “Essa terapia não está me adiantando de nada.”, ou “eu não tenho jeito!”.

Lembrando: o psicoterapeuta, antes de cada sessão, dedica bastante tempo estudando seu caso, traçando protocolos clínicos, técnicas e objetivos para cada sessão. A hora que você passa na terapia é apenas a execução desse planejamento antecipado. Quando ocorrem faltas não-programadas, toda essa preparação corre risco de ir para o “lixo”, pois a quantidade de problemas pontuais do dia-a-dia vão se acumulando e o psicoterapeuta acaba ficando “cego” desse acompanhamento e quando o paciente retorna ele acaba, geralmente, relatando muitos fatos que não estavam no “radar” terapêutico, levando o psicoterapeuta a focar em “apagar incêndio” com os problemas pontuais do cotidianos e não tendo chances de ir na causa, se aprofundar.

Em breve seguirei com mais dicas,

sds

André Barbosa                                                                                                                                                                                                85 98813 9593                                                                                                                                                                                      Psicólogo Clínico                                                                                                                                                                                          CRP 11/11089                                                                                                                                                                                        Terapeuta Cognitivo-Comportamental

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Manual do paciente: Dicas de como aproveitar, ao máximo, seu tempo na psicoterapia.

Por andreflavionb em Manual do paciente, Psicologia, terapia cognitivo-comportamental

01 de Fevereiro de 2018

Manual do paciente: como aproveitar, ao máximo, seu tempo na psicoterapia.
*imagem retirada facebook/opsicologooficial.

 

Manual do paciente: Dicas de como aproveitar, ao máximo, seu tempo na psicoterapia.

Hoje decidi escrever pequenas e valiosas dicas de como aproveitar, ao máximo, seu tempo na terapia, usando essa oportunidade como uma verdadeira fase transformadora em sua vida.

Escrevo não só pelo ponto de vista de um psicólogo, mas no papel de quem já fez psicoterapia, que esteve do outro lado da mesa.

Primeiro, muitos perguntam-me: “por que devo fazer terapia?”. Minha resposta sempre é: Por que não? Se você tem condições/oportunidade, não pense duas vezes, faça! Terapia além de ser um momento impar na vida (você poderá não lembrar em 20 anos se tomou determinada vacina, se fez determinado checkup, ou se fez ou não fez determinados procedimentos médicos, mas lhe garanto que você jamais esquecerá que fez terapia), irá te proporcionar um ótimo canal autoconhecimento, amadurecimento e evolução em várias esferas da vida: pessoal, social, afetiva, profissional…

Portanto,  terapia é para todos e o melhor de tudo; não possui efeito colateral.

Agora, uma vez que você já está decidido fazer terapia, vamos algumas dicas para você aproveitar ao máximo esse lindo momento de transformação:

DICAS:

1 – Verifique qual abordagem clínica do psicólogo em questão.

Para quem não sabe, existem várias abordagens (especializações/método de atendimento clínico) dentro da psicologia. As principais: Análise do comportamento, terapia cognitivo-comportamental, humanismo, sistêmico, psicodrama, psicanálise.

Cada abordagem tem um método e uma forma de tratamento. Em algumas abordagens o paciente é levado a falar na maior parte do tempo. Outras o tempo já é mais dividido. Algumas psicoterapias são mais objetivas, o paciente realiza atividades terapêuticas fora da terapia, realiza experiências comportamentais, recebe orientações diretas e objetivas, aprende técnicas de como amenizar um determinado sofrimento ou problema, outras são mais subjetivas…

Algumas psicoterapias o paciente é informado de uma previsão de fim da terapia (duração/prazo) logo nas sessões iniciais, outras não existe esse tipo de previsão.

Todas as abordagens clínicas da psicologia são interessantes, mas algumas você adapta mais, outras não, procure uma que você se identifica mais.

Posso falar, com algum propriedade, apenas da minha abordagem que é a terapia cognitivo-comportamental, onde transcrevo abaixo um trecho do que se trata a terapia cognitivo-comportamental, retirado de um dos fundadores dessa abordagem, Aroon Beck .

“A cognitivo-comportamental é uma terapia breve, prazo limitado, estruturada, orientada ao presente, direcionada a resolver problemas atuais e modificar pensamentos e comportamentos… indicada atualmente por sua eficácia cientificamente comprovada.”( BECK, 1997, p. 1).

2 – Não economize nas palavras.

Imagine você ir para uma consulta médica:

“ – Doutor, estou aqui apenas porque tenho sentido umas coisas ruins…

  • Como assim? O que são essas coisas ruins?
  • Não sei. Apenas um mal estar.
  • Consegue descrever esse mal estar?
  • Não. Apenas umas coisas ruins…”

Pergunta: qual a probabilidade do médico ajudar nesse caso? Caso ele não seja advinha, a probabilidade dele ajudar é muito remota.

Da mesma forma acontece na terapia; quanto maior quantidade de dados sobre sua história de vida, problemas do cotidiano, reações comportamentais diante de determinadas situações, medos, anseios, pensamentos que te deixam mal, emoções que andam te tirando a paz, seus relacionamentos afetivos, profissionais, sociais, maior será a probabilidade do psicoterapeuta realizar uma boa analise do seu caso e te ajudar de uma forma mais efetiva.

3 – Seja sincero.

Já fui paciente e sei que muitas vezes somos tentados a omitir certas informações ou simplesmente mentir. Isso ocorre principalmente porque temos uma falsa impressão de que temos que agradar o psicoterapeuta ou de que o terapeuta poderá realizar julgamentos morais da gente.

O psicoterapeuta não está ali para te julgar. Não está ali para te dar uma lição de moral. Pelo contrário, ele está ali para entender a realidade dos seus problemas, olhar para seu mundo através do seu olhar.

Se determinada técnica não estiver surtindo efeito, por exemplo, Fale! Assim ele poderá verificar outras estratégias mais efetivas para seu caso. Se você teve algum tipo de recaída, exponha. Isso vai ajudar em uma estratégia de recaídas, uma previsão comportamental.

4 – Avise antecipadamente das faltas.

Existem faltas que são acasos do destino. Doença, passar mal, acidente…

Porém, na maioria das vezes, a gente tem um controle sim de nossa agenda. É importante informar ao psicoterapeuta de possíveis faltas para que ele possa preparar uma estratégia clinica adaptada para essa falta.

Por exemplo; se eu aviso ao meu psicoterapeuta que faltarei na próxima semana, ele poderá se preparar estrategicamente e me passar algumas atividades na semana para que continue no ritmo da terapia.

Psicoterapia é como se fosse uma malhação. Quanto maior a quantidade de faltas, menor o rendimento. Dai eu acabo associando essa falta de resultados (evolução) a própria psicoterapia e/ou a mim mesmo; “Essa terapia não está me adiantando de nada.”, ou “eu não tenho jeito!”.

Lembrando: o psicoterapeuta, antes de cada sessão, dedica bastante tempo estudando seu caso, traçando protocolos clínicos, técnicas e objetivos para cada sessão. A hora que você passa na terapia é apenas a execução desse planejamento antecipado. Quando ocorrem faltas não-programadas, toda essa preparação corre risco de ir para o “lixo”, pois a quantidade de problemas pontuais do dia-a-dia vão se acumulando e o psicoterapeuta acaba ficando “cego” desse acompanhamento e quando o paciente retorna ele acaba, geralmente, relatando muitos fatos que não estavam no “radar” terapêutico, levando o psicoterapeuta a focar em “apagar incêndio” com os problemas pontuais do cotidianos e não tendo chances de ir na causa, se aprofundar.

Em breve seguirei com mais dicas,

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André Barbosa                                                                                                                                                                                                85 98813 9593                                                                                                                                                                                      Psicólogo Clínico                                                                                                                                                                                          CRP 11/11089                                                                                                                                                                                        Terapeuta Cognitivo-Comportamental

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